Categoria: Uncategorized

  • Brasileiro trabalha menos que a média mundial, aponta pesquisa

    Brasileiro trabalha menos que a média mundial, aponta pesquisa

    Uma pesquisa com dados de 160 países, cobrindo 97% da população global, revela que trabalhadores de todo o mundo destinaram em média 42,7 horas semanais a atividades remuneradas em 2022 e 2023. Os brasileiros ocupados em empregos formais e informais dedicaram, nesse mesmo período, 40,1 horas semanais em média ao trabalho.

    RAFAEL CARIELLO
    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Em comparação com o resto do mundo, o brasileiro não trabalha muito. Nem pode ser considerado particularmente esforçado.

    Uma pesquisa com dados de 160 países, cobrindo 97% da população global, revela que trabalhadores de todo o mundo destinaram em média 42,7 horas semanais a atividades remuneradas em 2022 e 2023. Os brasileiros ocupados em empregos formais e informais dedicaram, nesse mesmo período, 40,1 horas semanais em média ao trabalho.

    O levantamento é do economista Daniel Duque, pesquisador do FGV Ibre, a partir de um novo banco de dados global de horas trabalhadas organizado pelos economistas Amory Gethin, do Banco Mundial, e Emmanuel Saez, da Universidade da Califórnia em Berkeley (EUA).

    Os pesquisadores utilizam dados domiciliares reunidos pela OIT (Organização Internacional do Trabalho), pelo Banco Mundial e pela União Europeia, entre outras fontes de informação.

    Disponível desde novembro do ano passado, o banco de dados organizado por Gethin e Saez –o mais amplo do tipo já construído– confirma relações esperadas entre características demográficas, de renda per capita, de impostos e transferências realizados por cada país, de um lado, e a quantidade de horas trabalhadas por seus cidadãos, de outro.

    Sob qualquer desses critérios, o brasileiro trabalha menos do que seria esperado. Para Duque, o que provavelmente explica o desvio brasileiro é uma questão cultural, uma preferência por maior quantidade de lazer.

    Na comparação direta com outros 86 países para os quais há dados por mais de duas décadas, o Brasil ocupa a 38ª posição em horas trabalhadas. Quando se leva em consideração a quantidade de horas trabalhadas esperada de cada país a partir do seu nível de produtividade e de sua estrutura demográfica, o Brasil cai para o terço de menor esforço global: ocupa a 60ª posição entre 85 países, para trabalhadores com 15 anos ou mais.

    A situação não melhora quando impostos e transferências, como aposentadorias e benefícios de renda mínima, são incorporados à análise. No ranking a partir da tendência esperada considerando produtividade, demografia, impostos e transferências, o Brasil ocupa a 53ª posição entre 76 países, novamente no terço inferior, de pior desempenho.

    De modo geral, a característica que melhor explica a quantidade de horas trabalhadas mundo afora é a produtividade dos trabalhadores. Mas de uma maneira que não é direta, linear. A relação entre a produtividade e as horas trabalhadas segue, grosso modo, a forma de uma montanha, com subida, pico e descida.

    À medida que cresce a produtividade da economia nacional, quando os países deixam de ser pobres e se tornam países de renda média, aumenta o número de horas trabalhadas. É a subida. Compensa, nesse caso, trabalhar mais e, afinal, poder consumir mais.

    A partir de certo ponto, contudo, a produtividade já é tão alta, e o consumo também, que os trabalhadores passam a dar mais valor para o lazer. Começa, então, a descida da serra: enquanto a produtividade continua a aumentar, o número de horas trabalhadas diminui. Quem é rico pode se dar ao luxo de trabalhar menos. Na França, por exemplo, trabalha-se em média 31 horas por semana (78º lugar, entre 87 países).

    O que Duque descobriu é que os trabalhadores brasileiros escolheram “descer a serra” e trabalhar menos antes de ficarem ricos. No Brasil, segundo o levantamento, trabalha-se 1 hora e 12 minutos a menos por semana do que seria esperado dado o seu nível de produtividade e o seu perfil demográfico.

    Um dos rankings montados organiza os países dos que mais desviam positivamente, em horas trabalhadas, daquilo que seria esperado dado o seu nível de produtividade e estrutura demográfica –são os que estão nos primeiros lugares do ranking– aos que mais desviam negativamente em relação a essa tendência geral –como o Brasil, que ocupa a 60ª posição.

    Nesse caso, os trabalhadores que mais se “esforçam”, para além do que seria esperado, são os dos Emirados Árabes Unidos. Os trabalhadores da Moldávia, país do Leste Europeu, ocupam o último lugar.

    Em outro ranking, o esforço extra dos trabalhadores de cada país é medido também em relação ao que seria esperado (em horas trabalhadas) considerando os impostos sobre o trabalho e as transferências recebidas pelos trabalhadores. Quanto maiores os impostos e maiores as transferências, menor é o número de horas trabalhadas, em média. Aqui é o Japão que se destaca, positivamente, enquanto em Moçambique, no último lugar, trabalha-se quase 14 horas a menos do que seria esperado.

    Segundo Duque, ele imaginava que os incentivos contabilizados nesse ranking ajudassem a explicar o número de horas trabalhadas abaixo da média pelos brasileiros. Altos encargos trabalhistas e transferências significativas (para o nível de renda do país) estariam diminuindo a oferta de trabalho. Era a expectativa.

    É o que acontece, por exemplo, na Alemanha, onde se trabalha 1 hora e 48 minutos a menos do que seria esperado dado o nível de produtividade local. Toda essa diferença desaparece, contudo, quando se considera a carga tributária: nesse caso, os alemães passam a trabalhar 6 minutos a mais do que seria esperado, por semana.

    “Eu imaginei que a gente fosse ver, talvez, uma redução da diferença do Brasil” para o resto do mundo, quando se contabilizasse o impacto do Estado no mercado de trabalho, disse Duque. “Porque eu achei que a gente tivesse uma estrutura tributária e de transferências que desincentivasse o trabalho. O que eu descobri foi o contrário.” No ranking que leva em consideração impostos e transferências, o brasileiro ainda trabalha 1 hora e 18 minutos a menos do que seria esperado.

    O economista Samuel Pessôa, colega de Duque no FGV Ibre e seu interlocutor durante a exploração do novo banco de dados, diz que a escolha por uma quantidade menor de trabalho e maior de lazer é legítima. “Parece ser um sinal de que lazer, no Brasil, vale mais do que em outros lugares –e está tudo certo.” Pessôa lembra, contudo, que pode ser que as muitas horas despendidas em trânsito de casa ao trabalho, pelos brasileiros, tenham algum impacto sobre a oferta de trabalho.

    Seja qual for a razão da menor oferta relativa de trabalho pelos brasileiros, o resultado é certo, afirmam os dois: uma menor renda per capita. “Tem um impacto direto”, observa Duque. Mesmo que aumente a produtividade das horas trabalhadas que restam, “a compensação não vai ser de 100%”.

    Pessôa, que também é colunista da Folha, observa que uma parte da diferença de renda per capita entre o Brasil e países asiáticos, como Coreia e Taiwan, se deve não só à produtividade, mas à quantidade de horas trabalhadas. No seu levantamento, Duque descobriu que os homens coreanos trabalham 5 horas e 18 minutos a mais do que seria esperado dada a sua produtividade, enquanto os brasileiros homens trabalham meia hora a menos. Uma diferença de quase 6 horas por semana. No caso das mulheres, a diferença é de 11 horas semanais.

    “Se a gente trabalha 25% a menos, mesmo que a produtividade por hora seja a mesma, nosso PIB per capita vai ser 25% menor”, resume Pessôa.

    O economista considera que faz sentido ter esse impacto em mente no momento em que se discute o fim da escala 6×1. “A gente está discutindo uma lei de redução da jornada porque quem trabalha 44 horas gostaria de trabalhar menos. Essas pessoas vão trabalhar menos e vai reduzir a jornada média. A medida não vai ser inócua. E a justificativa para poder reduzir as horas de trabalho é que supostamente já se trabalha muito. Bom, agora a gente está vendo que, na média, a gente não trabalha tanto.”

    Brasileiro trabalha menos que a média mundial, aponta pesquisa

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia

  • Uso de dados alternativos abre caminho de crédito para endividados

    Uso de dados alternativos abre caminho de crédito para endividados

    Criado na Califórnia, nos Estados Unidos, o score comportamental veio da percepção de que consumidores sem acesso a crédito tradicional tinham de ser analisados de outra forma.

    ALEX SABINO
    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Todo final de tarde, Edilaine Santos da Silva, 33, soma as vendas. Ela tem um objetivo claro.
    “Crédito é o que mais preciso para o meu negócio. Sempre faço isso para provar que estou me esforçando em controlar meu dinheiro”, afirma.

    Com bolo na mão, ela desce correndo a estreita escada do apartamento e percorre a viela onde mora, em Paraisópolis, o maior bairro favelizado em São Paulo. A região na zona sul da capital é casa de 58,2 mil pessoas, segundo o Censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2022.

    A dívida de Edilaine está em cerca de R$ 10 mil. Pelos métodos tradicionais, seria impossível para ela conseguir crédito para a “Delícias da Edi”, como chama seu comércio. A aposta está em instituições que concedem dinheiro no chamado score comportamental ou social.

    Criado na Califórnia, nos Estados Unidos, o score comportamental veio da percepção de que consumidores sem acesso a crédito tradicional tinham de ser analisados de outra forma. O método rastreia hábitos financeiros e analisa hábitos pessoais do interessado em obter empréstimo.

    “É muito injusto, em um país como o nosso, a gente avaliar empréstimo olhando pelo retrovisor e vendo apenas quem pagou e quem não pagou alguma conta. O que importa é como eu me comporto com o dinheiro, qual é a minha relação com ele e se naquele momento estou comprometido com as minhas finanças”, diz Paula Esteves, 44, fundadora do Instituto WorkLover, dedicada a não deixar que MEIs (microempreeendores individuais) e microempresas fechem.

    A receita ensinada por Paula é a necessidade de separar a entrada de dinheiro pessoal e da empresa. Segundo ela, a mistura entre as duas coisas e a perda do controle representam uma das principais causas da desistência de empreendedores.

    Voltado a moradores de comunidades, o G10 Bank, da ONG G10 Favelas, tenta encontrar maneiras de impulsionar o comércio em Paraisópolis. Um dos métodos é a concessão de crédito fora do histórico financeiro tradicional. Depoimentos de pessoas influentes na comunidade, por exemplo, servem como validadores de pedidos de empréstimo.

    “Nós criamos uma espécie de comitê de crédito. É organizado por meio de um movimento chamado ‘presidente de rua’. São líderes que cuidam de grupos de 50 famílias, e esses líderes nos ajudam a tomar a decisão para que o crédito seja concedido ou não”, afirma Gilson Rodrigues, fundador do G10 Favelas.

    “É algo que vai além do Serasa. É uma avaliação de participação comunitária, da nota dos filhos [na escola], do envolvimento na comunidade. Diversos fatores geram pontuação para a concessão de crédito ao morador”, completa.

    Uma das portas de acesso é o programa Donas de Si, para mulheres empreendedoras de Paraisópolis. A iniciativa é comandada por Paula Esteves. Ela incentiva que suas pupilas, como Edilaine, por exemplo, usem o aplicativo “Separadin”, criado por sua ONG, para segregar a entrada de receita da empresa e pessoal.

    Tanto Paula quanto Gilson acreditam que programas de score comportamental e social vão crescer porque o método apenas financeiro não é sustentável.

    O número de MEIs inadimplentes em 2024 era de 6,2 milhões. São 40% dos registros ativos no país. O principal motivo é o não pagamento do DAS (Documento de Arrecadação do Simples Nacional), que representa INSS, ISS e ICMS.

    De 1,8 milhão de empresas notificadas pela Receita Federal no ano passado, 1,1 milhão eram MEIs. A dívida total delas era de R$ 26,7 bilhões.

    Na pessoa física, o Brasil atingiu um número recorde em abril de 2025, com 70,3 milhões de inadimplentes. Cada negativado devia, em média, R$ 4,7 mil.

    “Como o crédito tradicional não pode refletir plenamente o risco, dados de fontes alternativas têm se tornado cada vez mais importantes para os modelos de avaliação de crédito porque cobrem uma gama maior de variáveis”, diz o chinês Zhongyuan Xu, pesquisador e professor da Universidade Emory, nos Estados Unidos.

    Ele é autor do estudo “Score de crédito usando dados alternativos: uma máquina de aprendizado”, publicado pela Goizueta Business School.

    Outros especialistas defendem também o uso de inteligência artificial que registre mudanças de hábitos financeiros, aplicativos de celular, frequência de recargas, compras feitas em e-commerces e cruzamento de informações entre vendas do comércio e deslocamentos registrados por sistema de localização.

    “Dever ou não dever é o resultado final. O que vale é o desenvolvimento do hábito de estar comprometido com as finanças. Se estou me relacionando bem com o meu dinheiro, vou poder pagar. Se a minha dívida é grande demais, não vou ter nenhuma decisão para tomar. Só vou levar a vida”, finaliza Paula.

    É deste ciclo vicioso que Edilaine pretende sair. Ela já deixou um relacionamento abusivo para viver sozinha com os seis filhos. Sua primeira gravidez veio quando tinha 14 anos e o mais velho está com 18. Seu antigo marido não permitia que ela fizesse cirurgia para impedir gravidez.

    Atualmente, ela vende entre R$ 400 e R$ 500 em bolos por mês na comunidade de Paraisópolis. Uma vez por semana coloca um ponto na avenida Ibirapuera, onde tem uma clientela estabelecida. Vai também à estação de metrô Giovanni Gronchi.

    “Assim eu vou conseguindo meu dinheiro e me mantendo. Quando conseguir crédito, vai ficar muito mais fácil”, acredita.

    Uso de dados alternativos abre caminho de crédito para endividados

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia

  • Competitividade brasileira não era e não será afetada com tarifas, diz Haddad

    Competitividade brasileira não era e não será afetada com tarifas, diz Haddad

    “Nossa competitividade não é afetada, como já não era. Nós dissemos desde sempre que isso ia prejudicar o consumidor americano, que no café da manhã, no almoço e no jantar consome produtos brasileiros”, declarou o ministro à imprensa neste sábado (21).

    VICTORIA DAMASCENO
    NOVA DÉLI, ÍNDIA (FOLHAPRESS) – A competitividade do Brasil não será afetada pelas tarifas globais de 10% impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

    “Nossa competitividade não é afetada, como já não era. Nós dissemos desde sempre que isso ia prejudicar o consumidor americano, que no café da manhã, no almoço e no jantar consome produtos brasileiros”, declarou o ministro à imprensa neste sábado (21).

    “O Brasil é grande demais para ser quintal de quem quer que seja. Nós temos que ser parceiros do mundo todo.”

    As novas tarifas, aplicadas nesta sexta-feira (20) e em vigor a partir do dia 24, foram uma resposta de Trump à decisão da Suprema Corte americana que considerou ilegais, horas antes, as taxas impostas pelo americano no início de 2025. O principal argumento é que o presidente não pode impor tarifas amplas sem autorização explícita do Congresso.

    Segundo o ministro, a instabilidade tarifária complica o cenário, mas o Brasil colhe frutos da ação diplomática. “Obviamente que não queríamos estar passando por isso, mas eu penso que, diante do desafio, o Brasil e a diplomacia brasileira andaram bem”, disse.

    Haddad fez as declarações após evento da Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) em Nova Déli, na Índia, onde viaja ao lado de empresários e outras autoridades, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), para uma visita de Estado e participação na cúpula de inteligência artificial sediada pelo país.

    As novas tarifas impostas por Trump isentam uma série de produtos, entre eles a carne bovina, o tomate, a laranja e os minerais críticos.

    O vice-presidente Geraldo Alckmin, um dos principais negociadores das questão com os EUA, afirmou na sexta que as novas condições seriam benéficas. Setores como de máquinas e equipamentos, motores, armas, têxteis e calçados eram alvo de tarifa de 40%, fazendo com que a nova alíquota represente redução.

    Competitividade brasileira não era e não será afetada com tarifas, diz Haddad

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia

  • Brasil e Índia assinam acordo de cooperação para minerais críticos

    Brasil e Índia assinam acordo de cooperação para minerais críticos

    “Ampliar os investimentos e a cooperação em matéria de energias renováveis e minerais críticos está no cerne do acordo pioneiro que assinamos hoje”, disse o brasileiro. “Nossos países estão assegurando o devido espaço para essa tecnologia na agenda climática e energética global.”

    VICTORIA DAMASCENO
    NOVA DÉLI, ÍNDIA (FOLHAPRESS) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, assinaram neste sábado um acordo de cooperação para minerais críticos e terras raras.

    “Ampliar os investimentos e a cooperação em matéria de energias renováveis e minerais críticos está no cerne do acordo pioneiro que assinamos hoje”, disse o brasileiro. “Nossos países estão assegurando o devido espaço para essa tecnologia na agenda climática e energética global.”

    A declaração foi feita na manhã deste sábado (21), no horário de Brasília, ao lado de Modi, em Nova Déli, na Índia, onde o presidente se encontra para uma visita de Estado e para participar da Cúpula de Impacto sobre Inteligência Artificial.

    O acordo era esperado, uma vez que tanto Brasil quanto Índia estão entre os países com as maiores reservas desses tipos de minérios, essenciais para tecnologias voltadas à transição energética, atrás somente da China. Apesar disso, ambos têm mínima capacidade de mineração e processamento, com o Brasil em condições ainda inferiores às da indústria indiana.

    No longo prazo, o acordo pode impactar diversas indústrias, como a de energias renováveis, a de carros elétricos, a da aviação, a militar e a de semicondutores, por exemplo.

    A China detém o monopólio sobre os recursos, uma vez que possui cerca de 70% das reservas mundiais e em torno de 90% da capacidade de processamento, técnica que envolve diversas etapas de alta complexidade.

    O tema voltou ao centro das disputas geopolíticas e comerciais com a decisão de Pequim, em outubro do ano passado, de expandir o controle de exportação sobre qualquer produto que contivesse terras raras chinesas.

    A decisão foi uma retaliação às tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ficou em vigor por cerca de um mês. Foi um dos principais motores para o encontro entre o americano e o líder chinês Xi Jinping no mesmo mês.

    Na prática, a medida exigia que itens com os minérios do país asiático precisassem de autorização do regime chinês para serem exportados, independentemente do local de fabricação do produto final.

    Brasil e Índia assinam acordo de cooperação para minerais críticos

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia

  • Novas tarifas de 10% de Trump entram em vigor dia 24 e isentam carne, laranja e minerais críticos

    Novas tarifas de 10% de Trump entram em vigor dia 24 e isentam carne, laranja e minerais críticos

    Baseado na Seção 122, criada em 1974, o mecanismo autoriza a taxação por “problemas fundamentais de pagamentos internacionais”. De acordo com o mecanismo, as taxas só podem ser mantidas por 150 dias e, no anúncio, a Casa Branca afirma que elas serão mantidas durante todo esse período.

    ISABELLA MENON
    WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (20) a aplicação de uma nova tarifa de 10% sobre todos os países após a Suprema Corte do país derrubar as cobranças anteriores. Segundo a Casa Branca, as novas taxas entram em vigor na terça-feira (24).

    Baseado na Seção 122, criada em 1974, o mecanismo autoriza a taxação por “problemas fundamentais de pagamentos internacionais”. De acordo com o mecanismo, as taxas só podem ser mantidas por 150 dias e, no anúncio, a Casa Branca afirma que elas serão mantidas durante todo esse período.

    O governo americano também disse que ficarão isentos da nova tarifa itens como carne bovina, tomates e laranjas. Também não serão sobretaxados produtos considerados estratégicos ou essenciais, como minerais críticos, energia, fertilizantes, medicamentos, eletrônicos, veículos, produtos aeroespaciais, materiais informativos (como livros), além de bens oriundos do Canadá e do México que estejam em conformidade do acordo USMCA, o tratado comercial entre os três países.

    Estão excluídos ainda produtos já sujeitos a tarifas com base na seção 232, lei que permite que o presidente americano investigue se determinadas importações representam uma ameaça à segurança nacional, e determinados têxteis importados de países da América Central.

    Também nesta sexta, Trump também ordenou que o USTR, escritório do representante comercial norte-americano, amplie investigações com base na Seção 301 contra práticas comerciais consideradas “irracionais ou discriminatórias”.

    O regulamento autoriza o governo dos EUA a retaliar, com medidas tarifárias e não tarifárias, qualquer nação estrangeira que tome práticas vistas como injustificadas e que penalizam o comércio americano.

    O Brasil é investigado desde julho do ano passado por supostas práticas comerciais desleais. O objetivo da investigação é analisar se políticas brasileiras seriam irracionais ou discriminatórias e se oneram ou restringem o comércio dos EUA. Na noite desta sexta, o USTR afirmou que as investigações em curso, incluindo sobre Brasil e China, continuam.

    Também afirmou que pretende abrir novas investigações, mas não detalhou contra quais países, e que os processos terão tramitação acelerada, podendo resultar na imposição de tarifas.

    Na nota divulgada, o órgão critica a ação da Suprema Corte e diz que a IEEPA, medida em que Trump se baseou para aplicar tarifas pelo mundo, foi essencial para o combate das crises do fentanil, da imigração e do déficit comercial.

    Novas tarifas de 10% de Trump entram em vigor dia 24 e isentam carne, laranja e minerais críticos

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia

  • Azul anuncia saída de recuperação judicial nos EUA

    Azul anuncia saída de recuperação judicial nos EUA

    As ações da companhia chegaram a subir mais de 50% perto do final do pregão nesta sexta-feira (20); saída da recuperação judicial já era esperada pelo governo, que demonstra entusiasmo com o momento do setor aéreo brasileiro

    PELOTAS, RS (FOLHAPRESS) – A Azul informou, na noite desta sexta-feira (20), que concluiu a recuperação judicial nos Estados Unidos, o chamado Chapter 11, iniciado em maio de 2025 para tentar reorganizar dívidas.

    A empresa afirmou, em nota, que “alcançou uma transformação abrangente de seu balanço e suas operações” e atingiu seus principais objetivos, “incluindo fortalecer seu balanço, aprimorar a liquidez e reduzir despesas com arrendamentos e passivos”.

    As ações da companhia chegaram a subir mais de 50% perto do final do pregão nesta sexta. Os papéis encerraram o dia em alta de 60%, cotados a R$ 230,28 o lote de 1 milhão de papéis.

    Antes de fazer o pedido de recuperação, a Azul tinha uma dívida bruta de cerca de R$ 35 bilhões e alavancagem de 5,2 vezes.

    Como parte dos acordos para levantar recursos, a Azul recebeu investimento de R$ 550 milhões da parceria estratégica com a United Airlines e assinou com a American Airlines compromisso de investimento adicional de mesmo valor, que ainda depende de aprovação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).

    A empresa também captou mais de R$ 7,5 bilhões em novos títulos de dívida para saída do processo de recuperação.

    A saída da recuperação judicial já era esperada pelo governo, que demonstra entusiasmo com o momento do setor aéreo brasileiro. Em evento no dia 10 de fevereiro, o ministro dos Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (Republicanos), já havia indicado que esperava o fim do processo dentro de 30 dias.

    A frota da companhia ao final do processo é de aproximadamente 170 aeronaves ante 184 aviões operacionais no fim do primeiro trimestre, pouco antes de a empresa fazer o pedido de recuperação nos EUA. A empresa agora opera em 130 cidades do país, ante uma malha anterior que incluía cerca de 160 destinos.

    Depois de Latam e Gol, a empresa havia sido a última das principais companhias aéreas brasileiras a aderir ao processo. Na véspera do anúncio do fim do processo, as ações da companhia caíram 36,27% após a aprovação de uma emissão bilionária de novos papéis para financiar a recuperação judicial.

    Antes de fazer o pedido de reestruturação financeira nos EUA, a Azul chegou a discutir uma fusão com a Gol, processo que foi suspendido alguns meses atrás em meio ao foco da Azul no plano de recuperação.

    Azul anuncia saída de recuperação judicial nos EUA

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia

  • Bolsa bate recorde e dólar cai para R$ 5,17 com fim de tarifaço

    Bolsa bate recorde e dólar cai para R$ 5,17 com fim de tarifaço

    Moeda estadunidense alcança menor nível em quase dois anos; índice Ibovespa, da B3, encerrou esta sexta-feira (20) aos 190.534 pontos, com alta de 1,06%

    A decisão de Suprema Corte dos Estados Unidos de derrubar a maior parte do tarifaço do governo de Donald Trump provocou uma onda de euforia no mercado financeiro. A bolsa de valores bateu recorde e superou a marca de 190 mil pontos pela primeira vez. O dólar caiu para menos de R$ 5,20 e alcançou o menor nível em quase dois anos.

    O índice Ibovespa, da B3, encerrou esta sexta-feira (20) aos 190.534 pontos, com alta de 1,06%. Ações de mineradoras e de bancos, com grande peso no índice, lideraram os ganhos.

    Na semana, encurtada pelo carnaval, a bolsa brasileira subiu 2,18%. A bolsa acumula alta de 18,25% em 2026. 

    O dia também foi marcado pela euforia no mercado de câmbio. O dólar comercial fechou o dia vendido a R$ 5,176, com recuo de R$ 0,051 (-0,98%). A cotação abriu próxima da estabilidade, mas começou a cair ainda no meio da manhã, antes da decisão da Suprema Corte, consolidando-se no nível de R$ 5,17 perto do fim da sessão.

    A moeda estadunidense está no menor nível desde 28 de maio de 2024, quando estava em R$ 5,15. A divisa caiu 1,03% na semana e acumula queda de 5,69% em 2026. O euro comercial também teve forte recuo, caindo 0,86% e fechando a R$ 6,09, o menor nível desde 27 de fevereiro do ano passado.

    Em todo o planeta, o dólar caiu após a Suprema Corte derrubar quase a totalidade das tarifas impostas pelo governo do presidente Donald Trump. As moedas de países emergentes foram bastante beneficiadas.

    Mesmo o anúncio de Trump de que pretende impor uma tarifa global de 10% por 120 dias sobre os produtos que entrarem nos Estados Unidos não afetou o mercado. Após a entrevista coletiva, o dólar acelerou a queda e a bolsa ampliou a alta.

    Bolsa bate recorde e dólar cai para R$ 5,17 com fim de tarifaço

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia

  • Receita Federal abre consulta a lote da malha fina do Imposto de Renda

    Receita Federal abre consulta a lote da malha fina do Imposto de Renda

    Cerca de 205 mil contribuintes receberão R$ 578,97 milhões; a consulta pode ser feita na página da Receita Federal na internet

    Cerca de 205 mil contribuintes que caíram na malha fina e regularizaram as pendências com o Fisco podem saber se receberão restituição. Nesta sexta-feira (20), a Receita Federal liberou a consulta ao lote da malha fina de fevereiro. O lote também contempla restituições residuais de anos anteriores.

    Ao todo, 204.824 contribuintes receberão R$ 578,97 milhões. Desse total, R$ 337,69 milhões irão para contribuintes com prioridade legal no reembolso.

    As restituições estão distribuídas da seguinte forma:

    • 127.585 contribuintes que usaram a declaração pré-preenchida e/ou optaram simultaneamente por receber a restituição via Pix;
    • 39.290 contribuintes de 60 a 79 anos;
    • 17.318 contribuintes sem prioridade;
    • 10.735 contribuintes cuja maior fonte de renda seja o magistério;
    • 6.632 contribuintes acima de 80 anos;
    • 3.264 contribuintes com deficiência física ou mental ou doença grave.

    A consulta pode ser feita na página da Receita Federal na internet. Basta o contribuinte clicar em “Meu Imposto de Renda” e, em seguida, no botão “Consultar a Restituição”. Também é possível fazer a consulta no aplicativo da Receita Federal para tablets e smartphones.

    Pagamento

    O pagamento será feito em 27 de fevereiro, na conta ou na chave Pix do tipo CPF informada na declaração do Imposto de Renda. Caso o contribuinte não esteja na lista, deverá entrar no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (e-CAC) e tirar o extrato da declaração. Se verificar uma pendência, pode enviar uma declaração retificadora e esperar os próximos lotes da malha fina.

    Se, por algum motivo, a restituição não for depositada na conta informada na declaração, como no caso de conta desativada, os valores ficarão disponíveis para resgate por até um ano no Banco do Brasil. Nesse caso, o cidadão poderá agendar o crédito em qualquer conta bancária em seu nome, por meio do Portal BB ou ligando para a Central de Relacionamento do banco, nos telefones 4004-0001 (capitais), 0800-729-0001 (demais localidades) e 0800-729-0088 (telefone especial exclusivo para deficientes auditivos).

    Caso o contribuinte não resgate o valor de sua restituição depois de um ano, deverá requerer o valor no Portal e-CAC. Ao entrar na página, o cidadão deve acessando o menu “Declarações e Demonstrativos”, clicar em “Meu Imposto de Renda” e, em seguida, no campo “Solicitar restituição não resgatada na rede bancária”.

    Receita Federal abre consulta a lote da malha fina do Imposto de Renda

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia

  • Haddad: efeito imediato da decisão da Suprema Corte dos EUA é evidentemente favorável a países

    Haddad: efeito imediato da decisão da Suprema Corte dos EUA é evidentemente favorável a países

    O Supremo Tribunal dos Estados Unidos anulou, esta sexta-feira (20), a maioria das tarifas impostas por Donald Trump, a nível global, por considerar que o chefe de Estado excedeu a sua autoridade

    O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta sexta-feira, 20, que o efeito imediato da decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos é evidentemente favorável aos países. Em sua conta no X, ele ainda afirmou que o Brasil se comportou diplomaticamente “da maneira mais correta”.

    “O Brasil, do ponto de vista de sua relação bilateral, agiu de forma impecável. Dito isso, o efeito imediato é evidentemente favorável aos países”, escreveu o ministro da Fazenda.

    Haddad também afirmou que o Brasil acreditou no diálogo e na disputa pelos canais multilaterais, como a Organização Mundial do Comércio (OMC), além do Judiciário americano.

    No início da tarde, por 6 votos a 3, a Corte dos EUA concluiu que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) não autoriza o presidente norte-americano, Donald Trump, a impor tarifas a outros países.

    Haddad: efeito imediato da decisão da Suprema Corte dos EUA é evidentemente favorável a países

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia

  • Desemprego fecha 2025 com menor média anual da série em 19 estados e no DF

    Desemprego fecha 2025 com menor média anual da série em 19 estados e no DF

    Os dados integram a Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), cuja série histórica começou em 2012; Brasil também mostrou taxa de desocupação na mínima no ano passado (5,6%)

    RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – A taxa de desemprego atingiu em 2025 a menor média anual da série histórica em 19 estados e no Distrito Federal, apontou nesta sexta-feira (20) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

    O cenário segue o registrado no país, que também fechou o ano passado com o indicador na mínima, calculada em 5,6%. Os dados integram a Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), cuja série histórica começou em 2012.

    A relação das 20 unidades da Federação com as mínimas em 2025 contempla os seguintes locais: Mato Grosso (2,2%), Santa Catarina (2,3%), Mato Grosso do Sul (3%), Espírito Santo (3,3%), Paraná (3,6%), Rio Grande do Sul (4%), Goiás (4,6%), Minas Gerais (4,6%), Tocantins (4,7%), São Paulo (5%), Paraíba (6%), Ceará (6,5%), Maranhão (6,8%), Pará (6,8%), Distrito Federal (7,5%), Sergipe (7,9%), Amapá (7,9%), Rio Grande do Norte (8,1%), Amazonas (8,4%) e Bahia (8,7%).

    O resultado do país (5,6%) já havia sido publicado pelo IBGE em janeiro. A apresentação desta sexta traz outros detalhamentos, incluindo os números dos estados.

    Apesar de mostrar uma trajetória de recuperação, o mercado de trabalho ainda não eliminou desigualdades.

    Enquanto Mato Grosso (2,2%), Santa Catarina (2,3%) e Mato Grosso do Sul (3%) tiveram taxas de desemprego de 3% ou menos, Piauí (9,3%), Pernambuco (8,7%) e Bahia (8,7%) mostraram desocupação próxima a 9%. São os extremos do indicador no Brasil.

    “A mínima histórica em 2025 decorre do dinamismo observado no mercado de trabalho, impulsionado pelo aumento do rendimento real. Contudo, a queda da desocupação mascara problemas estruturais: Norte e Nordeste mantêm informalidade e subutilização elevadas, evidenciando ocupações de baixa produtividade”, disse William Kratochwill, analista da pesquisa do IBGE.

    A subutilização é uma espécie de indicador de desperdício de mão de obra. É formada pelos desempregados (profissionais que não trabalham, seguem à procura de vagas e estão disponíveis para atuar) e outros dois grupos: subocupados e força de trabalho potencial.

    Os subocupados até trabalham, mas menos de 40 horas semanais, e gostariam de ampliar a jornada. A força de trabalho potencial envolve quem deixou de procurar oportunidades, como os desalentados, ou quem buscou vagas, mas não estava disponível para preenchê-las por diferentes motivos.

    No Brasil, a taxa anual de subutilização foi de 14,5% em 2025, mínima da pesquisa. O indicador também atingiu os menores níveis nas séries de cada grande região, embora sinalize disparidades.

    A subutilização ficou em 24,6% no Nordeste e 17% no Norte, enquanto marcou 7,9% no Sul e 9,9% no Centro-Oeste. O Sudeste registrou percentual de 11,6%.

    Entre os estados, o Piauí teve a taxa mais elevada (31%), seguido por Alagoas (26,8%) e Bahia (26,8%). As menores proporções foram encontradas em Santa Catarina (4,6%), Mato Grosso (6,8%) e Espírito Santo (7,4%).

    Já taxa de informalidade foi de 38,1% na média nacional em 2025. Trata-se do percentual de informais (sem carteira assinada ou CNPJ) em relação à população ocupada com algum tipo de trabalho.

    Norte (51,9%) e Nordeste (50,8%) ainda mostraram proporções acima de 50% na média anual. Ou seja, mais da metade da mão de obra na ativa era informal. O Sul teve a menor informalidade (30,1%), seguido por Sudeste (33%) e Centro-Oeste (33,5%).

    Quando a análise considera as unidades da Federação, as maiores taxas foram de Maranhão (58,7%), Pará (58,5%) e Bahia (52,8%). A informalidade foi mais baixa em Santa Catarina (26,3%), Distrito Federal (27,3%) e São Paulo (29%).

    As diferenças também aparecem na renda. Com a presença de servidores públicos com salários elevados, o Distrito Federal mostra o maior rendimento de todos os trabalhos. O valor foi de R$ 6.320 na média anual de 2025.

    É quase o triplo do encontrado no Maranhão (R$ 2.228), que tem o menor patamar do país. Bahia (R$ 2.284) e Ceará (R$ 2.394) aparecem próximos.

    Na média do Brasil, o rendimento foi de R$ 3.560 em 2025. São Paulo (R$ 4.190) e Rio de Janeiro (R$ 4.177) ocuparam a segunda e a terceira posições do ranking, atrás apenas do Distrito Federal.

    DESEMPREGO CAI EM 6 UFS NO TRIMESTRE, DIZ IBGE

    O IBGE também divulgou dados do quarto trimestre de 2025, quando a taxa de desemprego do país recuou a 5,1%, a menor da série. Houve redução de 0,5 ponto percentual ante o terceiro trimestre (5,6%).

    Nesse recorte, o indicador caiu em seis unidades da Federação, disse o instituto. Foram os casos de São Paulo (-0,5 p.p.), Rio de Janeiro (-0,6 p.p.), Pernambuco (-1,2 p.p.), Distrito Federal (-1,3 p.p.), Paraíba (-1,3 p.p.) e Ceará (-1,5 p.p.).

    Nos demais estados, a taxa de desemprego ficou dentro da margem de estabilidade da pesquisa. Não houve variações consideradas significativas pelo IBGE.

    Conforme o órgão, 16 unidades da Federação registraram as mínimas da série trimestral no período de outubro a dezembro de 2025.

    Foram os casos do Distrito Federal (6,8%) e de 15 estados: Santa Catarina (2,2%), Espírito Santo (2,4%), Mato Grosso do Sul (2,4%), Paraná (3,2%), Rio Grande do Sul (3,7%), Minas Gerais (3,8%), Goiás (3,9%), São Paulo (4,7%), Ceará (5%), Maranhão (5,6%), Paraíba (5,7%), Pará (5,8%), Rio Grande do Norte (6,7%), Sergipe (7,5%) e Bahia (8%).

    “O movimento da economia brasileira no pós-pandemia, de crescimento contínuo do PIB, tem se refletido positivamente no mercado de trabalho, com taxas de desocupação nas mínimas históricas desde 2012”, afirma o pesquisador João Mário de França, do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas).

    “Mas é um movimento cíclico, que não modifica as assimetrias que existem no Brasil. Quando você olha para os estados com as maiores taxas de desocupação, boa parte está no Nordeste”, acrescenta ele, que também chama a atenção para outras desigualdades, inclusive de gênero e cor ou raça.

    Pernambuco (8,8%), Amapá (8,4%), Alagoas (8%), Bahia (8%) e Piauí (8%) mostraram os maiores níveis de desemprego no quarto trimestre. Os menores foram registrados em Santa Catarina (2,2%), Espírito Santo (2,4%), Mato Grosso do Sul (2,4%) e Mato Grosso (2,4%).

    Analistas associam o recuo do desemprego no país a uma combinação de fatores. O primeiro é o desempenho positivo da economia, que contribuiu para a abertura de vagas e o aumento da renda.

    Outra questão que especialistas costumam citar é a mudança demográfica em curso no Brasil. Com o envelhecimento da população, a tendência é de que uma parcela dos brasileiros saia do mercado e deixe de procurar ocupação.

    Isso reduz a pressão sobre a taxa de desemprego porque uma pessoa sem trabalho também precisa estar em busca de oportunidades para ser considerada desocupada. Não basta só não trabalhar.

    O quadro ainda é influenciado pela abertura de vagas ligadas à tecnologia. Estudo recente do FGV Ibre estimou que atividades realizadas por meio de aplicativos reduziam o desemprego em 1 ponto percentual no país.

    Desemprego fecha 2025 com menor média anual da série em 19 estados e no DF

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia