Categoria: MUNDO

  • Trump ataca Papa, chama OTAN de “tigre de papel” e mira Meloni

    Trump ataca Papa, chama OTAN de “tigre de papel” e mira Meloni

    Presidente dos EUA critica Papa Leão XIV, acusa OTAN de não apoiar o país e dispara contra premiê italiana por posição sobre o Irã. Declarações provocam reações e ampliam desgaste diplomático

    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a atacar o Papa Leão XIV nesta quarta-feira, mesmo após críticas da comunidade internacional. Desta vez, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) também entrou na mira do republicano.

    “Alguém pode, por favor, dizer ao Papa Leão que o Irã matou pelo menos 42.000 manifestantes inocentes e completamente desarmados nos últimos dois meses, e que é absolutamente inaceitável que o Irã possua uma bomba nuclear? Agradeço a vossa atenção a este assunto. A AMÉRICA ESTÁ DE VOLTA!!!”, escreveu Trump na rede Truth Social.

    Poucos minutos depois, o magnata voltou a publicar, desta vez com críticas à OTAN. “A OTAN não nos apoiou, e não nos apoiará no futuro!”, afirmou.

    Na terça-feira, Trump já havia declarado que o pontífice “não faz ideia do que está acontecendo no Irã”, em entrevista ao jornal italiano Corriere della Sera.

    “Não compreende e não deveria andar a falar sobre a guerra, porque não faz ideia do que está a acontecer. Não compreende que 42.000 manifestantes foram mortos no Irão no mês passado”, disse.

    Antes disso, o republicano fez críticas diretas ao Papa Leão XIV, afirmando que, “se não estivesse na Casa Branca, [o Sumo Pontífice] não estaria no Vaticano”.

    “O Papa Leão é FRACO no combate ao crime e péssimo em política externa. Fala do ‘medo’ da Administração Trump, mas não menciona o MEDO que a Igreja Católica, e todas as outras organizações cristãs, sentiram durante a Covid-19, quando estavam a deter padres, pastores e toda a gente por celebrarem missas, mesmo quando saíam ao ar livre e mantinham uma distância de três ou até seis metros”, escreveu em uma longa publicação na segunda-feira.

    Trump também afirmou que prefere o irmão do pontífice. “Gosto muito mais do seu irmão Louis do que dele, porque Louis é totalmente MAGA”, disse.

    “Ele percebe e Leão não! Não quero um Papa que ache que não há problema em o Irão ter uma arma nuclear. Não quero um Papa que ache terrível que a América tenha atacado a Venezuela, um país que estava a enviar quantidades massivas de droga para os Estados Unidos e, pior ainda, a esvaziar as suas prisões, incluindo assassinos, traficantes de droga e homicidas, para o nosso país. E não quero um Papa que critique o presidente dos Estados Unidos porque estou a fazer exatamente aquilo para que fui eleito, POR MAIORIA ESMAGADORA, estabelecendo níveis de criminalidade historicamente baixos e criando o melhor mercado bolsista da história”, continuou.

    O presidente ainda afirmou que o Papa deveria ser grato por sua eleição. “Leão devia estar grato porque, como todos sabem, foi uma surpresa chocante”, disse, acrescentando que ele “não estava em nenhuma lista para ser Papa e só foi colocado lá pela Igreja porque era norte-americano”.

    “Acharam que essa seria a melhor maneira de lidar com o presidente Donald J. Trump. Se eu não estivesse na Casa Branca, Leão não estaria no Vaticano”, declarou.

    Trump também criticou o comportamento do pontífice e suas relações. “Não me agrada o facto de Leão ser brando com o crime e com as armas nucleares”, afirmou, acrescentando que desaprova reuniões com figuras ligadas ao ex-presidente Barack Obama.

    “Leão devia recompor-se como Papa, usar o bom senso, deixar de ceder à esquerda radical e concentrar-se em ser um grande Papa, não um político. Isto está a prejudicá-lo gravemente e, mais importante ainda, está a prejudicar a Igreja Católica!”, concluiu.

    Em resposta, o Papa Leão XIV afirmou que continuará defendendo a paz. Ele disse que não pretende recuar em sua missão de “anunciar a mensagem do Evangelho e convidar todas as pessoas a procurarem formas de construir pontes de paz e reconciliação”.

    “Não vou entrar em debate. O que digo não pretende, de forma alguma, ser um ataque. A mensagem do Evangelho é muito clara: ‘Bem-aventurados os pacificadores’”, afirmou. “Não tenho medo da Administração Trump.”

    As críticas de Trump também se estenderam à primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni. Em entrevista ao Corriere della Sera, ele demonstrou frustração com a postura da líder italiana no conflito com o Irã.

    “Estou chocado. Pensava que tinha coragem, mas estava enganado”, disse.

    Segundo Trump, Meloni afirmou que a Itália não quer se envolver diretamente. “Mesmo que Itália obtenha o seu petróleo de lá [do Irão], mesmo que os Estados Unidos sejam muito importantes para Itália. Ela não acha que Itália deva envolver-se. Acha que os Estados Unidos devem fazer o trabalho por ela”, criticou.

    O presidente também voltou a atacar a OTAN ao comentar a possibilidade de apoio militar europeu. “Pedi que enviassem tudo o que quisessem, mas não querem porque a OTAN é um tigre de papel”, afirmou.

    Por fim, Trump voltou a criticar a Europa, dizendo que o continente está “a destruir-se a si próprio por dentro” com suas políticas de imigração e energia, e afirmou que depende dos Estados Unidos para manter rotas estratégicas abertas.
     

     

    Trump ataca Papa, chama OTAN de “tigre de papel” e mira Meloni

  • Trump diz que Coca-Cola Light “mata câncer” e surpreende médicos

    Trump diz que Coca-Cola Light “mata câncer” e surpreende médicos

    Declaração atribuída ao presidente foi revelada por Mehmet Oz e envolve teoria de que refrigerante faria bem à saúde. Hábitos alimentares de Trump voltam ao centro do debate, incluindo consumo frequente de fast food e bebidas diet.

    É amplamente conhecido que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é um fã declarado de Coca-Cola Light. Além de consumir várias latas por dia, o magnata chegou a instalar um botão vermelho na mesa do Salão Oval para que funcionários da Casa Branca levem o refrigerante até ele em poucos minutos. Agora, o Dr. Mehmet Oz, diretor dos Centros de Serviços Medicare e Medicaid e conhecido por apresentar o programa “The Dr. Oz Show”, revelou que o presidente acredita que a bebida “mata células cancerígenas”, já que também “mata a grama”.

    “O Bobby [Robert F. Kennedy Jr.] e eu costumamos ir juntos às reuniões. […] Depois vêm os refrigerantes diet, e o seu pai argumenta que são bons para ele porque matam a grama [se] forem derramados sobre ela; portanto, devem matar as células cancerígenas dentro do corpo”, afirmou Oz em um episódio do podcast “Triggered with Don Jr.”, apresentado pelo filho mais velho do presidente, na segunda-feira.

    O ex-cirurgião cardiovascular também contou que, na visão de Trump, a Fanta faz bem à saúde, por ser feita com suco de laranja concentrado “espremido na hora”.

    “Estávamos no Air Force One outro dia e, quando entrei, ele tinha uma Fanta na mesa. Eu disse: ‘Está brincando comigo?’ Ele deu um sorriso meio sem graça e respondeu: ‘Sabe que isso me faz bem, mata as células cancerígenas’”, relembrou.

    Já Donald Trump Jr. afirmou que a teoria do pai pode ter algum sentido, destacando que conhece “muitos homens perto dos 80 anos” e que poucos apresentam o mesmo nível de energia, memória e resistência.

    Oz concordou e disse que Trump possui um histórico de saúde que parece “ter sido definido por ele mesmo”, acrescentando que seus níveis de testosterona estão “altíssimos”.

    “Ele não quer ficar doente, então come fast food. Mas é comida preparada em redes conhecidas, que têm controle de qualidade”, completou.

    Vale lembrar que, no início do ano, o secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., classificou os hábitos alimentares do republicano como “estranhos”, afirmando que ele “se alimenta muito mal”.

    “McDonald’s, doces e Coca-Cola Light. Ele está sempre bebendo Coca-Cola Light”, disse no podcast “Katie Miller Pod”, apresentado pela esposa do chefe de gabinete da Casa Branca.

    Ainda assim, o secretário afirmou que Trump tem uma “constituição divina”.

    “Não sei como ele ainda está vivo, mas está”, declarou.

    No mesmo mês, o presidente anunciou ter concluído com sucesso o terceiro exame médico desde que voltou à Casa Branca, afirmando estar “em perfeita saúde”.

    “Pela terceira vez consecutiva, passei no meu exame cognitivo (ou seja, respondi corretamente a 100% das perguntas), algo que nenhum presidente ou vice-presidente anterior se dispôs a fazer”, escreveu na rede Truth Social.

    O republicano também afirmou que mantém uma “saúde excelente” graças à genética e disse que pratica apenas golfe como atividade física, por considerar outros esportes entediantes.
     

     
     

    Trump diz que Coca-Cola Light “mata câncer” e surpreende médicos

  • Família descobre horror: pai de seis filhos mantinha idosos em cativeiro

    Família descobre horror: pai de seis filhos mantinha idosos em cativeiro

    Empresário e pai de seis filhos raptou casal de idosos para extorquir dinheiro, foi preso e condenado a 60 anos; esposa diz que vivia uma vida “boa demais para ser verdade” e decidiu se divorciar após descoberta do crime

    Após 17 anos de casamento, Donielle Showway descobriu que o marido, Chad Schipper, estava envolvido em um crime chocante. O norte-americano sequestrou um casal de idosos e os manteve presos em um porão, em uma tentativa de extorquir dinheiro.

    Schipper era visto por conhecidos como um homem “muito inteligente” e “muito simpático”. Casado há quase duas décadas, pai de seis filhos e dono de um negócio aparentemente bem-sucedido, nada indicava que ele seria capaz de cometer um crime dessa gravidade.

    Ele conheceu Donielle nos anos 1990, durante um estudo bíblico na universidade. O relacionamento evoluiu rapidamente para namoro e casamento, e, segundo ela, parecia ser uma vida “demasiado boa para ser verdade”.

    No entanto, logo após o casamento, Schipper revelou à esposa que havia tido “um encontro sexual numa casa de banho pública com um homem”. A confissão abalou profundamente a relação, mas Donielle decidiu continuar com o casamento, mesmo após um conselheiro sugerir o divórcio. Pouco tempo depois, ela engravidou da primeira filha do casal, Grace.

    Ao longo dos anos, tiveram seis filhos e construíram uma rotina familiar em uma grande casa na cidade de Erie, em Illinois. Paralelamente, o negócio de consultoria financeira de Schipper crescia e conquistava clientes, inclusive dentro da igreja frequentada pela família.

    Foi nesse ambiente que ele conheceu Larry e Connie Van Oosten, um casal de idosos que havia recebido uma herança significativa. Schipper ofereceu seus serviços, mas, após algumas reuniões, eles decidiram não seguir com o consultor por acreditarem que ele ainda não tinha experiência suficiente.

    Com o tempo, Schipper passou a investir também na compra e reforma de imóveis para aluguel, o que o fazia ficar cada vez mais tempo fora de casa. A relação com Donielle se tornou tensa, embora, na aparência, tudo seguisse normal.

    Até que, em uma noite de 2017, um dos filhos do casal percebeu a aproximação de um carro estranho na residência. Pouco antes disso, Schipper havia enviado uma mensagem para a filha Grace pedindo que ela envolvesse o cabo de uma marreta com fita isolante preta. A jovem estranhou, mas obedeceu. Segundo ela, o pai disse que receberia uma “recompensa especial pelo trabalho bem feito”.

    Dias depois, Donielle foi acordada de madrugada por um barulho intenso. A casa estava sendo invadida por policiais que procuravam Schipper.

    Naquela mesma noite em que o carro suspeito foi visto, ele havia cometido o crime. Usando a marreta preparada pela filha, invadiu a casa dos Van Oosten, raptou o casal e os levou para outro local. Ele também utilizou um taser, fita adesiva para cobrir a boca e os olhos das vítimas e algemas.

    Para se comunicar, utilizou um distorcedor de voz. “Onde está o vosso Deus agora?”, chegou a dizer em determinado momento.

    Schipper obrigou Connie a ir até um banco para sacar um cheque de 350 mil dólares. Caso ela se recusasse, ele ameaçava matar o marido. A idosa seguiu as instruções, mas conseguiu alertar discretamente um funcionário ao entregar um folheto da igreja com um pedido de ajuda escrito no verso.

    A ação levou à mobilização da polícia, que rapidamente identificou Schipper como principal suspeito, já que o cheque estava vinculado a uma empresa ligada a ele.

    Durante buscas em uma propriedade do suspeito, os agentes encontraram um cômodo com uma televisão exibindo imagens de câmeras de vigilância. Nelas, era possível ver os dois idosos acorrentados e vendados. No mesmo imóvel, havia uma porta de aço escondida dentro de um armário, que levava a um porão com isolamento acústico.

    Ao ser interrogado, Schipper confessou o crime. Disse que se “sentiu desesperado” e que estava “a tentar ganhar tempo”, já que seus negócios estavam em colapso.

    As investigações revelaram que ele vinha desviando dinheiro de clientes, havia roubado familiares e falsificado documentos para conseguir empréstimos, chegando a usar a casa dos próprios pais como garantia. O valor que pretendia obter com o sequestro serviria para quitar dívidas acumuladas.

    Schipper foi condenado a 60 anos de prisão. Já Donielle decidiu pedir o divórcio, afirmando que era “a única opção segura para os seus filhos”.

    Família descobre horror: pai de seis filhos mantinha idosos em cativeiro

  • EUA declaram ter "paralisado por completo" comércio marítimo do Irã

    EUA declaram ter "paralisado por completo" comércio marítimo do Irã

    CENTCOM afirma que ação interrompeu portos iranianos e atingiu economia do país; medida aumenta pressão após fracasso em negociações, enquanto Trump diz que guerra “está prestes a terminar”

    O CENTCOM, órgão militar responsável pelas operações dos EUA no Oriente Médio e em partes da Ásia Central, anunciou nesta terça-feira a implementação de um bloqueio total aos portos do Irã, afirmando ter “paralisado por completo” o comércio marítimo da República Islâmica.

    Em comunicado divulgado na rede social X, o almirante Brad Cooper, que lidera o comando, afirmou que as forças norte-americanas conseguiram impedir totalmente o funcionamento dos portos iranianos.

    Segundo Cooper, cerca de 90% do comércio do Irã depende de rotas marítimas, o que torna a medida especialmente impactante. Para ele, a ação conseguiu “paralisar por completo” a atividade econômica do país, reforçando a pressão já anunciada pelo governo de Donald Trump.

    O bloqueio ocorreu dois dias após negociações realizadas em Islamabad, no Paquistão, onde representantes dos dois países não chegaram a um acordo para encerrar o conflito que já dura sete semanas no Oriente Médio.

    A decisão havia sido antecipada por Trump, que criticou Teerã por não ter reaberto o estreito de Ormuz conforme previsto durante o cessar-fogo de duas semanas iniciado há oito dias.

    Apesar da escalada de tensão, o presidente norte-americano afirmou, em entrevista à Fox News, que “a guerra está prestes a terminar” e que o Irã estaria “desesperadamente à procura de um acordo”.

    Trump também indicou que novas negociações presenciais podem ser retomadas dentro de dois dias.
     
     

     

    EUA declaram ter "paralisado por completo" comércio marítimo do Irã

  • Mundo não pode voltar à lei da selva, diz Xi sobre guerra de Trump

    Mundo não pode voltar à lei da selva, diz Xi sobre guerra de Trump

    Pequim eleva tom sobre o conflito após bloqueio que ameaça seus interesses e apresenta plano de paz. Navio chinês com metanol, sob sanções dos EUA, passa por Hormuz pois não vinha de porto iraniano

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – Em um dos comentários mais duros acerca da crise no Oriente Médio, o líder chinês, Xi Jinping, disse nesta terça-feira (14) que não se pode “permitir que o mundo volte à lei da selva” ao comentar as ações do presidente Donald Trump contra o Irã.

    Ele recebia em Pequim o príncipe herdeiro de Abu Dhabi, xeque Khaled bin Mohamed bin Zayed al-Nahyan. Os Emirados Árabes Unidos foram o país mais bombardeado pelo Irã na retaliação durante as cinco semanas de conflito iniciado por Estados Unidos e Israel contra o a teocracia.

    Xi, que comanda a principal rival estratégica dos EUA, divulgou um plano genérico defendendo a paz na região, que vive um cessar-fogo frágil, estabelecido há uma semana.

    Segundo os princípios apresentados, a paz precisa de quatro pontos: coexistência pacífica, soberania, proteção ao Estado de Direito e desenvolvimento conjunto. Nada prático em relação aos pontos nevrálgicos da disputa atual, como se vê, como o destino do programa nuclear de Teerã.

    Ainda assim, a citação à lei da selva foi direcionada a Trump. “O Estado de Direito não pode ser usado quando é conveniente e descartado quando não é”, disse o líder chinês, que antes da guerra tinha no Irã o terceiro maior fornecedor de seu petróleo, atrás de Rússia e Arábia Saudita.

    Embora tenha confortáveis reservas de óleo e gás para passar pela instabilidade, Xi vê com preocupação o bloqueio imposto por Trump ao trânsito de navios indo e vindo de portos iranianos, que passou a valer na segunda (13).

    A chancelaria em Pequim afirmou que a restrição é “irresponsável e perigosa”, e pediu a reabertura da vias normais de navegação na região. A negociação direta entre EUA e Irã no Paquistão não avançou, mas há a possibilidade de ser retomada ainda nesta semana ou na próxima, quando expira o cessar-fogo.

    A medida surtiu efeito de limitar ainda mais o tráfego pela região, que antes da guerra via diariamente cerca de 140 embarcações passando pelo estreito de Hormuz, número que caiu a 10% após o conflito.

    Segundo o serviço MarineTraffic, da consultoria britânica Kpler, ao menos seis navios transitaram pelo estreito de Hormuz, o gargalo que o Irã controla e sobre o qual instalou uma rota de pagamento de pedágio ilegal, na segunda depois do bloqueio.

    Elas não estavam sob as restrições do embargo, que é policiado por destróieres americanos na saída de Hormuz, que liga o golfo Pérsico ao de Omã e, dali, os oceanos. Duas aparentemente haviam descarregado produtos em portos iranianos, então ficaram sob a janela dada pela Marinha dos EUA para sair da área.

    Mas outros dois navios estavam sob sanções ocidentais devido a negócios passados com petróleo iraniano, e um deles era chinês -justamente o único que rumou no sentido do oceano Índico. O Rich Star levava 250 mil barris de metanol, segundo a consultoria Kpler, embarcados nos Emirados.

    O Comando Central das Forças Armadas dos EUA, que cobre o Oriente Médio, disse que nenhum navio furou o bloqueio. Mas não está certo a que os militares se referiam. Ao Wall Street Journal, autoridades disseram que talvez 20 embarcações tenham transitado por Hormuz, mas sem violar a medida.

    Aqui a guerra de narrativas de lado a lado é colocada à prova. Trump chegou a dizer que iria abordar quaisquer navios que tivessem aceitado pagar o pedágio iraniano na rota que passa pelas águas territoriais de Teerã -o caminho usual está obstruído por minas.

    O Irã, por sua vez, já disse que não cobraria o pedágio de países aliados. Assim, fica incerta a situação do Rich Star, mas tudo indica que ele passará incólume em seu caminho para a China.

    Em outro ponto de conflito potencial, os EUA estão deslocando ao menos dois navios caça-minas do Pacífico para o Oriente Médio, supostamente para trabalhar na área que o Irã disse ter colocado os explosivos.

    Teerã já disse que qualquer belonave na sua vizinhança será vista como hostil e como uma violação da trégua, ameaçando fazer uso de seu arsenal de mísseis de cruzeiro antinavio e drones. Já Trump falou que ameaças navais à sua Marinha serão “eliminadas”.

    Nesse jogo de quem pisca primeiro, os EUA anunciaram um mal explicado trânsito de dois destróieres por Hormuz no fim de semana, supostamente para trabalhar contra as minas. Ainda que tenham sensores eficazes, esses navios não são desenhados para desabilitar esse tipo de armamento, e não há como saber por onde de fato passaram.

    Mundo não pode voltar à lei da selva, diz Xi sobre guerra de Trump

  • 70% dos brasileiros são contra a guerra no Irã, aponta Datafolha

    70% dos brasileiros são contra a guerra no Irã, aponta Datafolha

    Levantamento foi feito da terça-feira (7), quando o cessar-fogo precário entrou em vigor, e a quinta-feira (9); apoio chega a 29% entre os ouvidos do sexo masculino, enquanto 63% desaprovam o conflito

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – A maioria dos brasileiros é contrária à guerra que Estados Unidos e Israel lançaram contra o Irã. Segundo o Datafolha, 70% dos ouvidos se dizem contra o conflito, ante 20% que o aprovam. Outros 7% dizem não saber, e 3% são indiferentes ao tema.

    O levantamento foi feito da terça-feira (7), quando o cessar-fogo precário entrou em vigor, e a quinta-feira (9). A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos. O grau de conhecimento sobre o conflito é alto: 94% disseram ter ouvido falar sobre a crise no Oriente Médio.

    De forma geral, a opinião dos entrevistados pelo instituto é homogênea a respeito da guerra e de seus impactos. Chama a atenção uma disparidade: os homens são mais favoráveis ao conflito do que as mulheres.

    Segundo o Datafolha, o apoio chega a 29% entre os ouvidos do sexo masculino, enquanto 63% desaprovam o conflito. Já a rejeição à guerra vai a 78% entre as mulheres, com apenas 12% de menções favoráveis. Ambos os grupos têm uma margem de erro de 3 pontos.

    Além das mulheres, os grupos com menor apoio registrado à guerra são os menos instruídos (13%) e o mais pobres (16%). Já aprovam mais o conflito os que têm curso superior (26%), evangélicos (29%) e entre mais ricos (30% entre quem ganha de 5 a 10 mínimos, 34% acima disso).

    É grande a percepção do impacto do embate no cotidiano; 92% dizem que a crise influencia os preços dos alimentos. Já 6% descartam este impacto. Para 87%, a economia como um todo é afetada, e 9% não veem efeito.

    Segundo 84% dos entrevistados, o Brasil sofrerá os efeitos da crise, enquanto 12% dizem não acreditar que haverá problemas. O principal evento político do ano no país, a eleição geral de outubro, também será impactada na opinião de 75% dos ouvidos. Já 20% não creem nisso.

    Um dos principais impactos da guerra ocorre sobre o mercado de energia, que viu preços de petróleo e gás dispararem devido ao virtual fechamento da via de 20% dessas commodities no mundo, o estreito de Hormuz, controlado pelo Irã e objeto de disputa direta com Trump -que declarou um bloqueio aos portos de Teerã na segunda (13).

    Preocupado com repercussões inflacionárias, algo de resto fatal em ano eleitoral, o governo Lula anunciou medidas para tentar conter o aumento nos combustíveis, como o corte de taxas e aumento de subvenções.

    No Brasil da polarização, a crise não poderia de deixar de integrar o rol de contenciosos. O apoio à guerra de Donald Trump e de Binyamin Netanyahu entre os bolsonaristas é o dobro do registrado na média geral, segundo o Datafolha.

    O instituto aferiu que 40% dos eleitores declarados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que pretende disputar a Presidência em outubro, são a favor do conflito. Outros 51% são contrários. Entre quem votou no seu pai, Jair Bolsonaro, no segundo turno de 2022 contra Lula (PT), o apoio é similar: 37% favoráveis, 54% contra.

    Trump é o ídolo declarado do ex-presidente, que está preso por tentativa de golpe após perder a eleição. Já Netanyahu era um dos líderes mais próximos do brasileiro, dada a conexão da base evangélica bolsonarista com a defesa de Israel. Com efeito, é maior nesse segmento o apoio à guerra.

    Outro filho do clã, o deputado Eduardo (PL-SP), está nos Estados Unidos desde 2025, onde liderou uma campanha fracassada para tentar influenciar o julgamento de Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal.

    Inicialmente, Trump aplicou sobretaxas às importações brasileiras e puniu magistrados da corte, mas depois relaxou as medidas e aproximou-se de Lula. É uma novela inconclusa, até pelas críticas do presidente brasileiro ao americano pela guerra. Com efeito, elas encontram eco em seu eleitorado.

    Entre aqueles que votaram em Lula em 2022 e que pretendem fazer o mesmo neste ano, a proporção de rejeição ao conflito é a mesma: 85% são contra e 7% a favor. O presidente e o senador são os líderes neste momento da corrida eleitoral.

    A percepção do conflito também muda entre seus eleitores declarados. Enquanto 59% dos que dizem votar no senador acreditam que a guerra tem muita influência sobre o Brasil, 46% dizem o mesmo entre os que apoiam a reeleição do presidente.

    Foram entrevistadas 2.004 pessoas com mais de 16 anos em 137 cidades, e o trabalho está registrado na Justiça Eleitoral sob o código BR-03770/2026.

    70% dos brasileiros são contra a guerra no Irã, aponta Datafolha

  • Trump diz estar 'chocado' com Meloni e critica Itália por não apoiar guerra

    Trump diz estar 'chocado' com Meloni e critica Itália por não apoiar guerra

    Trump afirmou que Meloni se recusa a apoiar os EUA no conflito e na estratégia contra o programa nuclear iraniano e que a primeira-ministra tenta manter a Itália fora do envolvimento direto

    SÃO PAULO, SP (UOL/CBS NEWS) – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, e disse estar “chocado” com a postura do governo italiano em relação à guerra e ao que ele chama de ameaça nuclear do Irã. Declaração foi feita por Trump em entrevista ao jornal italiano “Corriere dela Sera”.

    Em entrevista, Trump afirmou que Meloni se recusa a apoiar os EUA no conflito e na estratégia contra o programa nuclear iraniano. “Ela não quer nos ajudar a nos livrar da arma nuclear”, disse o presidente dos EUA.

    Trump declarou que não conversou com Meloni sobre o tema e afirmou que a primeira-ministra tenta manter a Itália fora do envolvimento direto. “Não. Ela simplesmente diz que a Itália não quer se envolver. Mesmo que a Itália obtenha seu petróleo de lá, mesmo que a América seja muito importante para a Itália. Ela não acha que a Itália deveria se envolver. Ela acha que a América deveria fazer o trabalho por ela”, afirmou.

    O presidente americano também questionou, na entrevista, se os italianos aprovam a posição do governo e atacou a líder de direita. “Vocês gostam do fato de que a sua presidente do Conselho não está nos dando nenhuma ajuda para obter o petróleo? As pessoas gostam disso? Eu não consigo imaginar. Estou chocado com ela. Eu pensei que ela tivesse coragem, eu estava errado”, disse.

    Trump disse que não fala com Meloni “há muito tempo” e atribuiu o distanciamento à falta de apoio da Itália na Otan. “Porque ela não quer nos ajudar com a Otan, não quer nos ajudar a nos livrar da arma nuclear. Ela é muito diferente do que eu pensava”, declarou.

    Ao ampliar as críticas, Trump afirmou que a Itália e a Europa estariam mudando por causa da imigração. “Ela não é mais a mesma pessoa, e a Itália não será o mesmo país; a imigração está matando a Itália e toda a Europa”, disse ao Corriere della Sera.

    Trump também atacou a postura europeia em temas de energia e segurança, citando o Estreito de Hormuz como ponto central para o abastecimento. “Eles pagam os custos de energia mais altos do mundo e nem estão prontos para lutar pelo Estreito de Hormuz, de onde recebem energia. Eles dependem de Donald Trump para mantê-lo aberto”, afirmou.

    Questionado sobre pedidos a aliados por equipamentos militares, Trump disse que a aliança não estaria disposta a enviar o que os EUA pedem. “Eu pedi que enviassem tudo o que quisessem, mas eles não querem porque a Otan é um tigre de papel”, declarou.

    Na mesma entrevista, Trump elogiou Viktor Orbán por sua política migratória e comparou a Hungria à Itália. “Ele não deixou que as pessoas viessem arruinar o país dele como a Itália fez”, disse.

    Trump diz estar 'chocado' com Meloni e critica Itália por não apoiar guerra

  • Xi Jinping apresenta plano de quatro pontos para paz no Oriente Médio

    Xi Jinping apresenta plano de quatro pontos para paz no Oriente Médio

    O presidente chinês criticou o uso do direito internacional apenas por conveniência, tema do terceiro ponto. “Não podemos permitir que o mundo volte à lei da selva”, declarou Xi Jinping

    SÃO PAULO, SP (UOL/CBS NEWS) – O presidente da China, Xi Jinping, apresentou uma proposta de quatro pontos para buscar a paz e a estabilidade no Oriente Médio.

    O líder chinês debateu a situação do Golfo com o príncipe herdeiro de Abu Dhabi, Khaled bin Mohamed. O encontro ocorreu em Pequim, segundo a agência estatal de notícias Xinhua.

    Xi Jinping afirmou que a China vai assumir um papel construtivo nas negociações de paz. O plano defende a construção de uma estrutura de segurança comum e cooperativa para a região.

    As declarações representam o posicionamento mais significativo do país asiático sobre a crise até o momento. A entrada da China busca criar um ambiente favorável ao crescimento dos países do Golfo.

    O primeiro ponto do projeto defende a coexistência pacífica e uma nova arquitetura de segurança. A ideia é criar um modelo comum, cooperativo e sustentável para o Oriente Médio.

    A segunda diretriz da proposta exige a proteção rigorosa da soberania dos Estados. Isso inclui a defesa incondicional de pessoas, instalações e instituições governamentais.

    O presidente chinês criticou o uso do direito internacional apenas por conveniência, tema do terceiro ponto. “Não podemos permitir que o mundo volte à lei da selva”, declarou Xi Jinping.

    A última regra pede a união estratégica entre segurança e desenvolvimento econômico. O líder chinês destacou que os países precisam injetar energia positiva para o crescimento da região.

    Xi Jinping apresenta plano de quatro pontos para paz no Oriente Médio

  • Epstein? Brasileira ameaça expor Melania e 'marido pedófilo': "Cuidado"

    Epstein? Brasileira ameaça expor Melania e 'marido pedófilo': "Cuidado"

    A modelo Amanda Ungaro, amiga do casal Trump, ameaçou expor o “sistema corrupto” de Melania e chamou o presidente norte-americano de “pedófilo”; brasileira comentou coletiva de imprensa da primeira-dama devido às supostas ligações com Jeffrey Epstein

    Uma ex-amiga do casal Trump ameaçou expor o “sistema corrupto” de Melania e chamou o presidente norte-americano de “pedófilo”. As declarações surgiram como resposta à coletiva de imprensa da primeira-dama devido às supostas ligações com Jeffrey Epstein.

    “Vou destruir o seu sistema corrupto, mesmo que seja a última coisa que faço na vida. Vou até ao fim – não tenho medo. Talvez devesse ter medo do que eu sei sobre quem você é e quem é o teu marido. Não tenho mais nada a perder. Vou derrubar o sistema todo. Tenha cuidado comigo, idiota”, escreveu a ex-modelo brasileira, Amanda Ungaro, citada pelo jornal ‘Folha de S. Paulo’.

    A mensagem foi publicada após declarações de Melania Trump negando ter qualquer tipo de relação com Jeffrey Epstein.

    A ex-modelo brasileira, de 41 anos, destacou ainda que foi amiga do casal Trump durante cerca de 20 anos e que irá tomar medidas legais contra Melania e contra o “seu marido pedófilo”. Disse ainda que a primeira-dama sabia que Ungaro esteve presa em um centro do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês). Esta detenção aconteceu no ano de 2025.

    Segundo o New York Times (NYT), o ex-marido de Ungaro, Paolo Zampolli, que é um ex-agente de modelos e aliado de Trump, a teria perseguido quando ela morava em Miami. Supostamente, o Zampolli, que hoje é enviado especial de Trump para as parcerias globais, teria contactado um alto funcionário do ICE para denunciar que Amanda estava ilegal nos Estados Unidos. 

    Amanda Ungaro acabaria sendo deportada em outubro de 2025. No entanto, o ex-marido negou ter feito qualquer pedido ao ICE relativo à ex-mulher.

    Já o Departamento de Segurança Interna emitiu um comunicado onde explicou que Amanda Ungaro foi deportada por estar com o visto caducado há muito tempo. “Qualquer sugestão de que foi presa e removida por razões políticas ou favoritismo é falsa”, refere a nota. 

    Vale salientar que, naquela época, a ex-modelo brasileira e o ex-agente de modelos disputavam a guarda do filho Giovanni, de 15 anos, na justiça norte-americana.

    De acordo com um porta-voz de Melania, a primeira-dama afirmou que “não tem conhecimento nem envolvimento nos assuntos pessoais de Zampolli e Ungaro” e que “não teve nenhum contato” com o ICE.

    O que sabe Amanda sobre Epstein?

    Em uma entrevista dada ao jornal O Globo, Amanda Ungaro contou que, em 2002, fez uma viagem no avião privado de Jeffrey Epstein, o Lolita Express. A brasileira afirmou ter visto cerca de 30 garotas com o predador sexual e a sua cúmplice, Ghislaine Maxwell. 

    “Tinha mais ou menos uma 30 garotas no avião. Achei aquilo muito estranho. Elas eram mais parecidas com estudantes do que com modelos. Bonitas e bem novinhas, mas não tinham perfil de modelos”, relatou. 

    Nessa viagem, Ungaro foi de Paris para Nova York, tendo viajado com o seu então agente Jean-Luc Brunel – conhecido como o ‘olheiro’ de Jeffrey Epstein no Brasil. 

    Ainda em 2002, a ex-modelo conheceu o italiano Paolo Zampolli. Meses depois, os dois iniciaram uma relação que durou 19 anos. Hoje, Ungaro acusa o ex-marido de abuso sexual e violência doméstica. 

    Amanda explicou que o abuso aconteceu na mansão que o casal dividia em Gramercy, Nova York. No dia seguinte, Zampolli comentou que teve relações com a então modelo, mas Amanda não se lembrava de nada.

    “Eu disse: ‘Isso chama-se estupro. Eu fui abusada’. Ele reagiu com um sorriso”, contou, acrescentando que também foi agredida depois de se ter recusado a ter relações sexuais com Zampolli.

    Amanda Ungaro revelou ainda que, durante os 19 anos de casamento, o ex-marido a levou para diversas festas organizadas pelo rapper e produtor Sean “Diddy” Combs – que, atualmente, se encontra cumprindo pena de prisão. 

    Nessas festas, Ungaro disse que levava o seu próprio empregado para ter a certeza de que nada lhe era colocado nas bebidas. 

    E a amizade de Zampolli e Trump?

    Paolo Zampolli e Donald Trump são amigos há vários anos, sendo que, hoje em dia, o ex-agente de modelos ocupa um cargo na administração do presidente norte-americano como enviado especial para as parcerias globais.

    Zampolli nasceu em Milão, tendo-se mudado para Nova York nos anos 90. Época em que teria conhecido Donald Trump e, oficialmente, começaram a trabalhar juntos em 2004. 

    No entanto, foi nas eleições presidenciais de 2016 que a amizade se transformou em lealdade. Por exemplo, Trump foi questionado, na ocasião, acerca das políticas migratórias e a imprensa deu até como exemplo a sua mulher, Melania, que foi para os Estados Unidos trabalhar como modelo com um visto inadequado.

    E é aqui que entra Zampolli, dizendo que tratou de tudo e que usou a sua posição de agente de modelos para conseguir um visto de trabalho para Melania.

    Mas, o círculo social de Zampolli e Trump envolvia ainda um terceiro elemento… Jeffrey Epstein. Em 2004, o italiano e Epstein tentaram comprar a Elite Models, uma das maiores agências de modelo do mundo. 

    O nome de Paolo Zampolli, note-se, aparece várias vezes nos documentos de Epstein, que têm vindo a ser divulgados pelo Departamento de Justiça desde o final do ano passado. 

    Epstein? Brasileira ameaça expor Melania e 'marido pedófilo': "Cuidado"

  • Hezbollah rejeita negociação do governo do Líbano com Israel

    Hezbollah rejeita negociação do governo do Líbano com Israel

    Naim Qassem, atual líder da facção xiita libanesa, um dos principais aliados regionais do Irã, descreveu as negociações como inúteis em discurso televisionado, e afirmou que vai continuar a confrontar ataques israelenses no Líbano

    (CBS NEWS) – O Hezbollah instou o governo do Líbano nesta segunda-feira (13) a cancelar as negociações para o fim do conflito com Israel, previstas para ocorrer nesta terça (14), em Washington, com mediação dos Estados Unidos.

    Naim Qassem, atual líder da facção xiita libanesa, um dos principais aliados regionais do Irã, descreveu as negociações como inúteis em discurso televisionado, e afirmou que vai continuar a confrontar ataques israelenses no Líbano.

    Wafiq Safa, autoridade do conselho político do grupo, afirmou ainda em entrevista coletiva à imprensa internacional que a facção “não está vinculada ao que for concordado [entre Líbano e Israel]”. “Não estamos interessados ou preocupados com os resultados das negociações”, afirmou Safa.

    Muita incerteza envolve a rara conversa entre as duas partes -formalmente em guerra desde a criação do Estado de Israel. Além da agora pública oposição do Hezbollah ao diálogo com o adversário, Tel Aviv também afirmou que não vai discutir em Washington uma trégua com a facção; Beirute diz que pretende pressionar por um cessar-fogo durante a conversa.

    O governo libanês é a parte com menor margem de manobra. Enquanto vê bombas caírem na capital e seu território ao sul voltar a ser ocupado por Israel, precisa balancear as negociações para que o Hezbollah não se sinta fundamentalmente ameaçado como organização.

    Isso porque o grupo extremista é também um partido político com ampla relevância social e capilaridade no país, em particular em áreas de maioria muçulmana xiita.

    Além disso, como a política libanesa funciona sobre uma base sectária, ou seja, dividida de modo que o governo reflita ao menos em parte sua diversidade religiosa, aliados do Hezbollah detêm posições até mesmo no gabinete nacional.

    Militarmente a situação também não favorece posições mais duras do governo libanês contra a facção, que possui poder bélico maior do que o próprio Exército do país.

    Na frente de combate, as Forças Armadas de Israel completaram o cerco à cidade de Bint Jbeil, logo após a fronteira, no sul do Líbano, e iniciou um ataque terrestre no local, segundo um porta-voz militar israelense e funcionários de segurança libaneses afirmaram à agência Reuters.

    Os funcionários libaneses dizem que combatentes do Hezbollah entrincheirados na cidade estavam prontos para lutar até a morte, citando a importância estratégica e simbólica de Bint Jbeil, um reduto da facção, capital provincial e porta de entrada para as aldeias vizinhas. Oficiais israelenses esperam controle operacional total da cidade em poucos dias.

    O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, cruzou a fronteira neste domingo (12) e visitou tropas israelenses que ocupam o vizinho.

    “Nós evitamos uma invasão vinda do Líbano graças a essa zona de segurança”, disse Netanyahu aos soldados. “Ainda há mais a ser feito, e estamos fazendo. Estamos repelindo o perigo das munições antitanque e estamos lidando com foguetes”, afirmou o primeiro-ministro, que esteve no território libanês acompanhado do ministro da Defesa, Israel Katz, e de altos comandantes militares.

    Ainda nesta segunda-feira, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha disse que houve um ataque a um centro da organização em Tiro, no sul do Líbano. A agência de notícias estatal do Líbano relatou a morte de uma pessoa no ataque, mas não revelou a identidade da vítima.

    O Exército de Israel afirmou ter realizado um ataque contra um “terrorista do Hezbollah” em Tiro e estava investigando relatos de que o ataque havia causado danos a um centro da Cruz Vermelha. Os militares não identificaram o indivíduo que disseram ter matado.

    As forças de Tel Aviv afirmaram ainda que um foguete do Hezbollah atingiu a cidade de Nahariyya, no norte de Israel. O projétil atingiu um prédio residencial de três andares, segundo o corpo de bombeiros, e uma mulher ficou ferida por estilhaços, de acordo com socorristas.

    O Exército israelense também disse que interceptou mais de 10 drones e foguetes lançados contra Israel a partir do Líbano entre a manhã e o fim da tarde.

    Uma autoridade de segurança estrangeira baseada no Líbano disse que a tomada de Bint Jbeil daria a Israel melhor controle sobre toda a faixa da fronteira sudeste do Líbano, restando apenas a área oeste da zona fronteiriça, que é em grande parte floresta e de mais difícil acesso.

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