Categoria: ECONOMIA

  • 'Tarifas' é a minha palavra favorita, diz Trump

    'Tarifas' é a minha palavra favorita, diz Trump

    Em discurso na Casa Branca, presidente dos Estados Unidos voltou a defender a imposição de tarifas comerciais, afirmou que a medida impulsiona a produção interna e criticou seguradoras de saúde, além de prometer redução nos preços de medicamentos.

    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a defender nesta quarta-feira, 17, o uso de tarifas, que classificou como sua “palavra favorita”. Segundo ele, a medida tem sido central para reverter décadas de exploração de outros países sobre a economia americana.

    Trump afirmou que as tarifas comerciais incentivaram empresas a retomar a produção em território dos Estados Unidos, já que, ao fabricar no país, não estariam sujeitas às taxas. “As empresas sabem que, se construírem na América, não pagam tarifas, e é por isso que estão voltando”, disse em discurso transmitido pela Casa Branca, no qual fez um balanço do primeiro ano de seu segundo mandato.

    Durante a fala, o presidente também voltou a criticar as seguradoras de saúde e defendeu que os recursos sejam direcionados “diretamente às pessoas” para a compra de planos. Segundo ele, a medida ampliaria o acesso e ajudaria a reduzir os custos.

    Trump afirmou ainda que negociou diretamente com empresas farmacêuticas e governos estrangeiros para reduzir os preços de medicamentos. De acordo com o presidente, os cortes chegaram a até 61% em alguns casos. “Pela primeira vez, os preços dos medicamentos vão cair, e cair muito”, afirmou, sem detalhar quais produtos seriam afetados ou a abrangência das medidas.
     
     

     

    'Tarifas' é a minha palavra favorita, diz Trump

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  • Acordo UE-Mercosul depende de duas reunião em Bruxelas até sexta

    Acordo UE-Mercosul depende de duas reunião em Bruxelas até sexta

    Encontro de chefes de Estados deve influenciar debate de ministros, que pode se estender até sexta (19); cerca de 10 mil ruralistas ameaçam invadir capital belga em protesto contra tratado negociado há 26 anos

    BERLIM, ALEMANHA (FOLHAPRESS) – Duas reuniões em dois Conselhos que se estendam talvez por dois dias. Esse é o cenário que promete definir o futuro do acordo União Europeia-Mercosul a partir desta quinta-feira (18), em Bruxelas. Para completar, cerca de 10 mil ruralistas ameaçam ocupar as ruas de Bruxelas para protestar contra o tratado que começou a ser negociado em 1999.

    Grupo liderado pela França e que ganhou apoio decisivo da Itália nos últimos dias quer adiar a aprovação. Alemanha, Espanha e países nórdicos defendem a aprovação imediata e sugerem que a procrastinação terá consequências.

    Uma delas foi verbalizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na quarta (17). Se o acordo não for aprovado para finalmente ser assinado no sábado (20), no Brasil, não será mais concluído em seu mandato.

    Conheça detalhes da disputa e os ritos de deliberação que podem viabilizar ou não o acordo capaz de reunir 722 milhões de consumidores, em uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, e fazer o PIB brasileiro crescer 0,48% anualmente até 2040, segundo projeção do Ipea.

    DOIS CONSELHOS

    O futuro do acordo UE-Mercosul depende de duas reuniões que ocorrem concomitante em Bruxelas nesta quinta (18) e na sexta (19). Uma é a do Conselho Europeu, que reúne chefes de Estados e delibera sobre assuntos de fundo da política europeia.

    A outra é a do Conselho da União Europeia, que ocorre em vários formatos, mas sempre com representantes específicos ao assunto abordado, em geral ministros. Esse comitê é responsável, entre outras coisas, por aprovar legislações e tratados internacionais, caso do acordo UE-Mercosul.

    O tratado está na pauta de sexta do Conselho da UE, mas é improvável que não seja discutido também hoje, dada a urgência do assunto e o debate em tons elevados que o tema gerou nesta semana na Europa.

    O acordo não consta da pauta do Conselho Europeu, mas também é improvável que não vire assunto durante o encontro entre os mandatários dos 27 países-membros. A intransigência de Emmanuel Macron, principal oponente do acordo, e a adesão de Giorgia Meloni à dissidência criada pelo presidente francês certamente serão abordadas pelos defensores do pacto, Alemanha à frente.

    DUAS PAUTAS

    O assunto mais importante do dia em Bruxelas não é o acordo UE-Mercosul. A principal querela é como viabilizar o chamado empréstimo de reparação à Ucrânia. A Comissão Europeia, o braço executivo do bloco, defende que ativos russos congelados no sistema bancário europeu sejam usados como lastro do empréstimo a Kiev.

    Este, por sua vez, só seria quitado pela Ucrânia se a Rússia no futuro pagasse indenização pelos estragos da guerra. A manobra heterodoxa, que envolveria mais de € 200 bilhões, apavora representantes do sistema bancário, agências de risco e, é claro, o Kremlin. O presidente russo, Vladimir Putin, chamou os europeus de “porcos” nesta semana.

    O tema, divisivo como o acordo de livre comércio, também tem a primeira-ministra italiana como potencial fiel da balança. Seu posicionamento pode ser decisivo para demover a Bélgica, principal oponente da estratégia -os recursos estão congelados em Bruxelas, e o país teme ser responsabilizado pelo valor se eventualmente a guerra acabar.

    O quanto a discussão influencia o debate sobre o Mercosul é uma incógnita. Seria ingênuo imaginar, no entanto, que as conversas, em maior ou menor grau, não irão se misturar em algum momento.

    DOIS DESFECHOS

    Para ser aprovado no Conselho da UE, que é a reunião de ministros, o acordo precisa de uma maioria qualificada: votos de 14 dos 27 países-membros que correspondam ao menos a 65% da população do bloco. A França articula o caminho contrário, que é formar uma minoria de bloqueio: aos menos 4 países, que correspondam a 35% da população.

    Com o apoio da Itália e os votos certos de Polônia e Hungria, que são contra o acordo, o governo francês teria capacidade de frear o debate. A Dinamarca, que exerce a presidência rotativa da UE neste semestre, tiraria o assunto de pauta, acatando o adiamento pedido por Paris.

    Se Meloni mudar de ideia, aí a votação tem destino certo. A aprovação, no entanto, abriria um precedente político importante no bloco: nunca um tratado desse porte foi aprovado sem a anuência de algum dos Estados fundadores da UE. Isso provavelmente tomaria conta da discussão no Conselho Europeu, do outro lado do prédio, em um momento já muito complexo da política do continente.

    DOIS DIAS

    O acordo não precisa ser aprovado agora, mas um adiamento poderia ser entendido como um fiasco, prova da incapacidade de ação do bloco europeu. O prognóstico foi feito na quarta pelo premiê alemão, Friedrich Merz, em discurso no Bundestag. Alemanha, Espanha e países nórdicos são os principais defensores do tratado, que veem como saída de mercado para a competição chinesa e resposta ao tarifaço de Donald Trump.

    Sendo aprovado, a ideia é que Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, chegue ao Brasil no sábado (20) para a cerimônia de assinatura, como planejado e já divulgado pelo governo Lula.

    Dado curioso, isso estabelece um prazo para que o debate em Bruxelas seja concluído. Von der Leyen só usa voos de carreira, o que em tese a obriga a embarcar na noite de sexta (19) no horário europeu.

    Acordo UE-Mercosul depende de duas reunião em Bruxelas até sexta

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  • Mauro Vieira diz que UE e Mercosul têm última chance para acordo

    Mauro Vieira diz que UE e Mercosul têm última chance para acordo

    Vieira disse que a União Europeia e Mercosul têm última chance para acordo, caso contrário, ‘não haverá mais o que negociar’, alertou

    O Ministro das Relações Exteriores (MRE), Mauro Vieira, disse que acredita na possibilidade de Mercosul e União Europeia (UE) assinarem um acordo de livre comércio neste sábado (20), durante a reunião de cúpula do Mercosul em Foz do Iguaçu (PR).

    Ele, no entanto, reiterou a posição brasileira de que esta será a última chance para se chegar a um acordo entre os blocos e que, caso isso não ocorra, não haverá mais o que negociar.

    “Se não for concluído agora, não há mais o que se negociar em termos substantivos. E nós vamos dirigir nossa atenção e energias para outros parceiros importantes que estão na fila”, afirmou Vieira nesta quinta-feira (18) durante o programa Bom Dia, Ministro, produzido pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC).O ministro, no entanto, disse estar otimista, uma vez que há uma maioria de países favoráveis ao acordo. “Acho que a União Europeia também tem presente a importância de fazer este acordo neste momento, sobretudo quando estamos vivendo um desequilíbrio nas relações externas de todos os países”, acrescentou ao avaliar que o acordo representa “uma espécie de rede de proteção”, tanto aos países da União Europeia como do Mercosul.

    A fala de Mauro Vieira vai ao encontro da declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ontem (17), durante a última reunião ministerial de 2025. Na ocasião, Lula disse que esta é a última chance de acordo, pelo menos durante o seu mandato. 

    “Se não fizer agora, o Brasil não fará mais enquanto eu for presidente”, disse Lula. “Se disserem não, vamos ser duros daqui pra frente. Nós cedemos a tudo que era possível”, acrescentou.

    Novos mercados

    Segundo o chanceler, o Brasil tem conseguido expandir significativamente sua presença na direção de novos mercados externos. A expectativa é de que essas novas frentes aumentem as exportações brasileiras em cerca de US$ 33 bilhões no prazo de cinco anos.

    Só para a agropecuária brasileira, foram abertos 500 novos mercados, graças à atuação do presidente Lula nas viagens que fez ao exterior.

    “O presidente Lula é o maior divulgador do Brasil e isso é desde o seu primeiro mandato. Neste terceiro mandato, teve um número inacreditável. Foram mais de 60 encontros diretos, presenciais, com chefes de Estado estrangeiros”, acrescentou.

    Mauro Vieira diz que UE e Mercosul têm última chance para acordo

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  • BC revisa projeção de crescimento do PIB de 2025 de 2,0% para 2,3%

    BC revisa projeção de crescimento do PIB de 2025 de 2,0% para 2,3%

    Para 2026, o Banco Central elevou a projeção de crescimento do PIB de 1,5% para 1,6%. A estimativa, no entanto, permanece abaixo da mediana do relatório Focus, de 1,80%

    O Banco Central aumentou a projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto brasileiro em 2025, de 2,0% para 2,3%. Os dados constam do Relatório de Política Monetária do quarto trimestre, publicado nesta quinta-feira, 18. A estimativa está praticamente em linha com a mediana do último relatório Focus, que aponta expansão de 2,25%.

    A nova projeção para 2025 incorpora mudanças nas estimativas para o PIB agropecuário, de 9,0% para 11,0%, industrial, de 1,0% para 1,6%, e de serviços, de 1,8% para 1,7%. Pelo lado da demanda, o Banco Central ajustou as previsões para o consumo das famílias, de 1,8% para 1,5%, e do governo, de 0,5% para 2,0%, além da Formação Bruta de Capital Fixo, de 3,3% para 3,8%, das importações, de 4,5% para 5,0%, e das exportações, de 3,0% para 4,0%.

    Segundo o Banco Central, a revisão da projeção de crescimento do PIB em 2025 reflete uma surpresa ligeiramente positiva no terceiro trimestre, a reavaliação do desempenho esperado para o quarto trimestre e a revisão das séries históricas, considerada especialmente relevante para a atualização da estimativa do setor agropecuário. “Para a indústria e o setor de serviços, o impacto agregado das revisões das séries foi pequeno, embora significativo em alguns segmentos específicos. Pela ótica da demanda, a revisão afetou principalmente a estimativa para o consumo do governo”, explicou a autoridade monetária no documento.

    Para 2026, o Banco Central elevou a projeção de crescimento do PIB de 1,5% para 1,6%. A estimativa, no entanto, permanece abaixo da mediana do relatório Focus, de 1,80%.

    No período, a autarquia ajustou as estimativas para o PIB agropecuário, de 1,0% para 0,5%, da indústria, de 1,4% para 1,9%, e de serviços, de 1,5% para 1,6%. Pelo lado da demanda, foram revisadas as projeções para o consumo das famílias, de 1,4% para 1,5%, consumo do governo, de 1,0% para 1,5%, Formação Bruta de Capital Fixo, de 0,3% para 1,0%, enquanto as importações foram mantidas em 1,0% e as exportações passaram de 2,5% para 2,0%.

    Na avaliação do Banco Central, permanece a perspectiva de crescimento moderado ao longo de 2026. Entre os fatores que influenciam esse cenário estão a expectativa de manutenção da política monetária em campo restritivo, o baixo nível de ociosidade dos fatores de produção, a perspectiva de desaceleração da economia global e a ausência do impulso agropecuário observado em 2025. “A dinâmica projetada também incorpora os efeitos de medidas recentes com impacto potencial sobre a demanda, como a isenção ou desconto no Imposto de Renda da Pessoa Física para as faixas iniciais de renda”, detalhou o BC.
     
     

     

    BC revisa projeção de crescimento do PIB de 2025 de 2,0% para 2,3%

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  • Agricultores bloqueiam ruas em Bruxelas em protesto contra acordo UE-Mercosul

    Agricultores bloqueiam ruas em Bruxelas em protesto contra acordo UE-Mercosul

    Produtores europeus afirmam que o tratado prejudica setores agrícolas do bloco econômico, principalmente os de carne bovina, aves, açúcar e soja

    Agricultores bloquearam ruas e lançaram ovos e fogos de artifício em Bruxelas, na Bélgica, nesta quarta-feira, 17, do lado de fora da cúpula de líderes da União Europeia (UE). A polícia respondeu com gás lacrimogêneo e canhões de água, enquanto os manifestantes se reuniam contra o grande acordo de livre comércio com as nações sul-americanas.

    O temor da categoria é que o acordo prejudique sua subsistência, além de preocupações políticas de que a medida possa impulsionar o apoio à extrema-direita. Milhares de agricultores se dirigiram para a Place Luxembourg, próxima ao Parlamento Europeu e ao local onde os líderes dos 27 países da UE discutem a alteração do pacto comercial ou o adiamento de sua assinatura.

    Cresce a resistência europeia

    A Itália sinalizou ressalvas nesta quarta, juntando-se à oposição liderada pela França contra o acordo com o Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia). A primeira-ministra italiana Giorgia Meloni declarou ao Parlamento que assinar o acordo nos próximos dias “seria prematuro”, exigindo garantias recíprocas para o setor agrícola.

    O presidente francês Emmanuel Macron manteve sua postura contrária ao chegar para a cúpula, afirmando que o acordo “não pode ser assinado” na forma atual e pedindo mais discussões em janeiro. Macron citou a necessidade de salvaguardas para evitar disrupções econômicas e exigiu restrições ambientais mais rígidas dos países do Mercosul.

    A oposição da Itália daria à França votos suficientes para vetar a assinatura da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que defende o tratado.

    O fator estratégico

    Apesar das resistências, defensores argumentam que o acordo – em negociação há 25 anos – criaria um mercado de 780 milhões de pessoas e serviria como um contrapeso estratégico às políticas de exportação da China e às tarifas dos EUA.

    O chanceler alemão Friedrich Merz alertou que o status global da UE seria prejudicado por um adiamento ou cancelamento. “Se a União Europeia quiser permanecer credível na política comercial global, as decisões devem ser tomadas agora”, afirmou Merz.

    Pressão na América do Sul

    A tensão política não alterou a disposição dos líderes sul-americanos. O presidente Lula, que busca fechar o acordo no próximo sábado (20) como uma conquista diplomática, demonstrou irritação com as posições da França e da Itália durante uma reunião ministerial.

    “Se não fizermos agora, o Brasil não fará mais acordos enquanto eu for presidente”, disse Lula, acrescentando que o acordo defenderia o multilateralismo frente ao unilateralismo. O presidente argentino Javier Milei também apoia o tratado, vendo o Mercosul como uma “lança” para penetrar mercados globais, e não apenas um escudo.

    Apesar da probabilidade de adiamento, Ursula von der Leyen e o presidente do Conselho Europeu António Costa ainda mantêm a agenda de viagem ao Brasil para sábado.

    Fonte: Associated Press*

    Conteúdo traduzido com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação do Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

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  • PF mira senador Weverton Rocha em nova operação contra fraudes no INSS

    PF mira senador Weverton Rocha em nova operação contra fraudes no INSS

    A Polícia Federal realizou operação contra o senador Weverton Rocha na investigação de fraudes previdenciárias. Foram cumpridos 16 mandados de prisão e 52 de busca em sete estados, autorizados pelo STF.

    (FOLHAPRESS) – A Polícia Federal faz buscas contra o senador Weverton Rocha (PDT-MA) nesta quinta-feira (18) em uma nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga fraudes em descontos sobre aposentadorias e pensões de beneficiários do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

    Os investigadores cumprem 16 mandados de prisão preventiva e 52 de busca e apreensão. A ação foi autorizada pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

    Ação ocorre em Brasília, São Paulo, Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Minas Gerais e Maranhão. Segundo a PF, o objetivo é aprofundar as investigações e esclarecer a prática de crimes de inserção de dados falsos em sistemas oficiais, estelionato previdenciário, organização criminosa e ocultação de patrimônio.

    PF mira senador Weverton Rocha em nova operação contra fraudes no INSS

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  • Macron diz que acordo UE-Mercosul não pode ser assinado e exige 'freio de emergência' no pacto

    Macron diz que acordo UE-Mercosul não pode ser assinado e exige 'freio de emergência' no pacto

    A declaração foi feita a jornalistas ao chegar ao Conselho Europeu, nesta quinta-feira. O líder francês, que já havia manifestado oposição ao acordo, disse querer adiar a eventual assinatura do documento entre as partes

    O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou que o acordo entre a União Europeia e o Mercosul não pode ser assinado e defendeu a adoção de um “freio de emergência” para o pacto. A declaração foi feita a jornalistas ao chegar ao Conselho Europeu, nesta quinta-feira. O líder francês, que já havia manifestado oposição ao acordo, disse querer adiar a eventual assinatura do documento entre as partes.

    “A Comissão Europeia fez uma proposta, o Parlamento a melhorou e aprimorou as medidas de salvaguarda do Mercosul, mas buscamos cláusulas de reciprocidade e de espelhamento no acordo comercial com o Mercosul e não estamos prontos para seguir com o acordo”, afirmou Macron.

    Na ocasião, o presidente francês declarou que a discussão sobre o avanço do pacto é uma questão de “coerência” da Europa, que, segundo ele, deve proteger sua agricultura e seus agricultores. “Não podemos aceitar sacrificar a nossa coerência, a nossa agricultura, a nossa alimentação e a segurança alimentar dos nossos compatriotas por um acordo que ainda não foi finalizado. Desde o início, fomos claros”, ressaltou, ao acrescentar que diversos setores que já enfrentam dificuldades seriam “sacrificados” com o acordo com o Mercosul.

    Macron defendeu ainda que é “extremamente importante” que o Conselho Europeu demonstre que o bloco é capaz de proteger seu território, seus cidadãos, sua segurança, sua economia e sua agricultura.

    O presidente francês também comentou a guerra entre Rússia e Ucrânia e afirmou que “a principal questão” é conter a ação de Moscou. Em segundo plano, segundo ele, os europeus buscam garantir apoio financeiro e reforçar a capacidade de resistência da Ucrânia. “Na cúpula, chegaremos a uma posição conjunta sobre como financiar o esforço de guerra na Ucrânia”, declarou.
     
     

     

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  • Entenda em 10 pontos o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia

    Entenda em 10 pontos o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia

    Tratado negociado há mais de duas décadas prevê a criação de um mercado com mais de 700 milhões de consumidores, redução gradual de tarifas, salvaguardas ambientais e agrícolas, além de impactos distintos para setores da economia brasileira e europeia.

    (FOLHAPRESS) – Às vésperas da data que pode selar o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, a conclusão do tratado passou a enfrentar uma oposição de peso. A primeira ministra da Itália, Giorgia Meloni, indicou que deve se juntar ao grupo de países insatisfeitos com o pacto, liderado pela França.

    Esse posicionamento pode adiar a assinatura do documento, que é fruto de negociações iniciadas há mais de duas décadas e que prevê a criação de um mercado de aproximadamente 720 milhões de pessoas.

    O tema foi discutido nesta quarta-feira no chamado triálogo, que reúne representantes do Parlamento, do Conselho e da Comissão Europeia. Foi elaborado um texto final que incorpora o acordo desenhado pela Comissão, acrescido das salvaguardas aprovadas pelo Parlamento. A versão retificada deve ser submetida a votação nesta quinta-feira, 18, no Conselho.

    Atualmente, a União Europeia é o segundo maior parceiro comercial do Mercosul, atrás apenas da China e à frente dos Estados Unidos. Em 2023, o bloco europeu respondeu por 16,9% do comércio total do Mercosul.

    O que é um tratado de livre comércio

    Um tratado de livre comércio é um acordo entre países ou blocos que tem como objetivo reduzir ou eliminar tarifas e remover outras barreiras à importação e à exportação de bens e serviços.

    Quando começaram as negociações entre Mercosul e União Europeia

    As negociações tiveram início em 1999, durante a Cúpula Mercosul União Europeia realizada no Rio de Janeiro. Na ocasião, foi anunciado o objetivo de iniciar as tratativas do acordo. As negociações foram concluídas inicialmente em 2019, mas o texto foi reaberto e só aprovado em dezembro de 2024.

    Desde então, o Parlamento Europeu aprovou regras mais rígidas para o monitoramento de preços dos produtos comercializados dentro do bloco, com previsão de investigações e sanções em caso de prejuízo a produtores agrícolas. Mesmo assim, essas medidas não foram suficientes para dissipar os temores de países europeus em relação a possíveis impactos das importações do Mercosul.

    O que o acordo prevê

    Para o Mercosul, o tratado prevê a eliminação de tarifas que pode ocorrer de forma imediata ou gradual, conforme o setor, em prazos que variam de 4 a 15 anos, com exceções no setor automotivo. Essas medidas abrangem cerca de 91% dos bens importados pelo Brasil da União Europeia.

    No caso da União Europeia, a liberação tarifária também poderá ser imediata ou gradual, em prazos entre 4 e 12 anos, abrangendo aproximadamente 95% dos produtos brasileiros exportados ao bloco.

    Há ainda produtos sujeitos a cotas, principalmente do setor agroindustrial, que representam cerca de 3% das exportações brasileiras para a União Europeia.

    O acordo também trata de temas como serviços, investimentos, compras governamentais, medidas sanitárias e propriedade intelectual.

    Quais serão os próximos passos se o acordo for assinado

    Para facilitar a aprovação, o acordo comercial foi separado do acordo político. Como o comércio exterior é competência da União Europeia, não será necessária a ratificação individual por cada Estado membro, bastando a aprovação pelo Parlamento Europeu. No Mercosul, será exigida a aprovação dos países integrantes. No Brasil, o processo envolve os Poderes Executivo e Legislativo.

    Há ainda a possibilidade de judicialização no âmbito europeu. Um grupo de parlamentares contrários ao tratado pretende levar o documento à Corte de Justiça da União Europeia, a mais alta instância jurídica do bloco. A resolução está retida na presidência do Parlamento Europeu, sob responsabilidade de Roberta Metsola, que afirma que o tema será levado a plenário no momento adequado.

    Outra possibilidade de questionamento judicial pode surgir durante a análise do acordo nos Parlamentos nacionais. Qualquer rejeição pode servir de argumento para contestar a legalidade do tratado como um todo, o que poderia comprometer sua parte comercial e prolongar o processo por anos.

    Quais são as salvaguardas previstas

    Em 16 de dezembro, o Parlamento Europeu aprovou salvaguardas mais rigorosas para tentar reduzir a oposição da França, principal crítica ao tratado. Ainda assim, as medidas foram consideradas insuficientes por alguns países.

    Pelas regras, a Comissão Europeia poderá abrir investigações em caso de flutuações excessivas nos preços de produtos sensíveis e aplicar sanções caso mercadorias do Mercosul não cumpram os padrões sanitários e ambientais exigidos pelo bloco.

    O mecanismo de investigação será acionado se o preço de um produto importado do Mercosul apresentar variação superior a 5% em relação à média dos últimos três anos ou se o volume da cota isenta variar acima desse mesmo percentual.

    Os produtos que mais preocupam os legisladores europeus são a carne bovina, a carne de aves e o açúcar. O receio é de um aumento expressivo das importações sul americanas em caso de dificuldades na cadeia agrícola europeia, o que levou Bruxelas a prometer um monitoramento quase em tempo real dos mercados.

    Quem ganha e quem perde com o acordo

    O tratado criaria um mercado comum de cerca de 722 milhões de pessoas, com economias que somam aproximadamente 22 trilhões de dólares, segundo o governo brasileiro.

    Um estudo do Ipea aponta que o acordo pode gerar um crescimento de 0,46% no Produto Interno Bruto brasileiro até 2040. Em termos comparativos, o Brasil teria ganhos superiores aos da União Europeia, com aumento estimado de 0,06%, e aos dos demais países do Mercosul, com alta de 0,20%.

    Para o Mercosul, uma das principais vantagens é a eliminação das tarifas de importação de 77% dos produtos agropecuários exportados para a União Europeia, beneficiando especialmente carnes suína e de frango, pecuária bovina, frutas e vegetais.

    Por outro lado, setores da indústria brasileira, como equipamentos elétricos, máquinas, produtos farmacêuticos, têxteis e metalurgia, podem sofrer impactos negativos, segundo o Ipea.

    A União Europeia, por sua vez, teria acesso ampliado ao mercado do Mercosul, hoje bastante protegido, aumentando a demanda por seus produtos.

    Um argumento adicional a favor do acordo é a possibilidade de compensar perdas comerciais causadas pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos durante o governo Donald Trump.

    Como funciona o acordo automotivo

    O setor automotivo terá um período mais longo de eliminação tarifária, com o objetivo de reduzir o impacto da entrada de veículos europeus no Mercosul. Para carros a combustão, o prazo é de 15 anos. Para veículos eletrificados, o período foi ampliado para 18 anos. Já os veículos movidos a hidrogênio terão prazo de 25 anos, com seis anos de carência.

    O acordo inclui ainda uma salvaguarda que poderá ser acionada caso o aumento das importações cause prejuízos à indústria nacional. Nesse cenário, o Brasil poderá suspender o cronograma e restabelecer a tarifa de 35% por até três anos, com possibilidade de prorrogação por mais dois.

    O que o acordo prevê para o agronegócio

    As tarifas de importação de 77% dos produtos agropecuários adquiridos pela União Europeia junto ao Mercosul serão eliminadas de forma gradual.

    Isso permitirá a ampliação das exportações de produtos como café, frutas, peixes, crustáceos e óleos vegetais, cujas taxas de importação serão progressivamente reduzidas até zerar.

    Combate às mudanças climáticas

    O acordo estabelece que o Acordo de Paris é um elemento essencial da relação entre União Europeia e Mercosul. Caso uma das partes viole gravemente ou abandone o tratado climático, o acordo comercial poderá ser suspenso.

    A União Europeia também prevê a criação de um fundo de 1,8 bilhão de euros para apoiar ações voltadas à transição verde e digital nos países do Mercosul, no âmbito do programa Global Gateway. O objetivo é fortalecer indústrias locais e preparar os países para os desafios futuros.

    Por que o acordo de 2019 foi renegociado

    As negociações foram concluídas inicialmente em 2019, durante o governo Jair Bolsonaro. Na época, houve forte resistência na Europa devido às posições do então presidente brasileiro sobre questões ambientais.

    Com isso, o acordo ficou paralisado por anos e não foi encaminhado para análise do Parlamento Europeu nem dos Legislativos do Mercosul.

    Com a chegada do presidente Lula ao governo, parte das resistências ambientais foi superada. Ainda assim, Mercosul e União Europeia reabriram as negociações para ajustar pontos relacionados às exigências ambientais e à política de compras governamentais.

    Entenda em 10 pontos o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia

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  • Trabalhadores processam Volkswagen por regime análogo à escravidão

    Trabalhadores processam Volkswagen por regime análogo à escravidão

    Ministério diz que fazenda recebeu incentivos fiscais da ditadura; caso chegou a parlamentares e às autoridades competentes pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), que documentou as violações e até hoje acompanha o andamento dos processos judiciais

    Quatro trabalhadores escravizados durante a ditadura civil-militar, nas décadas de 1970 e 1980, em uma propriedade da Volkswagen do Brasil, no Pará, acionaram a Justiça para reivindicar reparação pela condição desumana a que foram submetidos. Cada um pede R$ 1 milhão por danos morais e R$ 1 milhão por danos existenciais, valores definidos com base no porte econômico da marca, pelo tamanho dos prejuízos causados às vítimas e pelo que representam socialmente. 

    Os processos sucedem uma ação civil pública, isto é, coletiva, em que o Ministério Público do Trabalho (MPT) pede R$ 165 milhões por danos morais coletivos, retratação pública e a ativação de ferramentas como um protocolo aplicável a incidentes semelhantes, um canal de denúncias e a realização de ações de fiscalização. Nessa ação pública, a companhia foi condenada em agosto deste ano, mas entrou com recurso.

    O local onde foram submetidos ao regime de trabalho análogo à escravidão foi a Fazenda Vale do Rio Cristalino, em Santana do Araguaia (PA), pertencente à Companhia Vale do Rio Cristalino Agropecuária Comércio e Indústria (CVRC), uma subsidiária da Volkswagen. Conforme destaca o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, “a propriedade em questão, com cerca de 140 mil hectares – quase o tamanho da cidade de São Paulo –, recebeu incentivos fiscais e recursos públicos para a criação de gado à época – tornando-se um dos maiores polos do setor –, acentuando a responsabilidade institucional da empresa.” 

    A pasta enviou representantes ao município paraense de Redenção, em meados de maio deste ano, para participar de uma mobilização organizada por movimentos sociais, sindicatos, universidades e parlamentares.

    O caso chegou a parlamentares e às autoridades competentes pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), que documentou as violações e até hoje acompanha o andamento dos processos judiciais. Como ocorre geralmente, os trabalhadores foram atraídos pela companhia por intermediários, chamados popularmente de “gatos”, que fazem a ponte entre quem escraviza e as vítimas escravizadas, com promessas de trabalho digno. 

    De acordo com a CPT e o Coletivo Veredas, de advocacia popular e defesa dos direitos humanos, a proposta apresentada aos trabalhadores aliciados foi a de receber uma boa remuneração para derrubarem árvores de vegetação nativa, formação de pastagens e serviços de construção civil. A Fazenda Volkswagen, como ficou conhecida, funcionou de 1974 a 1986.

    O advogado José Vargas, do Veredas, assinala que a subjugação protagonizada pela fabricante de automóveis revela “a face empresarial da ditadura” e que a montadora, no processo aberto pelo MPT, buscou convencer a Justiça de que o cerceamento imposto por ela aos trabalhadores era prática corrente naquele período e, portanto, não foi errado nem ilegal. 

    Houve uma tentativa de naturalizar a servidão por dívida”, ressaltou, em entrevista à Agência Brasil.

    “O advogado defende que é um caso que vai além da divida trabalhista, se tratando de uma “dívida histórica.”

    Além de ter “explorado a mão de obra a qualquer custo e ampliado a desigualdade, em vez de reduzi-la”, a Volkswagen, acrescenta Vargas, fermentou na comunidade das vítimas a antipatia dos demais por elas, já que o governo golpista e aliados adotavam a vertente desenvolvimentista e as vítimas passaram a ser vistas como pedras no caminho de quem queria prosperar com a montadora, por denunciar a violação de seus direitos. “É inconteste que a empresa lucrou em cima da exploração”, diz.

    O integrante do Coletivo Veredas frisa, ainda, o que chamou de  “lado mesquinho da montadora”, quando recorre da decisão de milhões de reais do processo do MPT, enquanto seu faturamento é de cifras significativamente maiores, na casa dos bilhões. 

    Esperteza e sorte

    Um dos trabalhadores que ingressaram com a ação, Isaías* foi recrutado para trabalho escravo contemporâneo com quatro amigos, tão jovens quanto ele. Todos eram adolescentes e conheciam seu aliciado e confiavam nele e, por isso, não duvidaram de nada quando o homem os abordou oferecendo uma oportunidade de fazer dinheiro no Pará. 

    Como o “gato”, os garotos moravam no Mato Grosso e largaram os estudos para levar o plano adiante e completá-lo rapidamente, em um mês. Hoje com 60 anos de idade, Isaías fez até a 8ª série do ensino fundamental. 

    Eles acreditavam ter sido “contratados” para trabalhar um lote apenas, mas não viram retorno financeiro conforme o tempo previsto, tampouco no segundo mês, permanecendo lá por cerca três meses, sob coação, instalados em barracas precárias, sem poder fazer a higiene pessoal nem preparar alimentos adequadamente.

    Já começavam devendo, a começar pelo valor gasto com o deslocamento até a fazenda, conta que aumentava à medida que os dias viravam, com alimentos e outros itens que consumiam. Escaparam inventando um prazo para se apresentar para o alistamento militar obrigatório, mesmo sem ter idade para isso, mentira em que os homens que os vigiavam caíram. 

    Uma tática irônica, de provocar temor nos jagunços com um pretexto envolvendo as Forças Armadas, em plena ditadura. “Eles ficaram, acho, com medo [de serem punidos por atrapalhar sua entrada no serviço militar] e aí nos liberaram.”

    Foram autorizados a deixar a fazenda, mas sem um tostão, razão por que tiveram que pegar caronas do Pará ao Mato Grosso, em caminhões. O esquema de solidariedade garantiu a chegada ao estado de origem, e o trecho restante, até a cidade natal, foi feito com passagens cobertas pela CPT. “Eram muitos pistoleiros. Todos armados. Não tinha ninguém sem arma, não”, conta a vítima, esclarecendo o motivo pelo qual nunca cogitaram fugir.

    “Foi muito difícil. Nossa sorte foi que saímos com vida”, resume. 

    Defesa

    Procurada pela reportagem, a Volkswagen do Brasil afirmou “que seguirá em busca de segurança jurídica no Judiciário Brasileiro”.

    “Com um legado de 72 anos, a empresa defende consistentemente os princípios da dignidade humana e cumpre rigorosamente todas as leis e regulamentos trabalhistas aplicáveis. A Volkswagen reafirma seu compromisso inabalável com a responsabilidade social, que está intrinsecamente ligada à sua conduta como pessoa jurídica e empregadora.”

    Trabalho escravo contemporâneo

    A legislação brasileira atual classifica como trabalho análogo à escravidão toda atividade forçada – quando a pessoa é impedida de deixar seu local de trabalho -, desenvolvida sob condições degradantes ou em jornadas exaustivas.

    Também é passível de denúncia qualquer caso em que o funcionário seja vigiado constantemente, de forma ostensiva, pelo patrão.

    De acordo com a Coordenadoria Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo (Conaete), jornada exaustiva é todo expediente que, por circunstâncias de intensidade, frequência ou desgaste, cause prejuízos à saúde física ou mental do trabalhador, que, vulnerável, tem sua vontade anulada e sua dignidade atingida.

    Já as condições degradantes de trabalho são aquelas em que o desprezo à dignidade da pessoa humana se instaura pela violação de direitos fundamentais do trabalhador, em especial os referentes a higiene, saúde, segurança, moradia, repouso, alimentação ou outros relacionados a direitos da personalidade.

    Outra forma de escravidão contemporânea reconhecida no Brasil é a servidão por dívida, que ocorre quando o funcionário tem seu deslocamento restrito pelo empregador sob alegação de que deve liquidar determinada quantia de dinheiro.

    Como denunciar

    O principal canal para se fazer uma denúncia é o Sistema Ipê. As denúncias podem ser apresentadas de modo anônimo, isto é, sem que o denunciante se identifique, caso prefira.

    *A real identidade do entrevistado foi trocado, a fim de preservá-lo.

    Trabalhadores processam Volkswagen por regime análogo à escravidão

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  • Mudanças no IR beneficiarão 73,5% dos professores da educação básica

    Mudanças no IR beneficiarão 73,5% dos professores da educação básica

    Metade dos docentes ficará isenta, calculou Ipea; mais de 600 mil professores da educação básica deixarão de pagar o imposto de renda

    A isenção do Imposto de Renda para Pessoa Física (IRPF) para quem ganha menos de R$ 5 mil e a redução do tributo para quem recebe até R$ 7.350, a partir de janeiro de 2026, vai beneficiar três em cada quatro professores da educação básica ─ educação infantil, ensino fundamental e médio, nas redes pública e privada. O cálculo foi divulgado nesta quarta-feira (17) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que compara que, ao longo de um ano, o impacto positivo equivalerá a receber um 14º salário.

    Em termos absolutos, mais de 600 mil professores da educação básica deixarão de pagar o imposto de renda. Pouco mais da metade da categoria ficará isenta da tributação por causa da Lei nº 15.270/2025, proposta pelo governo federal e assinada em novembro pelo presidente Luiz Inácio da Lula.

    As contas fazem parte do estudo: “A proporção de docentes isentos de IRPF aumenta de 19,7% para 51,6% após a reforma, enquanto 21,9% passam a ter redução da carga tributária, beneficiando cerca de 73,5% da categoria”, detalha o Ipea,

    A estimativa do impacto da Lei nº 15.270 foi feita a partir da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), que tem o cadastro de todas as pessoas contratadas com carteira assinada ou que trabalham em regime estatutário, e tem como base microdados de 2022.

    Efeito multiplicador

    Segundo Adriano Souza Senkevics, técnico de planejamento e pesquisa do Ipea, o efeito acontece por causa da correção da tabela do imposto de renda “que estava muito defasada em termos de progressividade fiscal”, que se refere ao aumento da alíquota de tributação conforme renda e patrimônio.

    Senkevics lembra que os professores formam “uma das maiores categorias ocupacionais do Brasil”, espalhados em todos os munícipios, o que causará impacto pulverizado nas economias locais.

    “Existe, digamos, o chamado efeito multiplicador. Quanto mais renda disponível você tem para trabalhadores, mais isso se transforma em consumo e mais arrecadação.”

    O especialista acrescenta que, apesar de haver o Piso Nacional do Magistério (R$ 4.867,77 para jornada de 40 horas semanais atualmente), os valores dos salários variam de município para município e de estado para estado, conforme o plano de carreira de cada secretaria de educação.

    “A gente vai ter estados em que vai aumentar de 20% para 60% o percentual de professores isentos”, prevê Senkevics, para os casos de Minas Gerais, Tocantins, Roraima.

    Mesmo no Distrito Federal, onde os professores têm os melhores salários, a proporção de isentos do imposto de renda vai mais que dobrar, de 10 para 25%.

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