Categoria: POLÍTICA

  • Lula diz, na Alemanha, que o multilateralismo está sendo destruído

    Lula diz, na Alemanha, que o multilateralismo está sendo destruído

    Presidente critica avanço do unilateralismo em evento na Alemanha, defende cooperação global e destaca parceria com europeus, além de reforçar políticas de energia limpa e abertura do Brasil a imigrantes

    O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, reforçou a defesa do multilateralismo ao participar da inauguração do estande brasileiro na Feira Industrial de Hannover, na Alemanha, nesta segunda-feira (20). Ao lado do chanceler alemão, Friedrich Merz, Lula afirmou que o mundo vive um momento “conflagrado”, em que “o multilateralismo está sendo destruído” por uma “tentativa de introdução do unilateralismo”.

    Segundo ele, a “harmonia constituída depois da Segunda Guerra Mundial para estabelecer a paz entre os países está sendo jogada fora”.

    “Não é possível que a gente não tenha noção de que precisamos mudar essa situação mundial”, disse Lula, ao fazer um apelo “para todos aqueles que defendem o multilateralismo, para todos aqueles que não querem guerra, para todos aqueles que querem paz, para todos aqueles que querem construir e não destruir, para todos aqueles que querem defender a vida e não defender a morte, para todos aqueles que pensam no futuro da humanidade”. “Vejam que eu falei humanidade humana, porque a humanidade está virando algoritmo”, acrescentou o presidente. Durante o discurso, ele não mencionou os Estados Unidos nem o presidente Donald Trump.

    Relação Brasil-Alemanha

    Lula afirmou que a relação entre Brasil e Alemanha “nunca mais será a mesma” após a feira e disse que outros países terão “inveja” da parceria entre as duas nações.

    “Temos muito interesse em fazer com que a nossa aliança com a Europa e, sobretudo, com a Alemanha, seja cada vez mais produtiva, mais eficaz e capaz de proporcionar ao povo alemão e ao povo brasileiro a perspectiva de um futuro mais promissor”, declarou.

    Transição energética

    O presidente também destacou a política energética brasileira, mencionando o uso de biocombustíveis. “Nós temos 30% de etanol misturado à nossa gasolina e 15% de biodiesel misturado ao nosso diesel.”

    Processos migratórios

    Lula ainda ressaltou a importância da imigração e afirmou que o Brasil está aberto a quem defende a democracia e o multilateralismo. “Um país criado por imigrantes.”

    Lula diz, na Alemanha, que o multilateralismo está sendo destruído

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  • Secretaria da gestão Tarcísio não sabe onde foram parar R$ 23 milhões em materiais

    Secretaria da gestão Tarcísio não sabe onde foram parar R$ 23 milhões em materiais

    Inventário revela diferença milionária entre compras e estoque na Secretaria de Esportes de São Paulo. Parte dos materiais foi localizada ou doada, mas cerca de R$ 23 milhões seguem sem destino identificado, e governo promete apuração e reforço nos controles

    (CBS NEWS) – A Secretaria de Esportes da gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) não sabe onde foram parar R$ 23 milhões em materiais adquiridos pela pasta. O rombo foi identificado após a realização de um inventário do almoxarifado, requerido pelo TCE (Tribunal de Contas do Estado) de São Paulo.

    A comissão de inventário identificou notas de empenho referentes a compras de materiais que correspondem a R$ 51,5 milhões. Os itens armazenados nas dependências da secretaria, porém, somam apenas R$ 16,7 milhões.

    A pasta se mobilizou para tentar dar conta da diferença, e localizou o destino de mais R$ 11,5 milhões -parte dos materiais havia sido doada. Ainda assim, o restante dos itens não foi identificado.

    Procurada pela reportagem, a secretaria afirmou que determinou “a implementação de medidas aprimoradas de controle, rastreamento e gestão patrimonial”. “A Secretaria de Esportes reafirma seu compromisso com a correta aplicação dos recursos públicos e com a transparência de suas ações”, disse nota do órgão.

    A pasta afirmou que estava sendo produzido “um relatório de análise preliminar que subsidiará” instauração de sindicância.

    Vitor Schirato, professor de direito administrativo na Faculdade de Direito da USP, diz que, em um caso como esse, uma sindicância deveria ser aberta na hora. “Imagina uma empresa privada com uma diferença de estoque de milhões. Põe metade da empresa na rua no dia seguinte.”

    Schirato diz que a sindicância não serve, necessariamente, para punir o servidor público, mas para esclarecer os fatos.

    No início de 2025, durante exame da prestação de contas da pasta referente ao ano anterior, o TCE-SP identificou uma divergência no saldo do almoxarifado entre o valor apresentado pela secretaria e o registrado no Siafem, uma ferramenta de controle orçamentário.

    A equipe de fiscalização do tribunal também ressaltou em relatório que não havia controle de estoque que permitisse a elaboração de um inventário físico, contrariando a legislação.

    No fim do ano, o conselheiro Sidney Estanislau Beraldo votou pela aprovação do balanço geral, indicando a adoção de medidas corretivas.

    Em abril do ano passado, depois da fiscalização do TCE, a então secretária da pasta, coronel Helena Reis (PSD), determinou a criação de uma comissão de inventário para levantar os materiais existentes no estoque.

    A reportagem obteve os documentos relacionados a esse caso via Lei de Acesso à Informação.

    Em junho, o servidor Sergio Soares, coordenador da comissão, indicou no termo de inventário a discrepância de R$ 34,7 milhões entre os materiais encontrados “in loco” em três endereços relacionados à secretaria e o valor contábil identificado nas notas de empenho.

    A comissão registrou “falta de zelo” e desorganização no armazenamento dos itens. Imagens anexadas ao termo de inventário mostram caixotes de papelão abertos, empilhados uns sobre os outros.

    O grupo também não localizou “nenhuma forma de controle de estoque físico e contábil do material”.

    A comissão chegou a pedir que a coordenadoria geral, a chefia de gabinete e a divisão de administração da secretaria encaminhassem recibos de materiais que tivessem sido doados, mas apenas uma servidora respondeu ao requerimento.

    Em julho, o então secretário-executivo José Ribeiro Lemos Junior requeriu ao subsecretário de gestão corporativa, Marcelo Nanya, e ao coordenador geral de esportes, Carlos Henrique Araujo, a adoção de sete providências “com máxima prioridade e diligência” para regularizar as falhas apontadas.

    Lemos também ordenou a apresentação de um plano de ação detalhado para a execução das providências mencionadas, o que não foi cumprido. Em outubro, o secretário-executivo determinou a criação de uma equipe de trabalho para apurar o rombo de R$ 34,7 milhões.

    “Caso não seja comprovada por meio de recibo a entrega de algum material (…), o valor remanescente do material esportivo será objeto de apuração preliminar”, escreveu.

    Em dezembro, Nanya informou a Lemos sobre a localização de materiais que somavam R$ 11,5 milhões. Parte correspondia a itens doados e parte a “materiais de consumo vinculados à coordenadoria geral”, relacionados a jogos e competições.

    Questionada pela reportagem sobre quais foram os beneficiários das doações, a pasta respondeu que os itens “são destinados a escolas, entidades, municípios e nas competições esportivas previstas no calendário da pasta”. “Os materiais são distribuídos mediante solicitação formal, realizada por meio de ofício.”

    No despacho encaminhado ao então secretário-executivo, Nanya disse que houve dificuldades na fase de levantamento documental, “especialmente quanto à identificação, correlação e vinculação entre materiais físicos, registros de estoque e respectivas notas de empenho”.

    Ele também afirmou que novos recibos e documentos localizados após a primeira fase de baixas financeiras estavam sendo organizados. Disse ainda que estava em andamento nova contagem dos materiais físicos.

    Nanya argumentou que, por esses motivos, o valor restante de R$ 23 milhões em materiais não localizados não poderia ser considerado para fins de apuração.

    No início de 2026, Lemos foi exonerado a pedido da secretária Helena Reis -segundo pessoas ouvidas pela reportagem sob reserva, incomodava a pressão que ele fazia pela abertura de apurações. Nanya também foi exonerado na mesma época.

    Após a publicação da reportagem, a secretaria da gestão Tarcísio acrescentou que “prossegue com a apuração” para “verificar as inconsistências entre registros contábeis e o estoque físico de materiais” e disse que “colabora integralmente com os órgãos de controle e fiscalização, com avaliação rigorosa das recomendações para que todas as etapas dos processos sejam conduzidas com severidade e transparência”.

    “A pasta não compactua com desvios de conduta e todas as providências cabíveis estão sendo tomadas. Os procedimentos administrativos de controle interno estão sendo estruturados, revisados e aprimorados, com ênfase na gestão e fiscalização dos contratos.”

    Secretaria da gestão Tarcísio não sabe onde foram parar R$ 23 milhões em materiais

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  • Motta e mais 6 deputados controlam R$ 1,5 bilhão em emendas antes secretas

    Motta e mais 6 deputados controlam R$ 1,5 bilhão em emendas antes secretas

    Grupo de sete deputados concentrou um quinto das emendas de comissão, enquanto maioria dos parlamentares ficou com valores bem menores. Distribuição desigual gera críticas e levanta questionamentos sobre influência política e transparência no uso dos recursos.

    (CBS NEWS) – O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e mais seis deputados concentraram no ano passado a indicação de R$ 1,5 bilhão em emendas de comissão ao Orçamento, verba distribuída pelos colegiados temáticos do Congresso.

    Os R$ 6 bilhões restantes desse tipo de recurso foram partilhados por outros 423 deputados, enquanto 83 parlamentares não indicaram nenhum valor em 2025 de forma oficial -eles podem ter sido contemplados pelo envio de verbas em nome da liderança dos seus partidos.

    Essas verbas são sugeridas ao governo pelas comissões do Congresso, com a indicação de como e onde o dinheiro deve ser gasto. O Executivo tem o poder discricionário de não executar os recursos, mas não pode remanejá-los para outras áreas de seu interesse.

    Essas emendas eram secretas até 2024, sem que o nome do padrinho político responsável pela indicação da verba fosse divulgado. Isso mudou em 2025, após decisões do STF (Supremo Tribunal Federal), o que permitiu verificar os valores encaminhados por cada parlamentar.

    O levantamento feito pela reportagem nas atas do Congresso mostra que esse pequeno grupo de sete políticos detém o controle de uma fatia desproporcional deste orçamento: um quinto do total de R$ 7,5 bilhões repassado pelas comissões da Câmara em 2025 para ações nas bases eleitorais.

    O deputado federal que, sozinho, mais indicou emendas de comissão em 2025 foi Julio Arcoverde (PP-PI), com R$ 244,3 milhões. Ele presidiu a CMO (Comissão Mista de Orçamento) do Congresso, responsável por votar os projetos de lei orçamentários.

    “Todas foram destinadas de forma legal e transparente ao estado do Piauí, com investimentos em infraestrutura, saúde e apoio aos municípios, gerando obras e benefícios diretos para a população, sem qualquer irregularidade. Assim, o deputado Julio Arcoverde cumpre a sua missão de viabilizar mais recursos para o desenvolvimento econômico e social do Piauí”, afirmou ele em nota de sua assessoria.

    O segundo é Hugo Motta, com R$ 180,5 milhões. Quase metade deste valor foi repassado a cidades cujo prefeito declarou publicamente apoio à pré-candidatura ao Senado de Nabor Wanderley, pai do presidente da Câmara. Ao anunciar que renunciaria à Prefeitura de Patos (PB), Nabor disse à imprensa local que espera contar com o apoio de 150 dos 223 prefeitos da Paraíba para ser eleito.

    Motta afirmou que a indicação respeita rigorosamente um acordo entre os três Poderes. “No âmbito dos partidos, a divisão dos valores das emendas segue os critérios adotados pelas lideranças, seguindo o número de deputados, e a destinação dos recursos tem como prioridade áreas estratégicas e estruturantes para os municípios brasileiros, como saúde e infraestrutura”, disse.

    Logo depois de Motta está o presidente de seu partido, Marcos Pereira (Republicanos-SP), com R$ 138,2 milhões. “Historicamente, presidentes de partidos e líderes acabam por ter um pouco mais de recursos para indicar. Não é uma particularidade minha”, afirmou. Ele disse que sempre deu transparência às verbas em seu site. “Para mim, nunca foi um orçamento secreto, faço questão de divulgar.”

    Os líderes de quatro partidos políticos (PP, União Brasil, Republicanos e PL) constam como responsáveis por indicar outros valores, que somam mais de R$ 930 milhões.

    Neste caso, o formato pode ser usado para ocultar o real padrinho da verba, uma vez que consta apenas o nome da liderança do partido na Câmara, o que contraria decisão do ministro Flávio Dino, do STF, para que fosse dada transparência sobre o real autor, como revelou a Folha de S. Paulo em dezembro.

    Na média, os outros mais de 400 parlamentares puderam repassar R$ 14 milhões cada. A maioria dos integrantes da oposição não recebeu recursos, com exceção de parlamentares do PL em postos-chave, como a presidência da Comissão de Saúde ou a liderança da sigla. Essas verbas são indicadas pelo Congresso, mas a decisão de quitá-las é discricionária do governo federal.

    Parlamentares ouvidos sob condição de anonimato afirmam que houve acordo entre as lideranças partidárias para que cada deputado da base aliada ao governo pudesse indicar o destino de pouco mais de R$ 10 milhões das emendas das comissões.

    Eles admitem que era esperado que houvesse alguma diferença no valor, privilegiando nomes de protagonismo e peso político, como os presidentes dos colegiados ou líderes dos partidos, mas que essa diferença deveria estar na casa das dezenas de milhões.

    O que o levantamento revela, porém, é que apenas um pequeno grupo de sete deputados, entre eles o presidente da Câmara, teve direito de indicar mais de R$ 100 milhões. Nenhum dos outros mais de 400 repassou mais do que R$ 80 milhões.

    Deputados ouvidos pela reportagem reclamam que a disparidade na divisão das emendas é injusta, desrespeita o acordo feito na Casa e privilegia um grupo com uma quantidade de dinheiro que deve ser decisiva nas eleições de 2026. A diferença não foi percebida de pronto, afirmam, porque a votação das verbas ocorreu de forma fragmentada ao longo do ano, em diversas comissões.

    Além das emendas de comissão, há ainda emendas parlamentares individuais, com valor igual para todos os deputados, e de bancadas estaduais, para obras e projetos estruturantes.

    No final de 2024, Dino iniciou uma ofensiva contra a falta de transparência e desvios de recursos com as emendas parlamentares ao Orçamento. O modelo surgiu com a emenda de relator e foi replicado com a emenda de comissão após o STF declarar a primeira inconstitucional.

    Os três Poderes negociaram um acordo no qual as indicações feitas pelas comissões, que até então não precisavam revelar o deputado que era padrinho da emenda, deveriam passar a ser aprovadas em ata por todo o colegiado, deixando explícito quem era o autor da indicação e como a verba será usada.

    Como revelou a Folha de S. Paulo, porém, os parlamentares driblam essa determinação assinando a autoria em nome da própria liderança partidária, não de um deputado específico. Em 2025, por exemplo, R$ 1,1 bilhão foi indicado desta forma, de acordo com as atas das comissões.

    No grupo privilegiado com uma parcela desproporcionalmente maior dos recursos estão quatro lideranças de partidos: do PP, que distribuiu cerca de R$ 358 milhões desta forma; do União Brasil, com R$ 266 milhões; do Republicanos de Motta, com R$ 201 milhões; e do PL, com R$ 113 milhões (valor usado pelos deputados de oposição para esconder negociações com o governo).

    Motta e mais 6 deputados controlam R$ 1,5 bilhão em emendas antes secretas

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  • Lula chega à Alemanha, que quer muito negociar com o Brasil

    Lula chega à Alemanha, que quer muito negociar com o Brasil

    Acompanhado de seis ministros, empresários e até líderes sindicais, Lula será recebido à tarde com honras militares no Palácio Herrenhausen, em Hannover, discursará em evento que abre oficialmente a feira e terá um jantar privado com o premiê.

    JOSÉ HENRIQUE MARIANTE
    HANNOVER (ALEMANHA (CBS NEWS) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou à Alemanha, na manhã deste domingo (19), como convidado principal da Hannover Messe, a maior feira industrial do mundo, que neste ano tem o Brasil como país homenageado. Lula cumprirá dois dias de agenda intensa ao lado de Friedrich Merz, primeiro-ministro alemão.

    Acompanhado de seis ministros, empresários e até líderes sindicais, Lula será recebido à tarde com honras militares no Palácio Herrenhausen, em Hannover, discursará em evento que abre oficialmente a feira e terá um jantar privado com o premiê.

    Na segunda-feira (20), além de cumprir o tour inicial da exposição ao lado de Merz, uma tradição em Hannover, abrirá a 42ª edição do Encontro Econômico Brasil-Alemanha, que reúne empresários dos dois países, e, na sequência, a terceira reunião de Consultas Intergovernamentais de Alto Nível.

    Esse mecanismo, que prevê encontros de ministros e assessores dos dois governos em diversas áreas, é mantido pela Alemanha com menos dez países. O Brasil, inclusive, é a única nação latino-americana a dispor dele.

    A expectativa é de anúncio de acordos em áreas como energia, serviços digitais, meio ambiente e recursos naturais. Ambientalistas esperam que Lula peça que a Alemanha triplique sua contribuição de EUR 1 bilhão no Fundo Florestas para Sempre (TFFF), e entidades industriais aguardam entendimentos estratégicos em áreas mais sensíveis, como armamentos e minerais críticos.

    Em Barcelona, etapa inicial da visita presidencial à Europa, Brasil e Espanha assinaram 15 acordos de cooperação, incluindo minerais críticos, gargalo mundial, mas sobretudo na indústria europeia. Empresários com trânsito entre os dois países esperam que a posição política cada vez mais independente da Alemanha em relação aos EUA contribua para uma aproximação ainda mais intensa com o Brasil.

    A Alemanha é o quarto maior parceiro comercial do Brasil, com US$ 20,9 bilhões de comércio corrente no ano passado. A entrada em vigor do acordo União Europeia-Mercosul também é vista como um catalisador de negócios pelas duas nações, as maiores economias e principais defensores do tratado nos respectivos blocos.

    Na Hannover Messe, o Brasil terá seis pavilhões, ocupados por mais de 140 empresas e startups do país. Ao menos 800 executivos brasileiros comparecem ao evento, que exibirá de caminhões movidos a biocombustível a pequenas empresas de serviços digitais.

    Também na segunda, Lula fará uma visita à sede da Volkswagen, em Wolfsburg, acompanhado de líderes sindicais do ABC, Taubaté e Curitiba, locais das fábricas da empresa alemã no Brasil. Nos anos 1970, então principal dirigente sindical do país, Lula liderou diversas greves e negociações salariais na sede brasileira da Volkswagen, em São Bernardo.

    No dia seguinte, o presidente faz uma escala em Lisboa, antes de regressar ao Brasil. Na capital portuguesa, se encontrará com o primeiro-ministro, Luís Montenegro, e o novo presidente do país, António José Seguro.

    A imprensa alemã destaca a importância da visita para a economia alemã, voltada para exportação e que vive uma crise sem precedentes com o tarifaço de Donald Trump e a concorrência comercial e tecnológica com a China.

    Destacam também o desejo expresso por Lula de comer um sanduíche de Wurst, o típico salsichão alemão, em um quiosque de rua. Foi assim que o presidente brasileiro explicou em entrevista à revista Der Spiegel seu convite para Merz comer em botecos de Belém.

    No ano passado, o premiê viralizou ao fazer comentário depreciativo sobre a capital paraense depois de sua participação na COP30. Os dois líderes minimizaram o assunto pouco depois, em um encontro do G20 na África do Sul.

    Lula chega à Alemanha, que quer muito negociar com o Brasil

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  • Lula intensifica agenda voltada às mulheres para evitar perda de apoio feminino

    Lula intensifica agenda voltada às mulheres para evitar perda de apoio feminino

    Somente nesses primeiros meses do ano, o petista se envolveu em mais de dez ações voltadas a esse segmento, entre seminários, cerimônias e publicação de medidas em benefício às mulheres -sempre acompanhado da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja.

    MARIANA BRASIL
    BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – O presidente Lula (PT) intensificou agendas voltadas às mulheres nos últimos meses, em um gesto voltado ao eleitorado feminino, entre o qual perdeu vantagem nas mais recentes pesquisas de intenção de voto.

    Somente nesses primeiros meses do ano, o petista se envolveu em mais de dez ações voltadas a esse segmento, entre seminários, cerimônias e publicação de medidas em benefício às mulheres -sempre acompanhado da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja.

    Segundo auxiliares do Planalto, a esposa do presidente teve forte influência na ampliação da presença do tema na agenda presidencial e nos discursos de Lula.

    Entre os episódios mais recentes dessa influência esteve a realização do evento Pacto contra o Feminicídio, firmado entre os três Poderes logo após a repercussão de uma série de crimes dessa natureza no país.

    A pesquisa Datafolha mais recente mostrou que Lula perdeu a vantagem que tinha no público feminino.

    No levantamento de março, em um cenário de segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o presidente tinha o apoio de 50% das mulheres, contra 37% de Flávio.

    Em abril, a diferença de 13 pontos virou empate técnico, com 47% dos votos nesse segmento para o petista contra 43% do filho de Jair Bolsonaro (PL) -a margem de erro é de três pontos percentuais nesse estrato.

    As ações de Lula para atrair a simpatia desse eleitorado ocorrem em um mandato marcado por uma sequência de declarações machistas do presidente.

    Em abril do ano passado, por exemplo, ele chamou a diretora-geral do FMI (Fundo Monetário Internacional), Kristalina Georgieva, de “mulherzinha” e, no mês anterior, disse ter nomeado uma “mulher bonita” (Gleisi Hoffmann) no ministério para “melhorar a relação” com o Congresso.

    A frequência de agendas com temas voltados ao grupo feminino aumentou a partir do segundo semestre do ano passado.

    No período, foram sancionadas mais de cinco leis com benefício direto ou indireto a esse público, incluindo um pacote com três projetos relativos à violência contra a mulher. Os textos preveem, entre outras medidas, o uso imediato de tornozeleira eletrônica para agressores e a tipificação do crime de vicaricídio (assassinato de filhos ou parentes como parte da violência doméstica).

    Além disso, o governo publicou em fevereiro decreto que aprimora o funcionamento do Ligue 180, número de telefone voltado a denúncias, e instituiu o dia 17 de outubro como o Dia Nacional de Luto e de Memória às Mulheres Vítimas de Feminicídio.

    Neste mês, Lula sancionou a regulamentação da profissão de doula, responsável por acompanhar gestações e partos.

    O Planalto também promoveu um seminário para servidores da Presidência contra o feminicídio, em fevereiro. Organizado pelo chamado Conselhão, órgão vinculado à Secretaria de Relações Institucionais, o evento separou um salão para mulheres e outro para homens. Janja e Lula participaram assistindo às palestras em seus respectivos grupos.

    O petista buscou também dar ênfase à presença de mulheres no esporte com alguns eventos e ações da área. Uma delas foi o encaminhamento ao Congresso de um projeto de lei com medidas relativas à realização da Copa do Mundo Feminina da Fifa 2027 no Brasil.

    Ao receber campeões mundiais de futebol no Planalto, como parte da cerimônia do Tour da Taça da Copa do Mundo, o plano inicial também era receber o troféu da Copa Feminina, o que não ocorreu. Segundo informou a organização na época, por problemas de logística, o item não chegou a tempo.

    Lula também passou a incluir o tema da violência contra a mulher em quase todos os seus discursos. A influência de Janja, por sua vez, foi igualmente verbalizada pelo presidente em mais de uma ocasião.

    “Eu acordei domingo para tomar café e no café a Janja começou a chorar. De noite, vendo o Fantástico, a Janja voltou a chorar. Ontem, ela voltou a chorar. E hoje, no avião, ela pediu para mim: ‘Assuma a responsabilidade de uma luta mais dura contra a violência do homem contra a mulher no planeta Terra’”, declarou durante evento em Pernambuco, em dezembro do ano passado.

    Apesar dos eventos e medidas voltadas às mulheres, o ministério de Lula é majoritariamente composto por homens.

    Após a saída dos ministros e ministras para disputarem as eleições, a participação das mulheres foi ainda mais reduzida -de 10 para 8, entre as 38 pastas.

    Quatro foram substituídas por homens, com Bruno Moretti no lugar de Simone Tebet no Planejamento, João Paulo Capobianco no de Marina Silva em Meio Ambiente, José Guimarães no de Gleisi Hoffmann em Relações Institucionais e Eloy Terena no de Sônia Guajajara em duas Povos Indígenas).

    Em outras duas pastas, mulheres assumiram o lugar de ministros: Miriam Belchior no lugar de Rui Costa na Casa Civil, e Fernanda Machiaveli no de Paulo Texeira no Desenvolvimento Agrário.

    A pauta da inclusão das mulheres também rondou o entorno de Lula quando setores da sociedade cobraram do presidente a indicação de uma ministra para o STF (Supremo Tribunal Federal). O petista, no entanto, optou por homens nas duas indicações que fez para a corte.

    Lula intensifica agenda voltada às mulheres para evitar perda de apoio feminino

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  • Empresa de Marçal repassou R$ 4,4 mi a Mc Ryan, diz PF

    Empresa de Marçal repassou R$ 4,4 mi a Mc Ryan, diz PF

    O valor teria sido depositado na conta do funkeiro pela venda de um helicóptero Robinson R66 Turbine. Ao Estadão, a assessoria de Marçal confirmou a transação, mas negou que o montante se referisse à aeronave e afirmou que o pagamento diz respeito à aquisição de parte de um imóvel feito pelo coach.

    Uma empresa pertencente ao ex-candidato à Prefeitura de São Paulo Pablo Marçal (União Brasil) transferiu R$ 4,4 milhões para uma conta pessoal do MC Ryan, acusado pela Polícia Federal (PF) de liderar uma engrenagem de ocultação e lavagem de bens à disposição do tráfico internacional de drogas do Primeiro Comando da Capital (PCC).

    O valor teria sido depositado na conta do funkeiro pela venda de um helicóptero Robinson R66 Turbine. Ao Estadão, a assessoria de Marçal confirmou a transação, mas negou que o montante se referisse à aeronave e afirmou que o pagamento diz respeito à aquisição de parte de um imóvel feito pelo coach.

    Apoiador da candidatura de Pablo Marçal à Prefeitura em 2024, Ryan foi alvo da Operação Narco Fluxo, deflagrada pela PF na quarta-feira, dia 15, quando foi preso sob suspeita de liderar um esquema de lavagem de dinheiro do tráfico internacional por meio de rifas e bets ilegais, além de atividades ligadas à produção musical e entretenimento.

    Origem

    A defesa de Ryan informou que todos os valores que transitam nas contas do funkeiro \”possuem origem devidamente comprovada, sendo submetidos a rigoroso controle e ao regular recolhimento de tributos\”.

    Na representação da PF que embasou a Operação Narco Fluxo, os investigadores destacam créditos da empresa R66 Air Ltda., que enviou R$ 4,4 milhões à pessoa física de MC Ryan. O quadro societário da companhia é composto pelo coach Pablo Marçal.

    Segundo a apuração, o capital social da empresa é compatível com o valor de mercado de um helicóptero Robinson R66 Turbine, o que levanta a hipótese de que a transação esteja ligada à negociação da aeronave.

    A rede de bets e rifas ilegais usada para lavar dinheiro do tráfico estruturou, segundo a investigação, \”empresas de prateleira\” e chegou a firmar contratos com fintechs investigadas nas Operações Compliance Zero, que atinge o Banco Master, e Sem Desconto, que apura um esquema bilionário de fraudes no INSS, que lesou milhares de aposentados e de pensionistas. O esquema da Narco Fluxo movimentou R$ 1,6 bilhão para o crime organizado, segundo a Polícia Federal, e tinha como operador-chave o contador Rodrigo Morgado, preso desde outubro de 2025 sob suspeita de prestar assessoria financeira ao Primeiro Comando da Capital.

    A defesa de Morgado afirma que ele \”é profissional da área contábil, atuando estritamente dentro dos limites legais de sua profissão, não tendo qualquer envolvimento com atividades ilícitas\”. Durante a Narco Fluxo, os federais cumpriram 45 mandados de busca e apreensão. Dos 39 mandados de prisão temporária expedidos, 33 foram executados.

    As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

    Empresa de Marçal repassou R$ 4,4 mi a Mc Ryan, diz PF

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  • Moraes vota para condenar Eduardo Bolsonaro por difamação

    Moraes vota para condenar Eduardo Bolsonaro por difamação

    Moraes é o relator da ação penal que está em julgamento e entendeu que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro deve ser condenado a um ano de prisão em regime aberto. O caso é julgado pelo plenário virtual do Supremo.

    O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou nesta sexta-feira (17) para condenar o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por difamação contra a deputada Tábata Amaral (PSB-SP).

    Moraes é o relator da ação penal que está em julgamento e entendeu que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro deve ser condenado a um ano de prisão em regime aberto. O caso é julgado pelo plenário virtual do Supremo.

    O processo foi movido contra Eduardo Bolsonaro após uma postagem nas redes sociais.

     

    Em 2021, ele escreveu que o projeto de lei proposto pela parlamentar para garantir a distribuição gratuita de absorventes íntimos para a população teria o objetivo de atender interesses empresariais de “seu mentor-patrocinador Jorge Paulo Lemann”, acionista de uma companhia que fabrica produtos de higiene pessoal.

    Ao votar pela condenação, Moraes entendeu que ficou configurada a difamação contra a deputada.

    “A divulgação realizada pelo réu revela o meio de ardil por ele empregado, cujo objetivo foi tão somente atingir a honra da autora, tanto na esfera pública, na condição de agente política, como em sua vida privada, uma vez que o alcance proporcionado pela Internet, como é sabido, é gigantesco e tem enorme poder de proliferação”, afirmou.

    A votação eletrônica ficará aberta até o dia 28 de abril. Faltam os votos de nove ministros.

    Durante a tramitação do processo, a defesa de Eduardo Bolsonaro disse que as declarações foram feitas no âmbito da imunidade parlamentar.

    O ex-deputado está nos Estados Unidos desde o ano passado e perdeu o mandato por acumular faltas às sessões da Câmara dos Deputados.

    Moraes vota para condenar Eduardo Bolsonaro por difamação

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  • Motta diz que apoia derrubada de vetos de Lula ao projeto da redução de penas do 8/1

    Motta diz que apoia derrubada de vetos de Lula ao projeto da redução de penas do 8/1

    Presidente da Câmara deu declarações em entrevista à GloboNews na manhã desta sexta-feira (17); sessão de análise do veto à dosimetria está marcada para 30 de abril

    BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nesta sexta-feira (17) que espera que o veto do presidente Lula (PT) ao projeto de lei que diminui as penas dos condenados por golpe de Estado seja derrubado. Isso pode levar à diminuição das penas do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), hoje em prisão domiciliar.

    A afirmação foi feita em entrevista à GloboNews nesta manhã. Para Motta, a derrubada do veto é necessária “para que justamente possamos virar essa página, esse capítulo triste da história do nosso país”.

    A sessão que analisará os vetos ao projeto da dosimetria foi marcada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para quinta-feira (30), após pressão dos bolsonaristas.

    O projeto da dosimetria foi aprovado pelo Congresso Nacional em dezembro. A proposta diz que as penas pelos crimes de golpe de Estado e abolição violenta do Estado democrático de Direito não devem ser aplicadas de forma cumulativa quando inseridas no mesmo contexto. O texto diz que deve ser aplicada a pena mais grave entre os dois, aumentando a punição de um sexto à metade.

    O texto prevê ainda redução de pena de um a dois terços para os crimes de tentativa de golpe ou abolição quando eles tiverem sido praticados em contexto de multidão. Além disso, fixa o menor tempo possível de cumprimento da pena para progressão de regime para esses crimes, um sexto, independentemente de reincidência ou do uso de violência ou grave ameaça.

    O projeto reduz tanto as penas totais quanto o tempo mínimo em regime fechado de condenados da trama golpista e do 8 de Janeiro. A proposta pode reduzir o tempo de Jair Bolsonaro em regime fechado do intervalo atual de 6 a 8 anos para algo entre 2 anos e 4 meses e 4 anos e 2 meses, a depender da interpretação.

    No início deste ano, entretanto, Lula vetou integralmente o texto, cabendo ao Congresso avaliar os vetos.

    A análise tardou a ser marcada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), pois a abertura da sessão também levará, de acordo com o regimento interno, à leitura do requerimento que instala a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) mista do Banco Master. Alcolumbre disse a aliados que era contrário à instauração.

    Para Motta, o projeto da dosimetria distensiona as relações entre Congresso e STF (Supremo Tribunal Federal), pois haveria um “consenso na sociedade” de que algumas penas foram dadas “de forma exagerada”.

    “Essa condição construída por nós na Câmara dos Deputados e amplamente aprovada e concordada pelo Senado Federal, que foi vetada pelo presidente da República, dá ao próprio Poder Judiciário a condição de, obedecendo aos pedidos dessas pessoas que estão sendo julgadas, outras que já foram condenadas, de poder revisar essas penas e conceder uma possível redução dessas penas, o que na minha avaliação culminaria na liberação de praticamente todas as pessoas que ainda estão presas devido ao 8 de janeiro”, explicou à GloboNews.

    Ele avalia que o tema gerou uma “crise institucional”, que “se alongou demais”.

    “Ao longo do ano de 2025 a principal matéria que pautou as discussões, os momentos de tensão dentro do Congresso, foi em torno dessa anistia, que a Câmara e o Senado não concordaram com a anistia ampla, geral e irrestrita. (…) Na minha avaliação nós poderíamos já ter resolvido esse problema se não fosse o veto do presidente da República, que será agora analisado pelo Congresso”.

    Motta diz que apoia derrubada de vetos de Lula ao projeto da redução de penas do 8/1

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  • Estamos imersos em crise, e STF tem que refletir sobre seus limites, diz Fachin

    Estamos imersos em crise, e STF tem que refletir sobre seus limites, diz Fachin

    Se juiz parecer atuar como agente político, perde-se a confiança pública, afirma presidente da corte; Supremo teve embate com Congresso nesta semana e enfrenta desgaste devido ao caso Master

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, afirmou nesta sexta-feira (17) ser preciso reconhecer que o Brasil está imerso em uma crise em relação à atuação do Judiciário.

    Ele disse que é preciso enfrentá-la, com atenção para não repetir “soluções velhas”, e que a corte que ele comanda tem que refletir sobre sua atuação e seus limites.

    “Quando falamos em crises, é fundamental reconhecer que efetivamente nós estamos imersos, em relação à atuação do Judiciário, é uma crise que precisa ser enfrentada, e enfrentada com olhos de ver e ouvidos de ouvir”, afirmou. “Sob pena de repetirmos, para problemas novos, soluções velhas que significam simplesmente relegar os problemas sem resolvê-los.”

    Fachin participou de uma palestra na FGV (Fundação Getulio Vargas) em São Paulo que teve como tema o papel do Judiciário na garantia da segurança pública como direito fundamental.

    O ministro defendeu a importância de que a Justiça se atente aos seus limites.

    “Toda a expansão do poder, ainda que bem intencionada, precisa ser acompanhada de autocontenção e reflexão crítica”, afirmou Fachin. “É imprescindível que o Judiciário, e especialmente o Supremo Tribunal Federal, ao qual se atribui, não sem controvérsia, obviamente, a última palavra sobre a Constituição, mantenha o Judiciário postura reflexiva sobre os limites de sua própria atuação”, completou.

    “O Judiciário precisa colocar diante de si necessariamente um espelho no qual possa se ver para enxergar possibilidades e também enxergar os seus limites.”
    Afirmou ainda que “vivemos tempos de desconfiança institucional” e “intensas polarizações em todos os sentidos”, acrescentando que essa desconfiança decorre de múltiplos fatores e que cada instituição precisa refletir sobre o que está contribuindo para seu aumento ou diminuição.

    Citando especificamente o Judiciário, afirmou que “sempre que o juiz parecer estar atuando como agente político disfarçado de intérprete jurídico, perde-se a confiança pública”.

    Desde o fim do ano passado, revelações sobre Moraes e Toffoli, aproximando-os do escândalo do Banco Master e do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, têm sido um dos principais combustíveis da crise que vem desgastando o tribunal.

    Em meio a isso, ocorre a pressão da sociedade civil e do empresariado pela aprovação de um código de ética mais detalhado e aplicável aos membros do tribunal, bandeira defendida por Fachin, mas que enfrenta resistência interna na corte.

    Ao ser questionado por jornalistas sobre referências a ministros do STF em investigações importantes, Fachin afirmou que nenhuma instituição e nenhuma pessoa é imune ao escrutínio, e o STF não ocultará o caso, mas ressaltou que é preciso que as prerrogativas de defesa sejam respeitadas.

    “Esta crise, que não nasceu dentro do Supremo Tribunal Federal, não será pelo Supremo Tribunal Federal ocultada”, disse.

    Declarou aida que o tribunal “dará respostas importantes de maneira unida e colegiada, defendendo a instituição e também defendendo a prerrogativa de quem quer que seja de se defender, de valer-se do direito à defesa, de esclarecer essas circunstâncias, e também de prestar contas à sociedade”.

    Nesta semana, o Supremo foi um dos protagonistas de mais um episódio de embate entre Poderes, depois de o senador Alessandro Vieira, relator da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado, propor o indiciamento de três membros da corte, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, assim como do procurador-geral da República, Paulo Gonet.

    Indagado após a palestra sobre como resolver a crise aberta com o episódio, Fachin minimizou o impacto do ocorrido na relação entre os Poderes, em tom menos contundente de nota que divulgou na data em que o relatório tinha sido apresentado.

    “Eu entendo que não há crise institucional entre o Poder Judiciário e o Legislativo. Há compreensões distintas sobre um determinado fenômeno por exemplo qual é a abrangência de uma determinada CPI qual é a sua pertinência temática”, disse. “Mas, de modo algum, se colocou em questão e não se deve colocar em questão a importância do Parlamento fiscalizar todos e a todas as instituições por meio de CPI. Quem nada deve, nada teme.”

    Em defesa dos colegas, Fachin afirmou: “O caminho de indiciamento por conta de decisão judicial nos parece que não é um caminho adequado. Eu defendo que, quando não se concorda com uma dada decisão, o caminho adequado é o recurso, impugnar a decisão, e não atacar a própria institucionalidade”.

    O ministro do STF chegou a destacar trecho do relatório do senador Alessandro Vieira sobre a presença do crime organizado em diferentes regiões do país.

    Apesar do foco que motivou a abertura da CPI ter sido o crime organizado, Vieira não citou quaisquer outros atores, além dos ministros do STF e Gonet, em sua proposta de indiciamento, o que motivou críticas de diferentes grupos. A reação de ministros do Supremo, por sua vez, incluindo pedido de investigação contra Vieira feito por Gilmar, também foi criticada.

    Após uma articulação de governistas e ministros junto à cúpula do Senado, o relatório do senador acabou rejeitado por 6 votos a 4.

    Como mostrou a Folha de S.Paulo, uma ala da corte faz frente à agenda de Fachin e entende que, em meio às críticas, o presidente do tribunal deveria fazer uma defesa pública e irrestrita da integridade de seus ministros. Nessa linha de pensamento, a atuação de Fachin deixaria a corte mais exposta a ataques.

    Um outro grupo, que inclui a ministra Cármen Lúcia, relatora do código de conduta, é favorável à medida.

    Juristas de peso, incluindo ex-ministros do Supremo, também têm defendido reformas no tribunal, incluindo regras mais estritas sobre decisões monocráticas. Exemplos de documentos com propostas são o relatório da Fundação FHC divulgado no ano passado e proposta deste ano elaborada pela OAB-SP (Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo).

    Um dos argumentos de quem defende mudanças é o de que se a corte não agir por conta própria para adequar seu funcionamento, a reforma poderá vir de fora -e não necessariamente para melhorá-la.

    Tanto o Supremo quanto parte de seus ministros individualmente deverão estar no centro das campanhas eleitorais neste ano de candidatos ao Senado pelo grupo político de Bolsonaro, que buscará votos suficientes para dar andamento ao impeachment de magistrados na próxima legislatura.

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  • João Campos lidera 1º turno em PE com 50%; Raquel Lyra tem 38%, diz Datafolha

    João Campos lidera 1º turno em PE com 50%; Raquel Lyra tem 38%, diz Datafolha

    Levantamento indica liderança do ex-prefeito do Recife no cenário estimulado; diferença se mantém dentro da margem observada na pesquisa de fevereiro

    RECIFE, PE (CBS NEWS) – O ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) aparece na liderança da corrida pelo governo de Pernambuco, segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (16).

    No cenário estimulado, em que os nomes dos candidatos são apresentados aos eleitores, ele soma 50% das intenções de voto, enquanto a governadora Raquel Lyra (PSD) registra 38%. A diferença entre os dois é de 12 pontos percentuais.

    Na sequência, os deputados estaduais Eduardo Moura (Novo) e Ivan Moraes (PSOL) aparecem com 3% e 2%, respectivamente.

    Eleitores que declaram voto em branco ou nulo somam 6% no levantamento.

    A pesquisa está registrado na Justiça Eleitoral sob o número PE-04713/2026, tem nível de confiança de 95% e margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos.

    Em relação à pesquisa realizada em fevereiro, os números permanecem semelhantes. Na ocasião, João Campos tinha 47% das intenções de voto, enquanto Raquel Lyra aparecia com 35%, mantendo uma distância igual à atual.

    O Datafolha também pesquisou uma simulação de segundo turno entre o ex-prefeito e a governadora. Nesse cenário, Campos tem 52% das intenções de voto, ante 42% da adversária. No levantamento anterior, o placar estava em 53% a 40%.

    No cenário espontâneo, quando os nomes não são apresentados aos entrevistados, Raquel Lyra aparece com 28% das intenções de voto, enquanto João Campos registra 26%. Outros nomes são citados de forma residual, e 36% dos entrevistados afirmaram não saber em quem votar.

    A pesquisa foi realizada por meio de entrevistas presenciais entre os dias 13 e 15 de abril, com 1.022 pessoas de 16 anos ou mais em Pernambuco. A contratante foi a Rede Nordeste de Comunicação.

    João Campos renunciou à prefeitura no dia 2 de abril e costurou aliança com o senador Humberto Costa (PT), que tentará a reeleição, e a ex-deputada Marília Arraes (PDT), que também concorrerá ao Senado.

    Já Raquel Lyra recebeu apoio do União Brasil para sua tentativa de reeleição. O acordo foi firmado em reunião em Brasília com lideranças partidárias, incluindo o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, e o presidente do União Brasil em Pernambuco e ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho, que é pré-candidato ao Senado.

    A governadora deve ter o deputado federal Túlio Gadelha na segunda vaga para a disputa ao Senado. Ele se filiou ao PSD e lançou sua pré-candidatura em Caruaru, em evento com a aliada.

    Já no campo da oposição, o senador Flávio Bolsonaro (PL) anunciou a pré-candidatura de Anderson Ferreira (PL) ao Senado por Pernambuco. Ex-prefeito de Jaboatão dos Guararapes e ex-deputado federal, Ferreira já disputou o governo estadual em 2022.

    Em anotações de Flávio feitas durante reunião com aliados em fevereiro, conforme mostrou a Folha de S.Paulo, Raquel Lyra seria a escolha do PL para a reeleição em Pernambuco, apesar de sua proximidade também com Lula. As anotações do rascunho indicavam que a governadora apoiaria o deputado Mendonça Filho para o Senado e que ele poderia trocar o União Brasil pelo PL.

    A governadora e o ex-prefeito disputam o palanque de Lula nas eleições. Raquel Lyra afirmou que apoiará a reeleição, caso ele se mantenha neutro na disputa pelo governo pernambucano. Ela quer que o presidente não apoie nenhum candidato ao Executivo estadual ou que declare ter dois palanques no estado, o dela e o de João Campos.

    Lula, por sua vez, é pressionado pelo PSB a trabalhar apenas pela candidatura de Campos, que preside o partido. O prefeito defende a permanência de Geraldo Alckmin (PSB) como vice-presidente.

    Raquel Lyra e João Campos estiveram com o presidente no Galo da Madrugada, no Carnaval e também em uma agenda no Cabo de Santo Agostinho. Na passagem por Pernambuco, no entanto, o presidente evitou fazer discursos e posou para fotos com a governadora e o prefeito ao seu lado.

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