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  • Senado aprova redução da pena de condenados do 8 de janeiro

    Senado aprova redução da pena de condenados do 8 de janeiro

    Os senadores aprovaram o parecer do senador Esperidião Amin (PP-SC), que reduz as penas dos condenados por atos golpistas. Entre eles, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Mais cedo, o projeto foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa

    O Senado aprovou nesta quarta-feira (17), em votação nominal, o projeto de Lei (PL) 2162/2023, o chamado PL da Dosimetria que prevê a redução de penas de condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023 e pela tentativa de golpe de Estado.

    Foram 48 votos favoráveis e 25 votos contra. O texto segue agora para a sanção presidencial.

    Os senadores aprovaram o parecer do senador Esperidião Amin (PP-SC), que reduz as penas dos condenados por atos golpistas. Entre eles, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Mais cedo, o projeto foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa.

     

    Amin, que é favorável à anistia, defende que a redução das penas visa “pacificar o país”.

    “Somos da posição de que a anistia para os condenados pelos eventos de 8 de janeiro deveria ser analisada à luz do princípio da unidade nacional e da função integradora do direito constitucional. A manutenção de centenas de cidadãos em regime fechado por atos que, embora ilícitos, não configuraram insurgência armada ou ameaça real à soberania, pode agravar divisões e comprometer a legitimidade das instituições”, argumentou.

    “O perdão apresentar-se-ia como solução juridicamente possível e politicamente adequada para encerrar um ciclo de tensão e reafirmar o compromisso do Estado brasileiro com a democracia e a pacificação social”, concluiu.

    O relator acatou uma emenda que determina que a redução será aplicada apenas aos condenados pelos atos golpistas. O senador considerou a emenda como apenas um ajuste de redação e não de mérito, para que o projeto não tenha que retornar à Casa de origem – no caso, a Câmara dos Deputados, que aprovou a matéria na noite do dia 9 de dezembro. 

    Um grupo de senadores se manifestou contra o projeto por não representar o anseio do país.

    “Foi urdida uma trama, foi planejado um golpe de Estado no Brasil e foi tudo coordenado, financiado para que o golpe se concretizasse. Felizmente, não se concretizou por vários fatores”, disse o senador Marcelo Castro (MDB-PI).

    “Há uma semana, nós votamos aqui a Lei Antifacção, endurecendo as penas, dificultando a progressão. E, hoje, senhoras e senhores, nós estamos aqui, incoerentemente, fazendo exatamente o contrário”, finalizou.

    Para o senador Nelsinho Trad (PSD-MS), o projeto foi construído para beneficiar um grupo político que atentou contra o Estado Democrático de Direito.

    “Essa é uma proposta casuística, uma norma jurídica que está sendo criada para beneficiar um grupo, para dar privilégio para um grupo, um grupo que atentou contra a própria Constituição”, afirmou.

    “Nós temos que dar ao Brasil um recado importante de que golpe de Estado tem que se tratar com dureza, especialmente num processo que foi totalmente baseado na legalidade, que deu direito de defesa. Um julgamento que o Brasil inteiro acompanhou, um processo em que provas que foram produzidas provas materiais e a maior parte delas, produzidas pelos próprios criminosos”, reiterou.

    Senadores do PL defenderam a proposta. O senador Izalci Lucas (PL-DF) disse que a proposta serve para diminuir penas de pessoas que não estavam diretamente envolvidas na trama e que receberam duras condenações.

    “Nós precisamos votar essa matéria para virar essa página e tirar essas pessoas: o pipoqueiro, o vendedor de bala, que foi condenado há oito anos, 14 anos”, disse.

    “Eu sou a favor da anistia, mas vamos aprovar a redução de pena para tirar os manifestantes da cadeia. Isso é o mais importante”, afirmou o senador Sergio Moro (União-PR).

    O que é o PL da Dosimetria?

    O PL da Dosimetria determina que os crimes de tentativa contra o Estado Democrático de Direito e de golpe de Estado, quando praticados no mesmo contexto, implicarão no uso da pena mais grave em vez da soma de ambas as penas.

    O foco do projeto é uma mudança no cálculo das penas, “calibrando a pena mínima e a pena máxima de cada tipo penal, bem como a forma geral de cálculo das penas, reduzindo também o tempo para progressão do regime de prisão fechado para semiaberto ou aberto.

    Tais mudanças poderão beneficiar réus como o ex-presidente Jair Bolsonaro, além dos militares Almir Garnier, ex-comandante da Marinha; Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa; Walter Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil; e Augusto Heleno, ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

    Repercussão

    No dia 10 de dezembro, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), enviou o PL da Dosimetria à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), tendo, como relator, o senador Esperidião Amim (PP-SC) – apoiador do ex-presidente Jair Bolsonaro.
    No dia seguinte, ao ser perguntado sobre o projeto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que só decidirá se vai sancionar quando o texto chegar ao Poder Executivo.

    Manifestantes foram às ruas de diversas cidades no último domingo (14) contra a aprovação do PL da Dosimetria. 

    Especialistas consultados pela Agência Brasil avaliaram que o PL da Dosimetria poderá diminuir o tempo de progressão de pena para outros condenados por crimes comuns.

    Senado aprova redução da pena de condenados do 8 de janeiro

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  • Austrália acusa terrorista sobrevivente em ataque em Sydney de 59 crimes

    Austrália acusa terrorista sobrevivente em ataque em Sydney de 59 crimes

    Funerais das vítimas começam nesta quarta (17) em meio à indignação na Austrália. Naveed Akram saiu do coma e será ouvido; autoridades das Filipinas negam que os suspeitos tenham sido treinados em seu país

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – A polícia da Austrália afirmou nesta quarta-feira (17) que Naveed Akram, 24, terá de responder por 59 acusações, que incluem assassinato, lesão com tentativa de assassinato e terrorismo pelo atentado cometido no último domingo (14) na praia de Bondi, em Sydney.

    Baleado por policiais durante o ataque, Akram saiu do coma no hospital em que foi internado. Ele deve falar por videoconferência a um tribunal local na manhã da próxima segunda (22). Seu pai, Sajid, 50, foi morto a tiros por agentes que chegaram à cena do ataque.

    A dupla matou 15 pessoas a tiros durante a celebração judaica do Hannukah, em um episódio que chocou a Austrália e expôs o aumento do antissemitismo no país. Outros 23 feridos continuam hospitalizados.

    Também nesta quarta (17), o conselheiro de Segurança Nacional das Filipinas, Eduardo Año, afirmou não haver evidências de que os dois atiradores tenham recebido algum tipo de treinamento terrorista enquanto estavam no país asiático. Em um comunicado, Año disse que a duração da estada deles (28 dias) não teria permitido nenhuma preparação significativa.

    O conselheiro declarou que o governo filipino investiga a viagem dos dois homens no período de 1º a 28 de novembro e está em contato com as autoridades australianas para determinar o propósito da visita. Ele classificou de desatualizados e enganosos relatos que retratam o sul das Filipinas como um bastião do extremismo islâmico.

    Registros de imigração mostram que a dupla desembarcou em Manila e viajou para Davao, em Mindanao, uma região que sofre há anos com a presença de extremistas islâmicos. A polícia australiana declarou que os atiradores parecem ter sido inspirados pelo Estado Islâmico.

    A polícia filipina e funcionários do hotel em que ficaram os suspeitos afirmam que ambos tiveram raras saídas do quarto -não teriam passado mais de uma hora seguida fora do hotel-, e não conversaram com outros hóspedes ou receberam visitas. O pai teria usado um passaporte indiano, e o filho, um australiano.

    Trabalhadores do hotel ouvidos pela polícia relataram que o comportamento de ambos não foi suspeito em nenhum momento. Eles se lembram de embalagens de fast food no lixo do quarto e de os dois terem chegado ao local apenas com uma mala grande e uma mochila.

    Desde o cerco de Marawi em 2017, uma batalha de cinco meses na qual o grupo Maute, inspirado pelo Estado Islâmico, tomou esta cidade do sul filipino e lutou contra as forças governamentais, as tropas federais degradaram significativamente os grupos afiliados ao EI, de acordo com Año.

    O primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, enfrenta críticas de que seu governo de centro-esquerda não fez o suficiente para impedir a propagação do antissemitismo no país durante os dois anos da guerra Israel-Hamas. “Trabalharemos com a comunidade judaica, queremos eliminar e erradicar o antissemitismo de nossa sociedade”, disse Albanese a jornalistas.

    A gestão dele e os serviços de inteligência também estão sob pressão para explicar por que Sajid Akram teve permissão para adquirir legalmente os fuzis e espingardas usados no ataque.

    Chris Minns, primeiro-ministro (equivalente a governador) do estado de Nova Gales do Sul, cuja capital é Sydney, disse que convocará o Parlamento estadual na próxima semana para aprovar reformas na legislação local de armas.

    O governo estadual também analisará reformas que dificultem a realização de grandes protestos de rua após eventos terroristas, a fim de evitar mais tensões. “Temos uma tarefa monumental à nossa frente. É uma enorme responsabilidade unir a comunidade. Acho que precisamos de um verão de calma e união, não de divisão”, disse.

    O presidente dos EUA, Donald Trump, disse em um evento de Hanukkah na Casa Branca que estava pensando nas vítimas do “horrível ataque terrorista antissemita”. “Nós nos unimos ao luto por todos aqueles que foram mortos e estamos orando pela rápida recuperação dos feridos.”

    Os funerais das vítimas do ataque começaram nesta quarta. Um deles foi o do rabino Eli Schlanger, assistente na sinagoga Chabad Bondi e pai de cinco filhos. Ele era conhecido pelo trabalho para a comunidade judaica de Sydney por meio do Chabad, uma organização global que promove a identidade e conexão judaica. Schlanger viajava para prisões e se encontrava com pessoas judias que viviam nas comunidades de habitação pública de Sydney, disse o líder judeu Alex Ryvchin.

    Austrália acusa terrorista sobrevivente em ataque em Sydney de 59 crimes

  • Fabio Porchat transforma Bíblia em stand-up no especial de Natal do Porta dos Fundos

    Fabio Porchat transforma Bíblia em stand-up no especial de Natal do Porta dos Fundos

    Produção questiona leitura seletiva do texto sagrado por parte de líderes religiosos e fiéis; humorista defende a responsabilidade sobre o impacto do conteúdo e diz não temer repercussão

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – Em vez de criar piadas sobre a Bíblia, Fabio Porchat decidiu lê-la. O resultado é “Stand Up e Anda!”, especial de Natal do Porta dos Fundos de 2025, que usa passagens do Velho Testamento como material para um programa que conta histórias bíblicas clássicas e detalhes menos conhecidos de maneira cômica e questiona interpretações seletivas do texto sagrado.

    O especial, que estreia nesta quarta-feira (17) no YouTube, marca o retorno do Porta dos Fundos ao formato natalino após dois anos e aposta em um gênero inédito dentro dessa tradição do grupo. Pela primeira vez, a produção coloca Porchat sozinho em cena, no papel de Jafé Julião, um comediante que se apresenta para uma plateia há dois mil anos.

    Segundo Porchat, as passagens narradas foram escolhidas pela distância que o público costuma manter dos detalhes “absurdos” ou “improváveis” do texto original. “A maioria das pessoas acredita profundamente na Bíblia, mas não leu”, afirmou o comediante. “O que me interessava era provocar essa pergunta: vocês leram a Bíblia? Porque a Bíblia diz muita coisa.”

    Ao longo do espetáculo, o humorista cita capítulos e versículos no palco, reforçando que as histórias narradas não são invenções “Eu faço questão de deixar claro que está na Bíblia. Não sou eu falando isso”, disse ao F5. “A interpretação é minha, mas a história está lá.”

    O texto percorre episódios conhecidos, como Sansão e Dalila, e outros menos lembrados, como Balaão conversando com uma jumenta ou o profeta Eliseu amaldiçoando jovens por chamá-lo de careca.

    Para Porchat, o incômodo surge com trechos do livro sagrado que hoje são usados como regra sem o mesmo rigor aplicado ao restante do texto. “Ou você acredita em tudo que está ali ou entende que são parábolas. Escolher só o que convém é fácil demais”, afirmou.

    Para construir o roteiro, que escreveu sozinho, Porchat afirma que leu o Velho Testamento do início ao fim, em busca de histórias que coubessem no humor ou pudessem ser questionadas. Segundo ele, o processo envolveu procurar episódios pouco comentados, além de reler passagens conhecidas sob outro viés.

    O humorista conta que já tinha lido o Novo Testamento para edições anteriores do especial de Natal. “Eu gosto mais do Velho Testamento. Acho ele mais ágil. Deus mata gente. É um filme de ação”, disse.

    Porchat afirma que o especial não tem como alvo uma minoria religiosa nem a fé em si, mas o uso do texto bíblico como instrumento de poder e exclusão. Segundo ele, a crítica se dirige a instituições e lideranças que mobilizam a Bíblia para ditar regras de comportamento na vida pública.

    “A gente não está sacaneando gente frágil”, disse. “Religião, no Brasil de hoje, é uma das forças mais poderosas que existem.”

    O humorista imagina que a reação ao especial tende a repetir o padrão dos anos anteriores, com elogios e críticas. Para ele, esse embate faz parte do campo da comédia. “Vai ter gente dizendo que é absurdo e gente dizendo que é genial. Isso sempre aconteceu”.

    Ele diz que, apesar de episódios graves como o ataque a bomba à sede do Porta dos Fundos em 2019, não trabalha com medo. “As pessoas são muito mais violentas na rede social do que na vida real. Nunca na minha carreira alguém me xingou na minha cara.”

    Gravado em 2023, o especial ficou pronto dois anos antes de chegar ao público. Segundo Porchat, o adiamento aconteceu devido à transição do Porta dos Fundos após a saída da Paramount. O humorista diz que o material permaneceu intacto desde a gravação. “Ele foi feito e pensado para aquele momento. A gente não cortou nada, não atualizou nada.”

    Para o humorista, a decisão de lançar o projeto no YouTube amplia o alcance e recupera a relação direta do grupo com o público. “É a nossa casa. Todo mundo tem acesso”, disse.

    Ao falar sobre o limite do humor, Porchat, evita rodeios. Para ele, a restrição não está no tema, mas na lei. “O limite é a Constituição brasileira”, afirmou.

    Segundo ele, a responsabilidade aumenta quando o conteúdo circula para além do pacto estabelecido com o público original. “Não é fazer a piada e ir embora”, afirmou. Porchat diz que acompanha a repercussão do que produz e que se sente obrigado a intervir quando percebe que um discurso passa a incentivar ataques ou perseguições.

    “Vivemos em 2025 e precisamos entender que piadas feitas em 1990 já não fazem mais sentido. Existe uma responsabilidade sobre o que se diz”, afirmou.

    Para Porchat, o termômetro não está em agradar ou desagradar, mas em observar quem reage positivamente ao discurso. “Se eu começo a fazer piadas e um público nazista passa a gostar, eu preciso parar e pensar onde errei. Quando é o Silas Malafaia dizendo que não gostou, eu penso: ‘acertei’.”

    “O problema é quando nosso discurso inflama as pessoas erradas a fazerem coisas erradas”, afirmou. “Por isso que é tão forte jogar no YouTube, porque é um produto audiovisual que pode chegar em todo mundo. Então tenho que ter mais responsabilidade ainda.”.

    Após o hiato, o humorista afirma que já tem novas ideias em desenvolvimento para 2026. Algumas estão mais avançadas, outras ainda em fase de argumento, mas todas partem do desejo de não repetir ideias já concretizadas. “Eu não quero fazer sempre o mesmo”, disse. Entre as possibilidades, ele cita a vontade de trabalhar com histórias originais, fora do universo bíblico, e até de ambientar um especial nos dias atuais.

    Além de um novo formato para o especial de Natal, Porchat deve estrear um novo podcast com o Porta dos Fundos em 2026. O grupo também está gravando um especial com a emissora portuguesa RTP, chamado “Porta Pro Milhão”, uma paródia do Quem Quer Ser Um Milionário com comediantes do país.

    Os projetos Não Importa e Que História É Essa, Porchat? também devem ganhar versões no teatro no próximo ano.

    Fabio Porchat transforma Bíblia em stand-up no especial de Natal do Porta dos Fundos

  • Bolsonaro pede autorização para fazer fisioterapia na prisão

    Bolsonaro pede autorização para fazer fisioterapia na prisão

    Ex-presidente está preso em uma sala da Superintendência da Polícia Federal (PF), em Brasília, onde cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão

    A defesa de Jair Bolsonaro pediu nesta quarta-feira (17) ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorização para que o ex-presidente seja atendido por um fisioterapeuta na prisão.

    Bolsonaro está preso em uma sala da Superintendência da Polícia Federal (PF), em Brasília, onde cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão pela condenação na ação penal da trama golpista.

    Segundo os advogados, o médico particular de Bolsonaro recomendou a realização de sessões diárias de fisioterapia respiratória e motora. O objetivo é a manutenção do condicionamento físico e readequação postural.  

    “A defesa indica, para fins de organização administrativa e observância às normas internas da Superintendência da Polícia Federal, que o atendimento fisioterapêutico seja realizado uma vez por dia, em dias úteis, durante o horário padrão de funcionamento da Superintendência, de modo a conferir organização e previsibilidade, bem como a continuidade do tratamento recomendado”, afirmaram os advogados.

    Mais cedo, Bolsonaro passou por uma perícia médica, que foi feita por peritos da PF. O procedimento foi determinado por Moraes, que vai decidir se autoriza Bolsonaro a deixar a prisão para realizar uma cirurgia recomendada pelos médicos particulares.

    Bolsonaro pede autorização para fazer fisioterapia na prisão

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  • Trabalhadores processam Volkswagen por regime análogo à escravidão

    Trabalhadores processam Volkswagen por regime análogo à escravidão

    Ministério diz que fazenda recebeu incentivos fiscais da ditadura; caso chegou a parlamentares e às autoridades competentes pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), que documentou as violações e até hoje acompanha o andamento dos processos judiciais

    Quatro trabalhadores escravizados durante a ditadura civil-militar, nas décadas de 1970 e 1980, em uma propriedade da Volkswagen do Brasil, no Pará, acionaram a Justiça para reivindicar reparação pela condição desumana a que foram submetidos. Cada um pede R$ 1 milhão por danos morais e R$ 1 milhão por danos existenciais, valores definidos com base no porte econômico da marca, pelo tamanho dos prejuízos causados às vítimas e pelo que representam socialmente. 

    Os processos sucedem uma ação civil pública, isto é, coletiva, em que o Ministério Público do Trabalho (MPT) pede R$ 165 milhões por danos morais coletivos, retratação pública e a ativação de ferramentas como um protocolo aplicável a incidentes semelhantes, um canal de denúncias e a realização de ações de fiscalização. Nessa ação pública, a companhia foi condenada em agosto deste ano, mas entrou com recurso.

    O local onde foram submetidos ao regime de trabalho análogo à escravidão foi a Fazenda Vale do Rio Cristalino, em Santana do Araguaia (PA), pertencente à Companhia Vale do Rio Cristalino Agropecuária Comércio e Indústria (CVRC), uma subsidiária da Volkswagen. Conforme destaca o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, “a propriedade em questão, com cerca de 140 mil hectares – quase o tamanho da cidade de São Paulo –, recebeu incentivos fiscais e recursos públicos para a criação de gado à época – tornando-se um dos maiores polos do setor –, acentuando a responsabilidade institucional da empresa.” 

    A pasta enviou representantes ao município paraense de Redenção, em meados de maio deste ano, para participar de uma mobilização organizada por movimentos sociais, sindicatos, universidades e parlamentares.

    O caso chegou a parlamentares e às autoridades competentes pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), que documentou as violações e até hoje acompanha o andamento dos processos judiciais. Como ocorre geralmente, os trabalhadores foram atraídos pela companhia por intermediários, chamados popularmente de “gatos”, que fazem a ponte entre quem escraviza e as vítimas escravizadas, com promessas de trabalho digno. 

    De acordo com a CPT e o Coletivo Veredas, de advocacia popular e defesa dos direitos humanos, a proposta apresentada aos trabalhadores aliciados foi a de receber uma boa remuneração para derrubarem árvores de vegetação nativa, formação de pastagens e serviços de construção civil. A Fazenda Volkswagen, como ficou conhecida, funcionou de 1974 a 1986.

    O advogado José Vargas, do Veredas, assinala que a subjugação protagonizada pela fabricante de automóveis revela “a face empresarial da ditadura” e que a montadora, no processo aberto pelo MPT, buscou convencer a Justiça de que o cerceamento imposto por ela aos trabalhadores era prática corrente naquele período e, portanto, não foi errado nem ilegal. 

    Houve uma tentativa de naturalizar a servidão por dívida”, ressaltou, em entrevista à Agência Brasil.

    “O advogado defende que é um caso que vai além da divida trabalhista, se tratando de uma “dívida histórica.”

    Além de ter “explorado a mão de obra a qualquer custo e ampliado a desigualdade, em vez de reduzi-la”, a Volkswagen, acrescenta Vargas, fermentou na comunidade das vítimas a antipatia dos demais por elas, já que o governo golpista e aliados adotavam a vertente desenvolvimentista e as vítimas passaram a ser vistas como pedras no caminho de quem queria prosperar com a montadora, por denunciar a violação de seus direitos. “É inconteste que a empresa lucrou em cima da exploração”, diz.

    O integrante do Coletivo Veredas frisa, ainda, o que chamou de  “lado mesquinho da montadora”, quando recorre da decisão de milhões de reais do processo do MPT, enquanto seu faturamento é de cifras significativamente maiores, na casa dos bilhões. 

    Esperteza e sorte

    Um dos trabalhadores que ingressaram com a ação, Isaías* foi recrutado para trabalho escravo contemporâneo com quatro amigos, tão jovens quanto ele. Todos eram adolescentes e conheciam seu aliciado e confiavam nele e, por isso, não duvidaram de nada quando o homem os abordou oferecendo uma oportunidade de fazer dinheiro no Pará. 

    Como o “gato”, os garotos moravam no Mato Grosso e largaram os estudos para levar o plano adiante e completá-lo rapidamente, em um mês. Hoje com 60 anos de idade, Isaías fez até a 8ª série do ensino fundamental. 

    Eles acreditavam ter sido “contratados” para trabalhar um lote apenas, mas não viram retorno financeiro conforme o tempo previsto, tampouco no segundo mês, permanecendo lá por cerca três meses, sob coação, instalados em barracas precárias, sem poder fazer a higiene pessoal nem preparar alimentos adequadamente.

    Já começavam devendo, a começar pelo valor gasto com o deslocamento até a fazenda, conta que aumentava à medida que os dias viravam, com alimentos e outros itens que consumiam. Escaparam inventando um prazo para se apresentar para o alistamento militar obrigatório, mesmo sem ter idade para isso, mentira em que os homens que os vigiavam caíram. 

    Uma tática irônica, de provocar temor nos jagunços com um pretexto envolvendo as Forças Armadas, em plena ditadura. “Eles ficaram, acho, com medo [de serem punidos por atrapalhar sua entrada no serviço militar] e aí nos liberaram.”

    Foram autorizados a deixar a fazenda, mas sem um tostão, razão por que tiveram que pegar caronas do Pará ao Mato Grosso, em caminhões. O esquema de solidariedade garantiu a chegada ao estado de origem, e o trecho restante, até a cidade natal, foi feito com passagens cobertas pela CPT. “Eram muitos pistoleiros. Todos armados. Não tinha ninguém sem arma, não”, conta a vítima, esclarecendo o motivo pelo qual nunca cogitaram fugir.

    “Foi muito difícil. Nossa sorte foi que saímos com vida”, resume. 

    Defesa

    Procurada pela reportagem, a Volkswagen do Brasil afirmou “que seguirá em busca de segurança jurídica no Judiciário Brasileiro”.

    “Com um legado de 72 anos, a empresa defende consistentemente os princípios da dignidade humana e cumpre rigorosamente todas as leis e regulamentos trabalhistas aplicáveis. A Volkswagen reafirma seu compromisso inabalável com a responsabilidade social, que está intrinsecamente ligada à sua conduta como pessoa jurídica e empregadora.”

    Trabalho escravo contemporâneo

    A legislação brasileira atual classifica como trabalho análogo à escravidão toda atividade forçada – quando a pessoa é impedida de deixar seu local de trabalho -, desenvolvida sob condições degradantes ou em jornadas exaustivas.

    Também é passível de denúncia qualquer caso em que o funcionário seja vigiado constantemente, de forma ostensiva, pelo patrão.

    De acordo com a Coordenadoria Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo (Conaete), jornada exaustiva é todo expediente que, por circunstâncias de intensidade, frequência ou desgaste, cause prejuízos à saúde física ou mental do trabalhador, que, vulnerável, tem sua vontade anulada e sua dignidade atingida.

    Já as condições degradantes de trabalho são aquelas em que o desprezo à dignidade da pessoa humana se instaura pela violação de direitos fundamentais do trabalhador, em especial os referentes a higiene, saúde, segurança, moradia, repouso, alimentação ou outros relacionados a direitos da personalidade.

    Outra forma de escravidão contemporânea reconhecida no Brasil é a servidão por dívida, que ocorre quando o funcionário tem seu deslocamento restrito pelo empregador sob alegação de que deve liquidar determinada quantia de dinheiro.

    Como denunciar

    O principal canal para se fazer uma denúncia é o Sistema Ipê. As denúncias podem ser apresentadas de modo anônimo, isto é, sem que o denunciante se identifique, caso prefira.

    *A real identidade do entrevistado foi trocado, a fim de preservá-lo.

    Trabalhadores processam Volkswagen por regime análogo à escravidão

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  • Filho de Rob Reiner deve fazer primeira aparição em tribunal após prisão

    Filho de Rob Reiner deve fazer primeira aparição em tribunal após prisão

    Nick Reiner é acusado formalmente de dois crimes de homicídio qualificado; filho do diretor assassinado está sob observação por risco de suicídio

    SÃO PAULO, SP (UOL/CBS NEWS) – Nick Reiner, filho do diretor Rob Reiner e de Michele Singer Reiner, deve comparecer pela primeira vez a um tribunal de Los Angeles desde que foi preso acusado de matar os próprios pais.

    Reiner é acusado formalmente de dois crimes de homicídio qualificado. As acusações incluem uma alegação especial de que o crime foi cometido com o uso de uma “arma perigosa e mortal”, uma faca, informou o promotor Nathan Hochman em entrevista coletiva.

    Audiência de acusação está marcada para hoje, em Los Angeles. Nick Reiner deve participar da audiência de acusação, onde apresentará sua declaração de culpa ou inocência.

    A audiência estava marcada para ontem, mas foi adiada por uma questão médica. Não está claro se Nick Reiner participará presencialmente da sessão de hoje, mas vários repórteres aguardam sua aparição do lado de fora do tribunal.

    Nick está sob observação por risco de suicídio. Ele está detido sem direito a fiança no complexo penitenciário Twin Towers Correctional Facility, em Los Angeles, nos EUA.

    Se condenado em todas as acusações, Reiner pode pegar prisão perpétua sem condicional ou pena de morte. Os promotores ainda não decidiram se irão pedir a pena de morte no caso.

    Ele contratou Alan Jackson, advogado criminalista conhecido por atuar em casos de grande repercussão. Ex-promotor de Los Angeles, o advogado defendeu Harvey Weinstein em acusações de estupro, o músico Phil Spector e o ator Kevin Spacey. Mais recentemente, defendeu Karen Read, uma mulher que foi acusada de matar o namorado e foi absolvida.

    Jackson não revelou por quem foi contratado, por quem está sendo pago e como chegou ao caso. “Não posso comentar”, disse à imprensa ao chegar ontem no tribunal.

    Filho de Rob Reiner deve fazer primeira aparição em tribunal após prisão

  • Malafaia diz que Flávio Bolsonaro não ganha eleição e não soube articular

    Malafaia diz que Flávio Bolsonaro não ganha eleição e não soube articular

    Pastor diz que senador deveria desistir da corrida presidencial e questiona forma como foi feita indicação; ele diz ainda que, diferentemente de Tarcísio, filho do ex-presidente não circula no centro, o que seria essencial para vitória

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – Para Silas Malafaia, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não tem estofo eleitoral e deveria desistir de concorrer à Presidência em 2026.

    Aliado evangélico mais vocal a favor de Jair Bolsonaro (PL), o pastor diz que a movimentação de Flávio ignora uma equação básica do sistema político brasileiro: a necessidade de alianças que ultrapassem o campo ideológico. E o primogênito de Jair, segundo ele, não é como Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), que tem trânsito com o centro.

    Malafaia defendeu ao portal Metrópoles uma chapa encabeçada pelo governador de São Paulo com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro como vice.

    Em conversa com a reportagem, o líder religioso mirou menos o sobrenome Bolsonaro do que a estratégia adotada no anúncio da candidatura -que teve aval do ex-presidente encarcerado, segundo seu filho.

    “Todo radicalismo, seja de direita ou de esquerda, age por paixão, igual torcedor de time de futebol. Não vê um dedo na frente do nariz. E política não se faz com paixão, se faz com estratégia. Nem a direita nem a esquerda vence a eleição sem o centro”, afirmou Malafaia.

    O pastor cita o governador de São Paulo como exemplo de figura que circula fora da bolha mais radical. “Não adianta atacar Tarcísio, ele é do centro. Não adianta. Bolsonaro só governou porque governou com o centro.”

    Malafaia afirma que Bolsonaro contou com quadros desse campo político, ainda que ministérios estratégicos tenham sido poupados. “Teve ministro do centro. Ciro Nogueira, Fábio Faria.” Ambos do PP.

    Na avaliação de Malafaia, o obstáculo à entrada de Flávio na disputa não é apenas político, mas aritmético. Ele menciona pesquisa Genial/Quaest que aponta 62% de rejeição a uma chapa liderada pelo senador.

    Com esse número, diz, “não ganha a eleição, não adianta porque tem que vir o centro junto”. O pastor trata de separar o diagnóstico eleitoral de qualquer embate pessoal. Diz gostar de Flávio e ter votado nele para senador, gesto que repetiria. Para presidente “não adianta”, contudo.

    “Eu disse para ele: não sou covarde, você não tem musculatura.”

    Malafaia também questiona o processo que levou à candidatura, relatando um ambiente de improviso e fragilidade emocional em torno do ex-presidente. “E a maneira que foi feito, nem o partido dele foi consultado em nada. Isso é um absurdo, Bolsonaro debilitado emocionalmente, [há] poucos dias na cadeia.”

    Ele levanta dúvidas sobre a conversa entre pai e filho que teria resultado na decisão. “Vai lá o filho, o que é que ele falou? O que é que ele falou para Bolsonaro para arrancar isso de Bolsonaro?”

    O anúncio, segundo Malafaia, teria sido feito sem qualquer articulação com o partido ou aliados. “Ele chega aqui, não tem nem tática política para chamar o PL, para chamar os partidos dizendo ‘meu pai falou assim por causa…’ Não! Manda uma mensagem por Instagram, sei lá por quê, por Twitter, por ‘zap’. ‘Ó, meu pai disse que eu sou candidato.’”

    Para o pastor, a articulação mambembe pode beneficiar a esquerda. “Isso não é brincadeira, gente! Estão querendo entregar a eleição para Lula, só isso.”

    Malafaia diz ter autoridade para criticar o movimento, ancorando-se em sua trajetória de defesa do ex-presidente. “Com todo o respeito, eu defendo o Bolsonaro como poucos. Está aí a perseguição de Alexandre de Moraes contra mim, para tentar me calar exatamente pelas defesas e pelos meus posicionamentos a favor de Bolsonaro e contra ele. Então eu tenho moral para falar. Respeitem. Eu não cheguei agora, não sou um franco-atirador, tá?”

    Malafaia diz que Flávio Bolsonaro não ganha eleição e não soube articular

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Política

  • Filipe Luís evita cravar renovação e fala em luto após derrota do Flamengo

    Filipe Luís evita cravar renovação e fala em luto após derrota do Flamengo

    DOHA, QATAR (UOL/FOLHAPRESS) – Alegando “luto” pela derrota do Flamengo na Copa Intercontinental, o técnico Filipe Luís evitou cravar a renovação com o clube -apesar de dizer que quer ficar.

    “Sobre o futuro, estou ainda com o luto do jogo. Não depende só de mim. Espero que nos próximos dias se arrume”, disse o treinador, na coletiva após a derrota nos pênaltis diante do PSG em Doha, no Qatar.

    Uma das variáveis para Filipe Luís é o sonho admitido por ele de voltar a trabalhar na Europa. Mas, ao mesmo tempo, ele reconhece que o Flamengo o deixa feliz.

    “Meu contrato acaba agora aqui. Estamos em conversas para renovar. Todos sabem meu sonho de um dia voltar à Europa. Estou me preparando para isso. Mas neste momento, minha realidade é o Flamengo. Eles dão a vida por mim, pelo meu clube. Sinto que sou eu em campo quando vejo a minha equipe. Vamos ter as conversas com o presidente, com o Boto e vamos ver o que vai acontecer. No momento, não tenho mais a dizer”, acrescentou o treinador.

    Eu amo meu clube, amo estar aqui, espero que possa ficar aqui por muitos anos pela frente. Filipe Luís

    Indagado sobre a análise da temporada na qual venceu quatro títulos -Libertadores, Brasileirão, Supercopa e Carioca-, Filipe Luís deu nota 10.

    PSG entrou na relação nesta quarta-feira, com vitória sobre o Flamengo na final da Copa Intercontinental; último brasileiro a vencer foi o Corinthians, em 2012, batendo o Chelsea da Inglaterra

    Folhapress | 19:12 – 17/12/2025

    O jogo desta quarta-feira (17) tem um valor sentimental. Mas é um jogo. Para mim, a temporada foi impecável. Nota 10.

    A projeção do presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, é resolver a renovação do técnico até o Natal.

    Confira a lista completa de todos os clubes campeões mundiais

    PSG entrou na relação nesta quarta-feira, com vitória sobre o Flamengo na final da Copa Intercontinental; último brasileiro a vencer foi o Corinthians, em 2012, batendo o Chelsea da Inglaterra

    Folhapress | 19:12 – 17/12/2025

    Filipe Luís evita cravar renovação e fala em luto após derrota do Flamengo

  • Mudanças no IR beneficiarão 73,5% dos professores da educação básica

    Mudanças no IR beneficiarão 73,5% dos professores da educação básica

    Metade dos docentes ficará isenta, calculou Ipea; mais de 600 mil professores da educação básica deixarão de pagar o imposto de renda

    A isenção do Imposto de Renda para Pessoa Física (IRPF) para quem ganha menos de R$ 5 mil e a redução do tributo para quem recebe até R$ 7.350, a partir de janeiro de 2026, vai beneficiar três em cada quatro professores da educação básica ─ educação infantil, ensino fundamental e médio, nas redes pública e privada. O cálculo foi divulgado nesta quarta-feira (17) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que compara que, ao longo de um ano, o impacto positivo equivalerá a receber um 14º salário.

    Em termos absolutos, mais de 600 mil professores da educação básica deixarão de pagar o imposto de renda. Pouco mais da metade da categoria ficará isenta da tributação por causa da Lei nº 15.270/2025, proposta pelo governo federal e assinada em novembro pelo presidente Luiz Inácio da Lula.

    As contas fazem parte do estudo: “A proporção de docentes isentos de IRPF aumenta de 19,7% para 51,6% após a reforma, enquanto 21,9% passam a ter redução da carga tributária, beneficiando cerca de 73,5% da categoria”, detalha o Ipea,

    A estimativa do impacto da Lei nº 15.270 foi feita a partir da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), que tem o cadastro de todas as pessoas contratadas com carteira assinada ou que trabalham em regime estatutário, e tem como base microdados de 2022.

    Efeito multiplicador

    Segundo Adriano Souza Senkevics, técnico de planejamento e pesquisa do Ipea, o efeito acontece por causa da correção da tabela do imposto de renda “que estava muito defasada em termos de progressividade fiscal”, que se refere ao aumento da alíquota de tributação conforme renda e patrimônio.

    Senkevics lembra que os professores formam “uma das maiores categorias ocupacionais do Brasil”, espalhados em todos os munícipios, o que causará impacto pulverizado nas economias locais.

    “Existe, digamos, o chamado efeito multiplicador. Quanto mais renda disponível você tem para trabalhadores, mais isso se transforma em consumo e mais arrecadação.”

    O especialista acrescenta que, apesar de haver o Piso Nacional do Magistério (R$ 4.867,77 para jornada de 40 horas semanais atualmente), os valores dos salários variam de município para município e de estado para estado, conforme o plano de carreira de cada secretaria de educação.

    “A gente vai ter estados em que vai aumentar de 20% para 60% o percentual de professores isentos”, prevê Senkevics, para os casos de Minas Gerais, Tocantins, Roraima.

    Mesmo no Distrito Federal, onde os professores têm os melhores salários, a proporção de isentos do imposto de renda vai mais que dobrar, de 10 para 25%.

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  • Gisele Frade fala de situação financeira precária e pede dinheiro para comprar computador

    Gisele Frade fala de situação financeira precária e pede dinheiro para comprar computador

    Atriz que fez Drica em ‘Malhação’ hoje trabalha como DJ; ela já conseguiu arrecadar mais de R$ 1.600 com vaquinha online

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – A atriz Gisele Frade, 40, que no início dos anos 2000 interpretou a personagem Drica em “Malhação”, usou as redes sociais para falar sobre sua situação financeira precária.

    Segundo ela, que atualmente trabalha mais como DJ, seu computador sofreu uma pane irreversível e pifou, e ela diz não ter condições de comprar um novo, no valor de pouco mais de R$ 5.300.

    Assim, pediu ajuda e criou uma vaquinha online para angariar o valor do eletrônico e poder voltar a trabalhar com música. Até a publicação deste texto, a atriz conhecida como DJ Frade já havia conseguido R$ 1.600.

    “É nele [computador] que eu rodo placa de áudio, onde monto meus sets e faço a performance nos toca-discos. Sem ele, eu simplesmente não consigo trabalhar. E como artista independente, preciso dele para criar e existir criativamente. Se você já curtiu um set meu, já dançou comigo ou simplesmente acredita no meu trabalho, qualquer valor ajuda”, diz ela em vídeo em seu perfil com 123 mil seguidores.

    Já no perfil oficial dela como DJ, com mais de 6.000 seguidores, ela mostra sua rotina criativa com produções de sets que envolvem ritmos como soul, funk, trap, samba e música eletrônica.

    Gisele Frade fala de situação financeira precária e pede dinheiro para comprar computador