Categoria: TECNOLOGIA

  • Investigação alerta para impacto de vídeos curtos no desenvolvimento de crianças

    Investigação alerta para impacto de vídeos curtos no desenvolvimento de crianças

    Duas investigadoras da Universidade de Macau concluíram que vídeos de formato curto usados nas redes sociais e vistos em “scrolling” nos celulares impactam negativamente o desenvolvimento cognitivo das crianças, podendo causar ansiedade social e insegurança.

    O consumo compulsivo de vídeos curtos tem um impacto negativo no desenvolvimento cognitivo, podendo causar falta de concentração, ansiedade social e insegurança”, explicou à agência Lusa Wang Wei, professora de Psicologia Educacional da Universidade de Macau e autora do estudo “Dependência de vídeos curtos, envolvimento escolar e inclusão social entre estudantes rurais chineses”.

    “Essa dinâmica dos vídeos curtos pode ser particularmente perigosa para as crianças”, alertou a pesquisadora. “Nossa investigação indica uma correlação direta: quanto mais os estudantes consomem vídeos curtos, menos se envolvem com a escola”, acrescentou Wang.

    Segundo ela, embora as necessidades psicológicas fundamentais das crianças devam ser atendidas fora do ambiente digital, a estrutura das plataformas de vídeos curtos — com algoritmos personalizados e recursos de interação social — acaba satisfazendo de forma direta e sutil essas mesmas necessidades.

    Essa satisfação paralela, aponta a pesquisa, “pode levar ao uso excessivo e até ao vício”.

    “A natureza estimulante e acelerada dos vídeos curtos os torna extremamente atraentes para os alunos”, destacou.

    Já Anise Wu Man Sze, professora de Psicologia na Faculdade de Ciências Sociais da Universidade de Macau e autora do estudo “A relação dos componentes afetivos e cognitivos no uso problemático de vídeos curtos”, acrescenta que a superestimulação também prejudica o desenvolvimento cognitivo saudável das crianças.

    Os vídeos curtos capturam a atenção com facilidade justamente porque “estão sempre disponíveis e são gratuitos”, destacou Wu à Lusa. As pessoas podem acessar grandes quantidades desse conteúdo “a qualquer hora e em qualquer lugar”.

    Segundo ela, comportamentos de dependência geralmente têm origem em um “propósito funcional”.

    “É preciso aumentar a conscientização, especialmente quando o uso começa a afetar a vida cotidiana, levando à redução do tempo com a família, à privação de sono ou ao consumo de conteúdo em momentos inadequados, como durante as aulas ou ao dirigir, colocando em risco a própria pessoa ou outras”, afirmou.

    Além do design das plataformas, do uso de algoritmos e da própria natureza dinâmica dos vídeos, Wu identificou outros fatores que contribuem para o comportamento de dependência.

    De acordo com a pesquisadora, o estresse diário, o ambiente e até predisposições genéticas também influenciam esses comportamentos, conforme detalhado no estudo.

    “Na verdade, uma das principais razões para a dependência — que resulta nesses comportamentos compulsivos — é a tentativa de escapar de realidades desagradáveis, pressões ou situações que as pessoas preferem evitar”, explicou Anise Wu, reforçando a necessidade de conscientização sobre os efeitos do consumo de vídeos curtos.

    Em relação a intervenções voltadas às crianças, Wang Wei destacou que “é muito importante” atender às necessidades emocionais delas, ao mesmo tempo em que se desenvolvem habilidades de letramento digital e autorregulação — “em vez de simplesmente tirar o celular”.

    Até dezembro de 2024, o número de pessoas com acesso a vídeos curtos na China chegou a cerca de 1,1 bilhão, sendo que 98,4% eram usuários ativos desse formato, segundo o Relatório Anual sobre o Desenvolvimento dos Serviços Audiovisuais na Internet, publicado pelas autoridades chinesas.

    “A dimensão da indústria ultrapassou 1,22 trilhão de yuans (cerca de 149 bilhões de euros), impulsionada pelo consumo de vídeos curtos e transmissões ao vivo. As microsséries registraram um crescimento explosivo de usuários, enquanto a inteligência artificial generativa remodelou o ecossistema de conteúdo”, destacou o relatório.

    Investigação alerta para impacto de vídeos curtos no desenvolvimento de crianças

  • Microsoft: IA vai automatizar trabalho de escritório em 18 meses

    Microsoft: IA vai automatizar trabalho de escritório em 18 meses

    O CEO da Microsoft AI, Mustafa Suleyman, acredita que trabalhos advogado, contabilista, gestor de projeto ou na área do marketing – onde se recorre a um computador – terão tarefas 100% automatizadas nos próximos 18 meses.

    O CEO da divisão de Inteligência Artificial da Microsoft, Mustafa Suleyman, afirmou em entrevista ao Financial Times que, no ritmo em que a tecnologia está avançando, alguns trabalhos de escritório podem desaparecer em pouco mais de um ano.

    “Trabalho de escritório, em que você está sentado no computador, seja como advogado, contador, gerente de projeto ou profissional de marketing — a maioria dessas tarefas estará 100% automatizada por Inteligência Artificial nos próximos 12 a 18 meses”, declarou Suleyman.

    A previsão do líder da Microsoft AI se baseia no fato de que a empresa está desenvolvendo modelos de Inteligência Artificial que, segundo ele, serão capazes de desempenhar tarefas atualmente realizadas por trabalhadores de escritório em computadores.

    Além disso, Suleyman acrescentou que agentes de Inteligência Artificial devem se tornar ainda mais eficientes na coordenação de atividades em grandes empresas nos próximos dois a três anos.

    “Melhor conselho de carreira”

    Cofundador e ex-líder da DeepMind, da Google, e atual CEO da divisão de Inteligência Artificial da Microsoft, Mustafa Suleyman compartilhou em sua página na rede social X o que considera ser o “melhor conselho de carreira” que já recebeu.

    “Se uma oportunidade é um pouco intimidadora e parece um desafio, então provavelmente é a oportunidade certa”, escreveu Suleyman na plataforma.

    Vale lembrar que Suleyman ajudou a fundar a DeepMind em 2010, e que a empresa de Inteligência Artificial foi adquirida pela Google em 2014 por cerca de 400 milhões de libras (455,4 milhões de euros). Em 2019, ele se juntou oficialmente à Google e deixou a gigante de tecnologia em 2022 para fundar a Inflection AI.

    Ao observar a trajetória de Suleyman, fica claro que o conselho que ele compartilha agora na rede social X é algo que parece ter seguido ao longo da carreira. A julgar por publicações anteriores, ele também procura contratar pessoas com a mesma disposição para assumir riscos.

    “Prefiro contratar alguém que assumiu grandes riscos e falhou do que alguém que jogou pelo seguro e acertou”, escreveu Suleyman em outra publicação na plataforma.

    Microsoft: IA vai automatizar trabalho de escritório em 18 meses

  • Dona da Ray-Ban diz que vendeu 7 milhões de óculos de IA da Meta em 2025

    Dona da Ray-Ban diz que vendeu 7 milhões de óculos de IA da Meta em 2025

    A EssilorLuxottica revelou na mais recente apresentação de resultados que, só em 2025, foram vendidas mais de 7 milhões de unidades dos óculos inteligentes da Meta equipados com Inteligência Artificial.

    A empresa responsável pela Ray-Ban, a EssilorLuxottica, revelou em sua mais recente apresentação de resultados financeiros que, em 2025, foram vendidas mais de 7 milhões de unidades dos óculos inteligentes com Inteligência Artificial desenvolvidos em parceria com a Meta.

    Segundo a CNBC, esse número é muito superior ao registrado entre 2023 e 2024, período em que a EssilorLuxottica informou ter vendido “apenas” 2 milhões de unidades. O crescimento levou a empresa a considerar sua entrada no mercado de wearables um sucesso.

    “O nosso sucesso no mercado de wearables está ajudando a impulsionar a revolução dos óculos com Inteligência Artificial, com nossas marcas icônicas sendo um poderoso motor de demanda”, declarou a EssilorLuxottica em comunicado.

    Vale lembrar que, em 2025, a Oakley — marca também pertencente à EssilorLuxottica — se juntou à Meta para lançar seus próprios óculos inteligentes com Inteligência Artificial.

    Esse parece ser apenas o início da colaboração entre a Meta e a EssilorLuxottica, já que as duas empresas decidiram estender a parceria em 2024.

    Dona da Ray-Ban diz que vendeu 7 milhões de óculos de IA da Meta em 2025

  • Metade dos fundadores da xAI abandonaram a empresa de IA de Musk

    Metade dos fundadores da xAI abandonaram a empresa de IA de Musk

    Apesar da saída desta semana, Jimmy Ba aproveitou para compartilhar uma publicação na rede social X onde agradeceu a Elon Musk e à equipe da xAI pelo trabalho feito em conjunto.

    A semana passada foi marcada pela saída de mais um fundador da xAI, empresa de Inteligência Artificial de Elon Musk que, com isso, passa a contar com apenas metade dos 12 fundadores originais.

    O cofundador mais recente a deixar a xAI foi Jimmy Ba, que publicou uma mensagem na rede social X agradecendo a Elon Musk.

    “Sou grato por ter ajudado desde o início. Um enorme agradecimento a Elon Musk por nos reunir nessa jornada incrível”, escreveu Ba. “Tenho muito orgulho do que a xAI construiu e continuarei próximo como amigo da equipe. Obrigado por todo o trabalho realizado em conjunto. As pessoas e o espírito de equipe são os verdadeiros tesouros deste lugar.”

    Segundo o Business Insider, que ouviu fontes próximas à xAI, Ba era responsável por grande parte das operações da empresa até o fim do ano passado. No entanto, suas responsabilidades foram retiradas e divididas entre outros dois cofundadores, Tony Wu e Guodong Zhang.

    Wu, porém, deixou a empresa dois dias antes de Ba, o que obrigou a xAI a passar por uma nova reestruturação.

    Comissão Europeia investiga o Grok

    A Comissão Europeia anunciou a abertura de uma investigação contra o Grok, ferramenta de inteligência artificial da rede social X, por disseminação de imagens sexualmente explícitas manipuladas na União Europeia (UE), incluindo conteúdos que possam configurar abuso sexual infantil.

    Em comunicado divulgado em Bruxelas, o órgão executivo da UE informou a abertura de um novo processo formal contra o X, com base na Lei dos Serviços Digitais, para “avaliar se a empresa avaliou e mitigou adequadamente os riscos associados à implementação das funcionalidades do Grok […] na UE”.

    “Esses riscos incluem a disseminação de conteúdos ilegais na UE, como imagens sexualmente explícitas manipuladas, incluindo conteúdos que possam constituir material de abuso sexual infantil”, afirmou a instituição, acusando o X de “expor os cidadãos da União a danos graves”.

    A investigação, tratada como prioritária, analisará com mais profundidade se o X cumpre, com o Grok, suas obrigações previstas na Lei dos Serviços Digitais — especialmente no que diz respeito à prevenção da disseminação de conteúdos ilegais, aos efeitos negativos relacionados à violência de gênero, às consequências graves e à comunicação adequada das “avaliações de risco” a Bruxelas.

    A apuração envolve a introdução de uma funcionalidade que permite a criação de conteúdos manipulados, conhecidos como deepfakes.

    A Comissão Europeia também ampliou outra investigação já em curso, iniciada em dezembro de 2023, sobre o cumprimento, por parte do X, das obrigações de gestão de riscos associadas aos seus sistemas de recomendação.

    Bruxelas quer verificar “o impacto da recente mudança anunciada para um sistema de recomendação baseado no Grok”.

    Caso as acusações sejam confirmadas, poderão ser caracterizadas diversas infrações à legislação europeia, sujeitas à aplicação de multas significativas.

    A Comissão Europeia informou que continuará reunindo provas, inclusive por meio de novos pedidos de informação, entrevistas e inspeções. Também poderá impor medidas provisórias caso não haja ajustes relevantes no serviço do X.

    O Grok é uma ferramenta de inteligência artificial desenvolvida desde 2024 pelo X, rede social do empresário norte-americano Elon Musk, que permite aos usuários gerar e editar textos e imagens, além de fornecer informações contextuais às publicações.

    A UE tornou-se a primeira jurisdição do mundo a adotar regras específicas para plataformas digitais, obrigando-as a remover conteúdos ilegais e nocivos no âmbito da nova Lei dos Serviços Digitais.

    A legislação foi criada para proteger os direitos fundamentais dos usuários online na UE e representa um marco regulatório inédito no ambiente digital, responsabilizando as plataformas por conteúdos prejudiciais, como desinformação.

    Empresas de tecnologia que descumprirem as regras podem receber multas proporcionais ao seu porte.

    Essas regras mais rigorosas têm gerado tensão entre Bruxelas e Washington, especialmente diante do apoio do governo norte-americano às grandes plataformas digitais.

    Os Estados Unidos argumentam que as recentes leis europeias criam barreiras não tarifárias que prejudicam suas gigantes de tecnologia, como Google, Amazon e Meta.

    Apesar das críticas norte-americanas, a Comissão Europeia já aplicou multas com base na nova legislação.

    Metade dos fundadores da xAI abandonaram a empresa de IA de Musk

  • OpenAI libera ChatGPT para Exército dos EUA e gera debate

    OpenAI libera ChatGPT para Exército dos EUA e gera debate

    Ferramenta será usada pelo governo norte-americano por meio de plataforma do Pentágono. Anúncio ocorre em meio a críticas internas após testes de publicidade no ChatGPT e questionamentos sobre uso de dados e impactos éticos da inteligência artificial

    A OpenAI anunciou, em publicação em seu blog oficial, que decidiu conceder ao Exército dos Estados Unidos acesso ao ChatGPT. A ferramenta ficará disponível ao governo norte-americano por meio da plataforma de inteligência artificial do Pentágono, a GenAI.mil, podendo ser utilizada para “todos os usos legais”.

    Segundo a empresa, a medida tem como objetivo ampliar o acesso das forças de defesa a tecnologias avançadas. “Acreditamos que as pessoas responsáveis por defender o país devem ter acesso às melhores ferramentas disponíveis. A inteligência artificial pode ajudar a proteger pessoas, dissuadir adversários e prevenir conflitos futuros”, informou a OpenAI.

    A versão do ChatGPT destinada ao Exército norte-americano terá adaptações em relação à versão disponibilizada ao público em geral. As mudanças foram feitas para permitir que o sistema lide com materiais e demandas específicas do Departamento de Defesa.

    Apesar de o acordo ser direcionado aos Estados Unidos, a OpenAI afirmou que pretende trabalhar com outros governos no futuro. “Nosso objetivo é ajudar governos a utilizar a inteligência artificial de forma eficaz e segura”, declarou a companhia.

    Críticas internas e debate sobre publicidade

    A decisão ocorre em meio a questionamentos sobre os rumos da empresa. A economista e pesquisadora Zoë Hitzig anunciou recentemente sua saída da OpenAI após dois anos na companhia. Em artigo publicado no The New York Times, ela afirmou que decidiu deixar a empresa após a OpenAI iniciar testes para exibição de anúncios publicitários no ChatGPT.

    Para Hitzig, a empresa pode estar repetindo erros cometidos pelo Facebook no início de sua trajetória. Segundo ela, a OpenAI estaria deixando de discutir de forma aprofundada os impactos sociais da tecnologia que desenvolve.

    No texto, a ex-pesquisadora comparou a situação ao período em que o Facebook prometia maior controle dos usuários sobre seus dados, algo que, segundo críticos, não se concretizou plenamente ao longo dos anos. Ela alertou que a introdução de publicidade pode alterar as prioridades da empresa e influenciar decisões futuras.

    Hitzig destacou ainda que o caso da OpenAI pode ser mais sensível, já que a empresa reúne dados provenientes de conversas diretas dos usuários com o ChatGPT, que incluem relatos pessoais, questões médicas, crenças religiosas e problemas de relacionamento.

    Segundo ela, muitos usuários compartilham informações íntimas com o chatbot por acreditarem que estão interagindo com um sistema sem interesses comerciais. A ex-pesquisadora classificou o conjunto de dados acumulado pela empresa como um “arquivo de sinceridade humana sem precedentes”.
     

     
     

    OpenAI libera ChatGPT para Exército dos EUA e gera debate

  • Apple lança iOS 26.3 com ferramenta para migrar ao Android

    Apple lança iOS 26.3 com ferramenta para migrar ao Android

    Nova atualização do iPhone traz recurso que facilita a transferência de dados para celulares com sistema do Google. Mudança ocorre após pressão regulatória da União Europeia para ampliar a interoperabilidade entre plataformas digitais.

    A Apple lançou oficialmente o iOS 26.3, nova atualização do sistema operacional do iPhone. Além de correções de falhas e melhorias de segurança, a versão traz um recurso que teria sido viabilizado por exigências da Comissão Europeia.

    A principal novidade é uma ferramenta que facilita a transferência de dados do iPhone para aparelhos com sistema Android, tornando mais simples a migração do ecossistema iOS para o sistema do Google.

    Com o novo recurso, usuários que decidirem trocar o iPhone por um smartphone Android não precisarão mais recorrer a aplicativos de terceiros para transferir informações. Contatos, mensagens, fotos, notas, aplicativos, senhas e outros dados poderão ser migrados de forma mais direta.

    Nos últimos anos, a Comissão Europeia tem intensificado a regulação sobre grandes empresas de tecnologia. A Lei dos Mercados Digitais tem como objetivo ampliar a interoperabilidade e reduzir barreiras em ecossistemas considerados fechados, como o da Apple.

    Além do iOS 26.3, a empresa também disponibilizou nesta quinta-feira, 12, o iPadOS 26.3, atualização para o iPad que inclui a mesma ferramenta de migração entre dispositivos Apple e Android.

     
     

    Apple lança iOS 26.3 com ferramenta para migrar ao Android

  • Brasil dá 5 dias para X bloquear imagens sexuais feitas por IA

    Brasil dá 5 dias para X bloquear imagens sexuais feitas por IA

    Justiça, ANPD e Senacon exigem que a plataforma impeça imediatamente a geração de conteúdos sexualizados pelo Grok, inclusive envolvendo crianças e pessoas sem consentimento. Empresa pode sofrer multas e novas ações judiciais se descumprir a determinação

    A Justiça brasileira e dois órgãos federais determinaram que a rede social X, do bilionário Elon Musk, adote medidas imediatas para impedir que sua ferramenta de inteligência artificial, o Grok, seja usada na criação de imagens de cunho sexual envolvendo crianças, adolescentes ou adultos sem consentimento.

    A decisão foi anunciada na quarta-feira pelo procurador-geral da República, pela Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e pela Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon). Os órgãos exigem que a plataforma implemente mecanismos eficazes para bloquear a geração de conteúdos sexualizados ou erotizados produzidos com o auxílio da ferramenta de IA.

    A X terá o prazo de cinco dias para cumprir a determinação. Caso contrário, poderá ser alvo de novas ações judiciais e da aplicação de multas.

    Segundo as autoridades brasileiras, a empresa já havia sido advertida em janeiro sobre o problema. À época, a plataforma informou ter removido milhares de publicações e suspendido centenas de contas relacionadas à divulgação de imagens inadequadas. Mesmo assim, de acordo com os órgãos de controle, usuários ainda conseguem gerar imagens de teor sexual por meio do Grok, o que levou à nova cobrança e à crítica por “falta de transparência” na resposta da empresa.

    No fim de 2025 e início de 2026, o robô conversacional passou a responder a comandos de usuários com imagens criadas por inteligência artificial, incluindo montagens que colocavam celebridades e pessoas comuns, majoritariamente mulheres, em situações de nudez ou trajes íntimos, sem autorização. A repercussão internacional gerou investigações em países como França e Reino Unido, além de apurações no âmbito da União Europeia.

    A Comissão Europeia também anunciou investigação sobre o Grok por suspeita de disseminação de imagens sexualmente explícitas manipuladas, inclusive conteúdos que poderiam configurar abuso sexual infantil.

    Em alguns países do Sudeste Asiático, como Malásia, Indonésia e Filipinas, o acesso à rede social chegou a ser suspenso temporariamente em meio à controvérsia, sendo restabelecido depois.

    Em meados de janeiro, a X afirmou que passaria a bloquear a geração de imagens de nudez de pessoas reais “nas jurisdições onde isso é ilegal”. No entanto, não há clareza sobre a efetividade dessas restrições.

    Relatório da organização não governamental Center for Countering Digital Hate (CCDH) apontou que o Grok teria gerado cerca de três milhões de imagens sexualizadas em apenas 11 dias, incluindo aproximadamente 23 mil envolvendo crianças e 1,8 milhão retratando mulheres. O levantamento indica uma média de cerca de 190 imagens por minuto no período analisado.

    Inicialmente, a criação desse tipo de conteúdo estava restrita a usuários pagantes da plataforma, mas as medidas de contenção vêm sendo questionadas por autoridades e entidades de defesa de direitos digitais.

    No Brasil, a relação entre a X e o Judiciário já passou por outros momentos de tensão. Em 2024, o Supremo Tribunal Federal determinou a suspensão temporária da rede no país após o descumprimento de decisões relacionadas ao combate à desinformação.
     
     

     

    Brasil dá 5 dias para X bloquear imagens sexuais feitas por IA

  • Google atualiza Discover para oferecer mais conteúdo original e menos sensacionalismo

    Google atualiza Discover para oferecer mais conteúdo original e menos sensacionalismo

    Empresa afirma que atualização prioriza conteúdo local e original, reduz materiais sensacionalistas e pode provocar oscilações no tráfego de sites, em meio ao debate sobre os impactos da inteligência artificial na distribuição de notícias

    (CBS NEWS) O Google anunciou uma atualização no Discover, feed de recomendações disponível em celulares Android e em aplicativos da empresa, como o Chrome, com a proposta de oferecer conteúdos mais relevantes e aprofundados aos usuários, reduzindo materiais considerados sensacionalistas.

    A mudança foi divulgada neste mês no blog Google Search Central e altera os sistemas responsáveis por selecionar e exibir artigos no feed. Segundo a companhia, testes internos indicaram que os usuários avaliaram a nova experiência como mais útil e valiosa.

    Entre os principais ajustes, o Google informou que passará a priorizar conteúdo local, dando mais destaque a sites baseados no país do usuário. A empresa também afirmou que vai reduzir a exibição de conteúdos classificados como sensacionalistas ou clickbait e ampliar a visibilidade de reportagens originais, aprofundadas e publicadas por veículos com expertise reconhecida em determinados temas.

    Como muitos sites demonstram ter conhecimento profundo sobre uma variedade de assuntos, nossos sistemas são desenhados para identificar a expertise caso a caso, afirmou a empresa. Na prática, isso significa que veículos com reputação consolidada em áreas específicas tendem a ganhar mais espaço no feed.

    De acordo com o Google, um site pode ser considerado autoridade em temas como jardinagem ou economia mesmo que publique sobre diversos assuntos. Por outro lado, conteúdos isolados fora do foco editorial do veículo devem ter menor alcance, como um portal especializado em cinema que publique eventualmente um artigo sobre gastronomia.

    Apesar das mudanças, o Discover continuará exibindo conteúdos alinhados às preferências e ao histórico de interesse de cada usuário.

    A atualização começou a ser disponibilizada para usuários de língua inglesa nos Estados Unidos e será expandida gradualmente para outros países e idiomas nos próximos meses. Ainda não há previsão de lançamento no Brasil.

    Como costuma ocorrer em alterações desse tipo, o Google alerta que podem ocorrer oscilações no tráfego dos sites. Alguns veículos podem registrar aumento de visitas, outros queda, enquanto muitos não devem perceber mudanças significativas.

    A atualização acontece em um momento em que o setor de notícias acompanha os impactos das transformações na busca online e na distribuição de conteúdo com o avanço de ferramentas de inteligência artificial.

    Levantamentos recentes indicam que recursos baseados em IA, como respostas automáticas exibidas diretamente na página de resultados do Google, têm reduzido o número de cliques em links de veículos jornalísticos, fenômeno conhecido como zero clique.

    Reportagem da Folha mostrou que o AI Overviews, recurso lançado em 2024 pelo buscador para fornecer respostas geradas por inteligência artificial, provocou uma queda de pelo menos 20,6 por cento no tráfego para sites de notícias, segundo estudo da empresa de análise de dados Authoritas.

    De acordo com o levantamento, na ausência de respostas geradas por IA, o primeiro link exibido em uma busca tinha taxa de cliques de 21,4 por cento. Com o AI Overviews, esse índice caiu para 8,93 por cento.

    O Google afirma, por sua vez, que o volume total de cliques orgânicos permanece relativamente estável e que a qualidade das visitas, medida pelo tempo de permanência nas páginas, aumentou após a implementação dos recursos de inteligência artificial.
     
     
     

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    Google atualiza Discover para oferecer mais conteúdo original e menos sensacionalismo

  • Elon Musk quer base na Lua para impulsionar IA da xAI

    Elon Musk quer base na Lua para impulsionar IA da xAI

    Segundo o The New York Times, bilionário defendeu em reunião interna a instalação de estruturas lunares para produção e lançamento de satélites voltados ao treinamento de modelos de inteligência artificial, ampliando a capacidade energética da empresa na corrida tecnológica.

    Elon Musk realizou, na terça-feira (10), uma reunião presencial com funcionários da xAI e voltou a defender a criação de uma base na Lua que também atenderia aos interesses da empresa de inteligência artificial.

    Segundo o jornal The New York Times, que afirma ter tido acesso a uma gravação do encontro, o bilionário disse que a companhia deveria instalar estruturas no solo lunar para fabricar satélites voltados ao desenvolvimento de modelos de IA. Musk também teria mencionado a ideia de construir uma espécie de catapulta gigante para lançar esses equipamentos ao espaço.

    “Você precisa ir para a Lua”, teria afirmado o empresário durante a reunião. De acordo com o relato, ele argumentou que a iniciativa daria à xAI uma vantagem energética significativa em relação a outras empresas que disputam a corrida pela inteligência artificial. “É difícil imaginar o que uma inteligência dessa magnitude pensaria, mas será incrivelmente empolgante ver isso acontecer”, acrescentou.

    A proposta se soma ao anúncio recente da fusão entre a SpaceX e a xAI. A nova estrutura empresarial tem como objetivo utilizar satélites em órbita para auxiliar no treinamento de modelos de IA.

    A ideia envolve a criação de centros de dados no espaço, que poderiam operar com energia solar e aproveitar as baixas temperaturas do ambiente espacial para resfriamento natural dos equipamentos, reduzindo custos e aumentando a eficiência operacional.
     

     

    Elon Musk quer base na Lua para impulsionar IA da xAI

  • Regulador britânico sela compromisso com Google e Apple para lojas de aplicativos mais justas

    Regulador britânico sela compromisso com Google e Apple para lojas de aplicativos mais justas

    Autoridade britânica abre consulta pública e estabelece regras para revisão, ranqueamento e interoperabilidade de aplicativos, com monitoramento contínuo e possibilidade de sanções caso compromissos não sejam cumpridos.

    A Autoridade de Concorrência e Mercados (CMA, na sigla em inglês) anunciou nesta terça-feira (10) que obteve compromissos da Apple e da Google para tornar mais justos, transparentes e previsíveis os processos das lojas de aplicativos no Reino Unido, além de ampliar a interoperabilidade do iOS e do iPadOS. A autoridade abriu uma consulta pública sobre o pacote, com prazo até 3 de março de 2026. Se aprovadas, as medidas entram em vigor em 1º de abril.

    Os compromissos incluem mudanças imediatas na revisão e no ranqueamento de aplicativos, que deverão ocorrer de forma objetiva e sem discriminação contra apps que concorram com produtos das próprias plataformas. Também estão previstas salvaguardas no uso de dados coletados de desenvolvedores e, no caso da Apple, a criação de um novo processo para pedidos de acesso interoperável a funcionalidades dos sistemas móveis, com critérios claros e prazos definidos.

    Segundo a CMA, as propostas são as primeiras ações após a designação, em outubro passado, das plataformas móveis da Apple e do Google como detentoras de “status de mercado estratégico” no novo regime de mercados digitais do país. A classificação permite à autoridade impor medidas direcionadas para garantir concorrência, escolhas abertas e maior transparência, sem a necessidade de processos longos.

    A implementação será monitorada de perto, com divulgação periódica de métricas como taxas de aprovação e rejeição de aplicativos, tempo de análise, número de reclamações e resultados, além de pedidos de interoperabilidade e seus desfechos. Caso as empresas não cumpram os compromissos, a CMA poderá avançar rapidamente para requisitos formais de conduta.

    Para a CEO da CMA, Sarah Cardell, os compromissos “dão aos desenvolvedores a confiança necessária para investir e inovar”, ao mesmo tempo em que demonstram a flexibilidade do regime britânico para entregar benefícios imediatos. A autoridade afirmou ainda que novas medidas estão em estudo, inclusive para ampliar a concorrência em carteiras digitais e apoiar o setor de fintechs.

    O Reino Unido abriga a maior economia de aplicativos da Europa em receita e número de desenvolvedores, responsável por cerca de 1,5% do PIB e aproximadamente 400 mil empregos.

     

     
     

    Regulador britânico sela compromisso com Google e Apple para lojas de aplicativos mais justas