Categoria: MUNDO

  • Israel bombardeia Teerã no oitavo dia da guerra

    Israel bombardeia Teerã no oitavo dia da guerra

    Israel bombardeou hoje a capital iraniana, Teerã, depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter afirmado querer a “capitulação incondicional” do Irã.

    As Forças de Defesa de Israel iniciaram uma onda de ataques em grande escala” contra alvos governamentais na capital do Irã, de acordo com um comunicado do exército israelense divulgado nesta madrugada.

    O início dos novos ataques ocorreu pouco depois de o exército afirmar ter detectado uma nova salva de mísseis iranianos em direção a Israel.

    Uma série de explosões foi ouvida em Tel Aviv após os disparos iranianos, aparentemente provocadas pela interceptação dos mísseis pelas defesas israelenses.

    O exército informou então que os moradores estavam liberados para sair dos abrigos “em todas as regiões do país”.

    As operações militares “estão indo muito bem”, afirmou na noite de sexta-feira o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que havia declarado anteriormente na rede social Truth Social — da qual é proprietário — que não haveria “nenhum acordo com o Irã, apenas uma CAPITULAÇÃO INCONDICIONAL!”.

    As declarações do líder republicano fizeram disparar os preços do petróleo, que subiram quase 30% em uma semana, atingindo níveis não vistos desde 2023. O conflito na região está interrompendo grande parte do fluxo de hidrocarbonetos provenientes do Golfo.

    Os bombardeios continuaram sem pausa, com o exército israelense anunciando ter atingido “400 alvos” em todo o Irã apenas na sexta-feira. O comando militar norte-americano para o Oriente Médio, United States Central Command (Centcom), afirmou ter atacado mais de “três mil” alvos desde o início da operação “Fúria Épica”, há uma semana.

    “Estamos esmagando o regime terrorista iraniano”, afirmou na sexta-feira à noite o chefe do Estado-Maior do exército israelense.

    De acordo com as autoridades iranianas, cerca de mil pessoas morreram desde o início da guerra, 30% delas crianças, disse o porta-voz do governo na sexta-feira, citado pela Agence France-Presse (AFP), que não conseguiu verificar essas informações de forma independente.

    O Irã continua retaliando e mira Israel, onde dez pessoas já morreram, segundo os serviços de emergência. Outros países vizinhos do Golfo também foram atingidos, embora Teerã afirme que seus ataques têm como alvo apenas bases e interesses norte-americanos.

    Treze pessoas, incluindo sete civis, morreram na região. Ainda na sexta-feira, mísseis e drones atingiram Kuwait, Bahrein, Arábia Saudita e Qatar.

    O Ministério da Defesa saudita anunciou hoje ter destruído um míssil balístico que se dirigia para a base aérea do príncipe Sultan, que abriga militares norte-americanos.

    No Iraque, uma instalação petrolífera no sul do país foi alvo pela segunda vez na sexta-feira de um ataque com drones, informou uma fonte de segurança iraquiana. O Aeroporto de Bagdá, que abriga uma base militar e uma instalação diplomática dos EUA, também foi atingido.

    No Líbano, que entrou no conflito quando o Hezbollah — aliado do Irã — atacou Israel “para vingar” a morte do aiatolá Ali Khamenei, o número de vítimas dos bombardeios israelenses de retaliação continua aumentando. Pelo menos nove pessoas morreram na noite de sexta-feira em ataques no leste do país, elevando o total desde segunda-feira para mais de 220 mortos e cerca de 800 feridos, segundo autoridades.

    Cerca de 300 mil pessoas tiveram que fugir dos ataques israelenses em todo o país, de acordo com o Conselho Norueguês para Refugiados, muitas vezes sem saber para onde ir.

    O Hezbollah também continua lançando foguetes contra Israel — 70 apenas na sexta-feira, segundo o exército israelense, que afirmou ter atingido “500 alvos” no Líbano desde segunda-feira e matado “70 terroristas” do movimento xiita libanês.

    No sul do Líbano, uma posição da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (FINUL) foi atingida na sexta-feira, deixando dois capacetes azuis gravemente feridos, segundo a imprensa estatal e o exército de Gana.

    O presidente da França, Emmanuel Macron, classificou o episódio como um “ataque inaceitável”.

    A situação causada por “todos esses ataques ilegais” no Oriente Médio pode se tornar incontrolável, alertou na sexta-feira o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres.

    Os Estados Unidos e Israel lançaram em 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irã, alegando que a ofensiva foi motivada pela inflexibilidade do regime iraniano nas negociações sobre o enriquecimento de urânio dentro do programa nuclear, que Teerã afirma ter fins exclusivamente civis.

    Em resposta, o Irã lançou ataques contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região, como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque.

    Israel bombardeia Teerã no oitavo dia da guerra

  • EUA diz que pode "agir sozinho" em países latinos-americanos

    EUA diz que pode "agir sozinho" em países latinos-americanos

    País firmou acordo de combate a cartéis com 16 governos aliados

    Em meio aos ataques contra o Irã, o governo dos Estados Unidos firmou acordo com 16 países latino-americanos para “combate aos cartéis” na região e ameaçou “agir sozinho” na América Latina “se necessário”, o que violaria a soberania das nações latino-americanas sobre o próprio território.

    O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, liderou na última quinta-feira (5), em Doral, na Flórida, a Conferência das Américas de Combate aos Cartéis, da qual participaram 16 países latino-americanos. 

    “Os Estados Unidos estão preparados para enfrentar essas ameaças e partir para o ataque sozinhos, se necessário. No entanto, nossa preferência — e o objetivo desta conferência — é que, no interesse deste hemisfério, façamos isso juntos; com vocês, com nossos vizinhos e com nossos aliados”, disse Hegseth.

    O secretário do governo Trump enfatizou que a “coalizão” firmada na Flórida expressa a política do Corolário Trump à Doutrina Monroe. Incluída na Estratégia de Segurança Nacional, anunciada em dezembro pelos Estados Unidos, a política reafirma a doutrina criada em 1823 e prega a “proeminência” de Washington sobre as Américas.

    “Ameaça gravíssima”

    O professor de geopolítica da Escola Superior de Guerra Ronaldo Carmona disse à Agência Brasil que a fala de Hegseth é uma “ameaça gravíssima”.

    “Pois sob Trump, as ameaças costumam se materializar (vide Venezuela e agora Irã). Ao evocar a Doutrina Monroe, o faz propondo expurgar a presença de potências extrarregionais das Américas, em uma ameaça explícita à liberdade de ação das nações da América Latina”, comentou.

    O pesquisador do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) acrescentou que o ingresso de drogas nos EUA deve ser uma tarefa interna ao Estado americano, que tenta “latino-americanizar” a questão como “pretexto” para intervenções abertas no continente, como ocorreu na Venezuela.

    “É difícil imaginar que as forças de segurança americana não tenham meios para proteger autonomamente suas próprias fronteiras”, completou Carmona. 

    O combate aos cartéis foi a justificativa usada para o sequestro do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. Em seguida, Washington afastou-se do discurso do combate às drogas na Venezuela, priorizando a agenda do comércio petroleiro nas relações com Caracas. 

    Conferência no Comando Sul

    Ao explicar a nova doutrina na Conferência da Flórida, o secretário de Defesa Pete Hegseth afirmou que os EUA querem “acesso irrestrito a áreas estratégicas e ao comércio, para que nossas nações possam se industrializar”.

    “Queremos impedir que potências externas ameacem nossa paz e independência em nossa região comum”, acrescentou.

    A Conferência ocorreu na sede do Comando Sul dos EUA, setor das Forças Armadas responsável por monitorar a América Latina e o Caribe. 

    Da América do Sul, estavam presentes representantes da Argentina, Guiana, Bolívia, Equador, Paraguai, Chile e Peru. Da América Central, estavam Belize, Costa Rica, República Dominicana, El Salvador, Guatemala, Honduras, Jamaica, Panamá e Trinidad e Tobago.

    O Ministério da Defesa da Argentina informou que, além de uma declaração conjunta que não foi divulgada, foram firmados acordos bilaterais com os EUA. Tais acordos separados teriam permitido “adaptar o marco jurídico de cada nação, como um elemento substancial do que foi acordado”. 

    O professor Carmona acrescentou que Washington tenta vincular os países latino-americanos aos desígnios estratégicos de Washington, “impedindo-as de manter relações abertas com os vários polos de poder mundial”.

    “Trata-se de um constrangimento à soberania inaceitável para a América Latina”.

    México e Brasil

    Os governos do México e do Brasil têm informado que o combate aos cartéis na América Latina tem que ser feito respeitando a soberania dos países da região.

    A presidente do México, Claudia Sheinbaum, destacou que o combate às drogas, em parceria com Washington, deve ser feito com “coordenação e sem subordinação, como iguais”.  

    O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, por sua vez, incluiu o combate ao narcotráfico na agenda de negociações com o governo de Donald Trump. 

    O pesquisador do Cebri Ronaldo Carmona afirma que o Brasil sempre diferenciou as atividades policiais, que seriam usadas para combater o narcotráfico, das atividades de Defesa, ligada à soberania territorial. Porém, os EUA tentam militarizar esse combate às drogas.

    “O Brasil precisa urgentemente, como uma prioridade nacional, enfrentar com todas as energias, a começar das forças de segurança, as organizações criminosas brasileiras, até para não oferecer pretexto a Washington de utilizá-las com fins de ameaça à soberania brasileira”, completou.

    Colômbia

    O presidente colombiano, Gustavo Petro, reagiu à declaração do secretário estadunidense, comentando que os EUA “não precisam agir sozinhos para acabar com os cartéis de droga, pois não saberiam como fazê-lo bem. Para destruir os cartéis da máfia, precisamos nos unir”.

    “Se alguém está interessado em destruir os cartéis, são a Colômbia e a América Latina, onde milhões de pessoas foram assassinadas e onde a democracia foi destruída em regiões que vivem sob o terror”, disse Petro.

    “Portanto, a aliança contra o tráfico de drogas é um Pacto pela Vida e pela Paz, e estamos prontos”, disse em uma rede social.

    Equador e Paraguai

    O Equador e o Paraguai estão entre os países que mais têm estreitado relação com Washington sob o argumento de combate ao narcotráfico.

    Um dia antes da Conferência na Flórida, o Senado do Paraguai aprovou acordo com os EUA que prevê a presença no país de militares enviados por Washington, com imunidade penal para operações no país sul-americano. O projeto ainda precisa de aprovação da Câmara dos Deputados paraguaia. 

    Também nesta semana, o Equador e os EUA anunciaram operações militares conjuntas contra cartéis de drogas. 

    Em novembro de 2025, o presidente do país, Daniel Noboa, tentou aprovar, em referendo, a permissão para instalar bases militares estrangeiras no país, mas a consulta foi rejeitada por 60% da população equatoriana que foi às urnas. 

    EUA diz que pode "agir sozinho" em países latinos-americanos

  • Víde: 50 caças de Israel atacam bunker que era de Ali Khamenei no Irã

    Víde: 50 caças de Israel atacam bunker que era de Ali Khamenei no Irã

    O exército israelense explicou que 50 caças atacaram, esta sexta-feira (6), um bunker construído para o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, que foi “morto antes de o poder usar”

    Dezenas de caças israelenses dispararam, esta sexta-feira (6), contra um bunker que foi construído para servir de refúgio a Ali Khamenei, líder supremo do Irã que morreu no fim de semana durante os ataques de Israel e dos EUA.

    As imagens que mostram o momento em que o local é atacado foram registradas e compartilhadas pelo exército israelita nas redes sociais.

    “Cinquenta caças israelenses desmantelaram o bunker militar subterrâneo de Ali Khamenei, localizado sob o complexo da liderança do regime iraniano em Teerã”, diz a publicação.

    Já no Telegram, as Forças de Defesa de Israel (IDF) relataram que o bunker tinha como objetivo ser usado pelo líder supremo como um centro de comando de emergência. “Khamenei foi morto antes de o poder usar, mas o complexo continuou sendo usado por oficiais do regime”, escreve o exército israelita.

    De acordo com as IDF, o complexo criado abrangia “várias ruas no centro de Teerã e tinha inúmeras entradas e salas de reunião para membros importantes do regime terrorista iraniano.”

    Os Estados Unidos e Israel lançaram em 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irã, tendo matado durante a ofensiva o ayatollah Ali Khamenei, líder supremo do país desde 1989. Desde o início do conflito, foram contabilizados mais de mil mortos, na maioria iranianos.

    Víde: 50 caças de Israel atacam bunker que era de Ali Khamenei no Irã

  • Vídeo: 50 caças de Israel atacam bunker que era de Ali Khamenei no Irã

    Vídeo: 50 caças de Israel atacam bunker que era de Ali Khamenei no Irã

    O exército israelense explicou que 50 caças atacaram, esta sexta-feira (6), um bunker construído para o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, que foi “morto antes de o poder usar”

    Dezenas de caças israelenses dispararam, esta sexta-feira (6), contra um bunker que foi construído para servir de refúgio a Ali Khamenei, líder supremo do Irã que morreu no fim de semana durante os ataques de Israel e dos EUA.

    As imagens que mostram o momento em que o local é atacado foram registradas e compartilhadas pelo exército israelita nas redes sociais.

    “Cinquenta caças israelenses desmantelaram o bunker militar subterrâneo de Ali Khamenei, localizado sob o complexo da liderança do regime iraniano em Teerã”, diz a publicação.

    Já no Telegram, as Forças de Defesa de Israel (IDF) relataram que o bunker tinha como objetivo ser usado pelo líder supremo como um centro de comando de emergência. “Khamenei foi morto antes de o poder usar, mas o complexo continuou sendo usado por oficiais do regime”, escreve o exército israelita.

    De acordo com as IDF, o complexo criado abrangia “várias ruas no centro de Teerã e tinha inúmeras entradas e salas de reunião para membros importantes do regime terrorista iraniano.”

    Os Estados Unidos e Israel lançaram em 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irã, tendo matado durante a ofensiva o ayatollah Ali Khamenei, líder supremo do país desde 1989. Desde o início do conflito, foram contabilizados mais de mil mortos, na maioria iranianos.

    Vídeo: 50 caças de Israel atacam bunker que era de Ali Khamenei no Irã

  • EUA e Israel ampliam ataques em nova fase da guerra no Irã

    EUA e Israel ampliam ataques em nova fase da guerra no Irã

    Americanos falam em aumento dramático de bombardeios, e Estado judeu promete ‘surpresas’ no conflito; campanha aérea passa de lançamentos à distância para ações próximas dos alvos, elevando os riscos

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – A campanha aérea dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, que começou com o ataque que matou o líder supremo Ali Khamenei no sábado passado (28), entrou em uma nova fase, mais violenta, segundo autoridades de ambos os aliados.

    O chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, general Eyal Zamir, disse nesta sexta-feira (6) que o “golpe de abertura” foi dado, e que “estamos nos movendo para a próxima fase”.

    “Vamos intensificar os ataques à fundação do regime e às suas capacidades militares. Nós temos jogadas adicionais em nossas mãos”, afirmou. Nesta manhã de sexta, Israel disse que 50 de seus caças destruíram o que havia sobrado do bunker de Khamenei, ainda usado por autoridades, lançando cerca de cem bombas no local.

    Na noite de quinta (5), o secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, afirmou que “o poder de fogo sobre o Irã e Teerã está prestes a aumentar dramaticamente”.

    O chefe do Estado-Maior das forças dos EUA, general Dan Caine, exemplificou. “Este é um ponto de transição no uso de munições, daquelas de longa distância para as de ataque direto. Isso permitirá ataques significativamente mais precisos”, afirmou.

    O emprego de munições de ataque direto, como mísseis Hellfire ou “bombas burras” convertidas em “inteligentes” por kits com GPS, supõe um ambiente de controle maior do espaço aéreo.

    A superioridade anunciada tanto por EUA quanto por Israel é um fato, mas relativo. Até aqui, os países dizem não ter perdido nenhum avião de combate tripulado, e evidências como imagens de redes sociais só permitem dizer que foram derrubados alguns drones israelenses sobre o Irã.

    Mas isso ocorre no campo de ação entre o oeste do país atacado e Teerã. Mais a leste, a quantidade de ataques foi bem menor. Além disso, há inúmeros armamentos móveis, como mísseis infravermelhos com lançadores portáteis, que só podem ser usados justamente contra aviões que voam mais perto e mais baixo.

    Hegseth disse que a nova fase não implica uma ampliação do escopo do conflito. “Não há uma expansão nos nossos objetivos. Nós sabemos exatamente o que estamos tentando alcançar”, afirmou.

    Isso é bastante nebuloso, dado que Donald Trump muda o foco da ação praticamente todo dia. Na quarta (4), ele havia considerado a hipótese de emprego de forças terrestres, só para dizer que isso seria “perda sde tempo” no dia seguinte.

    De saída, a guerra tinha o caráter de mudança radical de regime, com a decapitação da cadeia de comando iraniana. Isso não ocorreu, e tanto Trump quanto o premiê israelense Binyamin Netanyahu jogaram a responsabilidade para os manifestantes que haviam sido reprimidos pela teocracia em janeiro.

    Sem sucesso, até porque o governo se reorganizou rapidamente, o foco variou entre a destruição do programa nuclear iraniano, a supressão de suas capacidades de lançamento de mísseis balísticos e a obliteração da Marinha e da Força Aérea rivais, objetivos militares mais concretos e alcançáveis dado o poder de fogo empregado.

    Ao mesmo tempo, a ideia de ver um novo governo simpático aos EUA seguiu no discurso oficial, com Trump incentivando os cerca de 40% de iranianos que não são persas étnicos a se revoltar, inclusive armando rebeldes curdos baseados no Iraque.

    Esse fomento a uma guerra civil e o espraiamento do conflito, que na quinta viu drones explodindo no Azerbaijão e cinco marinhas europeias enviando navios para proteger a região de Chipre, aumentam as incertezas acerca do futuro mais imediato do conflito.

    Apenas um terço dos americanos aprovam a guerra, e a aceleração do passo militar pode estar ligada a isso: a busca de uma saída mais rápida para Trump, que precisa de uma vitória para chamar de sua nas eleições congressuais de novembro.

    Já Israel parece ter menos pressa, aproveitando a oportunidade de um acerto de contas final com o regime que prometia jogar o Estado judeu ao mar. O país também intensificou nesta sexta os ataques a posições do grupo Hezbollah, aliado do Irã, no Líbano. Na quinta, os israelenses alertaram os moradores do sul da capital, reduto dos xiitas, a deixar suas casas, gerando pânico e confusão.

    Na mão inversa, o Irã manteve ataques com mísseis e drones contra Israel e países aliados dos EUA no golfo Pérsico. A intensidade das ações contra o Estado judeu, contudo, está em queda.

    EUA e Israel ampliam ataques em nova fase da guerra no Irã

  • 'Vai morrer gente, acho', diz Trump ao ser indagado sobre possível retaliação em solo dos EUA

    'Vai morrer gente, acho', diz Trump ao ser indagado sobre possível retaliação em solo dos EUA

    Em entrevista à revista Time, republicano admite possibilidade de ofensivas do Irã atingirem território americano; ‘Quando você entra em guerra, algumas pessoas vão morrer’, afirma presidente

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, admitiu em entrevista à revista Time a possibilidade de retaliações do Irã atingirem o território americano. “Como eu disse, algumas pessoas vão morrer. Quando se vai à guerra, algumas pessoas morrem”, afirmou.

    Para Trump, os americanos já se preocupavam o tempo todo com ataques em solo nacional. “Nós pensamos nisso o tempo todo. Nós nos planejamos para isso. Mas sim, sabe, esperamos algumas coisas”, disse.

    O Irã respondeu aos ataques americanos e israelenses com bombardeios de mísseis e drones contra bases dos Estados Unidos e territórios aliados, mirando instalações militares no Golfo.

    Seis militares americanos foram mortos por um drone iraniano em um centro de comando dos EUA no Kuwait.

    Segundo a Time, Trump havia acabado de chegar ao resort Mar-a-Lago, sua casa em Palm Beach, na Flórida, na noite de sexta-feira, 27 de fevereiro, quando foi avisado por autoridades da inteligência americana sobre a possível localização ao aiatolá Ali Khamenei, então líder supremo do Irã.

    Em reunião com altos oficiais militares e de inteligência, ele decidiu lançar o ataque contra o regime iraniano que matou Khamenei.

    “Fomos bem antes do previsto”, disse Trump em uma ligação telefônica com a Time, na quinta-feira (4). “Íamos fazer isso em mais uma semana”.

    Na entrevista, ele reforçou o comprometimento dos Estados Unidos com a mudança de regime no Oriente Médio. Disse que pretende desempenhar um papel importante na formação do próximo governo iraniano.

    “Uma das coisas que vou pedir é a capacidade de trabalhar com eles na escolha de um novo líder”, afirmou. “Não passei por tudo isso para acabar com outro Khamenei. Quero estar envolvido na seleção. Eles podem escolher, mas temos que garantir que seja alguém razoável para os Estados Unidos.”

    O presidente americano afirmou que seu objetivo é eliminar a ameaça nuclear do Irã, desmantelar o programa de mísseis e instalar um governo pró-Ocidente.

    “Precisamos poder lidar com pessoas sãs e racionais”, declarou.

    Trump descreveu a missão como preventiva. “América em primeiro lugar é realmente sobre manter a América saudável e bem, e não deixar que outros países, sabe, nos ataquem”, disse. “Há ocasiões em que você não tem escolha. Esta foi uma dessas ocasiões.”

    “Eles não podem ter uma arma nuclear. Isso é o número um, dois e três. Número quatro, nada de mísseis balísticos”, afirmou. Outro objetivo, segundo ele, é colocar “alguém que seja racional e são” para liderar o Irã.

    O presidente acredita que os objetivos da guerra sejam alcançados em quatro ou cinco semanas, mas admite um prazo estendido. “Não tenho limite de tempo para nada. Quero que seja feito.”

    'Vai morrer gente, acho', diz Trump ao ser indagado sobre possível retaliação em solo dos EUA

  • Quatro homens são presos em Londres por suspeita de espionagem para o Irã

    Quatro homens são presos em Londres por suspeita de espionagem para o Irã

    Prisão dos suspeitos aconteceu nesta sexta-feira, dia 6 de março; os acusados são quatro homens de 40, 55, 52 e 22 anos, detidos nas áreas de Barnet, Watford e Harrow

    Quatro pessoas forem presas no Reino Unido no desdobramento de uma operação de Segurança Nacional, informa a Polícia Metropolitana de Londres em um comunicado ao ‘Notícias ao Minuto’.

    A força policial destaca que os quatro homens foram presos na manhã desta sexta-feira, dia 6 de março, por suspeitas de auxiliarem um serviço de inteligência estrangeiro, em violação ao artigo 3.º da Lei de Segurança Nacional de 2023. “O país a que se refere a investigação é o Irã”, diz o comunicado.

    A investigação diz respeito à suspeita de vigilância de locais e indivíduos ligados à comunidade judaica na área de Londres e os suspeitos são quatro homens de 40, 55, 52 e 22 anos, detidos nas áreas de Barnet, Watford e Harrow. Um dos suspeitos tem nacionalidade iraniana enquanto os outros têm dupla nacionalidade iraniana e britânica.

    Outros seis homens de 29, 39, 42, 49 e dois de 20 anos também foram detidos por se suspeitar serem cúmplices dos quatro primeiros.

    “As prisões de hoje fazem parte de uma investigação de longa data e do nosso trabalho contínuo para impedir atividades maliciosas”, afirma Helen Flanagan, chefe da Polícia Antiterrorista de Londres, fazendo depois um apelo: “Compreendemos que o público possa estar preocupado, em particular a comunidade judaica, e, como sempre, peço que permaneçam vigilantes e, se virem ou ouvirem algo que os preocupe, entrem em contato conosco”.

    Os Estados Unidos e Israel lançaram em 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irã, tendo matado durante a ofensiva o ‘ayatollah’ Ali Khamenei, líder supremo do país desde 1989.

     

     

    Quatro homens são presos em Londres por suspeita de espionagem para o Irã

  • Trump quer estar envolvido na escolha do novo líder do Irã

    Trump quer estar envolvido na escolha do novo líder do Irã

    Donal Trump revelou querer estar envolvido na escolha do próximo líder do Irã, tal como fez na Venezuela. Rejeitou também a ideia do filho de Ali Khamenei, morto no fim de semana, ser o principal sucessor para o lugar do pai

    O presidente dos Estados Unidos revelou, esta quinta-feira (5), em uma conversa telefônica com o jornal Axios, que precisa de estar pessoalmente envolvido na escolha do próximo líder do Irã.

    “Estão perdendo tempo. O filho de Khamenei é um peso pluma. Preciso de estar envolvido na nomeação, assim como fiz com Delcy (Rodriguez) na Venezuela”, referiu na conversa que teria durado oito minutos. Vale lembrar que Mojtaba Khamenei emergiu como o principal candidato a suceder ao pai como líder supremo do Irã, após anos dedicados a forjar laços estreitos com a elite da Guarda Revolucionária e a construir influência no clero.

    “O filho de Khamenei é inaceitável para mim. Queremos alguém que traga harmonia e paz ao Irã”, disse Trump.

    Já à agência Reuters, repetiu a ideia, acrescentando: “queremos participar no processo de escolha da pessoa que vai liderar o Irã no futuro. Não precisamos estar repetindo isto a cada cinco anos… Alguém que seja ótimo para o povo, ótimo para o país”, disse, assumindo que ainda é muito cedo no processo.

    Ali Khamenei, líder supremo do Irã, governava o país desde 1989 quando foi morto em um bombardeamento, sábado, no início da ofensiva israelo-americana. O Conselho de Liderança Iraniano assume atualmente a liderança do país e ainda não foi anunciado um sucessor.

    O Irã encerrou o estreito de Ormuz e lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque. Incidentes com projéteis iranianos também foram registados em Chipre e na Turquia.

    Desde o início do conflito, foram contabilizados mais de mil mortos, na maioria iranianos.

    Trump quer estar envolvido na escolha do novo líder do Irã

  • Trump diz querer acabar com Irã primeiro e que Cuba é 'questão de tempo'

    Trump diz querer acabar com Irã primeiro e que Cuba é 'questão de tempo'

    “Queremos acabar com o Irã primeiro, mas Cuba é uma questão de tempo”, afirmou.

    SÃO PAULO, SP (UOL/CBS NEWS) – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou hoje que uma operação contra Cuba é “uma questão de tempo”.

    “Queremos acabar com o Irã primeiro, mas Cuba é uma questão de tempo”, afirmou.

    A fala foi dita pelo republicano durante discurso para receber o time de futebol Inter Miami, campeão da Major League Soccer.

    Trump diz querer acabar com Irã primeiro e que Cuba é 'questão de tempo'

  • Trump apoia guerra civil no Irã, que ataca separatistas

    Trump apoia guerra civil no Irã, que ataca separatistas

    Temendo separatismo incentivado por Washington a grupos étnicos comuns com seus vizinhos, o Irã lançou um ataque a curdos no Iraque. Ao mesmo tempo, foi acusado por Baku por um ataque com drones, que negou sem convencer o belicoso governo de Ilam Aliyev.

    IGOR GIELOW
    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – Com o fracasso em incitar uma grande revolta popular após a morte do líder supremo Ali Khamenei no ataque, o governo de Donald Trump estuda uma arriscada aposta numa guerra civil para derrubar a teocracia. E ganhou no improvável Azerbaijão um aliado na pressão sobre Teerã.

    Temendo separatismo incentivado por Washington a grupos étnicos comuns com seus vizinhos, o Irã lançou um ataque a curdos no Iraque. Ao mesmo tempo, foi acusado por Baku por um ataque com drones, que negou sem convencer o belicoso governo de Ilam Aliyev.

    “Eu acho que é maravilhoso que eles queiram fazer isso, eu apoiaria completamente”, disse Trump à agência Reuters sobre uma revolta curda. O próprio presidente ligou nesta semana a dois líderes de milícias curdas iranianas baseadas no vizinho, segundo múltiplos relatos ratificando informação do site Axios. Ele não confirmou ter oferecido cobertura aérea à ação.

    Dado o cipoal étnico-confessional da região, é mais um barril de pólvora que o fogo do conflito pode incendiar. “Grupos separatistas não devem pensar que surgiu uma brisa, e eles devem tentar agir”, disse o poderoso secretário do Conselho Supremio de Segurança Nacional, Ali Larijani, a figura mais forte hoje da política iraniana.

    A ação mais dura foi justamente contra o Curdistão iraquiano, onde Teerã disse ter atingido sete bases de milícias que atuam de forma semiautônoma e estão em contato com os americanos. “Atacamos as sedes de grupos curdos opositores à revolução [islâmica do Irã] com três mísseis”, disse a agência estatal Irna.

    O Iraque já havia sido objeto da retaliação iraniana pela guerra, com drones e mísseis lançados contra bases americanas na região. Em Irbil, no norte do país, as ações foram feitas por grupos rebeldes pró-Irã bancados por Teerã.

    O ataque ocorre após a revelação de que há um plano da CIA, a agência de espionagem americana com longa história na região, para fornecer armas aos curdos iraquianos para que eles atravessem a fronteira e fomentem um movimento separatista no Irã.

    Um porta-voz do Partido da Liberdade do Curdistão, um desses grupos iraquianos, disse na quarta (4) que suas forças foram procuradas pelos americanos e que estão de prontidão na área fronteiriça.

    As províncias da fronteira oeste da teocracia têm maioria curda, etnia que compõe cerca de 10% dos 93 milhões de iranianos -o maior grupo é o persa, com aproximadamente 50% da população. Sob o regime islâmico instalado em 1979, os curdos sofreram grande repressão em sua busca por autonomia.

    Houve inúmeros conflitos ao longo dos anos, mas em 2022 eles foram evidenciados ao mundo quando uma jovem curda iraniana, Mahsa Amini, morreu na cadeia após ser presa por usar um véu islâmico de forma que não agradou a uma patrulha da polícia religiosa.

    O caso disparou enormes protestos no país, só suplantados pela onda de manifestações do começo deste ano, duramente reprimida e que serviu de desculpa inicial para Trump avançar o plano de atacar o Irã.

    O presidente do Curdistão iraquiano, Nechirvan Barzani, buscou baixar as tensões. A região, disse ele, “não deve ser parte de nenhum conflito”.

    O problema é que os grupos armados pela CIA, segundo os relatos disponíveis, são dissidentes do governo local. É uma confusão enorme, pois os americanos são aliados de Bagdá, que não quer ver a guerra entrar em seu território.

    Mas o movimento mais surpreendente do dia ocorreu no Azerbaijão, primeiro país sem presença de militares americanos ou ocidentais atingido pela guerra. Ao menos quatro pessoas ficaram feridas quando dois drones atingiram o aeroporto de Nakhchivan.
    As Forças Armadas em Teerã negaram a autoria do ataque. A chancelaria disse que estava investigando o caso e sugeriu que o ataque foi feito por Israel para “danificar os laços entre Baku e Teerã”.

    O Azerbaijão não parece ter acreditado, tendo depois fechado seu espaço aéreo junto ao Irã por ao menos 12 horas. Após a chancelaria condenar o ataque como terrorista e chamar o embaixador iraniano para se explicar, o presidente Aliyev ordenou “medidas de retaliação apropriadas” das Forças Armadas.

    “Esta é uma mancha que não sairá”, afirmou o líder, lembrando a assistência consular dada pelo país a iranianos no Líbano. A região atingida é um encrave azeri entre o Irã e a Armênia, e o terminal alvejado fica a cerca de 10 km da fronteira iraniana.

    No Irã, cerca de 25% da população é azeri étnica, mas o grupo é bastante integrado à vida social e política do país. Ali Khamenei, morto no ataque de sábado, era um deles, por exemplo. Os azeris são aderentes do xiismo, ramo minoritário do Irã centrado em Teerã -curdos são na sua maioria sunitas.

    Duas das 31 províncias iranianas se chamam Azerbaijão, e a etnia é prevalente também em outras duas.

    Isso dito, Teerã sempre desconfiou das intenções de Baku, onde defensores do chamado Grande Azerbaijão ficaram especialmente salientes após a vitória do país sobre a vizinha Armênia acerca do controle do encrave de Nagorno-Karabakh, em 2023.

    O governo azeri também é associado à Turquia, rival regional do Irã, e a Israel, que forneceu tecnologia militar vital. Além disso, Trump foi fiador de um acordo de paz entre Baku e Ierevan no ano passado, e está bancando a criação de um corredor econômico ligando Nakhchivan ao território principal do Azerbaijão.

    Nesse sentido, o ataque mais limitado e depois negado ao aeroporto pode servir como um tiro de advertência acerca de intenções secessionistas. Por outro lado, se foi uma ação de terceiros ou mesmo de azeris, a teoria iraniana de uma conspiração para abertura de nova frente ganha corpo.

    Por fim, há relatos de que grupos da etnia balochi, que representa apenas 2% dos iranianos, estão se organizando com a ajuda americana no Paquistão, na fronteira leste da teocracia. Aqui é incerto se haverá ressonância entre os baloches do Irã.

    Até aqui, além de Israel, a retaliação iraniana atingiu outros sete países no Oriente Médio. Houve também ataques pontuais contra uma base britânica em Chipre, e um míssil foi interceptado pela Otan rumo à Turquia na quarta.

    Trump apoia guerra civil no Irã, que ataca separatistas