Categoria: POLÍTICA

  • Kassab: 'Nós não abrimos mão do voto distrital'

    Kassab: 'Nós não abrimos mão do voto distrital'

    Presidente do PSD afirma que mudança para o voto distrital pode ser aprovada ainda neste ano, com validade a partir de 2030, e critica influência política em agências reguladoras e o alto volume de recursos destinados às emendas parlamentares

    O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, afirmou que a sigla “não abre mão” da proposta de mudança do sistema eleitoral proporcional para o distrital e disse que o tema avançou significativamente nos últimos anos. Segundo ele, a tramitação deve ganhar ritmo nas próximas semanas no Congresso.

    “É muito possível que, nos próximos dois meses, o presidente da Câmara, Hugo Motta, esteja compondo a comissão que vai encaminhar esse projeto. Não acho difícil votar ou aprovar ainda neste ano, porque não afeta esta eleição. A vigência seria apenas a partir de 2030”, disse Kassab em entrevista ao Canal Livre, da Band.

    Atualmente, deputados e vereadores são eleitos pelo sistema proporcional, que leva em conta o desempenho dos partidos e coligações. No modelo distrital, os eleitores votam em candidatos que disputam dentro de um distrito específico, e o mais votado em cada região garante a vaga.

    “Nós não abrimos mão do voto distrital. Esse é um dos grandes problemas do Brasil. Há falta de legitimidade dos parlamentares, as pessoas muitas vezes nem lembram em quem votaram, e o eleito por uma região não volta mais. O voto distrital traz mais qualidade na fiscalização do representante”, afirmou.

    Kassab também defendeu mudanças no processo de indicação para as agências reguladoras. Para ele, é preciso “elevar o sarrafo” na escolha dos nomes. Na avaliação do dirigente, essas instituições se tornaram “reféns da política, dos partidos e dos parlamentares”, o que, segundo ele, prejudica a qualidade das concessões no país.

    Outro alvo de críticas foram as emendas parlamentares. Kassab classificou o volume atual de recursos como excessivo e questionou o modelo de distribuição. “É uma excrescência. Não faz sentido ter R$ 70 bilhões destinados a emendas parlamentares. Com esse valor, seria possível construir, em São Paulo, duas linhas de metrô por ano”, disse. Para ele, caso o mecanismo seja mantido, é necessário haver mais transparência e vinculação a programas do governo federal. 
     

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  • Estratégia de Fachin para código de conduta no STF divide até ministros favoráveis à ideia

    Estratégia de Fachin para código de conduta no STF divide até ministros favoráveis à ideia

    Proposta de Edson Fachin para criar um código de ética no STF tem apoio majoritário, mas enfrenta resistências internas sobre o momento do debate, em meio a questionamentos públicos e à crise de imagem da corte

    (CBS NEWS) — A iniciativa do presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, de avançar com a criação de um código de ética para a corte tem provocado divisões internas, inclusive entre ministros que defendem a adoção de regras de conduta.

    Em avaliações reservadas, Fachin indicou contar com o apoio da maioria dos dez ministros atualmente no tribunal para levar adiante a proposta, que se tornou uma das principais bandeiras de sua gestão. Ainda assim, mesmo entre os favoráveis à ideia, há dúvidas sobre o momento escolhido para o debate.

    A preocupação de parte dos ministros é que a discussão fragilize ainda mais o STF em meio a uma crise de imagem e intensifique ataques externos, especialmente num contexto em que integrantes da corte enfrentam questionamentos públicos sobre suas condutas. Para esse grupo, o tema poderia ser interpretado como uma reação defensiva às críticas.

    Apesar disso, a criação de um código é vista com bons olhos por alas distintas do tribunal. Além de Fachin, nomes como Cármen Lúcia, escolhida para relatar a proposta, Cristiano Zanin, Luiz Fux, André Mendonça e Flávio Dino são apontados como receptivos à iniciativa. Estão nesse grupo ministros que já estiveram em campos opostos em decisões relevantes, como no julgamento que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.

    Mesmo assim, Fachin terá de lidar com resistências também entre apoiadores da ideia. Alguns magistrados passaram a avaliar que o debate, neste momento, pode reforçar acusações externas em vez de neutralizá-las. Diante disso, o presidente da corte passou a considerar a possibilidade de adiar a discussão mais concreta para depois das eleições, ganhando tempo para ampliar o diálogo e consolidar apoios.

    O avanço do tema esbarra ainda em dificuldades práticas. Com o recesso do Judiciário, os ministros ficaram mais de 40 dias sem reuniões conjuntas, e um almoço previsto para aprofundar o debate foi cancelado. Na retomada dos trabalhos, Fachin comunicou oficialmente a escolha de Cármen Lúcia como responsável pela elaboração do texto e iniciou conversas individuais, mas sem aprofundar o conteúdo da proposta.

    Outro fator de hesitação é a ausência de um texto formal. Ao menos três ministros, com posições distintas sobre o tema, avaliam que a discussão ainda ocorre em nível abstrato, sem parâmetros claros sobre o alcance das regras.

    Para uma ala mais simpática ao código, a medida seria uma resposta institucional à crise de imagem agravada por episódios recentes, como os desdobramentos da investigação envolvendo o Banco Master. O caso inclui um contrato milionário firmado pelo escritório da esposa do ministro Alexandre de Moraes e a participação de empresas ligadas a familiares de Dias Toffoli em negócios associados à instituição financeira.

    Na primeira sessão plenária de 2026, Toffoli defendeu que juízes podem ser sócios de empresas, desde que não exerçam funções de gestão. Moraes, por sua vez, afirmou que ministros não julgam processos nos quais tenham interesse pessoal e criticou o que chamou de demonização de palestras e atividades externas. Ele também declarou que a Constituição e a Lei Orgânica da Magistratura Nacional seriam suficientes para regular a atuação dos magistrados, posição vista internamente como uma crítica indireta à proposta de Fachin.

    A mesma referência à Loman vem sendo feita pelo decano da corte, Gilmar Mendes, que sustenta que o país já dispõe de normas adequadas para balizar a atuação do Judiciário.

    Entre os argumentos favoráveis à criação do código está um estudo da Fundação FHC citado por interlocutores de Fachin. O trabalho aponta a necessidade de fortalecer a reputação pública dos magistrados e sugere a adoção de um código de conduta com regras sobre imparcialidade, integridade e honestidade, além de diretrizes para manifestações públicas, participação em eventos e períodos de quarentena após a saída da corte.

    O estudo também propõe normas mais claras sobre suspeição e impedimento, situações em que ministros devem se afastar de julgamentos por conflito de interesses. A Loman, vale lembrar, é anterior à Constituição de 1988 e foi sancionada em 1979, durante a ditadura militar.

    Estratégia de Fachin para código de conduta no STF divide até ministros favoráveis à ideia

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  • Gasto da Câmara com viagens aumenta 78% no primeiro ano de Motta

    Gasto da Câmara com viagens aumenta 78% no primeiro ano de Motta

    Levantamento mostra aumento expressivo das despesas com viagens oficiais, impulsionado por mais missões internacionais, reajuste nas diárias e maior participação do Congresso em fóruns globais. Lisboa, Nova York e Londres lideram a lista de destinos bancados pela Câmara

    (CBS NEWS) – O gasto da Câmara dos Deputados com o pagamento de diárias para alimentação e hospedagem de parlamentares em viagens oficiais aumentou 78% no primeiro ano da gestão de Hugo Motta (Republicanos-PB) e passou de R$ 2,1 milhões, em 2024, para R$ 3,8 milhões, em 2025.

    A variação não considera a inflação no período, que foi de cerca de 5%. Dados compilados obtidos pela Folha indicam que 202 dos 513 deputados federais pediram o benefício em 2025, ante 153 no ano anterior, fazendo com que o total de diárias também subisse de 876 para 1.482.

    Têm em comum, nos dois anos, alguns dos principais cartões postais do mundo, como Londres, Roma, Genebra, Nova York e Buenos Aires. No ranking dos dez principais destinos, nenhum brasileiro.

    Palco do “Gilmarpalooza”, como ficou conhecido o Fórum Jurídico capitaneado pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes, Lisboa aparece no topo da lista. Em 2024, a Câmara pagou diárias até a capital portuguesa para 33 deputados federais; em 2025, para 42.

    No ano passado, uma edição inédita do “Gilmarpalooza” também motivou a ida de parlamentares para a capital da Argentina.

    Já Nova York e Londres viraram polos de atração por conta, respectivamente, do roteiro conhecido como Brazil Week e do fórum empresarial Lide, organizado pelo ex-governador de São Paulo João Doria.

    No ano anterior, o Fórum Esfera Internacional, promovido pelo grupo Esfera Brasil, colocou a Itália na rota das autoridades brasileiras.

    Apesar de milionário, o valor das diárias inclui apenas pequenas despesas de transporte local, como táxis, mas não o gasto com passagens aéreas ou, no caso do presidente Hugo Motta, com o uso de aviões da FAB (Força Aérea Brasileira).

    O deputado federal Cláudio Cajado (PP-BA), por exemplo, recebeu R$ 40 mil para pagar as passagens até o Uzbequistão, em abril do ano passado, além de R$ 12 mil em diárias, para participar da assembleia da UIP (União Interparlamentar), organização que reúne 178 Parlamentos.

    Cajado diz que integra a Comissão de Relações Exteriores há anos e é hoje vice-presidente do Brasil da UIP, além de membro do comitê executivo mundial. O deputado afirma que os países integrantes precisam participar das atividades “marcando posição, debatendo e votando as matérias”.

    “Fui eleito para um mandato na UIP por quatro anos e não represento a mim próprio, mas o Brasil e os países que integram o grupo geopolítico [da América Latina e Caribe]”, diz, destacando que as missões a que se dedica são sempre institucionais, oficiais e autorizadas.

    O presidente da Câmara, recordista de viagens no ano passado, diz que o aumento de despesas com missões oficiais deve ser entendido dentro do contexto “de crescente apelo pela chamada diplomacia parlamentar”, além do maior protagonismo do Congresso.

    Ele afirma que o estado de tensão e incerteza mundial faz com que seja ainda mais importante que todos estejam mais bem informados e conectados e que, por isso, é natural que os deputados “interajam mais com suas contrapartes estrangeiras”.

    Motta também destaca que o Congresso exerceu a presidência do P20 (G20 dos Parlamentos) em 2024 e do Fórum Parlamentar do Brics em 2025. “Essa condição de liderança também eleva a atenção de parceiros estrangeiros para os trabalhos do Parlamento brasileiro, com a consequente demanda por contatos”, diz.

    O valor das diárias foi reajustado em 60% em abril de 2024 pelo então presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), subindo para US$ 391 (cerca de R$ 2040) para países da América do Sul, US$ 428 (aproximadamente R$ 2233) para os demais e R$ 842 para viagens nacionais. O presidente ganha um valor maior: US$ 428, US$ 550 (por volta de R$ 2869) e R$ 981, respectivamente.

    O deputado federal Murilo Galdino (Republicanos-PB) participou de cinco missões oficiais em 2025 e recebeu R$ 55 mil em diárias –o quarto maior valor pago pela Câmara no ano. Galdino diz que foi a todas as agendas na condição de presidente da Comissão Especial da Nova Lei dos Portos.

    “Foram necessárias algumas viagens e deslocamentos para conhecer a realidade portuária de outros países”, diz, acrescentando que há total transparência e que a análise de gastos públicos deve sempre observar o propósito e o resultado, não só o valor.

    Todos os parlamentares procurados apresentaram diferentes justificativas para a necessidade das missões. O deputado federal Pedro Paulo (PSD-RJ) diz que tem recebido muitos convites por ser o relator da reforma administrativa. No 

    Fórum Jurídico de Lisboa do ano passado, por exemplo, afirma que foi o palestrante do primeiro debate.

    “Quando recebo esses convites, eu não aceito que paguem a passagem. Eu prefiro que seja um gasto [da Câmara] do que um patrocínio de empresa, entendeu? É uma escolha de compliance minha”, diz.

    Recordista de viagens em 2024, Zé Vitor (PL-MG) foi um dos participantes do Fórum Esfera Internacional em Roma. Todas as outras viagens, segundo ele, se deram em razão da Frente Parlamentar do Etanol, da qual é presidente.

    O deputado afirma que também foi à 29ª COP (Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas), em Baku (Azerbaijão), como membro da Comissão de Meio Ambiente.

    “Não viajo a passeio nem para participar do ‘Gilmarpalooza’. Quando eu piso fora do Brasil em nome da Câmara, é para trabalhar e poder representar o setor produtivo”, diz, acrescentando ter feito visitas técnicas sobre a produção de açúcar a partir de beterraba, por exemplo.

    O deputado federal Lucio Mosquini (MDB-RO) teve o terceiro maior gasto de 2024, com R$ 37 mil. Ele participou de três missões oficiais –para Lisboa, onde participou do “Gilmarpalooza”, Roma e Guayaramerín (Bolívia).

    “O deputado, no ano de 2023/2024, foi membro da Mesa Diretora, e as viagens foram todas a serviço da Câmara dos Deputados. No ano de 2025, não houve viagem”, disse, em nota, em referência ao cargo de quarto secretário.

    Já a deputada federal Bia Kicis (PL-DF) recebeu R$ 36 mil em diárias e outros R$ 22 mil em passagens para participar de três missões oficiais em 2024 –dentre elas, a eleição do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

    A deputada diz que o nome dela “é lembrado quando se trata da defesa dos direitos humanos”, em uma referência aos casos de bolsonaristas acusados de tentativa de golpe.

    Uma das agendas daquele ano foi uma audiência pública intitulada “Brasil: crise da democracia, da liberdade e do Estado de Direito”. “Fui convidada a participar de várias missões oficiais e fóruns internacionais pelo reconhecimento do meu trabalho na defesa da liberdade e contra violações de direitos”, diz.

    O deputado João Carlos Bacelar (PL-BA) foi procurado, mas não quis se manifestar. Bacelar foi o segundo deputado que mais gastou em 2024 e o terceiro em 2025.

    Gasto da Câmara com viagens aumenta 78% no primeiro ano de Motta

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  • Morre aos 84 anos Paulo Saldanha, ex-deputado estadual de MS

    Morre aos 84 anos Paulo Saldanha, ex-deputado estadual de MS

    A causa da morte não foi divulgado, nem há informação de que ele estivesse doente. A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) confirmou a morte do empresário, advogado e professor, que também foi conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de MS

    SÃO PAULO, SP (UOL/CBS NEWS) – O ex-deputado estadual de Mato Grosso do Sul Paulo Saldanha morreu neste domingo (8) aos 84 anos em Ponta Porã (MS). O velório acontece na Câmara Municipal da cidade. O sepultamento está previsto para as 16h.

    O motivo da morte não foi divulgado, nem há informação de que ele estivesse doente. A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) confirmou a morte do empresário, advogado e professor, que também foi conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de MS.

    O presidente da OAB, Bitto Pereira, lamentou. “Dr. Saldanha foi um grande amigo, com quem eu tive a honra e o privilégio de conviver. Teve uma carreira irretocável, era respeitado e admirado por todos os seus pares”, afirmou, em nota. “Externo as mais sinceras condolências a todos os familiares.”

    Paulo Roberto Capiberibe Saldanha nasceu em Ponta Porã em 24 de janeiro de 1942. Formou-se em direito pela Universidade Federal do Paraná, em 1969, e estudou Desenvolvimento Social, Político e Econômico dos EUA e da América Latina na Universidade de Harvard em 1967.

    Saldanha foi eleito deputado estadual por dois mandatos consecutivos pela Arena, partido que apoiava a ditadura. O primeiro foi em 1974, ainda pelo Mato Grosso, e em 1978, já pelo Mato Grosso do Sul, criado após a divisão do território, no ano anterior.

    No Legislativo, atuou em diversas frentes. Foi presidente da Comissão de Constituição e Justiça, comandou a Mesa Diretora e foi deputado constituinte quando o Mato Grosso do Sul virou estado.

    Por lá, foi vice-presidente da Comissão Constitucional e presidente da Comissão de Constituição e Justiça. Com a criação do Tribunal de Contas do Estado, em março de 1980, compôs o primeiro conselho deliberativo do órgão, deixando o Parlamento estadual.

    No TCE-MS também foi destaque. Ajudou a criar o regimento interno, foi vice-presidente, presidente e corregedor. Ele se aposentou do TCE em janeiro de 2012.

    O Tribunal de Contas se une ao luto e rende homenagem à memória de quem ajudou a construir os alicerces desta instituição”, disse o TCE-MS, em nota.

    Morre aos 84 anos Paulo Saldanha, ex-deputado estadual de MS

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  • Senador Otto Alencar coloca marca-passo após se sentir mal na Bahia

    Senador Otto Alencar coloca marca-passo após se sentir mal na Bahia

    Otto é médico ortopedista e está com 78 anos. Ele é o atual presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e um dos aliados do governo Lula na Casa

    SÃO PAULO, SP (UOL/CBS NEWS) -; O senador Otto Alencar (PSD-BA) precisou passar por um procedimento cardíaco neste domingo (8), em Salvador, após se sentir mal em uma agenda pública em Lapão (BA).

    Otto Alencar colocou um marca-passo, de forma preventiva, após procedimento cirúrgico em Salvador. O senador foi internado no Hospital Aliança, na capital baiana, após exames médicos identificarem uma bradicardia (frequência cardíaca lenta).

    Assessoria diz que senador está bem, clinicamente estável. Ele está em observação na UTI cardíaca e, segundo boletim médico, a colocação do marca-passo foi uma medida preventiva.

    Otto é médico ortopedista e está com 78 anos. Ele é o atual presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e um dos aliados do governo Lula na Casa.

    Senador Otto Alencar coloca marca-passo após se sentir mal na Bahia

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  • 'Tarcisão do asfalto' acumula atrasos, derrotas no TCE e baixo investimento em estradas

    'Tarcisão do asfalto' acumula atrasos, derrotas no TCE e baixo investimento em estradas

    Ex-ministro da Infraestrutura e atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas enfrenta entraves em licitações bilionárias, suspensões determinadas pelo Tribunal de Contas e execução orçamentária abaixo do previsto no DER, o que gera desgaste político e frustra aliados às vésperas do período eleitoral

    (CBS NEWS) O ex-ministro da Infraestrutura e atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), eleito em 2022 sob o apelido de “Tarcisão do Asfalto”, chega às vésperas do período eleitoral com um histórico de entraves no setor rodoviário, área apontada como uma de suas principais vitrines de gestão.

    O apelido foi criado durante a campanha para associar o então candidato à imagem de um executor eficiente de obras. Embora tenha conseguido destravar o principal projeto do setor, a retomada do trecho norte do Rodoanel, as licitações mais relevantes elaboradas por sua equipe enfrentaram sucessivos obstáculos ao longo dos três primeiros anos de mandato, gerando desgaste político, sobretudo com aliados no interior do estado.

    Em 2025, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER), responsável pelas obras rodoviárias, suspendeu licitações que, somadas, ultrapassariam R$ 5 bilhões em investimentos. O órgão encerrou o ano aplicando apenas 30,6% do orçamento previsto, pouco mais de R$ 1,1 bilhão de um total de R$ 3,6 bilhões. Para 2026, o orçamento destinado ao DER caiu para R$ 2,2 bilhões.

    As suspensões resultaram em obras que deixaram de sair do papel e provocaram insatisfação entre prefeitos e deputados estaduais, que esperavam utilizar esses projetos como vitrine eleitoral. Diante das dificuldades de articulação política, Tarcísio promoveu, no fim de janeiro, uma troca no comando da área, na tentativa de reduzir ruídos com aliados.

    Auxiliares próximos ao governador afirmam, no entanto, que o ambiente adverso não deve comprometer seu desempenho eleitoral. Eles citam como trunfos a entrega do Rodoanel, a expansão de linhas de metrô e o avanço de promessas como o trem entre São Paulo e Campinas e o túnel entre Santos e Guarujá.

    Procurado, o governo estadual defendeu suas ações e afirmou ter destravado obras paralisadas e reformulado projetos inacabados de gestões anteriores, destacando compromisso com eficiência administrativa e segurança jurídica.

    Os recursos do DER são direcionados principalmente a obras de conservação, como recapeamento e sinalização, e de ampliação, incluindo duplicações e pavimentação de estradas não concedidas. Atualmente, cerca de 9.800 quilômetros de rodovias estão sob responsabilidade do órgão, enquanto aproximadamente 6.800 quilômetros são administrados por concessionárias privadas.

    Parte das intervenções ocorre em rodovias concedidas à iniciativa privada. Integrantes do governo avaliam que, nesses casos, eventuais ganhos eleitorais são neutralizados por críticas ao sistema de pedágio free flow, tema que levou o governador a recuar da instalação de ao menos dez pontos de cobrança no ano passado.

    As suspensões de licitações ocorreram em meio a um ambiente de tensão entre o DER e o setor da construção civil. Empresários relataram à Folha, ao longo de 2024 e 2025, insatisfação com exigências técnicas consideradas inviáveis em alguns editais. As licitações de maior valor motivaram questionamentos no Tribunal de Contas do Estado (TCE), que determinou diversas paralisações. O governo afirma que suspensões para adequação às recomendações são previstas em lei e foram prontamente atendidas.

    Um caso simbólico ocorreu em 2023, quando a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística prometeu a abertura de uma estrada de cinco quilômetros na comunidade Quilombo dos Bombas, em Iporanga. O edital foi lançado em novembro de 2024, suspenso no mês seguinte e a obra só começou em junho de 2025, com previsão de conclusão para o fim deste semestre.

    Outra contratação de grande porte, prevista em 2024, era um edital de R$ 4,3 bilhões para conservação de rodovias em 30 lotes. O processo foi paralisado em outubro de 2025 após questionamentos do TCE e relançado em janeiro por R$ 4,7 bilhões. Uma licitação adicional de R$ 915 milhões para manutenção de pistas e sinalização também foi suspensa.

    Em um dos episódios apontados como falha técnica, o DER contratou, em janeiro de 2025, uma empresa para melhorias em um trecho da rodovia Raposo Tavares que já estava sob concessão privada. O contrato, de R$ 1,8 milhão, precisou ser extinto.

    Em nota, o governo informou que a área de engenharia do DER concluiu projetos executivos com estimativa de R$ 3,7 bilhões em investimentos, abrangendo 363 quilômetros de rodovias. A gestão afirma ainda ter reformulado, licitado e executado 51 projetos desde 2023 e revisado 76 obras herdadas de administrações anteriores, gerando economia de aproximadamente R$ 218 milhões.

    Segundo o governo, o programa SP para Toda Obra reúne cerca de 1.500 projetos, com investimento total superior a R$ 30 bilhões, em mais de 21 mil quilômetros de vias, e trata a infraestrutura como política de Estado, com planejamento integrado, critérios técnicos e transparência.
     

     
     

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  • Lula procura partidos do centrão e quer vice do MDB para isolar Flávio Bolsonaro

    Lula procura partidos do centrão e quer vice do MDB para isolar Flávio Bolsonaro

    A ordem de Lula, já assimilada pelo PT, é ampliar o máximo possível seu arco de alianças para a eleição. Articuladores petistas acreditam que a maioria do eleitorado já decidiu de qual lado ficará, e que apenas algo em torno de 10% dos votos está em disputa. Por isso, qualquer ajuda para atrair mais eleitores é valiosa

    (CBS NEWS) – O presidente Lula (PT) desencadeou uma operação política em duas frentes para tentar fortalecer sua candidatura à reeleição e isolar seu provável adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL).

    O presidente tenta afastar os principais partidos do centrão da candidatura de Flávio. Além disso, em um movimento considerado mais delicado, foi receptivo à ideia de mudar o vice de sua chapa para tentar agregar o MDB à sua aliança formal -o que daria mais tempo de campanha na TV e reforçaria a mensagem de frente ampla propagada por ele na eleição de 2022.

    A ordem de Lula, já assimilada pelo PT, é ampliar o máximo possível seu arco de alianças para a eleição. Articuladores petistas acreditam que a maioria do eleitorado já decidiu de qual lado ficará, e que apenas algo em torno de 10% dos votos está em disputa. Por isso, qualquer ajuda para atrair mais eleitores é valiosa.

    “Temos que trabalhar, fazer alianças para ganhar as eleições. Não estamos com essa bola toda em todos os estados, tem estados que precisamos compor. A gente precisa decidir se quer ganhar ou se quer perder. Como eu quero ganhar, Edinho [Silva, presidente do PT], você vai ter que fazer as alianças”, declarou o presidente no evento de aniversário do PT neste sábado (7).

    A tentativa de atrair o MDB é sensível porque envolveria tirar da chapa o atual vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB). Ele é próximo do chefe do governo e quer continuar no cargo no caso de reeleição. Além disso, diretórios poderosos do MDB, como os de São Paulo e do Rio Grande do Sul, devem resistir a uma aliança.

    Como mostrou a coluna Painel, da Folha, a cúpula emedebista está se aproximando do PSD, que tem três pré-candidatos a presidente. Dos 27 diretórios estaduais do partido, 17 estariam afastados de Lula e 10, próximos ao governo petista.

    Há o risco de Lula magoar e perder seu atual vice e a aliança ser derrotada na convenção emedebista, inviabilizando a coligação. Alckmin já disse à cúpula do PT que, se não estiver na chapa presidencial, apoiará a reeleição de Lula sem se candidatar a nada.

    O presidente discutiu o assunto em dezembro com os senadores lulistas Renan Calheiros (MDB-AL) e Eduardo Braga (MDB-AM). Ficou de marcar nova reunião, mas não o fez até agora.

    Na quinta (5), porém, Lula disse publicamente que Alckmin tem “um papel a cumprir” na eleição em São Paulo. A frase foi entendida como um sinal de que ele quer o vice concorrendo a algum cargo e reforçando seu palanque no estado com maior eleitorado.

    Emedebistas a par da articulação avaliam que a declaração foi uma espécie de “ok” para avançarem na tentativa de formar uma maioria no partido em favor da aliança. Esse grupo, porém, ainda quer que o presidente faça gestos mais fortes.

    Dois dias depois, durante celebração dos 46 anos do PT neste sábado (7), em Salvador, o presidente afagou Alckmin dizendo que teve sorte com seus vices: “O Geraldo Alckmin foi uma dessas coisas que Deus fez acontecer na minha vida. É um homem extraordinário que eu respeito e admiro”. O vice esteve presente no evento.

    Na reunião com os dois emedebistas, Lula disse que via no MDB a única chance de agregar um novo partido à sua aliança -que deve contar com as siglas de esquerda.

    Renan disse ao petista que a única maneira de tentar levar o MDB para a coligação seria oferecendo a vice, porque isso daria um argumento forte na convenção que decidirá o caminho da sigla na eleição. As convenções partidárias serão de 20 de julho a 5 de agosto.

    Há três emedebistas cotados para a vice de Lula, caso a articulação dê certo: o ministro dos Transportes, Renan Filho; o governador do Pará, Helder Barbalho; e a ministra do Planejamento, Simone Tebet.

    O principal destino especulado para Tebet, porém, é uma candidatura a senadora por São Paulo. Existe a possibilidade de ela mudar de partido, uma vez que o MDB paulista apoia o governador bolsonarista Tarcísio de Freitas (Republicanos).

    Aliados de Lula no PT e no MDB, porém, ainda tentam uma solução que permita a Tebet ser candidata e apoiar a reeleição de Lula sem mudar de legenda. Tanto o presidente do PT, Edinho Silva, quanto Eduardo Braga querem conversar com o presidente do MDB, Baleia Rossi, sobre o tema.

    O principal obstáculo a uma aliança entre Lula e o MDB paulista é a proximidade do prefeito de São Paulo, o emedebista Ricardo Nunes, com Tarcísio. O governador foi fundamental para a reeleição de Nunes, em 2024.

    Ajuda Lula o fato de Tarcísio ter decidido ser candidato à reeleição em São Paulo. Forças políticas de direita e de centro queriam que ele disputasse o Palácio do Planalto e ficaram sem um candidato preferido.

    Além da tentativa de atrair o MDB, Lula busca obter a neutralidade dos principais partidos do centrão na disputa nacional. O objetivo do petista é que essas legendas não deem apoio formal a Flávio Bolsonaro e que suas direções nacionais não dificultem sua busca por alianças com líderes locais.

    Um dos principais movimentos nesse sentido, revelado pela Folha, foi reunião de Lula com o presidente do PP, Ciro Nogueira, na qual ouviu dele uma proposta de neutralidade nacional do partido. A contrapartida seria facilitar a reeleição de Nogueira como senador no Piauí.

    Deputados e senadores filiados ao PP e originários de regiões onde Lula é mais popular, como o Nordeste, dão como certo que a legenda liberará seus filiados para se associar ao candidato a presidente que preferirem.

    O presidente também mira líderes locais do União Brasil. Um dos estados onde esse esforço deve ser maior é o Ceará. Principal líder do PT cearense, o ministro da Educação, Camilo Santana, tenta impedir que o União Brasil apoie Ciro Gomes (PSDB) na disputa pelo governo local.

    Lula julga ser fundamental derrotar Ciro e reeleger o governador Elmano de Freitas (PT).

    O PP anunciou a formação de uma federação partidária com o União Brasil, chamada União Progressista. As duas legendas, juntas, constituiriam a maior bancada da Câmara e seriam obrigadas a agir em conjunto na eleição nacional. Ciro Nogueira é um dos líderes dessa associação, que ainda não foi definitivamente reconhecida pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

    Esse grupo queria apoiar Tarcísio para presidente. Sem uma candidatura de Tarcísio, a prioridade passou a ser eleger o maior número possível de congressistas, o que aumenta a possibilidade de alianças entre Lula e diretórios estaduais dessas siglas.

    O presidente da República também se aproximou do presidente da Câmara, Hugo Motta. O partido de Motta, o Republicanos, também tem setores que querem disputar a eleição associados a Lula. O deputado tem participado das articulações do presidente da República inclusive fora de seu partido. Ele intermediou a reunião entre o petista e Ciro Nogueira.

    Lula, Motta e diversos outros deputados jantaram juntos na quarta-feira (4). O chefe do governo minimizou os possíveis atritos por partidos que têm ministérios lançarem candidatos a presidente da República. O recado foi direcionado principalmente ao PSD, que tem três ministros e três pré-candidatos ao Planalto (Ronaldo Caiado, Eduardo Leite e Ratinho Jr.).

    Lula procura partidos do centrão e quer vice do MDB para isolar Flávio Bolsonaro

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  • Alckmin avisou a petistas que não será candidato em SP se for tirado da vice de Lula

    Alckmin avisou a petistas que não será candidato em SP se for tirado da vice de Lula

    Petistas sonham com a possibilidade de o vice-presidente, que governou São Paulo de 2001 a 2006 e de 2011 a 2018, se candidatar a governador ou senador no estado em chapa com o petista Fernando Haddad, ministro da Fazenda, e com a emedebista Simone Tebet, ministra do Planejamento

    (CBS NEWS) – O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), já avisou a dirigentes petistas que não pretende se candidatar a nenhum cargo caso seja retirado da chapa em que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tentará reeleição.

    A conversa, de acordo com pessoas próximas do vice-presidente ouvidas pela reportagem, não foi uma ameaça de rompimento. Alckmin teria dito que apoiaria Lula mesmo sem concorrer a nenhum cargo.

    Petistas sonham com a possibilidade de o vice-presidente, que governou São Paulo de 2001 a 2006 e de 2011 a 2018, se candidatar a governador ou senador no estado em chapa com o petista Fernando Haddad, ministro da Fazenda, e com a emedebista Simone Tebet, ministra do Planejamento.

    A ideia seria ter candidatos fortes a governador e senador fazendo campanha para Lula em São Paulo, que tem o maior eleitorado do Brasil. Além de Alckmin, Haddad também tem dito que não quer se candidatar.

    Apesar dessa vontade de petistas, a reedição da chapa presidencial Lula-Alckmin era dada quase que como certa até o final do ano passado. O presidente e o vice, que se aproximaram visando às eleições de 2022, tornaram-se muito próximos. Além disso, o PSB, partido de Alckmin, pressiona para que ele continue na vice.

    Recentemente, porém, Lula passou a dar sinais nos bastidores de que poderia rever o formato dessa aliança. Na quinta-feira (5), o petista indicou isso publicamente.

    “Temos condições de ganhar as eleições em São Paulo. Eu ainda não conversei com o Haddad, ainda não conversei com o Alckmin, mas eles sabem que têm um papel para cumprir em São Paulo”, disse o presidente da República em entrevista ao UOL.

    O plano de Lula, com uma possível alteração em sua chapa, não seria apenas fortalecer sua campanha em São Paulo. Ele poderia, também, oferecer a vice para outro partido como forma de agregar mais apoio à sua coligação nacional.
    Uma hipótese seria o MDB. O partido tem uma ala lulista poderosa, mas mesmo assim uma tentativa de associação com a legenda teria muitas dificuldades.

    Como mostrou a coluna Painel, da Folha de S.Paulo, a cúpula emedebista está se aproximando do PSD, que tem três pré-candidatos a presidente. Dos 27 diretórios estaduais do partido, 17 estariam afastados de Lula e 10, próximos ao governo petista.

    Aliados de Alckmin argumentam que ele ajuda Lula a se aproximar de setores que têm resistência ao petista, como o empresariado e parcelas do agronegócio. Alckmin acumulou a Vice-Presidência com o cargo de ministro da Indústria e Comércio, o que o colocou em contato cotidiano com grandes exportadores.

    Também avaliam que retirar Alckmin da chapa poderia, no limite, até afastar o PSB da aliança do presidente da República.

    Lula e seu atual vice até o momento não teriam conversado sobre a possibilidade de uma mudança no arranjo político vigente. Caso o presidente da República decida fazer a troca, será uma conversa delicada. Lula elogia publicamente Alckmin com frequência. Considera-o um aliado qualificado e leal.

    A lealdade de Alckmin é um dos fatores mais apontados tanto por petistas quanto por pessebistas como motivo para ele disputar a eleição como vice de Lula. O PT tem um trauma em torno deste tema: Michel Temer (MDB), quando era vice de Dilma Rousseff (PT), articulou o afastamento da então chefe de governo e assumiu a presidência da República em 2016.

    Alckmin avisou a petistas que não será candidato em SP se for tirado da vice de Lula

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  • Damares denuncia Freixo por Embratur apoiar escola que homenageia Lula

    Damares denuncia Freixo por Embratur apoiar escola que homenageia Lula

    Damares acusa Freixo de autorizar o repasse de R$ 1 milhão em recursos federais para cada escola de samba ligada à Liga das Escolas de Samba. Segundo ela, esse apoio representa uso indevido da máquina pública para promoção pessoal e possível campanha eleitoral antecipada em favor do presidente Lula

    SÃO PAULO, SP (UOL/CBS NEWS) – A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) apresentou uma denúncia na Comissão de Ética da Presidência da República contra Marcelo Freixo, presidente da Embratur, por apoiar financeiramente a escola de samba Acadêmicos de Niterói, que irá homenagear Lula (PT) no Carnaval deste ano.

    Damares acusa Freixo de autorizar o repasse de R$ 1 milhão em recursos federais para cada escola de samba ligada à Liga das Escolas de Samba. Segundo ela, esse apoio representa uso indevido da máquina pública para promoção pessoal e possível campanha eleitoral antecipada em favor do presidente Lula.

    A denúncia cita a participação de Freixo em um ensaio técnico da escola vestindo camisa com o rosto de Lula. Para Damares, a atitude configura favorecimento político e quebra de deveres éticos do cargo.

    Na representação, Damares reforça as críticas ao uso de recursos públicos para fins políticos. “Trata-se de instrumentalização da máquina pública, para favorecimento político e amplificação de campanha eleitoral antecipada, prática incompatível com o regime constitucional democrático, com os princípios da Administração Pública e com a ética exigida do serviço público”.

    Freixo defendeu o patrocínio da Embratur à Liesa. Em vídeo nas redes sociais, o presidente da Embratur afirmou que é um investimento para promover o Carnaval brasileiro no exterior. Ele argumenta que a medida ajuda a atrair turistas e movimentar a economia, repetindo valores já repassados em anos anteriores.

    DESFILE SOBRE LULA NA SAPUCAÍ MOBILIZA POLÍTICOS

    Homenagem a Lula pela Acadêmicos de Niterói deve contar com a presença de deputados, ministros e presidentes de empresas públicas. Uma lista de espera criada há um mês para vagas no desfile da escola tem mais de 400 pessoas.

    Ensaios têm mobilizado petistas e aliados. O deputado federal Lindbergh Farias, o presidente da Embratur, Marcelo Freixo, a ministra da igualdade racial, Anielle Franco, e políticos de outros estados já compareceram. A deputada federal Talíria Petrone (PSOL), que é de Niterói, também participou. No último dia 18, o prefeito da cidade, Rodrigo Neves (PDT), esteve presente.

    O Ministério da Cultura e a Embratur assinaram um termo de cooperação técnica que prevê R$ 12 milhões às 12 agremiações do Grupo Especial. Ou seja, R$ 1 milhão para cada uma. Além dessa verba, a escola que homenageia Lula vai receber subvenção do Governo do Estado do Rio e das prefeituras do Rio de Janeiro e de Niterói.

    Damares denuncia Freixo por Embratur apoiar escola que homenageia Lula

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  • Ciro Nogueira encontrou Lula e ofereceu afastar PP de Flávio Bolsonaro por acordo no Piauí

    Ciro Nogueira encontrou Lula e ofereceu afastar PP de Flávio Bolsonaro por acordo no Piauí

    Reunião reservada no fim de dezembro buscou reaproximação entre o presidente e o líder do PP, que articula apoio velado do Planalto à sua reeleição no Piauí. Movimento provoca resistências no PT local e pode levar o partido a adotar neutralidade na disputa presidencial.

    (CBS NEWS) — Ex-chefe da Casa Civil no governo Jair Bolsonaro (PL) e atual presidente do PP, o senador Ciro Nogueira (PI) foi recebido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) às vésperas do Natal. O encontro ocorreu na Granja do Torto, em 22 de dezembro, a pedido de Nogueira, e contou com a presença do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

    Descrita pelos participantes como cordial, a conversa não constou da agenda oficial do petista e teve como objetivo reaproximar Nogueira de Lula, sob articulação de Motta. Segundo relatos, o senador buscou um acordo para viabilizar sua reeleição no Piauí, estado governado pelo PT.

    De acordo com políticos envolvidos nas tratativas, Nogueira propõe um pacto em que Lula apoiaria de forma enfática apenas um candidato ao Senado, o senador Marcelo Castro (MDB). Como haverá duas vagas em disputa em outubro, o arranjo facilitaria a recondução do presidente do PP.

    Ao confirmar o encontro, um aliado de Nogueira disse que ele quer que o governo e o PT não atrapalhem sua candidatura. Em troca, acenaria com neutralidade do PP na disputa presidencial, evitando um alinhamento formal ao pré-candidato do PL, Flávio Bolsonaro.

    O PP anunciou recentemente a formação de uma federação com o União Brasil, batizada de União Progressista. Juntas, as siglas formariam a maior bancada da Câmara e seriam obrigadas a atuar em conjunto na eleição nacional. Ciro Nogueira é um dos principais líderes da federação, que ainda aguarda reconhecimento definitivo do TSE.

    Confirmada por cinco pessoas, a reunião também serviu para reduzir tensões entre Lula e Nogueira, que ao final trocaram gestos de cordialidade. Um aliado do presidente, favorável à articulação, afirmou que Lula “gosta de Nogueira”.

    Durante a conversa, o senador ressaltou sua boa relação com Hugo Motta, a quem se referiu como uma espécie de filho político. Também destacou que permaneceu leal a Bolsonaro até o fim do governo, mas lembrou ter sido um dos primeiros a reconhecer a vitória de Lula em 2022, quando o bolsonarismo ainda resistia a admitir a derrota.

    Esse trecho foi interpretado como um sinal de que Nogueira poderia manter lealdade institucional ao petista em um eventual novo mandato. Na avaliação de aliados de Lula, o presidente demonstrou simpatia à proposta.

    O senador demonstrou preocupação com um eventual vazamento da conversa e, procurado pela Folha, negou o encontro. Mesmo assim, aliados confirmam que ele tem intensificado articulações visando a campanha eleitoral.

    A aproximação com Lula tende a gerar desgaste junto ao eleitorado bolsonarista e a políticos de direita, com os quais Nogueira se identificou nos últimos anos. Além disso, um eventual acordo enfrenta resistência no PT do Piauí. O governador Rafael Fonteles (PT) e o ministro Wellington Dias (Desenvolvimento Social) não teriam sido informados da reunião.

    O presidente estadual do PT, Fábio Novo, disse desconhecer a conversa e lembrou que Nogueira se elegeu duas vezes com apoio de Lula antes de romper. “Não temos o direito de errar uma terceira vez”, afirmou.

    A chapa articulada pelo PT no estado inclui o deputado Júlio César (PSD) como pré-candidato ao Senado, e uma mudança poderia desagradar ao presidente do PSD, Gilberto Kassab, aliado de Lula.

    O Piauí é majoritariamente lulista. Em 2022, Lula obteve 76,8% dos votos válidos no segundo turno contra Bolsonaro. Por isso, líderes locais avaliam que candidatos com apoio do Planalto têm vantagem. Ainda assim, aliados reconhecem que Nogueira mantém base entre prefeitos piauienses, inclusive alguns do PT.

    Em 2018, Nogueira foi reeleito senador com apoio de Lula e do PT. Após a derrota de Fernando Haddad, aproximou-se de Bolsonaro e assumiu a Casa Civil em 2021, conduzindo o PP ao bolsonarismo. Sem Bolsonaro, passou a apoiar Tarcísio de Freitas (Republicanos), mas agora avalia como lidar com a candidatura de Flávio Bolsonaro. A sigla pode optar por liberar seus filiados para apoiar diferentes projetos nacionais.

    Ciro Nogueira encontrou Lula e ofereceu afastar PP de Flávio Bolsonaro por acordo no Piauí

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