Categoria: POLÍTICA

  • Influenciado por Aldo Rebelo e Kim Paim, Eduardo Bolsonaro elogia Getúlio, JK e Jango

    Influenciado por Aldo Rebelo e Kim Paim, Eduardo Bolsonaro elogia Getúlio, JK e Jango

    A publicação de 1º de junho exalta o nacionalismo, conclama a “reencontrar o verdadeiro espírito brasileiro” e tem um trecho em que Eduardo elogia três símbolos brasileiros dessa corrente, os ex-presidentes Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e João Goulart, o Jango, deposto pelos militares no golpe de 64.

    FABIO VICTOR
    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – Pouco mais de um mês antes de Donald Trump anunciar guerra tarifária contra o Brasil, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) publicou um vídeo que, de tão impressionante, parece falso, mas cujo conteúdo saiu mesmo da boca do caçula do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

    A publicação de 1º de junho exalta o nacionalismo, conclama a “reencontrar o verdadeiro espírito brasileiro” e tem um trecho em que Eduardo elogia três símbolos brasileiros dessa corrente, os ex-presidentes Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e João Goulart, o Jango, deposto pelos militares no golpe de 64.

    “Se queremos nos reencontrar enquanto nação”, diz o deputado, “nós temos que enxergar as figuras históricas do Brasil com um olhar nacional e não partidário”. Vêm então os elogios aos ex-presidentes, todos identificados com o nacional-desenvolvimentismo.

    Getúlio foi por anos ditador numa aliança com militares e conservadores e depois se tornou o principal líder trabalhista do país, mesma extração de Jango. JK, eleito pelo centrista PSD, também teve uma trajetória muito mais à esquerda que o direitista radical Bolsonaro e seus filhos.

    “Getúlio Vargas, por exemplo, liderou um governo que não teve as liberdades plenas, é verdade, mas é inegável também que houve avanços na nossa indústria, a intenção de valorizar o trabalhador e também investimentos em infraestrutura. Fechar os olhos para isso seria infantil”, afirma o filho 03 do ex-presidente, num discurso aparentemente ensaiado e lido em teleprompter.

    “O mesmo vale para Juscelino Kubitschek. Podemos debater os custos e os efeitos econômicos do seu governo. Mas é inegável, houve ali um projeto de integração do país, de otimismo, de progresso. Foram 50 anos em 5. Isso daí marcou o imaginário do Brasil por décadas.”

    O elogio a Jango é o menos empolgado, mas não deixa de ser surpreendente. “Não é diferente com o João Goulart. Podemos concordar ou discordar das suas propostas, eu certamente não sou um fã dele. Mas é injusto negar que muitas delas nasciam com a intenção de dar respostas a anseios populares.”

    Então se dá outra pérola do discurso: “Assim como falar do período militar: não dá pra dizer que tudo ali foi trevas”. A opinião histórica da família Bolsonaro sobre a ditadura jamais mencionou trevas, pois é o oposto disso. Pai e filhos sempre rejeitaram as evidências quanto às barbaridades cometidas pelos governos militares, classificando o período como uma época de ouro do país.

    “Até houve autoritarismo”, concede o deputado, “mas ali existiram investimentos em infraestrutura que sustentam o Brasil até hoje. E é papel de uma nação madura olhar pro passado e conseguir perceber tudo aquilo que deu certo, tudo aquilo que foi positivo na nossa história”.

    Eduardo faz uma pregação que soa delirante diante das atitudes bélicas que marcam a trajetória dele e de seu pai, e é mais estapafúrdia ainda pelo contraste com sua incitação a Trump para retaliar o governo federal e o STF (Supremo Tribunal Federal) por causa do julgamento de Bolsonaro na corte.

    “Negar as virtudes de qualquer período da nossa história é negar a nós mesmos. Não há união nacional possível se cada um dos lados quiser apagar o outro. O Brasil precisa de reconciliação, não de ressentimento”, monologa.

    E engrena um discurso de candidato. “Eu me apresento como alguém disposto a ajudar o país a se reencontrar, […] a levantar a cabeça e acreditar em si mesmo. Quero me reencontrar com o espírito brasileiro, com a coragem de quem construiu esse país em meio a tanta adversidade. […] E quero caminhar lado a lado com todos que também acreditam nisso.”

    Conforme mostrou reportagem da Folha de S. Paulo, Eduardo está disposto a se lançar candidato à Presidência em 2026 mesmo sem o apoio do pai –isso caso até lá não seja preso ou impedido pela Justiça. Para líderes do centrão, seria uma estratégia para herdar os votos de Jair, mesmo que o ex-presidente apoie o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).

    O discurso do vídeo de junho parece ser um cartão de visitas nesse sentido, ainda que o insólito rumo indicado ali imponha uma questão: como foi possível essa guinada?

    Dias antes de Eduardo publicar o vídeo, o ex-ministro Aldo Rebelo (governos Lula 2 e Dilma, integrante histórico da esquerda que nos últimos anos se aproximou do velho colega de Câmara Jair Bolsonaro e do bolsonarismo de modo mais amplo) participou de uma live do canal Estúdio 5º Elemento -Eduardo também já havia ido em outras oportunidades.

    Um dos motes da conversa era “Soberania traída? Direita sem povo e governo a serviço dos bancos: o Brasil tem saída?”.

    “Procurei fazer uma ponte do nacionalismo com os liberais, mostrando que Getúlio fez uma revolução com a chamada Aliança Liberal, que liberalismo e nacionalismo juntos não são estranhos no Brasil”, resume Aldo.

    Também participou da live o youtuber Kim Paim, ligado a setores bolsonarismo. O tema do vídeo de Eduardo, relata Paim, permeou conversas anteriores entre ele, integrantes do 5º Elemento e o filho de Bolsonaro.

    “[Nós dissemos:] E se a história do Brasil não for realmente como contam? E fomos mandando material. E se o Vargas não for o grande vilão? Quem venceu essa batalha ao final foi a turma do centrão que está aí até hoje. O Eduardo começou a se questionar. Outra vez falei pra ele: você já parou pra ler o discurso do Jango do 13 de março? [em comício na Central do Brasil, apontado como estímulo para o golpe] Será que o Jango realmente falou que ia dar um golpe?”, conta Paim, que rejeita a pecha de bolsonarista.

    “As pessoas me veem como passador de pano do Bolsonaro, mas me acho uma das pessoas mais distantes do bolsonarismo mainstream. Sou crítico do lava-jatismo antes de ser moda. Gosto do Jair. Em questões morais, me considero conservador. Nas econômicas, tenho simpatia pelo nacional-desenvolvimentismo.”

    Paim, que diz ter adorado o vídeo de Eduardo, considera ser possível uma aliança com setores tidos como adversários, porque “nem todo mundo na esquerda tem a mesma agenda”. “Já falei com o próprio Eduardo e com o Aldo. [Disse]: Aldo, o que vocês na esquerda cresceram chamando de imperialismo, essa direita que tem aí chama de globalismo. No frigir dos ovos é a mesma coisa. Já para Eduardo eu falo: o que tu aprendeu como globalismo a esquerda chama de imperialismo. Tem que conversar.”

    O youtuber defende que Eduardo se lance candidato a presidente “só por se lançar”. “Ganhar ou perder, tanto faz. Hoje eu não acho que tem solução a partir de 2026. Eu colocaria meu barquinho na água pra montar um grupo verdadeiramente coeso.”

    Quanto à contradição de Eduardo em adotar um discurso nacionalista e atuar junto aos EUA contra o Brasil, ele afirma que, “daqui a cinco anos, talvez ele nem precisa explicar. [Poderá dizer que] fez o que tinha que ser feito porque era um filho tentando proteger o pai. […] Uma guinada nacionalista não vem do dia pra noite. É um processo, uma luta”.

    Paim arremata com o recado que passou a Eduardo e outros bolsonaristas: “Vocês têm voto, mas não têm um projeto de país. Tem que trazer para perto quem tem [um projeto]. Se sentar e organizar, a coisa vai pra frente”.

    O advogado Fabio Wajngarten, que foi secretário de Comunicação do governo Bolsonaro, também fez contato com Kim Paim, ao mesmo tempo em que procurou Aldo Rebelo e outras figuras tradicionalmente alinhadas à esquerda nacionalista, como Ciro Gomes, Roberto Mangabeira Unger e Roberto Requião, em busca de uma aproximação.

    Hoje no MDB, o ex-ministro pelo PC do B considera que Paim e os integrantes do 5º Elemento convenceram Eduardo a gravar o vídeo, mas admite que suas próprias ideias estão ali. Um exemplo: Aldo está escrevendo um livro sobre Dom Pedro 1º, “Um Herói Necessário”, cuja intenção é “recuperá-lo como um dos mitos fundadores do Brasil”.

    Em lives e palestras, afirma que, se for ressaltar apenas o lado negativo, Dom Pedro será lembrado “como um mulherengo, e não como um estadista”. Paim mandou um desses vídeos para o caçula de Bolsonaro.

    Em seu próprio vídeo, Eduardo afirma: “Se olharmos apenas para o lado ruim, a gente vai reduzir um Dom Pedro 1º a um homem mulherengo. Mas ele foi muito mais do que isso. Foi um estadista que no momento de ruptura global conseguiu manter a unidade territorial de um país de dimensões continentais, onde todos falam uma só língua e se reconhecem como um só povo”.

    Aldo Rebelo chegou a enviar uma mensagem a Bolsonaro (antes de ele ser preso) brincando que cobraria direitos autorais do caçula dele. O ex-presidente respondeu com risos.

    A reportagem pediu uma entrevista a Wajngarten, mas não teve resposta. Também enviou via o ex-secretário, que costuma intermediar contatos entre os Bolsonaro e a imprensa, perguntas para Eduardo -que ficaram igualmente sem retorno.

    Influenciado por Aldo Rebelo e Kim Paim, Eduardo Bolsonaro elogia Getúlio, JK e Jango

  • Lula corre em público, faz provocação a Bolsonaro e fala em soberania após aceno de Trump

    Lula corre em público, faz provocação a Bolsonaro e fala em soberania após aceno de Trump

    Lula corre em público, faz provocação a Bolsonaro e fala em soberania após aceno de Trump

    CAIO SPECHOTO
    BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou na manhã deste domingo (28) de uma caminhada em Brasília em homenagem aos 95 anos do Ministério da Educação.

    Ao longo do trajeto, ele fez vídeos para as redes sociais falando sobre soberania, dias após o aceno do presidente dos EUA, Donald Trump.

    Ao final, o presidente do Brasil fez uma provocação a Jair Bolsonaro (PL) e disse que “nossa atividade não tem motociata, tem caminhada com educadores”, em referência a episódios durante o governo passado.

    Líder do principal grupo político de oposição da Lula, Bolsonaro costumava promover manifestações de motocicleta quando era presidente. Ele está inelegível e foi condenado a 27 anos de prisão no processo da trama golpista.

    “Essa é a caminhada da soberania educacional do Brasil”, disse o petista no vídeo gravado durante o exercício e divulgado no Instagram. De acordo com ele, é através da educação que o país será soberano para “nunca mais ninguém dar palpite sobre o Brasil”, declarou.

    Ao lado de alguns de seus ministros, o petista escolheu o trajeto de 3km, com percurso que passou em frente ao Congresso Nacional e à Praça dos Três Poderes. O evento incluía também a opção de corrida de 5km e 10km.

    Lula vestiu uma camiseta comemorativa do MEC vermelha, além de shorts e tênis claros. Durante a caminhada, chegou a acelerar os passos dando pelo menos três piques. Ele usava um boné branco com o slogan “O Brasil é dos brasileiros” escrito em azul.

    O presidente estava acompanhado da primeira-dama, Janja Lula da Silva, e dos ministros Camilo Santana (Educação), Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), Alexandre Padilha (Saúde), Alexandre Silveira (Minas e Energia) e Fernando Haddad (Fazenda), além do presidente do PT, Edinho Silva.

    Lula acenou para apoiadores e fez brincadeiras com ministros durante o trajeto. “Vai chegar de língua para fora”, disse o presidente a um dos auxiliares. Em determinado momento, Janja ofereceu água ao petista, que ficava com o rosto mais vermelho conforme a caminhada evoluía. Silveira era o integrante do primeiro escalão do governo que mais transpirava.

    Os presidentes do Banco Central, Gabriel Galípolo, e da Caixa Econômica Federal, Carlos Vieira, apareceram ao final da prova, quando as autoridades subiram ao pódio e Lula fez um breve discurso em frente ao Ministério da Educação. A caminhada das autoridades começou às 7h16 e terminou às 7h52, durando 36 minutos.

    A aparição pública praticando exercícios reforça o discurso que o presidente vem sustentando desde a campanha eleitoral de 2022.
    O petista, que faz 80 anos em outubro, diz que está fisicamente bem e que toma os devidos cuidados a própria saúde.

    Ele também expõe em redes sociais suas atividades ao ar livre no terreno do Palácio da Alvorada, a residência oficial da Presidência da República. Nessas postagens o petista costuma aparecer observando ou interagindo com animais, cuidando de plantas ou colhendo frutas.

    Lula reforçou o discurso de soberania nacional depois de Trump anunciar um aumento de tarifas contra produtos brasileiros vendidos no mercado dos Estados Unidos e vincular a medida ao processo contra Jair Bolsonaro, em julho. O americano, à época, classificou as acusações contra Bolsonaro como uma “caça às bruxas”.

    Na última semana, porém, Trump disse que teve uma “excelente química” em um encontro de 39 segundos com o brasileiro. Ele falou em discurso na Assembleia Geral da ONU. Trump e Lula têm posições antagonistas na política internacional.

    Lula corre em público, faz provocação a Bolsonaro e fala em soberania após aceno de Trump

  • Michelle defende candidatura de Bolsonaro e diz não querer ser presidente

    Michelle defende candidatura de Bolsonaro e diz não querer ser presidente

    Michelle ainda fez críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e disse que tem sido alvo de “humilhação” por ser submetida à revista policial durante o cumprimento da prisão domiciliar de Bolsonaro.

    A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro afirmou, durante um evento do PL neste sábado, 27, que não quer ser candidata a presidente da República e pediu aos correligionários que trabalhem para eleger Jair Bolsonaro para o cargo – o ex-presidente atualmente está inelegível e em prisão domiciliar.

    Michelle ainda fez críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e disse que tem sido alvo de \”humilhação\” por ser submetida à revista policial durante o cumprimento da prisão domiciliar de Bolsonaro.

    A ex-primeira-dama participou de um encontro do PL Mulher em Ji-Paraná, em Rondônia.

    Em entrevista publicada na última quarta-feira, 24, concedida ao jornal britânico The Telegraph, Michelle havia admitido que poderia assumir uma candidatura caso fosse necessário para a defesa do legado de Jair Bolsonaro.

    No evento deste sábado, ela afirmou que será \”a voz\” de Bolsonaro pelo Brasil e até no exterior.

    \”Nós precisamos eleger o maior número de deputados e senadores em 2026 e vamos trabalhar pra reeleger o nosso presidente Jair Bolsonaro. Porque eu não quero ser presidente, não, eu quero ser primeira-dama. E eu sei que a restituição de nossa nação virá\”, discursou.

    Ela fez críticas à tornozeleira eletrônica aplicada a Bolsonaro pelo ministro Alexandre de Moraes e reclamou da imposição de revista policial para as entradas e saídas de sua casa.

    \”Nem traficante e bandido tá tendo o tratamento que eu tô tendo hoje na minha casa. A minha filha presenciando essa humilhação, essa violação de direitos porque ela não tem culpa, e o carro dela tem que ser revistado na hora que ela sai e ela chega. Uma menina de 14 anos. O meu fusca foi revistado\”, afirmou Michelle.

    Essas restrições foram impostas por Moraes após ter decretado a prisão domiciliar de Bolsonaro, no início de agosto, diante do descumprimento das medidas cautelares anteriores.

    Michelle defende candidatura de Bolsonaro e diz não querer ser presidente

  • Lula tem vitórias na ONU, mas governo modera otimismo diante de Trump imprevisível

    Lula tem vitórias na ONU, mas governo modera otimismo diante de Trump imprevisível

    O balanço dos quatro dias de Lula em Nova York, segundo aliados, é considerado positivo por diferentes razões.

    JULIA CHAIB E RICARDO DELLA COLETTA
    NOVA YORK, EUA, E BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) retornou da Assembleia-Geral da ONU com o trunfo de uma promessa de reunião futura com Donald Trump, que pode lançar as bases de negociação sobre o tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil.

    O balanço dos quatro dias de Lula em Nova York, segundo aliados, é considerado positivo por diferentes razões.

    Primeiro, a breve interação com Trump nos bastidores da ONU sinalizou que o governo brasileiro e representantes do setor empresarial conseguiram acessar figuras-chave do alto escalão americano, rompendo o bloqueio articulado pelo deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL) e pelo apresentador Paulo Figueiredo, que buscavam evitar esse tipo de contato.

    Com isso, Lula se posicionou como um líder que não cedeu a pressões, manteve um discurso de soberania e, ainda assim, abriu caminho para um diálogo com o presidente dos Estados Unidos.

    Um possível entendimento na área tarifária também é apontado como fator que aprofundou divisões na direita brasileira e contribuiu para o sinal de desânimo do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), em relação a uma eventual candidatura presidencial em 2026.

    Além disso, a passagem de Lula por Nova York não foi marcada por episódios diplomáticos negativos repercutidos pela imprensa ou nas redes sociais –bem diferente do que ocorreu durante viagem à China, em maio, quando veio à tona que a primeira-dama, Rosângela Lula da Silva, a Janja, havia feito críticas ao TikTok durante um encontro com o dirigente Xi Jinping. O episódio acabou sendo o fato político de maior repercussão da visita.

    Lula e Trump conversaram por menos de um minuto nos bastidores da Assembleia-Geral da ONU. O encontro aconteceu logo após o discurso do petista –recheado de críticas a políticas defendidas por Trump– e antes de o republicano iniciar sua fala.
    A possibilidade de diálogo vinha sendo construída havia meses, por meio de contatos discretos entre os dois governos e da atuação de empresários brasileiros e americanos.

    Ainda assim, a forma como Trump se referiu a Lula surpreendeu até os auxiliares mais otimistas do presidente brasileiro. O republicano chegou a dizer que teve “excelente química” com Lula.
    “Ele pareceu um homem muito bom. Ele gostou de mim, eu gostei dele. Eu só faço negócios com pessoas de quem gosto”, declarou Trump na plenária da ONU.

    Lula, por sua vez, disse numa entrevista coletiva acreditar que Trump havia sido mal informado sobre o Brasil. “Quando ele tiver as informações corretas, pode mudar de posição”, avaliou.

    Diplomatas brasileiros ouvidos pela reportagem relatam que uma ala da atual administração americana acreditava que sanções e tarifas contra o Brasil pudessem reabilitar politicamente o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ou até mesmo levar à destituição do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).
    Segundo esses interlocutores, a Casa Branca ajustou sua postura à medida que integrantes do governo Trump concluíram que tais objetivos dificilmente seriam atingidos.

    Já bolsonaristas com acesso a representantes do governo Trump afirmam que os atores que articularam sanções ao Brasil não mudaram de posição e continuarão levando ao presidente americano a leitura de que há uma série de abusos no Brasil por parte de Moraes e com o apoio do governo Lula.

    Apesar da avaliação positiva da viagem, auxiliares de Lula afirmam que o momento exige cautela, sobretudo devido à imprevisibilidade do presidente americano.

    Nesse contexto, uma eventual reunião entre Lula e Trump deverá ser cuidadosamente planejada, a fim de evitar armadilhas semelhantes às enfrentadas pelos presidentes Volodimir Zelenski, da Ucrânia, e Cyril Ramaphosa, da África do Sul –ambos submetidos a audiências consideradas constrangedoras no Salão Oval.

    Por essa razão, assessores do presidente brasileiro trabalham com a perspectiva de uma aproximação gradual.

    A primeira etapa seria uma ligação telefônica entre os dois líderes nos próximos dias, permitindo que suas equipes mantenham contato com mais liberdade –até agora, os diálogos entre enviados dos dois governos têm ocorrido sob sigilo.

    Seguindo essa estratégia de aproximação progressiva, um encontro presencial poderia acontecer em um terceiro país. A opção mais provável, neste momento, é a Malásia, sede da próxima cúpula da Asean (Associação de Nações do Sudeste Asiático), que ocorrerá de 26 a 28 de outubro.

    Lula tem vitórias na ONU, mas governo modera otimismo diante de Trump imprevisível

  • Advogado de Heleno negocia novos clientes por Instagram após virar meme em julgamento

    Advogado de Heleno negocia novos clientes por Instagram após virar meme em julgamento

    “Tem umas pessoas que entram em contato comigo pelo Instagram do escritório: ‘É possível absolver de crime leve de Maria da Penha?’”, disse Milanez em entrevista à Folha. Prospectando o cliente, ele perguntou: “O que é um crime leve de Maria da Penha?”.

    CÉZAR FEITOZA E ANA POMPEU
    BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – Matheus Milanez, 33, era o advogado mais jovem entre todas as defesas dos condenados do núcleo central da trama golpista. Agora, lida com uma caixa de mensagens no Instagram cheia de potenciais clientes, que enviam mensagens com os casos mais diversos pedindo conselhos.

    “Tem umas pessoas que entram em contato comigo pelo Instagram do escritório: ‘É possível absolver de crime leve de Maria da Penha?’”, disse Milanez em entrevista à Folha. Prospectando o cliente, ele perguntou: “O que é um crime leve de Maria da Penha?”.

    Milanez conta também receber mensagens sobre casos complexos. Um fazendeiro do Norte acusado de torturar e matar pessoas que invadiram sua terra; outro suspeito de ocultar cadáveres. Todos relatando seus casos pelo Instagram.

    “A minha secretária, coitada, ela encaminha, a gente faz análise, marca uma reunião […]. A gente não tem muito filtro de qual caso pegar. A gente faz uma análise do caso e vê viabilidade.”

    As redes sociais de Milanez estouraram após o advogado virar meme e confrontar o ministro Alexandre de Moraes na defesa do ex-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) Augusto Heleno durante o julgamento da tentativa de golpe de Estado.

    Ele viu seu perfil na plataforma saltar de cerca de 2.000 seguidores no início do processo para mais de 60 mil após a conclusão do julgamento. O salto ocorreu em duas etapas.

    A primeira foi mais tímida. Milanez ganhou 5.000 seguidores depois de seu pedido a Moraes para encerrar a sessão de interrogatório dos réus para ele “minimamente jantar” viralizar. A audiência havia começado às 9h e já passava das 20h quando ele abordou o tema.

    “São 20h, a audiência amanhã é às 9h, e nós viemos em um carro só. Ainda preciso levar o general para casa, e eu mesmo preciso ir para a minha. Eu minimamente quero jantar. Excelência, eu só tomei café da manhã hoje, quase nada mais”, disse Milanez.

    Moraes negou o pedido e disse que seria melhor terminar as audiências o quanto antes. “O senhor ainda tem quarta-feira para tomar um belo brunch, quinta é o jantar do Dia dos Namorados e sexta é dia de Santo Antônio –quem sabe o senhor comemora também numa quermesse?”, ironizou Moraes.

    Milanez diz que levou uma bronca da sua noiva, a nutricionista Gabriella Cesar, por não ter aproveitado o momento de fama para impulsionar suas redes. “Eu nunca fui muito bom de rede social. Rede social para mim era meme e figurinha.”

    A outra oportunidade se deu após a sustentação oral de Milanez no julgamento da ação penal. Ao defender Heleno, o advogado questionou a postura de Alexandre de Moraes no processo e fez a principal crítica ao ministro.

    Os recortes de sua fala viralizaram. Milanez viu o movimento e passou a publicar vídeos falando sobre os detalhes do julgamento todos os dias. O perfil saltou de 7.200 seguidores para 61.300 em quatro dias.

    “Eu acho que falo com uma linguagem mais simples. A grande maioria do meu público não é do direito. Eu vejo que são pessoas em geral, assim, população lato sensu que querem entender um pouco mais [sobre o processo] ou gostaram da minha postura no julgamento”, disse.

    A popularidade trouxe novos seguidores e potenciais clientes pelo Instagram, mas também atraiu haters e críticos. Ele viu em muitos memes na internet uma tentativa de desmoralizá-lo.

    “Tem duas formas de lidar com a situação: ou você se irrita, ou você surfa na brincadeira. Eu decidi surfar na brincadeira tranquilamente. Eu falo que hoje eu adoro, porque todo lugar que eu vou falar, eu vou dar aula, as pessoas comentam: ‘Ó, fica tranquilo que qualquer coisa eu trago um lanche para o senhor’.”

    Milanez também contou por que esperava que Moraes concordasse com o pedido de antecipar o fim do interrogatório dos réus para “minimamente jantar”.

    “Eu era estagiário na época da [operação] Greenfield, o Vallisney [de Souza Oliveira] era o juiz titular da 10ª Vara Federal de Brasília. Era audiência o dia inteiro: começava às 8h, parava para o almoço ao meio-dia e ia até umas 20h”, conta.

    “O juiz mesmo falava: ‘como está tarde da noite, amanhã a gente pode começar à tarde?’. Às vezes o advogado falava para terminar mais cedo. Então, [os juízes] dão essa maleabilidade, não existe razão para a pressa.”

    Augusto Heleno foi condenado pelo Supremo a 21 anos de prisão por participação na trama golpista. Milanez diz ter ficado frustrado com o resultado –esperava ao menos dois votos favoráveis à absolvição do general.

    O advogado conta que vai apresentar dois tipos de recursos diferentes ao STF e diz acreditar na possibilidade de reverter a condenação. A missão é penosa e de pouca chance de êxito. Ele diz que só depois das possíveis negativas é que vai levantar discussões sobre onde Heleno deve cumprir sua pena: se num presídio comum ou em sua casa.

    “Eu não acho que ele tenha condição de ir a um presídio”, disse. “Eu sei que 100% de saúde ele não está porque é um senhor de 77 anos. Mas eu não sei quais doenças ele tem, se tem um problema crônico. Como a gente estava na discussão eminentemente jurídica, esse era um ponto que a família nunca abria para mim.”

    Advogado de Heleno negocia novos clientes por Instagram após virar meme em julgamento

  • Haddad diz que Lula será candidato à reeleição em 2026

    Haddad diz que Lula será candidato à reeleição em 2026

    O ministro é citado como possível candidato se Lula não concorrer, assim como ocorreu em 2018. “Ele (Lula) é candidato a presidente, sim”, afirmou Haddad durante entrevista ao Podcast 3 Irmãos.

    O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse neste sábado, 27, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) será candidato à reeleição em 2026.

    O ministro é citado como possível candidato se Lula não concorrer, assim como ocorreu em 2018. “Ele (Lula) é candidato a presidente, sim”, afirmou Haddad durante entrevista ao Podcast 3 Irmãos.

    Um dos apresentadores citou que sua tia gostaria de votar em Haddad para presidente em 2030. \”Manda um abraço pra sua tia\”, respondeu o ministro.

    Segundo o ministro, ser candidato depende de circunstâncias e do destino. \”Se não fosse a facada, será que o Bolsonaro seria eleito presidente? Possivelmente não.\”

    Em discursos recentes, Lula tem reforçado sua disposição em concorrer novamente à Presidência no ano que vem e que só não vai ser candidato se a saúde não permitir. \”Só tem uma hipótese de eu não ser candidato, é se eu tiver algum problema de saúde\”, disse o petista em entrevista ao SBT no dia 9 de setembro.

    Haddad diz que Lula será candidato à reeleição em 2026

  • Eduardo Bolsonaro semeia bases para 2026 e projeta bolsonarismo mais ideológico

    Eduardo Bolsonaro semeia bases para 2026 e projeta bolsonarismo mais ideológico

    Desde fevereiro nos EUA, caminhando para ter o mandato de deputado federal cassado pela Câmara, ele busca se projetar como líder de um braço mais ideológico do bolsonarismo, com um discurso que rejeita acordos e dispensa alianças políticas com o centrão.

    JOÃO PEDRO PITOMBO, MARIANNA HOLANDA E JULIA CHAIB
    SALVADOR, BA, BRASÍLIA, DF E WASHINGTON, EUA (CBS NEWS) – Ligado a líderes da ultradireita no exterior e protagonista da crise tarifária entre Brasil e Estados Unidos, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) ganhou musculatura entre os setores mais radicais da direita e ensaia um voo solo fora da sombra do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

    Desde fevereiro nos EUA, caminhando para ter o mandato de deputado federal cassado pela Câmara, ele busca se projetar como líder de um braço mais ideológico do bolsonarismo, com um discurso que rejeita acordos e dispensa alianças políticas com o centrão.

    Eduardo já disse a interlocutores que estuda disputar a Presidência em 2026, mesmo à revelia do pai, como mostrou a Folha. As discordâncias entre ambos ficaram expostas em relatório da Polícia Federal.

    Ao mesmo tempo, semeia as bases e aglutina em torno de si um grupo que, segundo aliados, reúne entre 20 e 30 deputados federais e estaduais com quem tem afinidade. Segundo interlocutores, parte deles pode deixar o PL -e o seu fundo eleitoral- para se filiar a uma legenda nanica com o filho do ex-presidente.
    Procurado, Eduardo Bolsonaro não respondeu aos contatos da reportagem.

    O objetivo do deputado é manter no clã o espólio eleitoral de Jair, que está inelegível e foi condenado a 27 anos de prisão. Ele calcula que, se um candidato como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), for eleito, o bolsonarismo estará enterrado enquanto movimento político.

    Com essa avaliação, Eduardo já expressou a opinião de que, se Lula (PT) for reeleito, seria uma espécie de mal necessário, para manter essa influência bolsonarista. Ele cogita se lançar à Presidência para manter o “movimento vivo” e eleger uma bancada de bolsonaristas, fortalecendo este grupo para 2030.

    A postura mais radical de Eduardo resultou em um afastamento de aliados, com críticas a dirigentes do centrão e troca de farpas com o presidente do seu próprio partido, Valdemar Costa Neto (PL).

    O senador Ciro Nogueira (PP-PI) e Eduardo falaram ao telefone há cerca de um mês, quando o presidente do PP fez um apelo para que o deputado focasse a artilharia contra a esquerda e poupasse aliados de suas críticas.

    A conversa ocorreu antes do novo episódio com Valdemar, que disse que ele ajudaria a matar o pai se insistisse em se lançar ao Planalto, ao que Eduardo classificou como canalhice.

    O filho 03 do presidente costuma ser acusado de dividir a direita. Líderes dizem que o deputado expõe publicamente divergências do grupo e impede a construção de acordos para avançar em temas considerados cruciais para o bolsonarismo.

    O mais notório exemplo é o da anistia. Eduardo, que articulou as sanções ao Brasil junto ao governo dos Estados Unidos, vem dizendo que a única forma de reverter esse quadro é com a aprovação de uma anistia ampla e geral, que contemple todos os condenados nos ataques golpistas do 8 de Janeiro.

    A proposta, contudo, enfrenta resistência no Congresso, no Judiciário e no Executivo. Há uma costura por um projeto de redução de pena, a que o deputado se opõe fervorosamente.
    Como a Folha mostrou, aliados de Bolsonaro avaliam que ele estaria disposto a aceitar um acordo, contanto que fique em prisão domiciliar. Bolsonaro está preso desde 4 de agosto no inquérito que investigava a coação do Judiciário, com apoio do governo Donald Trump.

    Eduardo desistiu de retornar ao Brasil, por temer ser preso. Ao passo que o STF (Supremo Tribunal Federal) fecha o cerco em torno do deputado, ele chama o Brasil de “ditadura” e alega que o centrão é inimigo do bolsonarismo.

    Tarcísio de Freitas tem sido um dos seus principais alvos, por ser o nome favorito do centrão para 2026. Ele atribui uma eventual candidatura do ex-ministro de Bolsonaro ao “establishment”.
    Por trás do discurso antissistema está uma tentativa de realinhar o grupo que outrora se reunia em torno do escritor Olavo de Carvalho e que, internacionalmente, segue a linha de Steve Bannon, ex-estrategista de Donald Trump organizador de uma rede de líderes da ultradireita mundial.

    Assim, o mesmo Eduardo que no início do ano era pré-candidato ao Senado e cogitou trocar o PL pelo PP agora tem conversado com legendas menores para viabilizar o projeto presidencial, segundo interlocutores.

    Para isso, conta com parlamentares, empresários e com um ecossistema midiático que inclui nomes como youtuber Kim Paim e o empresário Paulo Figueiredo.

    O deputado estadual de Minas Gerais, Cristiano Caporezzo (PL), pediu para ser listado como o primeiro da lista dos “eduardistas”. Ele busca uma vaga para o Senado e destaca a importância do filho do ex-presidente no trabalho de base do bolsonarismo.

    “Desde que Jair Bolsonaro resolveu se lançar candidato, uma das pessoas mais importantes para organizar a rua era o Eduardo, assim como nas redes era o Carlos”, lembra o deputado.

    Ele afirma que, caso Jair não consiga reverter a inelegibilidade, o melhor nome para disputar a Presidência é o de Eduardo. Elogia Tarcísio de Freitas, mas diz que ele deveria disputar a reeleição. “Ele está fazendo um trabalho importante em São Paulo, não faria sentido deixar o estado mais rico da federação.”
    Outro nome próximo a Eduardo é o do deputado estadual Leandro de Jesus (PL), da Bahia, que prepara sua candidatura à Câmara dos Deputados com o apoio do filho de Bolsonaro. Ele aponta Eduardo como sucessor natural de Jair.

    “Em 2026, de qualquer modo, nós teremos um Bolsonaro candidato a presidente da República, seja o Jair, seja o Eduardo. Isso aí já é martelo batido com toda certeza”, afirma o deputado, minimizando uma possível porta fechada no PL.

    Em Mato Grosso do Sul, o deputado federal Marcos Pollon (PL) ensaia uma candidatura a governador caso Eduardo concorra à Presidência. Ele está às turras com o próprio partido desde a filiação do ex-governador Reinaldo Azambuja, oriundo do PSDB.
    O deputado estadual Cabo Bebeto (PL), de Alagoas, faz coro ao nome de Eduardo como plano B a Jair: “É a nossa segunda opção, sem sombra de dúvida.”

    Eduardo Bolsonaro semeia bases para 2026 e projeta bolsonarismo mais ideológico

  • Alckmin: encontro de Lula e Trump é um 1º passo para resolver tarifaço

    Alckmin: encontro de Lula e Trump é um 1º passo para resolver tarifaço

    “Quero saudar o encontro, embora rápido, mas o encontro entre os presidentes Lula e Trump [na assembleia geral da ONU], que deram, ao menos, um primeiro passo. Vamos tentar dar os passos subsequentes para a gente ir removendo esses problemas e podermos caminhar mais rapidamente para resolver a questão do tarifaço”, disse, em evento na instituição de ensino Insper, em São Paulo.

    O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, disse nesta sexta-feira (26), em palestra na capital paulista, que o encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é um “primeiro passo” para a resolução do tarifaço imposto pelos EUA ao Brasil. A reunião deverá ocorrer na próxima semana.

    “Quero saudar o encontro, embora rápido, mas o encontro entre os presidentes Lula e Trump [na assembleia geral da ONU], que deram, ao menos, um primeiro passo. Vamos tentar dar os passos subsequentes para a gente ir removendo esses problemas e podermos caminhar mais rapidamente para resolver a questão do tarifaço”, disse, em evento na instituição de ensino Insper, em São Paulo.

    Alckmin defendeu que o comércio entre os países deve ser “ganha-ganha”, ou seja, com ambos participantes obtendo sucesso, e baseado em regras. 

     

    “Comércio exterior bem feito é ganha-ganha. Ele é mais eficiente: eu compro dele, mais barato. Eu sou mais eficiente: eu vendo para ele. A sociedade ganha. Só que precisa ter regras, porque senão o grande vai matar o pequeno”.

    O vice-presidente ressalvou, no entanto, que a atuação da Organização Mundial do Comércio (OMC), instituição que tem como missão assegurar as regras do comércio internacional, foi limitada pelos Estados Unidos.

    “Temos que ter regras para o mundo todo, regras de comércio. Só que infelizmente não funciona. Por quê? Eu entro com uma representação [na OMC] e ganho na primeira instância. [A decisão] não vale enquanto não tiver decisão da segunda instância. Aí, na segunda instância, os Estados Unidos não designam os seus representantes. Ela [a OMC]   não pode agir. Então, meio que a OMC ficou inócua”, disse.

    São Paulo (SP), 26/09/2025 - Vice-Presidente, Geraldo Alckmin, durante palestra no IV Encontro Anual - Centro de Gestão e Politicas Públicas, no INSPER. Foto: Paulo Pinto/Agência BrasilSão Paulo (SP), 26/09/2025 - Vice-Presidente, Geraldo Alckmin, durante palestra no IV Encontro Anual - Centro de Gestão e Politicas Públicas, no INSPER. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
    São Paulo (SP), 26/09/2025 – Vice-Presidente, Geraldo Alckmin, durante palestra no IV Encontro Anual – Centro de Gestão e Politicas Públicas, no INSPER. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil – Paulo Pinto/Agência Brasil

    No último dia 23, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que pretende se encontrar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na próxima semana. Ele teceu elogios ao chefe de Estado brasileiro chamando-o de “homem muito agradável”, com quem teve “uma química excelente” durante breve encontro.

    Trump discursou na Assembleia Geral das Nações Unidas logo depois o presidente Lula. Tradicionalmente, o presidente do Brasil faz o discurso de abertura das assembleias anuais da ONU. 

    O presidente norte-americano disse que as tarifas aplicadas contra o Brasil e outros países são uma questão de defesa da soberania e da segurança de seu país.

    Alckmin: encontro de Lula e Trump é um 1º passo para resolver tarifaço

  • Eduardo rejeita ajuda financeira nos EUA e dá recado a Valdemar

    Eduardo rejeita ajuda financeira nos EUA e dá recado a Valdemar

    Segundo pessoas próximas, o encontro ocorreu em meio ao aumento da tensão entre Eduardo e Valdemar. A crise se agravou após declarações do presidente do PL, que disse a aliados que o deputado teria entrado em rota de colisão com ele por querer mais recursos para se manter nos Estados Unidos.

    O grupo político do deputado Eduardo Bolsonaro, que atua com ele nos Estados Unidos, enviou um recado direto ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmando que não aceita qualquer tipo de ajuda financeira e pedindo apenas “distância”. O comunicado foi feito por meio do líder da legenda na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), durante reunião realizada nesta quinta-feira (25) em Miami.

    Segundo pessoas próximas, o encontro ocorreu em meio ao aumento da tensão entre Eduardo e Valdemar. A crise se agravou após declarações do presidente do PL, que disse a aliados que o deputado teria entrado em rota de colisão com ele por querer mais recursos para se manter nos Estados Unidos.

    Incomodados com as falas, Eduardo e seus aliados responderam que não pretendem receber apoio financeiro do partido e que continuarão atuando de forma independente. Afirmaram ainda que não estão à venda e que não pretendem negociar qualquer tipo de contrapartida para manter sua atuação política no exterior.

    Durante a reunião, Sóstenes chegou a perguntar se o grupo desejava algum tipo de suporte financeiro do PL. A resposta foi negativa. A decisão também foi vista como um gesto político, marcando o distanciamento em relação a Valdemar, especialmente após as falas do dirigente partidário sobre a atuação do deputado.

    Nos bastidores, Valdemar tem dito a interlocutores que o parlamentar reclama do que considera ser uma desigualdade na distribuição de recursos do partido. Segundo ele, Eduardo se queixaria de que Michelle Bolsonaro, madrasta do deputado e esposa do ex-presidente Jair Bolsonaro, recebe mais apoio financeiro para suas atividades políticas do que ele próprio.

    A divulgação dessas declarações irritou ainda mais o grupo ligado a Eduardo Bolsonaro. Os aliados do deputado disseram que atuaram até agora sem qualquer ajuda do presidente do partido e que pretendem seguir dessa forma. Para eles, as falas de Valdemar seriam uma tentativa de enfraquecer politicamente o parlamentar, o que aumentou o clima de conflito interno.

    Ao recusar apoio financeiro, o grupo de Eduardo reforçou que não vai negociar autonomia política em troca de recursos. Segundo aliados, o deputado avalia inclusive a possibilidade de deixar o PL, o que reforça a disposição de manter distância de Valdemar Costa Neto e sua influência dentro do partido.

    Com o impasse, a relação entre o presidente do PL e o deputado segue estremecida, e não há previsão de uma reaproximação no curto prazo.

    Eduardo rejeita ajuda financeira nos EUA e dá recado a Valdemar

  • Ciro Nogueira diz que direita tem falta de bom senso e deve se unir

    Ciro Nogueira diz que direita tem falta de bom senso e deve se unir

    “Ou nos unificamos ou vamos jogar fora uma eleição ganha outra vez”, disse Ciro Nogueira; fala ocorre em semana de desânimo no entorno do governador de SP, Tarcísio de Freitas (Republicanos)

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – O senador e presidente do PP, Ciro Nogueira (PI), disse que está passando dos limites a “falta de bom senso” da direita, e que isso poderá custar ao grupo político a eleição de 2026, ajudando a reeleger Lula (PT).

    A fala foi feita no X, antigo Twitter, após uma semana de desânimo no entorno do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e indefinição por parte do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a respeito da sua sucessão à Presidência em 2026.

    “Já está passando de todos os limites a falta de bom senso na Direita, digo aqui a centro direita, a própria direita e seu extremo. Ou nos unificamos ou vamos jogar fora uma eleição ganha outra vez”, disse.

    “Por mais que tenhamos divergências, não podemos ser cabo eleitoral de Lula, do PT e do PSOL. Não podemos fazer isso com o Brasil”, continuou.

    Ciro é entusiasta de uma unidade da direita em torno de Tarcísio, hoje considerado o nome mais viável do grupo político, de acordo com pesquisas.

    Ele tem sido alvo de críticas por alas mais radicalizadas do bolsonarismo, que insistem, entre outras coisas, em Bolsonaro como candidato em 2026. O ex-presidente, além de ter sido condenado a 27 anos e três meses de prisão por liderar a trama golpista, já está inelegível por atacar o sistema eleitoral em 2022.

    Como mostrou o Painel, Tarcísio tem demonstrado desânimo com a possibilidade de deixar o Bandeirantes para concorrer ao Planalto. Ele tem citado acontecimentos recentes, como a oposição de Eduardo Bolsonaro à sua candidatura e a atuação de Lula diante do tarifaço de Donald Trump.

    Após sua publicação, o empresário Paulo Figueiredo respondeu ao senador, em tom de ironia.

    “É verdade Ciro. Concordo com a falta de bom senso. Acredita que ainda tem meia dúzia que levam fé em acordos Caracu com o establishment? Que tem velhaco que não entendeu que a crise diplomática com os EUA só tem fim com anistia ampla, geral e irrestrita? É gente sem noção…”, afirmou.

    Paulo está articulando com o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) sanções ao Brasil junto a autoridades do governo dos Estados Unidos. Eles têm defendido que a única saída para reverter as penalidades comerciais é a aprovação de uma anistia aos condenados nos ataques golpistas de 8 de janeiro, incluindo Bolsonaro.

    A proposta hoje na Câmara teve urgência aprovada no plenário, mas enfrenta resistência da cúpula da Casa e do STF (Supremo Tribunal Federal). Assim, o presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) disse querer transformar o texto em um projeto de redução de penas, algo que, em tese, contaria com o apoio de mais parlamentares.

    O texto, relatado por Paulinho da Força (Solidariedade-SP), segue enfrentando resistência na esquerda, em alas do centro e também na direita.

    Como a Folha de S.Paulo mostrou, apesar da postura mais radicalizada de parlamentares do PL de insistir em uma anistia ampla, Bolsonaro aceitaria um projeto de redução de penas, de acordo com aliados próximos, contanto que houvesse garantia da manutenção de prisão domiciliar.

    A prioridade do ex-presidente é evitar regime fechado em presídio ou na carceragem da PF, algo que pode ocorrer ainda neste ano, se o STF rejeitar os recursos de sua defesa.

    Ciro Nogueira utilizou o argumento da saúde para responder ao Paulo Figueiredo nas redes sociais. Ele disse ter duas grandes preocupações.

    “Primeira: a oposição a Chaves imaginava que haveria uma alternância de poder que até hoje nunca aconteceu e o país só derreteu”, disse.

    “Segunda: acho uma crueldade deixar um homem de bem e honesto, como Jair Bolsonaro, preso por muito mais tempo, nas condições de saúde em que está, ameaçando a vida dele, caso a oposição não vença as eleições do ano que vem”, completou.

    Ciro Nogueira diz que direita tem falta de bom senso e deve se unir