O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recuou em relação a ameaças contra o Irã; na mínima do pregão, a moeda norte-americana chegou a R$ 5,224, com queda de 1,67%
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar recua mais de 1% nesta segunda-feira (23), após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adiar por cinco dias ataques contra usinas de energia do Irã e mencionar a possibilidade de negociações com o país.
Com o petróleo em baixa no exterior, às 15h, a moeda norte-americana cedia 1,60%, cotado a R$ 5,227, em linha com o movimento da commodity. Na mínima do pregão, o dólar chegou a R$ 5,215, em queda de 1,80%.
No mesmo horário, a Bolsa brasileira avançava 3,28%, a 182.014 pontos, em meio a um maior apetite global por ativos de risco (na máxima, o avanço foi de 3,77%). Nos Estados Unidos, Dow Jones, Nasdaq e S&P 500 subiam em bloco, com alta de até 1,82%.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recuou em relação a ameaças de que destruiria usinas de energia iranianas, afirmando nesta que deu instruções para adiar quaisquer ataques militares por cinco dias.
Em uma publicação no Truth Social, ele também disse que EUA e Irã tiveram conversas “muito boas e produtivas” nos últimos dois dias sobre uma “resolução completa e total das hostilidades no Oriente Médio”.
O americano afirmou a jornalistas que está conversando com uma autoridade iraniana que não seria o líder supremo, Mojtaba Khamenei, e instou o país a parar de enriquecer urânio.
Segundo a agência iraniana Mehr, a chancelaria do Irã disse que Trump só quer ganhar tempo para sua campanha militar e aliviar a pressão no mercado de petróleo, confirmou que há “iniciativas para reduzir a tensão”, mas que Teerã só aceitará propostas dos Estados Unidos diretamente.
Segundo Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, a recente declaração de Trump trouxe um alívio aos mercados por sinalizar uma desescalada no conflito. “Isso ajudou a contar a disparada do petróleo, que vinha pressionando Bolsas. Há diminuição no sentimento de risco e nos temores de interrupção na oferta de energia”.
Nas últimas semanas, a tensão entre EUA, Israel e Irã afetou os mercados acionários, com uma busca por ativos de segurança. O comportamento conhecido como “fuga para qualidade” fez com que ativos como dólar e renda fixa se valorizassem.
Para se ter uma noção, o índice DXY, que mede o desempenho da divisa americana ante uma cesta de seis moedas fortes, registra alta de 1,50% desde que a guerra no Oriente Médio começou. O Ibovespa, índice de referência do mercado acionário brasileiro, por outro lado, registra recuo de 3,6%.
Além disso, há um temor de que a inflação suba mais caso o conflito dure por mais tempo, e as cotações do petróleo permaneçam em alta.
Os preços da commodity dispararam após o fechamento do estreito de Hormuz, localizado na fronteira do Irã e por onde passa cerca de 20% da produção global da commodity.
O anúncio da trégua nesta segunda, por outro lado, levou o preço do petróleo a despencar mais de 13% e chegar a US$ 91,89 (R$ 488,12), às 8h (horário de Brasília).
Antes disso, o barril Brent vinha oscilando entre US$ 105 e US$ 109, sendo que a máxima foi de US$ 109,68 (R$ 582,62), às 5h15. Mas o anúncio feito por volta das 7h fez com que o preço desabasse rapidamente até atingir US$ 91,89.
“O mercado deu uma boa recuperada, já que passou a apostar mais em vias diplomáticas para solucionar o conflito. Principalmente por causa do escoamento de petróleo, que costuma deixar os mercados muito tensos, já que pressiona bastante a inflação. Nas últimas semanas, o mercado vinha precificando juros mais altos por mais tempo justamente por essa pressão inflacionária”, diz Ian Lopes, economista da Valor Investimentos.
O movimento do pregão desta segunda é inverso ao da sexta, quando o dólar disparou 1,81%, cotado a R$ 5,311, e a Bolsa tombou 2,24%, a 176.219 pontos.
Na semana passada, Trump mobilizou um segundo grupo expedicionário de fuzileiros navais para a região, apesar de ter negado a intenção de enviar soldados para uma ação terrestre. A ideia seria tomar a ilha de Kharg para pressionar Teerã a reabrir o estreito de Hormuz, importante via de transporte do petróleo global.
No mesmo dia, Trump descartou “botas no solo” -na mesma fala, contudo, disse que não contaria à imprensa se tivesse outra ideia.
O estreito de Hormuz é um ponto estratégico de Teerã, que o militarizou, provavelmente colocando minas em trechos importantes para obrigar os navios que autoriza a passar a usar uma rota que passa por suas águas.
No Brasil, a agenda do dia é esvaziada de indicadores. Às 10h30, o Banco Central realizou leilão de linha (venda de dólares com compromisso de recompra) de US$ 2 bilhões, para rolagem do vencimento de 2 de abril. Do total, US$ 1,8 bilhão foi vendido.
Os leilões são intervenções do BC no câmbio. Na prática, eles servem para aumentar a quantidade de dólares disponíveis para os investidores, seguindo a lei da oferta e demanda. Ou seja, quanto mais moeda puder ser comprada, menor vai ser a cotação dela.
Ainda no Brasil, destaque para a suspensão de operações no Tesouro Direto na abertura do mercado para conter a forte volatilidade de títulos. A plataforma ficou fora do ar até às 11h15 desta segunda.
Na sexta-feira (20), a escalada da tensão entre EUA e Israel contra o Irã fez com que os juros futuros subissem, mas nesta segunda, com a sinalização de uma possível trégua, o movimento é inverso.
Por volta das 13h desta segunda, na curva de juros, o contrato para janeiro de 2028 recuava de 14,122% do ajuste da sessão anterior para 13,900% (queda de 22 pontos-base). Ou seja, o mercado espera juros menores em dois anos. Já para janeiro de 2035, o recuo era de 19 pontos-base, passando de 14,040% para 13,850%.
Dólar recua a R$ 5,22 e Bolsa sobe mais de 3% após Trump adiar ataques ao Irã
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