Categoria: POLÍTICA

  • Lula está à frente, e Tarcísio e Ratinho são os adversários mais competitivos no 2º turno

    Lula está à frente, e Tarcísio e Ratinho são os adversários mais competitivos no 2º turno

    Os dados fazem parte da 166ª rodada da pesquisa de opinião divulgada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), em parceria com o Instituto MDA

    Pesquisa divulgada nesta terça-feira, 25, pela CNT/MDA mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está à frente em um primeiro turno e derrotaria todos os oito adversários testados em um eventual segundo turno nas eleições presidenciais de 2026.

    No primeiro turno, em um dos cenários testados, Lula tem 42%, enquanto o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), aparece com 21,7%. Na sequência, estão Ratinho Jr. (PSD), governador do Paraná, com 11,8%; e Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, com 5,7%. Brancos e nulos são 14,7%, e indecisos, 4,1%.

    Quando o nome de Tarcísio é substituído pelo do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), Lula tem 42,7%; e o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), 17,4%. Ratinho Jr., 14%; e Zema, 9,6%. Brancos e nulos são 13,1% e indecisos, 3,2%.

    Já em um cenário em que está a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, Lula aparece também com 42,7%, enquanto ela tem 23%. Depois, estão Ratinho Jr., com 11,4%; e Zema, 8,3%. Brancos e nulos são 11,7%, e indecisos, 2%.

    Os resultados fazem parte da 166ª rodada da pesquisa de opinião divulgada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), em parceria com o Instituto MDA.

    Foram feitas 2.022 entrevistas entre 19 a 23 de novembro, de forma presencial e domiciliar, em 140 municípios de todas as 27 unidades federativas. A margem de erro é de 2,2 pontos porcentuais.

    Veja os cenários de 1º turno:

    Cenário 1:

    Lula: 38,8%;

    Jair Bolsonaro: 27%;

    Ciro Gomes: 9,6%;

    Ratinho Jr.: 6,4%;

    Ronaldo Caiado: 4%;

    Romeu Zema: 2,7%;

    Branco/nulo: 8,5%;

    Indecisos: 3%.

     

    Cenário 2:

    Lula: 42%;

    Tarcísio de Freitas: 21,7%;

    Ratinho Jr.: 11,8%;

    Romeu Zema: 5,7%

    Branco/nulo: 14,7%;

    Indecisos: 4,1%.

     

    Cenário 3:

    Lula: 42,7%;

    Eduardo Bolsonaro: 17,4%;

    Ratinho Jr.: 14%;

    Romeu Zema: 9,6%;

    Branco/nulo: 13,1%;

    Indecisos: 3,2%.

     

    Cenário 4: 

    Lula: 42,7%;

    Michelle Bolsonaro: 23%;

    Ratinho Jr.: 11,4%;

    Romeu Zema: 8,3%

    Branco/nulo: 11,7%;

    Indecisos: 2,0%.

    Nos cenários de segundo turno, Lula também aparece à frente, e os adversários mais bem colocados são Tarcísio de Freitas e Ratinho Jr.

    Em eventual disputa com o governador de São Paulo, Lula tem 45,7% e Tarcísio, 39,1%. Já com o governador do Paraná, o presidente tem 45,8%; e Ratinho Jr., 38,7%.

    Veja os cenários de segundo turno:

    Cenário 1: Lula x Jair Bolsonaro

    Lula: 49,2%;

    Jair Bolsonaro: 36,9%;

    Branco/nulo: 12,5%;

    Indeciso: 1,4%.

     

    Cenário 2: Lula x Tarcísio de Freitas

    Lula: 45,7%;

    Tarcísio de Freitas: 39,1%;

    Branco/nulo: 12,5%;

    Indeciso: 2,7%.

     

    Cenário 3: Lula x Ratinho Jr.

    Lula: 45,8%;

    Ratinho Jr.: 38,7%;

    Branco/nulo: 12,5%;

    Indeciso: 3%.

     

    Cenário 4: Lula x Romeu Zema

    Lula: 47,9%;

    Romeu Zema: 33,5%;

    Branco/nulo: 15,2%;

    Indeciso: 3,4%.

     

    Cenário 5: Lula x Ronaldo Caiado

    Lula: 46,9%;

    Ronaldo Caiado: 33,7%;

    Branco/nulo: 15,7%;

    Indeciso: 3,7%.

     

    Cenário 6: Lula x Ciro Gomes

    Lula: 44,1%;

    Ciro Gomes: 35,1%;

    Branco/nulo: 17,6%;

    Indeciso: 3,2%

     

    Cenário 7: Lula x Eduardo Bolsonaro

    Lula: 49,9%;

    Eduardo Bolsonaro: 33,3%;

    Branco/nulo: 14,6%;

    Indeciso: 2,2%.

     

    Cenário 8: Lula x Michelle Bolsonaro

    Lula: 49,1%;

    Michelle Bolsonaro: 35,6%;

    Branco/nulo: 13,7%;

    Indeciso: 1,6%.

    Bolsonaro tem maior rejeição; Lula tem maior potencial de votos

    A pesquisa CNT/MDA mostrou ainda que o ex-presidente Jair Bolsonaro se mantém com a maior rejeição para a eleição presidencial de 2026. Entre os entrevistados, 43% responderam que não votariam em Bolsonaro \”de jeito nenhum\”. São 3 pontos porcentuais a mais do que no último levantamento, quando 40% afirmaram que não votariam no ex-presidente.

    Em seguida, os mais rejeitados da pesquisa de novembro foram: Lula, com 40,8%; Tarcísio de Freitas, 2,2%; Eduardo Bolsonaro, 1,8%; Michelle Bolsonaro, 1,8%; e Ciro Gomes, 1,8%. Outros somam 6,6%; rejeita todos, 0,7%; rejeita nenhum, 3,8%; não sabem ou não responderam, 12%.

    A pesquisa foi feita de forma espontânea, ou seja, quando os entrevistados não recebem uma gama de opções para avaliar.

    A pesquisa também apontou que 35,3% preferem Lula ou um candidato apoiado pelo petista. Em seguida, vêm os 33,3% que preferem por alguém que não seja nem apoiado por Lula nem por Bolsonaro.

    Há ainda 27,3% com preferência em votar em Bolsonaro ou um candidato apoiado por ele.

    Lula também aparece na dianteira na pesquisa de potencial de voto, com 51,3% que votariam “com certeza” ou “poderiam votar”.

    É um potencial maior do que o de Jair Bolsonaro, que aparece com 28,6% nessas categorias. Os demais são Ciro Gomes, 44,3%; Tarcísio de Freitas, 39,7%; Ratinho Jr., 38,3%; Eduardo Bolsonaro, 30,4%.

    Eduardo (62,6%) e Jair Bolsonaro (60,1%) aparecem com o maior percentual que dizem que “não votariam”.

    Lula está à frente, e Tarcísio e Ratinho são os adversários mais competitivos no 2º turno

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  • STF comunica trânsito em julgado de Bolsonaro, Torres e Ramagem

    STF comunica trânsito em julgado de Bolsonaro, Torres e Ramagem

    Penas de réus já podem começar a ser cumpridas

    Na tarde desta terça-feira (25),o  ministro Alexandre de Moraes, relator da ação penal pela tentativa de golpe de Estado, declarou que o caso, envolvendo três dois oitos réus, transitou em julgado, determinando não cabem mais recursos e abriu caminho para a execução das penas na prisão.

    O caso envolvendo Bolsonaro, Alexandre Ramagem e Anderson Torres foi encerrado. O STF, agora, irá ordenar as prisões, os condenados serão levados aos locais de cumprimento da pena, que serão definidos pelo ministro Alexandre de Moraes.

    Vale destacar que Bolsonaro foi condenado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e 3 meses de prisão, em regime inicial fechado, por liderar uma organização criminosa que tentou impedir a posse do presidente Lula e subverter o Estado democrático de Direito.

    Prisão

    Nesta segunda (24), a Primeira Turma do tribunal validou, de forma unânime, a determinação de Moraes pela prisão preventiva de Bolsonaro. O prazo para as defesas dos condenados do chamado núcleo central da trama golpista apresentarem novos recursos também já tinha esgotado. Bolsonaro ficou em prisão domiciliar de 4 de agosto até o último sábado (22), quando foi preso na sede regional da Polícia Federal em Brasília.

    O prazo para a apresentação dos segundos embargos de declaração terminou nesta segunda-feira (24). A defesa de Bolsonaro optou por não apresentar os embargos de declaração. Os primeiros, apresentados por todos os réus, foram todos rejeitados pela Primeira Turma do STF.

    Outros réus apresentaram os segundos embargos, mas Moraes entendeu que não cabiam esses recursos.

    STF comunica trânsito em julgado de Bolsonaro, Torres e Ramagem

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  • Flávio visita Bolsonaro e diz que pai fez 'pedido direto' a Motta e Alcolumbre por anistia

    Flávio visita Bolsonaro e diz que pai fez 'pedido direto' a Motta e Alcolumbre por anistia

    Flávio Bolsonaro revelou que Jair Bolsonaro pediu pressão sobre Hugo Motta e Davi Alcolumbre para pautar a anistia. O senador relatou crise de soluço do pai na prisão e criticou possível restrição alimentar. Disse que o ex-presidente se sente perseguido, enquanto o PL prepara ofensiva no Congresso.

    (CBS NEWS) – O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que o Jair Bolsonaro (PL) lhe pediu que insistisse com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para que pautem o projeto da anistia, que pode beneficiar o ex-mandatário.

    “Foi um pedido direto dele (Bolsonaro) para Hugo Motta e Davi Alcolumbre”, disse.

    Ele afirmou ainda que o pai teve crise de soluço na noite desta segunda-feira (24) e precisou de ajuda de agentes.

    A declaração foi dada pelo parlamentar nesta terça-feira (25) ao sair da visita ao pai, que está preso na Superintendência da Polícia Federal em Brasília.

    A prisão preventiva foi decretada no sábado (22) após decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), que afirmou haver risco de fuga de Bolsonaro. Vídeo mostra que o ex-presidente tentou abrir a tornozeleira com ferro de solda.

    Flávio disse que o pai está indignado e inconformado com o que chama de perseguição.

    “Ele diz ‘o que eu fiz para estar aqui, meu governo fez uma transição tranquila’. Estava fazendo a defesa dele como sempre, de que obviamente não ele não trabalhou para que pudesse motivar qualquer ato irresponsável. Ele fica ali a todo momento repetindo isso, se defendendo”, declarou.

    O senador também manifestou preocupação com afirmação de que alguém teria proibido que a família trouxesse a comida para o ex-presidente que, segundo o senador, é feita com base na prescrição médica.

    “Ele precisa de ter uma alimentação especial por causa do fluxo intestinal e das sequelas da cirurgia dele. Me soou muito estranho que alguém tivesse dado essa determinação para ir contra a medicação que é prescrita para evitar intercorrências, ele precisa ter uma disciplina com essa alimentação”, disse.

    Flávio acrescentou que o pai sempre teve preocupação com relação à origem da comida.

    “Ele sempre falou isso em público, sobre a preocupação de que pudessem fazer alguma coisa com ele aqui. Ele não está desconfiando de policiais federais, nada disso, mas não sabe da origem da comida até chegar na na mesa dele. Qual é o trajeto que faz, nas mãos de quem que passa”, afirmou.

    O parlamentar disse que tal ordem de proibição ainda não teria começado a ser executada e pediu para que a imprensa confirmasse a informação.

    “Se isso for verdade, foi um ato lamentável, mais um ato desumano de uma completa irresponsabilidade com relação à saúde dele”, afirmou.

    Flávio e Carlos Bolsonaro, também filho do ex-presidente, chegaram para visitá-lo por volta de 9h30.

    O senador estava com o livro “Metanoia, a chave está em sua mente”, “de JB Carvalho, que é descrito por editoras como um texto que propõe uma revolução do pensamento. Já Carlos estava com uma camiseta do desenho das tartarugas ninjas.

    O PL deverá fazer uma nova ofensiva no Congresso para destravar a tramitação do projeto de lei da anistia.

    Flávio visita Bolsonaro e diz que pai fez 'pedido direto' a Motta e Alcolumbre por anistia

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  • Rompimento entre Motta e Lindbergh não é crise com governo, diz líder

    Rompimento entre Motta e Lindbergh não é crise com governo, diz líder

    José Guimarães afirmou que o rompimento entre Hugo Motta e Lindbergh Farias não representa crise entre governo Lula e a Câmara. O líder do governo busca diálogo para aprovar pautas prioritárias, enquanto tensões políticas seguem após disputa acirrada envolvendo o projeto de lei antifacção.

    (CBS NEWS) – O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), afirmou nesta segunda-feira (24) que o rompimento entre Hugo Motta (Republicanos-PB) e o líder do PT, Lindbergh Farias (RJ), não é uma crise do presidente da Casa com o governo Lula (PT).

    “A crise que é propagada entre o presidente da Câmara dos Deputados e o líder do PT não pode ser caracterizada como uma crise do governo e o presidente Hugo Mota. Fizemos uma disputa acirrada na votação do PL Antifacçao. Agora é sentar e discutir as prioridades do fim do ano”, escreveu Guimarães, em publicação nas redes sociais.

    O líder do governo disse ainda que está empenhado em dialogar com Motta e buscar “o caminho do meio” para as votações de interesse do Palácio do Planalto até o fim do ano. Entre líderes do centrão, Guimarães é visto como uma figura que pode atuar para distensionar o clima entre a cúpula da Câmara e o Palácio do Planalto.

    Nesta segunda, a Folha de S.Paulo revelou que Motta havia rompido com o petista. O presidente da Câmara afirmou à reportagem que não tinha “mais interesse em ter nenhum tipo de relação” com Lindbergh.

    Em resposta, o líder do PT disse que considerou “imatura” a posição de Motta e que se há uma crise de confiança entre governo e o presidente da Câmara “tem mais a ver com as escolhas que o próprio Hugo Motta tem feito”.

    O rompimento de Motta e Lindbergh tem potencial de desgastar ainda mais a relação do Executivo com o Congresso, num momento de ruídos também do Senado com o Palácio do Planalto. Interlocutores de Lula afirmaram achar desproporcional a fala de Motta, dizendo que, apesar da tensão entre os políticos, avaliavam ser possível construir um diálogo e um entendimento.

    Além disso, afirmam que a postura de Lindbergh em defesa das pautas de interesse do governo tinha o aval do próprio presidente da República. Lula estimulou a disputa política na Câmara para evitar o avanço de matérias que o Executivo se colocou contra, a exemplo da PEC (proposta de emenda à Constituição) da Blindagem e o projeto de lei antifacção relatado por Guilherme Derrite (PP-SP).

    De acordo com relatos feitos à reportagem, já foram escalados bombeiros para tentar distensionar o clima e evitar que pautas de interesse do governo não avancem na Casa. O recesso parlamentar começa em 23 de dezembro. Aliados do presidente da República também falam ser preciso “baixar a temperatura”, tentar buscar o diálogo e construir uma relação que não inviabilize os trabalhos na Câmara.

    Nos últimos meses, o grupo do presidente da Câmara se queixava da atuação de Lindbergh, acusando-o de se exaltar nas discussões e buscar desgastar a imagem da Casa junto à opinião pública. A cúpula da Câmara também critica o comportamento do deputado nas reuniões semanais com líderes e Motta, afirmando que ele atua como se fosse líder do governo, quando deveria responder só pela bancada do PT.

    A discussão do projeto de lei antifacção, aprovado na Câmara na semana passada, acentuou o desgaste na relação de Motta com Lindbergh, dizem aliados do parlamentar. Integrantes da cúpula da Câmara se queixam, sob reserva, da atuação do governo e de seus ministros na tramitação da matéria, acusando-os de incentivar ataques à Casa e do que consideram “narrativas” acerca do conteúdo do texto.

    Após a votação do projeto, Lindbergh afirmou a jornalistas que havia uma crise de confiança do Executivo com Motta.

    Rompimento entre Motta e Lindbergh não é crise com governo, diz líder

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  • Após defender Bolsonaro, Nunes diz que é 'difícil entender' rompimento da tornozeleira

    Após defender Bolsonaro, Nunes diz que é 'difícil entender' rompimento da tornozeleira

    O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, comentou a prisão de Jair Bolsonaro após o rompimento da tornozeleira eletrônica. Ele disse que o ex-presidente estaria sob forte tensão psicológica e uso de medicamentos, mas ressaltou que não justifica o ato. Nunes também reafirmou apoio político a Tarcísio de Freitas.

    (CBS NEWS) – Após dizer, no fim da manhã de sábado (22), que Jair Bolsonaro (PL) sempre cumpriu suas obrigações com a Justiça, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), afirmou na noite desta segunda-feira (24) que é “difícil entender” o que levou o ex-presidente a tentar romper sua tornozeleira eletrônica, o que o levou à sua prisão.

    “É difícil entender o que uma pessoa na idade dele está passando [Bolsonaro tem 70 anos, e Nunes, 58], os problemas de saúde. O que eu vi pela imprensa, o que vocês colocaram, que reproduziu a versão dele, é que estava sob efeito de medicamento”, disse. “É muito difícil a gente comentar algo se não estava lá, no momento, para acompanhar”, complementou.

    O prefeito disse ainda considerar que Bolsonaro estava sob “forte tensão psicológica e uso de medicamentos”. Nunes afirmou imaginar “que seria muito difícil, emocionalmente, você passar por uma situação dessa. Não que justifique. Mas é o que eu tenho de informação”, concluiu.

    O prefeito havia repercutido a prisão de Bolsonaro antes de as imagens da tornozeleira eletrônica do ex-presidente serem divulgadas e mostrarem os danos que Bolsonaro confessou ter provocado. Foi a primeira vez que Nunes falou após o surgimento do vídeo do equipamento.

    O alerta de rompimento do aparelho de monitoramento foi um dos fatores que levaram o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes a determinar a prisão de Bolsonaro na Polícia Federal, em Brasília, durante a madrugada de sábado.

    Nunes falou com jornalistas durante um evento que reuniu políticos e empresários no hotel Palácio Tangará, na zona sul da capital. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) era esperado no evento, que constava em sua agenda, mas não compareceu.

    O prefeito comentou os impactos da prisão de Bolsonaro para o cenário eleitoral do ano que vem dizendo que, em 2026, não será candidato e que irá apoiar Tarcísio seja em sua reeleição em São Paulo, seja na Presidência.

    “Eu acho que [Tarcísio] é o melhor quadro que o Brasil tem e que a gente não pode perder a capacidade que [ele] tem de gestão, como ser humano, como uma pessoa sensível, que sabe fazer gestão, que sabe respeitar as contas públicas e realizar obras e o trabalho social”, disse.

    Nunes era cotado para suceder o governador em São Paulo, mas seu nome foi descartado, conforme a Folha informou, diante de uma série de críticas que seu vice, coronel Mello Araújo (PL), aliado de Bolsonaro, vem fazendo ao governador.

    “[Em São Paulo], acho que a tendência natural é o Felício Ramuth. Evidentemente, você vai ter que sentar com outros partidos, a gente vai ter que dialogar com todo mundo”, disse.

    No evento, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), que também se coloca como pré-candidato à Presidência, afirmou que o rompimento da tornozeleira eletrônica de Bolsonaro justifica, do ponto de vista legal, sua prisão.
    “Agora, do ponto de vista político-institucional, não posso deixar de lamentar mais uma vez que a gente viva um momento como esse, fruto da polarização”, afirmou.

    Já o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), voltou a se solidarizar com Bolsonaro e ressaltou que a direita deve lançar mais de um candidato à Presidência.

    “Mas nós, governadores de direita, continuamos acreditando em nosso projeto. Percebo que o caminho mais provável é que venhamos a ter alguns candidatos pela direita, o que é bom, porque somos governadores bem avaliados”, afirmou.

    Zema disse ainda que a divulgação do vídeo da tornozeleira não mudou sua avaliação sobre a prisão de Bolsonaro. Afirmou que, em seus estados, presos monitorados que rompem o equipamento demoram a ser presos por causa da demora para a emissão dos mandados de prisão. “Nesse caso, foi muito mais rápido. Mais um sinal de que há uma perseguição política”, afirmou.

    Após defender Bolsonaro, Nunes diz que é 'difícil entender' rompimento da tornozeleira

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  • Carlos elogia Nikolas e Michelle chora em reunião do PL após prisão de Bolsonaro

    Carlos elogia Nikolas e Michelle chora em reunião do PL após prisão de Bolsonaro

    A ex-primeira-dama falou que à noite, dormindo, Bolsonaro tem soluço e, às vezes, vomita e pode broncoaspirar. Ela disse que sabe a posição que tem de deixá-lo para evitar que isso aconteça, e agora teme que ele não tenha ninguém por perto para colocá-lo numa posição mais segura

    (CBS NEWS) – A reunião realizada no PL nesta segunda-feira (24) com a família Bolsonaro e as bancadas do partido no Congresso para discutir ações a respeito da prisão do ex-presidente teve uma cobrança do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por unidade e um elogio de Carlos Bolsonaro ao deputado Nikolas Ferreira (PL-MG).

    Todos os integrantes da família fizeram falas emocionadas a respeito de Bolsonaro, que foi preso preventivamente no sábado (22) após tentar violar tornozeleira eletrônica. Mas coube à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro um relato mais pessoal, com muito choro, segundo relatos de participantes.

    A ex-primeira-dama falou que à noite, dormindo, Bolsonaro tem soluço e, às vezes, vomita e pode broncoaspirar. Ela disse que sabe a posição que tem de deixá-lo para evitar que isso aconteça, e agora teme que ele não tenha ninguém por perto para colocá-lo numa posição mais segura.

    “Em várias noites, a preocupação dela era o presidente Bolsonaro em função ali do soluço possa broncoaspirar, e isso todo mundo sabe que gera complicações inclusive podendo ser fatais, e ele tá lá agora sozinho”, disse Flávio a jornalistas, no final do encontro.
    “Ele está dentro de um local, fechado, sozinho. Se acontecer algo, pode ser tarde demais para acudi-lo.”
    Isso não tem impedido Michelle de viajar pelo país para eventos políticos. No último sábado, por exemplo, quando Bolsonaro foi preso, ela estava no Ceará, onde participou de um evento do PL no dia anterior.
    Flávio tornou-se o porta-voz oficial do pai, algo que já vem ocorrendo desde que foi determinada a prisão domiciliar do ex-presidente, em agosto. Na coletiva de imprensa, ele anunciou que o PL deverá fazer uma nova ofensiva no Congresso para destravar a tramitação do projeto de lei que dá anistia aos condenados pelos ataques golpistas do 8 de Janeiro, o que beneficiaria seu pai.
    A portas fechadas, Flávio deu recado político para frear lavação de roupa suja entre aliados, que dominou o noticiário envolvendo bolsonaristas nas últimas semanas.
    O filho do ex-presidente disse que, por orientação do pai, vai se reunir com cada liderança estadual para bater o martelo sobre as candidaturas majoritárias, e que isso vai acabar desagradando alguém, mas é preciso respeitar o comando e a decisão do ex-presidente, transmitidos por ele. Ele pede que a divergência seja comunicada internamente e que não haja crítica ou acusação feita por rede social.
    O senador tem uma visita ao pai prevista para esta terça-feira (25).
    Flávio não citou nenhum caso específico, mas o episódio mais recente ocorreu em Santa Catarina, onde a candidatura de Carlos Bolsonaro ao Senado levou a críticas de integrantes do partido e troca de ofensas públicas.
    A jornalistas, Flávio negou que tenha pretensões de concorrer à Presidência no lugar do pai e disse que será Bolsonaro quem definirá o eventual candidato e quando isso será anunciado.
    “[A definição] só vai acontecer quando sair da boca do presidente Bolsonaro e no momento em que ele entender ser melhor. Não é hora. Meu nome não está na mesa, pretendo ser candidato ao Senado. Não vou fazer movimento para que isso aconteça. Nosso problema é maravilhoso, porque temos vários candidatos competitivos, preparados, caso não possa ser Bolsonaro”, afirmou.
    Ainda de acordo com relatos de participantes, Carlos fez um elogio a Nikolas Ferreira. Em sua fala, o vereador afirmou ao correligionário que ele é um político de altíssimo nível, preparado e com uma capacidade especial de se comunicar. Ainda de acordo com relatos, o filho do ex-presidente disse que a cada dia que passa, ele admira mais o aliado.
    O deputado de Minas Gerais vinha sendo alvo de críticas dos filhos de Bolsonaro, que acusavam o correligionário de abandonar o ex-presidente e cobravam maiores demonstrações de apoio.
    Prestes a acabar a reunião, Nikolas pediu a palavra, agradeceu a fala de Carlos e pediu unidade na comunicação da família. Esse também foi um pleito do deputado Gustavo Gayer (PL-GO), segundo relatos. Neste momento, foi reforçado que o porta-voz da família é o senador Flávio Bolsonaro.

    Carlos elogia Nikolas e Michelle chora em reunião do PL após prisão de Bolsonaro

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  • STF referenda prisão de Bolsonaro, e decisão de Moraes para cumprimento da pena é iminente

    STF referenda prisão de Bolsonaro, e decisão de Moraes para cumprimento da pena é iminente

    Nesta segunda (24), a Primeira Turma do tribunal validou, de forma unânime, a determinação de Moraes pela prisão preventiva de Bolsonaro. No mesmo dia, foi encerrado o prazo para as defesas dos condenados do chamado núcleo central da trama golpista apresentarem novos recursos.

    (CBS NEWS) – O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), pode, a partir desta terça-feira (25), determinar o cumprimento definitivo da pena do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Ele foi condenado em setembro a 27 anos e 3 meses de prisão sob a acusação de liderar uma trama golpista em 2022.

    Nesta segunda (24), a Primeira Turma do tribunal validou, de forma unânime, a determinação de Moraes pela prisão preventiva de Bolsonaro. No mesmo dia, foi encerrado o prazo para as defesas dos condenados do chamado núcleo central da trama golpista apresentarem novos recursos.

    A partir de agora, segundo integrantes do Supremo, Moraes já pode determinar que o ex-presidente passe a responder definitivamente pela sua condenação.

    Bolsonaro ficou em prisão domiciliar de 4 de agosto até o último sábado (22), quando foi preso na sede regional da Polícia Federal em Brasília. No entanto, nenhuma das medidas foi tomada como parte da pena imposta a ele por tentativa de golpe de Estado, o que apenas ocorrerá após o trânsito em julgado da ação penal no Supremo sobre o caso.

    Isso pode acontecer se Moraes, relator do processo, entender que os embargos das defesas são apenas protelatórios e não podem alterar o resultado do julgamento.

    Ele pode negar esses recursos de forma individual, determinar o início do cumprimento da pena e enviar o caso para confirmação na Primeira Turma do STF, assim como ele fez com a decisão que determinou a prisão preventiva.

    A prisão do ex-presidente Fernando Collor de Mello, por decisão do Supremo, é tratada por ministros da corte como um precedente para o caso de Bolsonaro.

    O primeiro recurso apresentado por Collor foi negado por 6 votos a 4, em novembro de 2024. Mesmo com a rejeição, a defesa apresentou novos embargos ao Supremo sobre o mesmo tema. Moraes considerou o novo pedido como protelatório e decidiu encerrar a ação penal contra o ex-presidente, com o início da execução da pena.

    Até às 20h desta segunda, apenas as defesas de Anderson Torres (ex-ministro da Justiça) e de Paulo Sérgio Nogueira (ex-ministro da Defesa) se manifestaram nos autos. O prazo se encerra às 23h59.

    O primeiro fez pedidos sobre o local de prisão caso o Supremo decida pela antecipação do cumprimento de pena e o segundo recorreu da condenação. Os advogados de Bolsonaro ainda não haviam peticionado no processo.

    Nesta segunda, a decisão de Moraes de prender preventivamente Bolsonaro foi confirmada por Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia.

    Os ministros se manifestaram sobre a medida em sessão aberta às 8h no plenário virtual -sistema no qual os magistrados votam sem a realização de debates. A Primeira Turma do STF está temporariamente com apenas quatro ministros, desde que Luiz Fux migrou para a Segunda Turma.

    “Não há dúvidas sobre a necessidade da conversão da prisão domiciliar em prisão preventiva, em virtude da necessidade da garantia da ordem pública, para assegurar a aplicação da lei penal e do desrespeito às medidas cautelares anteriormente aplicadas”, disse Moraes. “Jair Messias Bolsonaro é reiterante no descumprimento das diversas medidas cautelares impostas” completou.

    Na mesma decisão, Moraes disse que Bolsonaro violou medidas cautelares em outros momentos, em julho e agosto, a proibição de uso de redes sociais.

    “Em decisão de 4.ago.2025, em face do reiterado descumprimento das medidas cautelares impostas anteriormente, decretei a prisão domiciliar de Jair Messias Bolsonaro, ressaltando expressamente que o descumprimento de suas regras ou de qualquer uma das medidas cautelares implicaria na sua revogação e na decretação imediata da prisão preventiva”, escreveu o ministro.

    À época da prisão domiciliar, Moraes afirmou que o ex-presidente descumpriu determinação ao aparecer em vídeos exibidos por apoiadores durante manifestações. Bolsonaro estava proibido de usar redes sociais, mesmo que por intermédio de outras pessoas.

    “A continuidade no desrespeito às medidas cautelares, entretanto, não cessou. Pelo contrário, ampliou-se na última sexta-feira, dia 21.nov, quando Jair Messias Bolsonaro violou dolosa e conscientemente o equipamento de monitoramento eletrônico.”

    O ministro afirmou que o ex-presidente admitiu que violou a tornozeleira tanto ao ser abordado por equipes da Seape-DF (Secretaria de Estado de Administração Penitenciária do Distrito Federal), na madrugada do sábado, quanto na audiência de custódia, no domingo (23).

    Ao votar com Moraes, Dino citou as idas de deputados bolsonaristas para os Estados Unidos, como Alexandre Ramagem (PL-RJ) e Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente.

    “As fugas para outros países de deputados federais perpetradores de crimes similares e conexos, com uso de ardis diversos, demonstram a ambiência vulneradora da ordem pública em que atua a organização criminosa chefiada pelo condenado, compondo um quadro que, lamentavelmente, guarda coerência com o conjunto de ilegalidades já reprovadas pelo Poder Judiciário”, disse o ministro.

    “As fugas citadas mostram profunda deslealdade com as instituições pátrias, compondo um deplorável ecossistema criminoso.”

    Ele também citou riscos à ordem pública na vigília convocada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em frente ao condomínio onde Bolsonaro estava em prisão domiciliar.

    Dino afirmou que a região onde fica a casa, o bairro Jardim Botânico, é densamente povoada e que o evento “configuraria risco evidente à ordem pública, expondo moradores e propriedades privadas a potenciais danos e situações de perigo iminente”.

    Bolsonaro foi preso pela Polícia Federal na manhã do sábado e levado para a sede regional da corporação em Brasília.

    Ao determinar a prisão, Moraes citou a violação da tornozeleira eletrônica, o risco de fuga dele para a embaixada dos EUA e uma vigília em frente ao condomínio onde o ex-presidente mora convocada por Flávio.

    Na madrugada daquele dia, Bolsonaro tentou violar a tornozeleira eletrônica com ferro de solda, como ele mesmo admitiu a agentes penitenciários.

    “Usei ferro quente, ferro quente aí… curiosidade”, disse o ex-presidente a uma servidora da Secretaria de Administração Penitenciária do DF que foi ao local verificar a situação do dispositivo. Ferro de solda é uma ferramenta pontiaguda que atinge alta temperatura e permite derreter metais.

    A equipe médica que acompanha Bolsonaro esteve na Superintendência da PF no DF na manhã deste domingo e, após examiná-lo, falou em um quadro de “confusão mental e alucinações” para descrever o episódio sobre a tornozeleira eletrônica e atribuiu isso à interação medicamentosa.

    STF referenda prisão de Bolsonaro, e decisão de Moraes para cumprimento da pena é iminente

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  • Anderson Torres pede para cumprir pena na superintendência da PF

    Anderson Torres pede para cumprir pena na superintendência da PF

    Defesa do ex-ministro disse que vai apresentar novo recurso ao STF

    O ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal Anderson Torres pediu nesta segunda-feira (24) ao Supremo Tribunal Federal (STF) para ficar preso na Superintendência da Polícia Federal (PF) em Brasília se tiver a condenação pela trama golpista executada pela Corte.

    Condenado a 24 anos de prisão, Torres recorre da sentença em liberdade, sob o monitoramento de tornozeleira eletrônica.

    No pedido feito ao ministro Alexandre de Moraes, relator do processo, a defesa do ex-ministro informou que deve apresentar novo recurso contra a condenação até o dia 3 de dezembro. 

    No entanto, os advogados disseram que se Moraes entender que a pena deve ser executada imediatamente, Torres deve cumprir a condenação na superintendência da corporação ou no Batalhão de Aviação Operacional (BAVOP) da Polícia Militar.  Ele é delegado de carreira da PF. 

    A defesa disse que Anderson Torres já sofreu ameaças de morte quando exerceu o cargo de secretário de segurança e toma remédios contra depressão. 

    “Na eventual hipótese de determinação da execução antecipada da pena, pugna-se que o cumprimento da reprimenda se dê na Superintendência da Polícia Federal no DF ou no Batalhão de Aviação Operacional (BAVOP), ou, ainda, em estabelecimento congênere, compatível com a condição funcional do sentenciado e necessário à sua proteção”, solicitou a defesa.

    No dia 14 deste mês, a Primeira Turma do STF manteve a condenação de Torres, do ex-presidente Jair Bolsonaro e demais condenados na ação penal do Núcleo 1 da trama golpista.

    Com a publicação do acórdão, ocorrido na semana passada, as defesas de Bolsonaro e de seus aliados devem apresentar novos recursos para tentar evitar as prisões para início do cumprimento das penas.

    O prazo termina nesta segunda-feira, às 23h59.

     

    Anderson Torres pede para cumprir pena na superintendência da PF

  • Justiça condena Nikolas Ferreira a pagar R$ 40 mil por chamar mulher trans de homem

    Justiça condena Nikolas Ferreira a pagar R$ 40 mil por chamar mulher trans de homem

    Defesa do deputado citou liberdade de expressão e imunidade parlamentar; juiz entendeu que parlamentar do PL-MG precisa reparar danos morais a mulher trans

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – A Justiça de São Paulo condenou o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) a pagar R$ 40 mil por danos morais em episódio de 2022 no qual o parlamentar chamou de “homem” uma mulher trans.

    À época, Nikolas, então vereador de Belo Horizonte, republicou e comentou nas redes sociais um vídeo em que a mulher contou ter sofrido transfobia em um estabelecimento de beleza em São Paulo, que disse só atender mulheres cisgênero.

    No processo, a defesa do hoje deputado federal cita liberdade de expressão e imunidade prevista na Constituição a vereadores por “suas opiniões, palavras e votos no exercício do mandato e na circunscrição do município”.

    O juiz André Augusto Salvador Bezerra, da 42ª Vara Cível, considerou não ser aplicável a imunidade parlamentar, uma vez que o tema não fazia referência à “discussão de temas relativos ao município onde o parlamentar exercia o mandato na época dos fatos”.

    Apontou, ainda, que a “ideologia de gênero” mencionada por Nikolas no processo é termo “utilizado por determinados grupos religiosos, que insistem em negar a pessoas o direito de se atribuir a um gênero diverso daquele que lhes foi atribuído quando nasceram”.

    “Em uma sociedade em que vigora a liberdade e a democracia, não parece razoável negar esse direito [de autoidentificação de gênero]”, afirmou o magistrado.

    “Afinal, trata-se de fato que não atinge a esfera jurídica de mais ninguém, a não ser da própria pessoa envolvida: as demais pessoas continuarão a poder exercer suas opções sexuais, as igrejas continuarão a poder realizar seus cultos, pais e mães perdurarão no exercício de transmitir seus valores morais à prole. Nada, absolutamente nada mudará, a não ser para a própria pessoa que se atribui o gênero diverso ao nascimento.”

    Bezerra também afirmou que o “debate de ideias entre grupos políticos não pode ser utilizado para discriminar” e citou a ADO (Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão) 26, na qual a transfobia foi equiparada ao crime de injúria racial.

    Apontando não haver dúvida de que a autora do processo “sofreu dor apta à caracterização dos dados extrapatrimoniais, de notável repercussão”, o juiz determinou a Nikolas o pagamento de indenização por danos morais no valor de R$ 40 mil.

    O parlamentar também foi condenado a pagar as despesas processuais, fixadas em 10% do valor da indenização. A decisão é do dia 19 de novembro. Ainda cabe recurso.

    Nikolas Ferreira foi vereador de Belo Horizonte de 2020 a 2022 e depois se elegeu deputado federal. O parlamentar acumula denúncias de transfobia, como condenação pela Justiça de Minas Gerais contra Duda Salabert (PDT-MG) em razão de episódio ocorrido em 2020, quando o político disse que chamaria Duda pelo pronome “ele” durante entrevista.

    Outros casos emblemáticos foram episódio em que Nikolas apareceu na tribuna da Câmara dos Deputados usando peruca, no dia Dia Internacional da Mulher de 2023, e postagem na internet feita pelo deputado em 2022 de vídeo de uma aluna trans em um banheiro feminino de uma escola.

    Justiça condena Nikolas Ferreira a pagar R$ 40 mil por chamar mulher trans de homem

  • PL e filhos de Bolsonaro articulam reação no Congresso a prisão, com nova pressão por anistia

    PL e filhos de Bolsonaro articulam reação no Congresso a prisão, com nova pressão por anistia

    Flávio Bolsonaro rejeita acordo sobre dosimetria e fala em prioridade para aprovar perdão; líder da oposição, Rogério Marinho fala em ‘amadurecimento’ de presidentes do Congresso para discutir tema

    BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – O PL deverá fazer uma nova ofensiva no Congresso para destravar a tramitação do projeto de lei que dá anistia aos condenados pelos ataques golpistas do 8 de Janeiro numa reação à prisão de Jair Bolsonaro (PL), no sábado (22).

    A estratégia foi discutida em reunião nesta segunda-feira (24) com a participação de Michelle Bolsonaro, Carlos, Jair Renan e Flávio Bolsonaro -filhos do ex-presidente-, além do presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, e de deputados e senadores da legenda.

    De acordo com Flávio, a prioridade número 1 será fazer avançar na Câmara o projeto de lei. Ele afirmou que, a partir de agora, o “objetivo único” da oposição será a aprovação da matéria. Flávio disse ainda que não o PL não aceita discutir dosimetria e que o partido não fará esse tipo de acordo.

    “Sempre deixamos bem claro que esse tipo de acordo [sobre dosimetria] nós não faríamos. O que pedimos é que a democracia prevaleça: o relator pauta a redação como ele bem entender e nós vamos usar os nossos artifícios regimentais para aprovar a anistia. O que vai ser aprovado, o texto final, vai para o voto. Não temos compromisso nenhum com dosimetria, nosso compromisso é com anistia e que vença quem tenha mais votos”, disse.

    De acordo com o senador, a oposição não deverá obstruir os trabalhos do Congresso, instrumento usado em outras ocasiões, justamente porque o grupo quer levar o tema ao debate.

    O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), disse que conversou no sábado com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). De acordo com o senador, Motta está consultando líderes para avaliar a viabilidade de discutir o tema.

    “Todos nós estamos fazendo todo o esforço possível, conversando com outros líderes de outros partidos, para que esse debate seja desinterditado. Queremos que o Parlamento cumpra o seu papel. Não obrigamos ninguém e nem queremos compromisso de mérito. Não dá para o Parlemento ficar à mercê de outro Poder.”

    Nos últimos dias, Motta vinha sinalizando que o tema poderia ser levado à discussão nesta semana. O próprio relator, Paulinho da Força (Solidariedade-SP), disse à Folha de S.Paulo no sábado que a prisão preventiva do ex-presidente deveria dar novo impulso ao projeto, afirmando que ela facilitaria “a negociação da dosimetria”.

    Após a divulgação de vídeo que mostrou Bolsonaro admitindo que fez uso de “ferro quente” para tentar abrir a tornozeleira eletrônica, no entanto, integrantes do centrão passaram a enxergar dificuldades de qualquer assunto relacionado à anistia ou à dosimetria avançar no Congresso. A expectativa é que o tema seja discutido na reunião de líderes com Motta nesta terça (25).

    Segundo Marinho, está ocorrendo um “amadurecimento” do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e de Motta sobre a necessidade de discutir o tema, até para que “os parlamentares possam dizer de que lado eles estão e o que eles defendem”. Marinho disse ainda que o líder da oposição na Câmara, Zucco (PL-RS), se reuniu com Motta nesta segunda para discutir o assunto.

    O encontro desta segunda de integrantes do PL, originalmente previsto para terça (25), foi antecipado devido à prisão preventiva de Bolsonaro no sábado (22). Segundo nota enviada à imprensa, o motivo da reunião era tratar de “alinhamento estratégico e próximos encaminhamentos do partido”.

    A Polícia Federal prendeu preventivamente Bolsonaro na manhã de sábado (22), na reta final do processo da trama golpista. Ele está na superintendência da Polícia Federal em Brasília. A PF decretou prisão preventiva, sob a justificativa de garantia da ordem pública diante de uma vigília convocada por Flávio.

    PL e filhos de Bolsonaro articulam reação no Congresso a prisão, com nova pressão por anistia