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  • Planos de saúde coletivos devem ter aumento entre 8% e 11% em 2026

    Planos de saúde coletivos devem ter aumento entre 8% e 11% em 2026

    Índices seguem superiores à inflação geral, estimada em 4,86% pelo boletim Focus. Setor registrou lucro de R$ 24,4 bilhões em 2025, equivalente a 6,2% da receita total

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Os reajustes dos planos de saúde coletivos devem desacelerar em 2026, mas continuarão pesando no bolso dos brasileiros. Projeções de consultorias apontam aumentos médios entre 8% e 11% neste ano, patamar próximo ao observado em 2025 (11,15%) e abaixo do pico registrado em 2023 (14,14%). Ainda assim, os índices seguem acima da expectativa de inflação geral -estimada em 4,86% pelo último boletim Focus.

    A desaceleração ocorre após um período de aumentos mais elevados, especialmente na retomada pós-pandemia, quando as operadoras enfrentaram resultados mais pressionados e aplicaram reajustes maiores, com menor margem de negociação. Segundo a Acrisure, empresa especializada em seguros e benefícios corporativos, esse movimento contribuiu para a melhora dos resultados do setor, abrindo espaço para índices mais moderados nos anos seguintes.

    “Esse esforço trouxe sensível melhoria nos resultados e, consequentemente, possibilitou índices menores nos anos seguintes. Também é preciso ressaltar os investimentos contínuos em tecnologia, principalmente voltados ao combate às fraudes, bem como a ampliação dos programas de gerenciamento e monitoramento de pacientes crônicos”, afirma Marcio Tosi, vice-presidente de benefícios corporativos da Acrisure Brasil.

    A ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), responsável pela regulação do setor, afirma que não faz projeções para reajustes de planos coletivos. Segundo a agência, os percentuais são definidos pelas operadoras conforme regras contratuais e características de cada plano.

    No caso dos planos individuais e familiares, o índice máximo de reajuste é estabelecido anualmente pela ANS. A agência também diz monitorar os aumentos, especialmente nos contratos coletivos, com base na análise dos comunicados de reajuste enviados pelas operadoras ao órgão regulador.

    Gustavo Ribeiro, presidente da Abramge (Associação Brasileira de Planos de Saúde), que representa a maioria das empresas de saúde suplementar, afirma que, no setor, há um trabalho contínuo para buscar reajustes mais equilibrados, com foco em reduzir o impacto para os beneficiários sem comprometer a qualidade assistencial. Ganhos de eficiência, melhor gestão e organização do cuidado contribuem para esse processo”, diz.

    Apesar disso, especialistas e entidades avaliam que a pressão sobre os custos permanece estrutural. Fatores como envelhecimento da população, inflação médica, maior utilização dos serviços e judicialização estão entre aqueles que contribuem com as despesas assistenciais em alta.

    Ribeiro afirma ainda que esse cenário é mais sensível para operadoras de pequeno e médio porte, que têm menor capacidade de absorver oscilações de custos, apesar de terem papel relevante na ampliação do acesso à saúde. Em 2025, esse grupo registrou resultado operacional negativo de cerca de R$ 200 milhões, e 45% das empresas encerraram o ano com prejuízo.

    Dados enviados pelas operadoras e administradoras de benefícios à ANS mostram que, em 2025, o setor de saúde suplementar teve receita total de R$ 391,6 bilhões e lucro líquido de R$ 24,4 bilhões, o que é equivalente a 6,2% da receita. Isso significa que, a cada R$ 100 arrecadados, cerca de R$ 6,20 foram convertidos em lucro. Os números também mostram forte concentração: três das maiores operadoras responderam por 49% do resultado do setor.

    A sinistralidade, indicador que mede a relação entre custos assistenciais e receitas das operadoras e é o principal indicador do desempenho do setor, foi de 81,7% em 2025, queda de 2,1 pontos percentuais em relação ao ano anterior. Isso significa que 81,7% das receitas com mensalidades foram destinadas ao para despesas assistenciais, no menor nível desde 2020.

    A FenaSaúde (Federação Nacional de Saúde Suplementar) aponta que o principal fator de desestabilização dos custos do setor continua sendo o preço de medicamentos. Segundo a ANS, os medicamentos corresponderam a 10,2% do total dos custos assistenciais em 2024 e cresceram mais de 40% em cinco anos.

    Na tentativa de conter esse avanço, a federação cita a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), de setembro do ano passado, que estabeleceu critérios mais rigorosos para a cobertura de medicamentos fora do rol da ANS. Ainda assim, a entidade diz que o impacto sobre as mensalidades não é imediato, já que depende da evolução das decisões judiciais.

    Pela decisão, o STF definiu que os planos de saúde devem cobrir procedimentos fora do rol da ANS desde que tenham prescrição médica e comprovação de eficácia e segurança, além de autorização pela Anvisa. Também estabeleceu que o tratamento não pode ter sido rejeitado pela ANS, ter análise pendente ou abordagem alternativa para a condição, criando filtros mais restritivos para a oferta desses serviços pelas operadoras.

    PREVISÃO DE REAJUSTE

    Thomás Ishizuka, superintendente atuarial da Mercer Marsh Benefícios, afirma que o reajuste médio projetado para 2026 na carteira da consultoria deve ficar entre 8% e 11%, em linha com a inflação médica. Segundo ele, esse índice foi de 9,14% em 2025 e deve permanecer na faixa de 9% a 11% neste ano. Para comparação, os reajustes médios da carteira da consultoria foram de 8,9% em 2025 e de 15,5% em 2024.

    Os dados também mostram melhora na sinistralidade, que caiu de 86,2% em 2023 para 79,5% em 2024 e 78,4% em 2025.

    Para Marcelo Borges, diretor executivo da companhia, medidas como coparticipação, restrições de reembolso e redes mais enxutas devem se consolidar no setor. Segundo ele, essas estratégias tendem a reduzir a sinistralidade e dar mais previsibilidade aos custos para as operadoras, mas exigem maior investimento em gestão de saúde.

    Para os beneficiários, o efeito pode ser a transferência de mais custos e limitações de acesso. “Isso pode elevar gastos diretos do usuário, afetar a continuidade do tratamento e gerar insatisfação, especialmente entre grupos com maior uso de serviços”, afirma. Por outro lado, o especialista diz que o mecanismo pode ser utilizado também como forma de reeducação na utilização dos serviços médicos.

    Ele afirma que a desaceleração observada nos últimos anos é um sinal positivo, mas não garante uma estabilização estrutural. Segundo o especialista, o equilíbrio só deve se consolidar de forma sustentável com mudanças mais profundas, como o fortalecimento da atenção primária e da negociação e regulação mais eficazes sobre preços de tecnologias e medicamentos de alto custo.

    A Aon, consultoria de serviços profissionais, prevê crescimento de 9,7% nos custos médicos corporativos no Brasil em 2026. O valor é o menor índice projetado para o país em dez anos.

    Além dos fatores já apontados por entidades do setor, a empresa destaca que a adoção de políticas de combate a fraudes e desperdícios financeiros, como o controle de reembolsos indevidos e outras irregularidades, também contribui para a redução do ritmo de alta dos custos.

    Planos de saúde coletivos devem ter aumento entre 8% e 11% em 2026

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  • Dólar no fim de 2026 segue em R$ 5,25 e no fim de 2027, calcula Focus

    Dólar no fim de 2026 segue em R$ 5,25 e no fim de 2027, calcula Focus

    A mediana para o dólar no fim de 2027 caiu de R$ 5,35 para R$ 5,30. Um mês antes, era de R$ 5,45

    A mediana do relatório Focus para a cotação do dólar no fim de 2026 ficou estável em R$ 5,25, depois de três semanas de queda. Um mês antes, a mediana para o dólar no fim de 2026 era de R$ 5,40. Considerando apenas as 74 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a estimativa intermediária permaneceu em R$ 5,24.

    A mediana para o dólar no fim de 2027 caiu de R$ 5,35 para R$ 5,30. Um mês antes, era de R$ 5,45. A estimativa intermediária para o fim de 2028 oscilou de R$ 5,40 para R$ 5,39. Há quatro semanas, era de R$ 5,50.

    Para 2029, a projeção recuou de R$ 5,41 para R$ 5,40. Há um mês, era de R$ 5,50.

    A projeção anual de câmbio publicada no Focus é calculada com base na média para a taxa no mês de dezembro, e não no valor projetado para o último dia útil de cada ano, como era até 2020.

    *Conteúdo elaborado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação do Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

    Dólar no fim de 2026 segue em R$ 5,25 e no fim de 2027, calcula Focus

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  • Mediana de IPCA 2026 passa de 4,86% para 4,89%, aponta Focus

    Mediana de IPCA 2026 passa de 4,86% para 4,89%, aponta Focus

    A estimativa intermediária do mercado para o IPCA de 2027 ficou estável em 4,00%, após cinco semanas de elevação

    A mediana do relatório Focus para o IPCA de 2026 aumentou pela oitava semana consecutiva, desta vez de 4,86% para 4,89%, distanciando-se ainda mais do teto da meta perseguida pelo Banco Central, de 4,50%. O movimento reflete a escalada das incertezas com a guerra no Oriente Médio, que provocou uma disparada nos preços do petróleo.

    Considerando apenas as 107 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a mediana subiu de 4,89% para 4,91%.

    A estimativa intermediária do mercado para o IPCA de 2027 ficou estável em 4,00% nesta leitura, após cinco semanas de elevação. Há um mês, era de 3,85%. Considerando apenas as 104 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, também permaneceu em 4,00%.

    A trajetória prevista pelo mercado segue acima da esperada pelo Banco Central, mesmo depois da revisão das estimativas do Comitê de Política Monetária (Copom) na última quarta-feira, 29.

    No comunicado da reunião de abril, o colegiado subiu a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026, de 3,9% para 4,6%, e para o IPCA de 2027, atual horizonte relevante da política monetária, de 3,3% para 3,5%.

    Na ocasião, o Copom observou que as projeções de inflação apresentam um distanciamento adicional em relação à meta no horizonte relevante para a política monetária e ponderou que a incerteza sobre elas foi elevada consideravelmente, em função da falta de clareza sobre a duração dos conflitos no Oriente Médio e seus efeitos.

    “O Comitê considera os impactos dos conflitos no Oriente Médio de forma prospectiva, em particular seus efeitos sobre a cadeia de suprimentos global e os preços de commodities que afetam direta e indiretamente a inflação no Brasil”, disse.

    A partir de 2025, a meta de inflação passou a ser contínua, com base no IPCA acumulado em 12 meses. O centro é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos. Se a inflação ficar fora desse intervalo por seis meses consecutivos, considera-se que o BC perdeu o alvo.

    No Focus desta segunda-feira, 4, a mediana para o IPCA de 2028 subiu pela segunda semana consecutiva, aumentou de 3,61% para 3,64%. Um mês antes, era de 3,60%. A estimativa intermediária para a inflação de 2029 permaneceu em 3,50% pela 35ª semana consecutiva.

    *Conteúdo elaborado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação do Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

    Mediana de IPCA 2026 passa de 4,86% para 4,89%, aponta Focus

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  • Prazo para declarar o Imposto de Renda 2026 acaba em 25 dias; saiba prestar contas sem erro

    Prazo para declarar o Imposto de Renda 2026 acaba em 25 dias; saiba prestar contas sem erro

    Quem não enviou o documento pode garantir vantagem no recebimento da restituição se declarar até 10 de maio; fisco espera receber 44 milhões de declarações do IR neste ano

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O prazo para declarar o Imposto de Renda 2026 termina em 25 dias, em 29 de maio. Quem é obrigado a prestar contas e atrasa paga multa mínima de R$ 165,74, que pode chegar a 20% do imposto devido no ano. Há ainda outras consequências.

    Quem não enviou o documento pode garantir vantagem no recebimento da restituição se declarar até 10 de maio. O contribuinte que presta contas até esta data tem chances de entrar no primeiro lote, desde que não caia na malha fina. Quem pretende pagar o IR no débito automático também tem até 10 de maio.

    O fisco espera receber 44 milhões de declarações do IR neste ano. O primeiro lote de restituição será liberado no próprio dia 29, quando também é a data final para quitar o Darf (Documento de Arrecadação das Receitas Federais) da cota única ou da primeira cota à Receita Federal.

    Apesar da vantagem de enviar o quanto antes, a Receita não recomenda fazer a declaração com pressa. Informações incorretas ou incompletas podem levar à malha fina, o que trava o pagamento da restituição até que as pendências sejam resolvidas. A restituição é paga respeitando uma lista de prioridades, que coloca idosos no topo dela.

    A orientação é conferir todos os dados com atenção antes de transmitir a declaração, além de evitar deixar o envio para os últimos dias, quando o sistema pode ficar sobrecarregado. Das 15,1 milhões de declarações entregues até 23 de abril, 1,05 milhão (6,96%) ficaram retidas na malha, percentual superior ao registrado no mesmo período do ano passado, quando era de 5,22%.

    Desse total, 257,8 mil declarações estão retidas por inconsistências geradas pelo novo modelo de cruzamento de dados da Receita, que utiliza o eSocial e a EFD-Reinf (Escrituração Fiscal Digital de Retenções e Outras Informações Fiscais), após o fim da Dirf (Declaração do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte).

    Entre as falhas mais comuns estão classificação incorreta de rendimentos -como salário, 13º e férias-, códigos errados usados por empresas e valores duplicados, além de despesas médicas ou planos de saúde informados duas vezes.

    Segundo José Carlos Fonseca, supervisor nacional do IR, o contribuinte deve ter como base os informes de rendimentos oficiais para preencher a declaração, mesmo que os dados estejam diferentes da declaração pré-preenchida. Além disso, só deve declarar informações para as quais tenha documentos que possa utilizar para provar.

    Ao notar divergências entre o informe e a pré-preenchida, a orientação é informar a empresa. Em geral, os empregadores fazem a correção e a própria Receita gera a declaração retificadora automaticamente para o contribuinte.

    COMO DECLARAR O IMPOSTO DE RENDA?

    A entrega da declaração do Imposto de Renda pode ser feita de três formas: pelo computador, ao baixar o PGD (Programa Gerador da Declaração); pela internet, por meio do sistema Meu Imposto de Renda no e-CAC (Centro de Atendimento Virtual); ou pelo aplicativo da Receita para celular ou tablet, também no MIR.

    O Meu Imposto de Renda permite preencher e enviar a declaração online, sem necessidade de download, enquanto o PGD exige instalação no computador. Em todos os casos, é possível utilizar a declaração pré-preenchida, que traz automaticamente informações enviadas por empresas, bancos e outras instituições. Mesmo assim, a responsabilidade de conferir os dados é do contribuinte.

    COMO AUMENTAR A RESTITUIÇÃO?

    O contribuinte pode utilizar deduções permitidas por lei para aumentar a restituição ou pagar menos Imposto de Renda. Gastos com dependentes, saúde, educação, previdência privada e oficial, entre outros, são dedutíveis do IR.

    Despesas médicas, como consultas, exames, internações, planos de saúde e cirurgias, entre outros, não têm limite desde que sejam comprovadas. Já gastos com educação têm limite anual de R$ 3.561,50 por pessoa e só incluem ensino formal, como escola, faculdade e cursos técnicos -despesas como material escolar, transporte e cursos de idiomas ficam de fora.

    Também podem ser deduzidos valores pagos ao INSS, contribuições ao PGBL (Programa Gerador de Benefício Livre) -a dedução é de até 12% da renda tributável no ano-, pensão alimentícia oficial e um valor fixo por dependente de R$ 2.275,08 no ano.

    Cada dedução segue regras específicas e erros são comuns, principalmente ao incluir gastos não permitidos ou informar valores diferentes dos comprovantes. No caso de despesas médicas, esquecer de descontar reembolsos ou não ter recibos pode levar à malha fina.

    A orientação é usar sempre documentos oficiais, declarar apenas valores efetivamente pagos e revisar todas as informações antes do envio. Além disso, é importante avaliar se vale a pena incluir dependentes, já que seus rendimentos também entram no cálculo e podem aumentar o imposto devido.

    QUAL O VALOR DAS DEDUÇÕES NO IR?

    Alguns gastos no ano garantem dedução no Imposto de Renda, isso faz com que o cidadão pague menos imposto ou tenha uma restituição maior.
    – Dedução por dependente: R$ 2.275,08 (valor mensal de R$ 189,59)
    – Limite anual de despesa com educação: R$ 3.561,50
    – Limite anual do desconto simplificado (desconto-padrão): R$ 16.754,34
    – Para despesas de saúde devidamente comprovadas não há limite de valores
    – Cota extra de isenção para aposentados e pensionistas a partir de 65 anos: R$ 24.751,74 no ano (R$ 22.847,76 mais R$ 1.903,98 relativos ao 13º salário)

    COMO CONSULTAR O PROCESSAMENTO DA DECLARAÇÃO?

    Para consultar o processamento da declaração do Imposto de Renda e saber se caiu na malha fina ou se a declaração já foi processada, o contribuinte deve acessar o e-CAC, área de atendimento virtual da Receita Federal, usando login e senha do Portal Gov.br com nível prata ou ouro.

    Após entrar, basta clicar em “Meu Imposto de Renda” para verificar o extrato da declaração. Esse extrato mostra a situação do IR. Entre os status possíveis estão “com pendências”, “em análise” ou “processada”.

    O processamento da declaração ocorre em até 24 horas após o envio, mas poderá levar mais tempo quando se aproxima do final do prazo e o volume de entregas aumenta. Caso apareçam pendências, é preciso fazer a correção, enviando uma declaração retificadora. Ao corrigir erros, o contribuinte volta para o fim da fila da restituição, exceto nos casos de prioridade legal, como idosos.

    QUAIS DOCUMENTOS SÃO NECESSÁRIOS PARA FAZER A DECLARAÇÃO DO IR?

    Para fazer a declaração do Imposto de Renda, é preciso reunir documentos que comprovem rendimentos, bens e despesas dedutíveis. Entre os principais estão o informe de rendimentos do trabalho e comprovantes de pró-labore ou distribuição de lucros, no caso de empresários, além da documentação dos bancos, com saldos nas contas e aplicações em 31/12/2024 e 31/12/2025.

    No caso de quem recebe aposentadoria ou pensão do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) ou de órgãos próprios, é preciso ter o informe. No INSS, o documento já foi liberado e está disponível no aplicativo ou site Meu INSS.

    Quem tem previdência privada deve buscar na instituição financeira o informe com os valores, seja para quem recebeu benefício ou para quem investe em um plano.

    Veja os demais documentos:

    – Aluguéis: recibos mensais e informe de rendimentos da imobiliária ou do inquilino
    – Pensão alimentícia: comprovantes de valores pagos ou recebidos
    – Despesas médicas: comprovantes de gastos com plano de saúde, consultas, exames e tratamentos
    – Educação: comprovantes de pagamento de mensalidades escolares
    – Imóveis: documentos de compra ou venda (escritura, contrato ou recibos)
    – Veículos: notas fiscais ou recibos de compra ou venda

    QUAL É A ORDEM DE PRIORIDADE DA FILA DA RESTITUIÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA?

    Idoso com 80 anos ou mais
    Idoso com 60 anos ou mais, e pessoa com deficiência e com doença grave
    Contribuintes cuja maior fonte de renda é o magistério
    Contribuintes que usaram a declaração pré-preenchida e optaram por receber a restituição por Pix
    Contribuintes que usaram a declaração pré-preenchida ou optaram por receber a restituição por Pix
    Demais contribuintes

    VEJA O CALENDÁRIO DE PAGAMENTO DA RESTITUIÇÃO DO IR 2026

    O calendário de pagamentos tem quatro lotes

    Lote – Data de pagamento
    1º lote – 29 de maio
    2º lote – 30 de junho
    3º lote – 31 de julho
    4º lote – 31 de agosto

    VEJA O CALENDÁRIO DE PAGAMENTO DAS COTAS DO IMPOSTO DE RENDA 2026

    Cota – Data de vencimento
    1ª ou cota única – 29 de maio
    2ª – 30 de julho
    3ª – 31 de julho
    4ª – 31 de agosto
    5ª – 30 de setembro
    6ª – 30 de outubro
    7ª – 30 de novembro
    8ª – 30 de dezembro

    QUEM É OBRIGADO A DECLARAR O IMPOSTO DE RENDA 2026?

    Deve entregar a declaração neste ano o contribuinte que, em 2025:
    – Recebeu rendimentos tributáveis -como salário e aposentadoria- a partir de R$ 35.584,00
    – Recebeu rendimentos isentos, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte (como rendimento de poupança ou FGTS) acima de R$ 200 mil
    – Obteve, em qualquer mês, ganho de capital na venda de bens ou direitos sujeito à incidência do Imposto;
    – Realizou operações de venda na Bolsas de Valores cuja soma foi superior a R$ 40 mil ou teve apuração de ganhos líquidos sujeitos à incidência do imposto
    – Obteve, na atividade rural, receita bruta em valor superior a R$ 177.920 ou pretenda compensar, no ano-calendário de 2025 ou posteriores, prejuízos de anos-calendário anteriores ou do próprio ano-calendário de 2025
    – Tinha, em 31 de dezembro, a posse ou a propriedade de bens ou direitos de valor acima de R$ 800 mil
    – Passou à condição de residente no Brasil em qualquer mês e nessa condição encontrava-se em 31 de dezembro;
    – Optou pela isenção do imposto sobre a renda incidente sobre o ganho de capital auferido na venda de imóveis residenciais, caso o produto da venda seja aplicado na aquisição de imóveis residenciais localizados no País, no prazo de cento e oitenta dias, contado da celebração do contrato de venda, nos termos do art. 39 da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005
    – Optou por declarar os bens, direitos e obrigações detidos pela entidade controlada, direta ou indireta, no exterior como se fossem detidos diretamente pela pessoa física, nos termos do regime de transparência fiscal de entidade controlada estabelecido no art. 8º da lei nº 14.754, de 12 de dezembro de 2023
    – Era titular, em 31 de dezembro, de trust e demais contratos regidos por lei estrangeira com características similares, nos termos dos arts. 10 a 13 da Lei nº 14.754, de 12 de dezembro de 2023
    – Tinha capital investido em aplicações financeiras no exterior, a que se referem os arts. 2º a 4º e 9º da Lei nº 14.754, de 12 de dezembro de 2023:
    – Teve rendimentos ou pretenda compensar, no ano-calendário de 2025 ou posteriores, perdas de anos-calendário anteriores ou do próprio ano-calendário de 2025
    – Teve lucros ou dividendos de entidades no exterior, nos termos dos arts. 2º e 5º a 6º-A da lei nº 14.754, de 12 de dezembro de 2023

    Prazo para declarar o Imposto de Renda 2026 acaba em 25 dias; saiba prestar contas sem erro

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  • Ganho bruto dos bancos com crédito é o maior desde pelo menos 2013

    Ganho bruto dos bancos com crédito é o maior desde pelo menos 2013

    Segundo especialistas a inadimplência em alta e o crescimento do crédito a consumidores explicam os spreads mais gordos

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Depois de cair no pós-pandemia, a diferença entre a taxa de juros que os bancos pagam para captar recursos de clientes e o que cobram dos tomadores de empréstimos -o chamado spread bancário- atingiu o maior patamar desde pelo menos 2013, quando começa a série histórica do ICC (Índice de Custo de Crédito), do Banco Central.

    Essa diferença superou os 15 pontos percentuais neste ano. Em março, foi de 15,17 pontos, alta de 3,46 pontos em relação ao final de 2020.

    Segundo especialistas ouvidos pela reportagem, a inadimplência em alta e o crescimento do crédito a consumidores explicam os spreads mais gordos.

    Apesar do calote mais alto, a rentabilidade do sistema financeiro medida pelo ROE (Return on Equity, indicador de rentabilidade) subiu de um patamar abaixo de 15%, em 2023, para quase 17% no primeiro semestre de 2025, segundo dados mais recentes do Relatório de Estabilidade Financeira, do BC, que aponta “moderada melhora” do retorno no início do ano passado.

    O spread é uma espécie de ganho bruto dos bancos com as operações de crédito. É a partir dele que as instituições financeiras vão cobrir suas despesas administrativas, pagar impostos e cobrir eventuais calotes em empréstimos, além de extrair seu próprio lucro. Esses fatores, somados à taxa paga pelas instituições financeiras para captar recursos, formam os juros a pessoas físicas e jurídicas.

    É uma lógica parecida com a de uma indústria, que compra insumos por um preço e vende o produto final por um valor mais alto para arcar com seus custos e lucrar.

    Há duas formas principais de calcular o spread. O do ICC, adotado pelo Banco Central em seu Relatório de Estabilidade Financeira, é medido a partir das taxas de juros em relação ao total emprestado. Ou seja, além dos novos empréstimos, considera os juros também dos antigos.

    O jeito mais conhecido é o cálculo a partir dos novos empréstimos. Por esse critério, o spread atingiu 21,84 pontos percentuais no mês retrasado, o maior desde março de 2017.

    Independentemente da forma de calcular, o Brasil está entre os cinco países que têm os spreads mais altos do mundo, se forem levados em conta dados de 2024 de 84 países informados pelo Banco Mundial.

    Isso acontece devido a uma série de fatores, segundo especialistas: o percentual maior de calote, a dificuldade de recuperação de garantias em caso de não pagamento e impostos elevados são alguns dos principais.

    Além disso, a rentabilidade dos bancos brasileiros é elevada em relação a países desenvolvidos.

    Um levantamento da Elos Ayta Consultoria com base em balanços mostra que, nos últimos 16 anos, os grandes bancos do Brasil tiveram uma média de ROE de 17,4%, bem acima dos 11,02% das principais instituições financeiras dos Estados Unidos.

    No ano passado, dos cinco maiores bancos listados em Bolsa do país -Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Bradesco, BTG Pactual e Santander-, dois apresentaram ROEs maiores que 20%.

    A Febraban (Federação Brasileira de Bancos) afirma que o nível de rentabilidade dos bancos brasileiros está alinhado ao de países emergentes, que tradicionalmente possuem retorno maior do que o dos desenvolvidos, e que está abaixo do patamar de países como México, Peru e África do Sul.

    INADIMPLÊNCIA EM ALTA

    O spread se reduziu no pós-pandemia, puxado pelos juros mais baixos da época, que diminuíram o risco de crédito. Hoje em 14,5%, a taxa básica, Selic, ficou abaixo de 10% até o início de 2022.

    A partir do ano passado, o ganho bruto dos bancos com empréstimos voltou a crescer com força. O movimento coincide com um período em que os brasileiros se endividaram mais. Desde outubro do ano passado, as famílias brasileiras direcionam 29% dos seus ganhos para quitar compromissos financeiros, o maior percentual em pelo menos 20 anos, segundo dados do BC. Preocupado com a situação, o governo federal vai lançar um programa para facilitar o pagamento de dívidas em atraso, chamado de Desenrola 2.

    A avaliação de economistas é que isso aconteceu pela alta dos calotes acima de 90 dias -a inadimplência está em 4,3%, um dos maiores patamares da história- e pela subida da Selic, que serve de referência para os juros cobrados pelos bancos em operações de crédito e eleva a percepção de risco das instituições financeiras. A lógica é: quanto maiores os juros de um empréstimo, maior é a chance de um indivíduo ou empresa não conseguir quitar aquela operação. Prevendo mais calotes, os bancos cobram mais para oferecer seu produto, o crédito.

    “Estamos em um momento de juros muito altos, com famílias e empresas muito endividadas. Isso vai potencializando a percepção de risco, de que terão cada vez mais dificuldade em honrar seus compromissos. E isso se reflete no prêmio pedido pelos bancos para emprestar”, afirma Silvio Campos Neto, economista-sênior da Tendências Consultoria.

    Também houve crescimento expressivo na concessão de empréstimos que possuem taxas mais altas, como crédito pessoal e cartão de crédito, linhas nas quais a inadimplência é maior.

    “O spread cresceu com a inadimplência, que está alta porque o crédito, especialmente a pessoas físicas, cresceu muito nas modalidades mais arriscadas”, afirma Rafael Schiozer, professor titular de finanças da FGV Eaesp. “Além disso, com a inclusão financeira, pessoas que antes tinham restrições passaram a ter acesso a mais empréstimos.”

    A inadimplência é o principal componente do spread: dados do Banco Central mostram que ela representou, na média dos últimos três anos encerrados em 2024, a maior fatia (33,45%). As despesas administrativas representaram 24,78%, a margem financeira, 20,9%, e os tributos e as obrigações com o FGC (Fundo Garantidor de Créditos), 20,87%.

    Para Rubens Sardenberg, diretor de Regulação Prudencial, Riscos e Assuntos Econômicos e economista-chefe da Febraban, o forte crescimento da carteira de pessoas físicas, na qual os empréstimos possuem uma inadimplência e um spread maior, influenciou na alta recente da diferença entre a captação de recursos e os juros na ponta.

    Em janeiro de 2020, a participação dos consumidores no total emprestado pelas instituições financeiras era de 58,7%, e isso se elevou a 62,8% em março deste ano, segundo dados da entidade.

    “Antes a tendência era que a carteira fosse formada por cerca de 50% de crédito a pessoas físicas, cerca de 50% a pessoas jurídicas. Mas isso mudou nos últimos anos. A participação dos consumidores, onde o spread é maior, se elevou muito”, afirmou. Sardenberg lembra que os empréstimos de empresas perderam espaço pelo avanço da captação de recursos pelas pessoas jurídicas via mercado de capitais, como debêntures (títulos de dívidas emitidos por empresas) e outros papéis.

    Na avaliação de Schiozer, o spread tende a diminuir a partir do quarto trimestre deste ano, quando a expectativa é de um arrefecimento maior dos empréstimos.

    “Os bancos tiraram um pouco o pé do acelerador na concessão de crédito. É óbvio que vai depender também de como a economia vai se comportar, já que o endividamento da população está batendo recorde. E isso não se resolve de uma hora para a outra.”

    Ganho bruto dos bancos com crédito é o maior desde pelo menos 2013

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  • Governo lança campanha nacional pelo fim da escala de trabalho 6×1

    Governo lança campanha nacional pelo fim da escala de trabalho 6×1

    Redução da jornada pode beneficiar 37 milhões de trabalhadores; proposta do governo estabelece um novo limite de jornada em 40 horas semanais e mantém as oito horas diárias de trabalho

    O governo federal lançou neste domingo (3) uma campanha nacional pelo fim da escala de trabalho 6×1 sem redução de salário. O objetivo da proposta é “garantir mais tempo para a vida além do trabalho, tempo com a família, para o lazer, para a cultura e para o descanso”. 

    “Para fins de comparação, a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil/mês beneficiou cerca de 10 milhões de pessoas. A garantia do descanso ainda tem potencial impacto positivo sobre a economia, estando alinhada com uma visão moderna de desenvolvimento, que combina produtividade, bem-estar e inclusão social “, esclareceu a Secretaria de Comunicação Social (Secom).

    A proposta do governo estabelece um novo limite de jornada em 40 horas semanais e mantém as oito horas diárias de trabalho (inclusive para trabalhadores em escalas especiais). Com isso, os trabalhadores terão assegurados dois dias de repouso semanal de 24 horas consecutivas, preferencialmente aos sábados e domingos.

    O modelo de cinco dias de trabalho para dois dias de descanso poderá ser definido em negociação coletiva, respeitando as peculiaridades de cada atividade.

    Campanha

    Com o slogan “Mais tempo para viver. Sem perder salário. Porque tempo não é um benefício. É um direito.”, a campanha pelo fim da escala 6×1 será veiculada em canais de mídia digital, televisão, rádio, jornais, cinema e na imprensa internacional.

    “A proposta é conscientizar empregados e empregadores que reduzir a escala é defender o convívio do trabalhador com sua família, é defender a família brasileira, é valorizar o trabalho, mas, também, a vida além do trabalho” apontou a Secom.

    O governo defende que a mudança dialoga com transformações recentes na economia, como o avanço tecnológico e os ganhos de produtividade. “Jornadas mais equilibradas tendem a reduzir afastamentos, melhorar o desempenho e diminuir a rotatividade”, diz a Secom. No dia 14 de abril, o governo federal encaminhou ao Congresso um projeto de lei alterando a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). A proposta, que tramita com urgência constitucional, reduz o limite da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, garante dois dias de descanso remunerado e proíbe qualquer redução salarial.

    Na prática, o texto coloca fim à escala 6×1.A iniciativa tramita em conjunto com outras propostas no Congresso Nacional, que criou uma comissão especial para analisar uma proposta de Emenda à Constituição sobre o tema.

    O colegiado foi instalado na quarta-feira (29). A comissão vai analisar a proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/19 que trata do mesmo tema. O colegiado tem como presidente o deputado Alencar Santana (PT-SP). A relatoria caberá ao deputado Leo Prates (Republicanos-BA).

    Comissão

    Composta por 38 membros titulares e de igual número de suplentes, a comissão terá o prazo de até 40 sessões para proferir seu parecer. A partir de amanhã, tem início o prazo para a apresentação das emendas, que é de 10 sessões.

    Santana afirmou que o tempo para a análise da proposta é apertado e que o colegiado deverá realizar, inicialmente duas reuniões semanais, às terças e quartas-feiras para debater a matéria.

    O colegiado analisará duas propostas de redução na jornada de trabalho. A primeira, de autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) reduz a jornada de trabalho de 44 horas para 36 horas semanais. A transição se daria ao longo de dez anos.

    A outra proposta apensada (PEC 8/25), da deputada Erika Hilton (Psol-SP), prevê uma escala de quatro dias de trabalho por semana, com limite de 36 horas no período.

    Na prática, as PECs acabam com a escala de seis dias de trabalho por um de descanso (6×1). Se aprovados na comissão especial irão depois para votação no plenário.

    Governo lança campanha nacional pelo fim da escala de trabalho 6×1

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  • Spirit Airlines cancela todos os voos e anuncia encerramento das atividades

    Spirit Airlines cancela todos os voos e anuncia encerramento das atividades

    O presidente dos EUA, Donald Trump, havia manifestado interesse em oferecer ajuda econômica para salvar milhares de empregos na empresa, que havia declarado falência duas vezes em 2025.

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A companhia aérea de baixo custo Spirit Airlines, que atendia diversos destinos nos EUA e na América Latina, anunciou neste sábado (2) que cancelou todos os seus voos e iniciou o “encerramento ordenado de suas operações”, após o fracasso de um possível resgate financeiro por parte da Casa Branca.

    O presidente dos EUA, Donald Trump, havia manifestado interesse em oferecer ajuda econômica para salvar milhares de empregos na empresa, que havia declarado falência duas vezes em 2025.

    A companhia aérea conectava os Estados Unidos, especialmente o estado da Flórida, com mais de 20 destinos na América Latina e no Caribe, entre eles México, Colômbia, Costa Rica, Honduras, Peru, Porto Rico e República Dominicana.

    A empresa tinha 4.119 voos nos EUA entre 1° e 15 de maio, com capacidade para 809.638 passageiros, de acordo com a empresa de dados de aviação Cirium. Especialistas acreditam que JetBlue Airways e Frontier Airlines devem ser beneficiadas com a medida.

    Em um comunicado, a dona da aérea, Spirit Aviation Holdings, anunciou “com pesar que a companhia iniciou o encerramento ordenado de suas operações, com efeito imediato. Os passageiros da Spirit não devem ir ao aeroporto”.
    O site da empresa exibe uma mensagem informando que “o serviço de atendimento ao cliente não está mais disponível”. A companhia aérea afirmou que processará os reembolsos dos voos já adquiridos.

    A empresa é conhecida por seus chamativos aviões amarelos, começou a oferecer voos em 1992 e se consolidou por seu baixo custo como uma forte concorrente das companhias aéreas tradicionais.

    Seu presidente e diretor executivo, Dave Davis, afirmou que em março havia chegado a um acordo com os credores para um plano de reestruturação que “teria permitido ressurgir como um negócio com futuro”.

    No entanto, o vertiginoso aumento dos preços do combustível desde a eclosão da guerra no Oriente Médio “nos deixou sem outra alternativa senão realizar um encerramento gradual da empresa”, afirmou no comunicado.

    Manter o negócio exigia centenas de milhões de dólares adicionais de liquidez que a Spirit simplesmente não tem e não conseguia obter. Isso é tremendamente decepcionante e não é o resultado que nenhum de nós desejava
    em comunicado

    FRACASSO EM FINANCIAMENTO

    Na sexta-feira (1°), Trump declarou que havia enviado uma “proposta final” de resgate à companhia aérea, que em 2024 empregava cerca de 11 mil pessoas. “Imagino que estamos analisando. Se pudermos fazer, faremos, mas apenas se for um bom negócio”, disse.

    Altos funcionários de sua administração criticaram o governo anterior de Joe Biden por ter bloqueado uma oferta de aquisição de US$ 3,8 bilhões por parte da JetBlue, argumentando que prejudicaria os consumidores.

    Em seu comunicado, a Spirit garantiu que houve “esforços amplos e exaustivos para reestruturar o negócio”, mas que a falta de financiamento adicional a deixava “sem outra opção senão empreender este encerramento”.
    Nas últimas semanas, a companhia vinha negociando uma linha de crédito emergencial de US$ 500 milhões com o governo Trump. Alguns dos investidores credores da Spirit se opuseram aos termos do resgate, segundo os quais o governo poderia acabar ficando com 90% da Spirit, porque isso os deixaria em uma situação financeira pior caso a companhia aérea eventualmente falisse. Alguns parlamentares republicanos também se opuseram a um resgate governamental da Spirit.

    Para Jan Brueckner, professor emérito de Economia da Universidade da Califórnia em Irvine, a alta do preço do combustível foi “a gota d’água”.

    AMERICAN E UNITED OFERECEM AJUDA A CLIENTES

    Após o anúncio do encerramento, American Airlines e United Airlines, duas das gigantes americanas do transporte aéreo, se ofereceram para ajudar os clientes da Spirit.

    A American garantiu que oferecia “tarifas de resgate” nas rotas da Spirit para “mitigar o impacto nas comunidades” e a United propôs “passagens só de ida com preço máximo a partir da maioria das cidades para onde voava” a empresa de baixo custo.

    A Associação de Comissários de Bordo, sindicato que representa cerca de 5.000 funcionários da Spirit, disse que estava em contato com outras companhias aéreas para apoiar o pessoal da Spirit.

    “A cada comissário de bordo em atividade será fornecido hotel e/ou um voo para retornar para casa”, acrescentou o sindicato. Este encerramento é “a notícia mais difícil de nossas vidas”, completou.

    REGULADOR DESCARTA RESGATE DE LOW COSTS

    O secretário de Transportes dos Estados Unidos, Sean Duffy, disse neste sábado que não acredita que o governo precise socorrer as companhias aéreas de baixo custo devido aos altos preços do combustível de aviação.

    “Eu diria que, neste momento, não acho que seja necessário. Elas têm acesso a dinheiro. Se quiserem recorrer ao governo dos EUA, seremos um credor de última instância. Se puderem encontrar dólares nos mercados privados, acho que será melhor para elas”, disse Duffy em uma coletiva de imprensa no aeroporto de Newark, após o colapso da companhia aérea de baixo custo Spirit Airlines.

    Ele afirmou ainda que a perspectiva de resgate da Spirit foi vista como uma oportunidade por algumas outras companhias aéreas de obter dinheiro “não necessariamente com base na necessidade, mas com base na oportunidade”.

    Um grupo de companhias aéreas de baixo custo dos EUA, incluindo a Frontier e a Avelo, disse na segunda-feira que havia proposto a troca de bônus de subscrição que poderiam ser convertidos em participações acionárias por US$ 2,5 bilhões em assistência do governo dos EUA.

    A Association of Value Airlines confirmou que solicitou ao governo do presidente Donald Trump a criação de um pacote de liquidez de US$ 2,5 bilhões, a ser usado exclusivamente para compensar os custos maiores de combustível, “como uma medida necessária e direcionada para estabilizar as operações e manter as tarifas aéreas acessíveis durante esse período de volatilidade”.

    As empresas também pediram que o Congresso suspenda o imposto federal de 7,5% sobre as passagens aéreas e o imposto de US$ 5,30 por trecho. A isenção dessas taxas compensaria cerca de um terço do aumento do combustível de aviação.

    A proposta destaca uma das consequências não intencionais da guerra de EUA e Israel contra o Irã: um aumento nos preços do combustível de aviação que praticamente dobrou os custos, reduzindo as margens e empurrando as companhias aéreas mais fracas para a beira do abismo.

    Spirit Airlines cancela todos os voos e anuncia encerramento das atividades

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  • Warren Buffett: Investidores podem errar no julgamento de executivos

    Warren Buffett: Investidores podem errar no julgamento de executivos

    Em entrevista à CNBC, durante a conferência anual do grupo com analistas, neste sábado, 2, Buffett foi questionado sobre a saída de executivos de empresas relevantes do portfólio da Berkshire. A lista inclui Tim Cook (Apple), James Quincey (Coca-Cola) e Vicki Hollub (Occidental Petroleum). Também foi questionado se a troca de gestão poderia alterar sua visão sobre essas participações.

    O megainvestidor Warren Buffett afirmou que mudanças de liderança em grandes empresas exigem cautela por parte dos investidores e reconheceu que avaliações sobre executivos podem falhar, ao comentar sucessões recentes em companhias investidas pela Berkshire Hathaway.

    Em entrevista à CNBC, durante a conferência anual do grupo com analistas, neste sábado, 2, Buffett foi questionado sobre a saída de executivos de empresas relevantes do portfólio da Berkshire. A lista inclui Tim Cook (Apple), James Quincey (Coca-Cola) e Vicki Hollub (Occidental Petroleum). Também foi questionado se a troca de gestão poderia alterar sua visão sobre essas participações.

    Ao responder, Buffett destacou que erros de liderança podem persistir por longos períodos em empresas de consumo recorrente. \”Com um produto que as pessoas compram todos os dias, você consegue tomar uma decisão errada por muito tempo\”, afirmou, citando a experiência da Coca-Cola.

    O investidor também disse que ainda está conhecendo parte dos novos executivos que assumirão grandes companhias americanas e ponderou que avaliações sobre pessoas nem sempre são precisas. \”Você pode errar no julgamento sobre pessoas\”, afirmou.

    Em tom descontraído, Buffett comparou o processo de escolha de executivos à decisão de casamento. \”Quando eu era jovem, muita gente tomava uma decisão aos 20 ou 21 anos: casar. Agora as pessoas passam cinco anos e ainda cometem os mesmos erros\”, disse.

    Segundo Buffett, é difícil prever como os líderes irão se comportar ao assumir posições de comando. \”Talvez as pessoas se comportem de um jeito antes do casamento e de outro depois\”, afirmou.

    Sucesso dos EUA

    Na entrevista à CNBC, Warren Buffett afirmou que os Estados Unidos possuem um \”ingrediente secreto\” que transformou o país em um \”milagre absoluto\”, ao comentar imigração, valores americanos e sucessão na Berkshire Hathaway.

    Ao falar sobre o CEO da Berkshire, o canadense Greg Abel, Buffett destacou que o executivo está prestes a obter cidadania americana e disse considerar significativo o fato de pessoas continuarem buscando viver nos EUA. \”A América é especial. O que a América realizou é um milagre, um milagre absoluto\”, afirmou.

    Segundo Buffett, o país mantém há mais de dois séculos uma capacidade singular de atrair pessoas de diferentes partes do mundo. \”As pessoas querem vir para cá. Você não consegue \’comprar\’ esse sentimento em lugar nenhum\”, disse.

    O investidor reconheceu que nunca conseguiu identificar qual seria esse \”ingrediente secreto\” americano, mas avaliou que o sistema construído pelos EUA ao longo de sua história produziu \”resultados excepcionais\”. \”Esse país fez muitas coisas de forma diferente, e de algum jeito funcionou.\”

    Questionado sobre o que seria necessário para preservar esse modelo, Buffett respondeu que os Estados Unidos ainda possuem condições de evoluir e melhorar. \”Isso não significa que não possamos fazer melhor\”, disse.

    Ao encerrar a entrevista, Buffett deixou uma mensagem aos acionistas presentes na conferência anual da Berkshire e defendeu a chamada \”regra de ouro\” como princípio de vida. \”Faça aos outros o que você gostaria que fizessem a você\”, afirmou. Segundo ele, pessoas que seguem esse princípio tendem a construir relações mais sólidas ao longo do tempo. \”Eu nunca vi alguém que se comportasse assim se dar mal por isso\”, declarou.

    *Conteúdo elaborado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação do Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

    Warren Buffett: Investidores podem errar no julgamento de executivos

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  • Guerra no Irã pressiona custos da construção civil no Brasil

    Guerra no Irã pressiona custos da construção civil no Brasil

    Dados recentes mostram que a alta já aparece nos indicadores. O INCC-M (Índice Nacional de Custo da Construção) acelerou 1,04% em abril, após registrar alta de 0,36% em março, refletindo o encarecimento de insumos para as obras, em movimento associado à disparada do petróleo e seus efeitos sobre combustíveis e logística global.

    ANA PAULA BRANCO
    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A escalada da guerra no Irã pressiona os custos da construção civil no Brasil, com impacto disseminado sobre materiais, fretes e planejamento das obras, mas sem sinais, por ora, de desabastecimento.

    Dados recentes mostram que a alta já aparece nos indicadores. O INCC-M (Índice Nacional de Custo da Construção) acelerou 1,04% em abril, após registrar alta de 0,36% em março, refletindo o encarecimento de insumos para as obras, em movimento associado à disparada do petróleo e seus efeitos sobre combustíveis e logística global.

    A inflação preocupa construtores que vão da incorporação imobiliária às obras de infraestrutura. Para o mercado imobiliário, os preços mais altos chegam em um ano em quem especialistas projetavam um cenário de recuperação, impulsionado por um pacote de medidas governamentais e uma expectativa de queda gradual da taxa dos financiamentos.

    Esses aumentos também colidem com o esforço do governo Lula de ampliar o acesso ao financiamento imobiliário. Em março, o conselho curador do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) aprovou a ampliação da renda máxima das famílias elegíveis ao Minha Casa, Minha Vida e do teto dos imóveis que podem ser financiados pelo programa, que é uma vitrine eleitoral de gestões petistas.

    “O INCC de abril mostrou que [a guerra] já está impactando no preço dos produtos. A tendência parece ser um fato e o [INCC] de maio ser impactado também”, diz Dionysio Klavdianos, vice-presidente de inovação da Cbic (Câmara Brasileira da Indústria da Construção). “Temos ouvido relatos de aumentos de até 30%. Se isso persistir, haverá impacto no custo das obras e, posteriormente, no preço dos imóveis.”

    O barril de petróleo do tipo Brent, referência internacional, se aproxima de US$ 115 (cerca de R$ 572) em meio à deterioração das relações entre Estados Unidos e Irã e às ameaças envolvendo o estreito de Hormuz -por onde passam cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás.

    Os dados do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas) apontam que os principais aumentos em abril ocorreram em itens como massa de concreto, cimento, tubos e conexões de PVC -derivados de petróleo-, além de vergalhões e arames de aço ao carbono.

    Em abril, o preço do alumínio atingiu o maior valor em quatro anos em meio à guerra no Irã. O Oriente Médio é responsável por cerca de 9% da oferta global do metal.

    Pelo menos três casas de análise de ações -BTG Pactual, Itaú BBA e Santander- disseram em relatórios divulgados recentemente que os custos pós-guerra podem mexer com as perspectivas do setor. Analistas do BTG Pactual afirmaram que os preços mais alto de materiais como concreto, PVC e alumínio ainda não foram integralmente incorporados aos índices de inflação do setor. O principal risco, de acordo com os analistas, é que as incorporadoras precisem elevar o preço dos imóveis, o que afetaria a demanda dos consumidores.

    “Estamos ficando mais cautelosos em relação a incorporadoras, particularmente com as de baixa renda”, afirmaram os analistas do BBA.
    No início de abril, dez entidades da construção civil enviaram ofícios à Casa Civil e aos ministérios da Fazenda, do Planejamento e das Relações Institucionais pedindo medidas emergenciais diante da disparada dos preços de insumos.

    A proposta inclui a criação de um normativo temporário que estabeleça uma referência para a variação dos índices contratuais -em patamar considerado “justo e suportável”- e permita reajustes mensais enquanto durar o cenário de exceção.

    Além de derivados do petróleo, o preço dos combustíveis também está em alta, impactando diretamente no valor do frete e pressionando toda a cadeia da construção. “O impacto mais imediato é no frete, devido ao diesel. E o frete tem peso relevante, porque é assim que os materiais chegam às obras”, diz Klavdianos.

    Para tentar conter a alta do diesel, o governo federal criou uma série de medidas, incluindo isenção de impostos federais e incentivo à importação.

    Apesar da alta dos custos, a construção civil descarta, neste momento, uma crise de oferta semelhante à observada durante a pandemia. “Não há falta de materiais e não tem nada paralelo com o que houve na pandemia. Agora, as fábricas estão funcionando. Conseguimos trabalhar”, diz Klavdianos.

    O presidente do SindusCon-SP, Yorki Estefan, afirma que o impacto atual é predominantemente de custo, não de oferta, ao longo da cadeia produtiva. Materiais como resinas, polímeros e tintas também já registram alta.

    O principal problema, segundo o setor, é a imprevisibilidade. A volatilidade internacional dificulta o planejamento financeiro das empresas, a formação de preços e a negociação com fornecedores. O setor, que opera com ciclos longos, depende de maior estabilidade para precificar lançamentos e contratos.

    Há ainda limitações estruturais que agravam a exposição ao cenário externo. Diferentemente de outros setores, a construção civil tem baixa capacidade de estocagem. Insumos como concreto e aço são adquiridos conforme o avanço das obras, o que reduz a possibilidade de antecipar compras e proteger margens.

    Mesmo assim, empresas com maior capacidade financeira vêm tentando se antecipar. “Quem tem caixa e consegue armazenar está antecipando compras para formar estoque”, afirma Klavdianos.

    Os custos mais recentes da construção ainda não aparecem nos imóveis que estão sendo entregues, porque esses empreendimentos foram orçados e vendidos há dois ou três anos, quando insumos, mão de obra e crédito estavam em patamares menores.

    A alta atual, porém, já altera a conta dos novos projetos. Com materiais mais caros, fretes pressionados e maior incerteza no planejamento, incorporadores tendem a rever lançamentos, enxugar margens ou repassar preços, o que pode encarecer as próximas entregas e reduzir o ritmo de obras se o cenário se mantiver por tempo prolongado.

    Segundo os analistas do Santander, os balanços das incorporadoras do primeiro trimestre, que começam a ser divulgados nesta semana, devem mostrar que as empresas começam a incluir o preço mais alto do petróleo em seus custos, até mesmo com revisão de orçamentos.

    Muitas empresas têm buscado se defender da escalada de preços. “As construtoras têm resistido a pedidos de reajuste sem comprovação clara de aumento nos custos de produção, solicitado esclarecimentos aos fornecedores e buscado trazer os reajustes para patamares mais equilibrados, além de redobrar a atenção ao planejamento diante da volatilidade”, diz Estefan, do SindusCon-SP.

    Guerra no Irã pressiona custos da construção civil no Brasil

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  • Conheça os trabalhadores que ganham até R$ 3.000 e têm o nome sujo

    Conheça os trabalhadores que ganham até R$ 3.000 e têm o nome sujo

    “Peguei um empréstimo de R$ 8.000 e logo depois fui demitida. Só consegui pagar a primeira parcela”, diz Ana Carla. A dívida existe há cerca de sete anos e ela diz continuar com o nome sujo, apesar de estar empregada.

    DANIELE MADUREIRA E GABRIEL GAMA
    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A vendedora Ana Carla Dias de Oliveira, 49, foi ao evento da Força Sindical neste 1º de maio, dia do Trabalho, atraída pelo sorteio de Pix: foram 27 ao todo, com valores de R$ 3.000 a R$ 10 mil. Saiu de mãos vazias. “Não foi dessa vez”, disse ela, que tirou a sorte grande no evento da Força em 2006, quando ganhou um “apertamento” de 38 m². Vendeu para reformar a casa própria onde mora.

    Hoje, porém, conta que está endividada e com o nome sujo. “Peguei um empréstimo de R$ 8.000 e logo depois fui demitida. Só consegui pagar a primeira parcela”, diz Ana Carla. A dívida existe há cerca de sete anos e ela diz continuar com o nome sujo, apesar de estar empregada.

    Quanto à jornada 6×1, um dos motes das centrais sindicais em atos do 1º de Maio de deste ano, reclama ser uma rotina cansativa, especialmente para mulheres, que acumulam jornadas. “No meu caso, trabalho domingo sim, domingo não. A gente que é mãe e dona de casa não tem tempo para nada.”

    O caso de Ana Carla é comum. Segundo a pesquisa “Radiografia da Inadimplência 2026”, da CNDL (Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas) e do SPC Brasil, a inadimplência do consumidor bateu recorde e chegou a 44,4% dos brasileiros adultos em março deste ano, o maior índice desde janeiro de 2015, quando o levantamento do birô de crédito SPC Brasil começou a ser feito. Mas o calote não está ligado à falta de emprego: 82% dos inadimplentes trabalham (48% são CLT, 23% autônomos e 11% empreendedores).

    É o que acontece com Fabiana de Oliveira França, 47, atendente de lanchonete. “Estou inadimplente com cartão de crédito”, diz ela, que veio de Mogi das Cruzes (SP) com o marido e a filha para o ato da Força. Fabiana ganha o salário mínimo para uma jornada de 8 horas por dia, de segunda a sexta-feira, sem benefícios. “A empresa só paga condução”, diz. “Ou a gente come ou paga as contas, esse setor de alimentação paga muito pouco, não reconhece nosso trabalho.”

    Embora seja eleitora do presidente Lula, não é a favor de usar o dinheiro do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para pagar as contas, como propôs o governo com o programa Desenrola 2 (que vai liberar o uso de até 20% do saldo). “O nosso Fundo de Garantia é um seguro para a gente, no caso de ficar desempregado.”

    Além dos Pix, foram sorteadas duas bicicletas e barris de chope. A organização explicou aos presentes que os sorteios seriam após a saída de Fernando Haddad, Simone Tebet e da ex-ministra Marina Silva, para evitar acusações de crime eleitoral.

    O marido de Fabiana, Tiago Romão de Assis, 39, já usou o saque-aniversário para quitar dívidas. “No governo anterior eu fiquei endividado”, disse. “É uma saída para quem está afogado”, diz ele, que é metalúrgico e ganha cerca de R$ 3.200 ao mês. Tiago gomeçou a vender acessórios, como óculos e relógios nas redes sociais, na tentativa de complementar renda. “A gente tem que buscar uma segunda alternativa, porque o que ganha não paga as contas.”

    Nilce Rosa Gomes da Silva, 45, auxiliar de produção em uma metalúrgica, também reclama da falta de reconhecimento, que se traduz na ausência de benefícios. “Não temos plano de saúde, cesta básica, vale-transporte, nada”, diz ela, que ganha menos de R$ 2.000 ao mês e trabalha na escala 5×2. “Chega ao fim do mês e não sobra nada. É só o cartão de crédito que salva”, diz a auxiliar, para quem o sorteio incentivou a participação no ato, mas afirma que a defesa dos direitos conta mais. “A gente quer melhorar as condições de trabalho, estão retirando as nossas conquistas. Já cansamos de ser a base.”

    Já Roberto Gualberto, 55, que trabalhava como caixa, está desempregado e recebe auxílio-acidente, depois de ter caído da laje de casa. Tem dificuldade de locomoção e cuida da filha, que é especial. A mulher trabalha como diarista e sustenta a casa. “Estou inadimplente, depois que fiquei desempregado, as dívidas acumularam e peguei empréstimo em banco”, diz ele. “Queria muito quitar. Vou ver se vale a pena aderir ao Desenrola.”

    SACAR FGTS É BOM PARA O GOVERNO, DIZ OPERÁRIO

    A dona de casa e pensionista Bernadete Teixeira, 54, diz estar com o nome sujo há seis anos. O motivo é o atraso no pagamento de carnês do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) do apartamento em que mora em São Bernardo do Campo.

    “Se eu não pagar, posso perder meu apartamento”, afirma. “Tenho que fazer empréstimo para sobreviver. Se ficou alguma conta pendente, faço empréstimo. Se tem que comprar alguma coisa para as crianças, também tenho que pegar.” Ela sustenta as filhas e netas com a pensão de R$ 1.600.

    O operário do setor de vidros Armando Alves também afirma ter dívidas, mas não pretende usar o Desenrola 2 para pagar as contas. “Pegar FGTS é bom para o governo. O trabalhador tem que ter consciência de que é um dinheiro para ficar guardado.”

    Djanira de Carvalho, 60, é consultora de cosméticos e diz que “todo mundo tem dividas”. Ela afirma que já sacou o FGTS e planeja usar novamente neste ano. “Eu gosto, me ajuda muito.”

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