Categoria: MUNDO

  • Quem foi Magnitsky, advogado morto na prisão e que batiza lei dos EUA

    Quem foi Magnitsky, advogado morto na prisão e que batiza lei dos EUA

    O advogado tributátio Sergei Magnitsky tornou-se símbolo da violação dos direitos humanos na Rússia; ele foi preso por denunciar fraudes de autoridades russas

    SÃO PAULO, SP (UOL/CBS NEWS) – Sergei Magnitsky batiza a lei aplicada contra a mulher do ministro do STF Alexandre de Moraes, a advogada Viviane Barci de Moraes, e ao instituto Lex, ligado à família. Ele foi preso em 2008 após denunciar fraudes de autoridades russas e morreu quase um ano depois na prisão.

    QUEM FOI SERGEI MAGNITSKY

    Ele foi um advogado tributário que expôs uma fraude de membros do Ministério do Interior da Rússia. Magnitsky trabalhava para um fundo de investimento estrangeiro: o Hermitage Capital Management, cujo proprietário, o britânico William F. Browder, entrou em conflito com autoridades russas.

    Magnitsky trabalhava como advogado para Hermigate quando foi preso. As autoridades acusaram a companhia de não pagar cerca de US$ 17,4 milhões em impostos.

    Browder foi o maior investidor estrangeiro da Rússia até 2005, quando teve sua entrada no país negada. Para se defender no caso, ele contratou Magnitsky. Na época, o governo russo alegou que o investidor era uma ameaça para a segurança nacional.

    Magnitsky denunciou um desvio de US$ 230 milhões das autoridades russas. Em seguida, foi preso em 2008, sob a acusação de evasão fiscal pelo governo.
    Ele morreu na prisão em 2009, aos 37 anos, após 11 meses sob custódia. O advogado estava detido na prisão de Matrosskaya Tishina, em Moscou, e deixou esposa e dois filhos.

    O governo russo disse, à época, que ele morreu de insuficiência cardíaca. Porém, o conselho de direitos humanos do Kremlin levantou suspeitas de que ele teria sido espancado até a morte.

    Advogado não teria recebido cuidados médicos adequados na prisão, segundo relatos. As autoridades, no entanto, negaram que ele tivesse alertado sobre seus problemas de saúde.

    Mesmo morto, Magnitsky foi condenado junto com o seu ex-cliente, Browder. O empresário que tem cidadania britânica, mesmo tendo nascido nos EUA, buscou justiça fora da Rússia.

    Browder pediu que governos estrangeiros aplicassem proibições de vistos e congelamento de ativos para violadores de diretos humanos e funcionários corruptos. Ele foi condenado a nove anos de prisão na Rússia e desde então tem sido um ativista no âmbito dos direitos humanos.

    ‘NÃO HÁ NENHUM OUTRO CASO COMO O DE MORAES’

    Browder disse que o uso da Magnitsky contra Moraes foi feito por “motivos políticos óbvios”. Para ele, não há participação do ministro em tortura ou corrupção.

    “O uso da lei Magnitsky pela administração de Trump é uma violação grosseira. Está sendo feita por motivos políticos óbvios, não há nenhuma alegação que eu saiba de que o ministro esteja envolvido em tortura ou corrupção em grande escala. Pelo que li, parece muito claro que Donald Trump e outros estão bravos com ele [Moraes] por ele estar processando o ex-presidente brasileiro [Jair Bolsonaro, réu por tentativa de golpe de Estado].”

    “Essa lei não foi feita para resolver disputas políticas. Foi feita para ajudar as vítimas de grandes violações de direitos humanos. […] Não vi nenhum outro caso em que a lei foi mal utilizada assim.”

    “Sou especialista é na Lei Magnitsky. Não sou especialista no Brasil ou nesse juiz em particular. E o que posso dizer é que não é preciso ser especialista, as alegações que adversários [de Moraes] fizeram contra ele não estão no nível de sanção pela Lei Magnitsky. Se você pegar a acusação mais séria, a de que ele derrubou [contas do] Twitter, de que não acredita em liberdade de expressão… essas coisas não são sancionáveis pela Lei Magnitsky.”

    ENTENDA A LEI

    Lei permite que EUA apliquem sanções unilaterais contra estrangeiros. As punições valem para acusados de corrupção grave ou violações sistemáticas de direitos humanos e incluem bloqueio de bens em solo americano, congelamento de contas e outras transações pelo sistema financeiro dos EUA, além de proibição de entrada no país.

    O texto prevê a possibilidade de perder acesso a cartões emitidos por bancos americanos e ao Google Pay e Apple Pay. A esposa do ministro também pode ser monitorada por empresas americanas como o Google para garantir que não está contornando as sanções. Empresas e cidadãos americanos ficam impedidos de negociar com ela, mas não há previsão de sanção para pessoas ou entidades internacionais.

    Não há necessidade de processo judicial. Basta uma decisão do Executivo com base em relatórios ou documentos de organizações internacionais, imprensa e testemunhos para ser aplicada.

    Foi aprovada no governo Obama, em 2012, e ampliada em 2016. A lei foi criada para punir os envolvidos na morte do advogado Sergei Magnitsky, que denunciou esquema de corrupção com autoridades fiscais russas antes de morrer na prisão em Moscou.

    Ofensiva contra Moraes aumentou por pressão de Eduardo Bolsonaro. O deputado trabalhou para convencer republicanos a adotarem sanções contra o ministro com base na Lei Magnitsky e ganhou apoio de Elon Musk e outros conservadores.

    Sanção vem 11 dias após a condenação de Bolsonaro e enquanto Lula fala na ONU. A aplicação tem como objetivo impulsionar a aprovação da anistia -um projeto da direita brasileira que pretende dar perdão a condenados pela tentativa de golpe em 8 de Janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

    Quem foi Magnitsky, advogado morto na prisão e que batiza lei dos EUA

  • Jornalista que denunciou a Covid-19 na China é condenada (de novo)

    Jornalista que denunciou a Covid-19 na China é condenada (de novo)

    De acordo com a associação Jornalistas sem Fronteiras (conhecidos pela sigla RSF), durante o último ano “a jornalista Zhang Zhan foi completamente isolada do mundo exterior, e quase toda a informação sobre a sua localização foi mantida em segredo”

    Zhang Zhan, a jornalista chinesa que revelou ao mundo a realidade da Covid-19 ainda na sua fase inicial, em Wuhan, na China, voltou a ser condenada a mais quatro anos de prisão por “provocar problemas” no país.

    A jornalista voltou a ser presa em 28 de agosto de 2024, por reportar as supostas violações de direitos humanos perpetuadas pelo governo chinês. Durante o último ano, segundo a associação Jornalistas sem Fronteiras (conhecidos pela sigla RSF), “a jornalista foi completamente isolada do mundo exterior, e quase toda a informação sobre a sua localização foi mantida em segredo”.

    Notícias ao Minuto [Registro da jornalista Zhang Zhan]© X  

    “Ela deveria ser celebrada globalmente como uma ‘heroína da informação’. Não detida em prisões com condições subumanas”, afirma a gerente de advocacia da RSF da região da Ásia-Pacifico, em um comunicado citado pela NBC News. “Esta perseguição tem de acabar”, acrescenta.

    O advogado de Zhang, Ren Qyanniu, disse na rede social X que as acusações não tinham qualquer base jurídica e que a jornalista estava sendo julgado devido a comentários que deixou em sites internacionais.

    A autoridades chinesas em uma especificaram publicamente quais foram as atividades de Zhang que “provocaram problemas” e levaram a esta nova acusação.

    “Esta é a segunda vez que Zhang Zhan enfrentou um julgamento sobre acusações sem qualquer base que mostram nada mais do que um ato de perseguição claro ao trabalho jornalístico dela”, afirmou Beh Lih Yi, diretor para a Ásia-Pacífico do Comité para a Proteção dos Jornalistas.

    Zhang foi presa pela primeira vez a 14 de maio de 2020, enquanto fazia a cobertura do início da Covid-19. 

    Nas redes sociais, a jornalista publicou mais de 100 vídeos, nos meses anteriores à sua detenção, onde documentou o que estava acontecendo na cidade de Wuhan: de hospitais abarrotados a ruas completamente desertas – uma realidade muito mais crítica do que aquela que o governo chinês queria que o público visse.

    Sete meses depois de ser detida, foi condenada a quatro anos de prisão, sob a mesma acusação que agora a voltou a levar para prisão: “provocar problemas” no país.

    Já na época, o advogado de Zhang tinha dito que a jornalista acreditava que estava sendo “perseguida por exercer o seu direito à liberdade de expressão”.

    O advogado contou ainda que nos primeiros meses de aprisionamento, Zhang comprometeu-se com uma greve de fome, que quase a matou, e obrigou as autoridades a amarram-lhe os braços e à alimentarem à força com recurso a um tubo nasal. A representação da jornalista contou que, por vezes, os guardas a deixavam algemada durante dias a fio

    A primeira sentença da jornalista terminou em maio de 2024 – portanto, apenas três meses antes de voltar a ser detida.

    Segundo a RSF a China é o país com mais reclusos jornalista, com pelo menos, 124 destes profissionais atrás das grades. No Index de Liberdade de Imprensa Mundial da RSF de 2025, o país surge no lugar 178 de 180. Atrás de si surge apenas a Coreia do Norte e a Eritreia, um país da África Oriental.

    Jornalista que denunciou a Covid-19 na China é condenada (de novo)

  • Países asiáticos esvaziam regiões e suspendem voos para chegada de supertufão

    Países asiáticos esvaziam regiões e suspendem voos para chegada de supertufão

    Supertufão Ragasa ameaça China, Taiwan e Filipinas com ventos de até 223 km/h, chuvas intensas e risco de inundações, maremotos e deslizamentos. Autoridades já evacuaram milhares de pessoas, suspenderam aulas, voos e trens de alta velocidade em áreas sob alerta máximo

    (CBS NEWS) – China, Taiwan e Filipinas se preparam para a passagem do supertufão Ragasa, que promete ser a mais forte tempestade do ano na região, segundo agências de meteorologia dos países. Diversas áreas estarão sujeitas a alagamento, maremotos, ventanias e deslizamento.

    Segundo o Centro Meteorológico Nacional da China, os ventos devem chegar a 223 km/h, e são esperados chuvas intensas e mar agitado nas regiões sul e leste do país.

    A Administração Meteorológica da China ativou uma resposta de emergência nível 2, o que significa que as unidades centrais e provinciais entram formalmente em estado de emergência, com operação reforçada e previsão e vigilância intensificada.

    Já o Observatório Meteorológico Central emitiu alerta laranja, o segundo em nível de gravidade dos fenômenos, o que indica urgência elevada.

    Na província de Guangdong, uma das áreas que devem ser as mais afetadas da China, a Administração de Segurança Marítima ativou uma resposta de emergência de nível 2 e realocou mais de 10.000 embarcações para abrigo, segundo a mídia estatal chinesa. O órgão governamental mobilizou 23 embarcações de resgate, rebocadores de alta potência e três helicópteros de resgate especializados.

    As autoridades provinciais também determinaram que a partir das 12h de terça (1h de Brasília) os trens de alta velocidade que passam pelo local serão suspensos gradualmente.

    Na cidade de Zhuhai, foi determinada a suspensão de aulas, trabalho, produção, operação e negócios, além de fechamento de pontes e estradas, segundo a agência chinesa.

    Wang Changxiao, diretor do Departamento de Prevenção e Mitigação de Desastres da Gestão de Emergências de Shenzhen, afirmou em entrevista ao portal Shenzhen News que a cidade se prepara para realocar cerca de 400 mil pessoas que vivem em áreas propensas a inundações.

    A cidade, um dos polos tecnológicos da China, abriga empresas como Huawey, BYD e Tencent. No sábado (20), o observatório da cidade emitiu alerta de calamidade.

    O aeroporto de Hong Kong deve cancelar cerca de 700 voos entre terça e quarta-feira, quando o território deve sofrer os principais efeitos do supertufão, de acordo com a agência de notícias South China Morning Post. As autoridades de aviação local consideram suspender a maior parte dos pousos e decolagens por 36 horas, das 18h da terça (7h de Brasília) às 6h da manhã de quinta-feira (19h de quarta em Brasília). As aulas também foram suspensas por dois dias.

    Nas Filipinas, a agência oficial de comunicação do governo afirma que mais de 10 mil pessoas foram evacuadas de forma preventiva.

    Um comunicado afirma que os impactos maiores devem ser causados no país entre segunda e terça-feira. São esperados danos em casas e prédios feitos de materiais não fortificados, interrupções na eletricidade e em serviços de água, além de problemas no tráfego em terra e ar, com jornadas tomando mais tempo que o costume.

    As autoridades de Taiwan esperam que o tufão atinja o país entre segunda e quarta, com inundações como uma das principais consequências. Diversas áreas da região costeira determinaram o fechamento de estradas e alertas para possível deslizamento de terra, com a região sul como uma das mais afetadas.

    Foi orientado que embarcações navegando pelo Estreito de Taiwan, sudeste de Taiwan, canal de Bashi e nas águas da Ilha Dongsha exerçam vigilância rigorosa.

    Países asiáticos esvaziam regiões e suspendem voos para chegada de supertufão

  • Putin fala em estender por um ano acordo que limita armas nucleares se EUA fizerem o mesmo

    Putin fala em estender por um ano acordo que limita armas nucleares se EUA fizerem o mesmo

    Putin afirmou estar disposto a prorrogar por um ano o tratado Novo Start, último acordo nuclear em vigor entre Rússia e EUA, desde que Washington faça o mesmo. O pacto, que expira em 2026, limita arsenais estratégicos e permanece sem negociações de renovação

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – O presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse nesta segunda-feira (22) que estava pronto para estender por um ano o último acordo entre Washington e Moscou que tenta limitar o número de armas nucleares de ambos os lados se o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fizer o mesmo.

    A fala ocorre a pouco mais de quatro meses do prazo do tratado que tenta controlar o número de armas que podem destruir o mundo, o chamado Novo Start. Até agora, Rússia e EUA não iniciaram conversas sobre a renovação ou revisão do texto, embora Trump tenha falado sobre seu desejo de fazer um novo acordo do tipo incluindo a China -ideia que Pequim rejeitou.

    “A Rússia está disposta, após 5 de fevereiro de 2026, a continuar respeitando as limitações quantitativas centrais previstas pelo tratado Novo Start”, declarou Putin em uma reunião televisionada de seu Conselho de Segurança.

    Após essa data, continuou, a Rússia decidirá se vai manter as restrições. “Acreditamos que esta medida só será viável se os EUA agirem de maneira similar e não tomarem medidas que minem ou violem a proporção atual de capacidades de dissuasão”, afirmou.

    O líder disse ainda que a Rússia está monitorando as armas nucleares e a atividade de defesa dos EUA e prestando atenção especial aos planos de Washington para reforçar suas defesas antimísseis. “Procederemos com base no fato de que a implementação prática de tais ações desestabilizadoras poderia anular nossos esforços para manter o status quo no Start”, afirmou. “Responderemos de acordo.”

    O Novo Start (que vem da sigla inglesa para Tratado de Redução de Armas Estratégicas) é o descendente direto do primeiro acordo do tipo, entre soviéticos e americanos, em 1972. Foi assinado em 2010, buscando limitar o número de bombas a 1.550 de cada lado, além de 700 meios militares para empregá-las (aviões, mísseis e submarinos).

    O acordo também prevê um mecanismo de verificação, embora essas inspeções tenham sido oficialmente interrompidas há dois anos. Na ocasião, pouco antes de a Guerra da Ucrânia completar um ano, Putin afirmou que não estava se retirando do tratado, mas suspendendo sua participação.

    Este é o último acordo de controle de armamento entre Washington e Moscou. Em 2019, os EUA se retiraram de um importante tratado de desarmamento assinado em 1987 com a Rússia sobre armas nucleares de alcance intermediário.

    Ao fim da Guerra Fria, o mundo tinha cerca de 70 mil ogivas nucleares, a maioria absoluta nas mãos das duas potências. Agora são 12,2 mil, segundo a Federação dos Cientistas Americanos, 87% delas com os mesmos donos -mas há novos atores no palco desde então, como Paquistão e Coreia do Norte.

    Putin afirmou ainda que sua proposta era de interesse dos esforços para evitar a proliferação de armas nucleares globalmente e poderia ajudar a estimular o diálogo com Washington. A oferta ocorre no momento em que a Ucrânia tenta persuadir Trump a impor sanções mais duras à Rússia.

    A proposta parece ser uma mudança unilateral de política por parte de Moscou, que até agora insistiu que só se envolveria com os EUA em tais assuntos se a relação geral com o adversário, prejudicada pelas diferenças sobre a guerra na Ucrânia, melhorassem. Até agora, Washington não reagiu.

    Putin fala em estender por um ano acordo que limita armas nucleares se EUA fizerem o mesmo

  • Gestão Trump afeta o financiamento climático

    Gestão Trump afeta o financiamento climático

    Presidente da COP-30 alerta que políticas de Donald Trump podem reduzir o ritmo do financiamento climático, mas destaca relatório em elaboração por Brasil e Azerbaijão com alternativas para ampliar recursos, como taxação de super-ricos e combustíveis fósseis, e alcançar US$ 1,3 trilhão anuais até 2035.

    As políticas do presidente americano, Donald Trump, impactam na busca pelo volume trilionário que o financiamento climático carece anualmente, alertou o presidente da COP-30, André Corrêa do Lago. Brasil e Azerbaijão trabalham em um relatório com sugestões para ampliar essa cifra de US$ 300 bilhões para US$ 1,3 trilhão por ano até 2035. “Impacta, naturalmente. Mas o que nós vamos mostrar, nesse relatório, é quais são os instrumentos que a gente acredita que podem ser usados para eventualmente chegar a US$ 1,3 trilhão em financiamento climático por ano”, disse ele, ontem, em Nova York, a jornalistas.

    Segundo o embaixador, novos elementos de financiamento serão propostos no relatório. Entre eles, estão a taxação dos super-ricos, de petróleo e de passagem aérea. Somente o último poderia angariar US$ 80 bilhões, volume que é o dobro do somado de todos os fundos voltados para o clima, segundo Corrêa do Lago. “Há várias indicações de diminuição de entusiasmo com a agenda do clima. Mas essas dificuldades estão aparecendo porque essa agenda avançou muito”, avaliou Corrêa do Lago.

    A expectativa do presidente da COP-30 é de que todos os países compareçam à conferência. Sobre os americanos, que se retiraram do Acordo de Paris, os EUA poderiam enviar uma delegação técnica. Ele disse, no entanto, que não sabe se já há alguma reserva de hotel em Belém para enviados de Trump.

    Gestão Trump afeta o financiamento climático

  • Portugal, Austrália, Canadá e Reino Unido reconhecem a Palestina

    Portugal, Austrália, Canadá e Reino Unido reconhecem a Palestina

    A decisão conjunta, anunciada neste domingo (21), ocorre às vésperas da Assembleia Geral da ONU e reforça a pressão internacional por uma solução de dois Estados. Os quatro países condenaram ações de Israel em Gaza, mas também responsabilizaram o Hamas pelo ataque de outubro de 2023

    Austrália, Canadá, Portugal e Reino Unido anunciaram neste domingo (21) o reconhecimento oficial do Estado da Palestina, em declarações feitas nas redes sociais e durante entrevistas à imprensa. A decisão marca uma movimentação histórica, às vésperas da Assembleia Geral da ONU em Nova York, e antecipa a Conferência Internacional de Alto Nível sobre a Questão Palestina, organizada pela França e pela Arábia Saudita.

     
    Os quatro países, que se somam a mais de 140 já favoráveis à causa, justificaram a medida como um passo essencial para viabilizar a solução de dois Estados. Apesar das críticas às ações de Israel em Gaza, que já deixaram dezenas de milhares de mortos, em sua maioria civis, os governos também responsabilizaram o Hamas pelo ataque de 7 de outubro de 2023, quando centenas de israelenses foram mortos ou sequestrados. Todos deixaram claro que o grupo não terá papel em um eventual Estado palestino.

    No Reino Unido, o primeiro-ministro Keir Starmer anunciou o reconhecimento sob forte pressão de sua legenda, o Partido Trabalhista, e defendeu o direito de israelenses e palestinos a viverem em paz. O premiê canadense, Mark Carney, afirmou que o Canadá apoia a criação do Estado desde 1947, mas criticou tanto os ataques do Hamas quanto as medidas do governo Netanyahu, como o bloqueio de ajuda humanitária e a expansão de assentamentos na Cisjordânia, considerados ilegais pelo direito internacional.

    Da Austrália, Anthony Albanese ressaltou que a decisão busca atender às aspirações legítimas do povo palestino e deve ser acompanhada por cessar-fogo em Gaza e pela libertação imediata dos reféns sequestrados em 2023.

    Mais tarde, em Nova York, o presidente português Marcelo Rebelo de Sousa também confirmou o reconhecimento e defendeu a necessidade de manter viva a possibilidade de dois Estados. Segundo o professor Daniel Pineu, especialista em relações internacionais, a posição de Portugal acompanha a de seus principais parceiros europeus e pode ter reflexos internos, conquistando apoio de setores mais jovens do eleitorado.

    A reação de Israel foi imediata. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu acusou os líderes que reconheceram a Palestina de “recompensar o terrorismo” e reiterou que não permitirá a criação de um Estado palestino a oeste do rio Jordão.

    O anúncio reforça uma tendência entre países ocidentais, depois que Espanha, Noruega e Irlanda já haviam reconhecido a Palestina em 2024. O Brasil fez o mesmo em 2010, adotando como referência as fronteiras de 1967, que incluem a Faixa de Gaza, a Cisjordânia e Jerusalém Oriental como capital.

     
     

    Portugal, Austrália, Canadá e Reino Unido reconhecem a Palestina

  • Trump transforma homenagem a Charlie Kirk em comício religioso e político

    Trump transforma homenagem a Charlie Kirk em comício religioso e político

    Diante de 73 mil pessoas no Arizona, Donald Trump disse que o assassinato de Charlie Kirk foi “um ataque contra toda a nação” e anunciou que o ativista receberá a Medalha Presidencial da Liberdade. O evento teve tom de campanha, exaltando religião e patriotismo

    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, transformou a homenagem ao ativista conservador Charlie Kirk, assassinado em 10 de setembro, em um grande comício político marcado por apelos à “restauração da religião” e denúncias de um suposto “ataque contra toda a nação”.

    Diante de cerca de 73 mil pessoas reunidas no estádio State Farm, no Arizona, Trump classificou o crime como “um ataque contra as liberdades mais sagradas e os direitos fundamentais concedidos por Deus”. Segundo ele, o disparo que matou Kirk “estava apontado para todos os americanos”. O republicano anunciou ainda que o ativista será condecorado postumamente com a Medalha Presidencial da Liberdade, a maior honraria civil dos EUA.

    O evento, que durou quase cinco horas, reuniu nomes de peso da administração Trump, como o vice-presidente JD Vance, o secretário de Estado Marco Rubio, o secretário da Defesa Pete Hegseth, o secretário da Saúde Robert F. Kennedy Jr. e a diretora de inteligência nacional Tulsi Gabbard. Todos exaltaram a atuação de Kirk como líder do conservadorismo cristão no país. Fundador da Turning Point ainda aos 18 anos, ele organizava debates em universidades e se tornou uma figura influente junto aos jovens da direita cristã, sendo apontado por Trump como peça-chave na eleição presidencial de 2024.

    A viúva do ativista, Erika Kirk, hoje diretora executiva da Turning Point, subiu ao palco vestida de branco e afirmou perdoar o suspeito de 22 anos pelo crime. “Charlie queria salvar jovens como aquele que lhe tirou a vida. Eu o perdoo, porque é isso que Cristo faria”, disse.

    Durante os discursos, vários aliados de Trump compararam Kirk a uma figura messiânica. Marco Rubio afirmou que sua missão “era como a de Jesus Cristo” e Pete Hegseth declarou que todos estavam “na igreja de Charlie”, lembrando que “Kirk” significa “igreja” em alemão. O vice-chefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller, amigo pessoal do ativista, fez um dos discursos mais inflamados: “Vocês pensaram que podiam matar Charlie Kirk? Tornaram-no imortal”.

    O tom de campanha eleitoral foi reforçado pelo próprio Trump, que voltou a defender a “restauração das fronteiras, da ordem pública e de Deus nos Estados Unidos”, reafirmando sua promessa de “devolver a grandeza à América”.

    A cerimônia, tratada pelas autoridades como evento de segurança máxima, atraiu dezenas de milhares de pessoas desde as primeiras horas do dia, muitas usando camisetas com frases como “Liberdade” e “Eu sou Charlie Kirk”.

    Trump transforma homenagem a Charlie Kirk em comício religioso e político

  • Reino Unido, Austrália e Canadá reconhecem Estado da Palestina

    Reino Unido, Austrália e Canadá reconhecem Estado da Palestina

    O Reino Unido, Austrália e Canadá juntam-se, assim, a Portugal, que vai também hoje proceder o reconhecimento oficial do Estado da Palestina, durante uma cerimônia que se realizará em Nova York.

    O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, anunciou neste domingo que “o Reino Unido reconhece formalmente o Estado da Palestina”. O anúncio foi feito pouco depois de Canadá e Austrália também declararem o mesmo.

    “Hoje, para reacender a esperança de paz para palestinos e israelenses, e de uma solução de dois Estados, o Reino Unido reconhece formalmente o Estado da Palestina”, afirmou Starmer em um vídeo divulgado nas redes sociais.

    Ele defendeu que o país “está agindo para manter viva a possibilidade de paz e de uma solução de dois Estados”.

    “Isso significa um Israel seguro e protegido, juntamente com um Estado palestino viável — neste momento, não temos nenhum dos dois”, explicou, acrescentando que o momento de reconhecer a Palestina “chegou”. Starmer revelou que se reuniu com famílias britânicas de reféns do grupo Hamas em Gaza e viu “a tortura que sofrem todos os dias”, pedindo a libertação imediata deles.

    E completou: “Nosso apelo por uma solução genuína de dois Estados é exatamente o oposto da visão odiosa do Hamas. Essa solução não é uma recompensa para o Hamas”.

    O primeiro-ministro britânico já havia declarado, em julho, que Londres reconheceria o Estado da Palestina caso Israel não assumisse uma série de compromissos, incluindo a implementação de um cessar-fogo na Faixa de Gaza.

    Canadá e Austrália também anunciam reconhecimento do Estado Palestino
    “O Canadá reconhece o Estado da Palestina e oferece sua parceria na construção da promessa de um futuro pacífico tanto para o Estado da Palestina quanto para o Estado de Israel”, anunciou o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, em comunicado.

    Quase ao mesmo tempo, a Austrália fez o mesmo anúncio, reconhecendo “as aspirações legítimas e de longa data do povo palestino a um Estado próprio”, conforme declaração conjunta do primeiro-ministro Anthony Albanese e da ministra das Relações Exteriores, Penny Wong.

    Esses países se juntam a Portugal, que também fará neste domingo o reconhecimento oficial do Estado da Palestina, durante uma cerimônia em Nova York.

    A declaração será feita pelo ministro das Relações Exteriores, Paulo Rangel, na missão de Portugal junto à ONU, às 15h15 locais (20h15 em Lisboa).

    O anúncio ocorrerá ainda antes da conferência desta segunda-feira, organizada pela França e pela Arábia Saudita na sede das Nações Unidas, sobre a solução de dois Estados.

    Vale destacar que cerca de três quartos dos 193 países-membros da ONU já reconhecem o Estado Palestino, proclamado pela liderança palestina no exílio em 1988.

    Netanyahu alerta que “criação de Estado Palestino colocaria existência de Israel em risco”
    Enquanto diversos países reconhecem a Palestina, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que a criação de um Estado Palestino colocaria em risco a existência de Israel e prometeu combater esses apelos na Assembleia Geral da ONU.

    “Teremos de lutar na ONU e em todos os outros fóruns contra a propaganda enganosa contra nós e contra os apelos pela criação de um Estado Palestino, que colocaria em risco nossa existência e constituiria uma recompensa absurda ao terrorismo”, declarou.

    “A comunidade internacional ouvirá nossa posição sobre esse assunto nos próximos dias”, disse Netanyahu antes de uma reunião do Conselho de Ministros, segundo a agência France-Presse (AFP).

    Israel mantém uma ofensiva militar de larga escala na Faixa de Gaza em resposta ao ataque do Hamas em outubro de 2023. O grupo extremista controla o enclave desde 2007.

    O ataque do Hamas deixou cerca de 1.200 mortos e 251 reféns.

    Desde então, mais de 65 mil palestinos foram mortos na Faixa de Gaza, onde Israel enfrenta acusações de genocídio e de usar a fome como arma de guerra.

    Israel nega tais acusações, mesmo após a ONU declarar, em agosto, que o norte da Faixa de Gaza enfrenta fome — algo inédito no Oriente Médio.

    Reino Unido, Austrália e Canadá reconhecem Estado da Palestina

  • CEO de empresa de tecnologia morre ao despencar de pico com geleira

    CEO de empresa de tecnologia morre ao despencar de pico com geleira

    O local é conhecido por sua inclinação extrema e demanda técnicas de escalada avançadas. Travizano estava acompanhado de outro alpinista, ainda não identificado, que relatou os momentos que antecederam a tragédia.

    O argentino Matías Augusto Travizano, de 46 anos, CEO da empresa de tecnologia GranData, com sede em São Francisco, morreu após despencar mais de 900 metros no Monte Shasta, na Califórnia (EUA). O acidente ocorreu em 12 de setembro, quando Travizano iniciava a descida do pico de 4.268 metros.

    Segundo informações do San Francisco Chronicle, o empresário teria se desviado acidentalmente da rota principal e acabou preso na Geleira Wintun, a cerca de 4.160 metros de altura. O local é conhecido por sua inclinação extrema e demanda técnicas de escalada avançadas. Travizano estava acompanhado de outro alpinista, ainda não identificado, que relatou os momentos que antecederam a tragédia.

    Os dois tentaram descer pela trilha gelada para alcançar uma área mais segura. Nesse momento, o CEO teria escorregado e caído cerca de 90 metros, aparentemente perdendo a consciência por 10 minutos. O companheiro tentou ajudá-lo, mas, ao recobrar os sentidos, Travizano caiu novamente — desta vez de uma altura muito maior — e desapareceu da vista.

    Equipes da Patrulha Rodoviária da Califórnia localizaram o corpo na base da geleira com apoio de helicópteros. Segundo o gabinete do xerife do condado de Siskiyou, mesmo a rota Clear Creek, considerada uma das mais seguras para alcançar o cume, pode se tornar perigosa em condições de baixa visibilidade. Alpinistas desorientados frequentemente acabam em áreas íngremes, onde há maior risco de acidentes.

    Formado em Física, Travizano fundou a GranData, especializada em análise de dados e tecnologia blockchain. Ele também atuava como conselheiro governamental na Argentina e, em 2024, ajudou a organizar a primeira viagem oficial do presidente Javier Milei ao Vale do Silício.

    Em quatro dias, Milei se reuniu com líderes como Tim Cook (Apple), Sundar Pichai (Google), Sam Altman (OpenAI), Mark Zuckerberg (Meta) e Elon Musk (Tesla e SpaceX).

    Descrito por amigos como afetuoso, bem-humorado e dedicado à família, Travizano deixa um filho, Kai, com menos de um ano de idade.

    CEO de empresa de tecnologia morre ao despencar de pico com geleira

  • Imigrantes: "Queremos que a Venezuela aceite prisioneiros"

    Imigrantes: "Queremos que a Venezuela aceite prisioneiros"

    O Presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou a Venezuela com consequências “incalculáveis” se o Governo venezuelano não aceitar os “prisioneiros e internos dos hospitais psiquiátricos”, que foram “empurrados” para os EUA.

    “Queremos que a Venezuela aceite imediatamente todos os prisioneiros e pacientes de hospitais psiquiátricos (…) que os líderes venezuelanos forçaram a entrar nos Estados Unidos”, escreveu o presidente norte-americano na Truth Social, rede social que o republicano controla, acrescentando: “Façam-nos sair do nosso país imediatamente, ou o preço que vocês pagarão será incalculável”.

    Donald Trump, que colocou os Estados Unidos em uma luta implacável contra a imigração ilegal ao intensificar as expulsões, aumentou recentemente a pressão diplomática e militar sobre a Venezuela.

    Os EUA destacaram, oficialmente para uma operação antidrogas, vários navios de guerra no Caribe e 10 caças F-35 em Porto Rico, território ligado aos Estados Unidos na região.

    Washington acusa o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e seu governo de liderarem uma ampla organização de tráfico de drogas para os Estados Unidos, e anunciou recentemente a destruição de várias embarcações de “narcoterroristas”.

    Caracas nega veementemente essas acusações e, em resposta ao destacamento norte-americano considerado uma “ameaça militar”, iniciou exercícios militares na ilha caribenha de La Orchila, a cerca de 65 quilômetros do continente venezuelano.

    Nicolás Maduro, cujo governo não é reconhecido pelos Estados Unidos, denunciou “um plano imperial para promover uma mudança de regime” com o objetivo de “roubar o petróleo” do país. Seu ministro da Defesa classificou a ação como uma “guerra não declarada”.

    Imigrantes: "Queremos que a Venezuela aceite prisioneiros"