Categoria: POLÍTICA

  • Castro renuncia ao Governo do RJ um dia antes de julgamento no TSE

    Castro renuncia ao Governo do RJ um dia antes de julgamento no TSE

    Ele diz que ‘figura do governador do RJ voltou a ser respeitada’ em seu mandato; presidente do TJ-RJ assume o Palácio Guanabara para realização de eleição indireta

    RIO DE JANEIRO, RJ (CBS NEWS) – O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), afirmou nesta segunda-feira (23) que sai com a “cabeça erguida” do comando do Palácio Guanabara.

    Castro sai do cargo para se candidatar ao Senado em outubro. A renúncia ocorre na véspera da retomada do julgamento no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que pode cassar seu mandato e torná-lo inelegível.

    “Saio de cabeça erguida, de forma grata. Alguém que era vereador de primeiro mandato, se torna vice-governador de maneira completamente improvável. […] A figura do governador do estado voltou a ser uma figura respeitada, uma figura querida”, disse ele, em pronunciamento à imprensa.

    Numa fala de 20 minutos e sem responder a perguntas, Castro listou o que considerou realizações de seu governo, citando investimento em segurança pública, a concessão dos serviços de saneamento básico e a realização de obras. Afirmou que valorizou a cadeira de governador e fez críticas ao ex-governador Wilson Witzel, de quem era vice até o impeachment em junho de 2020, quando assumiu o estado.

    “Se eu tive um antecessor que não valorizou a cadeira de governador, que no primeiro dia pensava em ser presidente, vivi intensamente esses seis anos com orgulho de ser governador. Com a certeza de que essa cadeira foi o ápice da minha carreira”, disse ele.

    Ao renunciar antes do julgamento, Castro visa tentar garantir a realização de uma eleição indireta para o mandato-tampão, que vai até o fim deste ano. A cassação pelo TSE poderia levar à realização de um pleito direto, reduzindo o poder de influência do governador sobre sua sucessão imediata.

    A renúncia também busca tentar esvaziar o julgamento, que atualmente registra o placar de 2 a 0 para a cassação e inelegibilidade do governador. Castro tenta alongar a discussão sobre a segunda punição, a fim de tentar tornar viável sua candidatura ao Senado.

    A carta de renúncia vai ser assinada em evento no Palácio Guanabara na noite desta segunda. Após o governador deixar o cargo, assume interinamente a função o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Ricardo Couto de Castro.

    A desintegração da linha sucessória que levou o presidente do TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro) a assumir o Palácio Guanabara começou em maio. Foi quando Cláudio Castro convenceu o ex-vice-governador Thiago Pampolha a deixar o cargo para assumir uma cadeira no TCE (Tribunal de Contas do Estado) a fim de abrir espaço a Rodrigo Bacellar (União), à época presidente da Assembleia.

    O desenho previa a renúncia de Castro para se candidatar ao Senado. Pelo plano, Bacellar seria escolhido pela Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), onde tinha amplo apoio, em eleição indireta como “governador-tampão” para concorrer à reeleição em outubro.

    O plano se desfez quando Bacellar foi preso e afastado do cargo por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), sob suspeita de vazar informações da operação que prendeu o ex-deputado TH Joias, ligado ao Comando Vermelho. Ele nega.

    Bacellar foi substituído por Guilherme Delaroli (PL) no comando da Assembleia que, por ser interino, não pode assumir o governo estadual no caso de vacância dos cargos de governador e vice.

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  • Bolsonaro tem alta da UTI e vai para quarto de hospital após 10 dias internado

    Bolsonaro tem alta da UTI e vai para quarto de hospital após 10 dias internado

    Internado desde 13 de março, ex-presidente foi diagnosticado com pneumonia e chegou a ficar na UTI; Procuradoria Geral da Repíblica defende prisão domiciliar de Jair Bolsonaro

    BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) teve alta da UTI (unidade de terapia intensiva) nesta segunda-feira (23) e vai ser transferido para um quarto no hospital onde está internado há 10 dias. A informação foi confirmada pelo médico Brasil Caiado.

    Mais cedo, o boletim da equipe que atende o presidente já indicava que ele deixaria a UTI caso a evolução fosse satisfatória.

    Bolsonaro está internado desde o último dia 13, em Brasília, para tratar de uma pneumonia bacteriana bilateral decorrente de broncoaspiração. Submetido a tratamento com antibióticos, vem apresentando melhora nos últimos dias.

    “[Bolsonaro] segue com antibioticoterapia endovenosa, suporte clínico intensivo e fisioterapia respiratória e motora”, diz o boletim médico divulgado nesta segunda. “Se mantiver evolução satisfatória, deverá receber alta da terapia intensiva nas próximas 24 horas.”

    Nesta segunda-feira, a PGR (Procuradoria-Geral da República) se manifestou a favor do pedido de prisão domiciliar protocolado pela defesa de Bolsonaro.

    “A evolução clínica do ex-presidente, nos termos como exposto pela equipe médica que o atendeu no último incidente, recomenda a flexibilização do regime, em linha com o que admite o Supremo Tribunal em circunstâncias análogas”, disse o procurador-geral Paulo Gonet.

    Na última sexta-feira (20), o ministro Alexandre de Moraes, do STF, pediu ao hospital DF Star, onde Bolsonaro está internado, informações sobre o quadro clínico do ex-presidente. A instituição enviou ao ministro os boletins médicos e um prontuário completo. Após a manifestação da PGR, a decisão sobre domiciliar caberá a Moraes.

    Como mostrou a Folha de S.Paulo, o novo epísódio de internação de Bolsonaro ampliou a pressão sobre Moraes para que conceda a domiciliar ao político preso por golpe de Estado desde novembro. O esforço envolve inclusive dois ministros próximos a Moraes, que tentam convencê-lo a atender ao pedido da defesa.

    O ex-presidente está preso desde novembro, mas precisou ser transferido para o hospital DF Star, em Brasília, no último dia 13 de março. Ele passou mal e foi atendido pela equipe médica da Papudinha, que constatou risco de morte e determinou a transferência para o hospital.

    O médico Claudio Birolini chegou a classficar a situação como “extremamente grave”, mas Bolsonaro respondeu bem aos antibióticos e apresentou melhora ao longo da semana. Aos 71 anos de idade, ele enfrenta uma série de complicações médicas da facada que levou durante a campanha eleitoral de 2018.

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  • Ida de Moro para o PL de Bolsonaro pesou em desistência de Ratinho Jr, dizem aliados

    Ida de Moro para o PL de Bolsonaro pesou em desistência de Ratinho Jr, dizem aliados

    Governador do Paraná afirma que permanece no cargo e deve focar em fazer sucessor; partido ainda tem Caiado e o governador Eduardo Leite (RS) como pré-candidatos ao Planalto

    BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – Segundo dirigentes do PSD, o governador do Paraná, Ratinho Junior, apresentou dúvidas nas últimas semanas sobre seu projeto de candidatura à Presidência. O governador anunciou a desistência de concorrer em nota nesta segunda-feira (23).

    A situação ficou mais difícil quando Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência pelo PL, decidiu apoiar o senador Sergio Moro para a disputa pelo governo do Paraná, em decisão anunciada na última quinta (19). A jogada dificultou a vida do atual governador paranaense, que corre o risco de não fazer um sucessor.

    A interlocutores Ratinho informou que, com a desistência, ele focaria na eleição no estado e trabalharia para entregar as chaves do Palácio Iguaçu a um sucessor aliado, ou seja, que precisará derrotar Sergio Moro. Em comunicado, o atual governador afirmou que não se afastaria do cargo, afastando também a possibilidade de concorrer a outro posto.

    “O governador Ratinho Junior decidiu concluir seu mandato no Paraná até dezembro deste ano. Portanto, ele deixa de participar da discussão interna do PSD (Partido Social Democrático), que escolherá um candidato disposto a concorrer às eleições presidenciais deste ano. A decisão foi tomada na noite deste domingo, 22, após profunda reflexão com sua família”, afirmou o comunicado.

    A desistência deixou o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (GO) mais próximo de ser o candidato do partido ao Planalto. A sigla de Gilberto Kassab tem ainda outro pré-candidato, o governador Eduardo Leite (RS), mas nos bastidores da legenda o goiano se tornou o amplo favorito para chegar às urnas.

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  • Globo pede desculpas por ligar Lula a Vorcaro em 'PowerPoint criminoso’

    Globo pede desculpas por ligar Lula a Vorcaro em 'PowerPoint criminoso’

    A emissora exibiu uma apresentação durante o ‘Estúdio I’ que ligava o presidente Lula com o banqueiro Daniel Vorcaro, sem apresentar provas; após repercussão negativa, Andréia Sadi leu uma nota pedindo desculpas

    Na última semana repercutiu, de forma muito negativa, um ‘PowerPoint’ apresentado durante o ‘Estúdio I’ da GloboNews, onde jornalistas da emissora carioca ligavam o presidente Lula ao banqueiro Daniel Vorcaro envolvido no escândalo do Banco Master. Nas redes, a TV Globo foi acusada de exibir um ‘material criminoso’ envolvendo Lula e o Partido dos trabalhadores, uma vez que as informações apresentadas não provavam uma suposta ligação com o caso.

    Nesta segunda-feira (23), a jornalista Andréia Sadi leu uma nota durante exibição do ‘Estúdio I’ com um pedido de desculpas: “Na sexta-feira (20), exibimos uma arte com o objetivo de apresentar as conexões de Daniel Vorcaro com políticos e acessos relevantes — como já fizemos em outras ocasiões. No entanto, o material estava errado e incompleto — e também não deixou claro o critério usado para a seleção das informações”, começou ao reproduzir a nota.

    A jornalista diz também que algumas pessoas citadas na apresentação aparecem em relatórios da Polícia Federal. “O conteúdo acabou misturando contatos institucionais com nomes que Vorcaro menciona como tendo relação contratual ou pessoal, além de outros nomes sob análise da Polícia Federal ou que, à luz das informações apuradas até aqui, podem ser classificados como não republicanos”, disse, mas esqueceu de relatar que a apresentação não citou os principais nomes que aparecem nas investigações.

    O público questionou o motivo da emissora tentar ‘esconder’ e não citar os governadores Tarcísio de Freitas e Ibaneis Rocha e o deputado Nikolas Ferreira, que já apareceram relacionados em investigações. “A arte também estava incompleta porque não foram incluídos nomes que já se tornaram públicos por envolvimento com o caso Master, como ministros do STF e políticos, nem ex-diretores do Banco Central que estão sob escrutínio da polícia por suspeita de corrupção na relação com o banqueiro“, continuou.

    Sadi reconheceu que o material não estava correto e que a emissora errou ao apresentar as informações: “Diante de um material incompleto e em desacordo com nossos princípios editoriais, nós pedimos desculpas”, finalizou.

    Nas redes sociais, o pedido de desculpas também não caiu bem e a credibilidade da emissora passou a ser questionada. Internautas apontam que a emissora tentar dar um ‘golpe’ como teria feito na época da Lava Jato. A GloboNews pediu desculpas pelo material com erros de informação, mas não citou o nome de Lula e do Partido dos Trabalhadores, que foram incriminados com a apresentação.

    “É muito triste perceber como alguns grandes veículos parecem dispostos a insistir no mesmo erro que ajudou a jogar o país na beira do abismo. Por uma agenda econômica que massacra o povo e favorece meia dúzia de bilionários, não se importam de sacrificar a própria credibilidade, as conquistas sociais e, inclusive, a própria democracia. Depois não entendem o descrédito do jornalismo”, disse um internauta no Instagram da emissora. “Adoraria ver a arte corrigida, com os personagens corretos, Bolsonaro, Tarcísio, etc. Quando será divulgada com enorme destaque? Curioso”, disparou outro. 

    Já que a informação falha foi identificada, o melhor jeito é corrigir aquela arte mostrando as verdadeiras relações não republicanas. Só assim o dano causado pode ser minorado”, disse a deputada Taliria Petrone.

    Globo pede desculpas por ligar Lula a Vorcaro em 'PowerPoint criminoso’

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  • Dino pede explicações sobre envio de emendas a produtora de filme sobre Bolsonaro

    Dino pede explicações sobre envio de emendas a produtora de filme sobre Bolsonaro

    Dino deu 5 dias para que a Câmara e outros três deputados do PL se manifestem sobre denúncia de que “emendas pix” poderiam estar sendo usadas em marketing eleitoral e em filme sobre ex-presidente

    O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino deu cinco dias para a Câmara dos Deputados se manifestar sobre o envio de emendas parlamentares para organizações ligadas à Karina Ferreira Gama, produtora do filme The Dark Horse, inspirado na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

    A decisão foi tomada após o ministro receber um ofício da deputada Tabata Amaral (PSB-SP) sobre o tema. Ela apontou um “ecossistema de pessoas jurídicas interconectadas”, sob o comando da roteirista. “Tal configuração estabelece um ‘grupo econômico por coordenação’ que, na prática, pode estar constituindo-se como um óbice à rastreabilidade dos recursos públicos”, sustentou.

    Segundo o ofício, essas entidades têm recebido “emendas pix” de parlamentares que são clientes de serviços de marketing eleitoral prestados por empresas do mesmo conglomerado.

    Em janeiro, o Estadão mostrou que o deputado federal Mario Frias (PL-SP), roteirista de The Dark Horse, enviou R$ 2 milhões em emendas parlamentares a uma organização não governamental (ONG) presidida por Karina Ferreira Gama.

    O ofício da deputada também cita outra organização vinculada à produtora que teria sido beneficiada com R$ 2,6 milhões em “emendas Pix” enviadas pelos deputados Bia Kicis (PL-DF) e Marcos Pollon (PL-MS), além dos ex-deputados Alexandre Ramagem (PL-RJ) e Carla Zambelli (PL-SP).

    Dino também intimou Frias, Kicis e Pollon para que se manifestem em até cinco dias úteis sobre as irregularidades apontadas.

    As emendas Pix são transferências especiais de recursos federais indicadas por parlamentares diretamente a Estados e municípios, sem necessidade de convênio prévio ou apresentação de projeto detalhado. Esse tipo de repasse caracterizado pela alta celeridade e pela falta de transparência foi revelado pelo Estadão em 2021.

    Dino pede explicações sobre envio de emendas a produtora de filme sobre Bolsonaro

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  • Bolsonaro deve ter alta da UTI nas próximas 24 horas, dizem médicos

    Bolsonaro deve ter alta da UTI nas próximas 24 horas, dizem médicos

    Ex-presidente deixa unidade de terapia intensiva se mantiver evolução favorável, afirma boletim; Bolsonaro está internado desde o último dia 13 para tratar de uma broncopneumonia

    BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deve ter alta da UTI (unidade de terapia intensiva) nas próximas 24 horas, caso mantenha evolução satisfatória, afirmou nesta segunda-feira (23) a equipe médica que atende o político.

    Ele está internado desde o último dia 13, em Brasília, para tratar de uma pneumonia bacteriana bilateral decorrente de broncoaspiração. Submetido a tratamento com antibióticos, vem apresentando melhora nos últimos dias.

    “[Bolsonaro] segue com antibioticoterapia endovenosa, suporte clínico intensivo e fisioterapia respiratória e motora”, diz o boletim médico divulgado nesta segunda. “Se mantiver evolução satisfatória, deverá receber alta da terapia intensiva nas próximas 24 horas.”

    Nesta segunda, a PGR (Procuradoria-Geral da República) se manifestou a favor do pedido de prisão domiciliar protocolado pela defesa de Bolsonaro.

    Na semana, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, pediu ao hospital DF Star, onde Bolsonaro está internado, informações sobre o quadro clínico do ex-presidente. A instituição enviou ao ministro os boletins médicos e um prontuário completo. Após a manifestação da PGR, a decisão caberá a Moraes.

    O ex-presidente está preso no processo da trama golpista, mas precisou ser transferido para um hospital em 13 de março após passar mal. Ele foi diagnosticado com um quadro de broncopneumonia.

    Bolsonaro deve ter alta da UTI nas próximas 24 horas, dizem médicos

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  • 6 dos 10 ministros do STF receberam verbas acima do teto, e Moraes lidera lista

    6 dos 10 ministros do STF receberam verbas acima do teto, e Moraes lidera lista

    Moraes foi quem recebeu os maiores valores ao longo do período analisado. O ministro, que trabalhou como promotor de Justiça de 1991 a 2002, recebeu ao todo mais de R$ 1 milhão líquido do MP-SP (Ministério Público do Estado de São Paulo) de 2019 a 2026

    (CBS NEWS) – Seis dos 10 ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) receberam verbas acima do teto remuneratório do funcionalismo enquanto já ocupavam cargos na corte, que agora é palco de decisões contrárias ao pagamento de supersalários.

    Entre os que embolsaram valores acima do teto constitucional, hoje em R$ 46,3 mil, estão Flávio Dino e Gilmar Mendes, autores de liminares que barraram supersalários na administração pública federal, estadual e municipal.

    Também receberam verbas extras em seus contracheques os ministros Luiz Fux, Alexandre de Moraes, Kassio Nunes Marques e André Mendonça. Desde 2019, os adicionais recebidos pelos ministros alcançaram R$ 2,8 milhões, em valores correntes.

    A Folha fez o levantamento a partir de bases de dados do Poder Judiciário, do Ministério Público e da AGU (Advocacia-Geral da União), que paga a seus integrantes honorários de sucumbência -remuneração recebida por advogados da parte vencedora em um processo judicial e que, na administração pública, são comparados a uma espécie de bônus para os servidores da carreira.

    Moraes foi quem recebeu os maiores valores ao longo do período analisado. O ministro, que trabalhou como promotor de Justiça de 1991 a 2002, recebeu ao todo mais de R$ 1 milhão líquido do MP-SP (Ministério Público do Estado de São Paulo) de 2019 a 2026.

    Os ministros foram procurados por email e telefone via assessoria de imprensa do STF, mas não retornaram aos questionamentos da reportagem.

    A ministra Cármen Lúcia e o presidente da corte, Edson Fachin, foram procuradores de estado, e Dias Toffoli, advogado-geral da União. A reportagem não identificou penduricalhos pagos aos ministros no período analisado. Cristiano Zanin nunca foi concursado, portanto não teria direito a esses adicionais.

    Os ministros receberam supersalários devido a ganhos retroativos, um dos principais penduricalhos que engordam os contracheques dos magistrados. São conhecidos entre os servidores como “puxadinhos”: os órgãos criam algum benefício adicional a ser pago a seus integrantes e adotam o entendimento de que ele retroage até determinada data do passado, gerando faturas de milhares de reais devidas a um único servidor.

    Em fevereiro, uma liminar de Dino barrou verbas pagas acima do teto constitucional e proibiu novas leis que criassem penduricalhos. Outra decisão no STF, esta de Gilmar Mendes, suspendeu os penduricalhos previstos em leis estaduais para integrantes do Judiciário e do Ministério Público.

    Dino recebeu valores acima do teto já no cargo na Suprema Corte. Em dezembro de 2024, o ministro, vinculado ao TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região), ganhou quase R$ 30 mil líquidos apenas em valores referentes a verbas retroativas -referentes a direitos não usufruídos enquanto ainda era juiz federal, como férias e folgas -além do salário. Ou seja, naquele mês, Dino recebeu R$ 55 mil líquidos, somando-se a remuneração de R$ 24,6 mil como integrante do STF.

    Além disso, o ministro recebeu supersalários enquanto ainda era governador do Maranhão. Em dezembro de 2020, ganhou R$ 106 mil líquidos, também por causa dos retroativos.

    Já o decano da corte, Gilmar Mendes, embolsou mais de R$ 880 mil pagos pelo MPF (Ministério Público Federal) desde 2019.

    O ministro atuou como procurador da República de 1985 a 1988. Depois, foi cedido para outros órgãos, mas continuou vinculado ao MPF até 2002. No fim de fevereiro, Gilmar liberou, por 45 dias, o pagamento de penduricalhos retroativos reconhecidos administrativamente e já programados para o período. O julgamento final sobre o tema, para tratar das liminares de Dino e do decano do STF, deve ocorrer na próxima quarta (25).

    Em novembro de 2020, mesmo mês em que tomou posse como ministro do STF, Kassio Nunes Marques recebeu mais de R$ 277 mil também do TRF-1, onde foi juiz federal de segunda instância.

    Mendonça, por sua vez, foi nomeado ministro do STF em dezembro de 2021. 

    Ainda assim, ele recebeu R$ 175,3 mil, em valores nominais, desde janeiro de 2022. O maior valor foi pago em janeiro de 2025, quando o ministro recebeu R$ 154,8 mil em honorários retroativos, segundo dados do Portal da Transparência.
    Moraes, que recebeu os maiores valores no período analisado, hoje é relator de dois recursos em tramitação no Supremo sobre simetria entre o Ministério Público e o Judiciário.

    No começo do mês, Moraes mandou os Tribunais Regionais Federais e do Trabalho e os Tribunais de Justiça do país informarem quais são os penduricalhos pagos por equiparação ao Ministério Público ou a outra carreira nos últimos dez anos.

    6 dos 10 ministros do STF receberam verbas acima do teto, e Moraes lidera lista

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  • PGR dá parecer favorável à prisão domiciliar de Bolsonaro

    PGR dá parecer favorável à prisão domiciliar de Bolsonaro

    Parecer da PGR cita risco de agravamento súbito do quadro de saúde e defende monitoramento integral fora da prisão. Defesa do ex-presidente pediu medida após internação por broncopneumonia e alegou possibilidade de complicações graves

    O procurador-geral da República, Paulo Gonet, enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta segunda-feira (23), parecer favorável à prisão domiciliar humanitária do ex-presidente Jair Bolsonaro, por motivos de saúde. 

    “Ao ver da Procuradoria-Geral da República, está positivada a necessidade da prisão domiciliar, ensejadora dos cuidados indispensáveis ao monitoramento, em tempo integral, do estado de saúde do ex-presidente, que se acha, comprovadamente, sujeito a súbitas e imprevisíveis alterações perniciosas de um momento para o outro”, escreveu Gonet. 

     

    Bolsonaro foi condenado pelo Supremo a 27 anos e três meses de prisão por cinco crimes praticados contra a democracia. Ele foi considerado culpado por liderar uma organização criminosa armada que tentou um golpe de Estado. 

    Com 71 anos, o ex-presidente cumpre pena na Papudinha, como é conhecida uma ala de celas especiais dentro do 19ª Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal. Em 13 de março, Bolsonaro passou mal em sua cela e foi levado às pressas para atendimento hospitalar. 

    Ao chegar ao hospital, Bolsonaro foi internado em Unidade de Tratamento Intensiva (UTI), com sudorese, calafrios e baixa oxigenação. Ele foi depois diagnosticado com broncopneumonia bacteriana bilateral de provável origem aspirativa. Ele segue internado no hospital DF Star, em Brasília. 

    Após a internação, a defesa voltou a pedir a prisão domiciliar de Bolsonaro, alegando sobretudo o risco de morte do ex-presidente por algum mal súbito, havendo a necessidade de monitoramento constante do estado de saúde. 

    Na última sexta (20), o ministro Alexandre de Moraes, relator da execução penal de Bolsonaro, pediu a manifestação da PGR sobre o novo pedido. 

     

    PGR dá parecer favorável à prisão domiciliar de Bolsonaro

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  • Castro deve deixar governo do Rio às vésperas de julgamento no TSE

    Castro deve deixar governo do Rio às vésperas de julgamento no TSE

    Renúncia ocorre antes de decisão que pode cassar mandato e torná-lo inelegível. Saída abre disputa na Alerj por governador interino e intensifica cenário político no estado às vésperas das eleições

    O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), deve oficializar nesta segunda-feira sua saída do cargo, em meio à retomada de um julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que pode resultar na perda de seu mandato e em inelegibilidade.

    A decisão ocorre às vésperas da análise do caso envolvendo suspeitas de abuso de poder político e econômico, que já conta com votos favoráveis à condenação do governador. Ao deixar o cargo antes de uma eventual decisão, aliados avaliam que Castro tenta reduzir os impactos jurídicos do processo, embora especialistas apontem que a inelegibilidade ainda pode ser mantida.

    Com a saída antecipada, a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) terá a responsabilidade de eleger, após um período de um mês, um governador interino que ficará à frente do estado até o fim do mandato, previsto para dezembro.

    O movimento também intensifica a disputa política no estado. O ex-prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), que recentemente deixou o cargo, deve concorrer ao governo nas próximas eleições e criticou a decisão de Castro, afirmando que o adversário tenta evitar as consequências do julgamento.

    Além da escolha do novo governador, a Alerj poderá enfrentar uma série de decisões importantes nas próximas semanas, incluindo a eleição de um novo presidente da Casa e a definição de um conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), cargos estratégicos para o cenário político fluminense.

    A saída de Castro também está ligada aos seus planos eleitorais. O governador pretende disputar uma vaga no Senado e, pela legislação, precisaria deixar o cargo até o início de abril para atender às regras de desincompatibilização.

    Castro deve deixar governo do Rio às vésperas de julgamento no TSE

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  • Lula tenta rejuvenescer bancada do PT, uma das mais velhas da Câmara

    Lula tenta rejuvenescer bancada do PT, uma das mais velhas da Câmara

    A bancada do PT é atualmente a terceira com média de idade mais alta da Câmara. Lula expõe a aliados há anos uma preocupação com a falta de renovação no partido. No início de 2026, demonstrou publicamente descontentamento com barreiras impostas a possíveis novos candidatos da legenda.

    CAIO SPECHOTO, CATIA SEABRA E MARIANA BRASIL
    BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – O presidente Lula (PT) instruiu a direção de seu partido a buscar candidatos jovens visando a uma renovação da legenda. Em um caso específico, o chefe do governo interveio diretamente para lançar uma pré-candidatura a deputada federal em São Paulo.

    A bancada do PT é atualmente a terceira com média de idade mais alta da Câmara. Lula expõe a aliados há anos uma preocupação com a falta de renovação no partido. No início de 2026, demonstrou publicamente descontentamento com barreiras impostas a possíveis novos candidatos da legenda.

    Hoje com 80 anos de idade, Lula disse durante a campanha de 2022 que, se fosse eleito, não tentaria um novo mandato como presidente em 2026. A inexistência de um sucessor óbvio já era observada à época. Depois, o petista passou a dizer que só concorreria à reeleição caso fosse o único em seu campo político capaz de derrotar o bolsonarismo.

    O deputado José Guimarães (PT-CE), coordenador do GTE (Grupo de Trabalho Eleitoral) do PT, que discute a estratégia eleitoral do partido, disse que houve uma recomendação de Lula para buscar candidatos jovens.

    “Lula sempre fala que é muito importante renovar o PT”, declarou Guimarães. “Estamos ficando velhos, né? Essa juventude tem que entrar para segurar o PT. Nós estamos passando, precisa de uma renovação geracional. Acho que essa é a preocupação dele”, disse o deputado, que é líder do governo na Câmara.

    A idade média dos deputados do PT é de 59,2 anos. Só as bancadas do PC do B e do PDT são, na média, mais velhas. A bancada do PL, principal partido de oposição a Lula, é a oitava no ranking, com média de idade de 53,8 anos –igual à geral do conjunto de deputados da Casa.

    A secretária nacional de Juventude do partido, Julia Köpf, 29, disse que a legenda está “correndo atrás” de candidatos jovens. “Até agora estamos numa fase bastante inicial. Acho que tem uma juventude muito disposta, sabem que a missão de enfrentar Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não é fácil”, afirma.

    A Folha apurou que em quase todos os casos o presidente da República não entra diretamente nas conversas. Dirigentes petistas, porém, informam Lula sobre algumas das candidaturas de jovens em articulação nos estados e ele costuma demonstrar aprovação em determinadas situações.

    No caso da vereadora de São Paulo Luna Zarattini, 32, o chefe do governo interveio diretamente. A petista não pretendia disputar um mandato de deputada federal, mas Lula pediu que ela concorra.

    Além do perfil jovem, o presidente da República se interessou pelo tamanho do eleitorado de Luna. Ela teve 100.921 votos para a Câmara Municipal da capital paulista em 2024 e é considerada uma candidata forte independentemente de critérios geracionais.

    Lula também demonstrou a aliados simpatia à pré-candidatura da deputada estadual Ana Júlia Ribeiro (PT-PR), 25. O plano inicial era que ela tentasse a reeleição na Assembleia Legislativa do Paraná, mas o cenário mudou quando o presidente da República pediu para a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, disputar uma vaga no Senado.

    A ministra tem mandato de deputada federal. Foi eleita em 2022 com 261.247 votos, a segunda maior votação do estado. Ana Júlia e o presidente do diretório paranaense do partido, Arilson Chiorato, devem se candidatar a deputado federal mirando o eleitorado de Gleisi.

    Outra pré-candidatura à Câmara que deixou Lula satisfeito, de acordo com políticos próximos ao chefe do governo, foi o da deputada estadual Rosa Amorim (PT-PE). Ela tem 29 anos e é ligada ao MST.

    O eleitorado jovem foi importante para Lula vencer Jair Bolsonaro (PL) na eleição de 2022. A última pesquisa Datafolha realizada antes do segundo turno naquele ano mostrou que o petista tinha 50% das intenções de voto contra 37% de Bolsonaro entre eleitores com 16 a 24 anos. A margem de erro para o recorte dessa edição do levantamento foi de três pontos percentuais.

    Na edição mais recente da pesquisa, visando à eleição deste ano, o presidente não lidera entre os mais jovens. Lula tem 43% das intenções de voto para segundo turno entre eleitores de 16 a 24 anos. Flávio Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro e provável principal candidato da oposição, aparece com 44%. Neste caso, a margem de erro do recorte é de cinco pontos percentuais.

    O levantamento mais recente, divulgado em março, mostra que Lula e Flávio estão tecnicamente empatados nas intenções de voto para segundo turno. O petista tem 46% e o bolsonarista, 43%. Nesse caso, a margem de erro é de dois pontos.

    A margem varia dependendo do recorte em uma mesma pesquisa porque é influenciada pelo tamanho da amostra de eleitores. O número de entrevistados para chegar ao número geral é maior que o número de entrevistados de 16 a 24 anos, por isso o resultado total tem margem de erro menor.

    Integrantes do partido relatam, em conversas reservadas, que o apoio a novos candidatos causa disputas internas. Políticos já estabelecidos às vezes resistem à ideia de dividir espaços com novos atores e perder influência. Um dos principais pontos de atrito costuma ser a partilha dos recursos para financiamento de campanha.

    O próprio presidente da República mencionou indiretamente o fenômeno em um discurso recente. “No PT, a gente fala muito em igualdade, mas está cheio de companheiro deputado que não quer que saia outro deputado para não concorrer com ele”, declarou Lula a uma plateia de petistas no início de fevereiro.

    O PT havia proibido que deputados disputassem reeleição pelo partido depois de exercerem três mandatos consecutivos na mesma Casa Legislativa, mas voltou atrás em 2025 antes de a medida dar resultado.

    Lula tenta rejuvenescer bancada do PT, uma das mais velhas da Câmara

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