Categoria: POLÍTICA

  • França sugere Tebet ou Marina como vice para resolver impasse na chapa de Haddad em SP

    França sugere Tebet ou Marina como vice para resolver impasse na chapa de Haddad em SP

    Ex-ministro defende chapa com vice mulher para equilibrar disputa em São Paulo e destravar impasse na formação do grupo de Haddad; Tebet descarta vice, enquanto Marina ainda não se posicionou publicamente sobre o convite

    Pré-candidato ao Senado, o ex-ministro Márcio França sugeriu, nesta quarta-feira (7), que Simone Tebet (PSB) ou Marina Silva (Rede) sejam indicadas como vice na chapa de Fernando Haddad (PT) ao governo de São Paulo. Na avaliação de França, a composição ajudaria a resolver o impasse na formação da chapa petista.

    França, Tebet e Marina disputam duas vagas ao Senado por São Paulo, enquanto Haddad ainda não definiu seu companheiro de chapa. O ex-prefeito chegou a sondar a pecuarista Teresa Vendramini, ex-presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), mas ela não pretende disputar as eleições.

    Em entrevista à RedeTV!, Márcio França afirmou que, ao comunicar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva sua intenção de concorrer ao Senado, ouviu do petista que gostaria de ver Tebet também na disputa pela Casa.

    “Daí surgiu a Marina. Como tem quatro pessoas e quatro vagas, isso precisa ser composto entre essas posições. A minha sugestão é ter um governador com uma vice-governadora e um senador com uma senadora. Isso equilibraria a chapa”, declarou.

    Questionado se isso significaria Marina ou Tebet como vice, respondeu: “Eu imagino que sim, mas a decisão é do Haddad”. Segundo França, não adianta falar em equilíbrio de gênero e não cumprir. “Do lado de lá, do Tarcísio, só tem homens”, acrescentou.

    O atual governador deve repetir a chapa com o vice Felício Ramuth (MDB), enquanto Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL) são cotados para disputar o Senado.

    Simone Tebet já descartou a possibilidade de ser vice. Segundo a ex-ministra do Planejamento, ela pretende concorrer ao Senado ou ficar fora da disputa. Marina Silva ainda não se posicionou publicamente sobre o tema, mas, no início da semana, rejeitou a hipótese de ser suplente de Tebet.

    Nos últimos dias, Márcio França chegou a dizer que aceitaria ser suplente de uma das duas. Na entrevista, afirmou que mantém a pré-candidatura e classificou a declaração como um “gesto gentil”.

    “Tanto a Marina quanto a Simone são muito preparadas, são mulheres, ministras, já disputaram a Presidência. Naturalmente, você pode fazer esse gesto: ‘eu aceito ser suplente de quem aceita ser meu suplente’. É normal”, concluiu.

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  • Com tarifas, guerra, Copa e 'amor à primeira vista', entenda a reunião de Lula e Trump

    Com tarifas, guerra, Copa e 'amor à primeira vista', entenda a reunião de Lula e Trump

    Encontro de três horas na Casa Branca abordou segurança, comércio, tecnologia e minerais estratégicos; Lula apontou divergências com Trump sobre tarifas, mas destacou clima positivo, defesa da soberania brasileira e proposta de cooperação no combate ao crime organizado

    (CBS NEWS) – Os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e dos Estados Unidos, Donald Trump, reuniram-se nesta quinta-feira (7) na Casa Branca. Durante três horas, os chefes de Estado falaram sobre combate ao crime organizado, tarifas, minerais críticos e relação das big techs.

    A avaliação de ministros presentes foi de que a reunião foi positiva e um sucesso. “Saio satisfeito da reunião. Não tenho assunto proibido. A única coisa que não abrimos mão é da nossa democracia e da nossa soberania. O resto é tudo discutível”, disse Lula em entrevista coletiva na embaixada brasileira depois de deixar a Casa Branca.

    Veja, a seguir o principais pontos da reunião, segundo o presidente brasileiro.

    CRIME ORGANIZADO

    Um dos principais objetivos do governo brasileiro era entregar uma proposta referente ao combate ao crime organizado entre os países. A proposta, que visa cooperação em segurança pública e inclui colaboração no combate ao tráfico de armas e lavagem de dinheiro, foi entregue em inglês a Trump.
    “Ele disse que ia ler a proposta à noite”, disse Lula.

    Um dos temores do governo brasileiro é que os EUA designem as facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como terroristas. Segundo Lula, no entanto, essa designação não foi tratada durante a reunião bilateral.

    TARIFAS

    Apesar do tom positivo e, em alguns momentos, descontraído da reunião, houve episódios de tensão. Lula afirmou que ficaram evidentes divergências entre os dois governos. Entre eles, sobre tarifas. “Tem uma divergência entre eles e nós que ficou explicitada na reunião. O ministro dele falou uma coisa, os nossos ministros falaram outra”, disse.

    “O Brasil teve um déficit de US$ 14 bilhões com os Estados Unidos. Então, ele sempre acha que nós cobramos muito imposto. A média do imposto que nós cobramos é 2,7%”, afirmou Lula, contestando o argumento de Trump de que haveria um desequilíbrio favorável ao Brasil na relação comercial.

    Diante do impasse, Lula disse ter proposto a criação do grupo de trabalho. “Eu falei assim: vamos fazer o seguinte, vamos colocar um grupo de trabalho e vamos permitir que esse moço da Indústria e Comércio do Brasil, junto com o teu moço do Comércio, em 30 dias, apresente para nós uma proposta para a gente poder bater o martelo”, relatou.

    “Quem tiver errado vai ceder. Se a gente tiver que ceder, nós vamos ceder. Se vocês tiverem que ceder, vocês vão ter que ceder”, completou.

    ELEIÇÕES

    Lula reforçou que não considera “boa política” um presidente estrangeiro interferir em eleições de outros países, defendendo o respeito mútuo à soberania nacional. Declarou abertamente que não acredita em qualquer influência ou interferência de Trump nas eleições brasileiras, afirmando que “quem decide o destino do Brasil é o povo brasileiro”.

    “Não existe nenhuma possibilidade de eu discutir esse assunto com qualquer presidente do mundo. Isso é um assunto brasileiro, eles sabem disso. Meu respeito pelo presidente Trump é porque ele foi eleito pelo povo americano. Não cabe a mim questionar [isso].”

    VISTOS

    Lula afirmou ter entregado a Trump uma lista com nomes de autoridades brasileiras que estão proibidas de entrar nos EUA desde o ano passado. O documento inclui ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e até a filha de 10 anos do ministro Alexandre Padilha (Saúde).

    “Eu entreguei a lista porque eu já tinha entregado a lista uma vez e não foi resolvido o assunto”, afirmou Lula. “Se ele não resolver, quando eu me encontrar com ele outra vez, entrego outra vez. A gente vai entregando até um dia o cara tomar a decisão”.

    Lula mencionou ainda o PL da dosimetria, aprovado pelo Congresso, que altera o cálculo de penas e permite a redução de penalidades para condenados por tentativa de golpe do 8 de Janeiro. “Como foi aprovada a dosimetria no Congresso Nacional, vai diminuir a pena de todo mundo. Quem sabe o Trump reconheça a necessidade de liberar o visto dos brasileiros”.

    TERRAS RARAS

    Lula enfatizou que o Brasil não aceitará ser um “mero exportador” de minerais críticos. Ele destacou a aprovação de um novo marco regulatório que trata o setor como questão de soberania nacional, visando atrair investimentos para o refino e transformação interna. O presidente afirmou que não há exclusividade: o Brasil está aberto a parcerias com EUA, China, Alemanha, França e outros.

    BIG TECHS

    Em meio às tentativas do Brasil de regular o conteúdo nas redes sociais, taxá-las e cobrar responsabilidade sobre conteúdos de inteligência artificial, os EUA se mostram contrários.

    “[Os americanos] ficam achando que nós estamos proibindo as plataformas americanas de entrar no Brasil”, disse Lula, negando que haja proibição. “Entra qualquer plataforma de qualquer país do mundo no Brasil, [desde que] sob a regulamentação soberana do Brasil”.

    CUBA

    O brasileiro ofereceu-se para mediar conversas e criticou o bloqueio econômico histórico imposto por Washington a Havana. O governo Trump impôs maiores sanções à ilha nos últimos meses, causando constantes apagões no território. Segundo Lula, Trump sinalizou, via intérprete, que não pensa em invadir a ilha.

    “O que eu ouvi -não sei se a tradução foi exatamente correta- é que ele disse que não pensa em invadir Cuba. Isso foi transmitido pela intérprete e, na minha avaliação, é um sinal importante”, afirmou Lula. “Até porque Cuba quer dialogar, quer encontrar uma solução para pôr fim a um bloqueio que nunca permitiu ao país se desenvolver plenamente desde a vitória da Revolução, em 1959. Acho que é o bloqueio mais longevo da história contemporânea.”

    COPA DO MUNDO

    No que seria um momento de descontração que quebrou a formalidade da reunião de três horas, Lula disse ter brincado com Trump sobre a Copa do Mundo, pedindo ao líder americano que não anule os vistos dos jogadores da Seleção Brasileira.

    “Eu disse: ‘ó, eu espero que você não venha anular o visto dos jogadores brasileiros pra seleção. Por favor, não faça isso porque nós vamos vir aqui para ganhar a Copa do Mundo’”, disse Lula, que relatou que o republicano riu. “Ele riu porque agora ele vai rir sempre, e ele aprendeu que rir é muito bom.”

    LARANJA E AMOR À PRIMEIRA VISTA

    Durante o almoço realizado, que contou com um cardápio de salada e carne, Lula relatou um momento inusitado envolvendo o paladar de Trump. O presidente americano, segundo o brasileiro, “reclamou que não gosta de laranja na salada” e foi visto “tirando a laranja da salada” enquanto conversavam.

    Lula voltou a falar da “química” entre ele e Trump e classificou o vínculo como uma “relação sincera” e afirmou: “Sabe aquela história de amor à primeira vista? Aquele negócio da química? É isso que aconteceu.”

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  • Aliados de Flávio admitem desgaste com Ciro Nogueira e se dividem sobre reação

    Aliados de Flávio admitem desgaste com Ciro Nogueira e se dividem sobre reação

    Aliados de Flávio Bolsonaro avaliam que a operação da Polícia Federal contra o senador Ciro Nogueira pode afetar a direita na corrida presidencial, especialmente pela possibilidade de o PP ocupar a vaga de vice. Apesar disso, a estratégia é manter o senador distante do caso enquanto o cenário segue indefinido

    (CBS NEWS) – Integrantes da campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) admitem que a operação da Polícia Federal sobre o Banco Master que atingiu o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), tem efeito sobre a direita na disputa presidencial, dado que o partido é cotado para ocupar a vaga de vice na chapa e o político foi braço direito de Jair Bolsonaro (PL).

    A primeira avaliação da campanha, no entanto, foi a de que Flávio conseguiu se manter afastado até aqui e deve tentar permanecer preservado. Foi um acerto, dizem esses auxiliares, que a vaga de vice já não tenha sido anunciada para a federação PP-União Brasil, o que ampliaria o desgaste desta quinta-feira (7).

    A federação ainda não declarou apoio a Flávio, embora esse seja o caminho natural até as convenções, de acordo com quatro integrantes de PP e União Brasil.

    O posto de vice está vago, entre outros motivos, porque havia a expectativa de que o caso Master pudesse chegar a aliados importantes como Ciro Nogueira. Como mostrou a coluna Painel, há receio na campanha de Flávio de que o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, seja alvo das investigações.

    A orientação na equipe de Flávio é dar tempo para que os efeitos das apurações e da delação de Daniel Vorcaro possam ser medidos antes de definir se o PL fará coligação e com quais partidos. Na prática, o jogo segue em aberto, com a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) como possíveis vices.

    Seguindo a cautela pregada por seus aliados, Flávio inicialmente divulgou uma nota em que comenta a operação, mas não defende Ciro e evita se posicionar, aparentando um distanciamento.

    “O senador Flávio Bolsonaro acompanha com atenção e considera graves as informações divulgadas pela imprensa. Entendemos que fatos dessa natureza devem ser apurados com rigor e transparência pelas autoridades competentes, sempre com respeito ao devido processo legal. Confiamos na relatoria do caso Master, conduzida pelo ministro André Mendonça, e esperamos uma ampla apuração”, diz o texto.

    Depois, à noite, o senador divulgou um vídeo no qual defende a abertura da CPI do Master, cuja instalação foi travada pelo presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (Uniao Brasil-AP), em acordo com a oposição. Na gravação, ele busca associar o caso Master a aliados de Lula.

    “O Brasil merece saber toda a verdade. Como o banco cresceu, quem estava por trás e quais são as ligações do Master com a alta cúpula nacional do PT e da Bahia. Não podemos deixar que empurrem esse assunto para debaixo do tapete. CPI do Master já”, afirmou.

    Um dos líderes do centrão, Ciro adota uma linha pragmática. Ele já gravitou da base de apoio de governos petistas para a chefia da Casa Civil de Bolsonaro e tentou o apoio de Lula (PT) neste ano após fracassar na tentativa de ser vice do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) em uma possível chapa presidencial.

    Em março, durante entrevista a jornalistas no Piauí, Ciro chegou a dizer que renunciaria ao seu mandato se alguma denúncia em relação ao Master fosse comprovada.

    Caso outros políticos e partidos também sejam alvos de suspeitas graves como as de Ciro, que a PF acusa de ter recebido pagamentos mensais de Vorcaro para atuar a favor dos interesses do Master, a opinião de pessoas ao redor de Flávio é a de que seria possível ter o PP na vice, dado que o escândalo ficaria generalizado.

    Mas, se Ciro for o foco das investigações, como é o caso neste momento, há um cálculo em torno do nome de Tereza -que vem repetindo publicamente não ter interesse na vaga. Por um lado, bolsonaristas dizem que ela tem seu capital político preservado e independente do presidente do PP. Por outro, é certo que adversários a usariam para atingir Flávio.

    Integrantes e aliados do governo Lula buscam associar Flávio ao Master, tática reforçada após a operação. Mas a expectativa é que a tarefa de desgastar o bolsonarismo a partir das acusações contra o presidente do PP fique com ministros e congressistas.

    Nos EUA, ao ser questionado, o presidente evitou se aprofundar na investigação e, sem citar Ciro Nogueira nominalmente, disse esperar que todos os investigados sejam inocentes. “A Polícia Federal cumpriu uma decisão judicial. Eu espero que todas as pessoas investigadas sejam inocentes”, afirmou Lula.

    A nova operação mostra a intimidade do coração do governo Bolsonaro com o esquema do BolsoMaster”, disse o líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS). Ele defendeu a criação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) sobre o escândalo.

    Governistas dizem acreditar que a operação dificulta a aliança do PP com Flávio e, consequentemente, tira do adversário político vantagens como aumentar seu tempo de TV. Por outro lado, eles preveem maior dificuldade para que o Planalto forme maioria no Congresso, já que Ciro é um dos principais líderes do centrão.

    Auxiliares de Flávio dizem ver efeito limitado nos ataques do governo, enquanto parlamentares bolsonaristas já preparam um discurso para rebatê-los.

    Líder da oposição na Câmara, o deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB) afirma que a direita defende o avanço das investigações e questiona o interesse político por trás da operação contra o presidente do PP. “O filho do Lula [PT] recebeu mesada e não teve operação. Também era para ter operação na casa do [ministro do STF] Alexandre de Moraes”, diz.

    O parlamentar afirma ainda que a oposição defendeu a CPI do Banco Master desde o início, e tenta descolar a campanha de Flávio do ex-ministro de Bolsonaro. “O Ciro também foi aliado do PT, e aí? Ele é centrão. Centrão é centrão, não é direita”, afirma.

    A operação desta quinta reforçou a dúvida que já existia entre alguns aliados de Flávio a respeito das vantagens de uma coligação com PP e União Brasil. Parte dos integrantes da campanha afirma que o PL, sozinho, já tem verba, tempo de TV e palanques pelo país suficientes para alavancar Flávio -atualmente empatado com Lula mesmo sem o embarque formal do centrão.

    Segundo esse raciocínio, a união do PL ao centrão nos estados seria desejável para isolar o PT, porém, em relação à presença na chapa majoritária de Flávio, só teria sentido agregar outros partidos se não houvesse desgaste algum.

    Outra parcela dos bolsonaristas tem insistido na aliança com a federação para consolidar os votos da direita e conquistar eleitores ao centro. Coordenador da campanha, o senador Rogério Marinho (PL-RN) passou os últimos dias em conversas em busca de um anúncio formal de apoio nas próximas semanas.

    Zema, que tem pretensão de ser o vice da chapa do PL, aproveitou a operação desta quinta para criticar Ciro nas redes sociais e se contrapor à possível aliança de Flávio com o PP. Seu principal articulador político em Minas Gerais, no entanto, é integrante do PP, o ex-deputado e pré-candidato ao Senado Marcelo Aro.

    Dentro do PP, a possibilidade de afastamento de Ciro da presidência do partido para evitar desgaste eleitoral é descartada.

    Em nota, a defesa de Ciro afirmou repudiar ilações de ilicitude, “especialmente em sua atuação parlamentar”, e disse que o senador está comprometido a contribuir com a Justiça para esclarecer que não participou de atividades ilícitas.

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  • Esquerda vê bolsonarismo isolado após encontro Lula-Trump, e direita minimiza

    Esquerda vê bolsonarismo isolado após encontro Lula-Trump, e direita minimiza

    Petistas veem visita como afirmação de protagonismo internacional e isolamento do bolsonarismo, enquanto oposição minimiza encontro e tenta explorar politicamente pautas como segurança pública e relação com os EUA

    (CBS NEWS) – Aliados do presidente Lula (PT) avaliam que a visita do petista ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve isolar o bolsonarismo, grupo político que busca manter proximidade com o americano. Membros da direita, por sua vez, minimizam o encontro realizado entre os dois líderes nesta quinta (7).

    A avaliação de petistas é que Lula, mesmo fazendo críticas recorrentes a Trump, conseguiu se projetar como um estadista e reiterar o discurso da soberania nacional frente aos EUA.

    O ministro da Secretaria das Relações Institucionais, José Guimarães (PT), disse em rede social que Lula, com a visita em Washington, “reafirmou o papel soberano e respeitado do Brasil no cenário internacional”.

    “O Brasil voltou a ser protagonista nas grandes decisões internacionais”, escreveu ele, citando que Lula foi recebido “com tapete vermelho e honras de Estado” por Trump.

    O deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP), ex-ministro do Desenvolvimento Agrário, disse que a reunião entre o brasileiro e o americano deve reverberar na política nacional. “A família Bolsonaro sempre trabalhou para ter monopólio da relação com o presidente dos Estados Unidos, e pela segunda vez esse encontro [de Lula e Trump] foi um sucesso”, declarou ele.

    O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) vive nos Estados Unidos e tenta jogar o governo local contra a gestão Lula. Eduardo é filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e irmão do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato a presidente da República.

    “Semana passada Flávio Bolsonaro, após a votação da dosimetria, vaticinava o ‘fim do governo’. Essa semana correu para os EUA para tentar tramar contra o Brasil e a agenda dos presidentes Lula e Trump. Ficou isolado, sem discurso e saiu ainda menor desse processo”, diz Éden Valadares, secretário de comunicação do PT.

    Lula busca se posicionar na campanha eleitoral deste ano com uma pauta de soberania nacional e falou publicamente sobre isso logo depois da conversa com americano. Segundo seu relato, a reunião foi de igual para igual.

    Antes do encontro, estava previsto que Lula e Trump dariam uma declaração à imprensa depois da conversa na sede do governo americano. No entanto, de última hora, o planejamento foi modificado e apenas Lula e os ministros brasileiros falaram com os jornalistas, na embaixada do Brasil nos EUA.

    Trump se manifestou via publicação em sua rede social, a TruthSocial, na qual classificou Lula como um “líder dinâmico” e disse que a reunião correu “muito bem”. Para membros da oposição, as declarações do americano foram secas e sem a mesma química dos encontros presenciais.

    Ainda para esses interlocutores, a transferência do local da entrevista sem a presença de Trump seria o indicativo de que o encontro não teria sido tão bom quanto foi verbalizado por Lula e seus ministros.

    Apesar de Lula e Trump terem abordado o combate ao crime organizado, membros da oposição ouvidos pela reportagem dizem que devem explorar na campanha o discurso de que o petista foi aos EUA para defender traficantes.

    O influenciador Paulo Figueiredo, que foi denunciado pelo Ministério Público em 2025 por causa de sua atuação nos Estados Unidos por sanções ao Brasil, ironizou pedido que Lula diz ter feito para Trump, em tom de brincadeira, para revogar a suspensão de vistos de autoridades brasileiras, decidida no ano passado.

    “Ué… eu achei que ninguém estava nem aí e que visto cancelado não tinha importância. Mas tem importância pro presidente do Brasil vir pedir ao americano?”

    Antes da reunião, bolsonaristas enviaram notícias e publicaram nas redes sociais notícias em que Lula critica Trump para tentar minar o encontro. Depois da conversa entre os presidentes, porém, o próprio Flávio Bolsonaro e alguns de seus principais aliados evitaram comentar o tema publicamente.

    Após o encontro, Lula afirmou ter tratado de temas considerados tabus e proposto a criação de um grupo internacional de combate ao crime organizado, envolvendo países da América Latina e, possivelmente, outras nações.

    O petista afirmou que a reunião marcou “um passo importante” para fortalecer a relação histórica entre os dois países e defender o multilateralismo diante das tensões comerciais globais. “Saio daqui com a ideia de que nós demos um passo importante na consolidação da relação democrática histórica que o Brasil tem com os EUA”, disse.

    Os líderes se encontraram às 12h21 (Brasília). O cronograma previa início às 12h e, na sequência, havia um período reservado para fala dos líderes com a imprensa, seguida de um almoço.

    O presidente foi acompanhado na viagem por cinco ministros: Mauro Vieira (Relações Exteriores), Wellington César Lima e Silva (Justiça), Dario Durigan (Fazenda), Márcio Elias Rosa (Indústria e Comércio) e Alexandre Silveira (Minas e Energia). O diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, também participou da comitiva, mas não esteve presente na reunião do Salão Oval.

    Esta foi a sexta visita do petista à sede do governo americano, sendo a primeira sob Trump. Em mandatos anteriores, Lula visitou a Casa Branca em 2002 –ainda como eleito, antes de assumir o cargo-, 2003 e 2008, em encontros com o então presidente George Bush. Em seguida, em 2009, encontrou Barack Obama e, já em seu terceiro mandato, o brasileiro foi recebido por Joe Biden, em 2023.

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  • Alcolumbre pede agenda com Lula para restabelecer relação após derrota de Messias

    Alcolumbre pede agenda com Lula para restabelecer relação após derrota de Messias

    Presidente do Senado é apontado como principal responsável para rejeição histórica ao STF. Senador e petista têm interesse em retomar boa relação

    BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), manifestou a emissários do governo o desejo de conversar pessoalmente com o presidente Lula (PT). A ideia é reconstruir pontes após a Casa impor ao petista uma derrota histórica na última semana, rejeitando a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao STF (Supremo Tribunal Federal).

    A interlocutores Alcolumbre avisou que deseja encerrar o caso -nas palavras dele, “passar a régua” no episódio. Nessas conversas, o presidente do Senado sustenta que não trabalhou contra a indicação de Lula e que a rejeição foi resultado de uma insatisfação da Casa, cujo risco foi alertado por ele ao Planalto anteriormente.

    O recado é que o parlamentar não quer prejudicar o governo e não vai trancar propostas ou pautar surpresas indigestas para o Executivo.

    Até a derrota de Messias, Alcolumbre era visto como o presidente de uma Casa que deu pouca dor de cabeça a Lula. O tom dado pelo senador amapaense é que segue sendo do seu interesse jogar junto ao governo. A aliados do centrão ele havia comunicado que apenas procurava abrir um canal de interlocução com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário do petista na eleição à Presidência, mas sem aderir à oposição.

    Lula, por sua vez, também deixou claro que não deseja queimar pontes com Alcolumbre. Após a derrota na semana passada, disse “vida que segue” aos seus articuladores. Na terça-feira (5), o ministro José Mucio (Defesa) foi ao encontro do Senador para sentir a temperatura. Na quarta-feira (6), foi a vez do ministro José Guimarães (Relações Institucionais) almoçar com o chefe do Legislativo.

    No Senado, Alcolumbre tem conversado com aliados de Lula, como o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), com quem esteve na manhã desta quinta-feira (7).

    No rol de possibilidades aventadas no Planalto para melhorar o desempenho no Senado, está a troca de ocupantes de lideranças do governo na Casa. Aliados sugerem que Randolfe seja afastado por causa da sua proximidade com Alcolumbre, pela aliança no Amapá, e também porque o petista precisará se dedicar à reeleição no estado.

    O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), também é alvo de objeções. Alcolumbre rompeu relações com o petista durante o processo de indicação de Messias, e uma ala do governo aponta a impossibilidade de mantê-lo na liderança sem relação direta com o presidente da Casa.

    O governo tem propostas importantes nas mãos de Alcolumbre. Estão para ser votadas no Senado as PECs (Propostas de Emenda à Constituição) do Suas (Sistema Único de Assistência Social) e a da Segurança Pública. O projeto que regulamenta a exploração de minerais críticos no Brasil, as chamadas “terras raras”, também aguarda análise dos senadores.

    A prioridade legislativa do governo para a eleição, o fim da escala 6×1, também precisará passar pelo Senado. A PEC está na Câmara e deve ser votada até o final de maio. Ou seja, o Planalto precisará da boa vontade de Alcolumbre para aprová-la até junho, mês que naturalmente é mais conturbado pela intensificação da pré-campanha e pelo início da Copa do Mundo.

    Apesar desses movimentos, a fase do relacionamento entre Alcolumbre e governo foi descrita como abrasiva por um ministro de Lula. E, mesmo com esse esforço mútuo de reaproximação, o envolvimento de líderes do centrão com o caso do Banco Master deverá ser explorado pelo PT na disputa presidencial.

    Sobre a rejeição de Messias, por exemplo, a estratégia será reprisar que adversários de Lula se uniram a ministros do STF para impedir o avanço das investigações, prejudicando um evangélico.

    A associação de bolsonaristas ao caso ameaça azedar a relação com dirigentes partidários investigados. Pivô do escândalo, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro se reuniu com Alcolumbre em 2025 na residência oficial do Senado, de acordo com diálogos dele com a ex-namorada Marta Graeff que estavam em um dos celulares apreendidos pela PF.

    A Amprev (Amapá Previdência), gestora do regime próprio de previdência do estado, aplicou R$ 400 milhões em títulos de alto risco do banco. A instituição era comandada por Jocildo Silva Lemos, alvo da PF em fevereiro e afilhado político de Alcolumbre.

    Alcolumbre pede agenda com Lula para restabelecer relação após derrota de Messias

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  • Operação contra Ciro Nogueira é vista como recado para Vorcaro em delação

    Operação contra Ciro Nogueira é vista como recado para Vorcaro em delação

    Investigadores e autoridades envolvidas na apuração apontam que ação não precisou de colaboradores. Ex-banqueiro apresentou anexos de acordo à PF e PGR um dia antes da 5ª fase da Compliance Zero

    BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – A operação da Polícia Federal que apura suspeitas de irregularidades nas relações do senador Ciro Nogueira (PP-PI) com Daniel Vorcaro é vista por investigadores e autoridades com acesso às investigações como uma pressão extra para que a delação do dono do Banco Master apresente novos e robustos fatos para ser validada pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

    O entendimento dessas pessoas é de que a Polícia Federal tem conseguido avançar bem nas apurações sobre irregularidades relacionadas ao banco sem precisar de eventuais elementos apresentados na colaboração de Vorcaro.

    O ex-banqueiro foi transferido no dia 19 de março do Presídio Federal de Brasília para a Superintendência da PF no Distrito Federal, local com melhores condições para cumprimento da prisão preventiva (sem tempo determinado), para negociar a delação.

    Desde então, houve duas novas fases da operação Compliance Zero. A primeira delas, em 16 de abril, prendeu o ex-presidente do BRB (Banco de Brasília) Paulo Henrique Costa.

    A segunda, nesta quinta (7), teve como principal alvo Ciro Nogueira, o presidente do PP e foi ministro da Casa Civil no governo Jair Bolsonaro (PL) -até o momento, a fase com maior investida sobre a classe política.

    O advogado de Ciro Nogueira, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, disse em nota que a defesa “repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar”.

    Tanto essas ações como outras medidas tomadas pela PF até o momento sinalizam que Vorcaro terá de apresentar elementos de prova que atinjam novos suspeitos, além da devolução de bilhões em recursos e pagamento de multa.

    De acordo com a coluna da jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, Mendonça afirmou a interlocutores com quem mantém diálogo frequente que não pretende homologar a proposta de delação premiada de Daniel Vorcaro nos termos em que ela está se apresentando.

    Um ponto ressaltado por pessoas que acompanham a investigação é que a fase da operação deflagrada nesta quinta não se baseou em nenhum depoimento ou colaboração de investigados, e que isso é uma amostra de que a PF tem material que prescinde de qualquer necessidade de acordo.

    Além das operações, na última semana a PF pediu ao ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), para analisar a possibilidade de transferir novamente Vorcaro ao presídio federal.

    Segundo pessoas próximas ao caso, o pedido foi feito justamente porque o ex-banqueiro estava demorando para apresentar o material.

    Uma versão acabou sendo entregue pela defesa nesta quarta-feira (7) à PF e à PGR (Procuradoria-Geral da República), com anexos que tratam de episódios diferentes de irregularidades cometidas pelo ex-banqueiro e por outras pessoas, com detalhes da situação, nomes dos envolvidos e a apresentação por meio de provas.

    Essa é só uma primeira etapa. A defesa de Vorcaro e os investigadores agora passarão a analisar o que foi proposto antes de passar a discutir sobre redução de pena ou o regime de pena à qual ele deve ser submetido. Até o momento, o entendimento de autoridades é de que ele não deve receber perdão judicial.

    Investigadores esperam que Vorcaro apresente detalhes sobre os esquemas nos quais esteve envolvido, além de indicar os meios para o ressarcimento dos prejuízos causados.

    Pessoas próximas sugeriram que ele não estaria disposto a envolver magistrados do STF, o que desagradou os investigadores. Posteriormente, seus advogados afirmaram que ele não pouparia ninguém, o que destravou a fase inicial da negociação.

    Operação contra Ciro Nogueira é vista como recado para Vorcaro em delação

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  • Flávio Bolsonaro divulga nota sem citar Ciro Nogueira e diz que notícias são graves

    Flávio Bolsonaro divulga nota sem citar Ciro Nogueira e diz que notícias são graves

    Pré-candidato à Presidência afirma confiar em André Mendonça, do STF, à frente do caso Master. Segundo a Polícia Federal, presidente do PP recebia mesada de R$ 500 mil de Daniel Vorcaro

    BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta quinta-feira (7) que as informações sobre a operação da Polícia Federal que teve entre os alvos o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), são graves e disse esperar uma “ampla apuração” do caso.

    Em nota, Flávio não citou diretamente Ciro, mas disse acompanhar com atenção as notícias divulgadas pela imprensa. Segundo a PF, o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, pagava R$ 500 mil por mês ao presidente do PP, que foi ministro da Casa Civil no governo Jair Bolsonaro (PL).

    O pré-candidato à Presidência também disse confiar na relatoria do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça, indicado por Bolsonaro à corte, no caso Master e declarou esperar “uma ampla apuração”.

    “Entendemos que fatos dessa natureza devem ser apurados com rigor e transparência pelas autoridades competentes, sempre com respeito ao devido processo legal”, escreveu Flávio.

    Como mostrou a Folha de S.Paulo, integrantes do governo Lula (PT) vão tentar associar Flávio, principal adversário do petista na eleição deste ano, ao caso Master após a operação mirando Ciro -próximo do clã Bolsonaro.

    A expectativa de aliados de Lula é que, ao menos por enquanto, o presidente não dê declarações fortes sobre a operação espontaneamente. A tarefa de desgastar o bolsonarismo a partir das acusações contra Ciro ficaria com ministros, congressistas e outros aliados políticos.

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  • Haddad diz que resistiu a virar a chave para ser candidato e que Tarcísio mente

    Haddad diz que resistiu a virar a chave para ser candidato e que Tarcísio mente

    Ex-ministro criticou a gestão do governador e afirmou que a situação fiscal estaria difícil não fosse o apoio do governo federal. Pré-candidato ao Governo de São Paulo, petista disse ainda que Lula o convenceu a concorrer

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – Pré-candidato ao Governo de São Paulo, o ex-ministro Fernando Haddad (PT) afirmou nesta quinta-feira (7) que o estado de São Paulo estaria numa situação fiscal difícil não fosse o apoio do governo federal com a renegociação de dívidas. Disse, ainda, que o cenário estadual é preocupante.

    O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), pré-candidato à reeleição, é crítico à condução da política econômica do governo Lula (PT) e afirmou nesta semana que Haddad “quebrou o Brasil”.

    “Ele [Tarcísio] não precisa agradecer, mas não precisa mentir. Fica quieto. Eu no lugar dele ficava quieto. Agora, mentir? Ganhou o que com isso?”, disse Haddad durante palestra na Fundação Fernando Henrique Cardoso, no centro de São Paulo.

    Haddad criticou a imprensa mais de uma vez, dizendo que não vê os jornais fazendo seu trabalho “em relação à administração Tarcísio”. “Não vejo a imprensa dizer a verdade sobre o que está acontecendo, com a contundência que tratam os assuntos que nos dizem respeito. Não tem uma matéria sobre as finanças do estado de São Paulo”, afirmou.

    O ex-ministro também ironizou os editoriais do jornal Folha de S.Paulo. “Eu estava falando com uma pessoa que, só da Folha, teve 150 editoriais contados. Eu sempre acho graça. Porque, primeiro, ninguém lê. Segundo, é uma prova a meu favor.”

    Ele disse também que resistiu muito “a virar a chave” e decidir se candidatar em São Paulo, porque estava com a cabeça no plano nacional, “convencido que tinha que tentar elaborar um plano de desenvolvimento”. Segundo Haddad, o presidente Lula (PT) conversou com ele por muitas horas, argumentando que precisava de um candidato forte no estado.

    “Eu não tinha expectativa de encontrar o quadro que encontrei. Encontrei muitos problemas que pensei que já tivessem sido endereçados”, afirmou, listando questões na segurança, na educação e na saúde.

    “Há uma grande insatisfação na Polícia Militar, Civil, nos magistérios, com prefeitos. Questões estruturais, mudanças estruturais tomadas que vão dar trabalho reverter.”

    No plano nacional, Haddad disse que há condições de dar um salto importante, considerando a produção de biocombustíveis, as terras raras (grupo de elementos químicos usados em produtos de alta tecnologia e na energia limpa) e as energias solar e eólica “abundante e muito baratas”.

    “A política que vai dizer se vamos aproveitar essa janela [de oportunidade] ou se vamos praticar o esporte nacional predileto, que é perder as oportunidades que se abrem”, afirmou.

    Ele disse ainda que está otimista sobre o futuro do país (segundo ele, as questões podem ser resolvidas em “dois, três anos, se não tiver gol contra”), mas afirmou temer percalços políticos. “O Brasil está vivendo um momento de repensar suas instituições. Temos um problema a ser endereçado na relação institucional.”

    Em relação à economia, o ex-ministro disse que sempre defendeu o superávit primário e que é preciso haver equilíbrio fiscal. Criticou o que chamou de “esquerda estereotipada”, em referência a grupos ideológicos que negam a necessidade de qualquer limite de gastos. Afirmou, também, que o ajuste das contas pode ser feito de muitas formas (pelo aumento da receita, pelo corte nas despesas, ou por combinações).

    “Todo mundo vai ter que colaborar na medida de suas forças. O sacrifício maior não pode ser de quem ganha um salário mínimo.”

    Em entrevista a jornalistas após o evento, Haddad disse que as pessoas não têm ideia a respeito de quem é o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência. Afirmou, também, que espera que a campanha mostre “como ele angariou esse patrimônio considerável que detém” e “quem são os amigos dele”.

    Em seguida, o ex-ministro emendou sua fala defendendo transparência nas investigações sobre o banco Master. “As investigações estão sendo aprofundadas sobre os escândalos que o governo desbaratou, então tem havido uma compreensão maior de quem de fato é responsável por esses desmandos, quando surgiram esses desmandos, quem foram os responsáveis.”

    Como mostrou a Folha de S.Paulo, integrantes do governo Lula estão buscando associar o senador ao caso Master após a Polícia Federal ter realizado operação contra o senador Ciro Nogueira (PP), aliado de Flávio, na manhã desta quinta.

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  • Nogueira buscou apoio de Lula mas foi ignorado e se juntou a Bolsonaro

    Nogueira buscou apoio de Lula mas foi ignorado e se juntou a Bolsonaro

    Senador Ciro Nogueira buscou apoio de Lula mas acabou integrando núcleo duro de Bolsonaro; parlamentar ainda tentou ser vice de Tarcísio

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – Alvo de operação da Polícia Federal, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) é um dos líderes do centrão em Brasília. Caracterizado pelo pragmatismo político, ele já gravitou da base de apoio de governos petistas para a Esplanada dos Ministérios de Jair Bolsonaro (PL) e tentou o apoio de Lula (PT) após fracassar na tentativa de ser vice do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) em uma possível chapa presidencial.

    A PF cumpriu mandado de busca e apreensão nesta quinta-feira (7) em endereços do congressista no âmbito de nova fase da operação Compliance Zero, que investiga suspeitas relacionadas ao Banco Master.

    A suspeita é que Ciro Nogueira tenha recebido quantias operacionalizadas por Felipe Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro, dono do banco.

    O senador nasceu em 1968, em Teresina, no Piauí. Formado em direito pela PUC-RJ, foi deputado federal por quatro mandatos, de 1995 a 2011. A partir de então chegou ao Senado Federal, tendo sido eleito de novo em 2018. Desde 2013, preside o Progressistas.

    Com histórico de figurar ao lado do poder, já apoiou e rasgou elogios a Lula (PT). Chegou a chamar o petista de o “melhor presidente da história, principalmente para o Piauí e Nordeste. Também sempre manteve diálogo com o atual ocupante do Executivo federal.

    No passado, também chamou Bolsonaro de “fascista” e “preconceituoso”, mas depois virou um dos seus principais defensores.

    Em um dos piores momentos do governo, durante a instalação da CPI da Covid, liderou uma tropa de choque para tentar defender o governo, que havia ficado em minoria na comissão pela falta de coordenação entre Planalto e os líderes do governo.

    No entanto, sempre soube escolher suas batalhas. Durante o depoimento do ex-chanceler Ernesto Araújo, muitos notaram a sua ausência, deixando o ex-ministro ser duramente atacado pelos senadores independentes e oposicionistas, sendo apenas defendido por congressistas com menos experiência.

    Por outro lado, defendeu ferrenhamente o ex-ministro da Saúde e general Eduardo Pazuello.

    Se elogios e defesas públicas são circunstanciais, sinais mais fortes de laços costumam ser representados quando ele presenteia um amigo com a camisa do Ríver do Piauí, time do qual é torcedor fanático e do qual já foi presidente.

    Esse foi o gesto definitivo de aproximação do senador com Bolsonaro, em 2020, e também coincidiu com o embarque do centrão no governo.

    Em 2021, foi nomeado ministro-chefe da Casa Civil, um dos ministérios mais importantes da Esplanada. A pasta tem a função de organizar e coordenar as ações do governo, assim como atuar na articulação de ministérios.

    No ano seguinte, foi alvo de operação da Polícia Federal sob suspeita de ter recebido dinheiro da JBS para que o PP apoiasse a reeleição de Dilma Rousseff (PT) em 2014.

    Segundo a PF, o dono da empresa, Joesley Batista, gravou uma conversa que teve com o político em sua residência. “A reunião foi marcada por Joesley Batista, para entregar uma mala contendo R$ 500 mil em espécie para Ciro Nogueira”, disse a corporação.

    O parlamentar negou ter cometido qualquer irregularidade, e a Procuradoria-Geral da República sugeriu o arquivamento do caso por falta de provas. Ao todo, oito processos contra ele foram arquivados pelo STF (Supremo Tribunal Federal) com essa justificativa.

    Ao fim do governo Jair Bolsonaro, Ciro Nogueira foi porta-voz do anúncio de que o governo faria a transição de governo para o petista, no fim de 2022.

    No governo Lula, foi um vocal defensor da saída do PP do governo e tentou articular uma vaga de vice em eventual chapa presidencial de Tarcísio de Freitas (Republicanos).

    Frustrada a pretensão, em 2025, o senador foi recebido pelo presidente Lula às vésperas do Natal na Granja do Torto. O pedido veio do próprio Ciro Nogueira, e encontro contou com a participação do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB).

    Segundo relatos, o líder partidário procurou o petista em busca de um acordo para renovar o mandato de senador pelo Piauí. Um aliado de Ciro Nogueira afirmou que a proposta era para não atrapalharem a candidatura. Em troca, o PP se afastaria de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial, o que acabou por não ocorrer.

    RELAÇÃO COM BETS E MALAS EM AVIÃO

    Ciro Nogueira era um dos políticos no voo em que foram transportadas cinco malas que não passaram pelo raio-x ao chegar no Brasil. Como revelou a Folha de S.Paulo, o caso é investigado pela PF, que comunicou o fato ao STF.

    O episódio ocorreu no retorno de uma viagem à ilha caribenha de São Martinho em um avião particular do empresário piauiense Fernando Oliveira Lima, conhecido como Fernandin OIG, dono de empresas de apostas online que disponibilizam jogos como o Fortune Tiger -popularmente conhecido como “jogo do tigrinho”. Ele foi alvo da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) das Bets.

    Nogueira defendeu o empresário publicamente na CPI e, como mostrou reportagem da revista piauí, viajou no jato particular de Fernandin para fazer turismo em Mônaco.

    Ainda de acordo com a publicação, Fernandin OIG, o ex-assessor de Ciro Victor Linhares e o parlamentar realizaram uma triangulação de recursos. O ex-assessor recebeu R$ 625 mil do empresário das bets. No mesmo período, Linhares transferiu R$ 35 mil para a conta pessoal do senador.

    Nogueira disse à revista que o valor era o reembolso de uma reserva de hotel em Capri, na Itália, e que os R$ 625 mil foram o pagamento por um relógio de luxo, negociado diretamente entre o empresário e o seu ex-assessor.

    Nogueira buscou apoio de Lula mas foi ignorado e se juntou a Bolsonaro

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  • Carlos Bolsonaro se desculpa com Ana Campagnolo após racha no PL de SC

    Carlos Bolsonaro se desculpa com Ana Campagnolo após racha no PL de SC

    Pedido de desculpas ocorre após troca de críticas entre aliados e disputa por vaga ao Senado em Santa Catarina; impasse envolve lideranças locais, desagrada parte do partido e expõe divisão interna às vésperas da pré-campanha

    Carlos Bolsonaro (PL) pediu desculpas à deputada estadual Ana Campagnolo (PL-SC) durante reunião do partido na noite de segunda-feira, 4. O PL catarinense enfrenta um racha após o anúncio de que o filho de Jair Bolsonaro seria pré-candidato a uma das vagas ao Senado por Santa Catarina. Em suas redes sociais, Carlos confirmou o pedido de desculpas e afirmou que há outras prioridades no momento.

    “Temos coisas muito mais importantes do que nós. Temos um Brasil para resgatar por nossos filhos. Bola para frente!”, escreveu.

    O racha entre os integrantes do partido começou com a definição da chapa ao Senado em Santa Catarina, no fim do ano passado. Como Carlos não é do estado, sua pré-candidatura desagradou lideranças locais, principalmente Ana Campagnolo. A deputada afirmou que a vaga da deputada federal Caroline de Toni (PL-SC) teria sido “dada” a Carlos Bolsonaro (PL-RJ).

    O governador Jorginho Mello, que tentará a reeleição, queria o senador Esperidião Amin (PP-SC) em sua chapa. A segunda vaga era disputada por Caroline de Toni, mas enfrentou resistência diante da preferência de Jair Bolsonaro pela candidatura de Carlos.

    O impasse levou Caroline de Toni a cogitar uma mudança de partido. Segundo a Coluna do Estadão, ela recebeu convites de siglas como Novo, União Brasil, Republicanos, MDB e Missão, ligada ao MBL.

    Ana Campagnolo afirmou que seriam “duas vagas que o partido dividiu entre PL e PP. O PP vai manter a candidatura do Amin como sempre foi. A vaga do nosso PL era da deputada Carol, agora será dada ao Carlos”, demonstrando insatisfação.

    Carlos Bolsonaro reagiu negando as declarações da deputada. “Não sejam mentirosos. Absolutamente nada do que essa menina está falando é verdade. Quanta baixaria. Lamentável!”, disse. Ele acrescentou que “os pré-candidatos de Jair Bolsonaro ao Senado Federal são Carol e Carlos Bolsonaro”, deixando Esperidião Amin fora da composição.

    Os dois seguiram trocando críticas nas redes sociais. Campagnolo chegou a ser acusada de publicar uma foto “recortada” para excluir Carlos de uma imagem, o que ela negou posteriormente.

    Na segunda-feira, Carlos e Campagnolo se reuniram em Santa Catarina, a convite do governador Jorginho Mello, para alinhar posições antes da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro no estado.

     

    Carlos Bolsonaro se desculpa com Ana Campagnolo após racha no PL de SC

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