Categoria: MUNDO

  • Argentinos caçam ratos em Ushuaia para achar origem de surto de hantavírus

    Argentinos caçam ratos em Ushuaia para achar origem de surto de hantavírus

    Investigadores usam luvas azuis e máscaras cirúrgicas, recolhem ratos mortos e os levam para um laboratório improvisado, onde vão coletar amostras de sangue; buscas ocorrem no parque nacional e nas encostas arborizadas sobre a praia principal de Ushuaia

    SÃO PAULO, SP (UOL/CBS NEWS) – Investigadores argentinos capturam roedores em florestas perto de Ushuaia para tentar achar a origem de um surto de hantavírus ligado ao cruzeiro MV Hondius.

    Nesta terça-feira, a equipe checa 150 armadilhas de caixa montadas na noite anterior. Os cientistas usam luvas azuis e máscaras cirúrgicas, recolhem ratos mortos e os levam para um laboratório improvisado, onde vão coletar amostras de sangue.

    O trabalho começou de análise começou hoje e integra uma investigação mais ampla sobre o contágio no MV Hondius. O surto matou três pessoas e deixou outras doentes.

    O Instituto Malbrán diz que repetirá a rotina por mais três dias. Depois, as amostras seguem para o laboratório principal em Buenos Aires, onde os testes para hantavírus podem levar até um mês.

    Martín Alfaro disse que a equipe capturou o que era esperado. O porta-voz da secretaria de saúde de Tierra del Fuego afirmou ainda que a província nunca fez esse tipo de teste e que é importante descartar transmissão local.

    As autoridades de Tierra del Fuego rejeitam a hipótese inicial do governo nacional. Elas dizem que o casal holandês apontado como primeiro caso conhecido não esteve na região no período em que teria sido infectado e contestam a versão de que a cadeia de infecções começou em um lixão de Ushuaia.

    O hantavírus nunca foi registrado em Ushuaia nem no arquipélago de Tierra del Fuego. Ainda assim, há uma subespécie do roedor colilargo (rato de cauda-longa) nas florestas ao redor da cidade, e os cientistas querem saber se ela pode transmitir o vírus.

    As buscas ocorrem no parque nacional e nas encostas arborizadas sobre a praia principal de Ushuaia. Os casos de hantavírus aumentaram na Argentina nos últimos anos, em meio à expansão do colilargo associada às mudanças climáticas e à ocupação humana.

    Argentinos caçam ratos em Ushuaia para achar origem de surto de hantavírus

  • Justiça dos EUA barra Receita de avançar em cobranças fiscais contra Trump

    Justiça dos EUA barra Receita de avançar em cobranças fiscais contra Trump

    A medida veio um dia depois de Trump concordar em retirar uma ação contra o Serviço de Receita Federal; principal advogado do Tesouro dos EUA, Brian Morrissey, renunciou na segunda-feira após o anúncio do acordo com Trump

    SÃO PAULO, SP (UOL/CBS NEWS) – O Departamento de Justiça dos EUA ampliou um acordo com Donald Trump e incluiu uma cláusula que impede a Receita Federal americana de avançar em cobranças e apurações fiscais envolvendo o presidente, sua família e suas empresas, segundo informações divulgadas pelo jornal The New York Times.

    O compromisso aparece em um documento de uma página assinado pelo secretário de Justiça interino, Todd Blanche, ex-advogado de Trump. O texto foi publicado de forma discreta no site do departamento e prevê que o governo não dará prosseguimento a assuntos atualmente pendentes, inclusive os relacionados às declarações de imposto de renda do presidente.

    A medida veio um dia depois de Trump concordar em retirar uma ação contra o Serviço de Receita Federal (IRS, na sigla em inglês). Em troca, o governo criou um fundo de compensação de US$ 1,8 bilhão (R$ 9,1 bilhões) para indenizar pessoas que Trump diz terem sido prejudicadas por investigações e processos federais no governo Joe Biden.

    Democratas criticaram o fundo durante uma audiência no Senado em que Blanche foi questionado. Para opositores, o mecanismo abre espaço para pagamentos com dinheiro público a apoiadores do presidente por meio do Departamento de Justiça, órgão que está sob controle do governo.

    O New York Times informou que as negociações entre Trump, o Departamento de Justiça e o IRS incluíram um pedido para suspender auditorias contra o presidente, seus familiares e empresas. Essa cláusula não constava no acordo de nove páginas divulgado na segunda-feira, mas passou a aparecer no adendo assinado por Blanche, segundo O Globo.

    Nem o Departamento de Justiça nem o IRS comentaram o caso até a publicação da reportagem. O jornal o relata que os órgãos não responderam a pedidos de posicionamento.
    PROCESSO BILIONÁRIO E VAZAMENTO DE DECLARAÇÕES

    Trump, dois de seus filhos e negócios da família processaram o IRS em janeiro, pedindo ao menos US$ 10 bilhões (R$ 50 bilhões). A ação foi motivada pelo vazamento de suas declarações de imposto de renda durante o primeiro mandato, atribuído a um funcionário terceirizado que repassou dados a um jornal.

    Reportagens sobre as declarações indicaram que Trump pagou US$ 750 (cerca de R$ 3,7 mil) de imposto federal no ano em que assumiu a Presidência pela primeira vez. Em outros períodos, ele não teria pago imposto federal, conforme as publicações citadas por NYT.

    As regras do IRS preveem auditoria obrigatória anual das declarações do presidente. Ao mesmo tempo, a lei federal proíbe que o presidente, o vice-presidente e outros integrantes do Executivo instruam a Receita a iniciar ou interromper auditorias específicas.

    SAÍDA NO TESOURO E IMPACTO POTENCIAL

    O principal advogado do Tesouro dos EUA, Brian Morrissey, renunciou na segunda-feira após o anúncio do acordo com Trump. Na carta de renúncia, sete meses depois de ter sido confirmado pelo Senado, ele agradeceu a Trump e ao secretário do Tesouro, Scott Bessent.

    Autoridades do Departamento de Justiça defenderam o fundo dizendo que Trump e familiares não serão pagos por ele. Ainda assim, a proteção contra auditorias pode ter impacto financeiro relevante para o presidente, já que uma derrota em uma auditoria poderia custar mais de US$ 100 milhões (R$ 504 milhões), segundo reportagem do New York Times.

    Não está claro se a auditoria mencionada já terminou ou se há outras apurações em andamento. O NYT afirma que, até o momento, não há confirmação pública sobre o status das investigações fiscais envolvendo Trump, familiares ou entidades ligadas a eles.

    Justiça dos EUA barra Receita de avançar em cobranças fiscais contra Trump

  • Navio atingido por hantavírus voltará a navegar em junho após desinfecção

    Navio atingido por hantavírus voltará a navegar em junho após desinfecção

    Embarcação MV Hondius teve viagens canceladas após surto da cepa andina do vírus deixar mortos e infectados; empresa prevê retomada das operações em 13 de junho

    SÃO PAULO, SP (UOL/CBS NEWS) – O navio de cruzeiro atingido por hantavírus voltará a navegar em junho após desinfecção. A informação foi divulgada ontem pela Oceanwide Expeditions, empresa responsável pelo cruzeiro.

    O navio MV Hondius atracou no porto de Roterdã, na Holanda, na manhã desta terça-feira (19). A organização informou que a embarcação chegou por volta de 11h (do horário local) e que não há pessoas com sintomas a bordo nem entre os tripulantes que desembarcaram.

    Parte da tripulação deixou o navio e foi encaminhada para quarentena. Conforme comunicado divulgado, vinte tripulantes e dois profissionais de saúde do RIVM (Instituto Nacional de Saúde Pública e Meio Ambiente da Holanda) desembarcaram e foram levados a uma instalação especializada.

    A empresa contratou uma equipe para fazer uma desinfecção ampliada do navio. A Oceanwide disse que escolheu a EWS Group para realizar a limpeza, em um processo estimado entre três e quatro dias, a depender da inspeção feita hoje.

    Duas viagens dos próximos dias foram canceladas para permitir o procedimento de limpeza. A Oceanwide comunicou aos passageiros o cancelamento dos cruzeiros HDS02-26 (29 de maio a 5 de junho) e HDS03-26 (5 de junho a 13 de junho), com opções de remarcação.

    A programação a partir de 13 de junho deve ser mantida. A empresa afirmou que as viagens a partir dessa data seguem previstas, e que o navio retoma as operações completas em 13 de junho, com saída de Longyearbyen, em Svalbard.

    Navio atingido por hantavírus voltará a navegar em junho após desinfecção

  • Putin chega à China para visita de Estado dias após partida de Trump

    Putin chega à China para visita de Estado dias após partida de Trump

    Pequim quer se posicionar como ator diplomático relevante em mundo marcado por conflitos na Ucrânia e Irã. Russo viajou a convite de Xi Jinping para discutir energia, economia e defesa

    PEQUIM, CHINA (CBS NEWS) – O presidente da Rússia, Vladimir Putin, chegou a Pequim na noite desta terça-feira (19), no horário local, começo da tarde do Brasil no mesmo dia, para uma visita de Estado quatro dias após a partida do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

    É a primeira vez que Pequim recebe, no mesmo mês, os mandatários dos dois países, o que é visto por analistas como uma forma de a China se posicionar como imparcial e como força diplomática decisiva em meio à polarização mundial.

    Artigo publicado pela mídia estatal chinesa Global Times afirma que o país está se consolidando como “ponto focal da diplomacia global”.

    O russo viajou à capital chinesa a convite do líder do regime, Xi Jinping, por ocasião dos 25 anos do Tratado de Boa Vizinhança e Cooperação Amistosa. Este ano marca também o trigésimo aniversário do início das relações estratégicas entre os países.

    Putin foi recebido no aeroporto da capital pelo chanceler chinês, Wang Yi, e se encontrará com Xi na manhã de quarta-feira (20), no horário local.

    Segundo comunicado do Kremlin, os mandatários vão discutir “assuntos bilaterais da atualidade, maneiras de fortalecer ainda mais a parceria abrangente e a cooperação estratégica” e “trocarão opiniões sobre questões internacionais e regionais importantes”.

    Em pronunciamento por ocasião da viagem, Putin afirmou que as relações entre os países atingiram “um nível verdadeiramente sem precedentes”. Chamou Xi de amigo de longa data e declarou que as nações “estão expandindo ativamente seus contatos nas áreas da política, da economia e da defesa”.

    A guerra na Ucrânia deve ser um dos principais assuntos, embora as chancelarias dos países não tenham sinalizado que o conflito estará em destaque na pauta. O conflito, porém, será pano de fundo das demais discussões, uma vez que Moscou tem a China como principal aliado econômico em meio às sanções impostas pelo Ocidente após a incursão no país vizinho em 2022.

    Outro tema será a cooperação energética, que tem sido um dos principais motores das relações bilaterais e se tornou ainda mais relevante em decorrência da guerra no Irã, devido ao risco que o conflito imputa à matriz energética chinesa por causa do fechamento do estreito de Hormuz.

    A maior parte do petróleo que passa pelo trecho tem como destino os portos chineses. Pequim, porém, mantém uma reserva bilionária da commodity, o que a afasta do risco imediato, mas leva líderes chineses a buscar alternativas de abastecimento.

    Dados do Kremlin indicam que as exportações de petróleo russo à China cresceram mais de um terço no primeiro trimestre de 2026.

    O gasoduto Poder da Sibéria 2, que deve transportar cerca de 50 bilhões de metros cúbicos de gás por ano à China, também será discutido em detalhe, segundo Moscou. Em março, na publicação do seu 15º Plano Quinquenal, Pequim afirmou que os trabalhos da fase inicial do projeto irão prosseguir.

    A construção do empreendimento, com 2.600 km de extensão, é uma espécie de seguro de longo prazo para a China, uma vez que o conflito no Irã e instabilidades no Oriente Médio também ameaçam o fornecimento de gás natural liquefeito. O duto é visto como uma alternativa terrestre segura em meio aos embates que causam interrupções no trânsito marítimo.

    Embora a guerra no Irã tenha entrado na pauta da reunião entre Trump e Xi na semana passada, os comunicados de Pequim e Washington não indicam que questões relacionadas à Rússia tenham sido debatidas com profundidade entre os dois líderes.

    O foco principal, além do conflito no Oriente Médio, foram negócios, intercâmbio comercial e a questão Taiwan, com o chinês afirmando que esse é o ponto mais sensível da relação entre os países. A ilha deve aparecer de forma tangencial nos diálogos entre Putin e Xi, uma vez que a Rússia apoia o princípio de que Taiwan é parte inalienável do território chinês.

    Putin chega à China para visita de Estado dias após partida de Trump

  • Avião derrapa e sai da pista durante decolagem na Croácia

    Avião derrapa e sai da pista durante decolagem na Croácia

    As autoridades croatas estão investigando o caso de uma decolagem abortada em Split, na Croácia. Não houve feridos, mas a aeronave saiu da pista e e os momentos foram de tensão

    Tudo aconteceu no sábado, 16 de maio, quando um avião se deslocava em direção a Frankfurt, na Alemanha. A decolagem que acabou sendo abortada não causou feridos e todos os ocupantes da aeronave foram retirados do seu interior.

    Abaixo, há um plano mais geral do que aconteceu, sendo possível ver o impacto em redor do avão, assim como o desvio da aeronave, que acabou por mover-se parcialmente entrando já em uma parte de grama que rodeia a pista.

    As autoridades croatas estão agora tentando entender o que aconteceu e, de acordo com as publicações internacionais, seguiam a bordo 130 passageiros e cinco membros da tripulação.

    Veja as imagens acima.

    Avião derrapa e sai da pista durante decolagem na Croácia

  • Filho do fundador da Mango é preso suspeito de matar o pai na Espanha

    Filho do fundador da Mango é preso suspeito de matar o pai na Espanha

    Jonathan Andic foi detido após investigação sobre a morte de Isak Andic, criador da rede de moda Mango. Polícia apura se empresário foi empurrado durante trilha em região montanhosa perto de Barcelona

    O filho do empresário Isak Andic, criador da rede espanhola de moda Mango, foi detido e acusado de envolvimento na morte do pai.

    Isak Andic morreu em 14 de dezembro de 2024, durante uma trilha em uma região montanhosa próxima a Barcelona, na Espanha. Na época, o empresário estava acompanhado do filho, Jonathan Andic, que afirmou às autoridades que o pai havia sofrido uma queda acidental.

    Segundo a emissora espanhola Telecinco, Jonathan foi levado nesta manhã ao tribunal de Martorell, onde prestará depoimento a uma juíza responsável pela investigação do caso.

    A prisão acontece após mais de um ano de investigações conduzidas pelas autoridades da Catalunha.

    Desde outubro, os Mossos d’Esquadra, polícia regional da Catalunha, passaram a tratar a morte do fundador da Mango como possível homicídio. Jonathan Andic se tornou o principal suspeito por estar com o pai no momento da queda.

    De acordo com as investigações, Isak Andic caiu de uma altura de aproximadamente 150 metros na região montanhosa de Montserrat, um dos pontos turísticos mais conhecidos da Catalunha.

    As autoridades analisaram imagens de câmeras de segurança da área e ouviram testemunhas que afirmaram ter visto pai e filho discutindo pouco antes do acidente.

    Isak Andic morreu aos 71 anos. Segundo a investigação, a queda aconteceu pouco depois do meio-dia. Foi Jonathan quem acionou os serviços de emergência pelo telefone 112 após o ocorrido.

    Filho do fundador da Mango é preso suspeito de matar o pai na Espanha

  • Irã avalia abrir Hormuz sem dar passagem para os EUA, diz porta-voz

    Irã avalia abrir Hormuz sem dar passagem para os EUA, diz porta-voz

    Esmaeil Baqaei afirmou que o Irã prepara regras para reabrir o estreito de Hormuz, mas quer barrar navios dos EUA, de Israel e de países aliados. Teerã também disse seguir negociando um acordo de paz mediado pelo Paquistão

    (CBS NEWS) – O Irã está desenhando um protocolo para permitir a passagem de embarcações pelo estreito de Hormuz, mas navios dos Estados Unidos, de Israel e de países que apoiaram a guerra não poderão trafegar pela via marítima. A informação foi dada por Esmaeil Baqaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano.

    Teerã vem bloqueando a passagem pelo estreito, por onde circulavam cerca de 20% do petróleo e do gás liquefeito consumidos no mundo, desde o início dos ataques dos EUA e de Israel, em 28 de fevereiro.

    Baqaei recebeu a reportagem da Folha na sede do ministério, na capital iraniana. Ele confirmou que o Irã continua participando das negociações de paz mediadas pelo Paquistão e afirmou que o país já enviou uma resposta às exigências americanas.

    A entrevista ocorreu em meio a um clima de tensão dentro do governo iraniano, diante da expectativa de uma retomada dos ataques dos EUA e de Israel.

    Pouco depois, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que adiaria uma ofensiva militar contra o Irã prevista para esta terça-feira (19), após pedidos de líderes de países do Golfo.

    Trump acrescentou, porém, que Washington segue pronto para realizar um “ataque em larga escala, a qualquer momento, caso um acordo aceitável não seja alcançado”.

    Questionado sobre o futuro do estreito de Hormuz, Baqaei afirmou que a passagem estava aberta antes do início do conflito.

    “Então, toda a comunidade internacional deve entender que os Estados Unidos são os responsáveis pela situação atual no Golfo Pérsico e no estreito de Hormuz”, declarou.

    Segundo ele, o Irã, como país costeiro ao lado de Omã, pretende garantir a passagem segura de navios sem comprometer sua soberania e segurança nacional.

    “Estamos trabalhando em um protocolo, um mecanismo para garantir a passagem segura das embarcações e, ao mesmo tempo, assegurar que as preocupações relacionadas à segurança do Irã sejam devidamente consideradas”, afirmou.

    Após a entrevista, autoridades iranianas anunciaram a criação da Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico, órgão responsável por administrar o tráfego marítimo em Hormuz.

    Baqaei também afirmou que países considerados aliados dos EUA e de Israel poderão enfrentar restrições.

    “Os Estados costeiros têm o direito de adotar medidas para impedir a passagem de embarcações de países agressores. Os Estados Unidos, Israel e seus apoiadores, aqueles que foram cúmplices no crime de agressão, não podem ter permissão para atravessar o estreito de Hormuz”, declarou.

    Ao mesmo tempo, o porta-voz disse que Teerã mantém contato com diversos países para garantir a passagem segura de embarcações consideradas neutras.

    Sobre as negociações mediadas pelo Paquistão, Baqaei afirmou que o Irã exige o desbloqueio de ativos financeiros congelados no exterior, o fim das sanções americanas e o reconhecimento do direito iraniano ao uso pacífico de energia nuclear.

    “O que queremos não são exigências, mas direitos”, afirmou.

    Questionado sobre a possibilidade de transferir urânio enriquecido para um terceiro país, como defendem os EUA, o diplomata rejeitou a proposta.

    “Por que o Irã deveria transferir seus materiais para outro país? Se os Estados Unidos realmente estivessem preocupados com o caráter pacífico do programa nuclear iraniano, não teriam abandonado o acordo nuclear”, disse, referindo-se ao JCPOA, tratado assinado em 2015 e abandonado pelos EUA em 2018, durante o primeiro governo Trump.

    Baqaei afirmou ainda que o Irã permanece preparado para uma eventual retomada dos ataques.

    “Temos de estar preparados para todos os cenários, porque eles já demonstraram que não conhecem limites quando se trata de violar o direito internacional”, declarou.

    Segundo ele, as Forças Armadas iranianas responderiam “com toda a força” em caso de novos ataques.

    Ao comentar o papel do Brasil no conflito, o porta-voz afirmou que o país pode exercer influência diplomática importante por integrar o Brics e possuir histórico de atuação em negociações nucleares.

    “O Brasil teve uma experiência importante em 2010, ao lado da Turquia, tentando ajudar na questão nuclear iraniana”, afirmou.

    Sobre a China, Baqaei destacou a relação econômica entre os dois países e elogiou a atuação diplomática de Pequim na região.

    “A China desempenhou um papel muito importante ao tentar construir confiança no Oriente Médio. É isso que diferencia a China dos Estados Unidos”, disse.

    O porta-voz também comentou os impactos econômicos da guerra no Irã, incluindo inflação elevada e desvalorização da moeda.

    “Os iranianos aprenderam a resistir e a se tornar resilientes diante dessas ameaças e sanções”, afirmou.

    Segundo ele, o governo iraniano criou mecanismos para apoiar grupos vulneráveis e reduzir os impactos econômicos sobre a população.

    Baqaei ainda responsabilizou o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, pela escalada do conflito.

    “A opinião pública americana começa a perceber que o país foi arrastado para esta guerra por Netanyahu e pelos setores mais belicistas de Israel”, declarou.

    RAIO-X | Esmaeil Baqaei

    Formado em Direito, Baqaei é porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã desde 2024. Nascido em 1975, na cidade de Yazd, iniciou a carreira diplomática em 2001 e foi embaixador da República Islâmica do Irã na ONU entre 2018 e 2022.
     
     
     

    Irã avalia abrir Hormuz sem dar passagem para os EUA, diz porta-voz

  • Trump critica imprensa: “Perderam o rumo. Enlouqueceram”

    Trump critica imprensa: “Perderam o rumo. Enlouqueceram”

    Presidente dos EUA voltou a criticar veículos de comunicação ao comentar a guerra no Oriente Médio. Trump afirmou que parte da imprensa publica “notícias falsas” e acusou democratas e jornalistas de terem “enlouquecido completamente”

    Donald Trump voltou a atacar a imprensa nesta segunda-feira ao comentar a cobertura sobre a guerra no Irã. O presidente americano acusou veículos de comunicação de publicarem “notícias falsas” e afirmou que parte da mídia “perdeu completamente o rumo”.

    Em publicação na Truth Social, Trump ironizou a possibilidade de uma rendição total do Irã e disse que, mesmo nesse cenário, os jornais americanos ainda tratariam o episódio como uma vitória iraniana.

    “Se o Irã se render, admitindo que sua Marinha desapareceu, que sua Força Aérea já não existe e que todo o Exército deixar Teerã com as mãos erguidas gritando ‘eu me rendo, eu me rendo’, os veículos de imprensa ainda vão escrever que o Irã venceu os Estados Unidos”, afirmou.

    O republicano também citou diretamente alguns veículos de comunicação ao ampliar as críticas.

    “Se toda a liderança remanescente assinar todos os documentos de rendição necessários e admitir a derrota para o grande poder e força dos magníficos Estados Unidos, o falido New York Times, o China Street Journal (WSJ!), a corrupta e agora irrelevante CNN e todos os outros integrantes da mídia de notícias falsas estamparão nas manchetes que o Irã conquistou uma vitória magistral sobre os Estados Unidos da América, quando, na verdade, não houve nem comparação”, escreveu.

    Trump ainda afirmou que “os democratas e os meios de comunicação enlouqueceram completamente”.

    Os Estados Unidos e Israel lançaram uma ofensiva contra o Irã em 28 de fevereiro. Em abril, Washington e Teerã chegaram a um acordo de cessar-fogo, que entrou em vigor no dia 8 daquele mês.

    Desde então, os dois países negociam um possível acordo de paz para encerrar o conflito, mas as conversas ainda não avançaram.

    No domingo, Trump já havia voltado a ameaçar o Irã ao afirmar que “não restará nada” do país caso Teerã não acelere as negociações.

    “Para o Irã, o tempo está se esgotando, e é melhor que eles se apressem rapidamente ou não sobrará nada deles. O tempo é essencial!”, escreveu o presidente americano na Truth Social.

    A publicação aconteceu logo após uma conversa telefônica de cerca de 30 minutos entre Trump e o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu.

    Segundo o jornal The Times of Israel, os dois líderes discutiram a possibilidade de retomada da ofensiva militar contra o Irã.

    Durante a ligação, Trump também teria comentado sua recente viagem à China com Netanyahu.
     
     

    Trump critica imprensa: “Perderam o rumo. Enlouqueceram”

  • Mais de 145.000 crianças dos EUA foram separadas dos pais pelo ICE

    Mais de 145.000 crianças dos EUA foram separadas dos pais pelo ICE

    Relatório da Brookings Institution aponta impacto das políticas migratórias do governo Donald Trump desde 2025. Estudo estima que milhares de crianças americanas tiveram pais detidos ou vivem sob risco de separação familiar

    Mais de 145 mil crianças americanas ficaram sem um dos pais após prisões relacionadas à política migratória adotada pelo governo de Donald Trump desde janeiro de 2025, segundo um relatório divulgado pela Brookings Institution.

    O levantamento aponta ainda que mais de 22 mil crianças tiveram os dois pais detidos no mesmo período.

    De acordo com o estudo, 146.635 menores foram impactados pelas ações migratórias implementadas pela atual administração da Casa Branca.

    Entre essas crianças, 36,5% têm menos de seis anos, 36,1% possuem entre seis e 12 anos e o restante está na faixa entre 13 e 17 anos.

    O relatório mostra que os mexicanos são os mais afetados pelas detenções, representando 53,7% do total. Em seguida aparecem guatemaltecos, com 15%, e hondurenhos, com 10,7%.

    A pesquisa também identificou os locais com maior número de crianças americanas afetadas pelas detenções dos pais. Washington D.C. e o estado do Texas concentram as maiores proporções, com mais de cinco crianças impactadas a cada mil habitantes.

    A Brookings Institution destaca que ainda não existem dados precisos sobre quantos imigrantes presos ou deportados têm filhos nos Estados Unidos, nem informações detalhadas sobre o destino dessas crianças após as detenções.

    Por isso, o estudo se concentrou principalmente nos casos de pessoas detidas, já que há mais informações disponíveis sobre elas do que sobre os deportados.

    Os números refletem o aumento das ações do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE), desde o retorno de Donald Trump à presidência, cenário que provocou protestos em várias regiões do país.

    Segundo o relatório, atualmente cerca de 60 mil pessoas estão detidas e quase 400 mil já foram transferidas para centros de detenção do ICE.

    A análise também levanta preocupações sobre o futuro das crianças separadas dos pais e cita recomendações de organizações sociais que orientam famílias imigrantes a prepararem planos de emergência.

    Essas entidades sugerem que pais em risco de deportação escolham previamente amigos ou familiares próximos para assumir os cuidados das crianças caso sejam presos.

    O estudo ressalta ainda que, em muitos casos, o governo americano sequer sabe da existência dessas crianças que permanecem no país após as detenções dos pais.

    Além disso, muitos imigrantes evitam recorrer ao sistema de proteção infantil por medo de consequências legais, mesmo quando possuem poucas alternativas para garantir os cuidados dos filhos.

    O relatório afirma ainda que o número de crianças americanas ameaçadas pela separação familiar pode ser muito maior do que os 145 mil casos estimados desde o início do segundo mandato de Trump.

    Segundo a Brookings Institution, existem cerca de 13 milhões de adultos indocumentados ou com status migratório irregular vivendo nos Estados Unidos.

    Entre essas famílias, mais de 4,6 milhões de crianças americanas vivem com pelo menos um dos pais em risco de deportação. Desse total, quase 2,5 milhões podem enfrentar a possibilidade de terem ambos os pais detidos.
     
     

    Mais de 145.000 crianças dos EUA foram separadas dos pais pelo ICE

  • Congo confirma 100 mortes por ebola, e Seis norte-americanos são monitorados

    Congo confirma 100 mortes por ebola, e Seis norte-americanos são monitorados

    A Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou, no sábado (16), a crise como ‘emergência de saúde pública de importância internacional’; este é o 17º surto de ebola registrado no Congo desde 1976

    SÃO PAULO, SP (UOL/CBS NEWS) – Seis cidadãos dos EUA estão sendo monitorados após terem sido expostos ao ebola na República Democrática do Congo (RDC). A doença já matou pelo menos 100 pessoas no país nos últimos dias. A região enfrenta um novo surto da doença, com mais de 390 casos suspeitos já registrados. No sábado (16), a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou a crise como “emergência de saúde pública de importância internacional”.

    A cepa atual de ebola que atinge a RDC é causada pelo vírus Bundibugyo, para o qual não existem medicamentos ou vacinas aprovados. Autoridades congolesas alertam para o risco de transmissão transfronteiriça, destacando que o deslocamento populacional e o conflito no leste do país podem atuar como fatores que aumentam a chance de disseminação da doença.

    De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC), há pelo menos seis casos de cidadãos norte-americanos que foram expostos à doença, com um deles apresentando sintomas. Segundo informações da rede britânica BBC, o grupo pode ter sido levado para uma base militar nos Estados Unidos, mas não há confirmação.

    Este é o 17º surto de ebola registrado no Congo desde 1976. O surto anterior terminou em dezembro do ano passado.

    OMS, Centro de Controle de Doenças da África e Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA coordenam esforços de resposta ao surto. As ações incluem vigilância, testes laboratoriais, rastreamento de contatos e implantação de equipes de emergência.

    Sintomas de ebola podem surgir entre dois e 21 dias após a infecção com o vírus. Segundo o sistema de saúde britânico, os sinais incluem febre alta, cansaço extremo e dor de cabeça, semelhantes aos de uma gripe.

    Congo confirma 100 mortes por ebola, e Seis norte-americanos são monitorados