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  • Dólar fecha acima de R$ 5 e Bolsa cai 2% após manutenção de juros nos EUA

    Dólar fecha acima de R$ 5 e Bolsa cai 2% após manutenção de juros nos EUA

    Investidores repercutem decisão do Fed, que não foi um consenso entre os dirigentes. Analistas ainda acompanharam informações sobre negociações entre EUA e Irã pelo fim da guerra

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar avançou 0,39% nesta quarta-feira (29) e encerrou a sessão cotado a R$ 5,001, de volta ao patamar de R$ 5 após a aversão ao risco tomar os mercados no final da tarde.

    O Fed (Federal Reserve, banco central norte-americano) manteve a taxa de juros inalterada na faixa de 3,5% e 3,75%, como amplamente esperado. A decisão, porém, surpreendeu pelo raro placar de 8×4, que não ocorria desde outubro de 1992.

    A divisão interna fortaleceu o dólar globalmente, com o índice DXY, que compara a moeda a uma cesta de seis divisas fortes, marcando ganhos de 0,3%, a 98,96 pontos.

    O encontro também foi marcado pela despedida do presidente Jerome Powell do cargo. Ele anunciou que irá continuar no Fed como dirigente por tempo indeterminado, citando que “eventos recentes não deixaram outra escolha” -uma referência aos embates do governo Donald Trump com a instituição.

    A Bolsa, em reflexo, caiu 2,05%, a 184.750 pontos.

    A dissidência de três dirigentes nesta reunião -Beth Hammack, Neel Kashkari e Logie Logan, presidentes do Fed de Cleveland, Minneapolis e Dallas, respectivamente- levantou uma bandeira amarela para o mercado.

    Embora eles tenham votado a favor da manutenção, discordaram da inclusão de um “viés de afrouxamento” no comunicado, isto é, defenderam uma comunicação mais agressiva no combate à inflação (“hawkish”). Stephen Miran, diretor indicado por Trump, não surpreendeu e voltou a votar a favor de um corte de 0,25 ponto percentual.

    “Com as dissidências hawkish, está claro que teremos na próxima reunião uma discussão mais robusta sobre os próximos passos da política monetária”, diz Aroop Chatterjee, estrategista na Wells Fargo. “Isso dá coro à perspectiva de menos cortes esse ano, conforme os riscos inflacionários aumentaram.”

    Com os preços do petróleo em alta vertiginosa desde o início da guerra no Irã, autoridades do Fed já expressaram preocupação com a possibilidade do choque se traduzir em uma inflação mais alta nos próximos meses. Isso levaria à manutenção dos juros por mais tempo -ou, no cenário mais extremo, à retomada do ciclo de aperto monetário.

    A guerra foi citada pelo Fed no comunicado oficial. “Os acontecimentos no Oriente Médio contribuem para um alto nível de incerteza quanto às perspectivas econômicas. O Comitê está atento aos riscos para ambos os lados de seu duplo mandato [máximo emprego e inflação de 2% no longo prazo].”

    O petróleo voltou a tocar o patamar de US$ 119 o barril nesta sessão, em meio às negociações estagnadas entre EUA e Irã e o contínuo bloqueio do Estreito de Hormuz, via marítima responsável por um quinto do transporte global de petróleo. Antes da campanha de bombardeio israelense-americana contra o Irã, a cotação era de cerca de US$ 70.

    O repasse já atinge o bolso de consumidores norte-americanos, que viram a gasolina subir para a média de US$ 4 o galão (R$ 20 por três litros). A expectativa é que os próximos dados de inflação, sobretudo o PCE (Índice de Preços para Despesas com Consumo Pessoal, métrica favorita do Fed para avaliar a alta de preços), já tragam reflexos dessa disparada.

    Por enquanto, os dados recentes continuam a mostrar que a economia dos Estados Unidos está sólida. Tanto o comunicado quanto a fala de Powell na entrevista coletiva após a reunião reforçaram que o Fed está em uma posição confortável para esperar novos dados antes de tomar uma nova decisão, e Powell disse que mudanças no guidance [orientação sobre passos futuros] gerariam ruídos que o comitê preferiu evitar”, diz Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad.

    O mercado vê poucas chances do Fed reduzir a taxa de juros neste ano. E isso a despeito da provável pressão sobre o novo presidente do Fed, Kevin Warsh, a partir de junho, caso seu nome seja aprovado entre os parlamentares dos EUA.
    Ele foi escolhido por Donald Trump em meio à cruzada do presidente por juros mais baixos. Powell, nomeado por Trump no primeiro mandato, resistiu à pressão do republicano no último ano, mantendo as decisões de política monetária ancoradas nos dados econômicos.

    Juros mais altos nos EUA costumam ser uma má notícia para os mercados globais. Como a economia norte-americana é a maior do mundo, a renda fixa de lá é lida como um investimento praticamente livre de risco, o que tira a atratividade de outros ativos mais arriscados.

    “Isso tende a sustentar um dólar relativamente mais forte e aumenta a pressão sobre ativos de risco, principalmente empresas de tecnologia e companhias mais dependentes de financiamento para crescimento, fluxo de caixa e novos investimentos”, diz Edson Mendes, sócio-fundador da Private Investimentos.

    “Para o investidor, o impacto é uma leitura de maior seletividade. Juros norte-americanos elevados reduzem o apetite global por risco, pressionam bolsas, encarecem o custo de capital e tornam os títulos de renda fixa dos Estados Unidos mais competitivos frente a outros ativos.”

    O Copom (Comitê de Política Monetária) anunciou na tarde desta quarta-feira (29), o corte de 0,25 ponto percentual, a 14,5% ao ano.

    Na avaliação de economistas ouvidos pela Folha de S. Paulo, o comportamento da inflação corrente, a piora nas expectativas e a alta nos preços do petróleo tornam o ambiente mais desafiador e exigem maior cautela por parte do comitê.

    Na prática, isso deve se traduzir em um ritmo de cortes de juros mais lento ao longo do ano e um ciclo de queda da Selic mais curto do que o projetado pelos agentes econômicos antes da guerra.

    Fernando Gonçalves, superintendente de Pesquisa Econômica do Itaú Unibanco, diz que a piora significativa das expectativas de inflação até 2028 reforça a avaliação de que haverá menos espaço para corte de juros do que se imaginava antes da guerra. O banco revisou para cima sua projeção para a taxa Selic ao término do ciclo, de 12,25% para 13%.

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  • Preço do petróleo sobe mais de 6% e é o maior em três semanas após novas ameaças de Trump

    Preço do petróleo sobe mais de 6% e é o maior em três semanas após novas ameaças de Trump

    Indefinição em negociações e risco no fornecimento global fazem Brent ultrapassar US$ 111

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A indefinição nas negociações entre EUA e Irã para encerrar o conflito levou o preço do petróleo a ter uma nova disparada nesta quarta-feira (29). O barril Brent, referência mundial, teve um aumento de 6,32% e chegou a US$ 111,50 (R$ 555,63), maior valor desde 7 de abril, quando foi negociado a US$ 111,80.

    O contrato para entrega em julho abriu a sessão em torno de US$ 104, passou a subir às 3h30 (horário de Brasília) e atingiu o ápice às 14h, quando bateu em US$ 111,50. Às 15h, o Brent era vendido a US$ 110,23 (R$ 549,44), alta de 5,67%. O contrato de junho alcançou US$ 119,76 (R$ 596,79), mas ele é menos negociado que o acordo para julho, que tornou-se a referência do mercado.

    Já o barril WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, chegou a US$ 107,65 (R$ 536,44) para entrega de junho, que é o contrato mais negociado para esse produto. O contrato de julho estava cotado a US$ 100,81, às 12h46.

    As negociações reagiram às novas ameaças do presidente dos EUA, Donald Trump, ao Irã para acabar com o bloqueio no estreito de Hormuz, por onde passa 20% da produção mundial de petróleo e gás. “O Irã não consegue se organizar. Eles não sabem como assinar um acordo não nuclear. Melhor eles ficarem espertos logo!”, postou o republicano, nesta quarta, em sua rede Truth Social, ao lado de uma imagem criada artificialmente em que aparece de óculos escuros, com um fuzil e a mensagem: “O Senhor Bonzinho Acabou.

    A reação de Trump ocorre um dia após o Irã uma nova proposta para um acordo de paz, na qual estabelece limites para manter o seu programa nuclear e o controle sobre o tráfego em Hormuz. Segundo o jornal The Wall Street Journal, o presidente dos EUA já teria instruído sua equipe para se prepararem para a continuidade dos ataques por um período prolongado.

    A intenção do mandatário é manter a tática de estrangulamento da economia iraniana com a permanência do bloqueio aos navios que saem do Irã e tentem acessar o estreito de Hormuz. Com isso, os iranianos não conseguem exportar petróleo, perdem parte significativa de suas receitas e seriam obrigados a recuar de suas exigências, aceitando o que está sendo exigido pelos EUA.

    O porta‑voz do Ministério da Defesa iraniano, Reza Talaei-Nik, afirmou que Washington “deve abandonar suas exigências ilegais e irracionais”. “Os Estados Unidos já não estão em condições de ditar sua política às nações independentes”, afirmou, segundo a televisão estatal do país.

    O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, qualificou a oferta iraniana como “melhor” do que esperavam, mas questionou se as autores dela tinham autoridade para negociá-las, devido aos assassinatos de várias lideranças do regime local em ataques de Israel e EUA.

    “Eles são negociadores muito bons”, disse Rubio, acrescentando que qualquer acordo final deve ser um “que definitivamente os impeça de partir para uma arma nuclear”.

    BOLSAS CAEM NA EUROPA E SOBEM NA ÁSIA

    As Bolsas da Europa fecharam em queda nesta terça, com os investidores atentos à indefinição das negociações de paz no Oriente Médio. O índice Euro STOXX 600, referência na União Europeia, caiu 0,6%, sendo seguida em Frankfurt (-0,31%), Londres (-1,16%), Paris (-0,39%), Madri (-0,62%) e Milão (-0,51%).

    Nos EUA, os três principais índices também registram baixa. Dow Jones estava desvalorizando 0,62%, às 14h55, a S&P caía 0,14% e a Nasdaq perdia 0,21%.

    Já as Bolsas na China tiveram performance oposta e foram impulsionadas pelo bom desempenho das ações de terras raras e empresas de baterias elétricas, que subiram mais de 5%. O índice CSI300, que reúne as principais empresas em Xangai e Shenzhen, avançou 1,1% e o SSEC, em Xangai, ganhou 0,71%. As Bolsas de Hong Kong e Seul também subiram 1,68% e 0,75%, respectivamente, enquanto Tóquio ficou fechado em virtude de feriado.

    Preço do petróleo sobe mais de 6% e é o maior em três semanas após novas ameaças de Trump

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  • Banco Central reduz juros básicos para 14,5% ao ano

    Banco Central reduz juros básicos para 14,5% ao ano

    Apesar de guerra no Oriente Médio, Copom voltou a cortar juros. A redução da taxa Selic impulsiona a economia, já que os juros mais baixos barateiam o crédito e estimulam a produção e o consumo

    Apesar das tensões em torno da guerra no Oriente Médio, o Banco Central (BC) cortou os juros pela segunda vez seguida. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Taxa Selic, juros básicos da economia, em 0,25 ponto percentual, para 14,5% ao ano. A decisão era esperada pelo mercado financeiro.

    De junho de 2025 a março deste ano, a Selic ficou em 15% ao ano, o maior nível em quase 20 anos. O Copom voltou a cortar os juros na reunião passada, num cenário de queda da inflação. No entanto, a guerra no Oriente Médio, que se refletiu no aumento dos preços de combustíveis e de alimentos, dificulta o trabalho do Copom. 

    O Copom estará desfalcado porque o mandato dos diretores de Organização do Sistema Financeiro, Renato Gomes, e de Política Econômica, Paulo Pichetti, expirou no fim de 2025. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva até agora não encaminhou as indicações dos substitutos ao Congresso Nacional.Na reunião deste mês, haverá mais um desfalque. Na terça-feira (28), o Banco Central anunciou que o diretor de Administração, Rodrigo Teixeira, se ausentará por causa do falecimento de um parente de primeiro grau.

    InflaçãoA Selic é o principal instrumento do Banco Central para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A prévia da inflação oficial pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) acelerou para 0,89% em abril. No acumulado de 12 meses, o índice acelerou para 4,37%, contra 3,9% em março.

    O IPCA cheio de abril só será divulgado em 12 de maio.

    Pelo novo sistema de meta contínua, em vigor desde janeiro de 2025, a meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC, definida pelo Conselho Monetário Nacional, é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior é 4,5%.

    No modelo de meta contínua, a meta passa a ser apurada mês a mês, considerando a inflação acumulada em 12 meses. Em abril de 2026, a inflação desde maio de 2025 é comparada com a meta e o intervalo de tolerância. Em maio de 2026, o procedimento se repete, com apuração a partir de junho de 2025. Dessa forma, a verificação se desloca ao longo do tempo, não ficando mais restrita ao índice fechado de dezembro de cada ano.

    No último Relatório de Política Monetária, divulgado no fim de março pelo Banco Central, a autoridade monetária elevou, de 3,5% para 3,6%, a previsão do IPCA em 2026, mas a estimativa será revista, por causa do comportamento do dólar e da inflação. A próxima edição do documento, que substituiu o antigo Relatório de Inflação, será divulgada no fim de junho.

    As previsões do mercado estão mais pessimistas. De acordo com o boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras divulgada pelo BC, a inflação oficial deverá fechar o ano  em 4,86%, acima do teto da meta, de 4,5%. Antes do início da guerra no Oriente Médio, as estimativas do mercado estavam em 3,95%.

    Crédito menos caro

    A redução da taxa Selic impulsiona a economia. Isso porque juros mais baixos barateiam o crédito e estimulam a produção e o consumo. Por outro lado, taxas menores dificultam o controle da inflação. No último Relatório de Política Monetária, o Banco Central manteve em 1,6% a previsão de crescimento da economia em 2026.

    O mercado projeta crescimento um pouco melhor. Segundo a última edição do boletim Focus, os analistas econômicos preveem expansão de 1,85% do PIB em 2026.

    A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas de juros da economia. Ao reajustá-la para cima, o Banco Central segura o excesso de demanda que pressiona os preços, porque juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.

    Ao reduzir os juros básicos, o Copom barateia o crédito e incentiva a produção e o consumo, mas enfraquece o controle da inflação. Para cortar a Selic, a autoridade monetária precisa estar segura de que os preços estão sob controle e não correm risco de subir.

    Banco Central reduz juros básicos para 14,5% ao ano

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  • País tem saldo de 613.373 empregos formais no 1º trimestre de 2026, revela Caged

    País tem saldo de 613.373 empregos formais no 1º trimestre de 2026, revela Caged

    No acumulado do ano, quatro dos cinco grandes grupamentos de atividades econômicas registraram saldos positivos

    De janeiro a março de 2026, foram gerados 613.373 novos postos de trabalho no País, número 9,1% menor que o resultado do mesmo período de 2025, quando o saldo acumulado foi de 675.119. É o menor saldo de empregos formais para o primeiro trimestre de um ano desde 2023, quando o saldo foi de 537.605.

    Os dados são do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado nesta quarta-feira (29) pelo Ministério do Trabalho e Emprego.

    No acumulado do ano, quatro dos cinco grandes grupamentos de atividades econômicas registraram saldos positivos. O único setor que registrou saldo negativo foi o comércio, que fechou 19.525 postos formais de trabalho.

    O maior crescimento do emprego formal ocorreu no setor de serviços, com saldo de 382.229 postos formais de trabalho. A construção gerou 120.547 postos formais de trabalho, a indústria apresentou saldo de 115.310 postos e a agropecuária teve saldo positivo de 14.752 postos.

    No acumulado dos últimos 12 meses (de abril de 2025 a março de 2026), o saldo é de 1.211.455 vagas, menor que o do período de abril de 2024 a março de 2025, quando o saldo era de 1.627.326.

    País tem saldo de 613.373 empregos formais no 1º trimestre de 2026, revela Caged

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  • Desenrola 2.0 vem em boa hora, diz CEO do Santander, que teve queda no lucro

    Desenrola 2.0 vem em boa hora, diz CEO do Santander, que teve queda no lucro

    Banco aumentou provisionamento contra calotes de olho no alto endividamento das famílias; rentabilidade mensurada pelo ROAE recuou 1,5 ponto percentual, para 16%

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Em um trimestre em que o banco viu a inadimplência aumentar, o CEO do Santander Brasil disse que o novo programa do governo voltado para reduzir o endividamento das famílias chega em um bom momento.

    A instituição financeira divulgou nesta quarta-feira (29) que o lucro líquido gerencial do primeiro trimetsre de 2026 somou R$ 3,788 bilhões. O valor representa queda de 1,9% em relação ao resultado do mesmo trimestre de 2025 e ficou levemente abaixo do esperado pelo mercado -analistas consultados pela Bloomberg previam ganho de R$ 4 bilhões. Na comparação com o quarto trimestre de 2025, a queda é maior, de 7,3%.

    “É um timing bom porque as famílias estão endividadas e a renda disponível não está evoluindo. O diagnóstico do governo está absolutamente correto, o nível de renda disponível está crítico. O programa é de fato necessário, está sendo bem desenhado junto aos bancos”, disse o CEO Mario Leão sobre o Desenrola 2.0.

    Para o executivo, a medida não é eleitoreira, apesar de provavelmente ser positiva ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e sim necessária dado o nível de endividamento.

    Dados do Banco Central apontam que o endividamento das famílias brasileiras atingiu 49,9% em fevereiro e renovou o recorde histórico da série, iniciada em janeiro de 2005. O resultado de fevereiro se iguala ao pico observado há quase quatro anos, em julho de 2022.

    “Apesar da inflação até pouco tempo estar caindo, apesar de a economia ainda estarcrescendo, de fato a renda disponível das famílias não tá evoluindo. E elas estão sobrealavancadas, sobreempregadas. Então, o diagnóstico do governo está absolutamente certo. E um programa como esse, bem desenhado como está sendo, ele é, sim, bastante relevante”, afirmou Leão.

    O CEO indicou que deve ser possível ver um efeito positivo do Desenrola 2.0 no balanço do banco já no segundo trimestre. O programa deve renegociar dívidas com atrasos a partir de 60 dias, o que deve aliviar o montante provisionado para perdas, além de aumentar a receita com as quitações.

    A rentabilidade do banco mensurada pelo ROAE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido Médio) recuou 1,5 ponto percentual em relação a 2025, indo a 16%.

    Segundo o banco, entre os fatores que contribuíram para um resultado menor estão menos dias úteis e corridos, sensibilidade negativa aos juros e à variação cambial. Também pesou na queda trimestral uma maior provisão contra calotes.

    Leão também atribuiu o resultado menor a um maior pagamento de impostos. “O resultado teve crescimento orgânico antes do imposto. Paguei bem mais imposto nesse trimestre que no último”, disse a jornalistas.

    O lucro antes de impostos somou R$ 4,583 bilhões, 5,4% maior que no fim de 2025. Porém, 3,5% menor que há 12 meses.

    A carteira de crédito somou R$ 705,6 bilhões ao fim de março, recuo de 0,4% no trimestre, mas crescimento de 3,4% no ano. A maior parte do portfólio é de pessoas físicas e grandes empresas.

    Em 12 meses, cresceram as concessões ao financiamento ao consumo (14,2%). Para pessoa física o destaque foi o crédito imobiliário (10,6%) e cartões (9,1%).

    A inadimplência, por sua vez, subiu 0,2 ponto percentual no trimestre e 0,6 ponto percentual no ano, com os atrasos acima de 90 dias indo a 3,3% da carteira.

    Em termos segmentados, o maior índice de atraso é de pessoas físicas, atingindo 4,9% do crédito. Já em pessoas jurídicas ele é de 1,8%. Neste último segmento, apenas 0,2% do crédito a grandes empresas está inadimplênte, enquanto em PMEs o índice é de 6%.

    Segundo Leão, o banco segue priorizando crédtos menos arriscados e evitando clientes de baixa renda, com até dois salários mínimos e sem carteira de trabalho.

    “Não estamos saindo da baixa renda, fazemos redução técnica, cirúrgica, em segmentos da baixa renda em que o Santander não consegue rentabilidade, nos não CLT”, disse o executivo.

    A PDD (provisão contra devedores duvidosos), ou seja, a proteção contra calotes, cresceu 3,9% no trimestre, mas teve queda de 0,7% no ano, totalizando R$ 6,344 bilhões no primeiro trimestre de 2026.

    “Na comparação trimestral a PDD mantém-se pressionada pelo cenário macroeconômico e alto endividamento das famílias; já na comparação anual a queda reflete a ativa gestão de riscos e os efeitos de mix do portfólio”, diz o balanço do banco.

    A margem financeira, por sua vez, somou R$ 16 bilhões no período, crescimento trimestral de 3,1%, mas recuo anual de 0,7%.

    O Santander Brasil é o primeiro banco brasileiro a reportar os números do primeiro trimestre de 2026. Na próxima semana Itaú Unibanco e Bradesco divulgarão seus balanços.

    O braço brasileiro do conglomerado espanhol está em meio a uma troca de comando. Em julho deste ano, o atual CEO Mario Leão deixará a presidência em definitivo, que ficará sob a liderança de Gilson Finkelsztain, atual presidente da B3.

    “Gilson é um amigo, alguém que conheço bem, fico feliz que seja ele que vai levar o banco adiante”, afirma Leão.

    O executivo trabalha no Santander há onze anos, sendo cinco como presidente. Antes de ser CEO, foi vice-presidente e diretor dos segmentos corporate (grandes empresas) e investment banking (banco de investimento). Anteriormente, teve cargos de liderança no Morgan Stanley, Goldman Sachs e Citi.

    “Recebi um banco espetacular e tive que trabalhar nesses cinco anos para ele crescer de uma forma diferente. E estou bem contente de fazer isso. Este ano vamos ter lucro anual maior que 2021. O ROAE não, isso teremos que esperar até 2028”, afirmou o executivo.

    Em sua gestão, que sucedeu Sergio Rial, Leão focou a retomada de rentabildiade do banco, que caiu com a alta inadimplência ao fim da pandemia. Para isso, o Santander passou a priorizar clientes de maior renda e menos risco.

    O ativo do banco subiu, mas a inadimplência do banco ainda segue acima do índice visto na gestão anterior. O ROAE também segue abaixo. Em 2021, era 21,2%.

    “Superar o ROAE de 20% é totalmente factível em 2028”, disse Leão.

    Em fevereiro, o Santander anunciou outra mudança, a transferência de sua sede corporativa para um novo prédio na região do Itaim Bibi, zona sul de São Paulo. De acordo com o banco, a nova unidade vai abrigar suas operações a partir do segundo semestre de 2028.

    Segundo Leão, o rearranjo envolve outras duas sedes do banco, uma em Santo Amaro e outra perto do Autódromo, o que deve resultar em queda nos gastos recorrentes, além de ser um investimento em uma área nobre da capital paulista. A ideia do executivo é ter lajes maiores com escritórios integrados, de modo a reunir as equipes do banco.

    RAIO-X SANTANDER BRASIL | 1º TRI DE 2026

    Lucro líquido: R$ 3,8 bilhões
    ROAE: 16%
    Funcionários: 49.107
    Agências: 868
    Clientes: 75,2 milhões
    Fundação: em atividade no mercado local desde 1982
    Principais concorrentes: Itaú Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil, Caixa, Nubank

    Desenrola 2.0 vem em boa hora, diz CEO do Santander, que teve queda no lucro

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  • Fim da escala 6×1 é principal bandeira nos atos do 1° de Maio no país

    Fim da escala 6×1 é principal bandeira nos atos do 1° de Maio no país

    Em São Paulo as centrais sindicais já definiram suas programações

    O fim da escala 6×1 é a principal bandeira a ser defendida pelas centrais sindicais nos atos descentralizados realizados em todo o país no 1º de maio, sexta-feira, data comemorativa do Dia do Trabalhador. A medida é vista como essencial para garantir qualidade de vida e equilíbrio entre trabalho e vida pessoal.

    Atualmente, várias propostas pelo fim da escala 6×1 estão em tramitação no Congresso Nacional. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, inclusive, enviou para a Casa Legislativa um projeto de lei (PL) com urgência constitucional para acabar com a escala 6×1 e reduzir a jornada de 44 para 40 horas semanais.

    Atos em São Paulo

    Na capital paulista, sem poder reunir os trabalhadores na Avenida Paulista devido a outras manifestações marcadas previamente no local, as centrais ocuparão outros espaços de relevância. 

    A CUT (Central Única dos Trabalhadores) começa sua programação com ações políticas, culturais e de prestação de serviços, às 14h, no Paço Municipal de São Bernardo, com o lema “Nossa luta transforma vidas”.

    O objetivo é ampliar o diálogo com a população e fortalecer a organização da classe trabalhadora nos territórios. Nas subsedes, as atividades serão organizadas em parceria com sindicatos locais da grande São Paulo, interior e litoral. A proposta é levar para bairros e municípios iniciativas que combinem cidadania, cultura e mobilização social.

    Entre as pautas consideradas urgentes pela CUT neste 1º de Maio também estão a redução da jornada de trabalho sem redução salarial, o combate ao feminicídio, o enfrentamento à pejotização, fortalecimento das negociações coletivas como instrumento fundamental para garantir avanços concretos nas condições de trabalho, a garantia de direitos para os servidores públicos.

    Também integram a agenda a luta contra a reforma administrativa e a resistência às privatizações, entendidas como medidas que comprometem serviços públicos essenciais e aprofundam desigualdades.

    Na programação cultural estão confirmados artistas como Gloria Groove, MC IG, Filho do Piseiro, Grupo Intimistas, Grupo Entre Elas, Marquinhos Sensação, Grupo SP5, Grupo Razão, Don Ernesto, Samba de Luz, Samba e Amigos, Alex Rocha, Gordinho da Pisada, Kadu do Piseiro e Hyaguinho Vaqueiro.

    A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) fará sua concentração na Praça Franklin Roosevelt, a partir das 9h. “O 1º de Maio deste ano vai além de uma celebração simbólica e se coloca como um espaço de pressão social por mudanças concretas. Entre os temas que devem ganhar destaque estão o combate à precarização do trabalho, a necessidade de políticas públicas que fortaleçam a economia e a defesa de direitos básicos que garantam dignidade à população trabalhadora”, diz a CTB.

    A União Geral dos Trabalhadores (UGT) fará na sexta-feira, dia 1º, o lançamento da 12ª edição da Expo Paulista, em comemoração ao Dia do Trabalhador, na Avenida Paulista. A exposição terá 30 painéis com o tema “Isto É Conquista: Lutas e Vitórias do Trabalhador Brasileiro”, criados pelo estilista mineiro Ronaldo Fraga.

    Considerada a maior exposição a céu aberto da América Latina, ela terá seus painéis expostos até 31 de maio, com a expectativa de ser vista por 1,5 milhão de pessoas por dia.

    “A exposição propõe uma reflexão visual sobre o universo do trabalho, suas transformações e desafios que contam a história do trabalhador brasileiro”. A cerimônia será realizada às 9h, no Blue Note, localizado no Conjunto Nacional, na Avenida Paulista 2073.

    Já a Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB) realizará seus atos em diversas cidades do estado de São Paulo, como Araçatuba, Itatiba, Ribeirão Preto e Osasco.

    “A nova determinação possibilita que os sindicatos, federações e confederações realizem eventos em seus bairros e regiões de atuação. E permite mais visibilidade às reivindicações dos movimentos e contato direto com trabalhadores, ampliando a mobilização das bases”, explica a central.

    Fim da escala 6×1 é principal bandeira nos atos do 1° de Maio no país

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  • Fila do INSS cai para 2,6 milhões após atingir pico de 3,1 mi e levar à demissão de presidente

    Fila do INSS cai para 2,6 milhões após atingir pico de 3,1 mi e levar à demissão de presidente

    Número de pedidos caiu após medidas para reduzir solicitações duplicadas e reorganizar o atendimento; governo aposta em mutirões e novas regras para acelerar análises e diminuir ainda mais a fila nos próximos meses.

    (FOLHAPRESS) – A fila de pedidos de aposentadoria, pensão e auxílios do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) caiu para 2,6 milhões em abril após atingir pico de 3,1 milhões em fevereiro. O movimento ocorre em meio a uma série de medidas adotadas pelo governo e após a troca no comando do órgão.

    Os dados foram apresentados pelo ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, em reunião do CNPS (Conselho Nacional de Previdência Social) nesta terça-feira (28). A fila já havia registrado redução em março, para 2,8 milhões de pedidos. Mesmo assim, o então presidente do órgão, Gilberto Waller Júnior, foi demitido. Em seu lugar assumiu Ana Cristina Silveira.

    Acabar com a fila era um dos compromissos de campanha do presidente Lula. 

    Os novos números são tratados pelo Ministério da Previdência como um sinal positivo de que as ações para enfrentar o problema estariam começando a surtir efeito.

    A expectativa é de que, nos próximos meses, a redução seja ainda mais expressiva, com as medidas que vêm sendo tomadas pelo órgão. Na sexta-feira (24), instrução normativa do INSS passou a limitar os pedidos de aposentadorias e pensões quando a solicitação for para o mesmo tipo de benefício.

    Segundo a norma, não é mais possível fazer múltiplas solicitações para um mesmo benefício enquanto houver prazo para recorrer da resposta inicial. Os recursos podem ser solicitados em até 30 dias após resposta do órgão -em geral, negativa. Durante esse período, não é possível fazer nova solicitação.

    A mudança busca enfrentar um problema identificado pelo próprio instituto: o alto volume de requerimentos duplicados, que chega a representar mais de 40% dos pedidos reapresentados em até um mês após a conclusão inicial e sobrecarrega o sistema.

    A atual presidente, Ana Cristina, comemorou. Segundo ela, as estratégias envolvem reorganização operacional na tentativa de dar mais agilidade ao atendimento. Além da limitação dos pedidos de aposentadoria, há outras iniciativas, como o programa Acelera INSS, com prazo de 90 dias, que prevê mutirões, reforço de pessoal e mudanças internas para reduzir os pedidos em análise há mais de 45 dias.

    Fila do INSS cai para 2,6 milhões após atingir pico de 3,1 mi e levar à demissão de presidente

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  • Copom decide Selic em meio a guerra e inflação acelerando

    Copom decide Selic em meio a guerra e inflação acelerando

    Mesmo com pressão do petróleo e inflação elevada, mercado projeta novo corte na Selic; decisão do Copom ocorre em meio a incertezas externas, impactos da guerra no Oriente Médio e diretoria incompleta no Banco Central.

    Com a guerra no Oriente Médio pressionando o preço dos combustíveis e a inflação, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) faz nesta quarta-feira (29) a terceira reunião do ano. Mesmo com a alta do petróleo, os analistas de mercado acreditam na segunda redução seguida de juros.

    Atualmente em 14,75% ao ano, a Selic ficou em 15%, no maior nível em quase 20 anos, de junho de 2025 a março deste ano.

    A decisão sobre a Taxa Selic será anunciada no início da noite desta quarta. O Copom estará desfalcado porque o mandato dos diretores de Organização do Sistema Financeiro, Renato Gomes, e de Política Econômica, Paulo Pichetti, expirou no fim de 2025. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva até agora não encaminhou as indicações dos substitutos ao Congresso Nacional.

     

    Na reunião deste mês, haverá mais um desfalque. Na terça-feira (28), o Banco Central anunciou que o diretor de Administração, Rodrigo Teixeira, se ausentará por falecimento de um parente de primeiro grau.

    Na ata da reunião de março, o Copom deixou de indicar se continuará a cortar os juros. Com a Guerra no Oriente Médio,  o BC afirmou que a magnitude e o “ciclo de calibração” (para cima ou para baixo) da Selic serão determinados “ao longo do tempo”, à medida que novas informações forem incorporadas às análises.

    Segundo a edição mais recente do boletim Focus, pesquisa semanal com analistas de mercado, a taxa básica deve ser reduzida em 0,25 ponto percentual, para 14,5% ao ano. 

    Inflação

    O comportamento da inflação continua uma incógnita. A prévia da inflação oficial pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) acelerou para 0,89% em abril, pressionada por combustíveis e alimentos. No acumulado de 12 meses, o índice acelerou para 4,37%, contra 3,9% em março.

    Segundo o último boletim Focus, a estimativa de inflação para 2026 subiu para 4,86%, por causa do conflito no Oriente Médio. Isso representa inflação acima do teto da meta contínua estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Oficialmente, a meta está em 3%, podendo chegar a 4,5% por causa do intervalo de tolerância de 1,5 ponto.

    Taxa Selic

    A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas da economia. Ela é o principal instrumento do Banco Central para manter a inflação sob controle. O BC atua diariamente por meio de operações de mercado aberto – comprando e vendendo títulos públicos federais – para manter a taxa de juros próxima do valor definido na reunião.

    Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, pretende conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Desse modo, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia. Mas, além da Selic, os bancos consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas.

    Ao reduzir a Selic, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle da inflação e estimulando a atividade econômica.

    O Copom reúne-se a cada 45 dias. No primeiro dia do encontro, são feitas apresentações técnicas sobre a evolução e as perspectivas das economias brasileira e mundial e o comportamento do mercado financeiro. No segundo dia, os membros do Copom, formado pela diretoria do BC, analisam as possibilidades e definem a Selic.

    Meta contínua

    Pelo novo sistema de meta contínua em vigor desde janeiro de 2025, a meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC, definida pelo Conselho Monetário Nacional, é 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior é 4,5%.

    No modelo de meta contínua, a meta passa ser apurada mês a mês, considerando a inflação acumulada em 12 meses. Em abril de 2026, a inflação desde maio de 2025 é comparada com a meta e o intervalo de tolerância. Em maio de 2026, o procedimento se repete, com apuração a partir de junho de 2025. Dessa forma, a verificação se desloca ao longo do tempo, não ficando mais restrita ao índice fechado de dezembro de cada ano.

    No último Relatório de Política Monetária, divulgado no fim de março pelo Banco Central, a autoridade monetária elevou de 3,5% para 3,6% a previsão para o IPCA em 2026, mas a estimativa deve ser revista se a guerra no Oriente Médio se prolongar. A próxima edição do documento, que substituiu o Relatório de Inflação, será divulgada no fim de junho.

     

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  • Pedágio: como pedir reembolso de multas após mudanças no sistema

    Pedágio: como pedir reembolso de multas após mudanças no sistema

    Motoristas poderão regularizar débitos sem multa por evasão e solicitar devolução de valores pagos após quitar a tarifa; governo também ampliou prazos e prometeu integração das cobranças ao aplicativo da CNH para facilitar consulta e pagamento.

    Motoristas multados no sistema de pedágio eletrônico, antes conhecido como “free flow”, poderão solicitar a devolução de valores pagos e regularizar pendências sem novas penalidades após o pacote de mudanças anunciado pelo governo federal nesta terça-feira (28).

    As medidas, detalhadas pelo Contran e pelo Ministério dos Transportes, preveem a suspensão de cerca de 3,4 milhões de multas por 200 dias, além da ampliação do prazo para pagamento das tarifas e novas regras para ressarcimento.

    Durante esse período, o motorista poderá quitar apenas o valor do pedágio, sem a multa por evasão, que gira em torno de R$ 195 e é considerada infração grave pelo Código de Trânsito Brasileiro, com cinco pontos na CNH.

    Como pedir o reembolso
    Quem já pagou a multa poderá solicitar o dinheiro de volta, mas o processo não é automático. Primeiro, é necessário regularizar o débito original, pagando a tarifa de pedágio dentro do prazo de 200 dias.

    Depois disso, o motorista deve protocolar um pedido administrativo no órgão responsável pela autuação:

    Rodovias federais: solicitação à ANTT
    Rodovias estaduais: pedido ao Detran ou ao DER do estado
    Será preciso apresentar comprovantes de pagamento da tarifa e documentos da infração.

    O processo inclui etapas como defesa junto ao órgão autuador, recurso à Jari (Junta Administrativa de Recursos de Infrações) e, em alguns casos, nova análise pelo Cetran.

    Pontos na CNH
    Após quitar a tarifa, o motorista poderá pedir a devolução da multa e a retirada dos pontos da CNH, desde que comprove a regularização conforme as novas regras.

    Integração e mudanças no sistema
    O governo também determinou que, em até 100 dias, as concessionárias integrem seus sistemas à Senatran. Com isso, as cobranças passarão a aparecer diretamente no aplicativo da CNH, permitindo consulta e pagamento em um único ambiente.

    Outra mudança é o abandono do termo “free flow”. O sistema passa a ser chamado oficialmente de pedágio eletrônico, com sinalização padronizada nas rodovias para evitar dúvidas dos motoristas.

    Falhas reconhecidas
    Durante o anúncio, o ministro dos Transportes, George Santoro, afirmou que as mudanças buscam corrigir falhas na comunicação do modelo.

    “A comunicação feita pelo governo, pelas concessionárias e pelas empresas de meio de pagamento não foi eficiente o suficiente para a população entender o que estava acontecendo”, declarou.

    Implantado no Brasil a partir de 2023, o sistema permite a cobrança automática de pedágio sem cancelas, por meio de câmeras e sensores que identificam os veículos em movimento.
     
     

     

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  • Lula promulga acordo Mercosul-UE e critica demora nas negociações

    Lula promulga acordo Mercosul-UE e critica demora nas negociações

    Presidente afirma que tratado foi firmado após mais de 25 anos de negociações e defende multilateralismo diante de tensões comerciais globais; acordo entre os blocos entra em vigor de forma provisória nesta sexta-feira.

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva promulgou nesta terça-feira (28) o acordo entre Mercosul e União Europeia e afirmou que o tratado foi firmado “a ferro, suor e sangue”. O acordo de livre comércio, negociado por mais de 25 anos entre os dois blocos, entra em vigor de forma provisória na sexta-feira.

    Durante cerimônia no Palácio do Planalto, Lula criticou a demora para a conclusão do tratado e declarou que “quando o acordo vem dos colonizadores para os colonizados, vem com mais rapidez”.

    “Mas quando os colonizados resolvem levantar a cabeça e dizer que eles têm direitos, as coisas ganham mais dificuldades, porque nos tornamos competitivos com produtos produzidos em outros países”, afirmou.

    “Esse acordo foi feito a ferro, suor e sangue, porque querem evitar que o Brasil cresça, dispute, coloque seus produtos no mercado estrangeiro. E ele veio no momento para reforçar a ideia consagrada do multilateralismo”, acrescentou.

    Ainda no evento, o presidente disse que o entendimento entre os blocos representa uma resposta de “multilateralismo e na relação cordial entre as nações” às políticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que, segundo ele, adotou “taxações de forma unilateral com o mundo inteiro”.

    Ao comentar a política tarifária adotada pela Casa Branca no ano passado, Lula afirmou que o Brasil buscou ampliar parcerias comerciais. “Está cheio de gente querendo vender, gente querendo comprar. Brasil hoje não é uma republiqueta, o Brasil é um grande país. Se o Brasil aprender a se respeitar, a gente vai negociar em igualdade de condições em qualquer país”, disse.

    A promulgação do acordo Mercosul-União Europeia ocorre após aprovação pelo Congresso Nacional, em março deste ano.

    Em 21 de abril, durante visita a Lisboa, Lula afirmou que Portugal pode assumir papel estratégico como principal porta de entrada dos interesses empresariais brasileiros na Europa. Na ocasião, também defendeu o avanço da parceria entre os dois países para além do comércio tradicional, com a incorporação de etapas produtivas em território português.

     

    Lula promulga acordo Mercosul-UE e critica demora nas negociações

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