Categoria: POLÍTICA

  • Lula tenta rejuvenescer bancada do PT, uma das mais velhas da Câmara

    Lula tenta rejuvenescer bancada do PT, uma das mais velhas da Câmara

    A bancada do PT é atualmente a terceira com média de idade mais alta da Câmara. Lula expõe a aliados há anos uma preocupação com a falta de renovação no partido. No início de 2026, demonstrou publicamente descontentamento com barreiras impostas a possíveis novos candidatos da legenda.

    CAIO SPECHOTO, CATIA SEABRA E MARIANA BRASIL
    BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – O presidente Lula (PT) instruiu a direção de seu partido a buscar candidatos jovens visando a uma renovação da legenda. Em um caso específico, o chefe do governo interveio diretamente para lançar uma pré-candidatura a deputada federal em São Paulo.

    A bancada do PT é atualmente a terceira com média de idade mais alta da Câmara. Lula expõe a aliados há anos uma preocupação com a falta de renovação no partido. No início de 2026, demonstrou publicamente descontentamento com barreiras impostas a possíveis novos candidatos da legenda.

    Hoje com 80 anos de idade, Lula disse durante a campanha de 2022 que, se fosse eleito, não tentaria um novo mandato como presidente em 2026. A inexistência de um sucessor óbvio já era observada à época. Depois, o petista passou a dizer que só concorreria à reeleição caso fosse o único em seu campo político capaz de derrotar o bolsonarismo.

    O deputado José Guimarães (PT-CE), coordenador do GTE (Grupo de Trabalho Eleitoral) do PT, que discute a estratégia eleitoral do partido, disse que houve uma recomendação de Lula para buscar candidatos jovens.

    “Lula sempre fala que é muito importante renovar o PT”, declarou Guimarães. “Estamos ficando velhos, né? Essa juventude tem que entrar para segurar o PT. Nós estamos passando, precisa de uma renovação geracional. Acho que essa é a preocupação dele”, disse o deputado, que é líder do governo na Câmara.

    A idade média dos deputados do PT é de 59,2 anos. Só as bancadas do PC do B e do PDT são, na média, mais velhas. A bancada do PL, principal partido de oposição a Lula, é a oitava no ranking, com média de idade de 53,8 anos –igual à geral do conjunto de deputados da Casa.

    A secretária nacional de Juventude do partido, Julia Köpf, 29, disse que a legenda está “correndo atrás” de candidatos jovens. “Até agora estamos numa fase bastante inicial. Acho que tem uma juventude muito disposta, sabem que a missão de enfrentar Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não é fácil”, afirma.

    A Folha apurou que em quase todos os casos o presidente da República não entra diretamente nas conversas. Dirigentes petistas, porém, informam Lula sobre algumas das candidaturas de jovens em articulação nos estados e ele costuma demonstrar aprovação em determinadas situações.

    No caso da vereadora de São Paulo Luna Zarattini, 32, o chefe do governo interveio diretamente. A petista não pretendia disputar um mandato de deputada federal, mas Lula pediu que ela concorra.

    Além do perfil jovem, o presidente da República se interessou pelo tamanho do eleitorado de Luna. Ela teve 100.921 votos para a Câmara Municipal da capital paulista em 2024 e é considerada uma candidata forte independentemente de critérios geracionais.

    Lula também demonstrou a aliados simpatia à pré-candidatura da deputada estadual Ana Júlia Ribeiro (PT-PR), 25. O plano inicial era que ela tentasse a reeleição na Assembleia Legislativa do Paraná, mas o cenário mudou quando o presidente da República pediu para a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, disputar uma vaga no Senado.

    A ministra tem mandato de deputada federal. Foi eleita em 2022 com 261.247 votos, a segunda maior votação do estado. Ana Júlia e o presidente do diretório paranaense do partido, Arilson Chiorato, devem se candidatar a deputado federal mirando o eleitorado de Gleisi.

    Outra pré-candidatura à Câmara que deixou Lula satisfeito, de acordo com políticos próximos ao chefe do governo, foi o da deputada estadual Rosa Amorim (PT-PE). Ela tem 29 anos e é ligada ao MST.

    O eleitorado jovem foi importante para Lula vencer Jair Bolsonaro (PL) na eleição de 2022. A última pesquisa Datafolha realizada antes do segundo turno naquele ano mostrou que o petista tinha 50% das intenções de voto contra 37% de Bolsonaro entre eleitores com 16 a 24 anos. A margem de erro para o recorte dessa edição do levantamento foi de três pontos percentuais.

    Na edição mais recente da pesquisa, visando à eleição deste ano, o presidente não lidera entre os mais jovens. Lula tem 43% das intenções de voto para segundo turno entre eleitores de 16 a 24 anos. Flávio Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro e provável principal candidato da oposição, aparece com 44%. Neste caso, a margem de erro do recorte é de cinco pontos percentuais.

    O levantamento mais recente, divulgado em março, mostra que Lula e Flávio estão tecnicamente empatados nas intenções de voto para segundo turno. O petista tem 46% e o bolsonarista, 43%. Nesse caso, a margem de erro é de dois pontos.

    A margem varia dependendo do recorte em uma mesma pesquisa porque é influenciada pelo tamanho da amostra de eleitores. O número de entrevistados para chegar ao número geral é maior que o número de entrevistados de 16 a 24 anos, por isso o resultado total tem margem de erro menor.

    Integrantes do partido relatam, em conversas reservadas, que o apoio a novos candidatos causa disputas internas. Políticos já estabelecidos às vezes resistem à ideia de dividir espaços com novos atores e perder influência. Um dos principais pontos de atrito costuma ser a partilha dos recursos para financiamento de campanha.

    O próprio presidente da República mencionou indiretamente o fenômeno em um discurso recente. “No PT, a gente fala muito em igualdade, mas está cheio de companheiro deputado que não quer que saia outro deputado para não concorrer com ele”, declarou Lula a uma plateia de petistas no início de fevereiro.

    O PT havia proibido que deputados disputassem reeleição pelo partido depois de exercerem três mandatos consecutivos na mesma Casa Legislativa, mas voltou atrás em 2025 antes de a medida dar resultado.

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  • Flávio Bolsonaro inicia pré-campanha no NE com defesa de domiciliar para Jair e discurso anti-PT

    Flávio Bolsonaro inicia pré-campanha no NE com defesa de domiciliar para Jair e discurso anti-PT

    Em um ato político em Natal (RN), Flávio disse acreditar que a prisão domiciliar pedida pela defesa do pai será concedida. Bolsonaro está internado desde o último dia 13 na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do hospital DF Star, em Brasília, onde trata um quadro de pneumonia bacteriana bilateral.

    RENATA MOURA
    NATAL, RN (CBS NEWS) – O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, deu a largada de sua pré-campanha no Nordeste neste sábado (21) defendendo a concessão de prisão domiciliar para o pai, Jair Bolsonaro (PL), e reforçando críticas ao governo Lula (PT).

    Em um ato político em Natal (RN), Flávio disse acreditar que a prisão domiciliar pedida pela defesa do pai será concedida. Bolsonaro está internado desde o último dia 13 na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do hospital DF Star, em Brasília, onde trata um quadro de pneumonia bacteriana bilateral.

    “Os exames comprovam o agravamento da saúde dele e agora, com 71 anos de idade e comorbidades já publicamente conhecidas, a domiciliar humanitária vai ser autorizada”, disse o senador em entrevista à imprensa.

    No discurso para apoiadores, Flávio criticou o aumento do preço dos combustíveis: “Vocês já viram como está o preço da gasolina? O diesel batendo R$ 10?”, questionou.

    Sem fazer referências à guerra no Irã, o senador afirmou que Lula é um “incompetente que não consegue enfrentar uma crise”.

    Na sequência, citou medidas de redução de tributos adotadas por Bolsonaro em 2022, quando o preço dos combustíveis aumentou na esteira dos impactos da invasão da Ucrânia. Na última semana, Lula adotou uma medida semelhante ao zerar o PIS e a Cofins do óleo diesel.

    Mirando eleitores mais jovens e empreendedores, o senador prometeu reduzir impostos e facilitar a vida de quem quer abrir o próprio negócio. Também colocou a segurança pública no centro do discurso, prometendo endurecer o tratamento a organizações criminosas e a agressores de mulheres.

    O evento no Rio Grande do Norte teve bolo nas cores verde e amarelo, além de coro de feliz aniversário para o ex-presidente, que fez 71 anos neste sábado.

    Vestindo uma camiseta com a frase “Nordeste é solução”, Flávio disse que o crescimento do seu nome nas pesquisas é resultado de suas propostas e do que chamou de “grande desastre que é o governo do PT”.

    O ato político marcou a filiação ao PL do ex-prefeito de Natal, Álvaro Dias, que vai concorrer ao governo do estado. A chapa apresentada terá o senador Styvenson Valentim (PSDB) e o militar Coronel Hélio (PL) como candidatos ao Senado. Babá Pereira (PL), ex- prefeito do município de São Tomé, será o vice.

    Além de Álvaro Dias, já anunciaram que são pré-candidatos ao governo o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil) e o atual secretário de Fazenda do Estado, Cadu Xavier (PT).

    A governadora Fátima Bezerra (PT), que concorreria ao Senado, anunciou nesta semana que vai permanecer no cargo até o final do mandato.

    Neste domingo (22), Flávio participa ainda de um ato político na Paraíba.

    Flávio Bolsonaro inicia pré-campanha no NE com defesa de domiciliar para Jair e discurso anti-PT

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  • Lula critica ONU e diz que Conselho de Segurança 'faz as guerras' em vez de evitá-las

    Lula critica ONU e diz que Conselho de Segurança 'faz as guerras' em vez de evitá-las

    “O Conselho de Segurança da ONU e seus membros permanentes foram criados para tentar manter a paz, e são eles que estão fazendo as guerras”, afirmou o presidente durante o 1º Fórum de Alto Nível Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos)-África. Ele disse ainda estar “indignado com a passividade” da organização.

    LAIZ MENEZES
    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou a atuação da ONU (Organização das Nações Unidas) diante do avanço de guerras, em especial no Oriente Médio, ao discursar neste sábado (21), em Bogotá, na Colômbia. Ele afirmou que o Conselho de Segurança da entidade, criado para manter a paz e a segurança internacional, “promove guerras”, ao citar os conflitos na Faixa de Gaza, na Ucrânia e no Irã.

    “O Conselho de Segurança da ONU e seus membros permanentes foram criados para tentar manter a paz, e são eles que estão fazendo as guerras”, afirmou o presidente durante o 1º Fórum de Alto Nível Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos)-África. Ele disse ainda estar “indignado com a passividade” da organização.

    Lula afirmou que o conselho não foi capaz de resolver conflitos em Gaza, na Ucrânia, na Líbia, no Iraque e no Irã. “Quem tem mais canhão, mais navio, mais avião e mais dinheiro se acha dono do mundo”, disse.

    O presidente também cobrou uma reforma urgente do órgão e defendeu maior representação de América Latina e da África. “Quando é que a ONU vai convocar uma reunião extraordinária para que a gente decida qual é o papel dos membros do Conselho de Segurança? Por que não se renova? Por que não se coloca mais países representando o Conselho de Segurança da ONU?”, questionou.

    Ele classificou o momento atual de período com a maior concentração de conflitos desde a Segunda Guerra Mundial (1939 – 1945) e contrapôs os gastos militares à persistência da fome. “Enquanto se gastou no ano passado US$ 2,7 trilhões em armas e guerras, ainda temos 630 milhões de pessoas passando fome”, afirmou.

    Publicada no mês passado, a 67ª edição do Balanço Militar mostrou que o gasto militar global cresceu em 2025 e atingiu o maior patamar desde a Segunda Guerra. O avanço em relação a 2024 foi de 2,5% em termos reais, chegando a US$ 2,63 trilhões (R$ 13,58 trilhões). E segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), de 638 milhões a 720 milhões de pessoas passaram fome no mundo em 2024.

    Lula dedicou parte do discurso ao caso do Irã. Ele relembrou que, em 2010, viajou a Teerã com o então presidente da Turquia, Abdullah Gül, para negociar um acordo sobre enriquecimento de urânio -proposta que, segundo ele, teve aval do então presidente americano, Barack Obama, em carta.

    Segundo o presidente, o acordo foi firmado, mas Estados Unidos e Europa responderam ampliando o bloqueio ao país. “Depois de alguns anos, foram fazer outro acordo pior do que aquele que a gente tinha feito”, disse.

    Para Lula, o episódio faz parte de um padrão em que potências constroem a imagem de um inimigo para justificar o uso da força. “Nós não podemos viver mais num mundo de mentiras”, afirmou, em referência a argumentos usados pelo presidente Donald Trump para atacar o Irã, com base no temor de desenvolvimento de armas nucleares.

    Outro tema abordado foi a disputa por minerais críticos e terras raras. Lula afirmou que países da América Latina e da África ainda enfrentam as consequências da colonização e alertou para o risco de uma nova forma de dominação, agora com base em recursos estratégicos. Segundo ele, potências estrangeiras tentam repetir uma lógica histórica de exploração.

    “[Com os minerais críticos] é a chance de Bolívia, África e América Latina não aceitar ser apenas exportadora”, disse, defendendo que investidores estrangeiros se instalem e produzam nesses países.

    Lula também defendeu que o Atlântico Sul permaneça livre de disputas geopolíticas e anunciou que o Brasil organizará, em 9 de abril, uma reunião ministerial da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul.

    Lula critica ONU e diz que Conselho de Segurança 'faz as guerras' em vez de evitá-las

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  • Advogado ligado a Lula critica PF ao defender Lulinha: 'Eles atiram a flecha e pintam o alvo'

    Advogado ligado a Lula critica PF ao defender Lulinha: 'Eles atiram a flecha e pintam o alvo'

    Carvalho, que já foi cotado para chefiar o Ministério da Justiça –órgão ao qual a PF é subordinada–, critica tanto o que chamou de criatividade da investigação, ao ver indícios de ilícitos que, para ele, não existem, quanto o vazamento de informações do caso, que ele classifica como criminoso. Disse, contudo, confiar na corporação e no seu dirigente, o diretor-geral Andrei Rodrigues.

    BRUNO RIBEIRO
    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – Amigo de Lula (PT), o advogado Marco Aurélio Carvalho, coordenador do grupo Prerrogativas, faz duras críticas ao trabalho da Polícia Federal ao defender Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, que vem sendo investigado por suposta ligação com as fraudes do INSS.

    Carvalho, que já foi cotado para chefiar o Ministério da Justiça –órgão ao qual a PF é subordinada–, critica tanto o que chamou de criatividade da investigação, ao ver indícios de ilícitos que, para ele, não existem, quanto o vazamento de informações do caso, que ele classifica como criminoso. Disse, contudo, confiar na corporação e no seu dirigente, o diretor-geral Andrei Rodrigues.

    Em entrevista à Folha na sexta-feira (20), o advogado de Lulinha fez paralelos entre os governos Lula e Jair Bolsonaro (PL) para dizer que, na gestão anterior, houve episódios de tentativas de interferência do governo na PF, órgão de Estado, que não ocorrem agora, mas que integrantes da corporação não estão cumprindo seu papel da mesma maneira republicana.

    “A Polícia Federal, como instituição de Estado, e como toda instituição, está em disputa. E essa disputa é reflexo da disputa que acontece na própria sociedade, ainda dividida pelo ódio e pela intolerância”, afirmou. Carvalho atua na defesa de Lulinha com o advogado Guilherme Suguimori.

    “Há episódios da Lava Jato que infelizmente estão sendo reproduzidos. Tenho certeza absoluta, pelo bem da integridade da própria corporação, que o Andrei [Rodrigues] vai tomar providências bastante enérgicas para se livrar desses elementos que colocam em xeque a credibilidade da instituição. Confio nele. O presidente Lula devolveu independência e autonomia para a Polícia Federal, e ela precisa usar essa independência e autonomia com responsabilidade”, disse.

    A reportagem procurou a assessoria de imprensa da Polícia Federal para comentar as declarações do advogado, mas o órgão não respondeu.

    O advogado nega com veemência que Lulinha tenha recebido qualquer valor do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, decorrente do esquema de descontos indevidos em aposentadorias de brasileiros.

    “Não há qualquer tipo de repasse, de forma direta ou indireta. Tanto é que a Polícia Federal está tentando estabelecer linhas, digamos, pirotécnicas, exageradamente criativas, num delírio persecutório que parece não ter fim e nos remete ao que houve de pior no nosso sistema de Justiça. Eles atiram a flecha e pintam o alvo. Então, assim, não deixam de errar. Começaram pelo fim: querer condenar”, disse Carvalho.

    “Ninguém quer que o Fábio esteja acima da lei. Mas não podemos permitir que ele seja tratado como se estivesse abaixo dela.”

    A PF investiga se Lulinha recebeu valores do Careca do INSS por meio de uma amiga em comum, a empresária Roberta Luchsinger, alvo de uma operação em dezembro. Os três se conhecem: a convite dela, Lulinha fez uma viagem a Portugal em 2024 para visitar um projeto de canabidiol de Careca.

    Uma das suspeitas da PF é de que Lulinha receberia uma mesada de R$ 300 mil por meio da amiga. Segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, a PF investiga repasses a uma agência de viagens, e um relatório sugere que a mudança dele para a Espanha, no ano passado, poderia ser para uma “possível evasão” do Brasil. Como revelou a Folha, Lulinha abriu uma empresa na Espanha em janeiro deste ano.

    Carvalho rebate todos os pontos. “Não houve nem um único repasse sequer”, afirmou o advogado, referindo-se a valores vindos de Careca ou de Luchsinger.

    Segundo sua análise, a quebra do sigilo bancário de Lulinha teria comprovado isso, uma vez que os extratos não registrariam transferências nesse sentido. “O vazamento criminoso dos dados foi revelador e tranquilizador”, afirmou.

    Sobre a viagem com Careca, em 2024, ele repetiu informação anterior de que Lulinha não tinha ciência das atividades ilícitas do lobista e foi visitar uma fazenda de canabidiol por ter um familiar com epilepsia que usa a substância. “Nós dissemos isso de forma voluntária e espontânea ao ministro André Mendonça, mesmo antes de sermos inquiridos a respeito.”

    A movimentação financeira noticiada nas contas de Lulinha, de R$ 19,5 milhões ao longo de quatro anos, também é contestada. “O Coaf não separa o que é entrada e o que é saída” e duplica os valores a cada transferência entre contas do mesmo titular, disse o advogado. O valor real seria de cerca de R$ 5 milhões em quatro anos –parte da herança de Marisa Letícia, parte de empréstimos feitos ao presidente Lula quando estava preso.

    A suspeita de evasão é igualmente rechaçada pelo advogado, que diz que Lulinha preparava a mudança para Madri desde 2023, um ano antes das investigações.

    A defesa de Luchsinger enviou uma petição ao STF, obtida pela Folha, questionando o vazamento de informações sobre o caso. No documento, a defesa destaca que as transferências da empresa dela para a agência de viagens citadas pela PF ocorreram entre dezembro de 2023 e junho de 2024, ao passo que o contrato entre a empresa dela e a de Careca só foi firmado em dezembro de 2024. Com base nisso, a defesa sustenta que seria falsa a premissa de que a triangulação configuraria lavagem de dinheiro.

    Em dezembro passado, Lula comentou as suspeitas que se formavam sobre a ligação de seu filho com a fraude do INSS. “Se tiver filho meu metido nisso, será investigado.”

    “Eis aí a diferença entre um estadista, o presidente Lula, e um miliciano, o ex-presidente Jair Bolsonaro: um interferindo em investigações para blindar a família, o outro pedindo ao filho que se coloque à disposição do STF”, afirmou Carvalho, em referência às suspeitas de interferência na PF na apuração contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no caso das “rachadinhas”.

    Para Carvalho, a exposição forçada pelo inquérito pode ter um efeito paradoxal. “Se antes ele era um problema, hoje ele pode ser uma solução [para Lula]”, afirmou. “Se a oposição achava que tinha uma bala de prata, talvez agora tenha se dado conta de que tem uma bala de festim.”

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  • PGR denuncia Silvio Almeida sob acusação de importunação sexual a Anielle Franco

    PGR denuncia Silvio Almeida sob acusação de importunação sexual a Anielle Franco

    A denúncia foi apresentada em 4 de março e é assinada pelo procurador-geral, Paulo Gonet. O processo corre sob sigilo no STF e é conduzido pelo ministro André Mendonça.

    ANA POMPEU
    BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – A PGR (Procuradoria-Geral da República) denunciou Silvio Almeida, ex-ministro dos Direitos Humanos do governo Lula, ao STF (Supremo Tribunal Federal) sob acusação de importunação sexual à ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco.

    A denúncia foi apresentada em 4 de março e é assinada pelo procurador-geral, Paulo Gonet. O processo corre sob sigilo no STF e é conduzido pelo ministro André Mendonça.

    Na peça, Gonet afirma que há indícios que respaldam o relato de Anielle. Dentre os depoimentos que corroboram as declarações da ministra está o do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

    Procurada, a defesa do ex-ministro afirmou que o caso permanece sigiloso e reafirmou declarações anteriores. Silvio Almeida vem argumentando que as acusações não têm materialidade e tratam de ilações.

    Andrei participou da reunião de maio de 2023 na sede do Ministério da Igualdade Racial na qual Almeida teria assediado Anielle. O diretor-geral foi ouvido no caso e, segundo a PGR, deu um relato em consonância com o descrito pela ministra.

    De acordo com a denúncia, Andrei diz ter sentido Anielle muito abatida depois da reunião e teria feito comentários fortes, como “não aguentar mais”. Na ocasião, ela não teria citado o nome de Almeida, mas saiu chateada do encontro, relatando desconfortos.

    A corregedora-geral da PF, Aletea Vega Marona Kunde, esteve presente no encontro e, também ouvida no inquérito, deu relato semelhante. Há, ainda, relatos de amigas com quem Anielle conversou na época sobre o momento que vivia.

    O indiciamento de Silvio Almeida ocorreu em novembro passado pela PF e foi embasado na suspeita de importunação sexual contra Anielle e a professora Isabel Rodrigues. A denúncia da PGR, no entanto, aborda apenas o caso de Anielle.

    Segundo o entendimento apontado pela Procuradoria, o segundo caso foi enviado à primeira instância para seguir a jurisprudência do STF, já que, à época dos fatos relacionados à professora, Almeida não era ministro.

    De acordo com informações de pessoas que tiveram acesso ao documento, a PF considerou que houve prescrição em relação a outros casos suspeitos -quando o Estado não pode mais punir alguém pela prática de um crime ou executar uma pena pelo tempo passado desde o fato.

    Somadas, as penas podem resultar em dez anos de prisão.

    O indiciamento foi encaminhado à corte após investigação que apurou acusações de assédio sexual. No início de 2025, durante as investigações, Silvio Almeida chegou a depor por mais de duas horas à Polícia Federal.

    PGR denuncia Silvio Almeida sob acusação de importunação sexual a Anielle Franco

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  • Elos com Vorcaro pressionam Toffoli no STF; entenda suspeitas

    Elos com Vorcaro pressionam Toffoli no STF; entenda suspeitas

    O ministro não é investigado pela PF -isso só poderia ocorrer com autorização do próprio Supremo-, mas, como mostrou a Folha de S.Paulo, investigadores suspeitam de crimes financeiros em fundos ligados ao resort Tayayá, do qual a família do magistrado é ex-sócio, e avançam na apuração.

    LUCAS MARCHESINI
    BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – Os questionamentos sobre as conexões do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, crescem desde que a primeira relação entre os dois foi revelada pela Folha de S.Paulo, em janeiro, e podem ser respondidos ao longo da investigação da Polícia Federal sobre o caso.

    O ministro não é investigado pela PF -isso só poderia ocorrer com autorização do próprio Supremo-, mas, como mostrou a Folha de S.Paulo, investigadores suspeitam de crimes financeiros em fundos ligados ao resort Tayayá, do qual a família do magistrado é ex-sócio, e avançam na apuração.

    A PF elaborou um relatório de 200 páginas sobre as relações de Toffoli e Vorcaro e entregou o documento ao presidente do STF, Edson Fachin, em fevereiro. Os achados da PF não foram suficientes para Fachin autorizar uma investigação contra o ministro, mas provocaram a saída de Toffoli da relatoria do caso, que passou para o ministro André Mendonça. Agora, qualquer avanço nas investigações contra Toffoli dependerá de decisões de Mendonça.

    Nesse relatório, a PF incluiu diálogos entre Vorcaro e seu cunhado Fabiano Zettel no qual discutem pagamentos para Toffoli. Neles, há indicações de que o ex-banqueiro determinou repasses que totalizaram R$ 35 milhões ao ministro.

    A primeira conexão entre Toffoli e Vorcaro surgiu em reportagem da Folha de S.Paulo em 11 de janeiro mostrando que um resort no interior do Paraná, o Tayayá, teve como sócios uma empresa de dois irmãos do ministro e um fundo que faz parte da rede fraudulenta atribuída ao Banco Master.

    Na época, atos de Toffoli à frente do caso causavam estranhamento nos órgãos que investigam o caso. O magistrado convocou em dezembro uma acareação entre Vorcaro, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e o diretor do BC (Banco Central) Ailton de Aquino.

    A medida colocava Aquino como um dos investigados, seguindo a linha de defesa de Vorcaro à época, de que a autoridade monetária tinha se precipitado ao decretar a liquidação do Master, em novembro.

    Diante da repercussão, o ministro mudou a solicitação para depoimentos individuais, que ocorreram em 30 de dezembro -enquanto estava hospedado no resort Tayayá.

    A parceria no resort localizado em Rio Claro (PR) começou em setembro 2021, quando a Maridt Participações S.A., empresa do ministro com os irmãos José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli, vendeu metade de sua participação no empreendimento ao fundo de investimentos Arleen por pouco mais de R$ 3 milhões.

    O Arleen integra uma extensa cadeia de fundos utilizados pelo Master, de acordo com as investigações da PF e do Banco Central. O controlador do fundo é Fabiano Zettel, pastor e operador financeiro de Vorcaro, através de outro fundo, o Leal.

    O cunhado de Vorcaro aplicou R$ 26 milhões no fundo Leal no segundo semestre de 2022.

    A Maridt deixou a sociedade nas empresas que compõem o grupo Tayayá em fevereiro do ano passado, quando o restante de sua participação foi adquirida pelo empresário Paulo Humberto Barbosa.

    Barbosa é um advogado goiano que atuou diversas vezes para a JBS, empresa do grupo J&F. Quando ele comprou a participação do Arleen no Tayayá, o fundo não pertencia mais a Zettel, mas sim a Alberto Leite, empresário amigo de Toffoli que manteve as cotas do fundo por menos de um ano.

    Na época da revelação da Folha de S.Paulo, o ministro Dias Toffoli não disse que também era sócio da Maridt. Ele só fez a revelação em 12 de fevereiro, após a PF produzir um relatório sobre as relações entre Toffoli e Vorcaro.

    Em maio de 2024, Vorcaro perguntou a Zettel, por mensagem de WhatsApp, qual era a situação dos repasses. “Você não resolveu o aporte do fundo Tayayá? Estou em situação ruim”, escreveu o banqueiro.

    O cunhado respondeu: “Te perguntei se poderia ser semana que vem e você disse que sim”.

    Depois disso, Zettel apresentou a lista de pagamentos para Vorcaro aprovar. Nessa lista, constava em uma das linhas: “Tayaya – 15″. Para a PF, tratava-se do repasse de R$ 15 milhões ao empreendimento. Vorcaro respondeu: “Paga tudo hoje”.

    Em agosto de 2024, Vorcaro voltou a tratar das cobranças com o cunhado. “Aquele negócio do Tayayá não foi feito?”, perguntou o banqueiro.

    Zettel respondeu que já tinha transferido para o intermediário responsável por efetivar o pagamento, mas que o aporte final dependeria dessa pessoa.

    Vorcaro se irritou. “Onde tá a grana?”, afirmou ao cunhado. Zettel respondeu: “No fundo dono do Tayayá. Transfiro as cotas dele”.

    Para prestar contas diante das cobranças, Vorcaro pediu a Zettel que levantasse todos os aportes realizados no Tayayá. “Me fala tudo que já foi feito até hoje”. O cunhado, então, respondeu: “Pagamos 20 milhões lá atrás. Agora mais 15 milhões”.

    Em nota enviada por Toffoli quando o relatório da PF veio a público, o ministro disse que “jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima com o investigado Daniel Vorcaro” e que “jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel”.

    A Maridit, afirma Toffoli em nota enviada nesta sexta (20), é uma empresa familiar, constituída na forma de sociedade anônima de capital fechado, registrada na Junta Comercial e com prestação de declarações anuais à Receita Federal.

    “Suas declarações à Receita Federal, bem como as de seus acionistas, sempre foram devidamente aprovadas”, afirmou.

    “O Ministro Dias Toffoli faz parte do quadro societário, sendo a referida empresa administrada por parentes do Ministro”, acrescentou, o que é permitido pela Lei Orgânica da Magistratura.

    Sobre as vendas de participações no Tayayá para o fundo Arleen e para Paulo Humberto, Toffoli afirmou que “tudo foi devidamente declarado à Receita Federal do Brasil e que todas as vendas foram realizadas dentro de valor de mercado”.

    A defesa de Daniel Vorcaro não quis se pronunciar.

    Elos com Vorcaro pressionam Toffoli no STF; entenda suspeitas

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  • Gilmar Mendes vota; prisão de Vorcaro é mantida por unanimidade

    Gilmar Mendes vota; prisão de Vorcaro é mantida por unanimidade

    Ministros referendaram decisão de André Mendonça; Dias Toffoli, que também pertence ao colegiado, se declarou suspeito e não participou do julgamento

    Por 4 votos a 0, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta sexta-feira (20) manter a prisão banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. 

    O colegiado finalizou o julgamento virtual do caso e referendou decisão do ministro André Mendonça, que, no dia 4 deste mês, determinou a prisão do banqueiro e mais dois aliados dele. 

    Também vão continuar presos o cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, acusado de ser operador financeiro, e o escrivão aposentado da Polícia Federal (PF) Marilson Roseno da Silva, que teria auxiliado no acesso a informações sigilosas das investigações. O julgamento virtual começou na sexta-feira (13), quando foi formada maioria de 3 votos a 0 pela manutenção da prisão. Além de Mendonça, votaram nesse sentido os ministros Luiz Fux e Nunes Marques.

    O último voto foi proferido hoje pelo ministro Gilmar Mendes, que acompanhou a maioria, mas fez diversas ressalvas no voto. 

    Dias Toffoli, que também pertence ao colegiado, se declarou suspeito e não participou do julgamento.

    Toffoli é um dos sócios do resort Tayayá, localizado no Paraná. O empreendimento foi comprado por um fundo de investimentos que é ligado ao Master e investigado pela PF.

    Delação 

    Na semana passada, após o Supremo formar maioria de votos, Vorcaro decidiu mudar de advogado. 

    A banca do advogado Pierpaolo Bottini, crítico de delações, deixou o processo e foi substituída por José Luis Oliveira, um dos criminalistas mais conhecidos do país.

    A mudança sinalizou a intenção de Vorcaro em assinar um acordo de delação premiada. 

    Ontem, o banqueiro foi transferido da Penitenciária Federal em Brasília para a carceragem da superintendência da Polícia Federal.

    A mudança do local de prisão foi o primeiro passo das tratativas para o fechamento da colaboração premiada com os delegados responsáveis pela investigação e a Procuradoria-Geral da República (PGR). 

    Gilmar Mendes vota; prisão de Vorcaro é mantida por unanimidade

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  • Moraes determina que PGR se manifeste sobre possibilidade de prisão domiciliar a Bolsonaro

    Moraes determina que PGR se manifeste sobre possibilidade de prisão domiciliar a Bolsonaro

    Informações do hospital sobre a saúde do ex-presidente foram compartilhadas com Gonet; após o envio do parecer, ministro vai decidir se medida humanitária é cabível

    BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou nesta sexta-feira (20) que a PGR (Procuradoria-Geral da República) se manifeste sobre a possibilidade de conceder prisão domiciliar humanitária ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

    Moraes enviou ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, as informações prestadas pelo hospital DF Star, em Brasília, sobre o estado de saúde de Bolsonaro, que está internado para tratar uma broncopneumonia decorrente de uma broncoaspiração. Ainda não há previsão de alta.

    Como mostrou a Folha de S.Paulo, a ofensiva pela domiciliar teve a participação de Flávio e Michelle Bolsonaro, do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), da bancada bolsonarista no Congresso Nacional e de ministros do STF.

    Um argumento utilizado por políticos e por outros ministros junto a Moraes foi o risco de que a eventual morte de Bolsonaro fosse encarada politicamente como responsabilidade do Supremo. Pelo menos cinco magistrados entendem que deixar Bolsonaro cumprir a pena em casa seria a melhor opção.

    Ao atender Bolsonaro na manhã em que ele passou mal, a equipe médica de plantão na Papudinha citou “risco de morte” do ex-presidente como motivo para a transferência ao hospital, conforme consta em relatório enviado ao STF pelo núcleo de custódia.

    Ao solicitar a domiciliar para Bolsonaro, a defesa do ex-presidente afirmou que houve uma piora no seu quadro de saúde e que a unidade conhecida como Papudinha é incompatível com a preservação da saúde e da integridade física do ex-presidente.

    A internação foi colocada pelos advogados como um fato superveniente à decisão de Moraes que, em 2 de março, havia negado a domiciliar. Por isso, foi requerida uma reconsideração. Antes de decidir, contudo, o ministro pediu o parecer da PGR.

    As informações prestadas pelo DF Star foram compartilhadas com Gonet. Moraes afirma que foram apresentados “o prontuário médico e demais informações atualizadas sobre a internação”, o que inclui os exames realizados e os medicamentos que estão sendo administrados.

    Bolsonaro cumpre na Papudinha uma condenação de 27 anos e três meses de prisão, imposta pela Primeira Turma do STF, que o considerou o líder de uma organização criminosa que buscava dar um golpe de Estado.

    Moraes determina que PGR se manifeste sobre possibilidade de prisão domiciliar a Bolsonaro

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  • Ratinho Jr. e Caiado têm menos mulheres no 1º escalão que Zema e Eduardo Leite

    Ratinho Jr. e Caiado têm menos mulheres no 1º escalão que Zema e Eduardo Leite

    Favorito do PSD ao Planalto, governador do PR tem só 3 entre 25 cargos; gestão cita outros postos de liderança; presença feminina entre presidenciáveis e sob Lula segue inferior à metade dos titulares do primeiro escalão

    CURITIBA, PR (CBS NEWS) – Entre os pré-candidatos ao Palácio do Planalto em 2026 que exercem atualmente mandatos no Executivo, os governadores Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, e Eduardo Leite (PSD), do Rio Grande do Sul, são os que têm hoje mais mulheres em postos do primeiro escalão na comparação com seus adversários.

    Mas a presença de mulheres segue ainda inferior à metade dos postos de liderança existentes e não chega a 40%. Em 16 cargos do primeiro escalão da gestão Zema, 6 são ocupados por mulheres, representando 37% da estrutura. No governo Leite, elas são 34%: 10 mulheres entre 29 postos.

    O levantamento da reportagem considera apenas o quadro atual de nomeados no primeiro escalão, ou seja, ministras, secretárias ou equivalentes, como os comandos da Procuradoria-Geral do Estado e da Controladoria-Geral do Estado.

    Ratinho Junior (PSD) e Ronaldo Caiado (PSD), governadores do Paraná e de Goiás, respectivamente, têm as piores proporções: 12% e 14%. No Paraná, as 3 mulheres entre 25 cargos ocupam a Secretaria da Mulher, Igualdade Racial e Pessoa Idosa; a Secretaria da Cultura e a Controladoria-Geral do Estado. As duas primeiras pastas foram criadas no segundo mandato.

    Procurado para comentar, o governo paranaense mencionou a atuação de Eliane Carmona, que é diretora-presidente do Fundepar (Instituto Paranaense de Desenvolvimento Educacional), cargo que não foi incluído no levantamento. O Fundepar é responsável por obras, merenda e transporte da área de educação.

    A gestão Ratinho Junior enfatizou ainda o fato de o governador ter indicado, ao longo de seu governo, quatro mulheres para cadeiras de desembargadoras do Tribunal de Justiça do Paraná.

    Em Goiás, as 3 mulheres entre 21 cargos comandam as pastas da Cultura, Educação e Meio Ambiente. Procurado, o governo Caiado não comentou.

    Caiado e Ratinho Junior, assim como Leite, são os três presidenciáveis do PSD. A definição sobre quem será o candidato do partido de Gilberto Kassab ao Planalto será anunciada até o final deste mês, mas a cúpula da sigla já indicou que deve ser o governador do Paraná.

    “O número baixíssimo de mulheres [principalmente no caso de Paraná e Goiás] chama a atenção, mas tem um recorte interessante no caso do Rio Grande do Sul e de Minas, que é o perfil das escolhidas, mais técnico e profissional, mais fora do universo político”, avalia Nahomi Helena de Santana, diretora do Instituto Paranaense de Direito Eleitoral e mestre em direitos humanos e democracia pela UFPR (Universidade Federal do Paraná).

    Ela também observa que, tanto em Minas quanto no Rio Grande do Sul, as mulheres ocupam pastas com orçamentos robustos, de visibilidade. “A Priscilla Maria Santana, por exemplo, é uma servidora de carreira assumindo uma pasta complicada, pelo histórico de crises fiscais profundas”, comenta ela, em referência à secretária da Fazenda no Rio Grande do Sul.

    À reportagem a gestão Leite afirmou que é o maior número de secretárias de Estado na história do Rio Grande do Sul. O ineditismo é tratado como um ativo pelo governo.

    Já o governo Zema disse que vem ampliando “as oportunidades para elas em cargos de liderança, sempre pautado por critérios técnicos e de competência”.

    O governo mineiro também destacou a presença de outros cargos ocupados hoje por mulheres que não estão contemplados no levantamento da reportagem. Ele cita a coronel Jordana Daldegan, comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar de Minas; a delegada Letícia Reis, chefe da Polícia Civil; e Gabriela Siqueira, à frente da Ouvidoria-Geral do Estado.

    Pré-candidato à reeleição, o presidente Lula (PT) tem hoje 10 mulheres entre 38 postos (26%). Segundo a Presidência, os ministérios chefiados por mulheres “são pastas estratégicas para o desenvolvimento de políticas públicas em áreas cruciais para o país e que se destacam por desenvolver ações transversais”.

    A gestão Lula acrescentou que a participação feminina em cargos de direção e assessoramento passou de 34,9% em 2022 para 40,8% em janeiro deste ano.

    Flávio Bolsonaro (PL) exerce mandato como senador pelo Rio de Janeiro. Seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), manteve na maior parte do mandato apenas duas mulheres na Esplanada dos Ministérios, ou 9% da estrutura, considerando um desenho com 22 cargos de primeiro escalão.

    Para Nahomi Helena de Santana, as barreiras encontradas pelas mulheres dentro de partidos políticos e no processo eleitoral devem ser consideradas entre as razões que explicam a baixa presença de mulheres no primeiro escalão.

    “São cargos geralmente utilizados em acordos políticos, eleitoreiros. Não estou dizendo que é errado, mas isso significa que eles já ficam amarrados às indicações dos partidos, a maioria controlados por homens”, analisa.

    “Na esfera federal, desamarrar isso é mais difícil, por conta da forte relação com o Congresso Nacional. Lembro do caso da Ana Moser, que saiu do Ministério do Esporte para dar espaço a André Fufuca”, observa.

    Ratinho Jr. e Caiado têm menos mulheres no 1º escalão que Zema e Eduardo Leite

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  • Bolsonaro apresenta melhora clínica, mas continua sem previsão de alta da UTI, aponta boletim

    Bolsonaro apresenta melhora clínica, mas continua sem previsão de alta da UTI, aponta boletim

    Médicos afirmam que o ex-presidente Jair Bolsonaro mantém “boa evolução clínica”, mas seguirá internado na unidade de terapia intensiva (UTI), sem previsão de receber alta

    O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) segue internado na unidade de terapia intensiva (UTI), segundo boletim médico divulgado pelo hospital DF Star nesta sexta-feira, 20. Os médicos afirmam que ele mantém “boa evolução clínica”, mas ainda não há previsão de receber alta.

    Bolsonaro tem recebido antibioticoterapia endovenosa, ou seja, antibióticos aplicados diretamente na veia. Além disso, o ex-presidente “segue com suporte clínico intensivo e fisioterapia respiratória e motora”.

    O ex-presidente foi hospitalizado na última sexta-feira, 13, com broncopneumonia bacteriana bilateral, decorrente de episódio de broncoaspiração, quando há a entrada de conteúdo das vias digestivas, como alimentos ou secreções, nas vias respiratórias, o que pode causar infecção nos pulmões.

    Na noite desta quinta-feira, 19, o filho do ex-presidente Carlos Bolsonaro (PL-RJ) visitou o pai no hospital e relatou que o tratamento aplicado tem deixado Bolsonaro “apagado”. Carlos afirmou ainda que “por conta das medicações fortes, sua sensibilidade está ainda mais elevada”.

    Na última sexta-feira, após deixar o hospital, o médico cardiologista Brasil Caiado afirmou que essa foi a “maior que Bolsonaro já teve”. O ex-presidente chegou à UTI com água nos pulmões, pela aspiração de líquido do estômago, em decorrência dos soluços frequentes que ele apresenta.

    Na quarta-feira, 18, Caiado disse que um novo exame apontou uma melhora parcial do pulmão direito, sendo que o lado esquerdo do órgão ainda apresenta comprometimento moderado e difuso. O cardiologista afirmou ainda que apesar de não haver previsão de alta da UTI, existe uma expectativa de que, com as reações positivas ao tratamento, Bolsonaro possa ser transferido para o quarto neste final de semana.

    “A prudência manda deixarmos lá (na UTI) para termos total segurança, observar, como eu falei, o quadro clínico, a evolução laboratorial, a melhora dos sintomas. Mas acredito que pode ser, daqui para o final de semana, que evoluamos para uma transferência para o quarto. Mas eu não sei exatamente o momento”, disse Caiado.

    Bolsonaro está preso no 19.º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, a Papudinha. O ex-presidente cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado para permanecer no poder após as eleições de 2022.

    Bolsonaro apresenta melhora clínica, mas continua sem previsão de alta da UTI, aponta boletim

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