Categoria: MUNDO

  • China enfrentará “grandes problemas” se enviar armas ao Irã; diz Trump

    China enfrentará “grandes problemas” se enviar armas ao Irã; diz Trump

    Presidente dos EUA reage a suspeitas de apoio militar de Pequim a Teerã e eleva tensão internacional; negociações de paz fracassam após impasse sobre programa nuclear iraniano e exigências de Washington

    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou o tom contra a China ao comentar a possibilidade de envio de armamentos ao Irã. Segundo ele, uma eventual ajuda militar de Pequim ao regime iraniano pode trazer consequências sérias.

    “Se a China fizer isso, terá grandes problemas, ok?”, afirmou, sem detalhar quais seriam as medidas adotadas por Washington.

    A declaração ocorreu após informações divulgadas pela CNN apontarem que a inteligência americana identificou indícios de que o governo chinês estaria se preparando para enviar sistemas de defesa aérea ao Irã. Entre os equipamentos citados estariam mísseis portáteis antiaéreos, conhecidos como MANPADS.

    O governo chinês reagiu e negou qualquer envolvimento. Em comunicado, a embaixada chinesa em Washington afirmou que o país “nunca forneceu armas a nenhuma das partes envolvidas no conflito” e classificou as acusações como falsas. Também pediu que os Estados Unidos evitem “alegações infundadas” e contribuam para reduzir a escalada de tensão.

    Trump não confirmou se já tratou do tema diretamente com o presidente chinês, Xi Jinping. Os dois líderes têm um encontro previsto para as próximas semanas, e há expectativa de uma possível visita de Xi aos Estados Unidos ainda neste ano.

    Apesar do clima de tensão internacional, o presidente americano também comentou as negociações que vinham sendo realizadas com o Irã e adotou um tom de desinteresse em relação a um eventual acordo. “Independentemente do que aconteça, nós vencemos”, disse. “Para mim, tanto faz se fizermos um acordo ou não.”

    As tratativas ocorreram no Paquistão, com participação de representantes de alto escalão dos dois países. Do lado americano, a delegação foi liderada pelo vice-presidente JD Vance, acompanhado por nomes como Steve Witkoff e Jared Kushner. Já o Irã foi representado por autoridades como o chanceler Abbas Araghchi e o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf.

    Mesmo com relatos de avanços iniciais, divergências centrais impediram um entendimento, especialmente em torno do controle do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo e gás.

    No desfecho das negociações, JD Vance confirmou que não houve acordo. Segundo ele, o principal entrave foi a recusa iraniana em aceitar as exigências americanas relacionadas ao programa nuclear.

    “Mas a verdade é que precisamos de ver um compromisso afirmativo de que não irão procurar obter uma arma nuclear, nem irão procurar as ferramentas que lhes permitiriam alcançar rapidamente uma arma nuclear”, afirmou Vance durante uma breve coletiva de imprensa em Islamabad.

    “Esse é o objetivo central do Presidente dos Estados Unidos. E é isso que tentámos alcançar através destas negociações”, completou.

    As conversas duraram cerca de 21 horas e foram consideradas de alto nível, com comunicação constante entre Vance, Trump e outros membros do governo americano. O encerramento sem acordo reforça o clima de incerteza e mantém abertas as tensões entre Washington e Teerã.
     
     

     

    China enfrentará “grandes problemas” se enviar armas ao Irã; diz Trump

  • Teerã diz que "ninguém estava à espera" de um acordo imediato com EUA

    Teerã diz que "ninguém estava à espera" de um acordo imediato com EUA

    Teerã afirma que exigências “irracionais” travaram negociações, enquanto Washington cobra compromisso contra armas nucleares; apesar do fracasso, lados indicam que diálogo pode continuar e não descartam um acordo futuro

    O governo do Irã afirmou que não esperava um acordo imediato com os Estados Unidos nas primeiras negociações realizadas entre os dois países. A declaração foi feita após o fracasso das conversas em Islamabad, que tinham como objetivo avançar para um entendimento sobre o conflito no Oriente Médio.

    Segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei, o resultado já era previsível desde o início. “Era evidente desde o início que não devíamos esperar chegar a um acordo numa única sessão [de negociações]. Ninguém estava à espera disso”, disse à televisão estatal.

    Ele também indicou que o diálogo não está encerrado e que novas tratativas devem ocorrer com apoio de aliados regionais. “Estou certo de que os contactos com o Paquistão, bem como com os outros amigos na região, irão prosseguir”, afirmou.

    Antes disso, a emissora estatal IRIB informou que as negociações fracassaram por causa das exigências dos americanos. “A delegação iraniana negociou incansavelmente e de forma intensiva durante 21 horas para defender os interesses nacionais do povo iraniano. Apesar de várias iniciativas da parte [iraniana], as exigências irrazoáveis da parte americana impediram que as negociações avançassem. As negociações chegaram, portanto, ao fim”, comunicou.

    Do lado americano, o vice-presidente JD Vance confirmou o encerramento das tratativas sem acordo. Segundo ele, o impasse ocorreu porque Teerã não aceitou abrir mão de seu programa nuclear.

    “A verdade é que precisamos de ver um compromisso afirmativo de que não irão procurar obter uma arma nuclear, nem irão procurar as ferramentas que lhes permitiriam alcançar rapidamente uma arma nuclear”, declarou.

    “Esse é o objetivo central do Presidente dos Estados Unidos. E é isso que tentámos alcançar através destas negociações”, acrescentou.

    Vance também afirmou que Washington deixou uma proposta final na mesa. “E partimos daqui, e partimos daqui com uma proposta muito simples, um método de entendimento, que é a nossa oferta final e melhor. Veremos se os iranianos a aceitam”, disse.

    A menção a uma proposta final tem sido interpretada por veículos de imprensa internacionais como um indicativo de que as negociações podem continuar, mantendo aberta a possibilidade de um acordo mais amplo no futuro.
     
     

     

    Teerã diz que "ninguém estava à espera" de um acordo imediato com EUA

  • Vou expor tudo”: brasileira ameaça Trump e Melania após caso Epstein

    Vou expor tudo”: brasileira ameaça Trump e Melania após caso Epstein

    Ex-modelo diz ter informações comprometedoras e faz acusações nas redes; episódio envolve deportação, ligação com aliado do presidente e relatos sobre contato com círculo próximo ao financista Jeffrey Epstein

    Após Melania Trump negar qualquer ligação com Jeffrey Epstein, uma conta na rede X atribuída à ex-modelo brasileira Amanda Ungaro, de 41 anos, publicou uma série de mensagens com acusações e ameaças direcionadas à primeira-dama e ao presidente Donald Trump.

    Nas postagens, posteriormente apagadas, a autora afirmava que pretendia revelar informações comprometedoras. “Vou destruir seu sistema corrupto, mesmo que seja a última coisa que eu faça na minha vida. Vou até o fim –não tenho medo. Talvez você devesse ter medo do que eu sei sobre quem você é e quem é o seu marido. Não tenho mais nada a perder na minha vida. […] Tome cuidado comigo”, dizia a mensagem.

    Amanda Ungaro foi casada com Paolo Zampolli, aliado de Trump. Segundo o jornal The New York Times, Zampolli teria tomado conhecimento de que a ex-mulher estava presa em Miami sob acusações de fraude e, a partir disso, entrou em contato com David Venturella, do ICE, para informar que ela estaria em situação migratória irregular.

    Após esse episódio, Ungaro foi deportada em outubro de 2025. Ao New York Times, Zampolli negou ter solicitado qualquer tipo de favorecimento às autoridades e disse que apenas buscou entender o caso.

    O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos informou, em nota, que a deportação ocorreu porque a brasileira estava com o visto vencido há um longo período. “Qualquer sugestão de que ela foi presa e removida por razões políticas ou favoritismo é falsa”, afirmou o órgão.

    Nas publicações, a ex-modelo também alegou ter uma relação antiga com Melania. “Eu te conheço há 20 anos. Você sabia que eu estava detida no ICE. Você esteve presente na minha vida –todos os anos no aniversário do meu filho, inclusive mandando o Serviço Secreto e sendo a primeira a parabenizá-lo, lá em 2016. Claramente havia algo errado, mas não faço parte de nenhuma missão maligna envolvendo crianças. Então o que você fez, Melania? Você tentou me envolver, mas falhou –porque eu tenho caráter”, escreveu.

    De acordo com o New York Times, o casal presidencial mantinha proximidade com Zampolli e Ungaro no passado. Em resposta, um porta-voz de Melania afirmou que ela “não tem conhecimento nem envolvimento nos assuntos pessoais de Zampolli e de Ungaro” e que “não teve nenhum contato ou envolvimento” com o ICE.

    Em entrevista ao jornal O Globo, Ungaro relatou que, ainda adolescente, viajou em uma aeronave ligada a Epstein. Segundo ela, havia cerca de 30 meninas a bordo, descritas como “bonitas e bem novinhas”, mas “mais parecidas com estudantes do que com modelos”, além do bilionário e de sua então companheira, Ghislaine Maxwell.

    O relacionamento com Zampolli começou pouco tempo depois desse episódio e se estendeu por quase 20 anos. Atualmente, Ungaro acusa o ex-marido de abuso sexual e violência doméstica. Os dois travam uma disputa judicial pela guarda do filho, de 15 anos, nos Estados Unidos.

    Vou expor tudo”: brasileira ameaça Trump e Melania após caso Epstein

  • EUA abandonam as negociações e JD Vance regressa a Washington sem acordo

    EUA abandonam as negociações e JD Vance regressa a Washington sem acordo

    Após mais de 20 horas de negociações, Estados Unidos encerram diálogo com o Irã diante da recusa em aceitar condições sobre programa nuclear; vice-presidente afirma que exigência era central para acordo de paz

    O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, anunciou o fim das negociações entre Washington e Teerã sem a assinatura de um acordo de paz. Segundo ele, o impasse ocorreu após o Irã recusar as شروط impostas pelos americanos, que incluíam o compromisso de não desenvolver armas nucleares.

    As conversas, consideradas de alto nível, se estenderam por cerca de 21 horas. Durante todo o processo, Vance manteve contato direto com o presidente Donald Trump e outros integrantes do governo norte-americano.

    “Mas a verdade é que precisamos de ver um compromisso afirmativo de que não irão procurar obter uma arma nuclear, nem irão procurar as ferramentas que lhes permitiriam alcançar rapidamente uma arma nuclear”, afirmou Vance durante uma breve coletiva de imprensa em Islamabad.

    “Esse é o objetivo central do Presidente dos Estados Unidos. E é isso que tentámos alcançar através destas negociações”, completou.
     
     

     

    EUA abandonam as negociações e JD Vance regressa a Washington sem acordo

  • Ataque a faca em estação de NY deixa três feridos e suspeito morto

    Ataque a faca em estação de NY deixa três feridos e suspeito morto

    Homem armado com “grande faca” ignorou mais de 20 ordens da polícia, avançou contra agentes e foi baleado; vítimas, todas idosas, foram hospitalizadas sem risco de morte, e caso mobilizou forças de segurança em uma das áreas mais movimentadas da cidade

    Três pessoas ficaram feridas após um ataque a faca na estação Grand Central Terminal, em Nova York, nos Estados Unidos. O suspeito acabou morto depois de ignorar repetidas ordens da polícia para largar a arma.

    O caso aconteceu em uma das estações mais movimentadas da cidade. Segundo o Departamento de Polícia de Nova York (NYPD), as vítimas foram socorridas e levadas ao hospital, mas não correm risco de morte.

    De acordo com as autoridades, ao chegarem ao local, os policiais encontraram o homem com comportamento considerado “errático”. Ele repetia que “era o Diabo” e carregava uma “grande faca”.

    “Recusou-se a seguir, pelo menos, 20 ordens para baixar a faca”, afirmou uma representante da polícia durante coletiva de imprensa. Ainda segundo ela, o suspeito avançou contra os agentes, que reagiram atirando duas vezes. Apesar das tentativas de reanimação “imediatas”, o homem, de 44 anos, não resistiu.

    As vítimas são dois homens, de 84 e 65 anos. O mais idoso sofreu ferimentos “na cabeça e na cara”, enquanto o outro teve lesões semelhantes e também uma fratura. A terceira vítima é uma mulher, de cerca de 70 anos, que sofreu “cortes” no ombro.

    O ataque ocorreu por volta das 9h40 no horário local. A estação chegou a ter o funcionamento afetado por causa da investigação. Dois policiais também foram levados ao hospital, segundo a emissora NBC News, mas estão em condição estável.

    A governadora de Nova York, Kathy Hochul, elogiou a atuação das forças de segurança. Ela afirmou estar “grata aos agentes por terem agido com rapidez”.

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    Ataque a faca em estação de NY deixa três feridos e suspeito morto

  • Trump afirma que iranianos "não têm cartas" para negociações exceto Ormuz

    Trump afirma que iranianos "não têm cartas" para negociações exceto Ormuz

    Presidente dos EUA afirma que Teerã só usa bloqueio marítimo como pressão e cobra avanços em negociações; país exige fim de sanções e cessar-fogo ampliado antes de acordo, enquanto Washington já prepara possível nova ofensiva militar

    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira que o Irã chega enfraquecido às negociações previstas para este sábado em Islamabad, no Paquistão. Segundo ele, o país não tem poder de barganha além da ameaça de bloquear rotas marítimas estratégicas, como o estreito de Ormuz.

    “Os iranianos parecem não perceber que não têm cartas, exceto a extorsão de curta duração do resto do mundo utilizando as rotas marítimas internacionais. A única razão pela qual ainda estão vivos hoje é para negociar”, escreveu Trump em sua rede social.

    Em outra publicação, o republicano voltou a criticar o governo iraniano. “Os iranianos são melhores a manipular os ‘media’ mentirosos e nas ‘relações públicas’ do que a lutar!”, afirmou.

    A comparação com um jogo de cartas já havia sido usada por Trump em fevereiro de 2025, quando confrontou publicamente o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, durante um encontro na Casa Branca, afirmando que ele não tinha mais “cartas” no conflito com a Rússia.

    O controle do estreito de Ormuz, por onde passavam cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo antes do início da guerra, em 28 de fevereiro, está no centro das negociações de paz entre Estados Unidos e Irã. O conflito teve início após uma ofensiva de forças americanas e israelenses contra o território iraniano.

    Embora Washington e Teerã tenham anunciado um cessar-fogo de duas semanas, com a promessa de reabertura da rota marítima, apenas um número limitado de navios conseguiu atravessar o estreito desde então, diante da ameaça militar iraniana.

    Na quinta-feira, Trump acusou o Irã de descumprir o acordo. “Não estava a cumprir a sua parte”, disse, referindo-se ao bloqueio de Ormuz. O presidente norte-americano também lembrou que havia dado um ultimato ao país, sob ameaça de apagar “uma civilização inteira”.

    Em entrevista ao jornal New York Post, Trump afirmou que os Estados Unidos já se preparam para uma nova escalada militar caso as negociações fracassem. “Estamos a começar tudo de novo. Estamos a carregar os navios com as melhores munições, as melhores armas alguma vez construídas, até melhores do que as que tínhamos antes, quando já tínhamos destruído tudo”, declarou.

    “Se não houver acordo, vamos usá-las, e vamos usá-las com muita eficácia”, acrescentou.

    Do lado iraniano, o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, exigiu que o cessar-fogo seja ampliado para incluir também os confrontos entre Israel e o Hezbollah, no Líbano, além do desbloqueio de ativos financeiros do país antes do início das negociações.

    “Duas das medidas acordadas pelas partes ainda precisam de ser implementadas: um cessar-fogo no Líbano e o desbloqueio dos ativos do Irão, antes do início das negociações”, escreveu em uma rede social.

    O levantamento das sanções financeiras não havia sido apresentado publicamente como condição inicial por Teerã, embora faça parte de uma lista mais ampla de exigências para um acordo de paz.

    Estados Unidos e Israel, no entanto, afirmam que o Líbano não está incluído no cessar-fogo atual, apesar de o Paquistão, mediador das negociações, ter indicado inicialmente o contrário.

    Antes das declarações de Ghalibaf, o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, que deve liderar a delegação americana nas negociações em Islamabad, também fez um alerta direto ao Irã.

    “Se nos tentarem enganar, vão descobrir que a equipa de negociação não está muito recetiva”, afirmou.

    As conversas de paz têm como foco principal o fim duradouro da guerra, o desbloqueio do estreito de Ormuz, o programa nuclear iraniano, a produção de mísseis de longo alcance e o apoio de Teerã a grupos armados no Oriente Médio, como o Hezbollah, no Líbano, os Houthis, no Iêmen, e o Hamas, na Palestina, além das sanções econômicas impostas à República Islâmica.

    A delegação americana contará ainda com enviados da Casa Branca, como Steve Witkoff e Jared Kushner.

    Do lado iraniano, a expectativa é de que as negociações sejam lideradas por Mohammad Bagher Ghalibaf e pelo ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, embora isso ainda não tenha sido confirmado oficialmente.

    A rodada anterior de negociações, mediada por Omã, foi interrompida com o início da ofensiva aérea conjunta de Estados Unidos e Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro.
     
     

     

    Trump afirma que iranianos "não têm cartas" para negociações exceto Ormuz

  • Líder supremo do Irã estaria desfigurado após ataque que matou seu pai

    Líder supremo do Irã estaria desfigurado após ataque que matou seu pai

    Mojtaba Khamenei sofreu ferimentos graves no rosto e nas pernas em bombardeio de EUA e Israel, mas segue lúcido e participando de decisões do regime; estado de saúde e localização ainda são incertos, segundo fontes próximas

    Mojtaba Khamenei, atual líder supremo do Irã e filho do antigo aiatolá Ali Khamenei, ficou gravemente ferido e com o rosto desfigurado após o ataque aéreo realizado por Estados Unidos e Israel no fim de fevereiro, que matou seu pai e marcou o início do atual conflito. Apesar da gravidade do quadro, ele permanece lúcido e segue participando das decisões do regime.

    Segundo três fontes próximas ao círculo do líder ouvidas pela agência Reuters, Khamenei, de 56 anos, sofreu ferimentos severos no rosto e em uma ou nas duas pernas durante o bombardeio ao complexo do líder supremo, em Teerã, no dia 28 de fevereiro. Desde então, ele está em recuperação.

    Mesmo com as lesões, Khamenei continua mentalmente ativo e tem participado de reuniões com autoridades de alto escalão por videoconferência, mantendo influência direta nas decisões estratégicas do país, incluindo temas ligados à guerra e às negociações com os Estados Unidos.

    A localização exata, o estado de saúde detalhado e a real capacidade de governar do líder iraniano ainda são incertos. Desde o ataque e sua nomeação como sucessor do pai, em 8 de março, não há registros públicos de imagens, vídeos ou áudios que confirmem sua condição.

    O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, já havia mencionado a situação em março. “Sabemos que o novo suposto, não tão supremo, líder está ferido e provavelmente desfigurado”, afirmou durante uma coletiva de imprensa.

    “Novo líder, não tão supremo, está ferido e provavelmente desfigurado”, reforçou o chefe do Pentágono ao comentar os efeitos do ataque.

    Quem é Mojtaba Khamenei

    Antes mesmo de assumir o posto máximo do regime iraniano, Mojtaba Khamenei já era apontado como um dos principais nomes nos bastidores do poder em Teerã. Nascido em Mashhad, cerca de dez anos antes da Revolução Islâmica de 1979, ele nunca ocupou cargos formais no governo, mas construiu influência política nos bastidores.

    Uma biografia oficial de Ali Khamenei relata que, ainda na infância, Mojtaba presenciou a repressão do regime do xá Mohammad Reza Pahlavi, quando agentes da polícia secreta SAVAK invadiram a casa da família, espancaram seu pai e o levaram preso. À época, foi dito aos filhos que ele havia saído de férias.

    Após a Revolução Islâmica, liderada por Ruhollah Khomeini, a família se mudou para Teerã. Nos anos 1980, Mojtaba participou da Guerra Irã-Iraque, integrando o batalhão Habib ibn Mazahir, ligado à Guarda Revolucionária, grupo que posteriormente forneceu quadros para os serviços de inteligência do país.

    Com a ascensão de Ali Khamenei ao posto de líder supremo, em 1989, Mojtaba passou a ter acesso a vastos recursos financeiros e influência sobre empresas e setores estratégicos do Estado iraniano.

    Documentos diplomáticos dos Estados Unidos divulgados pelo Wikileaks descrevem Mojtaba como “o poder atrás da cortina”. Segundo esses registros, ele teria criado uma base própria de apoio dentro do regime e ampliado sua influência política ao longo dos anos.

    Os documentos também apontam que Khamenei “é amplamente visto dentro do regime como um líder e gestor capaz e enérgico que poderá um dia suceder a, pelo menos, uma parte da liderança nacional” e que “o seu pai [Ali Khamenei] também pode vê-lo dessa forma”.

    Ele também manteve proximidade com a Guarda Revolucionária, incluindo líderes da Força Quds e da milícia Basij, conhecida por reprimir protestos no país.

    Em 2019, durante o primeiro mandato de Donald Trump, Mojtaba foi sancionado pelos Estados Unidos sob a acusação de promover “ambições regionais desestabilizadoras” e “opressão interna”.

    O atual líder iraniano também foi acusado de apoiar a eleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad, em 2005, e sua reeleição em 2009, processo que desencadeou os protestos conhecidos como “Movimento Verde”.
     
     
     

    Líder supremo do Irã estaria desfigurado após ataque que matou seu pai

  • Menino é resgatado nu e desnutrido após quase dois anos  preso em van

    Menino é resgatado nu e desnutrido após quase dois anos preso em van

    A criança foi encontrada nua, desnutrida e incapaz de andar após mais de um ano mantida pelo pai dentro de uma van usada no trabalho. O caso levou à prisão do homem, à acusação de omissão contra a madrasta e à proteção estatal dos três irmãos

    Um menino de 9 anos foi resgatado em condições extremas após passar cerca de 17 meses vivendo dentro de uma van estacionada no pátio de um conjunto residencial em Hagenbach, no leste da França. O caso veio à tona na segunda‑feira (6/4), quando um vizinho ouviu choros vindos do veículo e acionou a polícia.

    Ao abrir a van, os agentes encontraram a criança nua, desnutrida, em posição fetal e coberta apenas por um cobertor. O menino estava deitado sobre lixo e próximo a fezes, pálido e debilitado. Segundo as autoridades, após quase dois anos praticamente imóvel, ele já não conseguia mais andar.

    A promotoria informou que o pai, de 43 anos, admitiu ter mantido o filho no veículo desde novembro de 2024. Ele afirmou que temia que a companheira internasse o menino em um hospital psiquiátrico. A própria criança relatou aos investigadores que tinha conflitos com a madrasta, que “não o queria mais em casa”.

    A mulher negou saber que o menino vivia em cativeiro. Em depoimento, disse ter ouvido barulhos vindos da van e questionado se havia alguém ali, mas afirmou não ter recebido resposta. A meia‑irmã da vítima, porém, contou à polícia que a mãe também ouviu os sons e perguntou sobre a origem, recebendo como explicação que se tratava do miado de um gato.

    O pai foi indiciado por sequestro e privação de cuidados e permanece preso. A madrasta foi acusada por omissão de socorro e está sob supervisão judicial. O menino de 9 anos, a irmã de 12 e a meia‑irmã de 10 foram colocados sob proteção do Estado.

    Último banho em 2024
    Durante o período em que manteve o filho na van, o pai afirmou que levava comida duas vezes ao dia, fornecia água e permitia contato por celular. A criança usava garrafas e sacos de lixo para necessidades básicas e, segundo depoimento, tomou seu último banho no fim de 2024, quando ainda tinha 7 anos.

    A investigação aponta que o menino permanecia dentro do veículo inclusive durante os deslocamentos diários do pai, que utilizava a van para trabalhar. No último verão europeu, ele foi autorizado a entrar no apartamento apenas quando a família estava viajando de férias.

    Menino é resgatado nu e desnutrido após quase dois anos preso em van

  • Xi Jinping se reúne com líder da oposição de Taiwan e diz que rejeita independência

    Xi Jinping se reúne com líder da oposição de Taiwan e diz que rejeita independência

    Encontro ocorre em momento de pressão militar de Pequim; Cheng Li-wun é a primeira líder do partido Kuomintang (KMT) a visitar a China em uma década

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – O dirigente da China, Xi Jinping, afirmou que o país “absolutamente não tolerará” a independência de Taiwan. A frase foi dita durante um encontro com a líder da oposição da ilha, Cheng Li-wun, nesta sexta-feira (10) em Pequim.

    Presidente do Kuomintang (KMT), Cheng é a primeira líder do partido a visitar a China em uma década. Ela chamou a viagem de missão de paz para reduzir as tensões em um momento em que o regime comunista intensificou a pressão militar contra Taiwan.

    De todo modo, sua ida gerou debate, com críticos acusando-a de ser pró-Pequim. A China se recusa a dialogar com o presidente de Taiwan, Lai Ching-te, a quem chama de separatista.

    No encontro desta sexta, realizado no Grande Salão do Povo, Xi reforçou o princípio de “uma só China” e disse que a independência taiwanesa é a principal ameaça à estabilidade. Também pediu que o KMT e o Partido Comunista Chinês atuem juntos pela reunificação.

    O dirigente disse que “a tendência geral de compatriotas dos dois lados do estreito se aproximarem, ficarem mais próximos e se unirem não mudará”.

    “Isso é uma parte inevitável da história. Temos plena confiança nisso.”

    Xi também disse que a China está disposta a fortalecer o diálogo com grupos em Taiwan, incluindo o KMT. O partido defende relações mais próximas com a China.

    Em uma conversa com jornalistas após o encontro, Cheng ecoou a posição de Xi. Ela falou sobre necessidade de as gerações mais jovens entenderem “quais desafios enfrentamos neste momento” e “como, ao se opor à independência de Taiwan, podemos evitar a guerra”.

    Um porta-voz do DPP, partido governista de Taiwan, disse que a China deveria respeitar o “compromisso de Taiwan com a liberdade e a democracia, em vez de interferir nas escolhas do povo taiwanês”.

    “As diferenças entre os dois lados devem ser tratadas por meios pacíficos e iguais, e não por meio de supressão e intimidação”, disse o porta-voz Lee Kuen-cheng.

    Pequim tem aumentado a pressão militar sobre Taiwan nos últimos anos, realizando quase diariamente exercícios militares e enviando caças e navios de guerra próximos à ilha.

    Parlamentares taiwaneses têm entrado em conflito sobre o plano do governo de gastar US$ 39 bilhões (cerca de R$ 197 bilhões) em defesa. O projeto está parado há meses no Parlamento, controlado por partidos de oposição, incluindo o KMT.

    O principal formulador de políticas para a China de Taiwan, Chiu Chui-cheng, disse a jornalistas nesta sexta que apenas o povo da ilha poderia decidir seu futuro.

    A viagem de Cheng ocorre um mês antes de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, visitar Pequim para uma cúpula com Xi. Os EUA têm pressionado parlamentares da oposição em Taiwan a apoiarem uma proposta de compras de defesa, incluindo armas americanas, para dissuadir um possível ataque chinês.

    Cheng criticou a proposta do governo, insistindo que “Taiwan não é um caixa eletrônico”, e apoiou, em vez disso, um plano do KMT de destinar US$ 12 bilhões para armas dos EUA, com opção de novas aquisições.

    Embora membros do KMT viajem regularmente à China para intercâmbios com autoridades, o último líder do partido a visitar o país foi Hung Hsiu-chu, em 2016.

    As relações entre os dois lados do estreito pioraram especialmente desde a eleição do sucessor de Tsai, Lai Ching-te. Em um post nas redes sociais nesta sexta, ele disse que “as ameaças militares da China dentro e ao redor do Estreito de Taiwan e da cadeia de ilhas prejudicaram gravemente a paz e a estabilidade regionais”.

    Xi Jinping se reúne com líder da oposição de Taiwan e diz que rejeita independência

  • Khamenei reforça que Estreito de Ormuz terá novas regras para passagem

    Khamenei reforça que Estreito de Ormuz terá novas regras para passagem

    Líder Supremo do Irã aconselhou vizinhos a se afastem de Israel e EUA: “Certamente levaremos a gestão do Estreito de Ormuz a um novo patamar. Não fomos e não somos belicistas, mas não renunciaremos a nenhum dos nossos direitos legítimos”, disse

    Em pronunciamento à nação, o novo líder Supremo do Irã, o aiatolá Seyyed Mojtaba Khamenei, reafirmou que a gestão do Estreito de Ormuz terá novas regras daqui para frente.

    Ele ainda aconselhou os países do Golfo Pérsico a se afastarem de Israel e dos Estados Unidos (EUA), além de confirmar que o Irã levará “em consideração” todas as frentes de batalha no Oriente Médio, o que inclui Líbano e Faixa de Gaza.  

    “Certamente levaremos a gestão do Estreito de Ormuz a um novo patamar. Não fomos e não somos belicistas, mas não renunciaremos a nenhum dos nossos direitos legítimos. E, nesse sentido, consideramos a união de toda a frente de Resistência”, disse Mojtaba Khamenei, filho do aiatolá Ali Khamenei, que foi assassinado no primeiro dia da guerra.

    A “frente da Resistência”, ou Eixo da Resistência, é todo grupo ou partido que se opõem à política de Israel e EUA no Oriente Médio, como Hezbollah, no Líbano, Hamas, em Gaza, e os Huthis, no Iêmen.

    Já o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde transitam 20% de todo petróleo e gás do planeta, causou elevação dos preços da energia em todo o mundo. A ação foi uma retaliação do Irã contra agressão sofrida dos EUA e Israel, que passaram a bombardear o país persa no dia 28 de fevereiro.

    O pronunciamento do novo líder do Irã foi lido nas emissoras do Irã na noite dessa quinta-feira (9), em meio aos atos de homenagem ao 40º dia da morte do pai do novo líder, Ali Khamenei. Os atos levaram multidões às ruas de diferentes cidades do país.

    Mensagem 

    Mojtaba Khamenei enviou ainda mensagem aos “vizinhos do Sul” do Irã, entendidos como os países do Golfo Pérsico que foram alvos de mísseis iranianos e acusados por Teerã de colaborarem com EUA e Israel na agressão contra o país persa, como Emirados Árabes Unidos, Catar, Kuwait, Bahrein e Arábia Saudita.

    “Aos nossos vizinhos do Sul, eu digo: Vocês estão testemunhando um milagre. Portanto, observem com atenção e compreendam-no bem, permaneçam no lugar certo e cuidado com as falsas promessas dos malignos”, disse.

    O líder Supremo do Irã acrescentou que ainda aguarda “uma resposta adequada” por parte desses países, “para que possamos demonstrar nossa fraternidade e boa vontade para com vocês”.

    Para Mojtaba Khamenei, essa boa vontade não poderia ser alcançada, sem o distanciamento “dos poderes arrogantes que nunca perdem a oportunidade de humilhá-los e explorá-los”.

    O líder Supremo reafirmou também que o país vai exigir uma indenização “por todos os danos causados, o pagamento do sangue dos mártires e o pagamento do sangue dos feridos nesta guerra”.

    Mensagem ao povo iraniano

    O aiatolá Seyyed Mojtaba Khamenei também se dirigiu diretamente ao povo iraniano para enfatizar a importância de as pessoas permanecerem nas ruas protestando.

    “Assim como fizeram nos últimos 40 dias, essa presença [nas ruas] é um pilar crucial da dignidade sobre a qual o poderoso Irã se estabeleceu”, ressaltou, ao acrescentar que “não se deve pensar que, com o anúncio de negociações com o inimigo, a presença nas ruas seja desnecessária”.

    O líder Supremo ainda afirmou que as diferenças entre os setores da sociedade foram reduzidas nos 40 dias de guerra.

    “Uma parte significativa dessa união foi conquistada nestes 40 dias. Os corações do povo se aproximaram. O gelo entre os diferentes segmentos com diversas inclinações começou a derreter. Todos se reuniram sob a bandeira da pátria.”

    Khamenei pediu ainda que as pessoas se apoiem mutuamente para mitigar a pressão da escassez de recursos causada pela guerra e alertou para a influência da propaganda do inimigo divulgada pelos meios de comunicação.

    “Esses meios de comunicação não desejam o bem do nosso país, e isso já foi comprovado inúmeras vezes. Portanto, devemos evitá-los completamente ou abordar suas publicações com extremo ceticismo”, completou.

    Entenda

    Após 40 dias de guerra de agressão dos EUA e Israel contra o Irã, os países anunciaram um cessar-fogo de duas semanas para negociações.  Ao mesmo tempo, os ataques massivos de Israel contra o Líbano levaram as autoridades iranianas a ameaçarem romperem o acordo.

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