Categoria: POLÍTICA

  • Lula mostra irritação com Toffoli e chega a dizer a aliados que ministro deveria deixar STF

    Lula mostra irritação com Toffoli e chega a dizer a aliados que ministro deveria deixar STF

    Auxiliares relatam incômodo do presidente com ministro, falam em desabafo e duvidam que petista vá propor renúncia; em almoço, petista disse que magistrado teria chance de fazer a coisa certa e resgatar biografia

    BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – O presidente Lula (PT) tem manifestado irritação com a conduta do ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), na relatoria do inquérito do Banco Master.

    O petista acompanha o andamento do caso e as repercussões sobre a atuação do magistrado. Nos últimos dias, deu sinais de que não pretende defender Toffoli das críticas feitas ao ministro.

    Em conversas reservadas com ao menos três auxiliares, Lula fez comentários considerados duros sobre Toffoli e chegou a afirmar, em desabafos, que o ministro deveria renunciar a seu mandato na corte ou se aposentar, segundo relatos colhidos pela Folha.

    Lula disse a esses aliados que pretende chamar Toffoli para uma nova conversa sobre sua conduta no inquérito –eles já discutiram o assunto no fim do ano passado.

    Apesar dos rompantes, colaboradores duvidam que o presidente vá propor ao ministro que se afaste do tribunal ou abra mão da relatoria do caso.

    O presidente está incomodado com o desgaste institucional ao Supremo causado por notícias que expuseram laços de parentes do ministro com fundos ligados à teia do banco. De acordo com aliados, o petista também reclamou do sigilo imposto ao processo e do receio de que a investigação seja abafada.

    A auxiliares Lula tem defendido as investigações e afirmado que o governo precisa mostrar que combate fraudes sem poupar poderosos, evitando críticas por eventuais interferências. “Não é possível que a gente continue vendo o pobre ser sacrificado enquanto tem um cidadão do Banco Master que deu um golpe de mais de R$ 40 bilhões”, afirmou Lula na sexta-feira (23).

    Além disso, haveria a percepção de que o caso pode abalar políticos de oposição e deverá prosseguir, ainda que respingue em governistas.

    O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, tem ligações com políticos do centrão e também com aliados do governo do PT na Bahia. O empresário baiano Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, é próximo de Rui Costa, ministro da Casa Civil, e do senador Jaques Wagner, líder do governo.

    Desde o fim do ano passado, o presidente monitora a evolução do inquérito. Ele teria ficado intrigado com a decisão de Toffoli de colocar sob sigilo elevado um pedido da defesa de Daniel Vorcaro para levar as investigações ao STF.

    A medida aconteceu uma semana antes de o jornal O Globo revelar que o escritório de advocacia de Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes, tinha um contrato de R$ 3,6 milhões mensais para defender os interesses do Master.

    Nas palavras de um aliado, o presidente passou a desconfiar que o caso terminaria em uma “grande pizza”. Em dezembro, Lula convidou Toffoli para um almoço no Palácio do Planalto, com a participação do ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

    Na conversa, descrita como amistosa pelo próprio Lula, o presidente teria dito que tudo que seu governo desvendou deveria ser levado às últimas consequências. Ainda segundo relatos, ele queria entender se essa era a disposição no tribunal, mesmo após a decretação do sigilo.

    Em resposta, segundo relatos, o ministro disse que nada seria abafado e que o sigilo era uma medida justificável. Lula, então, afirmou que Toffoli faria a coisa certa. O presidente disse ainda, segundo informação do colunista Lauro Jardim, confirmada pela Folha, que a relatoria seria uma oportunidade para que Toffoli reescrevesse sua biografia.

    Essa conversa aconteceu antes de revelações que põem em xeque a atuação do ministro. Toffoli está sob pressão devido à sua postura na supervisão do inquérito. As críticas vão desde o severo regime de sigilo imposto ao caso, seguido pela viagem de jatinho com um dos advogados da causa e por negócios que associam seus familiares a um fundo de investimentos ligado ao Master, como revelou a Folha.

    A interlocutores Toffoli disse que, neste momento, descarta abdicar do processo por não ver elementos que comprometam a sua imparcialidade.

    O ministro indicou a interlocutores que nem a viagem de jatinho na companhia do advogado nem a sociedade entre seus irmãos e o fundo de investimentos comprometem sua imparcialidade. E, como mostrou a Folha, em sua história, o STF só reconheceu o impedimento ou a suspeição de ministros em casos de autodeclaração.

    Responsável pela indicação de Toffoli para o tribunal, Lula coleciona decepções com o ex-advogado do PT. Toffoli, por exemplo, impediu que Lula assistisse ao velório do irmão, tendo pedido desculpas ao presidente anos depois.

    O pedido de perdão ocorreu em dezembro de 2022, após a eleição de Lula. O ministro do Supremo Tribunal se desculpou por não ter autorizado o petista a comparecer ao velório de seu irmão, Genival Inácio da Silva, o Vavá, quando estava preso em Curitiba. Vavá morreu em janeiro de 2019.

    Lula mostra irritação com Toffoli e chega a dizer a aliados que ministro deveria deixar STF

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Política

  • Lula intervém para destravar palanques e evitar perda de votos em estados estratégicos

    Lula intervém para destravar palanques e evitar perda de votos em estados estratégicos

    Na tentativa de ao menos manter a votação obtida em 2022, ele tem investido sobre potenciais candidatos com foco inicial nos grandes colégios eleitorais.

    CATIA SEABRA, CAIO SPECHOTO E THAÍSA OLIVEIRA
    BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – O presidente Lula (PT) tem se dedicado pessoalmente à montagem de palanques estaduais para sustentação de sua candidatura à reeleição.

    Na tentativa de ao menos manter a votação obtida em 2022, ele tem investido sobre potenciais candidatos com foco inicial nos grandes colégios eleitorais.

    O petista vem priorizando articulações nas regiões Sudeste e Sul, mas também monitora de perto o que acontece no Nordeste, onde tradicionalmente tem as vitórias mais folgadas.

    Segundo aliados, Lula está convencido de que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), tem que ser candidato a governador de São Paulo e vai insistir para que concorra. Haddad, porém, demonstra que não quer mais disputar eleições.

    Na última conversa que tiveram, Lula pediu que o ministro o acompanhe em uma viagem internacional antes de deixar seu governo. É durante esses longos voos que costuma conversar com aliados sobre seus projetos políticos.

    Lula visitará o Panamá no fim de janeiro e Índia e Coreia do Sul no meio de fevereiro.

    Decidido a construir uma chapa forte em São Paulo, o presidente não descarta a hipótese de tentar sensibilizar seu vice, Geraldo Alckmin (PSB), a se lançar senador.

    A cúpula do governo e do PT avalia a votação de Lula em São Paulo em 2022 como um dos principais fatores para a vitória. Em 2018, o partido, representado por Haddad na disputa presidencial, teve 7,2 milhões de votos no segundo turno. Na eleição seguinte, Lula teve 11,5 milhões no estado -nos dois casos houve uma derrota local, mas a melhora de desempenho possibilitou o triunfo em nível nacional.

    Aliados do presidente definem como ideal uma coligação que conte ainda com os nomes das ministras Simone Tebet (Planejamento) e Marina Silva (Meio Ambiente).

    Tebet é de Mato Grosso do Sul. Precisa mudar seu domicílio eleitoral para disputar eleição por São Paulo e, talvez, até de partido -o MDB apoia o governador bolsonarista Tarcísio de Freitas (Republicanos). O presidente deve levá-la em uma viagem para conversarem sobre seu destino político.

    Assim como São Paulo, o desempenho em Minas é apontado como fundamental para a reeleição do presidente, que não desistiu de tentar convencer o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD) a disputar o Palácio Tiradentes. O eleitorado mineiro é o segundo maior do Brasil.

    O presidente já avisou a aliados que pretende procurar Pacheco para mais um apelo por sua candidatura, em uma operação que deverá contar com a participação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

    Segundo aliados, Lula chegou a dizer que o melhor partido para Pacheco seria o MDB. O pedido do presidente é acompanhado da promessa de estruturação de uma aliança forte. No estado, uma das chapas citadas é a de Alexandre Kalil (PDT) e Marília Campos (PT) como candidatos ao Senado.

    Lula também falou recentemente com o prefeito do Rio de Janeiro e pré-candidato a governador Eduardo Paes (PSD). A aliança está acertada. A representante petista na chapa deverá ser a deputada Benedita da Silva, provável candidata a senadora. O eleitorado fluminense é o terceiro maior do país, de acordo com números divulgados em 2024.

    Fora do Sudeste, Lula acompanha de perto a situação de Bahia e Ceará, os dois principais estados governados pelo PT. Pesquisas indicam que, se a eleição fosse hoje, os governadores Jerônimo Rodrigues (BA) e Elmano de Freitas (CE) correriam risco de serem derrotados.

    O presidente não aceita a hipótese de perder os governos desses dois estados e, consequentemente, parte dos eleitorados locais. Nas últimas semanas, acionou os ministros Rui Costa (Casa Civil) e Camilo Santana (Educação) e deu a eles a tarefa de garantir as vitórias.

    Camilo, ex-governador do Ceará, tem mandato como senador até 2031. Ele fala em sair do ministério antecipadamente para ajudar na campanha de Elmano.

    Como mostrou a Folha de S.Paulo, o ministro não quer disputar o governo cearense e trabalha para que o atual chefe do Executivo local melhore nas pesquisas. O ministro da Educação tenta evitar que Lula deixe de acreditar na possibilidade de Elmano ser reeleito e, consequentemente.

    A principal ameaça ao petismo cearense é o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB), que tem aparecido em primeiro nas pesquisas para governador.

    Rui Costa, por sua vez, tem dado sinais nos bastidores de que gostaria de se candidatar no lugar do governador Jerônimo. O atual chefe do governo baiano, mostram as pesquisas, tem a eleição ameaçada pelo ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil).

    O senador Jaques Wagner (PT-BA), porém, apoia Jerônimo -assim como a maior parte do PT no estado. Líder histórico do partido e amigo de Lula há décadas, Wagner conversou sobre o assunto com o presidente nos últimos dias. O presidente disse que qualquer decisão sobre a candidatura a governador na Bahia será combinada com Wagner.

    Lula está preocupado com as pesquisas no estado, mas confia no senador e não quer atropelá-lo. Além disso, petistas apostam que Jerônimo será impulsionado por sua chapa. Os candidatos a senador devem ser os próprios Wagner e Costa, populares no estado. Isso se somaria à associação com a imagem de Lula, que costuma obter vitórias eleitorais expressivas na Bahia.

    “Essa ideia [lançar Rui Costa para governador], para mim, não existe. Nem é cogitada”, disse Wagner à Folha. “Virar o mundo de cabeça para baixo para quê? Sou pela naturalidade da política. A naturalidade da política é a reeleição do governador Jerônimo Rodrigues”, afirmou o senador.

    Outro movimento do chefe do governo sobre as alianças estaduais foi tornado público nos últimos dias. O presidente pediu que a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, dispute uma vaga no Senado pelo PT do Paraná.

    Lula intervém para destravar palanques e evitar perda de votos em estados estratégicos

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Política

  • Briga entre Malafaia, Damares e Valadão escancara rachas na liderança evangélica

    Briga entre Malafaia, Damares e Valadão escancara rachas na liderança evangélica

    O pastor André Valadão, da Igreja Batista da Lagoinha, foi citado por Damares e não deixou barato. Em vídeo, maldiz “a fofoca nessa língua do capeta” e afirma ser “inadmissível você falar da igreja do outro”.

    ANNA VIRGINIA BALLOUSSIER
    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – O pastor Silas Malafaia acusou Damares Alves (Republicanos-DF) de ser “leviana linguaruda” ao falar em “grandes igrejas” envolvidas nas “falcatruas” investigadas pela CPMI do INSS, sem dar nome aos bois.

    Ato contínuo, a senadora divulgou igrejas e pastores na mira da comissão e retrucou que faria bem a Malafaia “orar um pouco”.

    O pastor André Valadão, da Igreja Batista da Lagoinha, foi citado por Damares e não deixou barato. Em vídeo, maldiz “a fofoca nessa língua do capeta” e afirma ser “inadmissível você falar da igreja do outro”.

    A troca de farpas pública entre o trio evangélico extrapolou a rixa pessoal e virou sintoma de algo maior. Divergências se repetem em outros flancos, da indicação do batista Jorge Messias ao STF (Supremo Tribunal Federal) às articulações para este ano eleitoral.
    A candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) dá pistas de uma cúpula menos alinhada do que em ciclos eleitorais passados. É verdade que, em 2018, a disputa começou com muitos desses pastores de peso nacional endossando Geraldo Alckmin, então no PSDB e tido como alternativa à direita.

    Mas, conforme o primeiro turno ia chegando, mais e mais líderes pularam na canoa bolsonarista. O segundo turno com Fernando Haddad (PT) selou de vez a predileção por Jair Bolsonaro (PL). O apoio da maioria de pastores se repetiu em 2022.

    O primogênito de Jair ainda não entusiasmou peixões do evangelicalismo brasileiro. A maior parte prefere o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) na chapa, com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) de vice.

    Malafaia já declarou achar Flávio fraco eleitoralmente. “Eu disse a ele: não sou covarde, você não tem musculatura.”

    Damares pegou a outra via: declarou apoio ao 01 de Bolsonaro e prometeu se empenhar para levar evangélicos à campanha.

    O deputado Marco Feliciano (PL-SP) postou um conselho a Flávio: “Sente com o pastor Silas”, a “voz política mais relevante da nação”, e escute o que ele tem a dizer. À Folha ele diz ver “pontos isolados de discussão”, mas uma trupe “mais unida do que nunca”.

    Pastores com trânsito político admitem que, se Bolsonaro insistir no filho, Tarcísio tentará a reeleição em São Paulo, e aí restará o “se não tem tu, vai tu mesmo”. O bispo Robson Rodovalho, que dará “assistência religiosa” para o ex-presidente aprisionado, diz que conversará com Flávio nos próximos dias. “Não podemos nos dividir. A direita tem que entrar junta.”

    Não tem andado junta, no entanto, em muitos assuntos que devem atravessar a corrida eleitoral. A escolha do presidente Lula (PT) por seu advogado-geral da União para o Supremo provocou cizânia nesse núcleo evangélico.

    O senador Magno Malta (PL-ES) é um que repele a hipótese. Ele escreveu um artigo no Pleno News, portal evangélico, desancando a nomeação. “E agora começou essa história de ‘ah, mas o Messias é evangélico’. Ora, por favor. Identidade religiosa não é salvo-conduto ético. O povo de fé tem discernimento. Sabe distinguir convicção de conveniência. Em Messias, tudo cheira a conveniência.”

    O posicionamento contrasta com o de outros líderes que foram a público defender o AGU. O bispo Samuel Ferreira, da Assembleia de Deus Madureira, chegou a publicar foto entre Lula e seu indicado. Na legenda: “Jorge Messias, Deus é contigo”.

    Outro pastor que se aproximou do governo foi Otoni de Paula (MDB-RJ). Ex-bolsonarista e de direita, segundo o próprio, o deputado federal orou em mais de uma ocasião por Lula e, em debate na terça (20), definiu Malafaia como um camarada “com poucos amigos e muitos reféns”. Sugeria que o pastor intimidava colegas, acuados para contrariá-lo abertamente.

    Desavenças entre aliados evangélicos sempre aconteceram, mas sem tanto ruído. O que 2026 vem mostrando é uma turma menos unida. Eles apostam que, na hora do vamos ver, todos estarão juntos, mas por ora os atritos têm se tridimensionalizado. E pior: de forma bem pública.

    Pegou particularmente mal o bate-boca entre Damares, Malafaia e Valadão, na esteira do escândalo envolvendo Daniel Vorcaro e o Banco Master, arrastados para a CPMI do INSS.

    Damares começou, dizendo haver igrejas e pastores, sem nomeá-los, implicados no esquema. Malafaia a cobrou por jogar uma névoa jogada sobre todo o segmento.

    Valadão, por sua vez, reagiu após a senadora esclarecer de quem estava falando -no caso, dele e de Fabiano Zettel, entre outros. Zettel é cunhado de Vorcaro e atuava como pastor na Lagoinha. Foi afastado.

    Nas coxias evangélicas, há quem veja a denúncia de Damares como um “saneamento” do campo. Outros acusam os personagens da trama de fomentar um fogo amigo que divide a igreja e enfraquece a direita.

    André Ítalo Rocha, autor de “A Bancada da Bíblia: Uma História de Conversões Políticas”, lembra que a briga entre Damares e Malafaia é antiga. “O atrito começou em 2018, depois da eleição de Bolsonaro.”

    O pastor apoiou Magno Malta para liderar o recém-criado Ministério da Família, mas a vaga acabou ficando com Damares, uma ex-assessora de Malta. “O movimento foi interpretado como uma traição.”

    Briga entre Malafaia, Damares e Valadão escancara rachas na liderança evangélica

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Política

  • Filhos de Bolsonaro se distanciam de Michelle em disputa por sucessão

    Filhos de Bolsonaro se distanciam de Michelle em disputa por sucessão

    Nos bastidores, duas rotas seguem em disputa: a candidatura de Flávio, baseada na herança política do pai, e uma possível chapa com Tarcísio e Michelle, vista como mais agregadora por setores da direita e do Centrão.

    A movimentação de Michelle Bolsonaro junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) em defesa do pedido de prisão domiciliar para Jair Bolsonaro ampliou as tensões dentro da família do ex-presidente e reacendeu a disputa em torno da sucessão política para as eleições deste ano. Interlocutores apontam que a ex-primeira-dama enxerga na possibilidade de Bolsonaro deixar o regime prisional uma oportunidade para recolocar o debate eleitoral em pauta, hoje concentrado no senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), além de reintroduzir o nome do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como alternativa viável.

    O clima de atrito se intensificou após a transferência de Bolsonaro para a Papudinha. Naquele período, Tarcísio cancelou uma visita que estava prevista ao ex-presidente, enquanto Michelle ampliava interlocuções com os ministros Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, do STF. Entre aliados dos filhos de Bolsonaro, o movimento da ex-primeira-dama passou a ser interpretado como uma tentativa de se consolidar como “porta-voz institucional” do bolsonarismo, fortalecendo sua posição ao atuar como ponte política e interlocutora direta.

    A estratégia adotada junto ao STF é descrita por aliados como uma ação gradual. Primeiro, a defesa busca melhorias nas condições da prisão. Em seguida, sustenta a necessidade da prisão domiciliar com base em questões de saúde. Um novo pedido já foi apresentado pela defesa de Bolsonaro e está sob análise de Alexandre de Moraes, que aguarda informações da Polícia Federal sobre a perícia médica antes de se posicionar.

    Dentro da família, porém, essa articulação passou a ser vista como algo que ultrapassa a questão humanitária e impacta diretamente o desenho eleitoral. Para aliados dos filhos, o objetivo não seria apenas aliviar a situação de Bolsonaro, mas reorganizar o campo da direita visando 2026. Pessoas próximas ao ex-presidente relatam que Michelle passou a defender internamente que Flávio teria se colocado como herdeiro natural do bolsonarismo aproveitando o isolamento do pai, o que teria aberto espaço para uma disputa pela sucessão.

    Nesse contexto, a possibilidade de Bolsonaro retornar ao convívio doméstico ampliaria a influência de Michelle, que poderia atuar para viabilizar Tarcísio como nome competitivo, inclusive cogitando a formação de uma chapa com ela como vice. O nome do governador voltou ao centro das discussões justamente na semana em que ele recuou da visita à Papudinha. Embora o cancelamento tenha sido atribuído oficialmente a compromissos em São Paulo, naquele dia Tarcísio cumpriu apenas despachos internos no Palácio dos Bandeirantes.

    Interlocutores afirmam que o governador tenta adiar qualquer definição sobre 2026 e evitar envolvimento direto no auge da disputa familiar. Ao GLOBO, ao ser questionado sobre uma eventual candidatura, Tarcísio foi categórico: “Sou candidato à reeleição”.

    Após o episódio, uma nova visita ao ex-presidente foi agendada para a próxima quinta-feira, em movimento interpretado como tentativa de afastar a leitura de distanciamento político.

    A reação mais explícita às articulações de Michelle tem vindo de Carlos Bolsonaro. O ex-vereador visitou o pai e, em publicações nas redes sociais, indicou desconforto com movimentações internas. Em uma delas, mencionou ações “de forma dissimulada” para medir forças com o próprio Bolsonaro. Em outra, sugeriu sabotagem ao projeto de Flávio, o que foi interpretado por aliados como recado direto à madrasta. A assessoria de Carlos negou que Michelle fosse o alvo.

    O desgaste aumentou após os filhos saberem, apenas depois de realizada, da audiência de Michelle com Alexandre de Moraes, articulada pelo deputado Altineu Côrtes (PL-RJ).

    A disputa, no entanto, não é recente. Um marco ocorreu em dezembro, quando Bolsonaro divulgou uma carta manuscrita indicando Flávio como pré-candidato, documento usado para reforçar sua posição interna. Flávio sustenta: “Michelle nunca me disse que quer ser candidata. Eu sou o pré-candidato indicado pelo presidente Bolsonaro. Tenho uma carta escrita e assinada por ele.”

    Michelle, publicamente, evita confronto direto e já desejou sabedoria ao enteado. Aliados reforçam a indicação, mas admitem mudanças conforme o cenário. Marco Feliciano resume: “Seguimos as ordens do nosso capitão Bolsonaro. Ele disse que é Flávio, então é Flávio. Se houver outra ordem posteriormente, a seguiremos também.”

    Nos bastidores, duas rotas seguem em disputa: a candidatura de Flávio, baseada na herança política do pai, e uma possível chapa com Tarcísio e Michelle, vista como mais agregadora por setores da direita e do Centrão.

    Filhos de Bolsonaro se distanciam de Michelle em disputa por sucessão

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Política

  • Caminhada de Nikolas tem mutirão de selfies e atrai políticos em busca visibilidade

    Caminhada de Nikolas tem mutirão de selfies e atrai políticos em busca visibilidade

    O parlamentar partiu na segunda-feira (19) de Paracatu, em Minas Gerais, e seguirá a Brasília, onde pretende chegar no domingo (25), após 240 km caminhados. Participantes da caminhada falavam em 400 apoiadores.

    LAURA SCOFIELD
    BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – Na caminhada de Nikolas Ferreira (PL-MG), sobram celulares e falta estrutura para garantir a segurança de apoiadores. Nesta sexta-feira (23), o deputado saiu de um povoado em Cristalina, em direção à também cidade goiana de Luziânia em protesto contra a condenação dos acusados de tentativa de golpe de Estado.

    O parlamentar partiu na segunda-feira (19) de Paracatu, em Minas Gerais, e seguirá a Brasília, onde pretende chegar no domingo (25), após 240 km caminhados. Participantes da caminhada falavam em 400 apoiadores.

    A Folha acompanhou uma parte do trajeto nesta sexta. O clima de festa que inaugurou a manhã, às 8h30, foi se esvaindo entre os que caminhavam enquanto aumentava o número de quilômetros andados. Por volta das 13h, muitos perguntavam onde seria o almoço, e nem mesmo a assessoria do deputado sabia informar.

    O grupo só chegou a um posto de parada para comer por volta das 15h. Enquanto alguns apoiadores e parlamentares aliados revezaram entre andar e seguir de carro, os que não tinham essa escolha se sentavam no acostamento da rodovia para descansar e contavam apenas com a distribuição de comida e água em alguns pontos do trajeto, feita por outros apoiadores.

    A única separação entre os manifestantes e a BR-040 era uma corda segurada por seguranças e apoiadores e o grito de policiais que tentavam conter a multidão. Empurrões a quem ficava na beira do acostamento eram comuns. Havia idosos e crianças junto ao grupo.

    A PRF (Polícia Rodoviária Federal) afirmou que a caminhada oferece “riscos de segurança”. O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), lider do PT na Câmara, também publicou vídeo em que afirma que a manifestação “é crime e está colocando a vida de pessoas em risco”.

    Nikolas afirmou à Folha que escolheu fazer uma caminhada porque “não queria ficar na porta de nada, permanecer, fazer barraca, acampamento” porque “isso poderia dar uma abertura para quem quisesse atrapalhar o movimento”.

    Em 2022, bolsonaristas ficaram por semanas acampados em frente ao Quartel-General do Exército, em Brasília, pedindo por uma intervenção militar que mantivesse Jair Bolsonaro (PL) no poder. Foi do acampamento que partiram parte dos manifestantes posteriormente condenados pelo 8 de janeiro.

    Apesar de ter convidado pessoas para participar do movimento, o deputado admitiu que não planejou como o trajeto de 240 km seria feito e disse nem o PL foi avisado previamente.

    “A logística foi feita na hora. A gente saiu de Paracatu e a gente foi colocando no Google Maps para poder ver quantos quilômetros daria até chegar em Brasília.”

    O que havia de estrutura oficial foi garantido ao próprio deputado, que fez o percurso acompanhado por policiais legislativos e um carro que o separava dos que buscavam caminhar à sua frente. Outros veículos de forças de segurança também seguiram o público, mas com presença menos constante do que ao redor do deputado.

    No trajeto da caminhada pela manhã, Nikolas, 29, também foi auxiliado por uma das assessoras, que ficou ao lado dele com uma garrafa de bebida isotônica e um creme de corpo. Nas paradas, de acordo com um assessor do deputado e vídeos publicados nas redes, o deputado tirava os sapatos, colocava os pés no gelo e passava uma pomada usada para o alívio de dores musculares.

    Questionados sobre por que estavam ali, os apoiadores repetiam pedidos por “liberdade”, críticas ao “sistema”, ao PT e à imprensa. “Quero um país livre, um país honesto”, disse Valisnéria Cristina, de São José do Rio Preto (SP), que viajou com marido e amigos para acompanhar o grupo.

    Outra manifestante, que pediu para não ser identificada, disse que “o povo tá sendo impedido de expressar a sua liberdade”. Ela caminhava junto a seu filho criança e disse não seguiria por muito tempo.
    Ao longo da caminhada, os participavam filmavam e posavam para fotos enquanto andavam. Alguns levaram pelúcias, como a de um boneco de Bolsonaro ou um batom, em referência a manifestante que ficou conhecida como Débora do Batom e foi condenada por participação no 8 de Janeiro.

    Os presentes também interpelavam os políticos para tirar fotos. O mais buscado era Nikolas, cujo acesso era controlado pelos seguranças e assessores que ficavam ao seu redor. Assim que um manifestante conseguia uma foto ou vídeo com ele, ele era retirado do círculo protetor e voltava a caminhar mais longe do deputado.

    De acordo com o deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ), o movimento cresceu ao longo dos dias, até chegar a centenas de manifestantes. “Quem tá desde o início sabe como que começou, tinham 20 pessoas, 30 pessoas no máximo.” Ele define o protesto, chamado de Acorda Brasil, como um ato de “resiliência”.

    André Fernandes (PL-CE) fez críticas aos ministros do Supremo Tribunal Federal. “Não é normal que os mesmos juízes que condenaram pessoas inocentes do 8 de Janeiro estejam acobertando e defendendo os criminosos do caso Master do INSS”.

    Já senador Marcos do Val (Podemos-ES) disse que a caminhada “não é para confrontar ninguém” e sim para “mostrar que o brasileiro tá indignado”. Ela estava vestindo uma camiseta que mostrava o ministro Alexandre de Moraes, relator dos casos sobre golpe de Estado, atrás das grades com as mãos sangrando.

    Apesar de afirmar não querer que seu protesto fosse utilizado por “políticos”, a manifestação estava cheia deles. Havia vereadores de cidades do interior que foram eleitos com apoio de Nikolas ou buscavam conquistá-lo, além de deputados, senadores e pré-candidatos às eleições deste ano.

    O vereador de Governador Valadares (MG), Igor Erick (Mobiliza), afirmou que foi à caminhada porque a juventude “tem a esperança de um Brasil melhor.

    Entre as faixas com críticas a Lula e Alexandre de Moraes, outra que se repetiu foi em pedido ao voto impresso.

    Caminhada de Nikolas tem mutirão de selfies e atrai políticos em busca visibilidade

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Política

  • Fachin foi cobrado por ministros do STF a fazer nota em defesa de Toffoli

    Fachin foi cobrado por ministros do STF a fazer nota em defesa de Toffoli

    Nas conversas travadas ao longo dos últimos dias para tentar estancar a crise de imagem do STF, esse grupo de ministros sugeriu a Fachin que um gesto institucional da presidência era fundamental para evidenciar o “espírito de corpo” da corte.

    CATIA SEABRA E LUÍSA MARTINS
    BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – A primeira manifestação pública do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, sobre a crise do Banco Master ocorreu após cobranças de uma ala da corte para que ele saísse em defesa do relator da investigação, ministro Dias Toffoli.

    Nas conversas travadas ao longo dos últimos dias para tentar estancar a crise de imagem do STF, esse grupo de ministros sugeriu a Fachin que um gesto institucional da presidência era fundamental para evidenciar o “espírito de corpo” da corte.

    Como mostrou a Folha, o presidente do STF vem enfrentando um impasse sobre como marcar posição a favor da ética -e avançar com o debate sobre a implementação de um código de conduta- sem que isso pareça uma provocação aos colegas, o que pode gerar uma crise interna e o seu isolamento.

    Pelo menos três ministros resistem à fixação das diretrizes e entendem que as discussões devem ser pausadas até que as tensões arrefeçam. A avaliação é de que a ofensiva de Fachin a favor do código acontece em um momento delicado e pode dar munição a novas críticas do bolsonarismo.

    Por isso, o conselho dado a Fachin foi no sentido de que, ainda que de forma temporária, ele deixasse essa pauta de lado e priorizasse uma deferência a Toffoli, especialmente depois que a PGR (Procuradoria-Geral da República) arquivou uma representação que buscava afastá-lo da relatoria do caso Master.

    Na nota divulgada à imprensa na noite de quinta-feira (22), Fachin escreveu que Toffoli faz “a regular supervisão judicial” das investigações sobre as fraudes financeiras e disse que as críticas são legítimas, mas que o STF “não se curva a ameaças ou intimidações”.

    Não houve menção explícita ao código de ética. Apesar de frequentemente tratar desse assunto com os ministros, Fachin optou por dizer apenas que “todas as instituições podem e devem ser aperfeiçoadas, mas jamais destruídas”.

    Interlocutores de Fachin afirmam que a nota do presidente do STF em defesa de Toffoli foi formatada a partir das sugestões dadas pelos colegas e que ele buscou traduzir, em um só texto, as visões de cada um.

    A nota foi publicada em meio às alegações de suspeição e a defesa dentro da corte de que ele remeta as investigações à primeira instância.

    Essa solução é vista por ministros do STF como uma espécie de “saída honrosa”: já que não há, por ora, linha investigativa que aponte para a participação de autoridades com foro privilegiado, essa seria uma forma de tirar a corte do foco da crise e manter válidos os atos assinados pelo relator até aqui.

    Toffoli tem dito a auxiliares que sua imparcialidade não está em jogo e que não há motivo para se afastar do caso. Ao mesmo tempo, indicou que os próximos passos da investigação -como os depoimentos que serão colhidos na próxima semana- podem apontar para o envio do processo ao primeiro grau.

    Fachin foi cobrado por ministros do STF a fazer nota em defesa de Toffoli

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Política

  • Damares declara apoio a Flávio e diz que ajudará a levar evangélicos para campanha

    Damares declara apoio a Flávio e diz que ajudará a levar evangélicos para campanha

    Apesar da proximidade com a família Bolsonaro, sobretudo com a ex-primeira-dama Michelle, Damares é um dos principais quadros do Republicanos, partido do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.

    THAÍSA OLIVEIRA
    BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – A senadora e ex-ministra da Mulher Damares Alves (Republicanos-DF) diz que vai “embarcar” na campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência e ajudá-lo no que for possível, seja com o eleitorado evangélico ou feminino.

    Apesar da proximidade com a família Bolsonaro, sobretudo com a ex-primeira-dama Michelle, Damares é um dos principais quadros do Republicanos, partido do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.

    “A partir de agora, eu vou embarcar na campanha e quero ajudar na construção do programa de governo”, diz a senadora à reportagem.

    O apoio enfático de Damares ocorre em um momento em que aliados de Flávio tentam aplacar a pressão para que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) reveja a decisão sobre o primogênito ou deixe o caminho livre para que Tarcísio também se posicione como candidato à Presidência.

    Nesta sexta-feira (23), Tarcísio voltou a afirmar, pela terceira vez em duas semanas, que não quer se candidatar a presidente no lugar de Flávio. O governador teria a primeira conversa com Bolsonaro desde o anúncio de Flávio na quinta (22), mas remarcou a visita ao ex-presidente para semana que vem.

    Damares diz que quer ajudar Flávio junto ao eleitorado evangélico. A senadora entrou em rota de colisão com o pastor Silas Malafaia nos últimos dias ao afirmar ter indícios de participação de igrejas evangélicas no escândalo de descontos indevidos do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

    Diferentemente de Damares, Malafaia afirmou em entrevista ao SBT News que a candidatura de Flávio “não empolgou a direita”.

    Como mostrou a Folha de S. Paulo, o filho mais velho de Bolsonaro planeja intensificar aparições em eventos evangélicos, um flanco que o pai, hoje inelegível e preso, trata como ativo eleitoral decisivo -representa 27% da população brasileira.

    Damares diz que também quer ajudar Flávio a montar o plano de governo dele com uma proposta de enfrentamento ao feminicídio -crime que bateu um novo recorde no ano passado, com ao menos quatro assassinatos por dia, segundo o Ministério da Justiça.

    “Vamos começar a trabalhar. Eu quero ajudar o Flávio a cumprir todas as pautas de Estado de direitos humanos. Quero sentar com a equipe dele e ajudar também na garantia do direito das crianças e no atendimento aos povos indígenas.”

    Com a insistência de Bolsonaro no nome de Flávio, integrantes do Republicanos afirmam que o partido tende a liberar os diretórios estaduais para apoiar o candidato que quiserem. O Republicanos integra o governo Lula (PT) por meio do ministro Silvio Costa Filho, de Portos e Aeroportos.

    O nome de Flávio também é considerado problemático para os candidatos do partido da região Nordeste, incluindo a Paraíba -estado onde o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), tenta fazer com que o pai, Nabor Wanderley (Republicanos), seja eleito senador.

    Em dezembro, quando Flávio anunciou que havia sido escolhido pelo pai, Damares divulgou um vídeo em que dizia ter um líder e seguir a orientação dele.

    “Eu tenho um líder. E o meu líder é Jair Messias Bolsonaro. Será exatamente como Jair Messias Bolsonaro desejar e decidir. Flávio, que Deus te abençoe. Amigo, agora a decisão também é sua. E vou lhe falar: pode contar comigo”, disse a senadora, na ocasião.

    Damares declara apoio a Flávio e diz que ajudará a levar evangélicos para campanha

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Política

  • Caminhada de Nikolas tem proteção policial e assessora de plantão com pomada e Gatorade

    Caminhada de Nikolas tem proteção policial e assessora de plantão com pomada e Gatorade

    Nikolas partiu na última segunda-feira (19) da cidade de Paracatu, em Minas Gerais, em direção à capital federal. Ele organizou a marcha como um protesto contra a condenação de apoiadores de Jair Bolsonaro (PL) pelo STF (Supremo Tribunal Federal) na investigação sobre a tentativa de golpe de Estado.

    LAURA SCOFIELD
    CRISTALINA, GO (CBS NEWS) – Enquanto caminha cercado de centenas de apoiadores rumo a Brasília, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) conta com a proteção de forças policiais e o apoio de funcionários de seu gabinete para comer e aliviar as consequências físicas do percurso. O parlamentar andou até esta sexta (23) cerca de 160 km e afirma não ter feito preparação prévia.

    Nikolas partiu na última segunda-feira (19) da cidade de Paracatu, em Minas Gerais, em direção à capital federal. Ele organizou a marcha como um protesto contra a condenação de apoiadores de Jair Bolsonaro (PL) pelo STF (Supremo Tribunal Federal) na investigação sobre a tentativa de golpe de Estado.

    No trajeto da caminhada pela manhã, acompanhado pela reportagem, uma das assessoras de Nikolas ficou ao lado do deputado com uma garrafa de Gatorade, bebida hidratante, e um creme de corpo.

    Nas paradas, de acordo com um assessor e vídeos, o deputado tira os sapatos, coloca os pés no gelo e passa uma pomada usada para o alívio de dores musculares.

    Apesar de haver apoiadores oferecendo comida no caminho, o cordão de proteção que se fomou ao redor do deputado não permite que ele pare. A assessoria do gabinete teme que em meio aos apoiadores haja infiltrados que possam agredir o deputado.

    Em conjunto, a Polícia Militar de Goiás, a Polícia Legislativa e a Polícia Rodoviária Federal acompanham a caminhada que partiu nesta sexta sob chuva, às 8h30, do povoado de São Bartolomeu, em Cristalina, a Luziânia, em Goiás. O Corpo de Bombeiros também participou da ação, mas com foco especial na parte mais estreita do trajeto, conhecida por registrar acidentes.

    Apoiadores que queiram falar ou tirar fotos com o deputado durante a manifestação têm pouco tempo, já que o cordão de segurança tenta controlar o movimento de pessoas e pede que elas se retirem logo após o contato.

    Nikolas Ferreira tem caminhado por cerca de 40 km por dia e diz não ter planejado as paradas para comer e os pontos para dormir. “A logística foi feita na hora. A gente saiu de Paracatu e a gente foi colocando no Google Maps para poder ver quantos quilômetros faltavam para chegar em Brasília, e aí a cada 30 ou 40 quilômetros a gente tentava ver se tinha alguma casa”, disse à reportagem. Ele passou a noite de quarta para quinta em uma fazenda em Cristalina.

    Nesta sexta, uma das paradas para o almoço do grupo foi organizada perto de um posto na rodovia Presidente Juscelino Kubitschek com o apoio do vereador de Goiânia Igor Franco (MDB-GO).

    Nikolas planeja chegar no domingo (25) à Praça do Cruzeiro em Brasília, onde fará uma manifestação contra as condenações por golpe de Estado. O deputado não sabe se o movimento terá adesão de outros nomes do bolsonarismo, como a primeira-dama Michelle Bolsonaro.

    Os deputados André Fernandes (PL-CE), Coronel Zucco (PL-RS) e Gustavo Gayer (PL-GO) têm acompanhado o parlamentar no trajeto, além do senador Marcos do Val (Podemos-ES).

    Na terça, os filhos do ex-presidente declararam apoio à proposta do deputado. Carlos Bolsonaro, pré-candidato ao Senado por Santa Catarina, participou pessoalmente da manifestação naquele dia.

    Nesta sexta (23), o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), lider do PT na Câmara, publicou vídeo em que afirma que a caminhada “é crime e está colocando a vida de pessoas em risco na BR 040”.

    Caminhada de Nikolas tem proteção policial e assessora de plantão com pomada e Gatorade

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Política

  • Malafaia e Paulo Figueiredo trocam farpas após pastor defender Tarcísio à Presidência

    Malafaia e Paulo Figueiredo trocam farpas após pastor defender Tarcísio à Presidência

    Em entrevista ao SBT News, Malafaia afirmou que Tarcísio deve ser o nome da direita na disputa pelo Palácio do Planalto. Na avaliação do pastor, a candidatura de Flávio Bolsonaro “não empolgou a direita”. Segundo ele, derrotar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) exige a formação de uma frente que reúna centro e direita – articulação que, em sua leitura, Tarcísio teria mais capacidade de liderar.

    O pastor Silas Malafaia e o influenciador Paulo Figueiredo trocaram críticas nesta quinta-feira, 22, no X, após o líder religioso defender a candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), à Presidência da República, em detrimento do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

    Em entrevista ao SBT News, Malafaia afirmou que Tarcísio deve ser o nome da direita na disputa pelo Palácio do Planalto. Na avaliação do pastor, a candidatura de Flávio Bolsonaro \”não empolgou a direita\”. Segundo ele, derrotar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) exige a formação de uma frente que reúna centro e direita – articulação que, em sua leitura, Tarcísio teria mais capacidade de liderar.

    A troca de críticas teve início depois que Figueiredo publicou em seu perfil no X considerar \”triste\” que Malafaia tenha apostado no \’cavalo errado\”, em referência ao apoio ao governador paulista.

    Na sequência, Malafaia recorreu ao X para rebater. Classificou o influenciador como \’frouxo e falastrão que não suporta ideias contrárias\’ e ironizou que \’fácil é ficar nos EUA atacando o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e aqueles que pensam diferente\”.

    Em seguida, Figueiredo reagiu com ironia. Disse que Malafaia teria ficado \”doído com a primeira verdade que ouviu\” e acrescentou que \”pitis\” desse tipo não o afetam.

    Malafaia voltou a reagir e desafiou Figueiredo para um debate. Na sequência, citou o avô do influenciador, o ex-presidente João Figueiredo, ao afirmar que ele foi ministro nos governos Emílio Garrastazu Médici – a quem o pastor classificou como \”o maior torturador de todos\” – e Ernesto Geisel, que, segundo Malafaia, não \”suportava opiniões contrárias\”.

    Paulo Figueiredo respondeu afirmando que aceitava o debate e ironizou o pastor ao dizer que Malafaia confundiu seu avô, o ex-presidente João Figueiredo, com seu pai, que, segundo o influenciador, era civil.

    O confronto entre o líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo é o segundo envolvendo aliados do bolsonarismo nas últimas semanas. Antes, Malafaia havia atacado a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) por divulgar nomes de pastores e igrejas citados em investigações sobre descontos ilegais em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

    Malafaia e Paulo Figueiredo trocam farpas após pastor defender Tarcísio à Presidência

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Política

  • Tarcísio promete 'trabalhar muito em prol do Flávio' após crise com clã Bolsonaro

    Tarcísio promete 'trabalhar muito em prol do Flávio' após crise com clã Bolsonaro

    “O [ex-]presidente nunca me pressionou. Nunca. Por nada. Nosso relacionamento sempre foi um relacionamento de amigo. Ele nunca me pediu nada, a única coisa que ele me pediu foi para ser candidato ao Governo do Estado de São Paulo”, disse, em evento para entrega de casas em Embu das Artes (Grande SP).

    BRUNO RIBEIRO
    EMBU DAS ARTES, SP (CBS NEWS) – Em seu primeiro evento público após a mais recente crise com o clã Bolsonaro, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) prometeu nesta sexta-feira (23) intensificar o apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e disse que nunca recebeu pressões de Jair Bolsonaro (PL).

    “O [ex-]presidente nunca me pressionou. Nunca. Por nada. Nosso relacionamento sempre foi um relacionamento de amigo. Ele nunca me pediu nada, a única coisa que ele me pediu foi para ser candidato ao Governo do Estado de São Paulo”, disse, em evento para entrega de casas em Embu das Artes (Grande SP).

    “Não tem nada de pressão. Até porque, agora, a gente vai trabalhar muito em prol, aí, do Flávio Bolsonaro. Não vai ter problema nenhum quanto a isso”, completou.

    Após marcar uma visita a Bolsonaro na Papudinha e depois cancelar, Tarcísio tem sido alvo de aliados bolsonaristas que questionam sua falta de apoio à candidatura de Flávio e acusam o governador de costurar uma candidatura própria à Presidência, o que ele nega.

    Tarcísio apresentou uma versão para o cancelamento da visita que faria a Bolsonaro, que estava marcada para quinta-feira (22), diferente dos relatos de aliados -que citam o incômodo dele com a pressão de Flávio.

    “O cancelamento é questão de agenda, não tem nada a ver. Quando você marca uma visita, o tribunal atribui uma data e pode acontecer de, naquela data, não ser possível por uma razão qualquer. Eu tinha uma razão pessoal, não podia ir naquela data, imediatamente pedi outra data para o Supremo, que já foi autorizada”, disse.

    A visita de Tarcísio a Bolsonaro havia sido autorizada pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes na última segunda-feira (19). O pedido foi feito pela defesa de Bolsonaro, após um pedido do ex-presidente repassado pela ex-primeira-dama Michelle.

    Apenas na terça-feira (20), após Flávio dizer que a visita se daria para Bolsonaro enquadrar Tarcísio, é que o governador decidiu cancelar a agenda. Na ocasião, citou ter outros compromissos, mas sua agenda pública divulgada nesta quinta contou apenas com despachos internos no Palácio dos Bandeirantes.

    Uma pessoa que participou da costura da data disse que, caso isso tivesse ocorrido, a defesa trocaria a data das visitas já autorizadas, uma vez que, além de Tarcísio, Bolsonaro havia pedido para ver outros dois aliados.

    Tarcísio foi questionado três vezes sobre o que fez nesta quinta e quais compromissos o mantiveram em São Paulo, mas preferiu não responder.

    O governador falou com a imprensa durante uma cerimônia de entrega de unidades habitacionais em Embu das Artes. Entre outros políticos, ele estava acompanhado do ex-prefeito Ney Santos (Republicanos), que foi condenado a 3 anos de prisão em regime semiaberto em novembro passado por porte ilegal de arma.

    Durante a entrevista coletiva, Tarcísio tratou como “especulação” os relatos de que trabalha para construir uma candidatura presidencial.

    “Sempre falei que meu candidato é o Bolsonaro ou quem ele indicar. Ele indicou o Flávio. Então, quem é meu candidato agora? É o Flávio. Então, não é nada diferente do que eu falo desde 2023. Agora, tem muita especulação e isso é normal porque o pessoal sempre vê o governador de São Paulo como uma figura presidenciável. Não vou apresentar uma carta de renúncia [em abril]”, disse.

    Questionado, ele disse ainda que estava dando apoio enfático a Flávio. “Mais enfático do que isso?”, questionou.

    Tarcísio promete 'trabalhar muito em prol do Flávio' após crise com clã Bolsonaro

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Política