Categoria: MUNDO

  • Lula diz que Trump é amigo e que problemas com EUA vão se resolver

    Lula diz que Trump é amigo e que problemas com EUA vão se resolver

    EUA ordenaram bloqueio total de petroleiros sob sanção dos EUA ao redor da Venezuela; governo americano enviou navios e frota militar para o Caribe em ofensiva militar

    BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que virou amigo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e que os problemas com o país vão se resolver.

    “Todos vocês pensaram que eu iria entrar em guerra com Trump. O Trump virou meu amigo. Com um pouco de conversa, dois homens de 80 anos de idade, não tem porque brigar. Nós estamos conversando direitinho e pode ficar certo que tudo vai se acertar sem nenhum tiro, sem nenhuma arma, sem nenhum bomba, sem nenhum navio bloqueando a costa brasileira”, disse.

    “Eu disse para o presidente Tump, o poder da palavra é mais forte que qualquer arma que vocês possam ter. É só saber utilizá-lo e a gente vai conseguir resolver grande parte dos problemas que a gente tem na política”, acrescentou.

    Na quarta (17), Lula disse ter falado a Trump que conversar é menos sofrível do que a guerra.

    O governo americano enviou uma frota militar aos mares do entorno da Venezuela em operação militar com a justificativa de combater o narcotráfico. Além disso, Trump ordenou um bloqueio total de petroleiros sob sanção dos EUA ao redor da Venezuela.

    O regime de Nicolás Maduro reagiu, classificando a ação dos EUA de “irracional” e “ameaça grotesca”.

    Apesar de sanções americanas contra o setor petrolífero venezuelano, a empresa americana Chevron opera no país latino-americano com anuência de Washington -medida adotada pelo governo Joe Biden com o objetivo de reduzir o preço de gasolina nos EUA e mantida pelo governo Trump.

    As declarações foram feitas durante o último encontro do ano feito por Lula com todos os seus ministros, no qual é apresentado um balanço de ações no ano e cobranças do presidente são reforçadas.

    Nele, Lula se referiu a conversas que travou com o homólogo americano sobre questões bilaterais e internacionais. Em telefonema mais recente, o brasileiro pediu cooperação de Trump no combate ao narcotráfico internacional, sem menções diretas à Venezuela, segundo o governo brasileiro.

    Na mesma semana, Lula também conversou com Maduro sobre a escalada militar dos EUA contra o país vizinho.

    Lula diz que Trump é amigo e que problemas com EUA vão se resolver

  • El Niño afeta ecossistema marinho no Oceano Atlântico, diz estudo

    El Niño afeta ecossistema marinho no Oceano Atlântico, diz estudo

    Fenômeno climático impacta chuvas, rios e pesca no Brasil

    Um estudo publicado nesta quinta-feira (18) na revista Nature Reviews Earth & Environment amplia a compreensão científica sobre os impactos do El Niño–Oscilação Sul (ENOS) sobre o Oceano Atlântico. Segundo os pesquisadores, o fenômeno climático pode determinar se a pesca aumenta ou diminui em regiões da África e da América do Sul.

    ENOS é o nome dado para a alternância entre o esfriamento (El Niño) e o aquecimento (La Niña) do Oceano Pacífico. O fenômeno acoplado nasce de variações da pressão e das circulações oceânicas e atmosféricas.

    O estudo reúne evidências científicas de como o ENOS muda padrões de chuva, ventos, temperatura, salinidade do oceano e a descarga de grandes rios, afetando a disponibilidade de nutrientes e oxigênio nas águas. Essas mudanças influenciam o fitoplâncton, base da cadeia alimentar marinha, e têm reflexos na abundância de peixes e crustáceos de importância comercial. 

    Segundo o artigo, os impactos do fenômeno não são homogêneos e variam conforme a região, a espécie explorada e o período analisado. No Norte do Brasil, o El Niño atua pela via tropical e está associado à redução das chuvas na Amazônia, como observado em 2023 e 2024. A diminuição das chuvas reduz a pluma do rio Amazonas, que transporta nutrientes essenciais para a costa do Norte e Nordeste.

    “Essa pluma, que chega à costa do Norte e Nordeste do Brasil, contém nutrientes que são a base da cadeia alimentar”, explica a professora Regina Rodrigues, da Universidade Federal de Santa Catarina, uma das autoras do artigo.

    A redução desse aporte pode prejudicar a produtividade da pesca em algumas áreas, mas, por outro lado, pode favorecer a captura do camarão marrom, beneficiado pela menor turbidez da água e maior penetração da radiação solar.

    No Sul do país, o El Niño atua pela via extratropical e está associado ao aumento das chuvas, como ocorreu no Rio Grande do Sul em 2024. O maior aporte de água doce e nutrientes tende a favorecer a pesca de determinadas espécies. Já na região central do Atlântico Sul, o fenômeno está relacionado ao aumento da captura da albacora, um tipo de atum amplamente explorado comercialmente.

    A revisão ressalta, no entanto, que essas respostas variam de acordo com a espécie, a estação do ano e até a década analisada.

    Segundo Ronaldo Angelini, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e coautor do estudo, a proposta da pesquisa é integrar processos físicos, biogeoquímicos e ecológicos para compreender essas variações.

    “Essa abordagem ajuda a explicar por que respostas observadas na pesca nem sempre são lineares ou consistentes ao longo do tempo”, afirma Angelini, especialmente diante de um cenário de mudanças climáticas que afetam a frequência e a intensidade do ENOS.

    O artigo também identifica lacunas importantes no conhecimento, como a escassez de séries históricas de dados pesqueiros e limitações das observações por satélite, e propõe caminhos para aprimorar a capacidade de previsão.

    “Esse roteiro viabiliza a construção de modelos quantitativos comparáveis com estimativas de incerteza, essenciais para separar sinais de ENOS de outras variabilidades”, explica o pesquisador.

    Resultado de um projeto internacional financiado pela União Europeia, com participação de instituições da Europa, África e Brasil, o estudo destaca que não existe uma resposta única do Atlântico ao ENOS. Para os autores, isso reforça a necessidade de estratégias de manejo localizadas, adaptadas à realidade de cada estoque pesqueiro e de cada comunidade.

    Diante da escala global do fenômeno, que dificulta o monitoramento por países isoladamente, os pesquisadores defendem a adoção de um monitoramento oceânico coordenado, com a ampliação de redes já existentes e a integração de observatórios costeiros, utilizando protocolos comuns, dados interoperáveis e séries temporais comparáveis.

    El Niño afeta ecossistema marinho no Oceano Atlântico, diz estudo

  • Avião cai durante o pouso em aeroporto na Carolina do Norte, nos EUA

    Avião cai durante o pouso em aeroporto na Carolina do Norte, nos EUA

    O site WBTV fala em “múltiplas mortes”, mas não soube dizer a quantidade de pessoas vítimas do acidente

    SÃO PAULO, SP (UOL/CBS NEWS) – Um avião caiu durante o pouso esta manhã (horário local), no Aeroporto Regional de Statesville, na Carolina do Norte, nos EUA. Ainda não há informações de feridos ou as causas do acidente.

    Avião caiu por volta das 10h15 (12h15 no horário de Brasília), informou o Aeroporto Regional de Statesville, nas redes sociais. “Podemos confirmar que houve um incidente com uma aeronave no Aeroporto Regional de Statesville”, postou o perfil do aeródromo no Facebook.

    O avião caiu durante o pouso. “A FAA (sigla em inglês da Administração Federal de Aviação) está a caminho e investigará o incidente”, informou o aeroporto. “Atualizações serão fornecidas assim que as informações estiverem disponíveis”.

    O site WBTV fala em “múltiplas mortes”, mas não soube dizer a quantidade de pessoas vítimas do acidente. Segundo o portal, o avião em questão era um Cesna C550. “Registros comerciais indicam que o avião pertencia ao ex-piloto da Nascar, Greg Biffle”, informa o portal.

    A pista do local tem 2.135 metros e fica localizada ao longo de duas rodovias da região. De acordo com o site da cidade de Statesville, o aeroporto é municipal e oferece hangares e outras instalações para aeronaves executivas de todos os portes da Fortune 500 e diversas equipes da Nascar, tradicional modalidade automobilística americana.

    Avião cai durante o pouso em aeroporto na Carolina do Norte, nos EUA

  • Venezuela pede reunião com a ONU para questionar 'agressão dos EUA'

    Venezuela pede reunião com a ONU para questionar 'agressão dos EUA'

    A Venezuela solicitou uma reunião com o Conselho de Segurança da ONU para discutir a “agressão em curso dos Estados Unidos”. O pedido acontece depois de o presidente norte-americano ordenar um bloqueio total à entrada e saída de navios petroleiros do país

    A Venezuela pediu, esta quarta-feira (17), uma reunião do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) para discutir “a agressão em curso dos Estados Unidos” contra o país.

    A notícia foi divulgada pela agência Reuters que diz ter tido acesso a uma carta dirigida ao grupo de 15 membros europeus.

    O veículo de comunicação relatou que um diplomata das Nações Unidas destacou que a reunião provavelmente seria agendada para a próxima terça-feira, dia 23 de dezembro.

    O pedido da Venezuela ocorre depois de o presidente norte-americano ordenar um bloqueio “total e completo” à entrada e saída de navios petrolíferos sancionados pela administração Trump do país da América latina.

    Trump acusou o regime do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, de utilizar o petróleo para “se financiar a si próprio, ao tráfico de droga, ao tráfico humano, a assassinatos e raptos”.

    “Pelo roubo dos nossos bens e por muitos outros motivos, incluindo terrorismo, tráfico de droga e tráfico de pessoas, o regime venezuelano foi designado como uma organização terrorista estrangeira. Por isso, hoje, estou ordenando um bloqueio total e completo de todos os petroleiros sancionados que entram e saem da Venezuela”, acrescentou na sua rede social, Truth Social.

    Por sua vez, Caracas considerou a decisão norte-americana como uma “ameaça grotesca”, acusando Trump de querer “impor de forma absolutamente irracional um suposto bloqueio militar naval”.

    O governo de Maduro considera que a decisão de Trump viola “o direito internacional, o livre comércio e a livre navegação”, o que classificou como “ameaça temerária e grave”, tendo falado, inclusive, com o secretário-geral da ONU, António Guterres, sobre esta questão.

    A recente escalada de tensões entre os dois países gerou ainda maior preocupação depois de o comentador ultraconservador Tucker Carlson ter afirmado que os congressistas norte-americanos foram informados de que Trump pretende declarar guerra à Venezuela no discurso que irá fazer à nação.

    O governo norte-americano acusa o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, reeleito em 2024 após uma eleição cujos resultados foram contestados pela comunidade internacional, de controlar uma vasta rede de narcotráfico.

    Maduro nega veementemente estas acusações, alegando que Washington as utiliza como pretexto para o derrubar e se apoderar das vastas reservas de petróleo do país.

    Os Estados Unidos também reforçaram a presença militar no mar do Caribe desde agosto, sob o argumento da luta contra o narcotráfico, enviando para a região em outubro o maior porta-aviões do mundo, o USS Gerald R. Ford, com cerca de 5.000 militares a bordo e 75 aviões de combate, incluindo caças F-18, com uma escolta de cinco contratorpedeiros.

    No final de outubro, o número de soldados norte-americanos no sul do Caribe e na base militar dos Estados Unidos em Porto Rico ascendia a 10.000, metade dos quais a bordo de oito navios.

    Venezuela pede reunião com a ONU para questionar 'agressão dos EUA'

  • Brasileira que vivia em Lisboa morre atropelada na Romênia

    Brasileira que vivia em Lisboa morre atropelada na Romênia

    Bianca Ferreira, de 30 anos, vivia em Lisboa havia cinco anos e decidiu deixar Portugal após relatar perseguição. Ela viajou para Bucareste, onde desapareceu dias depois e morreu atropelada ao atravessar uma rua, segundo as autoridades romenas.

    Uma brasileira de 30 anos que morava em Lisboa morreu atropelada em Bucareste, na Romênia, no último dia 2 de dezembro. Bianca Ferreira vivia na capital portuguesa havia cerca de cinco anos quando decidiu deixar o país após relatar à família que estava sendo perseguida por um homem, segundo informações dadas por parentes ao g1.

    Após tomar a decisão, Bianca entrou em contato com uma amiga que vivia na Romênia. A conhecida teria dito que o país era seguro e tinha custo de vida mais baixo. Convencida, Bianca aceitou se mudar, e a amiga comprou a passagem aérea para Bucareste, com embarque marcado para o dia 23 de novembro, além de reservar dois dias de hospedagem em um hotel.

    De acordo com a tia da jovem, Ana Paula, Bianca permaneceu isolada no hotel durante esses dois dias, pois não se sentia bem. Nesse período, ela decidiu retornar a Portugal.

    Ana Paula contou que chegou a falar com a sobrinha por videochamada pouco antes de Bianca solicitar um carro por aplicativo para ir ao aeroporto, onde embarcaria de volta para Lisboa.

    “Ela estava com pouca bateria, e eu pedi para ela carregar o celular. Estava esperando o carro do aplicativo para ir ao aeroporto. Depois disso, ela desligou o telefone e não conseguimos mais falar com ela. Tentamos mandar mensagem e ligar, mas nada chegava”, relatou.

    Essa foi a última vez que a família teve contato com Bianca. As circunstâncias do que aconteceu após esse momento ainda não estão totalmente esclarecidas. Segundo os familiares, Bianca desapareceu no dia 29 de novembro. Já as autoridades romenas informaram que ela morreu três dias depois, em 2 de dezembro, ao ser atropelada enquanto atravessava uma via.

    “No dia 28, percebi que ela já estava muito vulnerável e procurei a embaixada do Brasil na Romênia. Eles só me responderam quatro dias depois, dizendo que tentavam contato com a Bianca por telefone, mas não conseguiram”, acrescentou Ana Paula.

    A tia afirmou que temia pela segurança da sobrinha, que era uma mulher trans. “Soube que é um país que não aceita bem a população LGBT+”, disse.

    De acordo com a Rainbow Map, levantamento que avalia o respeito aos direitos humanos da comunidade LGBT+, a Romênia está entre os países europeus com piores índices para essa população.
     

     

    Brasileira que vivia em Lisboa morre atropelada na Romênia

  • China manifesta apoio à Venezuela após endurecimento de sanções dos EUA

    China manifesta apoio à Venezuela após endurecimento de sanções dos EUA

    Em conversa telefônica, chanceler Wang Yi criticou medidas unilaterais de Washington, defendeu a soberania venezuelana e reforçou a parceria estratégica entre Pequim e Caracas diante do bloqueio a navios petroleiros

    O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, manifestou apoio ao governo do presidente Nicolás Maduro diante do endurecimento das sanções impostas pelos Estados Unidos. A posição foi expressa durante uma conversa telefônica com o chanceler venezuelano, Yván Gil, informou o governo chinês.

    Segundo Wang Yi, Pequim “se opõe a todas as formas de intimidação unilateral” e apoia países que defendem sua soberania e dignidade. A declaração ocorre um dia após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar um “bloqueio total” a navios petroleiros sancionados que entrem ou saiam da Venezuela.

    A medida norte-americana intensifica a presença militar iniciada em agosto no mar do Caribe, oficialmente com o objetivo de combater o narcotráfico. O governo venezuelano, no entanto, interpreta a ação como uma tentativa de promover uma mudança de regime no país.

    “A Venezuela tem o direito de desenvolver uma cooperação mutuamente benéfica com outros países, e a comunidade internacional compreende e apoia sua posição na defesa de direitos e interesses legítimos”, afirmou Wang Yi, em comunicado divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores da China.

    O chanceler chinês destacou ainda que China e Venezuela são parceiros estratégicos e ressaltou que o apoio e a confiança mútua sempre foram marcas das relações bilaterais.

    Durante a conversa, Yván Gil apresentou a Wang Yi um panorama da situação interna venezuelana e afirmou que o governo irá defender com firmeza a soberania e a independência do país, sem aceitar ameaças de potências que classificou como abusivas.

    Horas antes, Gil já havia informado, por meio da plataforma Telegram, que discutiu com o ministro chinês as “ameaças e agressões” contra a Venezuela, além dos “riscos que pairam sobre a América Latina e o Caribe”.

    China manifesta apoio à Venezuela após endurecimento de sanções dos EUA

  • Milhares de agricultores bloqueiam Bruxelas contra acordo com Mercosul

    Milhares de agricultores bloqueiam Bruxelas contra acordo com Mercosul

    Protesto reúne tratores e produtores rurais de vários países no dia de abertura do Conselho Europeu, com críticas ao acordo comercial entre União Europeia e Mercosul e temor de cortes nos subsídios da Política Agrícola Comum.

    Centenas de tratores e milhares de agricultores de diversos países bloqueiam desde a madrugada desta quinta-feira as principais vias de Bruxelas, em protesto contra o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, formado por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.

    A manifestação ocorre no mesmo dia em que tem início o Conselho Europeu, presidido pelo ex-primeiro-ministro português António Costa. Os agricultores protestam contra possíveis cortes nos subsídios da Política Agrícola Comum e rejeitam a assinatura do acordo negociado pela Comissão Europeia com os países sul-americanos, prevista para sábado, em Iguaçu.

    A concentração oficial estava marcada para o meio-dia, no horário local, com previsão de encerramento às 15h30. A expectativa é de que cerca de oito mil agricultores participem do protesto, com aproximadamente 500 tratores mobilizados.

    Embora o acordo com o Mercosul não esteja formalmente na pauta da cúpula da União Europeia, que tem como foco principal o apoio financeiro à Ucrânia, fontes do bloco admitem que o tema pode ser discutido entre os líderes dos 27 países membros.

    A ratificação do acordo intercontinental exige maioria qualificada no Conselho Europeu. França e Itália, embora em menor grau, ainda mantêm reservas em relação à decisão e seguem em negociações com representantes do setor agrícola.

    Na quarta-feira, a União Europeia definiu as diretrizes finais das cláusulas de salvaguarda do acordo comercial, com o objetivo de proteger os agricultores europeus de possíveis impactos negativos decorrentes do aumento das importações da América Latina. As medidas permitem que a Comissão Europeia avalie e adote ações sobre produtos específicos que possam causar prejuízos ao mercado europeu.

    Milhares de agricultores bloqueiam Bruxelas contra acordo com Mercosul

  • EUA: Bilionário chinês usa barriga de aluguel para ter mais de 100 filhos

    EUA: Bilionário chinês usa barriga de aluguel para ter mais de 100 filhos

    Investigação do Wall Street Journal revela que empresário recorreu a clínicas norte-americanas para gerar dezenas de crianças, prática crescente entre elites chinesas, que já motivou decisões judiciais raras e debate sobre cidadania, ética e possível tráfico humano.

    Um bilionário chinês recorreu à barriga de aluguel nos Estados Unidos para ter mais de 100 filhos, em um fenômeno que vem crescendo entre membros da elite chinesa, segundo investigação do jornal Wall Street Journal. Um juiz do Tribunal de Família de Los Angeles negou a concessão de direitos parentais ao empresário Xu Bo sobre quatro crianças que ainda nasceriam por meio desse método, após identificar um padrão incomum de múltiplos pedidos apresentados em seu nome.

    A decisão foi tomada pela juíza Amy Pellman em uma audiência confidencial realizada em 2023. Trata-se de uma rejeição rara em um sistema que, em geral, aprova automaticamente a paternidade legal dos chamados pais intencionais em casos de barriga de aluguel.

    Durante a audiência, Xu Bo, criador de jogos eletrônicos de fantasia e residente na China, afirmou por videoconferência, com auxílio de um intérprete, que pretendia ter cerca de 20 filhos nos Estados Unidos, todos do sexo masculino, por considerá-los superiores, para herdar seu império empresarial. Segundo ele, parte dessas crianças estaria sendo criada por babás em Irvine, na Califórnia, à espera de autorização para viajar à China. O bilionário admitiu que ainda não havia conhecido os filhos, alegando excesso de trabalho.

    De acordo com relatos de pessoas presentes à audiência, citados pelo jornal, a juíza entendeu que o uso da barriga de aluguel por Xu Bo não parecia motivado pela intenção de formar uma família, mas por outros objetivos.

    O caso expõe a expansão de uma prática pouco regulamentada nos Estados Unidos. Cidadãos chineses, incluindo bilionários e altos executivos, recorrem a clínicas e agências norte americanas para ter filhos por meio de barriga de aluguel, aproveitando o fato de que crianças nascidas em solo americano recebem automaticamente a cidadania, conforme a 14ª Emenda da Constituição.

    Fontes do setor ouvidas pelo Wall Street Journal afirmam que alguns clientes chineses chegam a encomendar dezenas ou até centenas de filhos, pagando valores que podem chegar a 200 mil dólares por criança. Há empresários que se autodenominam “o primeiro pai da China” e compartilham imagens de dezenas de filhos em redes sociais como o Weibo, sugerindo a construção de verdadeiras dinastias privadas.

    Outro caso citado na reportagem é o de Wang Huiwu, executivo do setor educacional, que teria recorrido a modelos norte americanas e mulheres com doutorado em Finanças como doadoras de óvulos. O objetivo, segundo fontes próximas, seria gerar dez filhas e, futuramente, casá-las com líderes mundiais. A repercussão do caso levou à queda das ações da empresa ligada a Wang.

    Na China, a barriga de aluguel é proibida. Embora não exista uma proibição legal explícita para a contratação desse tipo de serviço no exterior, o tema tem sido alvo de crescente escrutínio social e político. Um porta voz da embaixada chinesa nos Estados Unidos afirmou ao jornal que a prática pode gerar “graves crises éticas, familiares e sociais”.

    Dados citados por pesquisadores da Universidade de Emory indicam que o número de ciclos de fertilização in vitro realizados por gestantes para pais estrangeiros quadruplicou entre 2014 e 2019. Desse total, 41% estavam ligados a clientes chineses.

    O mercado norte americano de fertilidade, que envolve clínicas, advogados, agências de babás e empresas especializadas no transporte de recém nascidos, tem se expandido para atender à demanda asiática.

    Xu Bo é uma figura controversa na China, conhecido por publicações críticas ao feminismo e por afirmar que “ter mais filhos resolve todos os problemas”. Em 2024, uma conta no Weibo associada ao empresário afirmou que ele teria vencido processos judiciais nos Estados Unidos e recuperado a guarda de algumas crianças. A empresa que ele dirige, a Duoyi Network, confirmou em novembro do ano passado que Xu teria pouco mais de 100 filhos, mas negou que o número chegasse a 300.

    O fenômeno também passou a ser investigado em âmbito federal nos Estados Unidos. Em dezembro, o senador republicano Rick Scott apresentou um projeto de lei para proibir cidadãos de países como a China de recorrerem à barriga de aluguel em território americano. A proposta cita uma investigação por suposto tráfico humano envolvendo um casal sino americano com mais de duas dezenas de filhos nascidos por esse método.

    EUA: Bilionário chinês usa barriga de aluguel para ter mais de 100 filhos

  • Austrália acusa terrorista sobrevivente em ataque em Sydney de 59 crimes

    Austrália acusa terrorista sobrevivente em ataque em Sydney de 59 crimes

    Funerais das vítimas começam nesta quarta (17) em meio à indignação na Austrália. Naveed Akram saiu do coma e será ouvido; autoridades das Filipinas negam que os suspeitos tenham sido treinados em seu país

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – A polícia da Austrália afirmou nesta quarta-feira (17) que Naveed Akram, 24, terá de responder por 59 acusações, que incluem assassinato, lesão com tentativa de assassinato e terrorismo pelo atentado cometido no último domingo (14) na praia de Bondi, em Sydney.

    Baleado por policiais durante o ataque, Akram saiu do coma no hospital em que foi internado. Ele deve falar por videoconferência a um tribunal local na manhã da próxima segunda (22). Seu pai, Sajid, 50, foi morto a tiros por agentes que chegaram à cena do ataque.

    A dupla matou 15 pessoas a tiros durante a celebração judaica do Hannukah, em um episódio que chocou a Austrália e expôs o aumento do antissemitismo no país. Outros 23 feridos continuam hospitalizados.

    Também nesta quarta (17), o conselheiro de Segurança Nacional das Filipinas, Eduardo Año, afirmou não haver evidências de que os dois atiradores tenham recebido algum tipo de treinamento terrorista enquanto estavam no país asiático. Em um comunicado, Año disse que a duração da estada deles (28 dias) não teria permitido nenhuma preparação significativa.

    O conselheiro declarou que o governo filipino investiga a viagem dos dois homens no período de 1º a 28 de novembro e está em contato com as autoridades australianas para determinar o propósito da visita. Ele classificou de desatualizados e enganosos relatos que retratam o sul das Filipinas como um bastião do extremismo islâmico.

    Registros de imigração mostram que a dupla desembarcou em Manila e viajou para Davao, em Mindanao, uma região que sofre há anos com a presença de extremistas islâmicos. A polícia australiana declarou que os atiradores parecem ter sido inspirados pelo Estado Islâmico.

    A polícia filipina e funcionários do hotel em que ficaram os suspeitos afirmam que ambos tiveram raras saídas do quarto -não teriam passado mais de uma hora seguida fora do hotel-, e não conversaram com outros hóspedes ou receberam visitas. O pai teria usado um passaporte indiano, e o filho, um australiano.

    Trabalhadores do hotel ouvidos pela polícia relataram que o comportamento de ambos não foi suspeito em nenhum momento. Eles se lembram de embalagens de fast food no lixo do quarto e de os dois terem chegado ao local apenas com uma mala grande e uma mochila.

    Desde o cerco de Marawi em 2017, uma batalha de cinco meses na qual o grupo Maute, inspirado pelo Estado Islâmico, tomou esta cidade do sul filipino e lutou contra as forças governamentais, as tropas federais degradaram significativamente os grupos afiliados ao EI, de acordo com Año.

    O primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, enfrenta críticas de que seu governo de centro-esquerda não fez o suficiente para impedir a propagação do antissemitismo no país durante os dois anos da guerra Israel-Hamas. “Trabalharemos com a comunidade judaica, queremos eliminar e erradicar o antissemitismo de nossa sociedade”, disse Albanese a jornalistas.

    A gestão dele e os serviços de inteligência também estão sob pressão para explicar por que Sajid Akram teve permissão para adquirir legalmente os fuzis e espingardas usados no ataque.

    Chris Minns, primeiro-ministro (equivalente a governador) do estado de Nova Gales do Sul, cuja capital é Sydney, disse que convocará o Parlamento estadual na próxima semana para aprovar reformas na legislação local de armas.

    O governo estadual também analisará reformas que dificultem a realização de grandes protestos de rua após eventos terroristas, a fim de evitar mais tensões. “Temos uma tarefa monumental à nossa frente. É uma enorme responsabilidade unir a comunidade. Acho que precisamos de um verão de calma e união, não de divisão”, disse.

    O presidente dos EUA, Donald Trump, disse em um evento de Hanukkah na Casa Branca que estava pensando nas vítimas do “horrível ataque terrorista antissemita”. “Nós nos unimos ao luto por todos aqueles que foram mortos e estamos orando pela rápida recuperação dos feridos.”

    Os funerais das vítimas do ataque começaram nesta quarta. Um deles foi o do rabino Eli Schlanger, assistente na sinagoga Chabad Bondi e pai de cinco filhos. Ele era conhecido pelo trabalho para a comunidade judaica de Sydney por meio do Chabad, uma organização global que promove a identidade e conexão judaica. Schlanger viajava para prisões e se encontrava com pessoas judias que viviam nas comunidades de habitação pública de Sydney, disse o líder judeu Alex Ryvchin.

    Austrália acusa terrorista sobrevivente em ataque em Sydney de 59 crimes

  • Trump mobiliza poderio inédito contra Maduro

    Trump mobiliza poderio inédito contra Maduro

    Meios militares deslocados para o Caribe são os mais ofensivos da história da região, mas não sugerem uma invasão terrestre; quando invadiram Granada, Panamá e Haiti, americanos empregaram mais homens, mas menos musculatura bélica

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – Na longa história de intervenções dos Estados Unidos contra países da América Latina, houve mobilizações militares grandes, mas nada na escala de poder de fogo que Donald Trump ordenou para tentar derrubar o ditador Nicolás Maduro na Venezuela.

    O poderio aeronaval deslocado para o Caribe é o maior já visto na região. Hoje, só de mísseis de cruzeiro Tomahawk para uma improvável salva única, há cerca de 250 unidades em nove embarcações armadas com eles que operam na área até esta quarta-feira (17).

    Em comparação, no primeiro dia do ataque a Bagdá na guerra de 2003, Washington despejou estimados 40 Tomahawks sobre a capital iraquiana. E aqui só se fala deste simbólico armamento: há muito mais rondando Caracas.

    Só do maior porta-aviões do mundo, o USS Gerald Ford, podem voar até 65 aviões de ataque F/A-18 Super Hornet, cada um com até oito toneladas de carga bélica a cada decolagem. O gigante chegou no mês passado ao teatro de operações do Caribe, e são realizadas missões diárias de seus aviões, uma frota total de até 90 aparelhos.

    Trump também enviou bombardeiros de longo alcance B-52 e B1-B para lamber o espaço aéreo venezuelano em algumas ocasiões. Cada avião desses pode lançar de 20 a 24 mísseis de cruzeiro ar-terra por missão.

    Também foram levados ao Caribe dez caças avançados F-35C da Marinha, frota que está sendo reforçada com algo entre cinco a dez modelos F-35A da Força Aérea, que têm mais capacidade de carga. Eles estão estacionados na base reaberta em Porto Rico, ilha americana na região.

    Essas ações servem para intimidar e para testar as capacidades de defesa de Maduro, que possui baterias antiaéreas relativamente sofisticadas, como as S-300 russas, e material mais antigo. Uma ameaça para a frota americana são os mísseis antinavio russos, chineses e iranianos de que o ditador dispõe.

    Contra tudo isso, foi reforçado o componente de guerra eletrônica americano. Aos cerca de cinco EA-18G Growler que o Ford transporta foram adicionados ao menos outros seis desses caças em Porto Rico.

    Eles servem para interferir no funcionamento de radares e proteger aviões e mísseis de cruzeiro em um ataque. Para cobrir com maior precisão a região, o Corpo de Fuzileiros Navais instalou em outubro um dos 60 G/ATOR que comprou na ilha de Trinidad e Tobago, junto à costa venezuelana.

    Trata-se de um radar de detecção de alvos e ameaças em um raio de até 740 km, específico para cenários de guerra expedicionária por ser de fácil transporte -há um grupo com três navios e quase 3.500 fuzileiros navais e 1.900 marinheiros há meses treinando no Caribe. São a ponta de lança de um efetivo de cerca de 15 mil militares, a maioria da Marinha, quase 5.000 só no Ford.

    A desculpa para a instalação é a mesma dada no Pentágono para a chamada Operação Lança do Sul: combater o narcotráfico na região, o que vem até aqui sendo demonstrado por ataques com drones e até um “tanque voador” AC-130J Ghostrider baseado em El Salvador.

    As ações contra pequenos barcos, questionadas no Congresso dos EUA, já mataram quase cem pessoas. Mas Trump não mede palavras em sua pressão sobre Maduro, de quem disse que os dias estavam contados, apreendeu um petroleiro e determinou um bloqueio a navios sob sanção.

    A variedade de ativos ofensivos abre um leque de opções. A mais evidente é a de ataques pontuais contra instalações do regime e das Forças Armadas, suprimindo a defesa aérea, restando saber se haveria um componente por terra.

    Este poderia ser uma ação de forças especiais visando matar ou prender Maduro e ocupar pontos estratégicos do país, como infraestrutura energética e aeroportuária. Mas a Venezuela é grande e, se houvesse resistência, seria na forma de guerrilha.

    Já uma invasão terrestre mais ampla não parece estar no cardápio pelo número de homens mobilizados. Nas duas mais recentes incursões para derrubar adversários, havia menos canhões, mas mais soldados.

    Em 1983, a ilhota de Granada, então com 95 mil habitantes, viu cerca de 7.500 soldados americanos e de outros países vizinhos operando para tirar um governo pró-soviético do poder. Os recursos aeronavais foram grandes: um porta-aviões, três destróieres, duas fragatas e dois navios de assalto anfíbio.

    A Venezuela tem 28,5 milhões de habitantes, mas em favor da lógica de uma ação há o fastio dessa população com a ditadura de Maduro. Talvez os atuais estrategistas nos EUA acreditem ser possível virar a mesa sem uma ocupação de fato.

    Em 1989, quando derrubaram o ex-aliado Manuel Noriega no Panamá, então com 2,4 milhões de pessoas, os EUA usaram 300 aviões. Por terra, chegaram 27 mil soldados.

    Na mais recente ação de grande porte, autorizada pela ONU para restaurar o governo eleito no Haiti em 1994, os EUA mobilizaram 25 mil soldados para agir no país que tinha 7,4 milhões de habitantes. Dois porta-aviões participaram do cerco, embora um fosse o antigo USS America, que seria aposentado dois anos depois.

    Os golpistas haitianos se renderam sem confronto, e havia apoio internacional: três corvetas argentinas e uma fragata holandesa participaram das manobras.

    A linha do tempo de intervenções americanas a partir da Doutrina Monroe de domínio hemisférico, de 1823, inclui guerras, como no México, e apoio a golpes, como no Brasil.

    Trump declarou, em sua nova Estratégia de Segurança Nacional, estar disposto a reativar a política de uso da força na região, e Maduro é seu primeiro alvo -para temor dos vizinhos, ainda que desprezem a ditadura venezuelana.

    Trump mobiliza poderio inédito contra Maduro