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  • Novo salário mínimo em 2027: Projeção indica qual será o novo valor

    Novo salário mínimo em 2027: Projeção indica qual será o novo valor

    A previsão segue a política de valorização do salário mínimo, que combina a reposição da inflação com um aumento real baseado no desempenho da economia. Dessa forma, além de compensar as perdas provocadas pelo aumento dos preços, o reajuste também inclui um ganho adicional.

    O governo federal divulgou novas projeções para o salário mínimo brasileiro nos próximos anos, indicando a possibilidade de reajustes acima da inflação. As estimativas constam em documentos oficiais enviados ao Congresso Nacional para orientar a elaboração do orçamento federal. Pelos cálculos atuais, o piso nacional pode atingir aproximadamente R$ 1.724 em 2027, valor superior ao previsto para 2026, quando o mínimo deve ficar em torno de R$ 1.630.

    A previsão segue a política de valorização do salário mínimo, que combina a reposição da inflação com um aumento real baseado no desempenho da economia. Dessa forma, além de compensar as perdas provocadas pelo aumento dos preços, o reajuste também inclui um ganho adicional. As projeções indicam que esse acréscimo real pode alcançar cerca de 2,3%, percentual relacionado ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) registrado em anos anteriores e utilizado como referência no cálculo do piso nacional.

    Atualmente, a definição do salário mínimo considera dois fatores principais. O primeiro é a inflação acumulada em 12 meses, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que garante a reposição do poder de compra dos trabalhadores. O segundo elemento é o crescimento econômico de períodos anteriores, responsável por gerar o aumento real no valor do mínimo.

    Essa política foi retomada com o objetivo de fortalecer a renda da população e estimular a atividade econômica. O motivo é que o salário mínimo tem influência direta sobre milhões de rendimentos em todo o país.

    O reajuste também impacta diversos pagamentos públicos. Benefícios como aposentadorias e pensões do INSS, seguro-desemprego, abono salarial PIS/Pasep e o Benefício de Prestação Continuada (BPC) são calculados com base no piso nacional. Por isso, sempre que o valor do mínimo é elevado, esses pagamentos também passam por correção automática, o que amplia o alcance do aumento para milhões de brasileiros e gera efeitos relevantes nas contas públicas.

    Apesar da projeção atual apontar para um mínimo de cerca de R$ 1.724 em 2027, o valor ainda não é definitivo. O montante final dependerá da inflação registrada, do desempenho da economia e das decisões tomadas durante a aprovação do orçamento federal pelo Congresso.

    Há também estimativas para os anos seguintes. Segundo projeções divulgadas pelo portal Informações Municipais, o salário mínimo poderia alcançar R$ 1.823 em 2028 e R$ 1.925 em 2029, embora esses valores ainda dependam das condições econômicas e das definições orçamentárias futuras.

    Novo salário mínimo em 2027: Projeção indica qual será o novo valor

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  • Apoio ao fim da escala 6×1 cresce e chega a 71% dos brasileiros, aponta Datafolha

    Apoio ao fim da escala 6×1 cresce e chega a 71% dos brasileiros, aponta Datafolha

    Para 71% dos entrevistados, o número máximo de dias de trabalho semanais no Brasil deveria ser reduzido, enquanto 27% acreditam que não deveria; 3% não opinaram. As perguntas foram feitas de 3 a 5 de março.

    MAELI PRADO
    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A maior parte dos brasileiros é favorável ao fim da escala 6×1, proposta atualmente em debate no Congresso Nacional, e essa percepção avançou em relação ao levantamento realizado no final de 2024, mostra pesquisa Datafolha.

    Para 71% dos entrevistados, o número máximo de dias de trabalho semanais no Brasil deveria ser reduzido, enquanto 27% acreditam que não deveria; 3% não opinaram. As perguntas foram feitas de 3 a 5 de março.

    O levantamento indica que o apoio cresceu em comparação ao registrado em pesquisa feita pelo instituto entre 12 e 13 de dezembro do ano retrasado, quando 64% se manifestaram a favor da medida, e 33% se posicionaram contra.

    O Datafolha entrevistou 2.004 pessoas de 16 anos ou mais em 137 municípios pelo Brasil. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%.

    O governo do presidente Lula (PT) já sinalizou que, apesar de o nome da proposta em debate –fim da escala 6×1– evocar os dias de trabalho, a prioridade é a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, como disse Luiz Marinho, ministro do Trabalho e Emprego, à Folha.

    “A lei tem que estabelecer a redução de jornada sem redução de salário, e a grade, com dois dias de descanso na semana, deve ser definida pelas negociações”, disse o ministro.

    O posicionamento é uma flexibilização em relação à PEC (proposta de emenda à Constituição) da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), que propõe reduzir a jornada de 44 para 36 horas semanais.

    Ao analisar o perfil dos entrevistados, a pesquisa também mostra que os brasileiros economicamente ativos se dividem entre quem trabalha até cinco dias na semana (53%) e quem faz seis ou sete dias semanais (47%).

    Apesar de o segundo grupo se encaixar entre os beneficiários do fim da escala 6×1, ele é menos favorável à medida: 68% dos que trabalham seis dias ou mais apoiam a medida, enquanto 76% daqueles que trabalham até cinco dias são favoráveis à redução.

    Um dos fatores que ajudam a explicar essa diferença é a maior proporção de autônomos e empresários no grupo de pessoas que dizem fazer uma jornada semanal maior. Para eles, trabalhar mais tempo pode significar renda maior.

    Já entre os que trabalham até cinco dias por semana, há uma participação maior de funcionários públicos, cuja duração da jornada não costuma influenciar a renda.

    Da amostra entrevistada pelo Datafolha, 66% trabalham até 8 horas por dia, 28% mais de 8 horas a 12 horas e 5% mais de 12 horas; 1% não soube responder.

    IMPACTOS NA ECONOMIA

    Quando a pergunta é sobre o impacto para as empresas, as opiniões se dividem: 39% acreditam que os efeitos serão positivos, e outros 39% que serão negativos. No levantamento anterior, feito em dezembro de 2024, um percentual maior (42%) apontava para efeitos negativos para as empresas.

    A redução de jornada também divide especialistas em relação aos impactos na economia brasileira, como a Folha mostrou.

    Enquanto estudos setoriais apontam elevação de custos para as empresas, eliminação de vagas formais e redução do PIB (Produto Interno Bruto), outras análises mostram que não haverá desemprego significativo, que a elevação das despesas ocorre uma única vez e que a alta poderá ser diluída se houver planejamento.

    Quanto aos impactos esperados para os trabalhadores, o Datafolha mostra que 76% acreditam que a redução da jornada será ótima ou boa para a qualidade de vida. Entre aqueles que trabalham até cinco dias por semana, esse índice é de 81%, ante 77% entre os que trabalham seis ou sete dias.

    Quando a pergunta é sobre as consequências para a economia brasileira como um todo, 50% acreditam que o fim da escala terá um efeito ótimo ou bom, enquanto 24% preveem um impacto ruim ou péssimo.

    Outra pergunta feita na pesquisa foi sobre os efeitos pessoais que o fim da escala 6×1 traria. Nesse caso, 68% avaliaram que a mudança será ótima ou boa para si.

    Entre os que trabalham seis ou sete dias por semana, 65% acreditam que os efeitos pessoais serão positivos, um percentual menor do que o registrado entre aqueles que possuem jornada de até cinco dias (74%).

    No que diz respeito à rotina pessoal de trabalho, o maior grupo é o que afirma que tem tempo suficiente para lazer e descanso (49%). O percentual daqueles que apontam que o tempo é insuficiente para se divertir e descansar é de 43%, enquanto 8% dos entrevistados dizem ter tempo mais do que o suficiente para descanso e lazer.
    Ainda nesse contexto, a maioria (59%) dos que dizem trabalhar seis ou sete dias na semana avalia que seu tempo para lazer é insuficiente, o dobro daqueles que trabalham em jornadas de até cinco dias (29%).

    POLÍTICA

    A pesquisa do Datafolha revela também que o nível de apoio à redução da jornada varia de acordo com preferências políticas.
    Entre aqueles que votaram em Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições de 2022, 55% são a favor do fim da escala 6×1, e 43% são contra, enquanto 2% afirmaram não saber. No grupo que votou em Lula, 82% são favoráveis, e 16% contrários –3% disseram não saber. Nos dois casos, a margem de erro é de quatro pontos percentuais.

    A percepção das consequências para a economia brasileira também é influenciada pelo fator político: entre os que votaram em Lula, 63% veem efeitos positivos para a economia; entre os eleitores de Bolsonaro, o índice cai para 37%.

    RELIGIÃO

    Já em relação à religião, o percentual de apoio ao fim da escala 6×1 é de 69% entre católicos (margem de erro de três pontos percentuais) e de 67% entre os evangélicos (margem de erro de quatro pontos percentuais).

    Aqueles que frequentam mais a igreja –mais de uma vez por semana– apoiam menos a redução da jornada (63% são a favor) do que aqueles que frequentam uma vez por ano (81% favoráveis).

    IDADE

    Sob a ótica geracional, o apoio ao fim da escala 6×1 é maior entre os mais jovens, com 83% dos entrevistados entre 16 a 24 anos apoiando a ideia. O percentual cai para 75% entre os entrevistados entre 35 a 44 anos e vai a 55% no grupo de 60 anos ou mais. Em todos os casos, a margem de erro é de cinco pontos percentuais.

    GÊNERO

    No recorte por gênero, o Datafolha aponta que as mulheres apoiam mais o fim da escala 6×1 do que os homens: 77% das entrevistadas se posicionam a favor, enquanto na parcela masculina o percentual é de 64%. A margem de erro é de três pontos percentuais.

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  • Alckmin: candidaturas de Haddad e Tebet são muito bem-vindas

    Alckmin: candidaturas de Haddad e Tebet são muito bem-vindas

    \”Em relação às candidaturas, são muito bem-vindas. Tanto o ministro Haddad quanto a ministra Tebet têm espírito público, experiência, competência. Preparados para servir a população. Ser candidato é um ato de amor ao próximo. Diz que na vida não basta viver. É necessário conviver e participar. E eles contarão conosco nessa boa campanha cívica\”, afirmou.

    O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, afirmou neste sábado, 14, que as candidaturas dos ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Simone Tebet (Planejamento) são bem-vindas, mas evitou confirmar se será candidato. Ele participa de visita a concessionária da Scania no entorno de Brasília.

     

    \”Em relação às candidaturas, são muito bem-vindas. Tanto o ministro Haddad quanto a ministra Tebet têm espírito público, experiência, competência. Preparados para servir a população. Ser candidato é um ato de amor ao próximo. Diz que na vida não basta viver. É necessário conviver e participar. E eles contarão conosco nessa boa campanha cívica\”, afirmou.

     

    O vice-presidente não quis responder se ele também será candidato. A tendência é que ele seja o segundo nome da chapa governista ao Senado por São Paulo, junto com Tebet, mas afirmou que é preciso aguardar.

     

    Já o ministro da Fazenda deve concorrer ao governo estadual, disputando com Tarcísio de Freitas e garantindo palanque ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva no maior colégio eleitoral do País.

    Alckmin: candidaturas de Haddad e Tebet são muito bem-vindas

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  • Governo vê riscos ao mercado financeiro com possível designação do PCC e CV como terroristas

    Governo vê riscos ao mercado financeiro com possível designação do PCC e CV como terroristas

    O enquadramento de uma organização como terrorista é um ato administrativo do governo americano e não requer autorização judicial, o que dá ampla discricionariedade de atuação para a administração republicana. Há ainda a possibilidade de aplicação extraterritorial -quando a jurisdição alcança áreas fora do território dos EUA.

    RICARDO DELLA COLETTA
    BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O governo do presidente Lula (PT) avalia que a eventual designação do PCC (Primeiro Comando da Capital) e do CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas por Donald Trump deixaria empresas brasileiras e o sistema financeiro nacional expostos a medidas unilaterais dos Estados Unidos.

    O enquadramento de uma organização como terrorista é um ato administrativo do governo americano e não requer autorização judicial, o que dá ampla discricionariedade de atuação para a administração republicana. Há ainda a possibilidade de aplicação extraterritorial -quando a jurisdição alcança áreas fora do território dos EUA.

    A reportagem conversou com diferentes integrantes da gestão Lula sobre as consequências do enquadramento por Trump de facções como organizações terroristas estrangeiras (as Foreign Terrorist Organizations, conforme a legislação americana as define).

    Uma das principais preocupações é que as leis antiterrorismo dos EUA preveem punições não apenas para as facções, mas também para pessoas e instituições financeiras que possuam ou tenham conhecimento de fundos relacionados a essas organizações.

    Para o governo Lula, isso abre brecha para que entidades que possam ter vínculos indiretos -ou mesmo que não tenham conhecimento da atividade criminosa- sejam afetadas.

    Um integrante do governo cita o receio de que instituições financeiras que eventualmente tenham movimentado recursos ligados às facções, mesmo sem que esteja comprovado que tinham conhecimento da origem dos fundos, possam entrar na mira de sanções americanas.

    Nesse cenário, há ainda a possibilidade de que todo o custo de operação do mercado financeiro aumente, uma vez que as empresas redobrariam os esforços de compliance para evitar qualquer risco de vinculação.

    No domingo (8), o portal UOL revelou que o governo Donald Trump deve designar o PCC e o CV como organizações terroristas, em um movimento que gerou forte preocupação no governo Lula.

    O Planalto agiu para tentar convencer os americanos a postergar a decisão, ao menos até um encontro previsto entre Lula e Trump, ainda sem data para ocorrer.

    Uma das frentes de atuação do governo tem sido afirmar que a eventual designação das entidades como terroristas pode prejudicar outros aspectos da relação bilateral.

    De acordo com membros dos governos Lula e Trump, ouvidos pela reportagem sob condição de anonimato, a linha de argumentação é a de que a inclusão das facções na lista de organizações terroristas teria efeitos inesperados para o Brasil, o que poderia se refletir negativamente em outras áreas da cooperação com os americanos.

    Assessores de Lula que acompanham o tema falam em diversos riscos na mudança de classificação, entre eles o potencial de afetar a economia e a competitividade do Brasil no cenário internacional.
    O cenário da relação bilateral com os EUA ficou ainda mais incerto para o Brasil diante da escalada das tensões com a decisão de Lula de vetar o ingresso de um conselheiro de Trump no país.

    Assessor do Departamento de Estado, Darren Beattie viria ao Brasil na próxima semana e queria se encontrar com o ex-presidente Jair Bolsonaro, preso na Papudinha no âmbito de um processo por tentativa de golpe de Estado.

    O ministro Mauro Vieira (Relações Exteriores) disse ao STF (Supremo Tribunal Federal) que o encontro não estava entre as razões alegadas pelos EUA para a agenda no Brasil. Para Vieira, a reunião com Bolsonaro poderia configurar ingerência em ano eleitoral.

    Lula então determinou a revogação do visto do americano até que Trump permitisse a entrada do ministro Alexandre Padilha (Saúde) nos EUA. Padilha está sancionado pelo Departamento de Estado por envolvimento na criação do programa Mais Médicos.

    A decisão de Lula de revogar o visto de Beattie pegou integrantes da gestão americana de surpresa. Auxiliares de Trump no Departamento de Estado esperam uma reação por parte dos EUA, mas ainda não está claro qual será.

    Apesar de ter reagido ao que vê como ingerência, Lula ainda quer manter os canais com Trump e não desistiu de ter uma reunião com o americano nos EUA inclusive para debater a questão ligada ao PCC e CV. Ainda não há, porém, uma data marcada, a expectativa é que fique para abril.

    Governo vê riscos ao mercado financeiro com possível designação do PCC e CV como terroristas

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  • Advogado disse a Daniel Vorcaro estar 'infernizando' juiz horas antes de prisão

    Advogado disse a Daniel Vorcaro estar 'infernizando' juiz horas antes de prisão

    Em uma mensagem enviada pelo advogado Walfrido Warde a Vorcaro, o defensor escreveu: “Estamos infernizando ele”, em referência atribuída ao juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal de Brasília.

    BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Investigadores do caso Master citam, em representação enviada ao STF (Supremo Tribunal Federal), que um dos advogados da equipe de defesa de Daniel Vorcaro atuou para evitar a prisão do ex-banqueiro quando a ordem judicial ainda estava sob sigilo e não deveria ser do conhecimento deles.

    Em uma mensagem enviada pelo advogado Walfrido Warde a Vorcaro, o defensor escreveu: “Estamos infernizando ele”, em referência atribuída ao juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal de Brasília.

    A frase foi enviada em 17 de novembro de 2025, horas antes de Vorcaro ser preso pela primeira vez. A informação foi revelada pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pela reportagem.

    Desde o ano passado, investigadores apuram a suspeita de vazamento de informações sigilosas do inquérito para Vorcaro.

    A desconfiança é que o ex-banqueiro soube antecipadamente que seria alvo de uma operação da Polícia Federal e tentou escapar do país em um jatinho particular. Ele foi detido no aeroporto de Guarulhos, prestes a embarcar. Vorcaro, no entanto, negou a tentativa de fuga e alegou que viajaria para negociar a venda do Banco Master a investidores dos Emirados Árabes.

    A troca de mensagens foi obtida por meio da quebra de sigilo do telefone de Vorcaro, em posse dos policiais.

    Há também, no material da apuração, prints do bloco de notas do celular de Vorcaro com os nomes do magistrado, do procurador do MPF (Ministério Público Federal), de servidores do Banco Central e de delegados da PF.

    No arquivo com o nome de Leite, Vorcaro escreveu: “Vocês são próximos?”. O destinatário dessas anotações, no entanto, ainda não está identificado.

    A suspeita dos investigadores é a de que o texto demonstra uma tentativa de obstrução de Justiça.

    Procurada para comentar os achados, a assessoria de Warde afirma que o escritório do advogado recebeu do próprio cliente e de outras bancas que o representavam a informação de que havia um inquérito investigando Daniel Vorcaro e o Banco Master na 10ª Vara da Justiça Federal de Brasília .

    “Ao tentar encontrar tal inquérito, já haviam inferido que estivesse nessa vara do Distrito Federal, porque é especializada em questões relativas ao sistema financeiro. Em conjunto, os escritórios prepararam a petição que foi enviada a ambos os magistrados dessa vara”, diz a nota, em referência a um email encaminhado ao magistrado pouco depois da decretação da prisão.

    “Após ingressar com a petição assinada em conjunto por quatro escritórios, Warde Advogados buscou contato com os juízes pleiteando que os defendentes fossem recebidos em audiência a fim de despachar a petição, sempre em observância aos interesses do então cliente, e na forma da lei. Warde Advogados jamais participou de atos de obtenção de dados cobertos por sigilo. Qualquer sugestão nesse sentido é caluniosa e totalmente contrária aos fatos”, afirma.

    Warde deixou a defesa do ex-banqueiro em 21 de janeiro.

    A defesa de Vorcaro, procurada na noite desta sexta-feira (13), optou por não comentar o tema. A equipe defende que “não cabe comentar conteúdos que decorrem de vazamentos ilegais de material sigiloso”.

    “Qualquer manifestação sobre informações obtidas dessa forma apenas reforçaria a disseminação de conteúdos cuja divulgação é, em si, objeto de apuração. Além disso, a comunicação entre cliente e advogado é protegida por prerrogativa legal e constitui garantia essencial do direito de defesa”, diz o texto.

    Os investigadores dizem acreditar que o advogado usou o anúncio de que o Master seria vendido para holding financeira Fictor para tentar evitar a prisão, enviando a notícia para o magistrado. A aquisição foi rejeitada pelo Banco Central, que deliberou pela liquidação do banco, anunciada no dia seguinte, em 18 de novembro.

    Com a prisão de Vorcaro, os investigadores tiveram acesso ao celular dele e identificaram que informações sigilosas estavam sendo acessadas desde julho de 2025.

    Investigadores afirmam que, em 24 de julho, Vorcaro recebeu mensagem de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apelidado de Sicário, com documentos no formato PDF da investigação contra ele que corria na primeira instância da Justiça Federal.

    Da análise do celular dele, feita em novembro, os investigadores também suspeitaram que Vorcaro tinha informações sobre a apuração do Banco Central sobre o Master.

    O fato e os demais indícios da existência de uma estrutura de vigilância e coerção privada, chamada “A Turma”, destinada à obtenção ilegal de informações sigilosas e à intimidação de críticos, foi uma das bases para a decisão do ministro André Mendonça, relator do caso no STF, pelas prisões preventivas do último dia 4.

    A conclusão dos investigadores foi a de que o grupo criminoso hackeou senhas de servidores de autoridades de órgãos de investigação e conseguiu invadir os sistemas para acompanhar o andamento da investigação.

    Advogado disse a Daniel Vorcaro estar 'infernizando' juiz horas antes de prisão

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  • Renner recolhe blusa 'regret nothing', usada por réu de estupro ao se entregar à polícia

    Renner recolhe blusa 'regret nothing', usada por réu de estupro ao se entregar à polícia

    Empresa afirma que retirou a peça após a repercussão negativa e que ‘repudia qualquer forma de violência’; suspeito nega as acusações; frase é também ‘mindset’ de Andrew Tate, influenciador misógino e acusado de violência sexual

    RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – A Renner removeu de suas lojas a blusa com a frase ‘regret nothing’ (não se arrependa de nada) usada por Vitor Hugo Simonin, 19, réu pelo estupro coletivo sofrido por uma jovem de 17 anos, no Rio de Janeiro.

    Ele vestia a camiseta com a inscrição quando se entregou à polícia no dia 4, como mostrou a Folha de S. Paulo. A retirada da peça ocorreu no domingo (8).

    A frase é também um “mindset” de Andrew Tate, influenciador americano-britânico, declaradamente misógino, réu por estupro, tráfico humano e exploração sexual de menores. Tate é citado na série “Adolescência”, da Netflix, que aborda a influência nos jovens da chamada machosfera (comunidades online misóginas) e a omissão parental na era digital. Ele também é considerado um mentor red pill, grupo associado à misoginia. Tate nega as acusações, assim como Simonin.

    Em nota, a Renner afirmou que retirou a peça após a repercussão negativa e “repudia qualquer forma de violência ou conduta ofensiva e reafirma seu compromisso com seus valores e princípios institucionais”.

    A empresa disse que o processo criativo da blusa “teve como base conceitual e estética manifestações culturais contemporâneas como poesias e composições musicais, o que demonstra a sua relevância simbólica”.

    “Na moda jovem urbana, o uso de frases faz parte do repertório utilizado no mercado; a frase “Regret nothing” (não se arrependa de nada) traz uma mensagem de autenticidade e superação, sem qualquer inspiração ou vinculação a movimentos, ideologias ou manifestações de natureza agressiva, de incitação ao ódio ou de condutas ilícitas”, acrescentou.

    Phellipe Marcel Esteves, doutor e professor de linguística e análise de discurso da UFF (Universidade Federal Fluminense), afirma que “tudo o que produz sentido, dos elementos linguísticos ao que vestimos está vinculado a ideologias específicas. Fazemos isso intencionalmente ou não”.

    “Não é possível afirmar que o acusado esteja ‘soprando um apito’ para outros estupradores, misóginos red pills agirem, mas, sem dúvidas, ao usar um elemento linguístico, uma paráfrase, uma fórmula que influencia essa subcultura, ele se inscreve na mesma”, disse Esteves.

    Tate, que é ex-lutador de kickboxing profissional, já declarou diversas vezes que considera errado o ato de se arrepender. Ele afirmou isso inclusive à Justiça da Romênia. Em uma entrevista, após uma luta, ele declarou: “nunca me arrependi de coisas boas ou ruins que aconteceram na minha vida”.

    O corte do vídeo é usado como motivação em sites que promovem a cultura red pill. Nesses perfis, a maioria com discursos que promovem a masculinidade, seguidores ratificam nos comentários o pensamento.

    Ao deixar a prisão, no ano passado, e partir para os Estados Unidos, com ajuda do governo americano, Tate disse a um podcast: “Toda essa besteira que fizeram comigo [referindo-se ao período de prisão] tinha um único objetivo. E o objetivo era me fazer dizer desculpas”, disse.

    Na mesma entrevista, ele afirmou que nunca diria estar arrependido para não desapontar seus fãs adolescentes.

    Em janeiro deste ano, Tate foi filmado com um grupo de influenciadores de extrema direita cantando uma música com saudação nazista. Após repercussão, ele disse “peço desculpas a todos que se sentiram ofendidos”. Em seguida, passou a ser alvo de piadas de outros influenciadores por, supostamente, ter voltado atrás da sua filosofia. Alguns o chamaram de beta -termo pejorativo da machosfera para homem fraco.

    Além das acusações criminais, Tate já comparou mulheres a cães e disse que algumas têm responsabilidade por terem sido estupradas. A reportagem procurou por email seu advogado, Eugen Vidineac, mas ele não respondeu.

    Tate também afirma praticar o estoicismo, uma filosofia com origem na Grécia Antiga que promove autocontrole, razão e aceitação do que não pode controlar.
    O professor de filosofia e pesquisador sobre radicalização entre jovens na UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) Renato Levin afirma que os red pills distorceram esse conceito filosófico.

    “Há uma deturpação do estoicismo que eu, assim como outros pesquisadores, chamamos de ‘estoicismo guerreiro’. Há coisas que não são estoicas, como hipermasculinidade, militarismo, dessensibilização em relação às mulheres. Isso já é uma deturpação”, disse. “É falso que ser estoico é ensinar a jovens e homens a não ter empatia ou consideração ética por mulheres.”

    Após a publicação desta reportagem, a assessoria da Renner enviou nova nota.

    “A empresa repudia qualquer forma de violência ou conduta ofensiva e reafirma seu compromisso com seus valores e princípios institucionais. Informa, ainda, que o processo criativo da referida peça não tem qualquer relação com o movimento ‘redpill’ e que toda a base conceitual e estética foi pautada em manifestações culturais contemporâneas, como poesias e composições musicais. Ainda assim, a companhia providenciou a retirada do item de seus canais digitais e das lojas físicas.”

    Renner recolhe blusa 'regret nothing', usada por réu de estupro ao se entregar à polícia

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  • Vorcaro declarou pagamento de R$ 68 mi a empresa apontada como canal para pagamento de milícia

    Vorcaro declarou pagamento de R$ 68 mi a empresa apontada como canal para pagamento de milícia

    Ex-banqueiro declarou que quitou dívidas de imóveis e investimentos da Super Empreendimentos; defesas de Daniel Vorcaro, dono do Master, e de cunhado, o pastor Fabiano Zettel, preferiram não se manifestar

    BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Daniel Vorcaro declarou à Receita Federal ter feito pagamentos de R$ 68,66 milhões em 2023 para a Super Empreendimentos, empresa investigada pela PF (Polícia Federal) por supostamente servir de canal para o ex-banqueiro pagar a sua milícia privada e agentes públicos.

    Os pagamentos quitaram dívidas de Vorcaro com a Super na compra de imóveis e outros investimentos. A empresa entrou no noticiário da crise do Master após uma reportagem da Folha de S.Paulo mostrar que ela era dona da casa de R$ 36 milhões usada por Vorcaro para receber políticos em Brasília.

    Ao determinar a prisão preventiva de Vorcaro, no começo de março, o ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), apontou que a Super foi utilizada para “pagamentos ilícitos” para o grupo chamado de “A Turma” pelos investigadores, que teria o objetivo de coagir e ameaçar desafetos do ex-banqueiro.

    De acordo com a PF, a empresa também foi usada no “relacionamento ilícito” entre Vorcaro e dois ex-funcionários do Banco Central.

    A Super teve o pastor e cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, como diretor entre 2021 e 2024. Ele também foi preso na operação autorizada por Mendonça. Procuradas nesta quinta-feira (12), as defesas de Vorcaro e Zettel não quiseram se manifestar sobre os pagamentos.

    Os dados do Fisco sobre a Super Empreendimentos foram enviados à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) mista do INSS e obtidos pela Folha de S.Paulo.

    A declaração referente a 2023 afirma que Vorcaro pagou dívidas com a Super de R$ 32,12 milhões pela compra de uma casa, além de R$ 31 milhões por três lotes de condomínio de Nova Lima (MG). O ex-banqueiro também quitou dívidas de R$ 5,54 milhões por investimento em fundo e empresa de táxi aéreo.

    Vorcaro também afirmou ao Fisco que obteve, em 2022, cerca de R$ 55 milhões em bens e outros direitos da Super. No ano seguinte, os imóveis foram vendidos ou transferidos para sua ex-mulher na partilha dos bens.

    Na declaração referente a 2024, o ex-banqueiro registrou uma transferência para a Super de uma Range Rover Evoque de R$ 398,6 mil.

    Na mesma decisão que prendeu novamente Vorcaro, Mendonça determinou a suspensão das atividades da Super, entre outras empresas. O ministro também reproduziu trecho da investigação em que a PF apontou “graves indícios de recebimento mensal de vantagens indevidas” pelo ex-diretor de fiscalização do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza e pelo servidor Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária do BC. Ambos são investigados pelas fraudes do Banco Master.

    Os pagamentos ilícitos, segundo a PF, eram feitos “principalmente, mas não de forma exclusiva, pela empresa Super Participações Empreendimentos S.A.”

    “Ressalte-se que esta é a mesma estrutura utilizada para os pagamentos ilícitos mensais para a ‘Turma’, com a diferença de que, nesse caso, os valores seguem da empresa Super Participações, para as empresas de Felipe Mourão, como é o caso da King Participações Imobiliárias Ltda”, afirma ainda a investigação policial, segundo trecho reproduzido na decisão de Mendonça.

    Suspeito de integrar a milícia de Vorcaro e apelidado de Sicário, Mourão morreu no último dia 6. Segundo informações da PF, Mourão tentou suicídio em uma cela da Superintendência da Polícia Federal de Minas Gerais. Ele foi socorrido e levado ao hospital, onde estava internado desde então.

    As investigações apontam ainda que a Super era uma peça da engenharia financeira montada para movimentar dinheiro desviado do Master. Em nota enviada à Folha de S.Paulo em dezembro, a assessoria de imprensa de Vorcaro confirmou que o cunhado Zettel era um dos sócios da Super, mas destacou que a relação entre Vorcaro e a Super era meramente comercial.

    Vorcaro declarou pagamento de R$ 68 mi a empresa apontada como canal para pagamento de milícia

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  • Dólar fecha em forte alta e vai a R$ 5,31, com EUA e guerra no Irã no radar; Bolsa cai

    Dólar fecha em forte alta e vai a R$ 5,31, com EUA e guerra no Irã no radar; Bolsa cai

    Moeda norte-americana sobe 1,35% com busca global por ativos diante da escalada do conflito no Oriente Médio; Ibovespa recuou 0,9%, a 177.653 pontos, acumulando perdas de 6% desde o início de março

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar avançou 1,35% nesta sexta-feira (13) e encerrou a semana cotado a R$ 5,316, com investidores atentos à possibilidade de o conflito no Oriente Médio escalar ainda mais nos próximos dias.

    A valorização foi global. O índice DXY, que compara a moeda norte-americana a uma cesta de seis divisas fortes, avançou 0,72%, a 100,47 pontos -maior valor desde maio do ano passado, quando a primeira onda do tarifaço do presidente Donald Trump elevou a procura por ativos de segurança.

    A aversão ao risco também abateu Bolsas de Valores em todo o mundo. No Brasil, o Ibovespa recuou 0,9%, a 177.653 pontos, acumulando perdas de 6% desde o início de março.

    Em Wall Street, o S&P500 caiu 0,66%; Nasdaq e Dow Jones, 0,93% e 0,25%, respectivamente. Na Europa, o índice de referência Euro STOXX 600 recuou 0,5%, e todas as principais praças regionais ficaram no vermelho. Já na Ásia, o japonês Nikkei perdeu 1,2%; o chinês CSI300, 0,39%.

    As perdas nos mercados acionários sucedem a entrevista de Trump à Fox News nesta sexta, quando afirmou que irá “atacar o Irã com muita força na próxima semana”.

    Já o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que as “Forças Armadas estão firmemente determinadas a dar uma lição memorável ao inimigo”.

    “Não podemos aceitar que os americanos falem de diálogo e cessar-fogo de tempos em tempos, apenas para nos vermos confrontados com a repetição desses crimes e dessa guerra”, disse Esmail Baghai, referindo-se ao conflito anterior, ocorrido em junho passado, que terminou após 12 dias de combates.

    Sem sinais de arrefecimento, o conflito espalha temores de gargalos no mercado de energia -o Estreito de Hormuz, na costa iraniana, é responsável por 20% de todo petróleo e gás global-, que podem causar um repique inflacionário global.

    “A persistência da guerra no Oriente Médio mantém volatilidade no preço do petróleo, com o Brent orbitando novamente a faixa de US$ 100 por barril, o que reforça temores de pressões inflacionárias a nivel global e sustenta a busca por ativos considerados mais seguros, como a moeda americana”, diz Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.

    Ao mesmo tempo, o movimento também reflete uma reprecificação das expectativas para a política monetária nos Estados Unidos, cuja taxa de juros pauta decisões de investimento em todo o mundo.

    A perspectiva de alta na inflação norte-americana reforça a leitura de que o Federal Reserve não cortará as taxas tão cedo, fortalecendo os Treasuries (títulos do Tesouro dos EUA) e, por consequência, o dólar.

    No Brasil, o BC (Banco Central) interviu no mercado de câmbio através de um “casadão” -leilões simultâneos de venda de dólares no mercado à vista e de negociação de contratos de swap cambial reverso.

    O “casadão” eleva a liquidez no mercado à vista em momentos de estresse como o atual. Porém, o efeito do “casadão” sobre as cotações do dólar é, na prática, nulo, já que o BC vendeu US$ 1 bilhão em uma ponta e comprou US$ 1 bilhão em outra.

    Países também têm tentado intervir nas cotações dos preços do petróleo. Trump, por exemplo, afirmou que os EUA escoltarão, se necessário, embarcações pelo Estreito de Hormuz, e também emitiu uma isenção de 30 dias para produtos petrolíferos da Rússia, que enfrenta sanções desde o início da guerra da Ucrânia.

    Na quarta, a AIE (Agência Internacional de Energia) ainda aprovou a liberação de 400 milhões de barris de suas reservas, o maior movimento desse tipo na história da organização que reúne 32 países, incluindo os Estados Unidos. O secretário de Energia norte-americano, Chris Wright, prometeu que 172 milhões de barris serão disponibilizados “a partir da próxima semana”.

    Mas, para analistas, a medida é vista como um paliativo. “Na linguagem das mesas de operações, a liberação da AIE é o equivalente a apontar uma mangueira de jardim para um incêndio em uma refinaria”, comentou Stephen Innes, da SPI Asset Management.

    A AIE afirmou que a interrupção no fornecimento já pode ser a maior da história. Em relatório mensal, a agência afirmou que a oferta global deve cair em 8 milhões de barris por dia em março como consequência do estrangulamento do Estreito de Hormuz, via por onde passam 20% de todo o petróleo e gás do mundo.

    Países do Golfo do Oriente Médio, incluindo Iraque, Qatar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita, reduziram a produção da commodity em pelo menos 10 milhões de barris por dia. Segundo a AIE, o volume equivale a 10% de toda a demanda mundial.

    Sem uma rápida retomada dos fluxos de transporte, essas perdas devem aumentar. “A produção de upstream paralisada levará semanas e, em alguns casos, meses para retornar aos níveis anteriores à crise, dependendo do grau de complexidade do campo e do tempo para que os trabalhadores, equipamentos e recursos retornem à região”, disse a agência.

    “Se preparem para o petróleo a US$ 200 o barril, porque o preço depende da segurança regional que vocês desestabilizaram”, disse o porta-voz militar iraniano Ebrahim Zolfaqari.

    Em paralelo, os Estados Unidos anunciaram uma investigação comercial contra 60 países, incluindo o Brasil, para analisar se produtos fabricados com trabalho forçado estão entrando no mercado americano.

    A base legal usada para a investigação é a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que permite aos EUA agir contra práticas comerciais injustas ou discriminatórias que prejudiquem o comércio americano.

    A investigação, na prática, permite que os Estados Unidos imponham tarifas sobre quem violar acordos comerciais, o que pode deixar o Brasil sob ameaça de novas cobranças, de sobreaviso, por tempo indeterminado. As normas dos EUA exigem que o país alvo da investigação seja ouvido e apresente argumentos. O processo costuma durar 12 meses a partir do início da apuração.

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  • Preço do diesel em postos sobe 11,8% em uma semana, enquanto gasolina tem alta de 2,5%

    Preço do diesel em postos sobe 11,8% em uma semana, enquanto gasolina tem alta de 2,5%

    Combustíveis estão em alta pela segunda semana consecutiva, segundo dados da agência; aumentos são reflexo da crise energética global causada pela guerra no Irã

    PELOTAS, RS (FOLHAPRESS) – Os preços dos combustíveis no Brasil subiram pela segunda semana consecutiva, informou a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) nesta sexta-feira (13). A alta reflete os impactos da guerra no Irã no setor de energia, particularmente a disparada de preços do petróleo no mercado internacional.

    A média de preços nos postos brasileiros está em alta desde que o conflito começou, no dia 28 de fevereiro, mas o aumento foi mais expressivo na última semana: a gasolina subiu 2,5%, passando de R$ 6,30 para R$ 6,46, e o diesel subiu 11,8%, saltando de R$ 6,08 para R$ 6,80.

    No caso do diesel, a alta da última semana foi causada principalmente pelo aumento do preço em refinarias e importadores da esfera privada. A mudança de preços em refinarias da Petrobras foi anunciada nesta sexta-feira (13) e deve impactar os preços coletados pela ANP a partir da próxima semana.

    O aumento anunciado pela estatal é de R$ 0,38 por litro no preço do diesel vendido em suas refinarias. O repasse final da mudança, no entanto, deve ser amenizado pela redução de tributos do combustível anunciada pelo governo federal na véspera.

    Nesta quinta-feira (12), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou um decreto e uma MP (medida provisória) que zeram o PIS e a Cofins do óleo diesel, estabelecem o pagamento de subvenção a produtores e importadores e instituem um imposto de exportação de petróleo.

    O governo estima que as medidas reduzirão em R$ 0,64 o preço do litro do diesel na bomba, sendo R$ 0,32 referentes à isenção do PIS/Cofins e R$ 0,32 à subvenção, que vale até 31 de dezembro e ficará limitada a R$ 10 bilhões.

    Como o aumento de preços da Petrobras é superior aos R$ 0,32 por litro de isenção de PIS/Cofins, isso significa que o repasse final para as distribuidoras será de R$ 0,06 por litro. “É um aumento residual”, afirmou a presidente da Petrobras, Magda Chambriard.

    Segundo a Petrobras, o diesel sairá de suas refinarias a R$ 3,65 por litro a partir deste sábado (14). Foi a primeira mudança no preço do diesel desde maio de 2025.

    A alta de preços no Brasil reflete a crise vivida pelo setor energético desde que Estados Unidos e Israel iniciaram ataques ao Irã. O conflito levou a interrupções do fluxo de navios pelo estreito de Hormuz, por onde passam 20% da produção mundial de petróleo e gás, e desencadeou uma crise de abastecimento global.

    Nesta semana, a commodity chegou a bater US$ 119,46 na segunda-feira (9), mas recuou abaixo dos US$ 100 na mesma sessão. Os preços voltaram a subir nesta quinta-feira (12) e encerraram o dia cotados acima de US$ 100 pela primeira vez desde 2022, após nova onda de ataques contra as infraestruturas petrolíferas dos países do golfo Pérsico.

    Nesta sexta-feira (13), o preço do óleo oscilou, mas voltou a ultrapassar a casa dos três dígitos. A oscilação ocorre mesmo após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar que os EUA escoltarão embarcações pelo estreito de Hormuz se for necessário. O país anunciou também que realizará o maior ataque ao Irã nesta sexta, de acordo com o secretário de Defesa, Pete Hegseth.

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  • Petrobras atribui aumento do diesel à guerra no Oriente Médio

    Petrobras atribui aumento do diesel à guerra no Oriente Médio

    Estados reclamam de alta injustificada nos preços das distribuidoras, porém o valor dos combustíveis subiram no mundo todo por conta da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã

    A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, atribuiu o aumento no preço do diesel anunciado nesta sexta-feira (13) à guerra no Oriente Médio. Em entrevista coletiva de imprensa nesta tarde, a empresa afirmou que, diante desse cenário, os preços estão sob monitoramento e avaliação diários.

    Mesmo diante das incertezas no cenário internacional, a Petrobras informa que tem cumprido as entregas e oferecido às distribuidoras um fornecimento até mesmo acima do pactuado. Por isso, a estatal afirma que não há falta de combustíveis ou qualquer justificativa para aumentos abusivos aos consumidores finais.

    “Nossa preocupação continua a mesma, não passar para a sociedade um nervosismo desnecessário”, enfatizou a presidente da Petrobras, Magda Chambriard.

    Segundo Chambriard, o diesel vinha em uma trajetória de redução de preço nos últimos anos e precisou ter um acréscimo por conta da guerra.

    “A guerra foi o fator determinante para esse aumento. Eu estava, 20 dias atrás, com tendência de queda de preço”, disse.

    A executiva acrescentou que o aumento seria ainda maior se não fossem as medidas tomadas pelo governo federal, que zerou as alíquotas do PIS e do Confins sobre a importação e comercialização do diesel.

    De acordo com cálculos do Ministério da Fazenda, a suspensão dos impostos federais representa alívio de R$ 0,32 por litro no preço do diesel. Além disso, o governo assinou medida provisória (MP) com subvenção ao diesel para produtores e importadores.

    Sem as medidas de proteção ao mercado nacional, o aumento precisaria ser de R$ 0,70, que seriam repassados integralmente às distribuidoras. Com as medidas adotadas pelo governo federal, foi possível que esse valor caísse, na prática, para apenas R$ 0,06.

    “O governo agiu tempestivamente, transformando um acréscimo de R$ 0,70 em um acréscimo irrisório, praticamente nenhum, de R$ 0,06”, destacou Chambriard.

    Para o consumidor final, o impacto dos R$ 0,06 deve ser ainda menor, uma vez que o diesel é misturado ao biodiesel. O preço final, no entanto, depende de decisões dos postos de gasolina. 

    Impactos ao consumidor  

    Mesmo sem qualquer reajuste na gasolina, segundo relatos de consumidores, postos têm aumentado o preço do combustível. Perguntada se há motivos para isso, Chambriard disse que não, porque as entregas estão em dia e não houve aumento do preço.

    A executiva pediu para que não haja aumentos abusivos que prejudiquem os consumidores finais.

    “Esperamos que, nesse momento difícil para sociedade brasileira e mundial, que haja sensibilidade suficiente para não buscar aumento de margem de forma especulativa”, defendeu.

    “Em um momento desse de alta volatilidade no Brasil, os agentes econômicos aproveitam para aumentar a margem [de lucro]”, disse, acrescentando que cabe às instituições de fiscalização e controle checarem e tomarem as medidas cabíveis.  

    Magda Chambriard também reforçou que a atuação da Petrobras é limitada na cadeia do petróleo, uma vez que a empresa não opera mais a revenda final nos postos. 

    No governo passado, a então subsidiária BR Distribuidora foi privatizada para a Vibra Energia, com a justificativa de otimizar o portfólio e melhorar a alocação do capital da Petrobras. A venda incluiu licença para a compradora manter a marca BR até 28 de junho de 2029. Ou seja, apesar da exibirem a marca BR, os postos espalhados pelo país não são de propriedade da companhia, que assinou também um termo de non-compete (sem competição, no jargão dos negócios), impedindo-a de concorrer com a Vibra. 

    Apelo aos estados

    Chambriard também fez um apelo aos governos estaduais, para que, assim como o governo federal, reduzam os impostos cobrados dos combustíveis.

    Segundo ela, a guerra provocou aumentos que já impactam a arrecadação dos entes federados, gerando valores superiores ao que estavam previstos.

    “Cabe também a redução do ICMS. Eu espero que os estados deem sua contribuição para esse enfrentamento”, disse. “Da mesma forma que o governo federal fez sua parte, que os estados, pelo menos, reduzam um pouco, em benefício da sociedade brasileira”.

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