Categoria: MUNDO

  • Chefe anti-imigração de Trump deixa Minneapolis após morte enfermeiro

    Chefe anti-imigração de Trump deixa Minneapolis após morte enfermeiro

    A saída de Gregory Bovino ocorre após a morte do enfermeiro Alex Pretti, baleado durante uma operação federal de imigração. O caso gerou críticas às autoridades, protestos contra o governo Trump e levou à redução da presença de agentes federais em Minneapolis

    Gregory Bovino, comandante da Patrulha de Fronteira dos Estados Unidos e um dos principais nomes das operações federais de imigração em Minneapolis, deixará o cargo de “comandante em missão especial” e será realocado. A informação foi confirmada por fontes ouvidas pela Reuters e pelo The New York Times nesta segunda-feira (26).

    A decisão ocorre após a morte do enfermeiro Alex Pretti, de 37 anos, baleado por um agente federal durante uma ação de imigração em Minneapolis. O caso aconteceu apenas duas semanas depois da morte de outra cidadã americana, também registrada durante uma operação na mesma região, o que ampliou a pressão política e social sobre o governo.

    Bovino ganhou projeção nacional durante o governo de Donald Trump, ao ascender a cargos de comando em meio ao endurecimento da política de deportações. Antes de chegar a Minneapolis, ele coordenou operações controversas em cidades como Los Angeles e Chicago, tornando-se um rosto público da repressão migratória.

    Após a morte de Pretti, a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, afirmou que o enfermeiro representava uma ameaça aos agentes. Bovino endossou essa versão e chegou a declarar, sem apresentar provas, que Pretti pretendia promover um “massacre” contra policiais. Segundo o New York Times, essas declarações foram determinantes para a decisão de afastá-lo da função em Minneapolis.

    Ainda de acordo com o jornal, parte dos agentes federais destacados para a cidade deve começar a deixar a região a partir desta terça-feira (27). Já a revista The Atlantic informou que Bovino deve retornar a um posto anterior na Califórnia, onde estaria próximo da aposentadoria. A Casa Branca, porém, negou que ele tenha sido removido de suas funções e afirmou que o agente continua sendo uma “peça fundamental” da equipe de Trump.

    A morte de Alex Pretti desencadeou uma onda de protestos contra o governo e contra as operações anti-imigração nos Estados Unidos. As ações foram alvo de críticas inclusive de grupos tradicionalmente alinhados ao presidente, como associações pró-armas, ampliando o desgaste político em torno da atuação federal em Minneapolis.
     

     
     

    Chefe anti-imigração de Trump deixa Minneapolis após morte enfermeiro

  • Surto do vírus Nipah põe Índia em alerta e preocupa autoridades da Ásia

    Surto do vírus Nipah põe Índia em alerta e preocupa autoridades da Ásia

    Autoridades confirmam dois casos da doença e colocam 190 pessoas em quarentena; Hong Kong e Macau reforçam controles sanitários, enquanto a OMS alerta para alta taxa de mortalidade e ausência de vacina ou tratamento específico.

    Um novo surto do vírus Nipah colocou as autoridades de saúde da Índia em estado de alerta epidemiológico. Até o momento, dois casos foram confirmados e cerca de 190 pessoas estão em quarentena, segundo informações oficiais. A situação também levou outros governos asiáticos a reforçarem medidas de vigilância sanitária para viajantes que passaram pelo país.

    Diante do avanço do surto, o governo de Hong Kong anunciou nesta segunda-feira (26) o endurecimento dos controles em aeroportos. Em comunicado, o diretor do Serviço de Proteção da Saúde, Edwin Tsui Lok Kin, informou que equipes foram mobilizadas para realizar medição de temperatura nos portões de desembarque, avaliar passageiros com sintomas e encaminhar casos suspeitos para hospitais, quando houver risco à saúde pública.

    As autoridades de saúde de Macau também afirmaram estar acompanhando de perto a situação, especialmente na região de Bengala Ocidental, e recomendaram que os moradores evitem viagens para a área afetada. Além disso, foi anunciado o reforço da triagem médica de viajantes vindos da Índia nas fronteiras do território.

    O que é o vírus Nipah

    De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o vírus Nipah é um patógeno zoonótico, ou seja, transmitido de animais para humanos. A infecção pode ocorrer por contato direto com animais infectados, ingestão de alimentos contaminados ou transmissão entre pessoas.

    Identificado pela primeira vez em 1999, durante um surto entre criadores de porcos na Malásia, o vírus já provocou episódios em países como Bangladesh, Índia, Filipinas e Singapura. Os morcegos frugívoros são considerados os principais hospedeiros naturais. Em regiões do sul da Ásia, há suspeitas de que a transmissão tenha ocorrido por meio do consumo de frutas ou produtos contaminados com saliva ou urina desses animais.

    Sintomas e evolução da doença

    A infecção pelo vírus Nipah pode se manifestar de formas muito distintas. Em alguns casos, a pessoa não apresenta sintomas. Em outros, a doença evolui rapidamente para quadros graves.

    Os primeiros sinais costumam incluir febre, dor de cabeça, dores musculares, vômitos e dor de garganta. Com a progressão da infecção, podem surgir tontura, sonolência, confusão mental e outros sintomas neurológicos. Há registros de pneumonia atípica, insuficiência respiratória grave e síndrome do desconforto respiratório agudo.

    Nos quadros mais severos, o vírus pode causar encefalite e convulsões, com evolução para coma em um intervalo de 24 a 48 horas. O período de incubação geralmente varia de quatro a 14 dias, embora já tenham sido relatados casos com até 45 dias.

    A taxa de mortalidade estimada varia entre 40% e 75%, dependendo do surto, da rapidez na identificação dos casos e da qualidade da assistência médica disponível. Parte dos pacientes que sobrevivem pode apresentar sequelas neurológicas permanentes.

    Tratamento e cuidados recomendados

    Segundo a Organização Mundial da Saúde, ainda não existem medicamentos específicos nem vacinas aprovadas para o tratamento do vírus Nipah. O manejo da doença é baseado em cuidados intensivos de suporte, com atenção especial às complicações respiratórias e neurológicas.

    As autoridades de saúde reforçam a importância da vigilância epidemiológica, do isolamento rápido de casos suspeitos e da adoção de medidas preventivas, especialmente em áreas onde já foram identificados surtos.

    Surto do vírus Nipah põe Índia em alerta e preocupa autoridades da Ásia

  • Xi Jinping reafirma apoio à ONU e critica iniciativa rival dos EUA

    Xi Jinping reafirma apoio à ONU e critica iniciativa rival dos EUA

    Durante reunião com o premiê finlandês em Pequim, Xi Jinping reforçou o apoio da China à ONU como base do sistema internacional e evitou comentar se o país aceitará participar do “Conselho da Paz”, iniciativa multilateral anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump

    O presidente da China, Xi Jinping, reafirmou nesta terça-feira o apoio do país à ONU e disse esperar que Pequim e Helsinque atuem juntas em defesa de uma ordem mundial baseada no organismo internacional. A declaração foi feita durante um encontro com o primeiro-ministro da Finlândia, Petteri Orpo.

    “A China está disposta a trabalhar com a Finlândia para apoiar firmemente o sistema internacional do qual as Nações Unidas são o pilar”, afirmou Xi. A fala ocorre em meio à iniciativa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de criar uma nova instituição multilateral, chamada por ele de “Conselho da Paz”.

    Xi Jinping recebeu Orpo no Grande Palácio do Povo, em Pequim. O premiê finlandês iniciou nesta terça uma visita oficial de quatro dias à China.

    O líder chinês também deve se reunir nos próximos dias com o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, que começou na segunda-feira uma viagem pela China e pelo Japão, segundo informou o gabinete do governo britânico.

    Embora a China tenha sido convidada pelos Estados Unidos a participar do chamado “Conselho da Paz”, iniciativa voltada à resolução de conflitos globais e vista por analistas como uma possível concorrente da ONU, Pequim ainda não informou se aceitará ou não o convite.

    Na semana passada, Xi já havia feito um apelo semelhante ao Brasil, pedindo que os dois países atuem juntos em defesa do “papel central” das Nações Unidas no sistema internacional, durante uma conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

    Petteri Orpo afirmou ter interesse em discutir com Xi Jinping temas internacionais e assuntos ligados à cooperação bilateral. China e Finlândia, no entanto, mantêm divergências em pontos sensíveis, como a invasão russa da Ucrânia e a disputa de influência entre grandes potências na região do Ártico.

    Em novembro, o ministro da Defesa da Finlândia, Antti Hakkanen, acusou a China de financiar “massivamente o esforço de guerra da Rússia” na Ucrânia. Um mês antes, Donald Trump anunciou um projeto conjunto com a Finlândia para a construção de 11 navios quebra-gelo, durante visita do presidente finlandês Alexander Stubb à Casa Branca, sinalizando o reforço da presença dos Estados Unidos no Ártico, região onde Washington disputa influência com Rússia e China.
     
     
     

     

    Xi Jinping reafirma apoio à ONU e critica iniciativa rival dos EUA

  • EUA ameaçam aliados regionais com destino de Maduro

    EUA ameaçam aliados regionais com destino de Maduro

    Nova Estratégia de Defesa Nacional prevê controle militar da Groenlândia e do canal do Panamá, além de cobrar fidelidade de vizinhos; texto do governo Trump prevê limite a apoio à Europa e à Coreia do Sul, e quer China contida sem entrar em conflito direto

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – A nova Estratégia de Defesa Nacional dos Estados Unidos, publicada na sexta-feira (23), prevê “ação decisiva” contra aliados regionais que não trabalharem segundo os interesses do governo de Donald Trump, citando a captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro como exemplo de punição possível.

    Além disso, o texto coloca como prioridade o controle da Groenlândia e do canal do Panamá, limita o apoio a aliados na Europa e na Ásia, além de buscar a contenção da China sem conflito armado.

    O documento de 34 páginas, assinado pelo secretário Pete Hegseth (Defesa), é o instrumento para colocar em prática os princípios delineados pela Estratégia de Segurança Nacional, editada em 5 de dezembro e que causou espanto global pela mudança de foco do país mais poderoso do mundo.

    Como no texto anterior, a nova Estratégia prevê os EUA mais isolados do mundo, mas guardando para si o direito de agir com violência para garantir interesses nacionais. E o foco novamente é o Hemisfério Ocidental.

    Ali entra a ameaça à região. “Vamos nos engajar em boa fé com nossos vizinhos e parceiros, mas vamos garantir que eles respeitem e façam a parte deles para defender nossos interesses comuns. Onde eles não o fizerem, nós estaremos prontos para tomar ação decisiva e focada”, diz o texto.

    Citando o chamado Corolário Trump à Doutrina Monroe, o documento desenha o que pode acontecer. “As forças dos EUA estão prontas para aplicar [o corolário Trump] com rapidez, força e precisão, como o mundo viu na Operação Determinação Absoluta”, afirmou, sobre o ataque à Venezuela em 3 de janeiro.

    O palavrório visa resgatar a doutrina de 1823 em que os EUA buscavam se proteger do colonialismo europeu, transformada em instrumento imperialista em 1904, quando o então presidente Theodore Roosevelt lançou o seu corolário -defendendo o uso da força para assegurar o que considerava seu quintal estratégico.

    “Nós vamos garantir o acesso militar e comercial dos EUA a áreas chave, especialmente o canal do Panamá, o golfo da América [como Trump chama o golfo do México] e a Groenlândia”, escreve Hegseth, em referência à apelidada Doutrina Donroe (condensando Donald e Monroe).

    A Groenlândia está no centro de uma crise contínua entre Trump e seus aliados europeus na Otan. Na semana passada, ele reafirmou que quer controlar a ilha da Dinamarca, mas descartou o emprego de tropas para tal.

    A negociação sobre o tema ainda é incerta, e as críticas feitas pelo americano à aliança militar ocidental, inclusive a ultrajante afirmação de que os aliados não foram à linha de frente nos 20 anos de ocupação americana do Afeganistão, seguem repercutindo.

    A citação nominal ao canal do Panamá, obra que foi tocada por americanos no século 20, recoloca o tema na mesa. No começo de seu segundo mandato, Trump exigiu a saída de empresas chinesas da operação do local, sugerindo ação militar.

    Baixou o tom, mas conseguiu que os panamenhos rompessem acordos com Pequim, dando a impressão agora desfeita de que o assunto estava resolvido.

    Aos aliados mais tradicionais, os sinais são ainda mais sombrios. À União Europeia, diz que Vladimir Putin é problema dos integrantes do flanco leste do bloco.

    Se a doutrina publicada em dezembro dizia que o continente tinha líderes fracos que precisavam ser enquadrados ao trumpismo, sua versão militar afirma que a Europa deve se defender sozinha contra Moscou, e prevê a redução da presença de Washington no continente.

    O texto só reconhece a Rússia como ameaça aos EUA no campo nuclear e de ações cibernéticas, mas afirma que o apoio ao continente será limitado daqui em diante. Defesa da democracia, como na estratégia de dezembro, deixa de ser valor a ser defendido e promovido.

    É mais um prego no caixão da ordem internacional vigente por oito décadas, desde o fim da Segunda Guerra Mundial. A Ucrânia, nesse contexto, fica a ver navios, dependendo do apoio dos europeus contra os russos, ainda que a maioria das armas usadas contra a invasão seja americana.

    Outro aliado deixado à míngua é a Coreia do Sul. A doutrina prevê que Seul terá de pagar sua conta de defesa sozinha contra o Norte comunista, liberando energia dos EUA, que mantêm 28 mil militares no país. Daí para Seul buscar a bomba atômica e aumenta os riscos de proliferação é um passo.

    Por fim, mas talvez acima de tudo, há a rivalidade com a China. Enquanto a versão anterior da Estratégia, editada no governo Joe Biden em 2022, classificava o gigante asiático como adversário a ser combatido, a atual reduz o tom do conflito.

    “Nosso objetivo não é dominar a China, nem estrangulá-la ou humilhá-la. Ele é simples: prevenir que qualquer um, incluindo a China, seja capaz de nos dominar”, afirma, adotando o tom contraditório que permeava a Estratégia de Segurança.

    Segundo o texto, Trump quer uma relação respeitosa com Pequim, “mas numa posição de força militar segundo a qual ele possa negociar em termos favoráveis à nossa nação”. O texto não fala em Taiwan, ilha autônoma que a China quer para si, mas cita a necessidade de manter “uma forte defesa de negação” nos arquipélagos aliados que cercam o rival.

    Há outros itens colocados, como a renovação do arsenal nuclear e a criação do escudo antimísseis Domo Dourado, além da usual defesa feita por Hegseth do que ele considera espírito guerreiro de seus militares, em oposição à defesa de agendas identitárias nas Forças Armadas.

    O novo documento, o quinto desde a estreia em 2005, parece feito para ser solapado pela realidade. Enquanto defende que Israel e os países do Golfo podem conter o Irã, uma armada americana é montada na região, ameaçando iniciar uma guerra.

    Isso dito, o texto reafirma a autoimagem imperial que Trump alimenta, centrada no discutível conceito de Paz pela Força, que não oferece alternativa real senão a do interesse americano à de fato caduca ordem global.

    EUA ameaçam aliados regionais com destino de Maduro

  • Chega de ordens dos EUA, diz líder interina da Venezuela

    Chega de ordens dos EUA, diz líder interina da Venezuela

    Delcy Rodríguez tem variado entre uma retórica de enfrentamento a Washington e um tom mais conciliatório; líder foi convidada por Trump para visitar os EUA, mas ainda não há data para a reunião, segundo a Casa Branca

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – A líder interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, disse neste domingo (25) que não quer mais ordens dos Estados Unidos em seu país, bombardeado por Washington no início do ano durante a captura do ditador Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores.

    “Chega de ordens de Washington sobre políticos na Venezuela. Que seja a política venezuelana quem resolva nossas divergências e nossos conflitos internos. Chega de potências estrangeiras”, disse ela em uma mensagem a petroleiros no estado de Anzoátegui, no norte do país.

    Os EUA disseram estar no comando da Venezuela após a incursão militar de 3 de janeiro, mas, desde então, têm atuado em conjunto com Delcy. A líder, por sua vez, tem variado entre uma retórica de enfrentamento a Washington, voltada para sua base de apoio interna, e um tom mais conciliatório com o presidente Donald Trump, direcionado à comunidade internacional.

    A declaração mais recente se encaixa no primeiro caso. Em outras ocasiões, autoridades americanas minimizaram a retórica como acenos internos para apoiadores.

    No mesmo dia em que Maduro foi capturado, por exemplo, ela desafiou o republicano ao afirmar que o ditador era “o único presidente” do país. “Estamos prontos para defender a Venezuela”, disse, logo após Trump afirmar que os EUA governariam a nação até uma “transição pacífica, adequada e criteriosa”.

    No dia seguinte, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que não consideraria o que é tido em entrevistas coletivas. “Retórica é uma coisa.

    Vemos retórica por muitos motivos diferentes. Há muitas razões diferentes pelas quais as pessoas vão à TV e dizem certas coisas nesses países, especialmente 12 ou 15 horas depois que a pessoa que antes estava no comando do regime já está algemada e a caminho de Nova York”, afirmou ele à emissora ABC News. “No fim das contas, queremos ver ação.”

    Na semana passada, Delcy promoveu a reorganização das Forças Armadas ao nomear 12 oficiais superiores para comandos militares regionais. Anteriormente, ela já tinha designado um ex-chefe do serviço de inteligência como novo comandante de sua guarda presidencial e como diretor da agência de contrainteligência.

    Depois da operação, a incerteza que pairou sobre o futuro político do país veio acompanhada do rumor, discutido por venezuelanos na fronteira do Brasil com o vizinho, de que a cúpula política e militar do regime traiu o ditador e fez um acordo com os EUA.

    Delcy era a número dois do regime de Maduro. Desde então, a Venezuela tem aberto canais de diálogo em meio à pressão americana, e a líder foi convidada pelo governo Trump para visitar Washington, embora ainda não haja data para a reunião, segundo a Casa Branca.

    Chega de ordens dos EUA, diz líder interina da Venezuela

  • Lula propõe a Trump que Conselho de Paz se limite a Gaza e inclua Palestina

    Lula propõe a Trump que Conselho de Paz se limite a Gaza e inclua Palestina

    Líderes conversaram por telefone nesta segunda (26); Brasil não confirmou participação no grupo criado por republicano; Venezuela também foi tema da chamada de 50 minutos, e Lula ressaltou importância de estabilidade na região

    BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – Em telefonema a Donald Trump nesta segunda-feira (26), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) propôs que o Conselho de Paz, criado pelo americano, limite-se à questão de Gaza e preveja um assento para a Palestina, atualmente excluída do órgão.

    O Brasil ainda não confirmou participação no grupo criado pelo republicano, e a tendência é a de recusa. O texto original do órgão prevê o direito de os países proporem alterações, mas ressalta a necessidade de aprovação do presidente americano -cargo que será ocupado por Trump por ao menos mais três anos-, além do poder de veto de Washington sobre decisões dos Estados-membros.

    Em uma conversa de 50 minutos, os dois líderes abordaram temas relacionados à relação bilateral e à agenda global, além de tratarem sobre o combate ao crime organizado. Os dois também trocaram impressões sobre indicadores econômicos de Brasil e Estados Unidos e sobre a relação entre os dois países.

    Segundo nota do governo brasileiro, Lula manifestou interesse em estreitar a parceria na repressão à lavagem de dinheiro e ao tráfico de armas, bem como no congelamento de ativos de grupos criminosos e no intercâmbio de dados sobre transações financeiras. A proposta teria sido bem recebida pelo republicano.

    Ao falar sobre o Conselho de Paz, o petista reiterou também a importância de uma reforma abrangente na ONU que amplie os membros permanentes do Conselho de Segurança, segundo a nota. Os dois trocaram ainda impressões sobre a situação na Venezuela, e Lula ressaltou a importância de preservar a paz e a estabilidade na região e de trabalhar pelo bem-estar do povo venezuelano.

    Por fim, os presidentes concordaram com uma visita de Lula a Washington após a viagem do brasileiro à Índia e à Coreia do Sul em fevereiro, em data a ser fixada em breve.

    Lula propõe a Trump que Conselho de Paz se limite a Gaza e inclua Palestina

  • Sob pressão de ações do ICE, Trump diz estar 'revisando tudo' após 2ª morte no mês

    Sob pressão de ações do ICE, Trump diz estar 'revisando tudo' após 2ª morte no mês

    Presidente americano se recusou a dizer ao The Wall Street Journal se a conduta dos agentes foi apropriada; Alex Pretti foi morto a tiros no domingo durante abordagem de funcionários federais em operação anti-imigrantes

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no domingo (25) ao jornal americano The Wall Street Journal que o governo está analisando a abordagem do ICE (Serviço de Imigração e Alfândegas americano) que terminou na morte de um homem em Minnesota no fim de semana

    “Estamos analisando, estamos revisando tudo e chegaremos a uma conclusão”, disse o republicano à publicação, recusando-se a dizer se a conduta do agente foi apropriada.

    “Não gosto de ataques a tiros. Não gosto mesmo”, continuou. “Mas também não gosto quando alguém vai a um protesto com uma arma potente, totalmente carregada e com dois carregadores cheios de balas. Isso também não pega bem.”

    Alex Pretti, 37, foi morto a tiros durante uma abordagem de funcionários federais em operação anti-imigrantes. A secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, afirmou que o episódio começou depois que um homem “abordou agentes da Patrulha da Fronteira dos EUA com uma pistola semiautomática de 9 mm” e eles tentaram desarmá-lo.

    Vídeos publicados nas redes sociais e verificados pelo The New York Times, no entanto, contradizem essa versão, ao mostrar que Pretti estava segurando um celular antes de os agentes o derrubarem no chão e atirarem nele. A vítima tinha licença para portar arma, que foi descoberta apenas quando ele já estava no chão, sendo agredido. Ele é baleado após ser desarmado, segundo as filmagens.

    “As mentiras repugnantes contadas sobre nosso filho pelo governo são repreensíveis e nojentas”, afirmaram seus pais, Michael e Susan, em um comunicado no fim de semana. “O último pensamento e ato [de Alex] foi proteger uma mulher”, continuaram, em referência a uma pessoa que, momentos antes, havia sido empurrada pelos agentes de imigração.

    “Ele estava com o celular na mão direita e a mão esquerda, vazia, erguida acima da cabeça enquanto tentava proteger a mulher que o ICE acabara de derrubar, tudo isso enquanto era atingido por spray de pimenta”, afirmaram.

    O estado do Minnesota registra constantes protestos desde o início de janeiro, quando Renee Good, 37, foi morta por um agente do ICE. Em resposta às manifestações, Trump já ameaçou de usar Lei de Insurreição, um obscuro dispositivo legal com mais de 200 anos, para conter os protestos em Minneapolis.

    Criada em 1807, a legislação permite ao presidente empregar soldados das Forças Armadas em situações em que distúrbios civis ultrapassem a capacidade das autoridades locais de manter a ordem. A legislação foi usada pela Casa Branca durante a Guerra Civil e, nos anos 1960, para impor o fim da segregação racial. A última aplicação ocorreu em 1992, durante os protestos antirracismo em Los Angeles.

    Sob pressão de ações do ICE, Trump diz estar 'revisando tudo' após 2ª morte no mês

  • Corpo de Ran Gvili, último refém do Hamas, é recuperado

    Corpo de Ran Gvili, último refém do Hamas, é recuperado

    Era o  último refém israelense que permanecia no enclave palestino; homem também tinha passaporte português

    As autoridades recuperaram o corpo do último refém do Hamas, após o ataque de 7 de outubro 2023. Ran Gvili era o último refém israelense que permanecia no enclave palestino.

    O homem estava doente e à espera de uma operação no hospital em 7 de outubro quando, alarmado com as notícias que chegavam, se vestiu e se dirigiu para o campo de batalha. Acabou morrendo e o seu corpo foi levado para Gaza como troféu e objeto de troca. 

    O corpo do homem, de 24 anos, foi encontrado agora no desdobramento de uma operação em um cemitério no norte da Faixa de Gaza, onde as tropas realizaram, este domingo, “extensas operações de busca”.

    O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu já reagiu à notícia, considerando que se trata de “um extraordinário feito para Israel”.

    “Prometemos trazer todos de volta e conseguimos trazer todos de volta”, afirmou, citado pela Times of Israel, acrescentando que o sargento “Ran é um herói”.

    O militar israelense, segundo o Expresso, tinha passaporte português, por parte dos bisavós maternos.

    O corpo do último refém mantido na Faixa de Gaza foi identificado no local por peritos forenses israelenses. As Forças de Defesa de Israel (IDF) começaram a exumar centenas de corpos em um cemitério em Gaza, no fim de semana e, até hoje, segundo o Times of Israel, testaram cerca de 250 deles para verificar se algum deles correspondia ao do homem.

    A sua identidade acabou sendo confirmada através da sua dentição e das suas impressões digitais. 
    O corpo de Gvili vai ser transferido para Israel onde serão feitas as suas cerimônias fúnebres.

    Plano de Paz acelera recuperação de corpos

    A libertação do corpo de Gvili era aguardada desde outubro do ano passado, no âmbito do plano de paz proposto pelo os Estados Unidos para o Médio Oriente.

    Vale lembrar que os familiares do militar tinham pedido ao governo israelense que não abrisse a passagem de Rafah, no sul de Gaza, prevista para os próximos dias após os Estados Unidos terem anunciado o início da segunda fase do acordo de cessar-fogo, até que os seus restos mortais retornassem ao território israelense.

    A guerra na Faixa de Gaza foi desencadeada pelos ataques liderados pelo Hamas em 07 de outubro de 2023 no sul de Israel, nos quais morreram cerca de 1.200 pessoas e 251 foram feitas reféns.

    Em retaliação, Israel lançou uma operação militar em grande escala no enclave palestino, que provocou mais de 71 mil mortos, segundo as autoridades locais controladas pelo grupo islamita, um desastre humanitário, a destruição de quase todas as infraestruturas do território e a deslocação de centenas de milhares de pessoas.

    Corpo de Ran Gvili, último refém do Hamas, é recuperado

  • Onda de frio deixa mortos e causa cancelamento recorde de voos nos EUA

    Onda de frio deixa mortos e causa cancelamento recorde de voos nos EUA

    Temporal de inverno já causa estragos em ao menos 20 estados e a capital, Washington; governo alerta que quase toda a população do país pode ser afetada

    SÃO PAULO, SP (UOL/CBS NEWS) – Ao menos dez pessoas morreram durante a tempestade de inverno que atinge parte dos Estados Unidos nesta semana, causando quedas de energia e afetando a aviação na região.

    Ao menos 20 estados e a capital, Washington, decretaram estado de emergência. Em alguns dos estados, moradores foram orientados a não saírem de casa.

    Cinco mortes aconteceram na cidade de Nova York, informou o prefeito Zohran Mamdani. Ele não disse se as mortes em questão têm relação com o frio, mas afirmou que as vítimas estavam “ao ar livre” durante as temperaturas glaciais.

    Outras três mortes aconteceram no Texas e mais duas na Louisiana. Uma das vítimas do Texas é uma adolescente de 16 anos que morreu em um acidente de trenó.

    Mais de 19.000 voos com origem ou com destino aos Estados Unidos foram cancelados no fim de semana. Quase 38% de todos os voos agendados para deixar os EUA ontem foram cancelados, segundo a plataforma Cirium.

    O número é o mais alto desde a pandemia. Em 30 de março de 2020, quando os efeitos do lockdown começaram a entrar em vigor, 12.143 voos foram cancelados no país.

    Na manhã de hoje, outros 2.500 voos também foram cancelados, segundo a agência de notícias AFP. Entre as cidades com voos cancelados estão Nova York, Washington, Chicago, Dallas e Atlanta.

    Mais de 840.000 pessoas ficaram sem energia no país, principalmente na região Sul. O Tennessee, onde gelo derrubou linhas de transmissão, teve mais de 300.000 casas sem energia.

    Problema de abastecimento elétrico preocupa autoridades, principalmente em regiões onde frio é atípico. Em Kentucky e na Georgia a expectativa é de que o frio bata recordes. Hoje, a cidade de Atlanta pode ter mínimas de -9°C.

    A expectativa é de que os impactos da neve e da chuva congelada durem semanas, segundo o Serviço Nacional de Meteorologia. O órgão classificou a tempestade como “extensa e de longa duração”, originária de uma perturbação no vórtice polar que veio do Canadá.

    Onda de frio deixa mortos e causa cancelamento recorde de voos nos EUA

  • Suspeita de bomba evacua milhares de passageiros no aeroporto de Miami

    Suspeita de bomba evacua milhares de passageiros no aeroporto de Miami

    O aeroporto foi parcialmente fechado por cerca de duas horas após uma mala ser deixada desacompanhada em uma área

    SÃO PAULO, SP (UOL/CBS NEWS) – Milhares de passageiros foram evacuados neste domingo (25) do Aeroporto Internacional de Miami, nos EUA, após uma suspeita de bomba no local.

    O caos teve início depois que uma bagagem foi deixada desacompanhada em uma área. Em publicação nas redes sociais, a administração do aeroporto afirmou que policiais investigavam um item suspeito no Terminal Sul.

    O aeroporto foi parcialmente fechado por cerca de duas horas. Ainda de acordo com informações oficiais, três saguões, G, H e J, além de áreas adjacentes, foram evacuados e ficaram temporariamente fechados.

    O incidente gerou uma superlotação de passageiros que já estavam no aeroporto quando tudo começou. Segundo os jornais locais, a maioria deles tinha como destino a América Latina e tentavam passar por alguns dos portões de embarque da região bloqueada.

    Clientes entraram em pânico com a possibilidade de ser uma bomba. “Todo mundo gritava, todo mundo corria. Todo mundo se amontoava nos cantos. Os pais choravam, escondiam seus bebês e ficavam em lugares desacompanhados”, relatou Jennifer Tripp, que viajava pela Delta Airlines para Los Angeles com o marido, ao jornal Miami Herald.

    Esquadrão Antibombas deu sinal verde horas depois e as operações foram retomadas. O gabinete do xerife de Miami-Dade disse à CBS News que as pessoas foram evacuadas por “excesso de cautela”. Não há relatos de feridos.

    Episódio ocorreu no mesmo dia em que 15 mil voos haviam sido cancelados nos EUA devido a uma violenta tempestade de inverno. O site FlightAware registrou mais de 4,6 mil voos cancelados no sábado (24) e mais de 10,4 mil neste domingo.

    Suspeita de bomba evacua milhares de passageiros no aeroporto de Miami