Categoria: POLÍTICA

  • Gilmar pede a Moraes para investigar Zema no inquérito das fake news por vídeo com sátira a STF

    Gilmar pede a Moraes para investigar Zema no inquérito das fake news por vídeo com sátira a STF

    Ministro do STF pede apuração contra ex-governador por vídeo satírico nas redes. Caso será analisado após manifestação da PGR, enquanto embate público entre os dois se intensifica com críticas ao Supremo e trocas de acusações

    O ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, enviou uma representação ao colega Alexandre de Moraes pedindo a investigação do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, por ter compartilhado nas redes sociais um vídeo com uma sátira a ministros da Corte. Procurado por meio de sua assessoria, Zema não se manifestou até o fechamento deste texto.

    Na representação, Gilmar apontou indícios de crime em uma publicação feita por Zema, que deixou o governo mineiro em março para se lançar como pré-candidato à Presidência da República. A informação foi divulgada inicialmente pelo jornal Folha de S.Paulo e confirmada pelo Estadão.

    Moraes solicitou manifestação da Procuradoria-Geral da República antes de decidir sobre a eventual inclusão de Zema no inquérito.

    O vídeo publicado por Zema mostra uma conversa entre dois bonecos, representando os ministros Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Na encenação, Toffoli liga para Gilmar pedindo a anulação de quebras de sigilo de sua empresa, determinadas pela CPI do Crime Organizado do Senado.

    Em tom irônico, o personagem de Gilmar responde que atenderia ao pedido em troca de uma cortesia no resort Tayayá, empreendimento no qual Toffoli teria participação.

    A sátira faz referência a uma decisão real de Gilmar Mendes que anulou quebras de sigilo da empresa Maridt, ligada a Toffoli e seus irmãos, que recebeu aportes de um fundo associado ao banqueiro Daniel Vorcaro, conforme revelou o Estadão.

    Na representação, Gilmar afirmou que o conteúdo “vilipendia não apenas a honra e a imagem deste Supremo Tribunal Federal, como também da minha própria pessoa”.

    Críticas ao STF

    Nas últimas semanas, Zema intensificou críticas ao STF em discursos públicos.

    Em evento realizado no dia 13 de abril, declarou: “O STF era um lugar que nós tínhamos uma certa confiança, mas já estava cheirando mal há alguns anos. Agora, realmente, aflorou toda a podridão que está lá dentro”.

    No lançamento de seu programa de governo, no dia 16, afirmou que, caso seja eleito presidente, pretende “propor ao Congresso um novo Supremo”.

    Zema e Gilmar chegaram a trocar críticas publicamente. Em resposta aos ataques, o ministro lembrou nas redes sociais que o ex-governador havia recorrido ao STF para adiar o pagamento da dívida de Minas Gerais com a União.

    Zema rebateu: “Ele deu uma decisão favorável a Minas Gerais, e agora descobri que foi um favor para eu ser submisso a ele pelo resto da vida.”

     

    Gilmar pede a Moraes para investigar Zema no inquérito das fake news por vídeo com sátira a STF

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  • Augusto Cury mira empreendedores, nega inspiração em Marçal e tem teoria questionada

    Augusto Cury mira empreendedores, nega inspiração em Marçal e tem teoria questionada

    Médico de formação, identifica-se como o psiquiatra mais lido do mundo e diz ser um produtor de conhecimento, estudado em pós-graduações. É autor da Teoria da Inteligência Multifocal, um método para entender o funcionamento da mente humana, não reconhecido por pesquisadores da área

    (CBS NEWS) – Augusto Cury, 67, é um homem que não se identifica com as suas ocupações. Ele nega ser um escritor de autoajuda, embora seus livros sejam encontrados em prateleiras dedicadas ao gênero. Também afirma não ser coach, o profissional que ajuda o cliente a vencer desafios e a conquistar seus objetivos. Mas viaja o mundo dando palestras e vende cursos pela internet para ensinar como as pessoas devem administrar seus sentimentos.

    Médico de formação, identifica-se como o psiquiatra mais lido do mundo e diz ser um produtor de conhecimento, estudado em pós-graduações. É autor da Teoria da Inteligência Multifocal, um método para entender o funcionamento da mente humana, não reconhecido por pesquisadores da área.

    No início deste mês, o escritor filiou-se ao Avante e anunciou sua candidatura à Presidência da República. Diz ser a favor de uma reforma do Judiciário, chama de estúpido o discurso “bandido bom é bandido morto” e quer incentivar o empreendedorismo.

    “Eu vejo o país radicalizado, que está sequestrado por duas famílias: a família Lula da Silva e a família Bolsonaro. Os milhões de brasileiros precisam de uma voz antirradicalismo e antipolarização”, diz Cury, em entrevista por videoconferência, concedida do Recife, onde estava para dar palestras. “O que eu sou? Eu sou de centro. Sou mente capitalista e com um coração que cuida dos desvalidos.”

    Cury ambiciona preparar o Brasil para o que chama de “grande tsunami da robótica e da inteligência artificial”, propondo agora a criação de clubes de empreendedorismo pelo país.

    Nas eleições municipais de 2024, o discurso empreendedor foi encarnado, em São Paulo, pelo influenciador Pablo Marçal (União Brasil). A retórica prosperou, de maneira que, na reta final da campanha, até Guilherme Boulos (PSOL) apareceu no horário eleitoral emulando ser um palestrante.

    “Passei a conhecê-lo [Marçal] há mais ou menos quatro meses e, inclusive, é alguém que me mandou mensagem me parabenizando por saber que não preciso e não amo o poder”, diz o psiquiatra. “Não me inspirei em Marçal, porque tenho uma política de 0% de ataque pessoal.”

    O pré-candidato afirma que, à luz da crise do Banco Master, provocaria o Congresso Nacional com o objetivo de promover uma ampla reforma do Judiciário, com mandatos de até oito anos para ministros do STF (Supremo Tribunal Federal). Na pesquisa Genial/Quaest mais recente, Cury aparece com 2% das intenções de voto.

    “Não vejo muita margem para crescimento no atual cenário. Cury é mais outsider do que foi Bolsonaro e não tem a mesma performance impactante de Marçal”, avalia Pedro Lima, professor de ciência política da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

    Natural de Colina, a 400 km da capital paulista, Cury nasceu em uma família pobre, de seis filhos, morando em um só cômodo. Ele lembra que não era bom aluno, e os colegas debochavam de seu desejo de ser cientista. Na faculdade, teve uma crise depressiva e desatou a escrever. O reconhecimento, porém, demoraria a chegar. Enquanto isso, conta ter tido sucesso na clínica psiquiátrica.

    Morando no interior de São Paulo –ele prefere manter a cidade sob sigilo, para preservar a segurança–, é casado e pai de três filhas. Cury diz ser um ex-ateu que se tornou um “cristão sem fronteiras”, e afirma que respeita a laicidade do Estado.

    Encontrou no vôlei aquático, o popular biribol, o principal hobby. Tornou-se um best-seller internacional, publicado em 70 países, com mais de 40 milhões de exemplares vendidos, nas contas dele. Em parte, o sucesso comercial se deveu ao livro “O Vendedor de Sonhos: O Chamado”, publicado em 2008. Na história, um morador de rua evita o suicídio de um homem rico, propagando uma mensagem messiânica.

    Trata-se de uma crítica ao sistema capitalista, em especial aos miseráveis moradores de palácios, como o autor costuma dizer. Cury admite a contradição entre o livro e o discurso empreendedor. Está disponível na Netflix uma adaptação cinematográfica da obra, dirigida por Jayme Monjardim.

    Em dada cena, uma senhora é incentivada pelo morador de rua a perdoar um menino que havia roubado seu pertence. “Essa história de bandido bom é bandido morto é uma ideia estúpida, não altruísta”, diz o psiquiatra. “O problema não é encarcerar, é encarcerar mal, não chegar antes do crime.”

    Toda a sua obra está alicerçada na Teoria da Inteligência Multifocal, criada por ele e sistematizada em um livro de 1999. Em linhas gerais, o estudo dessa teoria tornaria possível a gestão das emoções. Assim, as pessoas conseguiriam vencer obstáculos emocionais a partir do reconhecimento do seu eu.

    Em seu site, Cury vende cursos sobre gestão da emoção por R$ 500. Embora diga que as pessoas precisem procurar ajuda profissional em caso de transtornos emocionais, o escritor publica vídeos, no YouTube, dando dicas para combater a ansiedade, e realizou também a série “Você É Insubstituível”, para prevenir os casos de suicídio.

    No fim do primeiro capítulo do livro, escreveu que a Inteligência Multifocal traria soluções para o autismo, que não tem cura. “Muitos casos de doenças psíquicas de difícil tratamento, inclusive de pacientes autistas, têm sido resolvidos”, escreveu ele.

    Presidente do Instituto Brasileiro de Coaching (IBC), José Roberto Marques comemora a pré-candidatura de Cury e diz considerar que a teoria tem embasamento científico. “Se eu mudo a percepção de quem eu sou, mudo completamente. Ele tem caráter e é um intelectual. Eu votaria nele, por que não?”

    A Folha pediu um posicionamento à Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), mas não obteve retorno. Assim sendo, a reportagem consultou cinco psiquiatras. Todos afirmaram que a Teoria da Inteligência Multifocal não tem embasamento científico. Por isso não adotam a abordagem na clínica.

    “Não tem validação científica. Ansiedade, depressão, tudo isso é decorrente do nada existencial. O que ajuda é o atendimento de cada pessoa, na psicoterapia e medicar quando for necessário. Eu não tenho nada contra a pessoa, mas é para vender livro”, diz Paulo Pavão, professor de psiquiatria da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro).

    “Se essa teoria curasse o autismo, ele teria o Nobel de Medicina”, afirma Rodrigo Martins Leite, médico assistente do Instituto de Psiquiatria da USP, acrescentando que Cury atua como coach. Doutor em saúde coletiva pela Universidade de Genebra, Adriano Aguiar diz que, em caso de crise suicida, o paciente deve entrar em contato com seu médico, ligar para o CVV (Centro de Valorização da Vida) ou ir imediatamente ao pronto-socorro.

    Ele diz não haver comprovação de que vídeos no YouTube conseguiriam ajudar a prevenir suicídios. Membro da Academia Brasileira de Ciências e da Academia de Ciências de Heidelberg, na Alemanha, o professor da USP Wagner Gattaz conta que desconhece a Teoria da Inteligência Multifocal.

    Gattaz recusou, assim, conceder entrevista, mas enviou um recado por mensagem de texto: “Que eu saiba o pré-candidato é um escritor profícuo, mas não é pesquisador nem cientista. Portanto, mesmo com a genialidade que ele possa ter, criar uma teoria do nada é bastante arriscado.”

    Cury rebate. Diz que algumas pessoas não estudaram adequadamente sua teoria, aplicada por milhares de pessoas, com comprovação científica. Compara a Inteligência Multifocal com a psicanálise e com a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC). Segundo o psiquiatra, muitas pessoas também questionam a validação dessas abordagens.

    “A Teoria da Inteligência Multifocal não é verdadeira como teoria”, afirma. “Em determinados aspectos, ela tem realmente uma validação. Mas não fico falando, ‘oh, minha teoria é verdadeira, minha teoria tem validade’. Quem aplica, quem estuda, quem pesquisa é que vai dar o direcionamento.”

    Quanto ao autismo, diz falar em “resolução” e tratamento, não “cura”, que ele reconhece não haver. “Produzir conhecimento neste país que não valoriza o cientista é um parto, você nem imagina.”

    Augusto Cury mira empreendedores, nega inspiração em Marçal e tem teoria questionada

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  • Lula diz, na Alemanha, que o multilateralismo está sendo destruído

    Lula diz, na Alemanha, que o multilateralismo está sendo destruído

    Presidente critica avanço do unilateralismo em evento na Alemanha, defende cooperação global e destaca parceria com europeus, além de reforçar políticas de energia limpa e abertura do Brasil a imigrantes

    O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, reforçou a defesa do multilateralismo ao participar da inauguração do estande brasileiro na Feira Industrial de Hannover, na Alemanha, nesta segunda-feira (20). Ao lado do chanceler alemão, Friedrich Merz, Lula afirmou que o mundo vive um momento “conflagrado”, em que “o multilateralismo está sendo destruído” por uma “tentativa de introdução do unilateralismo”.

    Segundo ele, a “harmonia constituída depois da Segunda Guerra Mundial para estabelecer a paz entre os países está sendo jogada fora”.

    “Não é possível que a gente não tenha noção de que precisamos mudar essa situação mundial”, disse Lula, ao fazer um apelo “para todos aqueles que defendem o multilateralismo, para todos aqueles que não querem guerra, para todos aqueles que querem paz, para todos aqueles que querem construir e não destruir, para todos aqueles que querem defender a vida e não defender a morte, para todos aqueles que pensam no futuro da humanidade”. “Vejam que eu falei humanidade humana, porque a humanidade está virando algoritmo”, acrescentou o presidente. Durante o discurso, ele não mencionou os Estados Unidos nem o presidente Donald Trump.

    Relação Brasil-Alemanha

    Lula afirmou que a relação entre Brasil e Alemanha “nunca mais será a mesma” após a feira e disse que outros países terão “inveja” da parceria entre as duas nações.

    “Temos muito interesse em fazer com que a nossa aliança com a Europa e, sobretudo, com a Alemanha, seja cada vez mais produtiva, mais eficaz e capaz de proporcionar ao povo alemão e ao povo brasileiro a perspectiva de um futuro mais promissor”, declarou.

    Transição energética

    O presidente também destacou a política energética brasileira, mencionando o uso de biocombustíveis. “Nós temos 30% de etanol misturado à nossa gasolina e 15% de biodiesel misturado ao nosso diesel.”

    Processos migratórios

    Lula ainda ressaltou a importância da imigração e afirmou que o Brasil está aberto a quem defende a democracia e o multilateralismo. “Um país criado por imigrantes.”

    Lula diz, na Alemanha, que o multilateralismo está sendo destruído

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  • Secretaria da gestão Tarcísio não sabe onde foram parar R$ 23 milhões em materiais

    Secretaria da gestão Tarcísio não sabe onde foram parar R$ 23 milhões em materiais

    Inventário revela diferença milionária entre compras e estoque na Secretaria de Esportes de São Paulo. Parte dos materiais foi localizada ou doada, mas cerca de R$ 23 milhões seguem sem destino identificado, e governo promete apuração e reforço nos controles

    (CBS NEWS) – A Secretaria de Esportes da gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) não sabe onde foram parar R$ 23 milhões em materiais adquiridos pela pasta. O rombo foi identificado após a realização de um inventário do almoxarifado, requerido pelo TCE (Tribunal de Contas do Estado) de São Paulo.

    A comissão de inventário identificou notas de empenho referentes a compras de materiais que correspondem a R$ 51,5 milhões. Os itens armazenados nas dependências da secretaria, porém, somam apenas R$ 16,7 milhões.

    A pasta se mobilizou para tentar dar conta da diferença, e localizou o destino de mais R$ 11,5 milhões -parte dos materiais havia sido doada. Ainda assim, o restante dos itens não foi identificado.

    Procurada pela reportagem, a secretaria afirmou que determinou “a implementação de medidas aprimoradas de controle, rastreamento e gestão patrimonial”. “A Secretaria de Esportes reafirma seu compromisso com a correta aplicação dos recursos públicos e com a transparência de suas ações”, disse nota do órgão.

    A pasta afirmou que estava sendo produzido “um relatório de análise preliminar que subsidiará” instauração de sindicância.

    Vitor Schirato, professor de direito administrativo na Faculdade de Direito da USP, diz que, em um caso como esse, uma sindicância deveria ser aberta na hora. “Imagina uma empresa privada com uma diferença de estoque de milhões. Põe metade da empresa na rua no dia seguinte.”

    Schirato diz que a sindicância não serve, necessariamente, para punir o servidor público, mas para esclarecer os fatos.

    No início de 2025, durante exame da prestação de contas da pasta referente ao ano anterior, o TCE-SP identificou uma divergência no saldo do almoxarifado entre o valor apresentado pela secretaria e o registrado no Siafem, uma ferramenta de controle orçamentário.

    A equipe de fiscalização do tribunal também ressaltou em relatório que não havia controle de estoque que permitisse a elaboração de um inventário físico, contrariando a legislação.

    No fim do ano, o conselheiro Sidney Estanislau Beraldo votou pela aprovação do balanço geral, indicando a adoção de medidas corretivas.

    Em abril do ano passado, depois da fiscalização do TCE, a então secretária da pasta, coronel Helena Reis (PSD), determinou a criação de uma comissão de inventário para levantar os materiais existentes no estoque.

    A reportagem obteve os documentos relacionados a esse caso via Lei de Acesso à Informação.

    Em junho, o servidor Sergio Soares, coordenador da comissão, indicou no termo de inventário a discrepância de R$ 34,7 milhões entre os materiais encontrados “in loco” em três endereços relacionados à secretaria e o valor contábil identificado nas notas de empenho.

    A comissão registrou “falta de zelo” e desorganização no armazenamento dos itens. Imagens anexadas ao termo de inventário mostram caixotes de papelão abertos, empilhados uns sobre os outros.

    O grupo também não localizou “nenhuma forma de controle de estoque físico e contábil do material”.

    A comissão chegou a pedir que a coordenadoria geral, a chefia de gabinete e a divisão de administração da secretaria encaminhassem recibos de materiais que tivessem sido doados, mas apenas uma servidora respondeu ao requerimento.

    Em julho, o então secretário-executivo José Ribeiro Lemos Junior requeriu ao subsecretário de gestão corporativa, Marcelo Nanya, e ao coordenador geral de esportes, Carlos Henrique Araujo, a adoção de sete providências “com máxima prioridade e diligência” para regularizar as falhas apontadas.

    Lemos também ordenou a apresentação de um plano de ação detalhado para a execução das providências mencionadas, o que não foi cumprido. Em outubro, o secretário-executivo determinou a criação de uma equipe de trabalho para apurar o rombo de R$ 34,7 milhões.

    “Caso não seja comprovada por meio de recibo a entrega de algum material (…), o valor remanescente do material esportivo será objeto de apuração preliminar”, escreveu.

    Em dezembro, Nanya informou a Lemos sobre a localização de materiais que somavam R$ 11,5 milhões. Parte correspondia a itens doados e parte a “materiais de consumo vinculados à coordenadoria geral”, relacionados a jogos e competições.

    Questionada pela reportagem sobre quais foram os beneficiários das doações, a pasta respondeu que os itens “são destinados a escolas, entidades, municípios e nas competições esportivas previstas no calendário da pasta”. “Os materiais são distribuídos mediante solicitação formal, realizada por meio de ofício.”

    No despacho encaminhado ao então secretário-executivo, Nanya disse que houve dificuldades na fase de levantamento documental, “especialmente quanto à identificação, correlação e vinculação entre materiais físicos, registros de estoque e respectivas notas de empenho”.

    Ele também afirmou que novos recibos e documentos localizados após a primeira fase de baixas financeiras estavam sendo organizados. Disse ainda que estava em andamento nova contagem dos materiais físicos.

    Nanya argumentou que, por esses motivos, o valor restante de R$ 23 milhões em materiais não localizados não poderia ser considerado para fins de apuração.

    No início de 2026, Lemos foi exonerado a pedido da secretária Helena Reis -segundo pessoas ouvidas pela reportagem sob reserva, incomodava a pressão que ele fazia pela abertura de apurações. Nanya também foi exonerado na mesma época.

    Após a publicação da reportagem, a secretaria da gestão Tarcísio acrescentou que “prossegue com a apuração” para “verificar as inconsistências entre registros contábeis e o estoque físico de materiais” e disse que “colabora integralmente com os órgãos de controle e fiscalização, com avaliação rigorosa das recomendações para que todas as etapas dos processos sejam conduzidas com severidade e transparência”.

    “A pasta não compactua com desvios de conduta e todas as providências cabíveis estão sendo tomadas. Os procedimentos administrativos de controle interno estão sendo estruturados, revisados e aprimorados, com ênfase na gestão e fiscalização dos contratos.”

    Secretaria da gestão Tarcísio não sabe onde foram parar R$ 23 milhões em materiais

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  • Motta e mais 6 deputados controlam R$ 1,5 bilhão em emendas antes secretas

    Motta e mais 6 deputados controlam R$ 1,5 bilhão em emendas antes secretas

    Grupo de sete deputados concentrou um quinto das emendas de comissão, enquanto maioria dos parlamentares ficou com valores bem menores. Distribuição desigual gera críticas e levanta questionamentos sobre influência política e transparência no uso dos recursos.

    (CBS NEWS) – O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e mais seis deputados concentraram no ano passado a indicação de R$ 1,5 bilhão em emendas de comissão ao Orçamento, verba distribuída pelos colegiados temáticos do Congresso.

    Os R$ 6 bilhões restantes desse tipo de recurso foram partilhados por outros 423 deputados, enquanto 83 parlamentares não indicaram nenhum valor em 2025 de forma oficial -eles podem ter sido contemplados pelo envio de verbas em nome da liderança dos seus partidos.

    Essas verbas são sugeridas ao governo pelas comissões do Congresso, com a indicação de como e onde o dinheiro deve ser gasto. O Executivo tem o poder discricionário de não executar os recursos, mas não pode remanejá-los para outras áreas de seu interesse.

    Essas emendas eram secretas até 2024, sem que o nome do padrinho político responsável pela indicação da verba fosse divulgado. Isso mudou em 2025, após decisões do STF (Supremo Tribunal Federal), o que permitiu verificar os valores encaminhados por cada parlamentar.

    O levantamento feito pela reportagem nas atas do Congresso mostra que esse pequeno grupo de sete políticos detém o controle de uma fatia desproporcional deste orçamento: um quinto do total de R$ 7,5 bilhões repassado pelas comissões da Câmara em 2025 para ações nas bases eleitorais.

    O deputado federal que, sozinho, mais indicou emendas de comissão em 2025 foi Julio Arcoverde (PP-PI), com R$ 244,3 milhões. Ele presidiu a CMO (Comissão Mista de Orçamento) do Congresso, responsável por votar os projetos de lei orçamentários.

    “Todas foram destinadas de forma legal e transparente ao estado do Piauí, com investimentos em infraestrutura, saúde e apoio aos municípios, gerando obras e benefícios diretos para a população, sem qualquer irregularidade. Assim, o deputado Julio Arcoverde cumpre a sua missão de viabilizar mais recursos para o desenvolvimento econômico e social do Piauí”, afirmou ele em nota de sua assessoria.

    O segundo é Hugo Motta, com R$ 180,5 milhões. Quase metade deste valor foi repassado a cidades cujo prefeito declarou publicamente apoio à pré-candidatura ao Senado de Nabor Wanderley, pai do presidente da Câmara. Ao anunciar que renunciaria à Prefeitura de Patos (PB), Nabor disse à imprensa local que espera contar com o apoio de 150 dos 223 prefeitos da Paraíba para ser eleito.

    Motta afirmou que a indicação respeita rigorosamente um acordo entre os três Poderes. “No âmbito dos partidos, a divisão dos valores das emendas segue os critérios adotados pelas lideranças, seguindo o número de deputados, e a destinação dos recursos tem como prioridade áreas estratégicas e estruturantes para os municípios brasileiros, como saúde e infraestrutura”, disse.

    Logo depois de Motta está o presidente de seu partido, Marcos Pereira (Republicanos-SP), com R$ 138,2 milhões. “Historicamente, presidentes de partidos e líderes acabam por ter um pouco mais de recursos para indicar. Não é uma particularidade minha”, afirmou. Ele disse que sempre deu transparência às verbas em seu site. “Para mim, nunca foi um orçamento secreto, faço questão de divulgar.”

    Os líderes de quatro partidos políticos (PP, União Brasil, Republicanos e PL) constam como responsáveis por indicar outros valores, que somam mais de R$ 930 milhões.

    Neste caso, o formato pode ser usado para ocultar o real padrinho da verba, uma vez que consta apenas o nome da liderança do partido na Câmara, o que contraria decisão do ministro Flávio Dino, do STF, para que fosse dada transparência sobre o real autor, como revelou a Folha de S. Paulo em dezembro.

    Na média, os outros mais de 400 parlamentares puderam repassar R$ 14 milhões cada. A maioria dos integrantes da oposição não recebeu recursos, com exceção de parlamentares do PL em postos-chave, como a presidência da Comissão de Saúde ou a liderança da sigla. Essas verbas são indicadas pelo Congresso, mas a decisão de quitá-las é discricionária do governo federal.

    Parlamentares ouvidos sob condição de anonimato afirmam que houve acordo entre as lideranças partidárias para que cada deputado da base aliada ao governo pudesse indicar o destino de pouco mais de R$ 10 milhões das emendas das comissões.

    Eles admitem que era esperado que houvesse alguma diferença no valor, privilegiando nomes de protagonismo e peso político, como os presidentes dos colegiados ou líderes dos partidos, mas que essa diferença deveria estar na casa das dezenas de milhões.

    O que o levantamento revela, porém, é que apenas um pequeno grupo de sete deputados, entre eles o presidente da Câmara, teve direito de indicar mais de R$ 100 milhões. Nenhum dos outros mais de 400 repassou mais do que R$ 80 milhões.

    Deputados ouvidos pela reportagem reclamam que a disparidade na divisão das emendas é injusta, desrespeita o acordo feito na Casa e privilegia um grupo com uma quantidade de dinheiro que deve ser decisiva nas eleições de 2026. A diferença não foi percebida de pronto, afirmam, porque a votação das verbas ocorreu de forma fragmentada ao longo do ano, em diversas comissões.

    Além das emendas de comissão, há ainda emendas parlamentares individuais, com valor igual para todos os deputados, e de bancadas estaduais, para obras e projetos estruturantes.

    No final de 2024, Dino iniciou uma ofensiva contra a falta de transparência e desvios de recursos com as emendas parlamentares ao Orçamento. O modelo surgiu com a emenda de relator e foi replicado com a emenda de comissão após o STF declarar a primeira inconstitucional.

    Os três Poderes negociaram um acordo no qual as indicações feitas pelas comissões, que até então não precisavam revelar o deputado que era padrinho da emenda, deveriam passar a ser aprovadas em ata por todo o colegiado, deixando explícito quem era o autor da indicação e como a verba será usada.

    Como revelou a Folha de S. Paulo, porém, os parlamentares driblam essa determinação assinando a autoria em nome da própria liderança partidária, não de um deputado específico. Em 2025, por exemplo, R$ 1,1 bilhão foi indicado desta forma, de acordo com as atas das comissões.

    No grupo privilegiado com uma parcela desproporcionalmente maior dos recursos estão quatro lideranças de partidos: do PP, que distribuiu cerca de R$ 358 milhões desta forma; do União Brasil, com R$ 266 milhões; do Republicanos de Motta, com R$ 201 milhões; e do PL, com R$ 113 milhões (valor usado pelos deputados de oposição para esconder negociações com o governo).

    Motta e mais 6 deputados controlam R$ 1,5 bilhão em emendas antes secretas

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  • Lula chega à Alemanha, que quer muito negociar com o Brasil

    Lula chega à Alemanha, que quer muito negociar com o Brasil

    Acompanhado de seis ministros, empresários e até líderes sindicais, Lula será recebido à tarde com honras militares no Palácio Herrenhausen, em Hannover, discursará em evento que abre oficialmente a feira e terá um jantar privado com o premiê.

    JOSÉ HENRIQUE MARIANTE
    HANNOVER (ALEMANHA (CBS NEWS) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou à Alemanha, na manhã deste domingo (19), como convidado principal da Hannover Messe, a maior feira industrial do mundo, que neste ano tem o Brasil como país homenageado. Lula cumprirá dois dias de agenda intensa ao lado de Friedrich Merz, primeiro-ministro alemão.

    Acompanhado de seis ministros, empresários e até líderes sindicais, Lula será recebido à tarde com honras militares no Palácio Herrenhausen, em Hannover, discursará em evento que abre oficialmente a feira e terá um jantar privado com o premiê.

    Na segunda-feira (20), além de cumprir o tour inicial da exposição ao lado de Merz, uma tradição em Hannover, abrirá a 42ª edição do Encontro Econômico Brasil-Alemanha, que reúne empresários dos dois países, e, na sequência, a terceira reunião de Consultas Intergovernamentais de Alto Nível.

    Esse mecanismo, que prevê encontros de ministros e assessores dos dois governos em diversas áreas, é mantido pela Alemanha com menos dez países. O Brasil, inclusive, é a única nação latino-americana a dispor dele.

    A expectativa é de anúncio de acordos em áreas como energia, serviços digitais, meio ambiente e recursos naturais. Ambientalistas esperam que Lula peça que a Alemanha triplique sua contribuição de EUR 1 bilhão no Fundo Florestas para Sempre (TFFF), e entidades industriais aguardam entendimentos estratégicos em áreas mais sensíveis, como armamentos e minerais críticos.

    Em Barcelona, etapa inicial da visita presidencial à Europa, Brasil e Espanha assinaram 15 acordos de cooperação, incluindo minerais críticos, gargalo mundial, mas sobretudo na indústria europeia. Empresários com trânsito entre os dois países esperam que a posição política cada vez mais independente da Alemanha em relação aos EUA contribua para uma aproximação ainda mais intensa com o Brasil.

    A Alemanha é o quarto maior parceiro comercial do Brasil, com US$ 20,9 bilhões de comércio corrente no ano passado. A entrada em vigor do acordo União Europeia-Mercosul também é vista como um catalisador de negócios pelas duas nações, as maiores economias e principais defensores do tratado nos respectivos blocos.

    Na Hannover Messe, o Brasil terá seis pavilhões, ocupados por mais de 140 empresas e startups do país. Ao menos 800 executivos brasileiros comparecem ao evento, que exibirá de caminhões movidos a biocombustível a pequenas empresas de serviços digitais.

    Também na segunda, Lula fará uma visita à sede da Volkswagen, em Wolfsburg, acompanhado de líderes sindicais do ABC, Taubaté e Curitiba, locais das fábricas da empresa alemã no Brasil. Nos anos 1970, então principal dirigente sindical do país, Lula liderou diversas greves e negociações salariais na sede brasileira da Volkswagen, em São Bernardo.

    No dia seguinte, o presidente faz uma escala em Lisboa, antes de regressar ao Brasil. Na capital portuguesa, se encontrará com o primeiro-ministro, Luís Montenegro, e o novo presidente do país, António José Seguro.

    A imprensa alemã destaca a importância da visita para a economia alemã, voltada para exportação e que vive uma crise sem precedentes com o tarifaço de Donald Trump e a concorrência comercial e tecnológica com a China.

    Destacam também o desejo expresso por Lula de comer um sanduíche de Wurst, o típico salsichão alemão, em um quiosque de rua. Foi assim que o presidente brasileiro explicou em entrevista à revista Der Spiegel seu convite para Merz comer em botecos de Belém.

    No ano passado, o premiê viralizou ao fazer comentário depreciativo sobre a capital paraense depois de sua participação na COP30. Os dois líderes minimizaram o assunto pouco depois, em um encontro do G20 na África do Sul.

    Lula chega à Alemanha, que quer muito negociar com o Brasil

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  • Lula intensifica agenda voltada às mulheres para evitar perda de apoio feminino

    Lula intensifica agenda voltada às mulheres para evitar perda de apoio feminino

    Somente nesses primeiros meses do ano, o petista se envolveu em mais de dez ações voltadas a esse segmento, entre seminários, cerimônias e publicação de medidas em benefício às mulheres -sempre acompanhado da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja.

    MARIANA BRASIL
    BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – O presidente Lula (PT) intensificou agendas voltadas às mulheres nos últimos meses, em um gesto voltado ao eleitorado feminino, entre o qual perdeu vantagem nas mais recentes pesquisas de intenção de voto.

    Somente nesses primeiros meses do ano, o petista se envolveu em mais de dez ações voltadas a esse segmento, entre seminários, cerimônias e publicação de medidas em benefício às mulheres -sempre acompanhado da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja.

    Segundo auxiliares do Planalto, a esposa do presidente teve forte influência na ampliação da presença do tema na agenda presidencial e nos discursos de Lula.

    Entre os episódios mais recentes dessa influência esteve a realização do evento Pacto contra o Feminicídio, firmado entre os três Poderes logo após a repercussão de uma série de crimes dessa natureza no país.

    A pesquisa Datafolha mais recente mostrou que Lula perdeu a vantagem que tinha no público feminino.

    No levantamento de março, em um cenário de segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o presidente tinha o apoio de 50% das mulheres, contra 37% de Flávio.

    Em abril, a diferença de 13 pontos virou empate técnico, com 47% dos votos nesse segmento para o petista contra 43% do filho de Jair Bolsonaro (PL) -a margem de erro é de três pontos percentuais nesse estrato.

    As ações de Lula para atrair a simpatia desse eleitorado ocorrem em um mandato marcado por uma sequência de declarações machistas do presidente.

    Em abril do ano passado, por exemplo, ele chamou a diretora-geral do FMI (Fundo Monetário Internacional), Kristalina Georgieva, de “mulherzinha” e, no mês anterior, disse ter nomeado uma “mulher bonita” (Gleisi Hoffmann) no ministério para “melhorar a relação” com o Congresso.

    A frequência de agendas com temas voltados ao grupo feminino aumentou a partir do segundo semestre do ano passado.

    No período, foram sancionadas mais de cinco leis com benefício direto ou indireto a esse público, incluindo um pacote com três projetos relativos à violência contra a mulher. Os textos preveem, entre outras medidas, o uso imediato de tornozeleira eletrônica para agressores e a tipificação do crime de vicaricídio (assassinato de filhos ou parentes como parte da violência doméstica).

    Além disso, o governo publicou em fevereiro decreto que aprimora o funcionamento do Ligue 180, número de telefone voltado a denúncias, e instituiu o dia 17 de outubro como o Dia Nacional de Luto e de Memória às Mulheres Vítimas de Feminicídio.

    Neste mês, Lula sancionou a regulamentação da profissão de doula, responsável por acompanhar gestações e partos.

    O Planalto também promoveu um seminário para servidores da Presidência contra o feminicídio, em fevereiro. Organizado pelo chamado Conselhão, órgão vinculado à Secretaria de Relações Institucionais, o evento separou um salão para mulheres e outro para homens. Janja e Lula participaram assistindo às palestras em seus respectivos grupos.

    O petista buscou também dar ênfase à presença de mulheres no esporte com alguns eventos e ações da área. Uma delas foi o encaminhamento ao Congresso de um projeto de lei com medidas relativas à realização da Copa do Mundo Feminina da Fifa 2027 no Brasil.

    Ao receber campeões mundiais de futebol no Planalto, como parte da cerimônia do Tour da Taça da Copa do Mundo, o plano inicial também era receber o troféu da Copa Feminina, o que não ocorreu. Segundo informou a organização na época, por problemas de logística, o item não chegou a tempo.

    Lula também passou a incluir o tema da violência contra a mulher em quase todos os seus discursos. A influência de Janja, por sua vez, foi igualmente verbalizada pelo presidente em mais de uma ocasião.

    “Eu acordei domingo para tomar café e no café a Janja começou a chorar. De noite, vendo o Fantástico, a Janja voltou a chorar. Ontem, ela voltou a chorar. E hoje, no avião, ela pediu para mim: ‘Assuma a responsabilidade de uma luta mais dura contra a violência do homem contra a mulher no planeta Terra’”, declarou durante evento em Pernambuco, em dezembro do ano passado.

    Apesar dos eventos e medidas voltadas às mulheres, o ministério de Lula é majoritariamente composto por homens.

    Após a saída dos ministros e ministras para disputarem as eleições, a participação das mulheres foi ainda mais reduzida -de 10 para 8, entre as 38 pastas.

    Quatro foram substituídas por homens, com Bruno Moretti no lugar de Simone Tebet no Planejamento, João Paulo Capobianco no de Marina Silva em Meio Ambiente, José Guimarães no de Gleisi Hoffmann em Relações Institucionais e Eloy Terena no de Sônia Guajajara em duas Povos Indígenas).

    Em outras duas pastas, mulheres assumiram o lugar de ministros: Miriam Belchior no lugar de Rui Costa na Casa Civil, e Fernanda Machiaveli no de Paulo Texeira no Desenvolvimento Agrário.

    A pauta da inclusão das mulheres também rondou o entorno de Lula quando setores da sociedade cobraram do presidente a indicação de uma ministra para o STF (Supremo Tribunal Federal). O petista, no entanto, optou por homens nas duas indicações que fez para a corte.

    Lula intensifica agenda voltada às mulheres para evitar perda de apoio feminino

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  • Empresa de Marçal repassou R$ 4,4 mi a Mc Ryan, diz PF

    Empresa de Marçal repassou R$ 4,4 mi a Mc Ryan, diz PF

    O valor teria sido depositado na conta do funkeiro pela venda de um helicóptero Robinson R66 Turbine. Ao Estadão, a assessoria de Marçal confirmou a transação, mas negou que o montante se referisse à aeronave e afirmou que o pagamento diz respeito à aquisição de parte de um imóvel feito pelo coach.

    Uma empresa pertencente ao ex-candidato à Prefeitura de São Paulo Pablo Marçal (União Brasil) transferiu R$ 4,4 milhões para uma conta pessoal do MC Ryan, acusado pela Polícia Federal (PF) de liderar uma engrenagem de ocultação e lavagem de bens à disposição do tráfico internacional de drogas do Primeiro Comando da Capital (PCC).

    O valor teria sido depositado na conta do funkeiro pela venda de um helicóptero Robinson R66 Turbine. Ao Estadão, a assessoria de Marçal confirmou a transação, mas negou que o montante se referisse à aeronave e afirmou que o pagamento diz respeito à aquisição de parte de um imóvel feito pelo coach.

    Apoiador da candidatura de Pablo Marçal à Prefeitura em 2024, Ryan foi alvo da Operação Narco Fluxo, deflagrada pela PF na quarta-feira, dia 15, quando foi preso sob suspeita de liderar um esquema de lavagem de dinheiro do tráfico internacional por meio de rifas e bets ilegais, além de atividades ligadas à produção musical e entretenimento.

    Origem

    A defesa de Ryan informou que todos os valores que transitam nas contas do funkeiro \”possuem origem devidamente comprovada, sendo submetidos a rigoroso controle e ao regular recolhimento de tributos\”.

    Na representação da PF que embasou a Operação Narco Fluxo, os investigadores destacam créditos da empresa R66 Air Ltda., que enviou R$ 4,4 milhões à pessoa física de MC Ryan. O quadro societário da companhia é composto pelo coach Pablo Marçal.

    Segundo a apuração, o capital social da empresa é compatível com o valor de mercado de um helicóptero Robinson R66 Turbine, o que levanta a hipótese de que a transação esteja ligada à negociação da aeronave.

    A rede de bets e rifas ilegais usada para lavar dinheiro do tráfico estruturou, segundo a investigação, \”empresas de prateleira\” e chegou a firmar contratos com fintechs investigadas nas Operações Compliance Zero, que atinge o Banco Master, e Sem Desconto, que apura um esquema bilionário de fraudes no INSS, que lesou milhares de aposentados e de pensionistas. O esquema da Narco Fluxo movimentou R$ 1,6 bilhão para o crime organizado, segundo a Polícia Federal, e tinha como operador-chave o contador Rodrigo Morgado, preso desde outubro de 2025 sob suspeita de prestar assessoria financeira ao Primeiro Comando da Capital.

    A defesa de Morgado afirma que ele \”é profissional da área contábil, atuando estritamente dentro dos limites legais de sua profissão, não tendo qualquer envolvimento com atividades ilícitas\”. Durante a Narco Fluxo, os federais cumpriram 45 mandados de busca e apreensão. Dos 39 mandados de prisão temporária expedidos, 33 foram executados.

    As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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  • Moraes vota para condenar Eduardo Bolsonaro por difamação

    Moraes vota para condenar Eduardo Bolsonaro por difamação

    Moraes é o relator da ação penal que está em julgamento e entendeu que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro deve ser condenado a um ano de prisão em regime aberto. O caso é julgado pelo plenário virtual do Supremo.

    O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou nesta sexta-feira (17) para condenar o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por difamação contra a deputada Tábata Amaral (PSB-SP).

    Moraes é o relator da ação penal que está em julgamento e entendeu que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro deve ser condenado a um ano de prisão em regime aberto. O caso é julgado pelo plenário virtual do Supremo.

    O processo foi movido contra Eduardo Bolsonaro após uma postagem nas redes sociais.

     

    Em 2021, ele escreveu que o projeto de lei proposto pela parlamentar para garantir a distribuição gratuita de absorventes íntimos para a população teria o objetivo de atender interesses empresariais de “seu mentor-patrocinador Jorge Paulo Lemann”, acionista de uma companhia que fabrica produtos de higiene pessoal.

    Ao votar pela condenação, Moraes entendeu que ficou configurada a difamação contra a deputada.

    “A divulgação realizada pelo réu revela o meio de ardil por ele empregado, cujo objetivo foi tão somente atingir a honra da autora, tanto na esfera pública, na condição de agente política, como em sua vida privada, uma vez que o alcance proporcionado pela Internet, como é sabido, é gigantesco e tem enorme poder de proliferação”, afirmou.

    A votação eletrônica ficará aberta até o dia 28 de abril. Faltam os votos de nove ministros.

    Durante a tramitação do processo, a defesa de Eduardo Bolsonaro disse que as declarações foram feitas no âmbito da imunidade parlamentar.

    O ex-deputado está nos Estados Unidos desde o ano passado e perdeu o mandato por acumular faltas às sessões da Câmara dos Deputados.

    Moraes vota para condenar Eduardo Bolsonaro por difamação

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  • Motta diz que apoia derrubada de vetos de Lula ao projeto da redução de penas do 8/1

    Motta diz que apoia derrubada de vetos de Lula ao projeto da redução de penas do 8/1

    Presidente da Câmara deu declarações em entrevista à GloboNews na manhã desta sexta-feira (17); sessão de análise do veto à dosimetria está marcada para 30 de abril

    BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nesta sexta-feira (17) que espera que o veto do presidente Lula (PT) ao projeto de lei que diminui as penas dos condenados por golpe de Estado seja derrubado. Isso pode levar à diminuição das penas do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), hoje em prisão domiciliar.

    A afirmação foi feita em entrevista à GloboNews nesta manhã. Para Motta, a derrubada do veto é necessária “para que justamente possamos virar essa página, esse capítulo triste da história do nosso país”.

    A sessão que analisará os vetos ao projeto da dosimetria foi marcada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para quinta-feira (30), após pressão dos bolsonaristas.

    O projeto da dosimetria foi aprovado pelo Congresso Nacional em dezembro. A proposta diz que as penas pelos crimes de golpe de Estado e abolição violenta do Estado democrático de Direito não devem ser aplicadas de forma cumulativa quando inseridas no mesmo contexto. O texto diz que deve ser aplicada a pena mais grave entre os dois, aumentando a punição de um sexto à metade.

    O texto prevê ainda redução de pena de um a dois terços para os crimes de tentativa de golpe ou abolição quando eles tiverem sido praticados em contexto de multidão. Além disso, fixa o menor tempo possível de cumprimento da pena para progressão de regime para esses crimes, um sexto, independentemente de reincidência ou do uso de violência ou grave ameaça.

    O projeto reduz tanto as penas totais quanto o tempo mínimo em regime fechado de condenados da trama golpista e do 8 de Janeiro. A proposta pode reduzir o tempo de Jair Bolsonaro em regime fechado do intervalo atual de 6 a 8 anos para algo entre 2 anos e 4 meses e 4 anos e 2 meses, a depender da interpretação.

    No início deste ano, entretanto, Lula vetou integralmente o texto, cabendo ao Congresso avaliar os vetos.

    A análise tardou a ser marcada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), pois a abertura da sessão também levará, de acordo com o regimento interno, à leitura do requerimento que instala a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) mista do Banco Master. Alcolumbre disse a aliados que era contrário à instauração.

    Para Motta, o projeto da dosimetria distensiona as relações entre Congresso e STF (Supremo Tribunal Federal), pois haveria um “consenso na sociedade” de que algumas penas foram dadas “de forma exagerada”.

    “Essa condição construída por nós na Câmara dos Deputados e amplamente aprovada e concordada pelo Senado Federal, que foi vetada pelo presidente da República, dá ao próprio Poder Judiciário a condição de, obedecendo aos pedidos dessas pessoas que estão sendo julgadas, outras que já foram condenadas, de poder revisar essas penas e conceder uma possível redução dessas penas, o que na minha avaliação culminaria na liberação de praticamente todas as pessoas que ainda estão presas devido ao 8 de janeiro”, explicou à GloboNews.

    Ele avalia que o tema gerou uma “crise institucional”, que “se alongou demais”.

    “Ao longo do ano de 2025 a principal matéria que pautou as discussões, os momentos de tensão dentro do Congresso, foi em torno dessa anistia, que a Câmara e o Senado não concordaram com a anistia ampla, geral e irrestrita. (…) Na minha avaliação nós poderíamos já ter resolvido esse problema se não fosse o veto do presidente da República, que será agora analisado pelo Congresso”.

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