Categoria: MUNDO

  • Japão diz que Teerã vai facilitar trânsito de navios japoneses por Ormuz

    Japão diz que Teerã vai facilitar trânsito de navios japoneses por Ormuz

    O chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araqchi, afirmou que Teerã está disposta a facilitar a passagem de navios japoneses pelo estreito de Ormuz, que o Irã bloqueia no contexto da guerra, noticiou hoje a agência de notícias Kyodo.

    Araqchi afirmou, na sexta-feira, em entrevista por telefone à agência japonesa, que o Irã não fechou essa rota estratégica, mas impôs restrições a navios de países envolvidos nos ataques contra a República Islâmica. Segundo ele, o país está preparado para garantir passagem segura a nações como o Japão — que depende em 90% do petróleo proveniente do Oriente Médio — desde que haja coordenação com Teerã.

    A entrevista também foi compartilhada por Araqchi em seu canal oficial na plataforma de mensagens Telegram.

    A questão da navegação de navios japoneses pelo Estreito de Ormuz foi abordada em conversas recentes entre Araqchi e o ministro japonês Toshimitsu Motegi, informou o chefe da diplomacia iraniana à Kyodo, ressaltando que as discussões continuam, mas que os detalhes não podem ser divulgados.

    A entrevista ocorreu no último dia da visita aos Estados Unidos da primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, que na quinta-feira se reuniu com o presidente norte-americano, Donald Trump, na Casa Branca. O encontro foi fortemente marcado pelo bloqueio do Estreito de Ormuz, no contexto da guerra de Washington e Tel Aviv contra Teerã.

    Trump solicitou, sem sucesso, aos aliados da OTAN e a países asiáticos como Japão, Coreia do Sul e China que enviassem navios militares para garantir o fluxo no Estreito de Ormuz, cuja margem norte é controlada pelo Irã.

    Com o objetivo de conter a alta dos preços do petróleo, em meio a preocupações com o abastecimento devido à guerra no Oriente Médio, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos autorizou, na sexta-feira, de forma temporária, a compra e venda de petróleo iraniano que está retido no mar.

    O secretário do Tesouro, Scott Bessent, antecipou a decisão e estimou que a medida permitirá adicionar cerca de 140 milhões de barris ao mercado global.

    Antes disso, o governo Trump também havia autorizado, de forma temporária, a compra de petróleo russo em trânsito.

    Com o mesmo objetivo de conter a escalada dos preços do petróleo, o governo do Japão começou, na segunda-feira, a liberar reservas estratégicas — sua primeira medida desse tipo desde o início da invasão russa da Ucrânia, em 2022.

    Japão diz que Teerã vai facilitar trânsito de navios japoneses por Ormuz

  • Aliada dos EUA, Arábia Saudita condena "agressão israelense" contra Síria

    Aliada dos EUA, Arábia Saudita condena "agressão israelense" contra Síria

    A Arábia Saudita condenou hoje a “agressão israelense” contra a Síria, após ataques realizados por Israel contra um quartel-general e campos militares no território do seu vizinho.

    O Ministério das Relações Exteriores [MRE] expressa a mais firme condenação do Reino da Arábia Saudita à flagrante agressão israelense, que teve como alvo infraestruturas militares no sul da República Árabe Síria, em clara violação do direito internacional e da soberania síria”, declarou o ministério saudita em comunicado.

    Riad condenou a violação, por parte de Israel, do Acordo de Separação de Forças de 1974 e reiterou o apelo à comunidade internacional para que ponha fim às violações israelenses das leis e normas internacionais.

    O MRE saudita reafirmou ainda a solidariedade da Arábia Saudita com a Síria e o seu apoio à preservação da soberania e da integridade territorial do país, bem como aos esforços para alcançar segurança e estabilidade.

    O exército israelense afirmou, na sexta-feira, ter realizado ataques durante a noite contra alvos militares no sul da Síria, atingindo um quartel-general de comando e depósitos de armas, no que alegou ser uma resposta a um ataque contra cidadãos drusos em Suwayda.

    As autoridades sírias haviam afirmado anteriormente que garantem direitos iguais a todos os segmentos da população, incluindo a comunidade drusa — ligada a uma ramificação do islamismo xiita —, e acusaram Israel de usar alegações sobre os drusos como pretexto para interferir nos assuntos internos da Síria.

    Aliada dos EUA, Arábia Saudita condena "agressão israelense" contra Síria

  • "Operação Fúria Cega". Capa do The Economist ironiza ação dos EUA no Irã

    "Operação Fúria Cega". Capa do The Economist ironiza ação dos EUA no Irã

    A mais recente capa da revista The Economist retrata o presidente norte-americano, Donald Trump, usando um capacete militar coberto de munições, que lhe tapa os olhos. Acima da imagem está o título “Operação Fúria Cega”, que ironiza a operação militar israelense-americana contra o Irã.

    A mais recente capa da revista The Economist coloca o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em destaque — mas não por bons motivos. Na edição referente à semana de 21 a 27 de março, a publicação britânica retrata o magnata usando um capacete militar coberto de munições que lhe tapa os olhos. Em volta da imagem, aparece o título “Operação Fúria Cega”, uma ironia à operação militar israelo-americana contra o Irã, chamada “Operation Epic Fury” (“Operação Fúria Épica”, em português).

    “A campanha imprudente contra o Irã vai enfraquecer o presidente dos Estados Unidos. Isso vai irritá-lo. Fiquem avisados: ele é péssimo em aceitar derrotas”, alertou a publicação na rede social Facebook.

    De acordo com a The Economist, a guerra no Irã está abalando três das principais armas do governo Trump, entre elas a sua capacidade de impor a própria narrativa ao mundo. O uso intenso de sua influência e o controle sobre o Partido Republicano também estão sendo colocados em xeque, segundo o artigo.

    A revista argumenta ainda que, “apesar da notável capacidade de distorcer os fatos” e de insistir que “já venceu”, o conflito não favorece o magnata norte-americano. Para a The Economist, o regime iraniano está tendo sucesso ao prolongar o conflito e pressionar a indústria energética global, com o bloqueio do Estreito de Ormuz e o consequente aumento do preço do petróleo.

    “A guerra revela uma verdade própria. […] O tempo está a favor do Irã”, destacou.

    O veículo também apontou que um conflito prolongado pode prejudicar o Partido Republicano nas eleições de meio de mandato em novembro, com potencial não só de alterar o rumo da administração Trump, mas também sua trajetória política. Vale destacar que o novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, afirmou, nesta sexta-feira, que “o inimigo foi derrotado”, após um “golpe devastador” realizado por Teerã contra os Estados Unidos e Israel.

    Horas depois, Trump afirmou que não quer “um cessar-fogo”, já que “não se impõe um cessar-fogo quando se está literalmente aniquilando o outro lado”.

    Cabe lembrar que o magnata vem se gabando de que a alta liderança iraniana foi dizimada na operação militar israelo-americana, tendo inclusive sugerido que Mojtaba Khamenei pode não estar fisicamente apto para liderar o país, após ter sido ferido nos ataques que mataram seu pai, em 28 de fevereiro. Além disso, chegou a especular que o novo líder supremo do Irã poderia estar morto.

    "Operação Fúria Cega". Capa do The Economist ironiza ação dos EUA no Irã

  • Trump chama Otan de covarde e de tigre de papel por falta de apoio na guerra

    Trump chama Otan de covarde e de tigre de papel por falta de apoio na guerra

    Depois de dizer que não precisava de ajuda, americano cobra apoio para reabrir estreito de Hormuz; presidente dos EUA diz que ‘não quer um cessar-fogo’ com o Irã porque ‘está obliterando o outro lado’

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou o tom de seu confronto com a Otan, chamando a aliança militar criada por Washington em 1949 de tigre de papel sem os americanos e seus aliados de covardes.

    “Sem os EUA, A OTAN É UM TIGRE DE PAPEL”, escreveu Trump nesta sexta-feira (20), com as maiúsculas usuais, na rede Truth Social.

    “Eles não quiseram se juntar à luta para impedir um Irã nuclear. Agora que a luta está VENCIDA militarmente, com muito pouco perigo para eles, eles reclamam do preço alto do petróleo que têm de pagar, mas não querem ajudar a abrir o estreito de Hormuz”, disse. “COVARDES, e nós vamos NOS LEMBRAR.”

    Como de costume, a agressividade é permeada por imprecisões ou mentiras. Não há registro de que EUA e Israel tenham consultado quaisquer dos 31 países da Otan para participar do ataque ao Irã, que completa três semanas neste sábado (21).

    Além disso, há uma questão de lógica formal: se a guerra está ganha, por que o pedido de ajuda? Em relação a Hormuz, corredor por onde passavam 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo até a guerra e agora está virtualmente fechado pelo Irã, a fala é mais um vaivém do republicano.

    No fim de semana passado, ele instou países europeus e asiáticos a enviar navios de guerra para ajudar a manter a navegação comercial na região. Ninguém aceitou, e nações como a Alemanha ressaltaram literalmente que “esta guerra não é da Europa”.

    O problema é que não é exatamente simples reabrir Hormuz. Isso implica a destruição das capacidades militares de Teerã no estreito, um processo que os EUA de todo modo estão tentando acelerar. Mas apenas enviar fragatas para fazer escoltas as tornariam alvos fáceis, para não falar no risco colocado por minas navais.

    Contrariado, Trump passou à ofensiva e disse que não “queria nem desejava” mais a ajuda da Otan ou de países da Ásia e Oceania para a missão, repetindo que já venceu a guerra. Ao mesmo tempo, ele disse mais tarde que descarta uma trégua. “Veja, nós podemos dialogar, mas eu não quero um cessar-fogo. Você não faz um cessar-fogo quando está obliterando o outro lado”, afirmou.

    Logo a seguir, um ataque de Israel à porção iraniana do maior campo de gás natural do mundo levou a uma retaliação dura de Teerã na quinta (19), atingindo o maior terminal da commodity no planeta, no Qatar. Segundo a estatal de energia local, mais de 15% da produção que já estava paralisada agora está comprometida.

    Sobreveio um caos no mercado energético mundial, com disparada de preços de óleo e gás. A turbulência foi reduzida após ficar claro, depois de trocas de ameaças, que os ataques à infraestrutura de gás pararam, ainda que o Irã siga alvejando refinarias de petróleo, como nesta sexta no Kuwait.

    Pressionado, Trump voltou à carga contra os europeus, que na véspera haviam divulgado uma nota com o Japão prometendo ajudar a reabertura de Hormuz, mas sem se comprometer com operações militares.

    O recado à aliança ocorre após relatos de que seu comando decidiu retirar parte do pessoal que mantém no Iraque devido ao aumento de ataques de insurgentes pró-Irã a alvos ocidentais, no âmbito da guerra. A Otan confirmou a movimentação, mas disse que não daria detalhes.

    A postagem é um novo capítulo da crise contínua de Trump com a Otan, alvo constante seu desde o primeiro mandato, de 2017 a 2021. A Guerra da Ucrânia virou ponto contencioso, com o americano defendendo que o conflito era um problema europeu.

    No ano passado, o republicano já havia repassado a conta da ajuda ocidental a Kiev contra a invasão russa aos aliados europeus. Na cúpula anual do clube, fez a aliança prometer o aumento de sua meta de gastos militares de 2% para 5% do PIB de cada membro em uma década.

    Trump chama Otan de covarde e de tigre de papel por falta de apoio na guerra

  • Mojtaba Khamenei faz novo pronunciamento por escrito e diz que inimigo foi vencido

    Mojtaba Khamenei faz novo pronunciamento por escrito e diz que inimigo foi vencido

    Líder supremo do Irã não apareceu em público desde o início da guerra com EUA e Israel, que mataram seu pai; declaração ocorre em comemoração do Ano-Novo persa

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, divulgou uma mensagem nesta sexta-feira (20) em que declara que o inimigo está “derrotado”. A declaração marca o início do Ano-Novo persa, que ele denominou o ano da “economia de resistência sob a unidade nacional e a segurança nacional”.

    “No momento, graças à unidade especial que se formou entre vocês, nossos compatriotas -apesar de todas as diferenças de origem religiosa, intelectual, cultural e política-, o inimigo foi derrotado”, disse Mojtaba, 56.

    Ao demonstrarem unidade e determinação, os iranianos “desferiram a ele [o inimigo] um golpe avassalador, de modo que agora ele começa a proferir palavras contraditórias e absurdas”, acrescentou.

    No texto, divulgado em seu canal no Telegram, Mojtaba afirmou ainda que os ataques contra a Turquia e Omã não foram realizados pelo Irã nem por aliados. “Insisto no fato de que os ataques ocorridos na Turquia e em Omã -países que mantêm boas relações conosco- não foram, de forma alguma, conduzidos pelas Forças Armadas da República Islâmica nem por outras forças da Frente de Resistência”, declarou ele, atribuindo as operações à “fraude do inimigo sionista”, em referência a Israel.

    O regime iraniano afirmou anteriormente ter bases americanas em países vizinhos como alvo de seus ataques. Mojtaba indicou, neste comunicado, querer retomar relações com nações da região. “Acreditamos firmemente no fortalecimento das relações com os países vizinhos”, afirmou.

    Filho de Ali Khamenei, morto nos ataques de Estados Unidos e Israel a Teerã, Mojtaba foi eleito por um conselho de clérigos para dar continuidade ao regime teocrático islâmico do país persa. Desde o anúncio de seu nome, Mojtaba não foi visto em público.

    Ele foi ferido no ataque que abriu a guerra contra a teocracia mas já se encontrava “são e salvo” dias depois, segundo um dos filhos do presidente Masoud Pezeshkian, Yusef, que ocupa o cargo de assessor governamental.

    Em seu primeiro pronunciamento escrito, há pouco mais de uma semana, Mojtaba havia adotado um tom desafiador. Afirmou, naquele momento, que suas forças continuariam fechando na prática o estratégico estreito de Hormuz, por onde passam 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo. É uma forma “de manter pressão sobre o inimigo”, disse.

    O líder afirmou, no primeiro texto, que o Irã preza a amizade de seus vizinhos, mas continuaria a atacar as bases americanas em solo de aliados de Washington no Oriente Médio. “Elas devem fechar”, disse. Também exigiu reparações pelos danos da guerra, sob pena de “destruir os ativos” americanos e israelenses.

    Ainda nesta sexta, segundo a imprensa estatal local, o presidente Pezeshkian agradeceu aos iranianos por terem saído às ruas para defender o regime islâmico e parabenizou as forças policiais e a milícia Basij por “garantirem a segurança” nesse momento.

    O Exército de Israel afirmou nesta sexta que matou o chefe de inteligência da milícia paramilitar Basij em um bombardeio em Teerã. “Esmail Ahmadi, que ocupava o cargo de chefe da direção de inteligência da Basij, foi eliminado” na madrugada de 16 para 17 de março em um bombardeio contra uma reunião de vários comandantes dessa organização. O ataque também matou seu líder, o general Gholamreza Soleimani.

    “Em sua função, Ahmadi desempenhou um papel central na promoção e execução de atividades terroristas conduzidas pelas forças da Basij. Ele também era responsável, em nome da Guarda Revolucionária, por manter a ordem pública e os valores do regime”, afirmou a força israelense.

    Também desempenhou um “papel fundamental” na repressão dos recentes protestos no Irã, que resultaram em milhares de mortes, acrescentou o comunicado. As forças israelenses também confirmaram a morte do porta-voz da Guarda Revolucionária iraniana, Ali Mohammad Naini, em um bombardeio na noite de quinta (19).

    Seu “martírio” havia sido anunciado pouco antes, em Teerã, no site de notícias da Guarda Revolucionária, o Sepah News.

    Mojtaba Khamenei faz novo pronunciamento por escrito e diz que inimigo foi vencido

  • Trump diz que não quer cessar-fogo e rejeita acordo com Irã

    Trump diz que não quer cessar-fogo e rejeita acordo com Irã

    Donald Trump disse que não quer cessar-fogo porque, segundo sua avaliação, não se interrompe uma guerra quando se está “literalmente aniquilando o outro lado”

    SÃO PAULO, SP (UOL/CBS NEWS) – O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que não quer um cessar-fogo na guerra com o Irã e disse que, embora Teerã, segundo ele, queira negociar, os termos de um eventual acordo “ainda não são bons o suficiente”.

    Trump disse que não aceita uma trégua agora. O presidente dos Estados Unidos afirmou a jornalistas, na Casa Branca, que não quer cessar-fogo porque, segundo sua avaliação, não se interrompe uma guerra quando se está “literalmente aniquilando o outro lado”. A declaração foi publicada pelo The Wall Street Journal e repercutida pela NDTV World.

    A recusa apareceu também em entrevista à NBC News. Ao veículo, Trump disse que o Irã quer negociar o fim do conflito, mas afirmou que não pretende fechar acordo neste momento porque os termos “ainda não são bons o suficiente”. Segundo a NBC News, ele não detalhou quais condições exigiria, embora tenha indicado que o abandono de ambições nucleares iranianas faria parte delas.

    A fala reforça uma linha de endurecimento já apontada pela Reuters. Em reportagem anterior, a agência informou que a administração Trump havia rejeitado tentativas de mediação de países do Oriente Médio para abrir negociações de cessar-fogo. Segundo a Reuters, a prioridade da Casa Branca vinha sendo manter a ofensiva militar, e não construir uma saída diplomática imediata.

    O discurso de Trump combina pressão militar e rejeição a um acordo imediato. Pela versão da NBC News, ele não fecha a porta para uma negociação futura, mas deixa claro que prefere seguir a guerra por considerar que os Estados Unidos ainda estão em vantagem. Isso faz com que a formulação mais segura seja ancorada na atribuição: Trump diz que não quer cessar-fogo e afirma que os termos de um acordo ainda são insuficientes.

    Trump diz que não quer cessar-fogo e rejeita acordo com Irã

  • O que é 'moharebeh', motivo do Irã para executar atleta por enforcamento

    O que é 'moharebeh', motivo do Irã para executar atleta por enforcamento

    Mohammadi foi enforcado junto com Mehdi Ghasemi e Saeed Davoudi após serem condenados pelo crime de “guerra contra Deus”; delito é conhecido no sistema jurídico iraniano como moharebeh

    SÃO PAULO, SP (UOL/CBS NEWS) – O Irã executou nesta quinta-feira (19), na cidade de Qom, três homens acusados de “moharebeh”, delito previsto na legislação iraniana. Entre os mortos está o lutador Saleh Mohammadi, 19, integrante da seleção nacional de wrestling do país.

    Mohammadi foi enforcado junto com Mehdi Ghasemi e Saeed Davoudi após serem condenados pelo crime de “guerra contra Deus”. As execuções estão ligadas ao suposto envolvimento deles na morte de policiais durante protestos ocorridos no início do ano.

    Delito é conhecido no sistema jurídico iraniano como moharebeh. Na legislação iraniana baseada na sharia (lei islâmica), moharebeh significa literalmente “guerra contra Deus”.

    O crime é aberto à interpretação. “A acusação depende de um juiz acreditar que uma guerra está sendo travada contra Deus”, explicou Amir Azimi, editor-chefe do serviço persa da BBC, em uma reportagem do veículo britânico de 2022. A reportagem explica que moharebeh pode significar sacar uma arma com a intenção de atentar contra a vida, a propriedade ou a honra de pessoas ou intimidá-las, de modo a causar insegurança no ambiente, segundo o artigo 279 do Código Penal Islâmico.

    O Irã começou a aplicar a lei após a Revolução Iraniana de 1979. Com a revolução, a lei iraniana começou a mudar de sua base secular para a sharia (lei islâmica). A regra funciona como um código de conduta para os muçulmanos, disse Azimi, à BBC.

    A acusação é aplicada a pessoas que, segundo as autoridades, usam violência ou armas para intimidar a população ou ameaçar a segurança pública. Por ser um conceito amplo, críticos afirmam que o crime tem sido usado pelo regime contra manifestantes e opositores políticos. A punição pode incluir a pena de morte.

    AS CONDENAÇÕES

    Grupos de direitos humanos afirmam que os três foram condenados em processos considerados injustos. “Os três foram condenados à morte após um julgamento injusto, baseado em confissões obtidas sob tortura”, afirmou a ONG Iran Human Rights, em nota.

    Caso do jovem lutador chama atenção internacional. A execução de Saleh Mohammadi gerou preocupação especial por envolver um atleta jovem que já havia representado o país em competições internacionais. O lutador completou 19 anos enquanto estava preso.

    De acordo com a Anistia Internacional, o atleta teria sido privado de defesa adequada durante o processo. A organização afirmou que ele foi forçado a fazer “confissões” em procedimentos acelerados que “não se assemelhavam a um julgamento significativo”.

    Ativistas também denunciaram que o processo ignorou alegações de tortura. Segundo o Centro para Direitos Humanos do Irã, Mohammadi disse ao tribunal que suas confissões foram extraídas sob tortura. Mesmo assim, a corte determinou a execução pública.

    O Centro para Direitos Humanos no Irã criticou duramente a decisão das autoridades. “Executar esses jovens manifestantes em público, após julgamentos simulados baseados em tortura e confissões forçadas, é um assassinato sancionado pelo Estado projetado para aterrorizar a população e enviar uma mensagem clara: qualquer ato de dissidência será punido com a morte”, afirmou a organização.

    PRESSÃO INTERNACIONAL E CRÍTICAS AO REGIME

    A morte do atleta também provocou reação de ativistas e especialistas ligados ao esporte. Para o ativista de direitos humanos e atleta iraniano Nima Far, a execução tem forte motivação política.

    “Essa execução foi um assassinato político flagrante, parte do padrão da República Islâmica de atacar atletas para esmagar a dissidência e aterrorizar a sociedade”, disse Nima Far, ativista e atleta, à Fox News.

    Far defendeu que organizações esportivas internacionais adotem medidas mais duras contra o país. Segundo ele, o Comitê Olímpico Internacional e entidades do wrestling deveriam ter adotado uma postura mais firme diante do caso.

    Especialistas também defendem um boicote esportivo ao regime iraniano. Alizreza Nader, analista da situação política do país, afirmou que o governo precisa sofrer consequências internacionais. “Deveria haver um boicote ao regime quando se trata de esportes internacionais. Mas o regime precisa pagar um preço alto por executar jovens como esse. É preciso haver um efeito dissuasório”, disse à Fox News.

    Temor de novas execuções. Organizações de direitos humanos alertam que a execução dos três manifestantes pode marcar o início de uma nova onda de mortes ligadas aos protestos. Segundo o Centro para Direitos Humanos no Irã, dezenas de outros manifestantes já receberam sentenças de morte e correm risco de execução. Entre eles estão inclusive adolescentes.

    Entidade afirma que a situação pode se agravar devido ao contexto de guerra e repressão política. “O Irã enfrenta o risco de uma crise catastrófica de direitos humanos: milhares de pessoas presas durante os protestos de janeiro e no contexto da guerra correm sério risco de receber sentenças de morte, e dezenas que já foram condenadas podem ser executadas a qualquer momento”, alertou a organização.

    Relatórios de entidades de direitos humanos apontam que o Irã ocupa a segunda posição global em número de execuções, ficando atrás apenas da China. Levantamento da organização Iran Human Rights indica que pelo menos 1.500 pessoas foram enforcadas no país em 2025.

    O que é 'moharebeh', motivo do Irã para executar atleta por enforcamento

  • Estudo revela que mais de 150 mil mortes por covid-19 não foram contabilizadas nos EUA

    Estudo revela que mais de 150 mil mortes por covid-19 não foram contabilizadas nos EUA

    Cerca de 840 mil mortes por covid-19 foram registradas em certidões de óbito em 2020 e 2021 nos Estados Unidos; resultados das pesquisas foram publicados na revista Science Advances

    O número inicial de mortes pela pandemia de covid-19 foi muito maior do que a contagem oficial dos Estados Unidos, de acordo com um novo estudo que destaca grandes disparidades nos óbitos não contabilizados.

    Cerca de 840 mil mortes por covid-19 foram registradas em certidões de óbito em 2020 e 2021. No entanto, um grupo de pesquisadores – utilizando uma forma de inteligência artificial – estima que, nesse período, até 155 mil mortes teriam ocorrido fora dos hospitais e ficado sem reconhecimento. Isso significa que cerca de 16% das mortes pela doença não teriam sido contabilizadas nesses anos.

    Os resultados, publicados na quarta-feira, 18, na revista Science Advances, são semelhantes às estimativas de outros estudos sobre mortes durante a pandemia naquele período. Mas, na nova pesquisa, os autores tentaram determinar exatamente quais mortes teriam ficado de fora dos registros oficiais.

    A resposta: provavelmente, os mortos não contabilizados eram hispânicos e negros, morreram nos primeiros meses da pandemia e moravam em certos estados do Sul e Sudoeste – incluindo Alabama, Oklahoma e Carolina do Sul.

    Seis anos após a pandemia de coronavírus ter se alastrado pelos EUA, as barreiras ainda persistem para muitas das mesmas pessoas, afirma Steven Woolf, pesquisador da Virginia Commonwealth University que não participou do estudo.

    “Pessoas marginalizadas continuam morrendo em taxas desproporcionais porque não têm acesso a cuidados médicos”, diz ele.

    Acesso não foi o único desafio

    Embora os pacientes hospitalizados fossem rotineiramente testados para covid-19, muitos dos que adoeceram e morreram fora dos hospitais não foram testados – frequentemente porque os testes domiciliares não estavam disponíveis no início da pandemia, afirma uma das autoras do estudo, Elizabeth Wrigley-Field, da Universidade de Minnesota.

    Em algumas partes do país, as investigações de óbitos são conduzidas por legistas que nem sempre possuem formação especializada. Além disso, algumas pesquisas sugerem que opiniões partidárias podem influenciar a decisão da pessoa doente ou de seus familiares de realizar o teste para covid-19 e a realização de testes post-mortem para o coronavírus pelos legistas. De fato, alguns legistas relataram que familiares os pressionaram para que a covid-19 não fosse listada como causa da morte.

    “Nosso sistema antiquado de investigação de óbitos é um dos principais motivos pelos quais não conseguimos obter números precisos, principalmente fora das grandes áreas metropolitanas”, afirma Andrew Stokes, da Universidade de Boston, autor principal do artigo.

    Contagem de mortes foi afetada pela política

    Os dados dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) contabilizam mais de 1,2 milhão de mortes por covid-19 nos Estados Unidos desde o início da pandemia, no começo de 2020. Mais de dois terços dessas mortes relatadas ocorreram em 2020 e 2021.

    A contagem tem sido alvo de debate há muito tempo, devido a alegações falsas nas redes sociais de que o número de mortes estaria inflado. Para piorar a situação, o presidente Donald Trump, em agosto de 2020, retuitou uma publicação que afirmava que apenas 6% das mortes relatadas eram, de fato, causadas pela covid-19 – publicação que o Twitter posteriormente removeu.

    Com certeza houve outras causas de morte durante a pandemia. Por exemplo, pessoas não infectadas morreram de outras condições médicas porque não conseguiam atendimento em hospitais sobrecarregados com pacientes com covid-19. Pessoas com dependência química morreram de overdose como resultado do isolamento social e da perda de acesso ao tratamento. Outros estudos que estimaram o número real de mortes durante a pandemia levaram esses óbitos em consideração.

    Mas Stokes e seus colaboradores queriam se concentrar nas mortes de pessoas infectadas pelo coronavírus. Eles usaram aprendizado de máquina para analisar as certidões de óbito de pacientes infectados que morreram em hospitais e, em seguida, usaram padrões observados nesses registros para avaliar as certidões de óbito de pessoas que morreram fora dos hospitais e cujas mortes foram atribuídas a doenças como pneumonia ou diabetes.

    A compreensão dos cientistas sobre os pontos fortes e fracos da pesquisa com uso de aprendizado de máquina ainda está em evolução, mas Woolf considera o uso que a equipe fez dessa tecnologia “intrigante”.

    *Este conteúdo foi traduzido com o auxílio de ferramentas de Inteligência Artificial e revisado pela equipe editorial do Estadão. Saiba mais em nossa Política de IA.

    Estudo revela que mais de 150 mil mortes por covid-19 não foram contabilizadas nos EUA

  • Delcy troca todo o comando militar da Venezuela após demitir ministro da Defesa

    Delcy troca todo o comando militar da Venezuela após demitir ministro da Defesa

    Desde a captura de Maduro, a Venezuela passou por transformações até então impensáveis. Sob pressão de Washington, Delcy anunciou mudanças na economia, extingiu programas sociais do chavismo e indicou nomes de confiança para o alto escalão

    (CBS NEWS) – A líder interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, substituiu na quinta-feira (19) todos os integrantes do alto comando militar do país, um dia após demitir o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, que esteve à frente das Forças Armadas chavistas durante mais de uma década.

    A troca representa mais uma das mudanças em curso desde a captura de Nicolás Maduro na operação militar dos Estados Unidos, em 3 de janeiro. Desde então, Delcy vem removendo figuras de confiança do ditador, incluindo militares, pilar do chavismo.

    Delcy indicou novos nomes para os oito cargos que compõe a cúpula. Os indicador terão “firme compromisso e lealdade patriótica de garantir a soberania, a paz, a estabilidade e a integridade territorial”, escreveu a líder interina em suas redes sociais.

    A saída de Padrino, que era próximo de Maduro, era de certa forma esperada já que sua permanência no cargo era vista como uma forma de garantir a estabilidade. Ele foi substituído pelo major-general Gustavo González López.

    Ex-chefe do serviço de inteligência, o Sebin, González López foi nomeado como comandante da Guarda Presidencial logo após a captura de Maduro. Na época, a decisão foi interpretada como uma manobra para neutralizar a influência do ministro do Interior, Diosdado Cabello, que representa hoje a maior ameaça a Delcy dentro do regime.

    González López formou-se na Academia Militar em 1982. Depois, comandou a 5ª Divisão de Infantaria da Selva e a Milícia Bolivariana, uma força paramilitar criada para controlar dissidentes. Ele começou a trabalhar com Delcy como chefe de assuntos estratégicos da estatal petrolífera PDVSA, cargo que ela anteriormente supervisionava como ministra da Energia.

    Desde a captura de Maduro, a Venezuela passou por transformações até então impensáveis. Sob pressão de Washington, Delcy anunciou mudanças na economia, extingiu programas sociais do chavismo e indicou nomes de confiança para o alto escalão.

    Segundo especialistas ouvidos pela reportagem, há um movimento de afastamento e apagamento da figura de Maduro por parte do atual regime. Delcy promoveu uma reforma da lei de hidrocarbonetos para abrir o setor de petróleo a empresas estrangeiras, assim como uma lei de anistia para os presos políticos.

    Ainda assim, a Organização das Nações Unidas denunciou na semana passada que o aparato repressivo da Venezuela permanece intacto. O regime sempre negou violações dos direitos humanos contra a sociedade civil e a oposição política, bem como as acusações de corrupção dentro das Forças Armadas.

    Delcy troca todo o comando militar da Venezuela após demitir ministro da Defesa

  • Trump mobiliza mais tropas e amplia ação no estreito de Hormuz

    Trump mobiliza mais tropas e amplia ação no estreito de Hormuz

    Via de escoamento de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo, Hormuz é o quintal estratégico de Teerã, que o militarizou, provavelmente colocando minas em trechos importantes para obrigar os navios que autoriza a passar a usar uma rota que passa por suas águas

    (CBS NEWS) – Apesar de ter negado a intenção de enviar soldados para uma ação terrestre no Irã, o presidente Donald Trump mobilizou mais forças capazes exatamente disso ao enviar um segundo grupo expedicionário de fuzileiros navais para o Oriente Médio.

    A flotilha com três navios de guerra carregando 4.000 marinheiros, 2.500 deles fuzileiros para ações em terra, deixou o porto de San Diego (Califórnia) na mesma quinta-feira (19) em que Trump descartava as “botas no solo” –na mesma fala, contudo, disse que não contaria à imprensa se tivesse outra ideia.

    O destino do grupo liderado pelo navio de desembarque anfíbio USS Boxer foi revelado inicialmente pelo site americano Newsmax, sendo confirmado de forma anônima a diversos meios de comunicação. A Marinha dos EUA não comentou.

    Na semana passada, Trump já havia deslocado do Japão outro grupo similar, liderado pelo USS Tripoli, que já se aproxima da região. A viagem do grupo do Boxer pode demorar qualquer coisa de 10 a 15 dias.

    Com isso, haverá 5.000 soldados treinados para operações terrestres, o que é insuficiente para uma invasão com fins de derrubar o regime teocrático que resiste após quase três semanas de bombardeios iniciados pelos EUA e por Israel. Em 2003, a invasão do Iraque envolveu 20 navios do tipo.

    Como disse o próprio premiê Binyamin Netanyahu na quinta, “uma revolução não se faz pelo ar”, necessitando de um “componente terrestre”. Se ele crê ser possível derrubar o regime com uma força reduzida, isso não se sabe.

    Há duas leituras mais imediatas para a concentração. Primeiro, que, na verdade os EUA estão improvisando um reforço no seu poderio aeronaval, dado que cada um dos grupos expedicionários leva cerca de 20 caças de quinta geração F-35B, a versão dos fuzileiros que pode decolar de forma vertical.

    O envio dos F-35B ajudaria a suprir a falta que o porta-aviões USS Gerald R. Ford fará, dado que o maior navio de guerra do mundo está deixando o mar Vermelho rumo à Grécia, onde passará talvez uma semana fazendo reparos após um incêndio a bordo não relacionado ao combate.

    Com isso, ficou na região apenas o porta-aviões USS Abraham Lincoln e suas cerca de 90 aeronaves, talvez 65 delas de ataque.

    A segunda hipótese é de que Trump quer ter na mão a opção de uma ação terrestre limitada no golfo Pérsico, algo extremamente arriscado, mas não impossível dado o desenho em curso da guerra.

    Nesta semana, o Pentágono confirmou que está acelerando os ataques a instalações costeiras e ativos navais de pequeno porte do Irã no estreito de Hormuz, o gargalo marítimo no centro da grande crise energética que a guerra trouxe ao mundo.

    Via de escoamento de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo, Hormuz é o quintal estratégico de Teerã, que o militarizou, provavelmente colocando minas em trechos importantes para obrigar os navios que autoriza a passar a usar uma rota que passa por suas águas.

    Para agravar a situação, o ataque de Israel à fatia iraniana do maior campo de gás do mundo levou a uma retaliação da teocracia que destruiu parte da infraestrutura da commodity no maior produtor global, o Qatar.

    Trump negou ter participado da ação, o que Netanyahu confirmou e ninguém acreditou. Seja como for, a divergência entre os parceiros na guerra ficou para o público, e o americano disse que Israel não mais atacaria.

    Ao mesmo tempo, o presidente dos EUA disse que explodiria o campo se o Irã voltasse a atacar instalações de gás do Qatar. O chanceler iraniano respondeu que retaliaria se o seu campo fosse atacado novamente. E por ora a situação se estabilizou, com os preços do gás e do petróleo ainda altos, mas não na disparada de quinta.

    Segundo o Pentágono, aviões de ataque aproximado A-10 Warthog estão sendo empregados e helicópteros AH-64 Apache, ambas armas que são usadas quando há alguma segurança de que sistemas antiaéreos estão desabilitados.

    Eles voam baixo e devagar, caçando alvos menores. Isso sugere uma tentativa de degradar ainda mais a rede militar do Irã em Hormuz, que tinha ao menos 16 bases principais. Uma delas foi bombardeada nesta sexta (20).

    Esses ataques poderiam ser a preparação para o emprego de tropas em pontos da costa de Hormuz ou para a tomada da ilha de Kharg, mais acima no golfo Pérsico, que é o terminal de embarque de quase toda a produção petrolífera do Irã.

    Ambas as ideias soam, para analistas militares, bastante arriscadas porque o Irã, mesmo bastante enfraquecido pelas semanas de bombardeios, retém uma capacidade de lançamento de mísseis e drones considerável, como se vê todos os dias em Israel e nos vizinhos do golfo.

    Desembarcar fuzileiros em pontos costeiros ou em Kharg é uma coisa; manter a posição é outra. Mas aparentemente Trump quer manter essa carta à disposição, até para aumentar a pressão política sobre a teocracia.

    Trump mobiliza mais tropas e amplia ação no estreito de Hormuz