Magalu tem queda nas vendas digitais e vai voltar a abrir lojas físicas

Empresa deve avançar no Rio, São Paulo e Distrito Federal e abrir novas unidades da Galeria Magalu; digital representa 68% das vendas da rede, que nos últimos anos priorizou investimento em tecnologia

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Depois de dedicar dez anos à montagem de um ecossistema que gravita em torno das vendas online, o Magazine Luiza decidiu voltar às origens e abrir lojas físicas. O grupo varejista controlado pela família Trajano anunciou nesta sexta (13), durante teleconferência de resultados do quarto trimestre, que deve abrir novos pontos de venda no segundo semestre, depois de passar os últimos três anos sem inaugurações.

A exceção foi a Galeria Magalu, aberta em dezembro na avenida Paulista, em São Paulo, que reuniu em um mesmo espaço os diversos negócios do grupo -Magalu, Netshoes, Época Cosméticos, Kabum! e Estante Virtual, além do teatro Youtube e de uma cafeteria. Hoje o grupo tem 1.246 lojas.

A representatividade do canal digital nas vendas totais do Magalu caiu de 70,6% em 2024 para 68,5% em 2025. Enquanto as vendas do comércio eletrônico recuaram 3,9% no ano passado, o resultado das lojas físicas cresceu 5,9%.

“O investimento em abertura de loja vai ganhar proporção maior do capex [capital para investimento] ao longo dos próximos anos”, disse Fred Trajano, CEO do Magalu, na teleconferência. “A gente espera que o capex também seja maior. Quanto menores os juros, menor o custo de capital; não faz sentido manter a taxa neste patamar”, diz, referindo-se à Selic em 12% ao ano, que inibe a expansão do varejo.

O executivo reforça, no entanto, que mantém a aposta no ambiente digital, especialmente nas vendas pelo WhatsApp, usando inteligência artificial conversacional.

As vendas totais do grupo (incluindo de terceiros, no marketplace) recuaram 1% em 2025 na comparação com o ano anterior, para R$ 64,7 bilhões. Já a receita bruta do Magalu aumentou 1,9% para R$ 48,2 bilhões, enquanto a receita líquida avançou 1,7%, para R$ 38,7 bilhões. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) cresceu 10,6% para R$ R$ 3,2 bilhões. O lucro líquido, por sua vez, caiu 54%, para R$ 204,6 milhões.

Um dos destaques do balanço foi a provisão de R$ 299,1 milhões no quarto trimestre para lidar com o excesso de estoques, com o objetivo de acelerar a venda de produtos sazonais ou de baixo giro. Segundo a empresa, foi o caso da categoria de ar-condicionado: houve um excesso de compras com base na expectativa de aumento de temperatura, mas 2025 se mostrou menos quente do que 2024, apesar das ondas de calor.

A expansão física deve ter início no segundo semestre deste ano, com abertura de lojas especialmente no interior do Rio de Janeiro, no Distrito Federal e na zona sul da capital paulista. Também estão sendo identificados quais pontos podem ser transformados em novas Galerias Magalu, de menor porte. Hoje já existem dois projetos-piloto em andamento.

O último ciclo de expansão foi em 2021, quando a empresa chegou ao Rio de Janeiro com a abertura de 50 pontos de venda. De lá para cá, o Magalu chegou a fechar lojas e fez a última inauguração em junho de 2023, em Belo Horizonte.
Trajano diz que, a despeito de ter investido nos últimos anos basicamente em tecnologia, é importante que as fontes de receita sejam diversificadas. “Gosto do equilíbrio ecossistêmico entre 1P, 3P e loja”, afirma o executivo, usando os jargões do varejo digital: 1P são as vendas de estoque próprio e 3P são as vendas de lojistas que integram o marketplace.

A companhia defende que o modelo multicanal acelera suas vendas, além de melhorar a logística, uma vez que as lojas são usadas como pontos de trocas e entregas do canal on-line. Nas lojas, também é possível aumentar a oferta de serviços financeiros do MagaluPay, especialmente o CDC (Crédito Direto ao Consumidor). Com novas unidades do modelo Galeria Magalu, é possível ainda explorar as demais marcas do grupo no mesmo espaço, além de favorecer o “retail media” (ações de marketing de fornecedores).

Nos últimos dez anos como CEO do Magalu, Fred Trajano acumulou 22 aquisições -antes dele, a empresa criada em 1957 por sua tia-avó, Luiza Trajano, havia feito 10. Desde que assumiu o comando da companhia, transformou o varejo de móveis e eletro em um conglomerado de empresas que incluem artigos esportivos (Netshoes), acessórios (Shoestock), calçados (Zatini), plataformas de delivery (AiQFome), conteúdo (CanalTech), livros (Estante Virtual) e games (Kabum!).

O “ecossistema” do Magalu envolve ainda diversas empresas especializadas em operações on-line, como Magalog (plataforma que gerencia entregas em tempo real), Magalu Ads (publicidade) e Magalu Pagamentos (antecipação de recebíveis), voltadas aos vendedores que integram o marketplace da varejista (os “sellers”).

RAIO X – MAGAZINE LUIZA

– Fundação: 1957
– Funcionários: 35 mil
– Faturamento 2025: R$ 64,7 bilhões
– Presença: 1.246 lojas e 21 centros de distribuição, em 19 estados e no Distrito Federal
– Principais concorrentes: Mercado Livre, Casas Bahia, Amazon, Shopee

Magalu tem queda nas vendas digitais e vai voltar a abrir lojas físicas

Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *