Categoria: MUNDO

  • Hantavírus: Como será feito desembarque de passageiros nas ilhas Canárias

    Hantavírus: Como será feito desembarque de passageiros nas ilhas Canárias

    Ministério da Saúde espanhol respondeu positivamente ao pedido da OMS para o desembarque nas Canárias dos passageiros do navio Hundius, onde foi detectado um surto de Hantavírus. Se se vier a concretizar, saiba como se desenrolará o processo.

    O Ministério da Saúde da Espanha confirmou que decidiu receber os passageiros do navio de cruzeiro Hondius, onde já foram confirmados pelo menos sete casos de hantavírus.

    A decisão, segundo o governo espanhol, foi tomada com base no cumprimento do Direito Internacional e em um espírito humanitário.

    O processo, no entanto, será realizado seguindo procedimentos e regras específicas, em uma operação que gera algumas preocupações.

    Vale lembrar que, a bordo do navio, várias pessoas podem estar infectadas com a síndrome respiratória por hantavírus, que já causou três mortes.

    Por que Espanha?

    O navio partiu da Argentina com destino a Cabo Verde, com mais de 140 pessoas a bordo. Foi lá que os primeiros casos da doença foram diagnosticados, embora se acredite que a infecção original tenha ocorrido fora da embarcação.

    A OMS considera que Cabo Verde não tem condições para realizar essa operação, e a escolha das Ilhas Canárias se deve ao fato de ser o local mais próximo com a infraestrutura necessária.

    “A Espanha tem a obrigação moral e legal de ajudar essas pessoas, entre as quais também há cidadãos espanhóis”, afirmou a OMS.

    Como será feito o desembarque?

    A operação de desembarque será realizada em coordenação com a União Europeia. O governo espanhol divulgará os detalhes do protocolo assim que forem definidos pela OMS e pelo Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC).

    Por enquanto, sabe-se, segundo o ABC, que está sendo feita uma inspeção detalhada no navio para identificar quais pessoas precisam ser retiradas com urgência em Cabo Verde — como é o caso de um médico em estado grave.

    Os demais passageiros seguirão viagem até as Ilhas Canárias, onde a chegada é esperada dentro de três ou quatro dias. O porto específico ainda não foi definido, informou o Ministério da Saúde. Ao chegarem, tripulação e passageiros serão devidamente examinados, atendidos e transferidos para seus respectivos países.

    O processo será coordenado por meio de um protocolo comum de gestão de casos e contatos elaborado pela OMS e pelo ECDC.

    Tanto o atendimento médico quanto o transporte serão realizados em locais e meios especiais preparados para essa situação, evitando qualquer contato com a população local e garantindo a segurança dos profissionais de saúde, segundo a imprensa espanhola.

    Antes disso, os casos suspeitos que ainda estão a bordo serão retirados em aeronaves médicas para tratamento em unidades de alta contenção. Os dois casos sintomáticos serão encaminhados para os Países Baixos a partir de Cabo Verde. Um contato de alto risco será colocado em quarentena na Alemanha, informou o ministério liderado pela ministra Mónica García.

    O desembarque vai acontecer?

    Apesar da confirmação do Ministério da Saúde espanhol sobre o recebimento do navio nas Ilhas Canárias, o líder do governo regional já se posicionou contra a decisão e pediu uma reunião urgente com o primeiro-ministro, Pedro Sánchez.

    Fernando Clavijo quer evitar que o cruzeiro com o surto de hantavírus faça escala nas ilhas, argumentando que a decisão não segue “nenhum critério técnico” e que não há “informações suficientes para transmitir uma mensagem de tranquilidade e garantir a segurança da população canária”.

    O navio, com 149 pessoas de 23 nacionalidades, fazia a rota entre Ushuaia, na Argentina, de onde partiu em 20 de março, e as Ilhas Canárias, com paradas no Atlântico Sul para turismo de observação da vida selvagem.

    A OMS confirmou até agora dois casos de hantavírus no cruzeiro e cinco casos suspeitos.

    Os dois casos confirmados são o de uma mulher que teve contato próximo com o passageiro que morreu em 11 de abril e o de um passageiro que foi retirado do navio e levado para Joanesburgo, onde está em estado grave na UTI.

    Os cinco casos suspeitos incluem dois passageiros que morreram (um homem em 11 de abril e uma mulher em 2 de maio) e três pessoas que continuam a bordo com sintomas gastrointestinais e/ou febre alta, sendo dois membros da tripulação.

    O que é o hantavírus?

    Os hantavírus podem ser transmitidos de animais para humanos, geralmente quando as pessoas inalam poeira ou partículas liberadas pela urina, fezes ou saliva de roedores infectados, especialmente em ambientes fechados ou mal ventilados.

    Nas Américas, alguns tipos de hantavírus podem causar a síndrome pulmonar por hantavírus, uma doença grave caracterizada por febre e sintomas gerais, seguidos por insuficiência respiratória aguda.

    A maioria dos hantavírus não é transmitida de pessoa para pessoa. A exceção é o vírus Andes, registrado principalmente em partes da América do Sul e que já demonstrou capacidade de transmissão entre humanos.

    Ainda não se conhece a origem da infecção neste cruzeiro, nem qual variante específica do hantavírus está envolvida.

    A OMS avalia, no momento, que o risco desse surto para a população global é baixo.

    Hantavírus: Como será feito desembarque de passageiros nas ilhas Canárias

  • Influenciadora leva mordida de poodle, vai ao hospital nos EUA e conta dá R$ 83 mil

    Influenciadora leva mordida de poodle, vai ao hospital nos EUA e conta dá R$ 83 mil

    Débora Rocha ficou preocupada em contrair doença fora do país; assista. Ela contou pelas redes sociais que a sorte foi ter um seguro-viagem

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – A influenciadora de moda Débora Rocha usou as redes sociais, com quase 150 mil seguidores, para contar que levou uma mordida de um cachorro em Orlando, nos Estados Unidos, e que a conta do hospital para onde foi tomar vacinas ficou R$ 83 mil.

    Ela estava hospedada numa casa, e seus vizinhos tinham quatro cães, dentre eles um poodle marrom. No dia em que iria embora, o animal correu até ela e mordeu seu braço. Desesperada, ela bateu na porta dos donos do animal para perguntar se ele havia sido.

    “Ele simplesmente me deu uma mordida. Eu tirei o meu braço e fez um buraco, arrancou um pedaço da minha pele”, comentou.

    Mesmo com sinal positivo, ela resolveu ligar para algumas clínicas para obter a primeira dose da vacina antirrábica a tempo de seguir seu destino. Mas foi informada que a tal dose só seria aplicada na emergência de um hospital.

    Chegando ao local para tomar o imunizante, a influenciadora conta que conseguiu as duas primeiras doses, mas que o valor ficou em US$ 17 mil, o equivalente a R$ 83 mil pela cotação atual.

    “Eu fiquei muito triste pensando nas pessoas que não têm plano de saúde lá”, disse. Felizmente, ela havia feito um seguro-viagem que arca com os custos de eventuais problema de saúde dos turistas. Assim, não precisou pagar a fatura.

    Já no Brasil, ela disse que tomará as duas últimas doses por aqui, de graça, pelo SUS (Sistema Único de Saúde). O vídeo viralizou e já foi assistido mais de 70 mil vezes.

    O fato volta os holofotes para o custo elevado da saúde em solo americano. Segundo pesquisa conduzida pela West Health e Gallup, de abril de 2025, 11% de americanos disseram que não puderam pagar por medicamentos e cuidados nos últimos três meses, o nível mais alto nos quatro anos em que a pesquisa foi realizada.

    Mais de um terço dos entrevistados, o que representa cerca de 91 milhões de adultos, disseram que, se precisassem de cuidados médicos, não conseguiriam pagar por eles.

    A pesquisa também mostrou disparidades crescentes para adultos negros e hispânicos e para aqueles que ganham menos. Um quarto daqueles com uma renda familiar anual inferior a U$ 24 mil disseram que não puderam pagar ou ter acesso a cuidados médicos nos últimos três meses.

    Adultos brancos e pessoas que ganham altos salários disseram não ter experimentado mudanças reais em sua capacidade de pagar.

    Influenciadora leva mordida de poodle, vai ao hospital nos EUA e conta dá R$ 83 mil

  • Casa Branca confirma encontro de Lula e Trump na quinta-feira

    Casa Branca confirma encontro de Lula e Trump na quinta-feira

    Antes, brasileiro havia falado de uma reunião em março, que não foi realizada. Petista deve tratar de questões relacionadas a economia e segurança com o republicano

    WASHINGTON, EUA (CBS NEWS) – A Casa Branca confirmou, nesta terça-feira (5), o encontro entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva. O encontro está marcado para quinta-feira e a expectativa, segundo aliados de Lula, é que ele viaje na quarta e retorno na sexta-feira.

    Por meio de um oficial da Casa Branca, a visita foi confirmada. Segundo este funcionário, o presidente Donald Trump vai receber Lula para. “Eles vão discutir assuntos econômicos e de seguraça de importância compartilhada.”

    Lula tinha falado sobre a possibilidade do encontro no início do ano e chegou a anunciar uma visita em março, que não foi adiante. Após o início da guerra contra o Irã, diplomatas afirmam que as conversas para uma reunião entre os líderes perdeu fôlego.

     

    Casa Branca confirma encontro de Lula e Trump na quinta-feira

  • Imprensa volta a sede do governo Milei após 11 dias de bloqueio a jornalistas

    Imprensa volta a sede do governo Milei após 11 dias de bloqueio a jornalistas

    Dois repórteres ainda estão vetados, e profissionais que entraram na Casa Rosada apontam limitações de circulação. Chefe de gabinete de Milei defende novo protocolo e diz que governo está ‘plenamente a favor da liberdade de imprensa’

    BUENOS AIRES, ARGENTINA (CBS NEWS) – A sala de imprensa da Casa Rosada foi reaberta nesta segunda-feira (4) após um hiato de 11 dias em que jornalistas foram proibidos pelo governo Javier Milei de entrar na sede do Executivo, uma medida inédita na história recente da Argentina.

    O caso teve início após a emissora Todo Noticias exibir imagens do interior do prédio feitas com óculos inteligentes.

    A retomada ocorreu com relatos de restrições, no entanto. Jornalistas apontaram retenção de credenciais, escolta de agentes de segurança e limitação de deslocamento dentro do prédio, em especial nos locais em que os profissionais conseguiam informações de bastidores.

    “O governo decidiu que os jornalistas que circulam pelos corredores do Balcarce 50 há anos não poderão mais fazê-lo”, afirmou o repórter Fabian Waldman na rede social X, referindo-se ao endereço da Casa Rosada. As restrições impediam que os jornalistas vissem a chegada de autoridades para reuniões, segundo ele. “Em resumo, um pouco de obscurantismo. [Querem] ocultar o que o governo não quer que descubram, ao contrário dos governos anteriores, incluindo a própria ditadura militar.”

    Além disso, a Associação de Entidades Jornalísticas da Argentina (Adepa) disse em suas redes que ao menos dois jornalistas continuam barrados. “O trabalho dos jornalistas na sede do Estado não é um privilégio da mídia, mas um direito de seus leitores -e da cidadania como um todo- de ter acesso a informação pública, de compreender o funcionamento institucional e de ter garantida a liberdade de expressão”, afirmou a organização.

    Os jornalistas foram recebidos com uma entrevista coletiva do chefe de gabinete Manuel Adorni. Segundo ele, as novas regras são parte de um “novo protocolo” para “fazer cumprir a norma, não censurar a liberdade de expressão”. Questionado sobre o bloqueio de dois jornalistas, afirmou que “todos os indivíduos credenciados e com a documentação em ordem não devem ter problemas para entrar”.

    “Sob nenhum outro governo vocês tiveram tanta liberdade para dizer o quisessem, quando quisessem e onde quisessem. Por isso surpreende algumas declarações que fizeram nos últimos dias classificando o fechamento temporário da sala de imprensa como uma suposta violação à liberdade de expressão”, disse, a despeito do fato de que em nenhum momento o governo deixou claro que a restrição era temporária.

    Adorni também voltou a criticar a exibição das imagens internas da Casa Rosada como uma “grave violação da segurança”. “Pareceria normal que um jornalista se infiltrasse na Casa Branca, por exemplo, nos Estados Unidos, com óculos espiões e não houvesse nenhum tipo de consequência?”, afirmou.

    O uso de óculos inteligentes na sede do Executivo americano já ocorreu, na verdade. Em janeiro deste ano, Jon Michael Raasch, repórter do jornal britânico Daily Mail, fez gravações com o acessório em duas entrevistas coletivas da porta-voz do governo, Karoline Leavitt. Semanas depois, disse que um funcionário o informou que esse tipo de óculos é proibido no prédio.

    Na Argentina, a Casa Militar, agência responsável pela segurança do presidente, apresentou uma queixa contra Nacho Salerno, o repórter que gravou as imagens com os óculos inteligentes, e Luciana Geuna, apresentadora do programa em que as imagens foram exibidas. Milei ainda compartilhou em rede social uma imagem manipulada mostrando a jornalista algemada e vestindo um uniforme de detenta.

    “Ser corrupto, aceitar subornos e violar as leis de segurança não fica impune. Algum dia, os lixos imundos dos jornalistas (95%) terão que entender que não estão acima da lei. Eles abusaram do sistema legal. Isso não fica impune”, afirmou na ocasião o presidente argentino.

    Ao comentar o caso em seu programa, Geuna disse que a filmagem “não se tratava de uma gravação clandestina”, mas de um recurso “para contar a história política de uma forma mais visual, narrando-a a partir dos corredores comuns da Casa Rosada”.

    “Para vocês terem uma ideia, cada uma das imagens que gravamos está em áreas que são repetidas milhares de vezes nas redes sociais, quando os alunos fazem visitas guiadas à Casa Rosada e, com seus celulares, gravam a visita. Elas também aparecem no Google Street View”, disse a apresentadora.

    Uma semana após a decisão do governo Milei, a ONG Repórteres Sem Fronteiras mostrou que a Argentina caiu 11 posições em seu ranking anual de liberdade de imprensa, ficando em 98º lugar entre 180 países -o pior resultado desde 2002, quando a entidade começou a fazer a série.

    Apesar das restrições, os jornalistas puderam perguntar a Adorni sobre as acusações de enriquecimento ilícito das quais ele é alvo e que têm contribuído para a queda de popularidade de Milei. Questionado sobre a nova revelação do jornal Clarín sobre mais uma viagem de luxo suspeita, o chefe de gabinete respondeu: “Não li.”

    Imprensa volta a sede do governo Milei após 11 dias de bloqueio a jornalistas

  • O que é e como se transmite o hantavírus, responsável por três mortes em cruzeiro no Atlântico

    O que é e como se transmite o hantavírus, responsável por três mortes em cruzeiro no Atlântico

    Vírus é transmitido por roedores silvestres e pode causar insuficiência respiratória fatal. No Brasil, foram registrados mais de 2.300 casos da doença entre 1993 e 2024

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – Três mortes e quatro infecções a bordo de um cruzeiro no Atlântico chamaram a atenção de autoridades internacionais de saúde para o hantavírus nesta semana. Nesta terça-feira (5), a OMS (Organização Mundial da Saúde) anunciou sete casos da doença no navio MV Hondius, ancorado ao largo de Cabo Verde -dois confirmados em laboratório e cinco suspeitos.

    A embarcação havia partido de Ushuaia, no extremo sul da Argentina, em março, em uma expedição pela Antártida e por ilhas remotas do Atlântico Sul. O navio transportava cerca de 150 passageiros, em sua maioria britânicos, americanos e espanhóis, com passagens que custavam entre R$ 88 mil e R$ 139 mil. A OMS suspeita que houve transmissão do vírus entre pessoas a bordo.

    A doença, mais comum em zonas rurais, é pouco conhecida pelo público urbano. A Folha de S.Paulo reuniu as principais dúvidas sobre o vírus.

    O QUE É O HANTAVÍRUS?

    É um vírus do gênero Orthohantavirus, agente causador da hantavirose, doença que pode provocar insuficiência respiratória grave e fatal. Existem mais de 40 tipos do vírus no mundo. Nas Américas, a manifestação mais comum é a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus, que afeta o coração e os pulmões. Cerca de 40% dos casos resultam em morte, segundo os CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças) dos Estados Unidos.

    COMO O VÍRUS É TRANSMITIDO?

    O principal meio de transmissão é o contato com roedores silvestres, conhecidos como ratos do mato. O vírus é eliminado pela urina, fezes e saliva desses animais. A infecção ocorre principalmente quando uma pessoa inala aerossóis contaminados, como ao varrer locais onde esses roedores viveram. Ratos urbanos comuns, como ratazanas e camundongos, estão mais associados à leptospirose do que ao hantavírus.

    COMO FOI A TRANSMISSÃO NO CRUZEIRO?

    A hipótese da OMS é que os primeiros infectados, um casal holandês, contraíram o vírus fora do navio, possivelmente durante atividades de observação de aves na Argentina. A cepa envolvida seria o Andes, que circula na América do Sul. A partir daí, teria ocorrido transmissão entre humanos a bordo, entre pessoas em contato próximo que compartilhavam cabines. Embora rara, essa forma de contágio já foi documentada em surtos anteriores da cepa Andes.

    O HANTAVÍRUS OCORRE NO BRASIL?

    Sim. Entre 1993 e 2024, foram registrados 2.377 casos no país, com 540 mortes, segundo o Ministério da Saúde. A maioria ocorre na zona rural, que concentra cerca de 70% dos casos. Em 2025, foram notificados 28 casos. Nos primeiros quatro meses de 2026, já são seis registros. O vírus é mais frequente em países da América do Sul, e o Brasil é um dos mais afetados na região.

    QUAIS SÃO OS SINTOMAS INICIAIS DA DOENÇA?

    A fase inicial dura de três a cinco dias e se assemelha a uma gripe ou virose comum. Os sintomas incluem febre alta, dor de cabeça, dores no corpo e manifestações gastrointestinais como náusea, vômito, diarreia e dor abdominal. Por essa semelhança com outras doenças, o diagnóstico precoce é difícil.

    QUANDO A DOENÇA FICA GRAVE?

    A fase cardiopulmonar pode se instalar entre 4 e 24 horas após o surgimento de tosse e dificuldade respiratória. Nessa etapa, o quadro inclui respiração acelerada, pressão baixa, acúmulo de líquido nos pulmões e taquicardia. Na América do Sul, podem ocorrer ainda manchas vermelhas na pele, sangue na urina e rubor facial. Casos graves exigem internação em UTI e suporte ventilatório. Não existe tratamento específico.

    QUAIS SÃO OS FATORES DE RISCO?

    O desmatamento e a expansão de áreas urbanas para regiões rurais aumentam o contato entre humanos e roedores silvestres. Atividades como limpar celeiros, estábulos ou locais infestados de ratos elevam o risco, assim como trabalhos agrícolas e de controle de pragas. A observação de aves em áreas naturais, como a realizada pelos passageiros do cruzeiro, pode ser outro fator de exposição.

    COMO PREVENIR A INFECÇÃO?

    Não há vacina eficaz disponível nas Américas. A prevenção passa por evitar o contato com roedores e suas excretas. As recomendações da Opas (Organização Pan-Americana da Saúde) incluem vedar a entrada de roedores nos ambientes, guardar alimentos adequadamente, manter o terreno limpo e usar ratoeiras convencionais. Lavar bem frutas, bebidas em lata e as mãos também é indicado em locais onde pode haver contaminação.

    QUE CUIDADOS TOMAR EM LOCAIS POSSIVELMENTE CONTAMINADOS?

    Antes de entrar no local, é preciso ventilar o espaço por pelo menos 30 minutos. A limpeza deve ser feita com solução de água sanitária na proporção de um para dez, ou com detergente. Varrer é contraindicado, pois dispersa os resíduos contaminados no ar. Durante todo o processo, é obrigatório o uso de luvas de borracha ou plástico.

    O que é e como se transmite o hantavírus, responsável por três mortes em cruzeiro no Atlântico

  • Trump volta a criticar Papa Leão XIV: "Coloca muitos católicos em perigo"

    Trump volta a criticar Papa Leão XIV: "Coloca muitos católicos em perigo"

    Presidente afirma que pontífice acha ‘tudo bem’ que Teerã tenha arma nuclear; líder católico nunca disse isso. Papa responde afirmando que continua pregando a paz, mas que as pessoas são livres para criticá-lo

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – Em novo ataque a o papa Leão 14, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusou o líder da Igreja Católica de colocar fiéis em risco com sua posição sobre o Irã.

    “Acho que ele está colocando em perigo muitos católicos e muitas pessoas. Mas acho que, se depender do papa, ele acha que está tudo bem o Irã ter uma arma nuclear”, disse Trump em entrevista ao radialista conservador Hugh Hewitt na segunda-feira (4).

    Leão 14, que nunca defendeu que Teerã tenha armamento nuclear, respondeu às acusações nesta terça-feira (5), ao dizer que espera difundir a mensagem cristã falando sobre a paz. “A missão da Igreja é pregar o Evangelho, pregar a paz. Se alguém quiser me criticar por pregar o Evangelho, espero simplesmente ser ouvido por causa do valor da palavra de Deus.”

    A fala se junta a uma série de ataques que o presidente dos EUA faz a Leão 14 por se posicionar de forma contrária à guerra no Irã. Em abril, Trump chamou o papa de fraco e que ele não devia se concentrar em ser político, além de compartilhar imagens geradas por inteligência artificial onde aparecia como Jesus Cristo.

    Leão 14 se tornou o primeiro papa americano da história, apesar de também ter se naturalizado peruano. Durante seu primeiro ano como líder da Igreja Católica, manteve um perfil relativamente discreto no cenário global, mas emergiu nas últimas semanas como um firme crítico do governo Trump, afirmando que Deus rejeita orações de líderes que praticam guerras e pedindo o fim dos conflitos.

    As declarações do presidente americano surgem logo após o Vaticano anunciar que o secretário de Estado, Marco Rubio, irá se reunir com o papa para amenizar as tensões e tratar de interesses em comum na próxima quinta-feira (7). Junto a eles estará o cardeal e principal diplomata da Santa Sé, Pietro Parolin.

    De acordo com o embaixador americano no país, Brian Burch, Rubio espera ter uma reunião “franca”. “Nações têm divergências, e acho que uma das maneiras de resolver isso é por meio da fraternidade e do diálogo autêntico”, disse, negando a ideia de existir ruptura profunda entre Washington e a Santa Sé.

    Quando questionado por jornalistas sobre a última declaração de Trump, Parolin afirmou que o pontífice seguirá fazendo seu trabalho. “O papa continua em seu caminho, no sentido de pregar o Evangelho, de pregar a paz -como diria São Paulo- em tempo oportuno e inoportuno.”

    Este será o segundo encontro de Marco Rubio com o papa. Na primeira ocasião, em 2025, o secretário de Estado e o vice-presidente americano, J. D. Vance -ambos católicos- participaram da missa de posse de Leão 14 e tiveram uma reunião privada com ele pontífice no dia seguinte, onde o convidaram para visitar a Casa Branca. Após as críticas de Trump, Vance afirmou que o papa devia tomar cuidado ao misturar teologia e guerra.

    Rubio também se encontrará com a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, e o ministro de Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, na sexta-feira. Apesar de ter sido uma das principais apoiadoras de Donald Trump, Meloni faz duras críticas a Washington desde sua entrada na guerra, além de declarar apoio direto a Leão 14.

    “O papa é o chefe da Igreja Católica, e é correto e normal que ele peça a paz e condene todas as formas de guerra.”, disse a primeira-ministra em um comunicado em abril.

    Trump volta a criticar Papa Leão XIV: "Coloca muitos católicos em perigo"

  • Justiça de Israel prorroga prisão do ativista brasileiro Thiago Ávila

    Justiça de Israel prorroga prisão do ativista brasileiro Thiago Ávila

    Brasileiro foi capturado em embarcação que levava ajuda para Gaza; Ministério das Relações Exteriores de Israel informou que Thiago Ávila seria levado para interrogatório

    O Tribunal de Magistrados de Ashkelon, de Israel, prorrogou até o próximo domingo (10) a prisão do ativista Thiago Ávila, capturado ilegalmente por Israel durante missão humanitária. A decisão é do juiz Yaniv Ben-Haroush. 

    O brasileiro estava a bordo de um navio da Global Sumud Flotilla, que levava alimentos e itens básicos de sobrevivência para a população de Gaza. A embarcação navegava por águas internacionais, perto da ilha grega de Creta, no dia 30 de abril, no momento em que foi interceptada pelas forças israelenses. Ávila foi levado a Israel juntamente com o palestino-espanhol Saif Abukeshek. Os demais ativistas da flotilha foram levados à Grécia.

    Em nota distribuída à imprensa, o movimento internacional afirma que Israel os privam de liberdade sem que exista nenhum indício ou prova contra os dois, nem acusação formal, consequentemente. As advogadas da Adalah, Hadeel Abu Salih e Lubna Tuma, organizações de direitos humanos e jurídicas que representam Ávila e Abukeshek, argumentam que Israel acusa os ativistas com base em provas sigilosas, ao qual não tiveram acesso. A equipe de defesa afirma ainda que socorrer civis atingidos pela violência sionista não configura crime ou sinaliza ligações com o terrorismo.

    “A Adalah esclarece que nenhuma acusação formal foi apresentada e que a detenção se destina a interrogatórios em curso. Durante uma audiência anterior, o Ministério Público israelense apresentou uma lista de supostos crimes, incluindo auxílio ao inimigo em tempo de guerra, contato com um agente estrangeiro participação e prestação de serviços a uma organização terrorista e transferência de bens para uma organização terrorista”, destaca a Global Sumud no informe.

    Segundo a defesa, os procedimentos seriam ilegais pelo fato de os ativistas não serem cidadãos israelenses. Portanto, a legislação israelense não poderia ser aplicada, conforme o Adalah, centro de prestação de assistência jurídica a palestinos. Outro aspecto que invalidaria a lei de Israel, também levantado pelo coletivo, é a distância de mais de 1 mil quilômetros entre o ponto no qual foram sequestrados e Gaza.

    Em nota anterior, a Global Sumud Flotilla informou que Ávila foi interrogado pela agência de inteligência Shabak (ISA) e que questionamentos teriam seriam feitos pelo Mossad, o instituto de inteligência de Israel.

    “Embora os advogados da Adalah tenham exigido informações sobre as acusações, as autoridades israelenses se recusaram a fornecê-las”, disse.

    O Public Committee Against Torture in israel (PCATI) assinala que as autoridades israelenses têm usado uma prerrogativa do Chefe do Estado-Maior das FDI (Forças de Defesa de israel) para justificar as ordens de detenção, sob argumento de que a libertação do indivíduo prejudica a segurança do Estado.

    O Ministério das Relações Exteriores de Israel informou, na última quinta-feira (30), em sua conta oficial no X, que Thiago Ávila seria levado para interrogatório, suspeito de atividades ilegais, e, da mesma forma, Saif Abukeshek, acusado de pertencer a uma organização terrorista.

    Israel nega as denúncias de violações dos direitos dos ativistas.

    Justiça de Israel prorroga prisão do ativista brasileiro Thiago Ávila

  • Trump diz que Irã deveria se render, e Teerã afirma que conflito 'ainda nem começou'

    Trump diz que Irã deveria se render, e Teerã afirma que conflito 'ainda nem começou'

    “Eles fazem jogos, mas vou dizer uma coisa: eles querem fazer um acordo. E quem não iria querer, quando seu poder militar praticamente desapareceu?”, disse o norte-americano Donald Trump

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, minimizou nesta terça-feira (5) a capacidade militar do Irã e disse que o país deveria “hastear a bandeira branca”. Teerã, por sua vez, aumentou o tom das ameaças diante da operação de Washington para escoltar navios no estreito de Hormuz.

    A nova troca de farpas ocorre um dia após vários ataques na região colocarem o cessar-fogo em xeque. Os dois países travam uma disputa pelo controle da passagem marítima, por onde passava cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo antes da guerra.

    “Sabemos perfeitamente que a continuidade da situação atual é insustentável para os EUA, enquanto nós ainda nem começamos”, disse Mohamad Bagher Ghalibaf, chefe do Parlamento e o principal negociador do Irã, em uma mensagem na rede social X. Ele afirmou também que a “presença maligna” de forças americanas diminuirá na região.

    Horas depois, Trump respondeu. O presidente afirmou a repórteres no Salão Oval que o poder militar iraniano foi reduzido e que Teerã, nos bastidores, quer fechar um acordo, apesar de sua retórica agressiva em público.

    “Eles fazem jogos, mas vou dizer uma coisa: eles querem fazer um acordo. E quem não iria querer, quando seu poder militar praticamente desapareceu?”, disse. O republicano também elogiou o bloqueio dos portos iranianos pelos EUA e disse que a estratégia está “funcionando muito bem”.

    Já o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, disse a jornalistas mais cedo nesta terça que a operação dos EUA para proteger navios comerciais é temporária, que Washington não está buscando um confronto e que a trégua com o Irã ainda está em vigor. Hegseth disse, no entanto, que uma ação militar não está descartada, acrescentando que qualquer ataque iraniano provocará uma resposta “devastadora”.

    “Não estamos buscando um conflito. Mas também não podemos permitir que o Irã bloqueie países inocentes e suas mercadorias em uma via navegável internacional”, acrescentou o secretário. “O presidente [Donald Trump] pode tomar uma decisão caso algo evolua para uma violação do cessar-fogo.”

    A troca de ameaças seguiu mais tarde, desta vez através da Guarda Revolucionária iraniana. Em um comunicado veiculado na TV estatal, a guarda prometeu uma “resposta firme” a navios que tentem passar pelo estreito por áreas que não sejam as delimitadas por Teerã.

    “Alertamos todos os navios que planejam transitar pelo estreito de Ormuz que a única passagem segura é o corredor previamente anunciado pelo Irã. Qualquer desvio de navios para outras rotas é perigoso e resultará em uma resposta firme da Marinha da Guarda Revolucionária iraniana”, afirmou a força no comunicado.

    Desde o início da guerra, o estreito está bloqueado por Teerã. A situação provocou um aumento expressivo do preço do petróleo. Para tentar pressionar o rival, Washington respondeu com um bloqueio aos portos iranianos.

    Na segunda-feira (4), os EUA iniciaram a chamada operação “Projeto Liberdade” para permitir que os navios bloqueados há semanas consigam atravessar o estreito. Segundo empresas especializadas, mais de 900 embarcações estavam no golfo Pérsico no fim de abril, com quase 20 mil marinheiros.

    Vários navios no Golfo relataram explosões ou incêndios em seguida, e um porto de petróleo nos Emirados Árabes Unidos, que abriga uma grande base militar dos EUA, foi incendiado por mísseis iranianos.

    Segundo o Comando Central dos EUA, dois navios mercantes com bandeira americana, escoltados por destróieres com mísseis guiados da Marinha, atravessaram o estreito na segunda-feira.

    A empresa dinamarquesa de transporte Maersk confirmou que um de seus navios, que transportava veículos e estava bloqueado na região desde fevereiro, conseguiu atravessar a via acompanhado por forças americanas.

    Os EUA informaram que destruíram seis embarcações iranianas “que ameaçavam a navegação comercial” e que mísseis lançados contra seus navios na região foram interceptados. Teerã negou qualquer dano em seus navios e acusou Washington de matar cinco civis em ataques contra duas embarcações que partiram de Omã com destino à costa iraniana.

    O chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi, afirmou que os episódios de segunda-feira mostraram que não há solução militar para a crise. Ele afirmou que as negociações de paz estão avançando com a mediação do Paquistão e alertou EUA e Emirados Árabes contra o risco de se envolverem em um “atoleiro”.

    As tentativas de retomar as negociações entre Irã e EUA fracassaram até o momento. após uma primeira rodada infrutífera em Islamabad, novas etapas foram postergadas enquanto os dois lados se acusavam de dificultar a discussão.

    Nem Teerã, nem Washington, parecem dispostos a ceder em pontos que o outro lado interpreta como limites do debate. Atualmente, por exemplo, o Irã tenta empurrar as negociações sobre seu programa nuclear para um futuro pós-acordo, o que a Casa Branca rejeita e tenta incluir no pacote do trato para encerrar o conflito.

    Trump diz que Irã deveria se render, e Teerã afirma que conflito 'ainda nem começou'

  • Hantavírus pode estar se propagando entre passageiros de navio Hondius

    Hantavírus pode estar se propagando entre passageiros de navio Hondius

    Navio que fazia trajeto entre a Argentina e Cabo Verde teria já registrado sete casos de hantavírus

    As autoridades de saúde internacional creem que a síndrome respiratória que já matou três pessoas a bordo de um cruzeiro, que navega no Atlântico, estaria se propagando entre os passageiros da embarcação.

    Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), médicos vão entrar, esta terça-feira (5), no navio Hondius a fim de retirar dois doentes.

    A informação surge momentos depois de a OMS ter afirmado que o risco de uma infecção global era mínima. Porém, admite-se agora, poderá estar a se verificando vários casos de infecção de humano para humano a bordo do navio, como entre pessoas que estabeleceram contatos diretos com outras pessoas infectadas.

    Os passageiros que vão ser retirados são dois tripulantes que apresentam sintomas respiratórios, um leve e outro grave, e que precisam de assistência médica urgente.

    Detectados 7 casos a bordo

    O navio de cruzeiro está de quarentena em Cabo Verde depois de se ter confirmado um segundo caso de hantavírus no navio e outros cinco casos suspeitos.

    Os dois casos confirmados são o de uma mulher que teve contato próximo com o passageiro que morreu no dia 11 de abril e o de um passageiro, de nacionalidade britânica, que foi retirado do navio e transportado para Joanesburgo, onde está em estado grave nos cuidados intensivos.

    Os restantes cinco casos suspeitos, ainda não confirmados em laboratório, são os dois passageiros que morreram a 11 de abril (um homem) e a 2 de maio (uma mulher) e os três casos que estão a bordo com sintomas gastrointestinais e/ou febre alta, dois deles elementos da tripulação.

    Navio pode atracar em Espanha

    O navio, com 147 pessoas a bordo, poderá estar a caminho das ilhas Canárias. A diretora de prevenção e preparação para epidemias e pandemias da OMS, Maria Van Kerkhove, afirmou em Genebra que esta organização está “trabalhando com as autoridades espanholas” e deu como certo que as Canárias “acolherão o navio [e a Espanha] realizará uma investigação exaustiva, uma investigação epidemiológica completa, uma desinfecção total do navio e, claro, avaliará o risco dos passageiros a bordo”.

    Contudo, segundo o El Pais, o Ministério da Saúde espanhol ainda não teria confirmado esta situação.  

    OMS atenta à situação

    A OMS garantiu estar trabalhando com as autoridades locais e a operadora de cruzeiros Oceanwide em uma “avaliação completa de risco para a saúde pública”. 

    “Estão em curso investigações detalhadas, incluindo mais testes laboratoriais e investigações epidemiológicas”, disse a organização, frisando que “cuidados médicos e apoio estão a ser prestados aos passageiros e à tripulação”.

    Hantavírus pode estar se propagando entre passageiros de navio Hondius

  • Tensão escala em Hormuz com ataques a navios e disputa entre Irã e EUA

    Tensão escala em Hormuz com ataques a navios e disputa entre Irã e EUA

    Episódio aumenta tensão no estreito de Hormuz, com troca de acusações entre Teerã e Washington; região segue instável, com ataques relatados, operações militares em curso e impacto direto no transporte marítimo e no preço do petróleo.

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – A Marinha do Irã afirmou nesta segunda-feira (4) que impediu a entrada de navios de guerra dos Estados Unidos no estreito de Hormuz ao emitir um “aviso rápido e decisivo”, segundo a TV estatal. O Comando Central dos EUA, que por sua vez está bloqueando portos iranianos para pressionar Teerã, disse que nenhuma embarcação do país foi atingida.

    A agência semioficial iraniana Fars informou que dois mísseis teriam atingido um navio de guerra americano perto do porto de Jask, na entrada sul do estreito, onde a Marinha iraniana possui uma base, mas a informação foi negada por Washington. Um funcionário de alto escalão iraniano disse à Reuters que o Irã disparou um tiro de advertência.

    O Comando Central afirmou nesta segunda que já escoltou dois navios destróieres da Marinha dos EUA, equipados com mísseis guiados, pelo estreito. 

    “As forças americanas estão ativamente auxiliando os esforços para restabelecer a passagem de navios comerciais. Como primeiro passo, duas embarcações mercantes de bandeira dos EUA atravessaram com sucesso o estreito de Hormuz e seguem com segurança em sua rota”, afirmou o comunicado divulgado.

    Em mais uma disputa de versões, Teerã afirmou, após o anúncio, que nenhum navios mercante passou pela via marítima.

    Já os Emirados Árabes Unidos acusaram Teerã de atacar com drones um petroleiro ligado à ADNOC, petrolífera do país, que tentava atravessar o estreito. Segundo o governo, a embarcação estava vazia e nenhuma pessoa ficou ferida.

    “Os Emirados Árabes Unidos enfatizam a necessidade de o Irã interromper esses ataques, garantir seu pleno compromisso com a cessação imediata de todas as hostilidades e a reabertura completa e incondicional do estreito de Hormuz”, acrescentou o Ministério das Relações Exteriores.

    O país também afirmou ter interceptado três drones lançados pelo Irã em um ataque nesta segunda. Um quarto caiu no mar, segundo o governo. Um militar iraniano, citado pela televisão estatal, afirmou que “o Irã não tinha planos de atacar os Emirados Árabes Unidos”.

    A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, classificou os ataques iranianos de “inaceitáveis” e afirmou que foram “uma clara violação da soberania e do direito internacional”. Ela disse que a UE trabalhará com seus parceiros “na desescalada e na resolução diplomática, para pôr fim às ações brutais do regime iraniano, tanto contra seus vizinhos quanto contra seu próprio povo”.

    O Irã havia alertado as forças de Washington para não entrarem na via marítima depois que o presidente Donald Trump disse no domingo (3) que os EUA iriam guiar os navios que estão retidos em Hormuz para fora da via marítima.

    Já a Coreia do Sul informou que uma embarcação com bandeira do país foi atacada em Hormuz, segundo a agência de notícias estatal Yonhap. Um porta-voz da empresa de navegação sul-coreana HMM disse à Reuters que um incêndio começou na casa de máquinas de um de seus navios graneleiros, acrescentando que a causa ainda estava sob investigação. Ele disse que não há relatos de mortos ou feridos.

    Trump comentou em uma publicação nas redes sociais que o navio sul-coreano não fazia parte da operação e que talvez devesse se juntar aos esforços dos EUA para proteger a movimentação de navios perto do Irã. O presidente estimou que as forças americanas afundaram sete lanchas rápidas iranianas. Os militares dos EUA, porém, confirmaram a destruição de seis pequenas embarcações.

    Um militar iraniano, citado pela televisão estatal, afirmou posteriormente que “a declaração dos EUA afirmando ter afundado vários navios de guerra iranianos é falsa”.

    Trump deu poucos detalhes do plano, mas disse que países de todo o mundo pediram ajuda aos EUA. “Pelo bem do Irã, do Oriente Médio e dos EUA, dissemos a esses países que nós vamos guiar seus navios de forma segura para fora dessas águas”, disse Trump em sua rede social.

    Em entrevista à Fox News, o americano afirmou ainda que, se o Irã atacar embarcações dos EUA que estiverem guiando navios pelo estreito, será “varrido da face da Terra”.

    O Comando Central dos EUA afirmou que apoiará a operação de resgate com 15 mil militares e mais de 100 aeronaves baseadas em terra e no mar, além de navios de guerra e drones. Em resposta, o Irã instruiu navios comerciais e petroleiros a evitar qualquer movimento que não fosse coordenado com as forças militares iranianas.

    “Temos dito repetidamente que a segurança do estreito de Hormuz está em nossas mãos e que a passagem segura de embarcações precisa ser coordenada com as Forças Armadas”, disse Ali Abdollahi, chefe do comando militar conjunto do Irã, em comunicado.

    “Advertimos que quaisquer forças armadas estrangeiras, especialmente o agressivo Exército dos EUA, serão atacadas caso tentem se aproximar e entrar no estreito de Hormuz.”

    O Irã bloqueou quase todo o transporte marítimo de entrada e saída do Golfo desde o início da guerra, fazendo os preços do petróleo dispararem.

    O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse que os eventos em Hormuz mostraram que não há solução militar para a crise. O chanceler afirmou que as negociações estão progredindo com a mediação do Paquistão e alertou os EUA e os Emirados Árabes Unidos para que não se deixem arrastar para um “atolamento causado por pessoas mal-intencionadas”.

    Tensão escala em Hormuz com ataques a navios e disputa entre Irã e EUA