Categoria: MUNDO

  • Show de rock de Milei em meio a crise é criticado até por aliados

    Show de rock de Milei em meio a crise é criticado até por aliados

    Em meio à crise política provocada pela renúncia de José Luis Espert, aliado acusado de receber recursos de um suspeito de tráfico, Javier Milei realizou um show em Buenos Aires que gerou forte repercussão negativa. Críticos chamaram o evento de “surrealista” e “fora da realidade do país”

    (CBS NEWS) – Javier Milei conseguiu uma quase unanimidade com o show dado por ele no Movistar Arena, casa portenha de espetáculos para 15 mil pessoas, na noite de segunda-feira (6). Infelizmente para o presidente, as coincidências eram de críticas negativas.

    O espetáculo não poderia ter ocorrido em um momento mais sensível: menos de 24 horas após José Luis Espert, principal candidato de Milei a deputado nacional pela província de Buenos Aires no próximo dia 26, se ver forçado a renunciar.

    O governo sofreu dias de desgaste após documentos serem revelados pela Justiça do Texas apontando que Espert recebeu recursos de Fred Machado, suspeito de envolvimento com o tráfico internacional de drogas.

    Os organizadores do show esperavam que Espert estivesse no palco com Milei, para a apresentação de seu novo livro, “La Construcción del Milagro” (A Construção do Milagre), como ele fez em um evento parecido no ano passado. Mas a crise política riscou o nome de Espert também dessa lista.

    Dois jornais argentinos que dificilmente coincidem em suas capas, desta vez concordaram.

    “Um show surrealista no meio da crise”, definiu o La Nacion. O jornal conservador lembrou que o grupo político do presidente aguarda novidades do possível auxílio financeiro dos Estados Unidos, com uma visita da equipe econômica em Washington desde sexta-feira (3).

    Já o diário de esquerda Página/12 comparou Milei aos músicos que seguiram tocando enquanto o Titanic afundava. “Milei tentou reavivar sua campanha com músicas de artistas que não gostam dele”, escreveu a publicação.

    Como na campanha de 2023, o presidente abriu o evento cantando “Panic Show”, do La Renga, que fala de um leão -apelido de Milei, pelo corte de cabelo que lembra uma juba- que devora seus adversários.

    Pulou, dançou e cantou para uma plateia de apoiadores, que puderam retirar ingressos gratuitos para vê-lo tocar com uma banda formada por deputados e outros aliados. O partido de Milei não divulgou os custos do evento e nem se ele foi patrocinado.

    “Tem fogo?”, perguntou o presidente horas antes da apresentação, durante o ensaio da banda, ao testar os efeitos especiais, de chamas e fumaça. No evento, Milei também entoou versos do Hino Nacional da Argentina, enrolado em uma bandeira do país.

    “Eu que vivi entre fascistas/ Eu que morri no altar/ Eu que nasci com os que estavam bem/ Mas à noite tudo dava errado”, cantou em seguida o presidente, os versos no original, em espanhol, de “Demoliendo Hoteles”, de Charly García, um dos artistas mais queridos do rock argentino.

    A canção, entre as principais de García, é uma crítica à última ditadura (1976-1983), mas o presidente adaptou alguns versos para criticar a oposição kirchnerista.

    Já em “Rock del Gato”, dos Ratones Paranoicos, o presidente cantou que “se tudo sair bem, ele fará de novo”.

    No meio do espetáculo, Milei reforçou seu apoio a Israel e fez uma homenagem aos ataques de 7 de Outubro e à comunidade judaica na Argentina. Para isso, escolheu a canção popular “Hava Naguila” (“vamos nos alegrar”, em hebraico), geralmente reservada para momentos festivos.

    “Acredito que nunca vimos algo assim”, disse o apresentador do LN+ Esteban Trebucq, um dos primeiros a entrevistar Milei antes que ele se tornasse presidente e que olhava incrédulo as imagens da apresentação.

    A candidata a deputada nacional María Eugenia Talerico, crítica ao kirchnerismo e que estava no programa, começou a chorar quando questionada sobre o que achava do espetáculo. “Isso me causa muita consternação”, disse Talerico. “Ele deveria estar pedindo perdão à sociedade argentina, que não está passando por um bom momento.”

    Luis Majul, outro jornalista alinhado a Milei, também criticou o evento. “Tudo isso, se a economia estivesse indo bem, e o governo não tivesse os problemas que teve com os casos $Libra [criptoativo promovido por Milei], Spagnuolo [de suposta corrupção na compra de medicamentos] e Espert, poderia ser decodificado de outra forma”, disse Majul, também no canal LN+. “Obviamente, eles querem recriar uma mística, que está em outro contexto.”

    O presidente seguiu sua agenda de campanha nesta terça-feira (7) em um evento em Mar del Plata. Também deve visitar nos próximos dias Mendoza, Santa Cruz, Chaco e Corrientes.

    Show de rock de Milei em meio a crise é criticado até por aliados

  • Prefeita alemã esfaqueada continua em estado grave; filha é suspeita

    Prefeita alemã esfaqueada continua em estado grave; filha é suspeita

    Iris Stalzer, recém-eleita prefeita de Herdecke, permanece em estado crítico após ser esfaqueada em casa. A polícia investiga a filha adotiva, de 17 anos, como principal suspeita e trata o caso como uma tragédia familiar, sem motivação política

    A prefeita recém-eleita da cidade de Herdecke, na Alemanha, Iris Stalzer, de 57 anos, permanece em estado crítico após ter sido esfaqueada em sua casa na noite de terça-feira (7). Segundo a imprensa alemã, a principal suspeita do ataque é sua filha adotiva, de 17 anos.

    Stalzer foi encontrada gravemente ferida pelos dois filhos adotivos no apartamento onde morava, com múltiplos ferimentos no abdômen e nas costas. De acordo com o jornal Bild, a prefeita conseguiu se refugiar dentro do imóvel após o ataque. Inicialmente, os filhos relataram à polícia que ela havia sido agredida por vários homens, mas as investigações indicam agora que o crime teria ocorrido dentro do próprio círculo familiar.

    A jovem suspeita, que teria histórico de desentendimentos com a mãe, chegou a ameaçá-la com uma faca durante as férias da família no último verão, segundo a revista Der Spiegel. A polícia confirmou que tanto a filha quanto o filho de Stalzer estão sob custódia, enquanto os fatos são apurados.

    Fontes próximas à investigação afirmam que a prefeita recuperou a consciência e disse conhecer a pessoa que a atacou, mas se recusou a revelar o nome. A polícia de Hagen e o Ministério Público informaram que não há indícios de motivação política, classificando o caso como uma “tragédia familiar”.

    Iris Stalzer havia sido eleita recentemente para comandar a prefeitura de Herdecke, no distrito de Ennepe-Ruhr, na região de Renânia do Norte-Vestfália.

    O chanceler alemão, Friedrich Merz, declarou nas redes sociais que a prefeita foi vítima de um “ato hediondo” e disse “temer por sua vida”. Já o secretário-geral do Partido Social-Democrata (SPD), Matthias Miersch, expressou consternação e desejou a pronta recuperação da colega de partido.
     

     

    Prefeita alemã esfaqueada continua em estado grave; filha é suspeita

  • Estudo indica Trump como principal disseminador de desinformação nos EUA

    Estudo indica Trump como principal disseminador de desinformação nos EUA

    Relatório do International Center for Journalists aponta Donald Trump como principal fonte de desinformação nos Estados Unidos em 2024. O estudo indica que o ex-presidente usou estratégias políticas internas para difundir narrativas falsas e alimentar ataques à imprensa e à democracia

    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi apontado como o principal disseminador de desinformação no país em 2024, segundo um estudo do International Center for Journalists (ICFJ).

    De acordo com o relatório “Desarmando a Desinformação: Estados Unidos”, Trump foi “a fonte dominante e distribuidora de desinformação” no país durante o último ano. O estudo aponta que o ex-presidente recorreu a estratégias políticas internas — e não a interferências estrangeiras — para impulsionar narrativas falsas no debate público americano.

    Os pesquisadores destacam que grupos no WhatsApp e outras plataformas digitais fechadas funcionam como “bolhas de informação” que alimentam rumores e distorções, amplificando a desinformação.

    “O espalhamento viral de notícias falsas e o ataque estratégico a jornalistas se tornaram ameaças interligadas à democracia”, diz o relatório. “Em uma era de autoritarismo crescente e retrocessos democráticos, falsidades são usadas como armas por figuras públicas para manipular a opinião pública, enfraquecer o jornalismo e intimidar profissionais da imprensa.”

    O estudo afirma que essa dinâmica se consolidou nos Estados Unidos, com Trump promovendo “narrativas manifestamente falsas” ao longo dos últimos anos. A confiança na mídia tradicional segue em queda, enquanto crescem os ataques à imprensa por parte do governo americano.

    Cerca de 86% dos entrevistados relataram ter visto ou ouvido jornalistas sendo assediados ou abusados online, o que indica a normalização da hostilidade contra a imprensa.

    “O momento exige não apenas integridade jornalística e respostas inovadoras a essas ameaças, mas também uma compreensão clara de como a desinformação se espalha no ecossistema midiático”, conclui o estudo, que analisou 10 mil publicações e notícias veiculadas em 2024, além de entrevistas com 1.020 americanos.

    Estudo indica Trump como principal disseminador de desinformação nos EUA

  • Trio vence Nobel de Química por criar nova arquitetura molecular

    Trio vence Nobel de Química por criar nova arquitetura molecular

    Os cientistas Susumu Kitagawa, Richard Robson e Omar M. Yaghi receberam o Prêmio Nobel de Química de 2025 pelo desenvolvimento das estruturas metal-orgânicas, conhecidas como MOFs, que revolucionaram o armazenamento de gases e a captura de carbono com suas redes cristalinas altamente porosas

    O Prêmio Nobel de Química de 2025 foi concedido nesta quarta-feira (8) a Susumu Kitagawa, Richard Robson e Omar M. Yaghi, pela criação de um novo tipo de arquitetura molecular baseada em estruturas metal-orgânicas.

    De acordo com o comitê sueco, os três cientistas desenvolveram as chamadas MOFs (Metal-Organic Frameworks), redes cristalinas altamente porosas formadas pela combinação de íons metálicos e moléculas orgânicas. Essas estruturas revolucionaram a forma como os materiais armazenam, separam e transportam substâncias, com aplicações que vão desde o armazenamento de gases até a captura de carbono.

    A temporada dos Prêmios Nobel de 2025 começou na segunda-feira (6) com o anúncio dos vencedores de Medicina, seguido na terça (7) pela premiação em Física. O Nobel de Medicina foi entregue a Mary E. Brunkow, Fred Ramsdell e Shimon Sakaguchi por suas descobertas sobre a tolerância imunológica periférica.

    O Prêmio Nobel de Economia será anunciado no dia 13 de outubro. Todos os prêmios são revelados em Estocolmo, na Suécia, com exceção do Nobel da Paz, que é anunciado pelo Comitê Nobel Norueguês em Oslo.

    Os Prêmios Nobel foram criados em 1895 pelo químico e inventor sueco Alfred Nobel, responsável pela descoberta da dinamite, e concedidos pela primeira vez em 1901. A cerimônia oficial de entrega acontecerá em 10 de dezembro, data que marca o aniversário de morte de Nobel, falecido em 1896.
     
     

     

    Trio vence Nobel de Química por criar nova arquitetura molecular

  • Maduro diz que EUA abrigam suspeitos de planejar ataque a embaixada

    Maduro diz que EUA abrigam suspeitos de planejar ataque a embaixada

    Presidente venezuelano afirma ter entregue a Washington os nomes e a localização dos responsáveis por suposto atentado e acusa setores da direita local de tentar provocar um conflito por meio de uma “operação de bandeira falsa”

    O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou que os responsáveis por planejar um atentado contra a embaixada dos Estados Unidos em Caracas estão em território norte-americano. Segundo ele, o governo dos EUA foi informado sobre a identidade e o paradeiro dos suspeitos.

    “Foram tomadas as medidas de segurança pertinentes, porque respeitamos o direito internacional. O deputado Jorge Rodríguez informou os nomes, apelidos e localização das pessoas responsáveis, que a partir dos Estados Unidos prepararam esse atentado à embaixada dos EUA em Caracas”, declarou Maduro na terça-feira.

    O presidente venezuelano fez o pronunciamento durante um encontro com os embaixadores da Rússia e da China, transmitido pela televisão estatal. Ele explicou que os dados sobre os responsáveis pelo plano foram entregues na segunda-feira ao adido da missão diplomática dos EUA em Bogotá, na Colômbia, John McNamara.

    “Os EUA têm toda a informação e, se necessário, nós a tornaremos pública. Por prudência, informamos oficialmente o governo norte-americano para que realize as investigações e proceda à captura imediata dos terroristas que estão lá mesmo, nos Estados Unidos”, afirmou Maduro.

    Ele destacou ainda que “seria aconselhável que os organismos competentes dos EUA investigassem com seriedade esta informação”, enviada “de boa-fé pelo governo bolivariano da Venezuela”.

    Maduro também minimizou um possível distanciamento diplomático entre Caracas e Washington, após o envio de tropas americanas para o Caribe sob a justificativa de combate ao narcotráfico. “Eles divulgam a notícia de que não têm relações diplomáticas conosco. Nós também não temos com vocês”, ironizou.

    Segundo o presidente, “os gringos negam ter contato com Caracas para ignorar que lhes entregamos os nomes dos terroristas” e advertiu que, se o atentado tivesse sido consumado, “teria sido um incidente grave”.

    Na segunda-feira, o governo venezuelano denunciou planos de “setores extremistas da direita local” para realizar um atentado com explosivos contra a embaixada dos EUA em Caracas. A sede diplomática, embora fechada desde 2019, tem sido alvo de rumores de que abriga a líder da oposição María Corina Machado, que está foragida desde as eleições presidenciais de julho de 2024.

    “Quero anunciar que, por três vias diferentes, alertamos o governo dos Estados Unidos sobre uma grave ameaça: através de uma operação de bandeira falsa preparada por setores extremistas da direita local, há uma tentativa de colocar explosivos letais na embaixada”, escreveu Jorge Rodríguez, presidente do Parlamento, no Telegram.

    Durante o programa “Con Maduro +”, o presidente afirmou que, graças ao trabalho do sistema de inteligência venezuelano, foi possível “rastrear as conversas entre os planejadores da ação terrorista”.

    “É uma operação típica de bandeira falsa, uma provocação para criar um escândalo e culpar o governo bolivariano, iniciando uma escalada de confrontos em que não haverá perguntas, apenas o barulho das metralhadoras e mísseis”, declarou.

    A embaixada dos Estados Unidos em Caracas está fechada desde janeiro de 2019, quando Maduro rompeu relações diplomáticas com Washington. À época, o governo norte-americano reconheceu o então líder opositor Juan Guaidó como “presidente interino” da Venezuela, acusando Maduro de fraude eleitoral.

    As tensões entre os dois países aumentaram novamente em agosto, após o envio de navios de guerra norte-americanos para o Caribe, sob a justificativa de intensificar o combate ao narcotráfico na região.

    Maduro diz que EUA abrigam suspeitos de planejar ataque a embaixada

  • Refém do Hamas relata horror em cativeiro: “Se achasse migalha, comia”

    Refém do Hamas relata horror em cativeiro: “Se achasse migalha, comia”

    O luso-israelense Eli Sharabi passou 491 dias em cativeiro acreditando que reencontraria a esposa e as duas filhas. Libertado, descobriu que elas haviam sido mortas durante o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023

    Nesta terça-feira (7), completaram-se dois anos do conflito na Faixa de Gaza, iniciado após os ataques de 7 de outubro de 2023. Entre as vítimas israelenses está a família do luso-israelense Eli Sharabi, um dos 251 reféns feitos pelo Hamas. Libertado após 491 dias em cativeiro, ele descobriu que a esposa e as duas filhas haviam sido mortas no ataque, uma tragédia que o levou a escrever um livro sobre sua experiência.

    Eli Sharabi foi um dos 251 reféns feitos pelo Hamas em 7 de outubro de 2023. Após 491 dias em cativeiro, foi libertado em uma das trocas de reféns entre Israel e o grupo palestino e voltou para casa acreditando que reencontraria a mulher e as duas filhas. Sharabi não sabia que elas não haviam sobrevivido ao ataque.

    Esta terça-feira marca o segundo ano do conflito na Faixa de Gaza, entre Israel e o Hamas, agravado pelos ataques de 7 de outubro, que causaram cerca de 1.200 mortes e desencadearam uma ofensiva militar israelense que já deixou mais de 67 mil mortos desde o início.

    Entre as vítimas está a família de Sharabi, que, após ser libertado, decidiu escrever um livro contando o que viveu em cativeiro. Sharabi, que é luso-israelense, perdeu também o irmão, Yossi Sharabi, de 53 anos, uma das vítimas mortas pelo grupo.

    Durante quase 500 dias, o israelense relata que apenas a esperança de rever a mulher, Lianne, e as duas filhas, de 16 e 13 anos, o fez suportar o cativeiro. “A crença de que elas estão vivas, a minha preocupação por elas, dá-me força”, recorda no livro “Hostage”, citado pelo New York Post.

    Por isso, em fevereiro deste ano, quando soube que seria libertado, permitiu-se imaginar a vida novamente com sua família. As filhas correriam em sua direção quando se reunissem, ele as abraçaria e, depois, todos se mudariam para a Inglaterra, terra natal da esposa, longe do conflito que os separou.

    Sharabi ainda não sabia da guerra nem que 101 dos seus vizinhos haviam morrido no ataque. Soube da morte do próprio irmão, também refém, momentos antes de ser libertado.

    Ao New York Post, o israelense detalhou a cerimônia de libertação em Gaza, chamando-a de um “espetáculo de propaganda” do Hamas. Na época, Sharabi, com pouco mais de 43 quilos, foi levado a um palco e questionado sobre o que faria com a recém-adquirida liberdade. “Eu disse que estava muito entusiasmado por ver a minha mulher e filhas.”

    “Foi a nossa última humilhação”, contou. “Mas eu imaginei que as minhas filhas e a Lianne, em breve, estariam a correr para os meus braços.”

    Quando finalmente foi entregue às autoridades israelenses, a funcionária que o acompanhou disse que sua mãe e irmã o esperavam. Ao perguntar sobre a esposa e as filhas, ouviu apenas: “A tua mãe e irmã depois explicam-te.”

    “Foi como se um martelo de cinco quilos me caísse sobre a cabeça”, disse, admitindo que entendeu, de imediato, que sua família estava morta.

    Lianne, Noiya e Yahel foram baleadas após Sharabi ser capturado em 7 de outubro. Nem o cachorro da família, Mocha, sobreviveu ao ataque.

    A força que o manteve vivo durante o cativeiro nunca mais estaria à sua espera, mas a promessa de Sharabi às filhas foi cumprida: ele voltou para casa.

    Sharabi relatou que esteve acorrentado vinte e quatro horas por dia, com correntes de ferro nos tornozelos que rasgavam sua pele. Os pulsos estavam amarrados com cordas tão apertadas “que ficaram marcados”. Mas o mais difícil, fisicamente, foi a fome.

    Sharabi disse que sobreviveu com um pita e meio por dia, esperando às vezes até 30 horas “para o próximo pita seco e água salgada para beber”. “Se encontrasse alguma migalha no chão, agarrava nela e comia-a. Suplicava por comida constantemente”, relatou, dizendo que sabia que os captores precisavam dele vivo.

    Certa vez, ao encontrar uma lâmina, cortou a sobrancelha, garantindo que sangrava bastante, e fingiu desmaiar. A encenação lhe garantiu uma metade extra de pita na semana seguinte. “Foi um inferno”, disse, revelando que chegou a um ponto em que sentia que “podiam partir-me as mãos, os pés, as costelas, sem problemas, mas dêem-me mais comida”.

    A fome não era o único problema. Ele contou que ouviu um dos captores ao telefone, aparentemente recebendo más notícias, e a frustração foi descarregada nele. “Ele virou-se contra mim, espancando-me até eu perder os sentidos. Murros, pontapés nas costelas…”, disse, lembrando que os outros reféns tentaram protegê-lo. “Eu encolhi-me aos gritos por causa da dor. Tentei rastejar para longe dele, mas tinha os pés ainda algemados.”

    Durante o mês seguinte, Sharabi não conseguiu sentar-se ou ficar de pé. Além da violência física, relatou o terror psicológico constante, especialmente vindo dos guardas mais jovens e cruéis: “O tratamento deles era mais duro e mais degradante.”

    “Eles tentavam fazer com que nós entrássemos em desespero, e acreditássemos que tínhamos sido verdadeiramente abandonados e que ninguém queria saber da nossa existência”, afirmou.

    Um deles dizia frequentemente a Sharabi que tinha visto sua família em protestos na televisão: “Estão a lutar por ti. Tens filhas incríveis.”

    Entre os guardas havia também os que os humilhavam por meio da religião, obrigando judeus a citar versos do Corão em troca de fatias de fruta.

    E mesmo sabendo que o Hamas precisava dos reféns vivos, Sharabi vivia em medo constante de que um dia algum dos captores perdesse o controle e o matasse. “Estava no ar o tempo todo, todos os dias”, disse, descrevendo como os guardas apontavam as armas para os reféns, gesticulando que iriam “massacrá-los”.

    Sharabi garantiu que sempre quis “viver em paz com os seus vizinhos”, referindo-se aos palestinos em Gaza, mas que agora perdeu essa esperança. “As pessoas que incendeiam, que violam… Vai demorar pelo menos duas gerações a educá-los para que amem e não odeiem”, afirmou.

    O israelense contou que “não conheceu ninguém que não estivesse envolvido [no conflito] em Gaza, até mesmo os civis”. As próprias crianças, disse, atiraram sapatos nos reféns quando eles chegaram após o ataque de 7 de outubro. Sharabi disse que quase foi linchado por uma “multidão enraivecida que me queria desfazer em pedaços”.

    O ataque de 7 de outubro de 2023, realizado pelo Hamas, fez mais de 200 reféns e 1.200 mortos. O grupo palestino governa a Faixa de Gaza desde 2006, quando foi eleito por uma população que há décadas vive em conflito com Israel. Desde a criação do Estado israelense, em 1948, após a Segunda Guerra Mundial e a perseguição aos judeus, diversos confrontos armados já deixaram milhares de mortos.

    A guerra declarada por Israel em 7 de outubro de 2023, com o objetivo de “erradicar” o Hamas, provocou até agora pelo menos 67.173 mortes, incluindo mais de 20.000 crianças e 169.780 feridos, em sua maioria civis, segundo dados das autoridades locais considerados confiáveis pela ONU.

     

    Refém do Hamas relata horror em cativeiro: “Se achasse migalha, comia”

  • Argentina autoriza extradição de suspeito de tráfico que financiou aliado de Milei

    Argentina autoriza extradição de suspeito de tráfico que financiou aliado de Milei

    Federico Machado é acusado nos EUA de crimes relacionados a tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e fraude, além de ter contribuído com fundos não declarados para a campanha presidencial do deputado José Luis Espert em 2019, aliado de Milei

    BUENOS AIRES, ARGENTINA (CBS NEWS) – Após três anos de silêncio, a Justiça da Argentina autorizou nesta terça-feira (7) a extradição de Federico “Fred” Machado, suspeito de envolvimento com tráfico de drogas, para os Estados Unidos, na esteira do escândalo que derrubou o principal candidato de Javier Milei nas eleições legislativas para a província de Buenos Aires.

    Machado é acusado nos EUA de crimes relacionados a tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e fraude, além de ter contribuído com fundos não declarados para a campanha presidencial do deputado José Luis Espert em 2019, aliado de Milei e que encabeçava a lista de deputados para o pleito de 26 de outubro. Espert desistiu da disputa no último domingo (5).

    A Suprema Corte tomou sua decisão de forma unânime, com a confirmação de que as condições para a extradição estão atendidas. Horas depois, a Presidência informou em uma nota que vai acatar a decisão da Justiça.

    Diferentemente do que ocorre no Brasil, a lei permite que autoridades extraditem cidadãos argentinos, exceto quando não houver um tratado a respeito e a pessoa optar por ser julgada no país.

    A situação era curiosa, pois o advogado que representou Machado durante o processo de extradição, Francisco Oneto, também é o defensor pessoal de Milei.

    Na sua primeira entrevista após a renúncia de Espert, nesta terça-feira, Machado pediu que a questão eleitoral não influenciasse na decisão sobre a extradição.

    Ele também disse que conhecia o deputado e que deu a ele um valor maior que os US$ 200 mil (cerca de R$ 1 milhão) que aparecem em um extrato do Bank of America divulgado na semana passada.

    “Seu erro foi negar [que me conhecia]”, disse quando questionado sobre as tentativas do ex-candidato de se desvincular dele. “Há fotos, há testemunhas. Se ele tivesse dito ‘sim, eu o conheci; ele me ajudou e depois se meteu em problemas’, ninguém o teria crucificado. Mas ele preferiu negar.”

    Após dar diferentes versões, Espert chegou a reconhecer que havia recebido os dólares de Machado para prestar serviços de consultoria em uma mineradora da Guatemala. “Ele não mente quando diz que houve um contrato, eu fiz isso em 2019, são mais de US$ 200 mil. Eu o contratei para ajudá-lo.”

    Também disse que conheceu Espert em 2019, durante sua candidatura presidencial. Machado afirmou que não tinha interesse em política, mas ficou impressionado com as ideias liberais dele.

    Machado está preso desde 16 de abril de 2021, após ser detido em Neuquén por uma solicitação internacional. É mantido em prisão domiciliar em Viedma, na província de Río Negro. Com a nova decisão da Corte, sua situação pode mudar, podendo ser ordenada sua detenção em uma prisão regular.

    O juiz Gustavo Villanueva decidiu pela extradição em 12 de abril de 2022, mas a defesa de Machado recorreu. Em 4 de abril de 2023, o procurador-geral da Argentina se manifestou a favor da extradição, e o caso seguiu para a Suprema Corte.

    Na semana passada, a Corte instruiu Villanueva a solicitar esclarecimentos à Justiça dos Estados Unidos, que retornou afirmando que o pedido de extradição permanece válido. Com essa resposta dos EUA, o juiz de Neuquén enviou novamente o caso à Corte, que assim deu luz verde para a extradição.

    Milei tinha dez dias para responder. Como o governo não levantou objeções, Machado deve deixar o país dentro de 30 dias após a comunicação oficial. O juiz Villanueva novamente participará do processo, conforme necessário.

    Simultaneamente, o partido de Milei, A Liberdade Avança, tenta retirar das cédulas eleitorais o rosto de Espert e pede que ele seja substituído pelo deputado Diego Santilli.

    A Justiça convocou as 15 coalizões políticas que concorrerão nas eleições para opinarem sobre o tema nesta quarta-feira (8) e pediu que seja apresentado um plano para o pagamento dos custos de reimpressão, estimados em US$ 10 milhões (cerca de R$ 55 milhões). A tendência é que os adversários de Milei exijam que o partido governista pague pelos gastos extras.

    Argentina autoriza extradição de suspeito de tráfico que financiou aliado de Milei

  • Daniel Noboa, presidente do Equador, é alvo de atentado

    Daniel Noboa, presidente do Equador, é alvo de atentado

    O ataque aconteceu quando o político chegava a um evento na província de Cañar, na região central do Equador

    Nesta terça-feira (7), o presidente do Equador, Daniel Noboa, foi alvo de um atentado durante um evento. A ministra de Energia, Inés María Manzano, afirmou que ele não se feriu e classificou o ataque como uma “tentativa de assassinato”.

    Segundo informações do próprio governo, o atentado aconteceu quando o carro de Noboa chegava a um evento na província de Cañar, na região central do país. O ataque teria sido promovido por uma multidão de cerca de 500 pessoas.

    Manzano disse ainda que o carro em que estava o presidente ficou com marcas de bala, indicando que o veículo foi alvejado. O grupo também teria atirado pedras.

    Segundo nota da Presidência, pelo menos cinco pessoas foram presas e os acusados serão processados por terrorismo e tentativa de homicídio.

    Daniel Noboa, presidente do Equador, é alvo de atentado

  • Agiram como terroristas, diz brasileiro detido em flotilha por Israel após chegar ao Rio

    Agiram como terroristas, diz brasileiro detido em flotilha por Israel após chegar ao Rio

    Ativista Nicolas Calabrese, que tem também cidadania italiana, foi o primeiro cidadão do Brasil a ser deportado por Tel Aviv; segundo ele, colegas de missão que tentava chegar a Gaza sofreram abusos e maus-tratos das forças israelenses

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – O primeiro dos 14 brasileiros integrantes da flotilha Global Sumud, detida por Israel enquanto tentava levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza, desembarcou no Brasil na noite desta segunda (6). O ativista Nicolas Calabrese foi recebido no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, por um grupo de cerca de 40 manifestantes pró-Palestina.

    Emocionado, ele detalhou o período em que esteve sob a custódia israelense. Segundo Calabrese, o pior momento que passou foi quando a Marinha do país invadiu o navio em que ele estava.

    “A gente foi interceptado de forma violenta por mais de 15 soldados da Marinha israelense entrando nos nossos navios, apontando fuzis para a gente. Estavam armados até os dentes e encapuzados ao melhor estilo dos terroristas”, disse o ativista no saguão de desembarque do Galeão.

    Segundo Calabrese, após serem levados a um porto em Israel, os ativistas foram “violentados constantemente, empurrados e chutados”. Ele conta que ficou 20h sem poder urinar. Além disso, os militares não teriam dado qualquer informação sobre a localidade onde estavam, nem a possibilidade deles se comunicarem com suas famílias.

    “Quem tentava falar algo com um companheiro era deixado no sol ajoelhado”, disse.

    Na chegada ao Rio, ele foi abraçado por manifestantes que empunhavam cartazes com mensagens pró-Palestina e cantavam palavras de ordem pedindo liberdade para os detidos da flotilha. Também estava presente na recepção ao ativista o deputado federal Tarcísio Motta (PSOL-RJ).

    Nicolas Calabrese é professor de educação física, educador popular da Rede Emancipa no Rio de Janeiro (voltada para jovens e adultos) e militante do PSOL. Ele nasceu na Argentina e tem cidadania italiana, mas vive no Brasil há mais de dez anos. Ele foi deportado inicialmente para a Turquia, custeado pelo consulado da Itália em Israel.

    O ativista afirmou que seus pertences foram levados pelos agentes israelenses, incluindo seu celular e seus documentos da Argentina e do Brasil. Ele ficou apenas com seu passaporte italiano e roupas dadas na prisão.

    Calabrese disse que, em um primeiro momento, os agentes de Israel ofereceram para os detidos um termo em hebraico, sem tradução, que ninguém assinou, apesar da insistência dos militares. Segundo o ativista, Israel queria que eles reconhecessem que estavam tentando entrar em território israelense sem autorização.

    Ele disse que sua deportação foi mais célere do que a dos outros colegas brasileiros pelo fato dele ter o passaporte italiano. As autoridades do país europeu teriam agido mais rapidamente para liberar seus cidadãos.

    “Assim que fui recebido pela cônsul da Itália ela entrou em contato com minha mãe na Argentina e disse ‘Nicolas está bem e será deportado amanhã’. Dito e feito. Agora, por que o cônsul brasileiro não prestou essas informações [para as famílias brasileiras]. Isso é um absurdo”, disse, voltando a criticar a demora da ação do governo brasileiro.

    De acordo com o ativista, alguns colegas brasileiros que continuam detidos se recusaram a aceitar os termos de deportação exigidos por Israel por “posição política” para não concordar com o “sequestro” feito pelo Estado de Israel. Além disso, eles estariam manifestando oposição ao cerco contra o povo palestino pelo governo de Israel.

    Questionado sobre o posicionamento feito pelo presidente Lula nesta segunda, em que o brasileiro acusou Israel de violar direitos e criticou as ações contra embarcações que tentavam chegar à Faixa de Gaza, o ativista afirmou que ainda não tinha se informado sobre a declaração pois estava no avião e sem celular.

    “Fico feliz em saber que tenha se posicionado, mas a gente sabe que discurso não basta, só uma publicação é muito pouco ainda. Precisa uma comitiva da diplomacia lá em Israel. Políticas concretas para minimamente ter informação e ter uma previsão de quando todos vão ser libertos”, disse Calabrese.

    A flotilha Global Sumud partiu de Barcelona, na Espanha, no dia 31 de agosto, com cerca de 45 embarcações e ativistas e mais de 400 pessoas de diversas nacionalidades. Os barcos começaram a ser interceptados na quarta (1º).

    Outros brasileiros que pretendiam chegar a Gaza ao furar o bloqueio imposto por Tel Aviv continuam na prisão de Ktzi’ot, no deserto de Negev, perto da fronteira com o Egito. O grupo recebeu uma visita do governo brasileiro nesta segunda.

    Entre eles está Thiago Ávila, que já havia sido preso por Israel na empreitada anterior do grupo, em maio. Além dele, fazem parte da comitiva a deputada federal Luizianne Lins (PT-CE), a vereadora Mariana Conti (PSOL), de Campinas, assim como a presidente do partido no Rio Grande do Sul, Gabrielle Tolotti. Também há outros militantes pró-Palestina e sindicalistas como Magno de Carvalho Costa, dirigente do Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP).

    Agiram como terroristas, diz brasileiro detido em flotilha por Israel após chegar ao Rio

  • Polícia investiga incêndio na casa de juíza que bloqueou ação de Trump na Carolina do Sul

    Polícia investiga incêndio na casa de juíza que bloqueou ação de Trump na Carolina do Sul

    Casa de Diane Goodstein ficou totalmente destruída, como poderá ver pelas imagens do vídeo abaixo; juíza tinha travado, dias antes, uma decisão do presidente dos Estados Unidos

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – A polícia da Carolina do Sul investiga um incêndio que atingiu a casa de praia de uma juíza estadual e de um ex-senador democrata em Edisto, no sábado (4). A casa pertence à juíza Diane Goodstein e ao marido, Arnold Goodstein.

    Um porta-voz da Divisão de Polícia da Carolina do Sul disse à NBC News que investiga o caso e, até o momento, não há evidências de incêndio criminoso.

    Os investigadores pediram também que não sejam compartilhadas informações não verificadas.

    Goodstein e familiares pularam de janelas da casa para escapar do fogo e receberam atendimento em um hospital.

    Políticos democratas lembraram que Goodstein emitiu recentemente uma decisão temporária bloqueando a tentativa do governo Trump de apreender registros de votação estaduais.

    O deputado democrata Daniel Goldman, de Nova York, afirmou no domingo (5) que Donald Trump e seus apoiadores estavam “divulgando informações falsas e ameaçando juízes que decidem contra Trump, incluindo o juiz Goodstein”. Ele culpa a extrema direita pelo incêndio.

    O vice-chefe de gabinete de Trump, Stephen Miller, disse que Goldman espalha “mentiras desprezíveis”.

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