Categoria: POLÍTICA

  • Ramagem tinha visto expirado e está sujeito a deportação, diz governo dos EUA

    Ramagem tinha visto expirado e está sujeito a deportação, diz governo dos EUA

    Documento dos EUA aponta visto expirado e abre caminho para deportação, enquanto prisão do ex-deputado em Orlando gera disputa política, pedidos de asilo e questionamentos sobre relação com condenação no Brasil

    (CBS NEWS) – Um documento do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos mostra que o ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), que foi preso nesta segunda-feira (13), em Orlando, estava com visto expirado e está sujeito a deportação.

    A informação foi publicada primeiramente pelo portal Metrópoles e confirmada pela reportagem. O documento é chamado NTA (sigla para Notificação de Comparecimento, em inglês), que fornece ao tribunal de imigração a motivação para eventual deportação do território americano.

    Na notificação, o departamento descreve que Ramagem teve a entrada admitida nos EUA, mas é considerado “passível de deportação” porque o visto que ele possuía era o chamado B2, para turistas, e que permitiria a permanência apenas até 10 de março.

    “É alegado que você está sujeito à deportação dos Estados Unidos de acordo com as seguintes disposições da lei: Seção 237(1)(B) da Lei de Imigração e Nacionalidade (INA), conforme alterada, por ter permanecido nos Estados Unidos por mais tempo do que o permitido, em violação da lei de imigração dos Estados Unidos”, afirma o documento.

    A prisão de Ramagem foi confirmada pela Polícia Federal. Em nota, a PF afirma que o ex-deputado foi preso pelo ICE e atribui a detenção em decorrência de uma cooperação policial internacional junto a autoridades dos EUA.

    “O preso é considerado foragido da Justiça brasileira após condenação pelos crimes de organização criminosa armada, de golpe de Estado e de tentativa de abolição violenta do Estado de Direito”, diz a PF.

    Em nota nas redes sociais, o empresário e blogueiro bolsonarista Paulo Figueiredo critica a postura das autoridades brasileiras e argumenta que a prisão não tem relação com o pedido de extradição de Ramagem, que tramita por outro órgão, o Departamento de Estado, e não o de Segurança Interna, que é responsável pelo ICE.

    Segundo ele, o documento NTA demonstra que “o ICE entendeu, de forma padrão em casos migratórios, que Ramagem estaria sujeito à deportação por permanência além do prazo autorizado”. “Não há absolutamente nada sobre cooperação com autoridades brasileiras, nem qualquer menção a crimes no Brasil”, diz ele.

    Próximo da família Bolsonaro, Ramagem é considerado foragido da Justiça brasileira, após ter saído do Brasil e permanecido nos Estados Unidos, sob o governo Donald Trump, desde o ano passado.

    O ex-parlamentar foi condenado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) à perda de mandato e a 16 anos e um mês de prisão por participação em tentativa de golpe de Estado no final do governo de Jair Bolsonaro (PL).

    A prisão, porém, não tem relação com a condenação pelo STF, pela qual é considerado foragido da Justiça. O nome de Ramagem aparece no site da agência como “sob custódia do ICE.

    Ramagem teria se mudado em setembro para um condomínio de luxo na Flórida, enquanto gravava vídeos e votava à distância nas sessões da Câmara, amparado por um atestado médico.

    Nesta segunda, o líder da oposição deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB) afirmou em coletiva de imprensa na Câmara dos Deputados que a oposição apresentou quatro solicitações a a em resposta à prisão de Ramagem.

    A principal delas, direcionada à Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, pediu que seja considerada “a análise do contexto político e institucional brasileiro, especialmente no que tange à alegada perseguição a opositores políticos” na análise do caso de Ramagem.

    O texto foi assinado pelo senador Jorge Seif (PL-SC) e pede ainda a concessão de asilo político para Ramagem e sua família. De acordo com ele, o processo já tramita nos Estados Unidos. O senador afirmou à imprensa que espera que o pedido resulte na priorização do caso de Ramagem.

    Além disso, a oposição disse ter solicitado ao STF que revise a condenação do ex-parlamentar, e ao MJ (Ministério da Justiça) que forneça informações sobre a atuação do governo brasileiro no caso. “Eles estão querendo deportar o deputado”, disse Gilberto Silva.

    Os parlamentares também disseram que solicitarão ao presidente do Congresso Nacional Davi Alcolumbre (União-AP) que “reveja a posição com relação à omissão desse poder”, explicou o líder da oposição.

    O deputado argumentou que Ramagem teria sido cassado de forma “ilegal” e que a Câmara havia votado pela suspensão da ação penal contra o deputado em maio de 2025, o que foi barrado pelo STF.

    Em dezembro, o ministro Alexandre de Moraes determinou a abertura do processo de extradição de Ramagem.

    A condenação definitiva do núcleo central da trama golpista, do qual o parlamentar fazia parte, foi decretada por Moraes em 25 de novembro.

    Já em dezembro Ramagem prestou depoimento ao STF após Moraes reabrir o processo que poderia aumentar a pena do ex-parlamentar.

    O julgamento de alguns dos crimes da trama golpista ocorridos após a diplomação de Ramagem havia sido suspenso pela Câmara enquanto ele ainda era deputado federal.

    Trata-se dos tipos penais ligados ao 8 de Janeiro: dano qualificado pela violência e grave ameaça, contra o patrimônio da União e com considerável prejuízo para a vítima e deterioração de patrimônio tombado.

    Em dezembro, a Mesa Diretora da Câmara cassou Ramagem, o que abriu caminho para a decisão de Moraes de reabrir o processo contra ele.

    A Câmara dos Deputados também cancelou os passaportes diplomáticos de Ramagem e do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), que assim como o ex-diretor da Abin teve seu mandato cassado e está nos Estados Unidos.

    Ramagem tinha visto expirado e está sujeito a deportação, diz governo dos EUA

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  • Ramagem disse antes de prisão que só voltaria ao Brasil com anistia

    Ramagem disse antes de prisão que só voltaria ao Brasil com anistia

    Ex-deputado dizia antes de prisão que tentava ser repórter nos Estados Unidos; Ramagem foi preso pelo ICE, serviço de imigração do país norte-americano

    WASHINGTON, EUA (CBS NEWS) – O ex-deputado federal cassado Alexandre Ramagem foi detido pelo ICE, serviço de imigração dos EUA, de acordo com a Polícia Federal, nesta segunda-feira (13).

    Ramagem vive na Flórida com a família e é considerado foragido da Justiça brasileira, após ter ido para os Estados Unidos no ano passado. Segundo o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, o ex-diretor da Abin saiu de forma clandestina do Brasil pela fronteira com a Guiana.

    Em março, ele esteve no CPAC, maior evento conservador do mundo, onde atuou como comentarista pela Revista Timeline, do blogueiro bolsonarista Allan dos Santos e outros jornalistas. Durante o evento, entrevistou políticos brasileiros presentes no local e também fez análises para o site.

    Ele não quis dar entrevista a jornalistas brasileiros, mas disse que estava tentando trabalhar como repórter e disse que só voltaria ao Brasil com anistia.
    A condenação definitiva do núcleo central da trama golpista, do qual Ramagem fazia parte, foi decretada em 25 de novembro.

    Dois meses antes, ele teria se mudado para um condomínio de luxo na Flórida, enquanto gravava vídeos e votava à distância nas sessões da Câmara, amparado por um atestado médico.

    Em dezembro, o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou a abertura do processo de extradição.

    Nesta segunda (13), Allan dos Santos afirmou em redes sociais que “nenhum perseguido por [Alexandre de] Moraes ficará desamparado”.

    “Rezem por Ramagem, que tudo será resolvido. As leis americanas são bem claras e tudo será conduzido dentro das leis americanas”, declarou. Depois, afirmou que Ramagem encontra-se em procedimento “admnistrativo de imigração nos Estados Unidos, sem qualquer acusação criminal. A defesa já está atuando e o caso segue os trâmites legais perante as autoridades competentes”.

    Ramagem disse antes de prisão que só voltaria ao Brasil com anistia

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  • PM de Brasília expulsa cinco coronéis condenados pelo STF por omissão no 8/1

    PM de Brasília expulsa cinco coronéis condenados pelo STF por omissão no 8/1

    Fábio Augusto Vieira, Klepter Rosa Gonçalves, Jorge Eduardo Naime Barreto, Paulo José Ferreira e Marcelo Casimiro estão presos desde 11 de março no 19º Batalhão de Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, em Brasília

    BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – A Polícia Militar do Distrito Federal expulsou os cinco coronéis condenados por omissão durante os ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023. O documento foi publicado nesta segunda-feira (13) no Diário Oficial distrital.

    A medida cumpre uma decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes. O magistrado determinou na quarta (8) que a Polícia Militar declarasse a perda dos cargos públicos dos oficiais. São eles:

    – Fábio Augusto Vieira, comandante-geral da PMDF em 8 de janeiro;
    – Klepter Rosa Gonçalves, subcomandante-geral da PMDF em 8 de janeiro, promovido a comandante-geral pelo interventor Ricardo Cappelli no dia 9;
    – Jorge Eduardo Naime Barreto, ex-comandante do DOP (Departamento de Operações) da PMDF, de licença em 8 de janeiro;
    – Paulo José Ferreira, chefe interino do DOP em 8 de janeiro devido à folga de Naime;
    – Marcelo Casimiro, ex-comandante do 1º CPR (Comando de Policiamento Regional) da PMDF.

    O documento que oficializa a expulsão foi assinado na quinta (9) pelo coronel Rômulo Flávio Mendonça Palhares, comandante-geral da Polícia Militar do Distrito Federal.

    Em 25 de março, a corporação enviou um ofício a Moraes pedindo orientações sobre o cumprimento da decisão de expulsar os cinco coronéis.

    Em resposta, o ministro disse que, com base na jurisprudência do STF, não há controvérsia sobre a possibilidade de perda do posto e da patente de oficial como consequência de condenação criminal, seja por crime militar ou comum.

    Moraes reproduziu trecho do voto dado por ele pela condenação no qual afirma que as condutas dos militares foram “marcadas pela omissão deliberada no cumprimento do dever funcional” e têm “manifesta incompatibilidade com a permanência no serviço público”.

    Os ex-integrantes da cúpula da corporação tiveram pena de 16 anos de prisão fixada pela Primeira Turma pelos crimes de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.

    Os oficiais estão presos desde 11 de março no 19º Batalhão de Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, em Brasília.

    PM de Brasília expulsa cinco coronéis condenados pelo STF por omissão no 8/1

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  • Cármen Lúcia reconhece tensão no STF em meio a caso Master e diz: 'Eu não faço nada errado'

    Cármen Lúcia reconhece tensão no STF em meio a caso Master e diz: 'Eu não faço nada errado'

    ‘Da minha parte, digo: podem dormir tranquilos. Não há uma linha minha que esteja fora da lei’, declarou a magistrada; Supremo enfrenta divisão entre ministros em meio a repercussões do caso Banco Master

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – Em momento em que ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) recebem atenção pública pelo comportamento em casos como do Banco Master, e de relatos de estranhamento entre os magistrados, a ministra Cármen Lúcia falou ter ciência da tensão que a corte vive e disse que, embora não possa falar em nome de toda o Supremo por não ser a presidente, consegue assegurar que ela não faz nada fora da lei.

    “Da minha parte, digo: podem dormir tranquilos. Não há uma linha minha que esteja fora da lei”, afirmou nesta segunda-feira (13) durante palestra na Fundação FHC, no centro de São Paulo.
    “Eu não faço nada errado”, completou, com a ressalva de que não falava em nome de toda a corte.

    Cármen disse que o Brasil vive momento de desconfiança generalizada, o que justifica em parte a crise do tribunal.

    Declarou, entretanto, que o STF precisa “mostrar ao povo que estamos ali para servir” e falou da necessidade de transparência e explicações necessárias das ações dos ministros fora de Brasília.

    Ela também criticou o volume de ações que chegam ao Supremo, dizendo que a corte tem rotina marcada pelo excesso de atribuições.

    Cármen falou que o momento é de uma “agudização de algumas crises” que precisam ser pensadas e que a corte vive momento de “questionamento”.

    Ela também citou mudanças tecnológicas, como as redes sociais, para explicar que os juízes não têm respostas prontas para problemas inéditos, o que aumentaria o desafio da corte na atualidade.

    A ministra falou ainda sobre a dificuldade que está envolta no exercício de ser presidente do STF, com questões que, se fossem simples, já estariam resolvidas, segundo ela. “Sei o que é estar na presidência tentando acertar. Não é simples. Não tem facilidade nenhuma.”

    Ela declarou receber “críticas ácidas” contra si e que, nesses momentos, fala a si mesma: “Cármen, lembra, você faz direito, não milagres”.

    DIVISÃO NO STF

    Como mostrou a Folha de S.Paulo, o Supremo enfrenta uma divisão, com os ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin formando uma espécie de aliança para fazer frente à agenda de Edson Fachin na presidência da corte em meio às repercussões negativas da investigação sobre o caso Master.

    O quarteto se contrapõe a outro, formado por Cármen, Fachin e pelos ministros André Mendonça e Luiz Fux. O ministro Kassio Nunes Marques atua como um pêndulo entre os dois núcleos.

    Houve tensão também entre Cármen e Dino na sessão que tratou da escolha do novo governador do Rio de Janeiro.

    Cármen Lúcia reconhece tensão no STF em meio a caso Master e diz: 'Eu não faço nada errado'

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  • Eduardo Bolsonaro 'atrapalha' e direita deve focar em Lula, diz Ciro Nogueira

    Eduardo Bolsonaro 'atrapalha' e direita deve focar em Lula, diz Ciro Nogueira

    Ciro Nogueira criticou a postura de Eduardo Bolsonaro pelas brigas recentes com Nikolas Ferreira. Segundo o senador, a direita precisa reduzindo o peso da polarização e de “discussão inútil”

    O presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), afirmou nesta segunda-feira, 13, que o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) “atrapalha” ao travar disputas internos na direita e em não focar no combate ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Eduardo tem criticado publicamente o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), a quem acusa de dar pouco apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência.

    “Acho que atrapalha hoje em dia. O Eduardo, tenho um respeito, é um querido amigo, uma pessoa que tem a sua representatividade. Agora, nosso adversário aqui deste campo não é o Nikolas, não é o Eduardo, não são as pessoas que estão nessas discussões”, declarou o dirigente no evento HBR Summit Brasil 2026: Healthcare Management, em São Paulo.

    “Nosso adversário é o atraso do nosso País, é esse governo que não representa o que queremos para o futuro e acho que nós devemos centrar forças nisso”, continuou Ciro.

    Segundo o senador, a direita precisa voltar a centrar o discurso em temas como segurança, saúde, educação e competitividade, reduzindo o peso da polarização e de “discussão inútil”. A fala ocorre no momento em que a federação PP-União Brasil discute seu posicionamento para 2026 e mantém interlocução com Flávio Bolsonaro.

    Eduardo Bolsonaro 'atrapalha' e direita deve focar em Lula, diz Ciro Nogueira

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  • Flávio usa vídeo de fome da época do governo Bolsonaro para atacar Lula

    Flávio usa vídeo de fome da época do governo Bolsonaro para atacar Lula

    Flávio Bolsonaro decidiu criticar o governo Lula usando imagens de pessoas com fome revirando lixo para pegar alimentos, porém as imagens tinham sido feitas durante gestão do próprio pai; governistas reagem

    O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, usou imagens do governo de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), para criticar o governo Lula em seu perfil do X neste domingo, 12. A publicação causou reação de integrantes do governo.

    No vídeo, Flávio cita o endividamento das famílias e define a situação como uma “crise grave”. “Isso significa comer menos, significa panela vazia. E quase 20% desses brasileiros não estão conseguindo pagar nem a conta de água”, afirma, enquanto a imagem de fundo mostra cenas de 2021, em que pessoas recolhem alimentos em um caminhão de lixo em Fortaleza (CE). Na época, em meio à pandemia de covid-19, o material foi divulgado pelo jornal Folha de S.Paulo em reportagem sobre o avanço da fome no País.

    Em reação ao conteúdo, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou que as imagens correspondem ao período da gestão de Jair Bolsonaro. “E aí, Flávio Bolsonaro, vai se retratar?”, questionou no X. O vídeo segue publicado no perfil do senador.

    A ex-ministra da Secretaria de Relações Institucionais e pré-candidata ao Senado pelo Paraná, Gleisi Hoffmann (PT-PR), chamou a publicação de Flávio Bolsonaro de “micão”. “Fila do osso? Só se for no governo Bolsonaro. Quem precisa de inimigo com um filho desses, hein?”, escreveu no Instagram.

    Em junho de 2022, dados do 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia de covid-19 mostraram que mais de 33 milhões de pessoas não tinham o que comer no País durante o período pandêmico, patamares registrados pela última vez nos anos 1990. Em 2025, o Brasil voltou a deixar o Mapa da Fome da ONU, embora cerca de 7 milhões ainda enfrentem insegurança alimentar grave.

    Segundo pesquisa Datafolha divulgada neste sábado, 11, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece empatado tecnicamente com Flávio Bolsonaro. Pela primeira vez, o adversário supera numericamente o petista.

    Em uma possível disputa de segundo turno, Flávio teria 46% das intenções de voto, ante 45% de Lula. A diferença, no entanto, está dentro da margem de erro de dois pontos porcentuais para mais ou menos, o que configura empate técnico.

    Flávio usa vídeo de fome da época do governo Bolsonaro para atacar Lula

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  • Ramagem é preso pelo ICE, serviço de imigração dos Estados Unidos, diz PF

    Ramagem é preso pelo ICE, serviço de imigração dos Estados Unidos, diz PF

    Ex-deputado foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a uma pena de 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado; Ramagem estava foragido, vivendo nos Estados Unidos

    Nesta segunda-feira (13), a Polícia Federal informou que recebeu contato com autoridades norte-americanas indicando a prisão de Alexandre Ramagem, ex-deputado que foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a uma pena de 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.

    As autoridades do Brasil foram contactadas para dar prosseguimento aos trâmites de extradição do brasileiro. 

    Segundo informações da Polícia Federal, Ramagem foi preso em Orlando (Flórida) e levado a um centro de detenção do ICE na cidade. O motivo da detenção foram questões migratórias.

    “A prisão é fruto da cooperação internacional Brasil -Estados Unidos no combate ao crime organizado. Ramagem é um cidadão foragido da Justiça brasileira e, segundo autoridades norte-americanas, está em situação migratória irregular”, afirmou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.

    Ramagem nos Estados Unidos 

    Alexandre Ramagem deixou o Brasil após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a pena de 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. Antes do fim do processo na Corte, o ex-deputado deixou o Brasil de forma clandestina, atravessando a fronteira de Roraima com a Guiana para evitar a prisão, seguindo depois para os Estados Unidos.

     

    Ramagem é preso pelo ICE, serviço de imigração dos Estados Unidos, diz PF

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  • Lula enfrenta cenário de 1º turno mais apertado desde eleição de 2002

    Lula enfrenta cenário de 1º turno mais apertado desde eleição de 2002

    A seis meses do pleito, petista tinha vantagem maior sobre o principal opositor em todas as eleições que venceu; analistas apontam falta de marca de governo, polarização consolidada e a necessidade de ampliar a base eleitoral para além do petismo

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – O presidente Lula (PT) enfrenta, neste momento, o cenário de 1º turno mais apertado de todas as eleições em que saiu vencedor. Dados de pesquisas Datafolha, feitas a cerca de seis meses do pleito, nos anos de 2002, 2006 e 2022, mostram que a diferença do petista em relação ao seu principal opositor nunca foi tão estreita.

    Em 2002, primeira vez em que Lula foi eleito presidente da República, o político tinha, em 9 de abril, uma diferença de dez pontos percentuais do segundo colocado, o tucano José Serra.

    No pleito seguinte, quando se reelegeu, o petista estava, segundo pesquisa de junho, 17 pontos à frente de Geraldo Alckmin, então seu principal opositor pelo PSDB.

    Quando voltou para concorrer em 2022, em cenário já marcado pela polarização com o bolsonarismo, o petista tinha 48% das intenções de voto em maio daquele ano, frente a 27% de Jair Bolsonaro.

    Pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (11) mostra o político com 39% das intenções de voto no primeiro turno, seguido pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), com 35%. A margem de erro é de dois pontos para mais ou menos.

    “Esses dados são muito simbólicos porque mostram uma redução consistente da margem de liderança em comparação com os ciclos anteriores”, analisa o cientista político Elias Tavares.

    Segundo ele, o cenário é reflexo de um eleitorado mais dividido e um ambiente mais competitivo para o petista, que não conseguiu emplacar grandes marcas ou programas que o reconectassem com a população, como foi o “Fome Zero”, de combate à insegurança alimentar, no início dos anos 2000.

    “Em 2002, Lula vinha numa onda de mudança, com discurso novo e expectativa alta. Em 2006, mesmo com o desgaste do mensalão, ainda tinha uma liderança relativamente confortável. Em 2022, apesar da polarização, conseguiu sustentar uma vantagem consistente, muito também porque havia uma rejeição elevada ao Jair Bolsonaro, e o Lula soube ocupar esse espaço como principal contraponto a um governo que enfrentava insatisfação relevante naquele momento”, analisa Tavares.

    Segundo o especialista, a perda de folga obriga o pré-candidato, desgastado pelos longos anos na política, a “disputar o voto o tempo inteiro, sem margem para erro”.

    Pesa no cálculo também o fato de a oposição começar mais consolidada do que os adversários de anos anteriores, reflexo de uma “polarização mais imediata e com menos espaço para crescimento” para Lula, avalia Tavares.

    Bruno Bolognesi, cientista político e professor da UFPR (Universidade Federal do Paraná), também coloca na polarização parte da justificativa que gera cenário mais apertado para o petista, o que para o especialista torna o pleito imprevisível.

    Nesse contexto, afirma, ganha peso a exploração do voto útil, usado no segundo turno pelo eleitor mais para evitar que o opositor vença o pleito do que para apoiar um candidato. “É uma eleição em que o voto útil deve imperar de novo, o que é comum em países polarizados como Brasil e Estados Unidos.”

    Lula e Flávio têm índices de rejeição similares. Segundo o último Datafolha, o petista tem 48% de rejeição, contra 46% de Flávio. Os ex-governadores Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, e Ronaldo Caiado (PSD), de Goiás, têm 17% e 16% respectivamente, mas são menos conhecidos.

    Em 2022, marcado também pela polarização entre Lula e o bolsonarismo, o petista tinha rejeição menor, de 33% a 40%, frente a uma variação de 51% a 55% de Jair Bolsonaro (PL), segundo pesquisas Datafolha de maio a outubro daquele ano.

    Para Luis Gustavo Teixeira, doutor em ciência política e professor da Unipampa (Universidade Federal do Pampa), o cenário mais apertado para Lula reflete um governo marcado pelo desgaste e desidratação, além da “dificuldade de articular com uma base social e eleitoral mais ampla, para além das fronteiras do petismo”.

    Ainda assim, há espaço para movimentação a seu favor ao longo da corrida eleitoral, avalia Teixeira, sobretudo pela falta de experiência de Flávio Bolsonaro em um cargo no Executivo. “Enfrentar um processo eleitoral não é fácil, basta lembrar, por exemplo, o desmaio de Flávio no debate eleitoral para a prefeitura do Rio de Janeiro”, diz Teixeira, para quem pode pesar também contra o pré-candidato o escrutínio relacionado a acusações de corrupção.

    Flávio desmaiou durante um debate transmitido ao vivo na TV, em 2016, quando concorreu à Prefeitura do Rio. O vídeo foi recuperado nas redes sociais desde que o político anunciou ser pré-candidato à Presidência.

    Também é preciso considerar, na comparação entre os pleitos analisados, o alto número de votos em branco e de indecisos, parcela que pode ser decisiva para definir o rumo das eleições, avalia Teixeira.

    Para Antonio Lavareda, cientista político e sociólogo do Ipespe (Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas), o resultado da mais recente pesquisa aponta cenário em que Lula pode ser ultrapassado “caso a economia piore e a maré de escândalos ganhe maiores proporções”.

    Lavareda avalia que o maior problema do petista é no segundo turno, quando empata tecnicamente com os adversários em todos os cenários testados pelo Datafolha. Ele diz que Lula precisa de “uma gordura estatística de três ou quatro pontos de margem, por conta da abstenção diferenciada no seu caso, devido à concentração de seus votos na base da pirâmide social, onde está a maioria dos ausentes das urnas”.

    Para Luciana Chong, diretora-geral do Datafolha, a comparação entre as pesquisas aponta um cenário em que Lula tem menor vantagem mesmo sem dividir votos com outros nomes da esquerda. Ela compara com o quadro de 2002, que tinha mais candidatos considerados à época como alinhados ao campo, exemplo de Garotinho e Ciro Gomes.

    No pleito atual, a dispersão está na direita, com Flávio, Caiado, Zema e outros políticos de menor expressão. “Vamos ter que observar o comportamento dos eleitores que hoje estão votando nos pré-candidatos de direita [fora Flávio Bolsonaro], que somados têm 13% das intenções de voto”, afirma.

    Já a favor de Lula pesaria o fato de ele estar na Presidência, uma vez que as pesquisas mostram que o candidato à reeleição tende a melhorar sua avaliação à medida que o pleito avança, diz Chong.

    O resultado de abril de 2026 vem de pesquisa Datafolha feita com 2.004 pessoas de 16 anos ou mais em 137 cidades, de terça (7) a quinta (9). Ela está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com o código BR-03770/2026.

    Lula enfrenta cenário de 1º turno mais apertado desde eleição de 2002

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  • 59% defendem prisão domiciliar de Bolsonaro e 37% querem volta ao regime anterior, aponta Datafolha

    59% defendem prisão domiciliar de Bolsonaro e 37% querem volta ao regime anterior, aponta Datafolha

    No último dia 27, o ex-presidente foi transferido para sua casa após o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes determinar a prisão domiciliar temporária por 90 dias. Depois desse período, Moraes poderá prorrogar a prisão domiciliar ou determinar que Bolsonaro volte para a Papudinha

    (CBS NEWS) – A maior parte dos brasileiros, 59%, afirma que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deveria cumprir pena em sua casa em vez de voltar para a prisão, segundo pesquisa Datafolha.

    Os que dizem que Bolsonaro deve voltar para a prisão somam 37%, enquanto 5% não souberam responder. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

    O Datafolha ouviu 2.004 pessoas em 137 cidades do país entre terça-feira (7) e quinta-feira (9) de abril. A pesquisa foi registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-03770/2026.

    No último dia 27, o ex-presidente foi transferido para sua casa após o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes determinar a prisão domiciliar temporária por 90 dias. Depois desse período, Moraes poderá prorrogar a prisão domiciliar ou determinar que Bolsonaro volte para a Papudinha.

    Condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por participação na trama golpista após perder a eleição de 2022, Bolsonaro cumpria pena no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, até ser internado no último dia 13.

    O ex-presidente foi diagnosticado com broncopneumonia bacteriana nos dois pulmões causada por aspiração, devido a suas crises de soluço. Diante disso, a defesa de Bolsonaro apresentou novo pedido de prisão domiciliar, enquanto Michelle Bolsonaro (PL), Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) tiveram reuniões com Moraes para reforçar o pleito, que acabou sendo atendido pelo ministro.

    A porcentagem de quem diz que Bolsonaro deveria permanecer em casa é de 61% entre quem tem mais de 60 anos e chega a 81% entre empresários. Já quem defende que o ex-presidente cumpra pena na prisão soma 44% entre jovens de 16 a 24 anos e 42% entre desempregados.

    Entre moradores do Nordeste, 48% querem a prisão domiciliar e 47% querem a prisão comum, com quatro pontos de margem de erro, o que configura empate técnico.

    Há variação também conforme a posição política declarada pelo entrevistado. Os que se classificam como de centro têm 53% a favor da domiciliar e 41% pela volta à Papudinha. Entre os mais bolsonaristas, 94% defendem a prisão domiciliar e 3% não o fazem. Já entre os mais petistas, 28% preferem o ex-presidente em casa e 68% querem a volta da prisão.

    Quando consideramos quem pretende votar em Lula (PT) neste ano, 30% defendem a prisão domiciliar e 66% querem a volta à prisão. Os eleitores declarados de Flávio Bolsonaro pensam diferente, são 93% a favor de que o pai do senador cumpra pena em casa e somente 5% afirmam que ele deve voltar para a Papudinha.

    Já os eleitores de Ronaldo Caiado (PSD) se dividem entre 80% pela permanência de Bolsonaro em casa e 15% pela volta dele à prisão.

    Moraes concedeu a prisão domiciliar a Bolsonaro em caráter humanitário e temporário. O descumprimento das medidas cautelares poderá acarretar a volta para o regime fechado, alertou o ministro.

    Bolsonaro é obrigado a usar tornozeleira eletrônica e está proibido de usar as redes sociais ou de gravar áudios ou vídeos. Também foram proibidas aglomerações em um raio de um quilômetro de distância da sua casa.

    O ex-presidente pode receber os filhos, mas sob os mesmos horários e regras da Papudinha, que prevê visitas às quartas e sábados, entre 8h e 16h. Os advogados podem visitá-lo todos os dias, por 30 minutos, mas precisam agendar previamente com a Polícia Militar. Já os médicos do ex-presidente têm acesso livre.

    Outras visitas estão proibidas dentro desses 90 dias para preservar a saúde de Bolsonaro e evitar infecções, segundo a decisão de Moraes. Nesse ponto, as regras são mais restritas do que na Papudinha, onde o ex-presidente recebia aliados para discutir o cenário eleitoral. Por isso, como mostrou a Folha, a defesa estuda recorrer.

    O levantamento do Datafolha, divulgado no sábado (11), mostrou ainda que Lula perdeu vantagem em um segundo turno da eleição deste ano.

    Ele foi ultrapassado numericamente pela primeira vez por Flávio, que atingiu 46% ante 45% do petista. Quando o rival é Caiado ou Romeu Zema (Novo), o mandatário marca 45% a 42%. Todos os resultados configuram empates dentro da margem de erro.

    59% defendem prisão domiciliar de Bolsonaro e 37% querem volta ao regime anterior, aponta Datafolha

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  • Caiado deixa cargo em Goiás com ao menos 10 parentes no governo

    Caiado deixa cargo em Goiás com ao menos 10 parentes no governo

    No total, aparecem 50 Caiados na folha de pagamento do estado de março -somando as remunerações, são mais de R$ 650 mil por mês. O grupo inclui servidores reformados, aposentados, pensionistas, efetivos, temporários e comissionados

    (CBS NEWS) – Nascer Caiado em Goiás é um bom começo. O ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) deixou o posto no último dia 31, mas pelo menos 10 parentes seus ficaram em cargos comissionados.

    No total, aparecem 50 Caiados na folha de pagamento do estado de março -somando as remunerações, são mais de R$ 650 mil por mês. O grupo inclui servidores reformados, aposentados, pensionistas, efetivos, temporários e comissionados. Se considerarmos familiares com outros sobrenomes, cresce ainda mais.

    A reportagem filtrou 10 parentes comissionados, que são funcionários nomeados livremente por uma autoridade para exercer funções de direção, chefia ou assessoramento, sem necessidade de concurso público, além de três familiares alocados em uma entidade que tem parceria com o estado.

    Dos 10 nomes identificados pela reportagem, 9 são primos e 1 é marido de prima do ex-governador.

    Adriano da Rocha Lima, primo de Caiado, é um deles. Assessor na Secretaria de Relações Institucionais, é cotado para ser vice na chapa do atual governador de Goiás, Daniel Vilela (MDB), que assumiu depois que Caiado lançou sua pré-candidatura à Presidência pelo PSD.

    Como outros da lista, Lima argumenta que é um primo distante do presidenciável. “Eu nem sei contar qual é o grau de parentesco”, diz. Outro exemplo é a prima Andrea Parrode da Rocha Lima Dantas, chefe de gabinete na Secretaria de Estado de Esporte e Lazer.

    Juliana Ramos Caiado, prima do ex-governador, é assessora especial na Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social.

    Paulo Henrique Caiado Canedo, também primo, é conselheiro do CAT (Conselho Administrativo Tributário), vinculado à Secretaria de Estado da Economia, e assessor na Assembleia Legislativa de Goiás.

    Outro primo, Jorge Luiz Ramos Caiado Júnior, é chefe de Gabinete na Secretaria de Estado da Administração.

    Ronaldo Caiado afirma que “todas as contratações mencionadas foram previamente analisadas pela Procuradoria-Geral do Estado e estão em total conformidade com a legislação vigente e com a súmula vinculante nº 13, do STF (Supremo Tribunal Federal)”.

    Para especialistas, os casos apurados entram em brechas na lei que classifica o nepotismo, porque primo é considerado parente de 4º grau, mas é possível questionar o comportamento na Justiça. Para ser considerado nepotismo, a nomeação deve ser de cônjuges, companheiros e parentes de até 3º grau em funções de confiança ou cargos em comissão.

    Outra brecha explorada pelo governador foi a nomeação de pessoa ligada à família no chamado cargo político de primeiro escalão, caso dos secretários em governos estaduais. Nesse tipo de cargo, o STF já entendeu poder haver a nomeação de parentes.

    No governo de Caiado, Cesar Augusto de Sotkeviciene Moura, casado com uma prima do político, foi colocado à frente da Secretaria de Estado da Retomada. A reportagem tentou falar com Moura, que não respondeu.

    Segundo os especialistas em direito administrativo Leandro Mello Frota, membro do IAB (Instituto dos Advogados Brasileiros), e Manoel Peixinho, professor da PUC-Rio, ainda que dentro das exceções previstas em lei, os casos podem gerar ações na Justiça sob o argumento de violação de princípios constitucionais de moralidade, impessoalidade e eficiência.

    “Estamos falando de dinheiro público e de funções importantes para a vida da sociedade. É importante olhar as atitudes do governante, que, embora não estejam, em um primeiro momento, praticando nepotismo, podem estar afrontando outros princípios da Constituição”, diz Mello Frota.

    *
    ENTIDADE COM CONTRATO COM GOVERNO TEM MAIS PARENTES DE GRACINHA E CAIADO
    Na folha de pagamento da OVG (Organização das Voluntárias de Goiás), entidade sem fins lucrativos que tem parceria com o governo de Goiás, está a esposa de um primo de Caiado e dois sobrinhos da ex-primeira-dama Gracinha Caiado.
    A entidade recebeu, no último aditivo, 70% a mais de repasse do Estado, se comparado ao ano anterior. Foi um salto de R$ 434 milhões no orçamento referente ao período de julho de 2024 a junho de 2025 para R$ 738 milhões de julho de 2025 a junho de 2026.
    A presidência de honra da organização foi, até o último dia 31, de Gracinha, agora pré-candidata ao Senado pelo União Brasil. O cargo é voluntário e sem remuneração.
    Uma das sobrinhas de Gracinha, Roberta Wendorf de Carvalho, é diretora na OVG e recebe R$ 28.739,50.
    O segundo sobrinho é Décio Agrário Calazans Wendorf de Carvalho, que consta como assessor especial na OVG, com salário de R$ 19.480,67. Ele também é membro do conselho do Departamento Estadual de Trânsito, com remuneração de R$ 4.800.
    A diretoria geral da OVG fica por conta de Adryanna Leonor Melo de Oliveira Caiado, com salário de R$ 40,5 mil, que é casada com um primo do ex-governador.
    Adryanna também preside o conselho de administração da Companhia de Investimentos e Parcerias do Estado de Goiás, a Goiás Parcerias, que é uma sociedade de economia mista vinculada ao estado, com remuneração de R$ 17,3 mil por mês. Na Saneago, de saneamento, é conselheira administrativa, com vencimentos de R$ 9,8 mil. No total, ela recebe R$ 67,6 mil por mês.
    Em nota, a OVG afirma que o nome de Adryanna foi aprovado pelo conselho de administração da organização e que, sob sua gestão, a entidade teve crescimento histórico. A diretora afirma que “tem quase 30 anos de serviço público em Goiás” e que sua formação e experiência “no Estado foram fatores determinantes para a ocupação da diretoria-geral da OVG e dos cargos nos dois conselhos”.
    Gracinha diz que, no período em que foi presidente de honra da OVG, “liderou o maior programa de superação da pobreza da história de Goiás”. A entidade realiza em parceria com o estado programas sociais como distribuição de alimentos e acolhimento a grávidas, crianças e idosos.
    Caiado também afirma que “todos os servidores mencionados exercem regularmente suas funções, possuem qualificação técnica compatível com os cargos que ocupam e desempenham suas atribuições sem qualquer irregularidade ou prejuízo à administração pública”.

    PARENTES DE RONALDO CAIADO NO GOVERNO
    1- Adriano da Rocha Lima, primo: assessor na Secretaria de Relações Institucionais
    2- Andrea Parrode da Rocha Lima Dantas, prima: chefe de gabinete na Secretaria de Estado de Esporte e Lazer
    3- Antonio Lopes Xavier Nunes, primo: assessor na Secretaria de Estado de Segurança Pública
    4- Cesar Augusto de Sotkeviciene Moura, marido da prima: secretário de Estado na Secretaria de Estado da Retomada
    5- Jorge Luiz Ramos Caiado Júnior, primo: chefe de Gabinete na Secretaria de Estado da Administração
    6- Juliana Ramos Caiado, prima: assessora especial na Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social
    7- Leoni di Ramos Caiado Neto, primo: superintendente de Reintegração Social e Cidadania da Polícia Penal
    8- Marlon Antonio Santos Ramos Caiado, primo: assessor especial da governadoria
    9- Patricia Mundim Caiado, prima: assessora na Secretaria de Estado da Saúde
    10- Paulo Henrique Caiado Canedo, primo: conselheiro do CAT (Conselho Administrativo Tributário), vinculado à Secretaria de Estado da Economia, e assessor na Assembleia Legislativa de Goiás

    PARENTES DE GRACINHA E CAIADO NA OVG
    1- Adryanna Leonor Melo de Oliveira Caiado, casada com primo de Caiado: diretora geral da OVG, preside o conselho de administração da Goiás Parcerias e é conselheira administrativa na Saneago
    2- Roberta Wendorf de Carvalho, sobrinha de Gracinha Caiado: diretora na OVG
    3- Décio Agrário Calazans Wendorf de Carvallho, sobrinho de Gracinha Caiado: assessor especial na OGV e membro do conselho do Departamento Estadual de Trânsito
    Colaboraram Evelyn Aires, Iran Alves, Gabriel Serpa, Guilherme Matos, Malu Araujo, Mariana Grasso e Richard Henrique

    Caiado deixa cargo em Goiás com ao menos 10 parentes no governo

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