Categoria: POLÍTICA

  • STF forma maioria contra prorrogação da CPMI do INSS

    STF forma maioria contra prorrogação da CPMI do INSS

    Maioria foi formada pelos ministros Flávio Dino, Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Nunes Marques, Dias Toffoli e Cármen Lúcia.  Já Mendonça e Luiz Fux votaram a favor da prorrogação

    O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria de votos na tarde desta quinta-feira (26) para derrubar a decisão do ministro André Mendonça que determinou a prorrogação dos trabalhos da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS.

    A maioria foi formada pelos ministros Flávio Dino, Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Nunes Marques, Dias Toffoli e Cármen Lúcia.  Já Mendonça e Luiz Fux votaram a favor da prorrogação. 

    O julgamento continua para a tomada dos últimos votos, que serão proferidos pelo ministro Gilmar Mendes e pelo presidente da Corte, Edson Fachin. 

    Prorrogação

    Na última segunda-feira (23), Mendonça, que é relator do caso, deu prazo de 48 horas para que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), faça a leitura do requerimento de prorrogação dos trabalhos da CPMI. 

    O ministro atendeu ao pedido de liminar feito pelo presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG). Segundo o senador, há omissão de Alcolumbre e da Mesa Diretora ao não receberem o requerimento de prorrogação. 

    Mais cedo, Viana decidiu prorrogar a CPMI por até 120 dias e suspendeu a sessão até o fim do julgamento, para esperar a palavra final do STF. 

    STF forma maioria contra prorrogação da CPMI do INSS

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  • Paes critica decisão do TSE e fala em 'Diretas Já' para eleição no RJ

    Paes critica decisão do TSE e fala em 'Diretas Já' para eleição no RJ

    Pré-candidato a governador, ex-prefeito diz que população ‘deveria ter o direito de escolher’; Rio de Janeiro vive turbilhão com renúncia de Castro antes de julgamento de corte superior eleitoral

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – O ex-prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes (PSD), pré-candidato a governador, criticou nesta quinta-feira (26) a decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que determinou a realização de eleições indiretas para um mandato-tampão no estado.

    “DIRETAS JÁ!!!! A população deveria ter o direito de escolher”, afirmou Paes nas redes sociais. Ele também compartilhou editoriais dos jornais Folha de S. Paulo e O Globo sobre a situação no Rio e disse que colocaria o próprio nome agora como candidato no caso de eventual pleito direto.

    O Rio vive um turbilhão desde que o ex-governador Cláudio Castro (PL) decidiu renunciar antes de o TSE retomar um julgamento contra ele -o que não impediu a corte de condená-lo por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022 e torná-lo inelegível até 2030.

    O ex-vice governador Thiago Pampolha já havia deixado o cargo após um acordo para assumir uma vaga no Tribunal de Contas. O próximo na linha de sucessão seria Rodrigo Bacellar, presidente afastado da Assembleia Legislativa, cujo mandato acaba de ser cassado pelo TSE.

    Quem ocupa o Palácio da Guanabara, interinamente, é o presidente do Tribunal de Justiça do estado, desembargador Ricardo Couto de Castro. À Folha de S. Paulo ele disse que “vai ocupar situações emergenciais”, mas que “presidente de tribunal não está preparado para ser o governador”.

    O TSE corrigiu nesta quarta-feira (25) um erro na certidão de julgamento em que a corte determinou a realização de eleições indiretas. O documento apontava para um pleito direto, enquanto os votos indicavam uma votação entre os deputados estaduais.

    Nas redes sociais, Paes questionou: “Como decidir com imparcialidade e justiça em um colegiado [na Assembleia Legislativa] em que a maioria (muitos eleitos usando o esquema desvendado) faz parte do grupo político que foi cassado pelo próprio TSE na última terça?”.

    “Como ter eleições limpas no Rio em outubro com essa turma no poder? Eles vão aprontar um novo ‘CEPERJ’ e mais uma vez tentar fraudar as eleições”, continuou o ex-prefeito em referência ao caso julgado pelo TSE que declarou a inelegibilidade de Castro.

    Paes também lembrou caso em tramitação no STF (Supremo Tribunal Federal) sobre trechos de lei que regulamenta a eleição indireta para o Governo do Rio. O plenário da corte julga nesta semana se mantém uma decisão do ministro Luiz Fux que derrubou regras da legislação.

    Fux suspendeu regras que permitiam a desincompatibilização de candidatos à eleição indireta 24 horas antes da votação e previam votação nominal e aberta na escolha entre os deputados da Assembleia Legislativa. A liminar atendeu a pedido do PSD, sigla de Paes.

    O STF está decidindo se valida as regras aprovadas pela Alerj para as eleições indiretas ou se mantém a suspensão, diz ele. “Derrubar a decisão do ministro Fux significa quase que certamente a eleição de um candidato que é a continuidade do governo recém cassado.”

    “Em tempo: não se esqueçam que em 2018 essa turma venceu as eleições se utilizando de ações diretas do Juíz Bretas que o próprio CNJ [Conselho Nacional de Justiça] cassou por esse motivo. Eles não cansam e não vão parar nunca!”, concluiu o ex-prefeito na postagem.

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  • STF começa a julgar liminar de Mendonça que prorroga CPI do INSS

    STF começa a julgar liminar de Mendonça que prorroga CPI do INSS

    A comissão foi instalada para investigar os descontos indevidos nos contracheques de aposentados e pensionistas; André Mendonça deu 48 horas para Alcolumbre prorrogar comissão

    O Supremo Tribunal Federal (STF) começou a julgar, no início da tarde desta quinta-feira 26, a liminar do ministro André Mendonça que determinou a prorrogação dos trabalhos da CPMI do INSS. A comissão foi instalada para investigar os descontos indevidos nos contracheques de aposentados e pensionistas, mas seu escopo tem sido ampliado para apurar outros temas, como o escândalo do Banco Master.

    Como mostrou o Estadão, a tendência é que a medida seja derrubada, o que deixaria a decisão pela continuidade a cargo do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP).

    O presidente da comissão, Carlos Viana, acompanha o julgamento presencialmente no plenário da Corte. Em cumprimento à decisão, Viana anunciou nesta tarde a extensão dos trabalhos da CPMI por 120 dias. Caso a ordem seja derrubada, porém, a prorrogação perde validade.

    “A sessão está suspensa. Caso o Supremo entenda que a prorrogação não terá mais validade, eu reabrirei a sessão logo após e nós já marcaremos para amanhã (sexta, 27) a leitura do relatório, com possibilidade de votação até o próximo sábado”, disse o senador ao chegar no Supremo.

    “Mas eu acredito com toda sinceridade que nós vamos manter a CPMI num prazo necessário. Eu prorroguei até 120 dias, mas não há necessidade de tudo isso. Adentra o calendário eleitoral, é um tempo complicado no Brasil”, acrescentou.

    Na última segunda-feira, 23, Mendonça determinou que o presidente do Congresso oficializasse a prorrogação da CPMI em até 48h. Ele atendeu a um mandado de segurança da cúpula do colegiado, que acusou Alcolumbre de omissão por não ler o requerimento de extensão dos trabalhos.

    Em caso de inércia de Alcolumbre (União-AP) em ler o requerimento, Mendonça determinou que a presidência da CPI “estará imediatamente autorizada a prorrogar o funcionamento regular” dos trabalhos pelo prazo que a minoria parlamentar entender necessário.

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  • Boletim médico destaca previsão de alta hospitalar de Bolsonaro para esta sexta, 27

    Boletim médico destaca previsão de alta hospitalar de Bolsonaro para esta sexta, 27

    O ex-presidente foi levado ao hospital na última sexta-feira (13) com um quadro de broncopneumonia; STF concedeu na última terça-feira, 24, a prisão domiciliar para o ex-presidente pelo prazo de 90 dias

    O ex-presidente Jair Bolsonaro está com previsão de alta hospitalar para esta sexta-feira, 27. Segundo boletim médico divulgado no início da tarde desta quinta, 26, ele permanece internado no hospital DF Star, após diagnóstico de pneumonia bacteriana bilateral decorrente de episódio de broncoaspiração.

    “No momento encontra-se sem sinais de infecção aguda, com boa evolução clínica. Deve permanecer em vigilância clínica, pelas próximas 24 horas, com previsão de alta hospital no dia 27 de março”, diz o boletim.

    Assinam o boletim os seguintes médicos: Dr. Claudio Birolini, cirurgião geral, Dr. Leandro Echenique, cardiologista, Dr. Brasil Caiado, cardiologista, Dr. Wallace S. Padilha, clínico médico – gerente médico; e Dr. Allisson B. Barcelos Borges, diretor geral.

    Prisão domiciliar

    O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes concedeu na última terça-feira, 24, a prisão domiciliar para o ex-presidente pelo prazo de 90 dias, contados a partir da alta médica. Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado e está internado desde o dia 13. Ele estava preso na Papudinha e, agora com a alta hospitalar, poderá ir para casa.

    Moraes disse que a domiciliar visa a “integral recuperação” da broncopneumonia. “Após esse prazo, será reanalisada a presença dos requisitos necessários para a manutenção da prisão domiciliar humanitária, inclusive com perícia médica se houver necessidade”, disse o ministro no despacho.

    Boletim médico destaca previsão de alta hospitalar de Bolsonaro para esta sexta, 27

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  • Justiça italiana autoriza extradição da ex-deputada Carla Zambelli

    Justiça italiana autoriza extradição da ex-deputada Carla Zambelli

    Zambelli foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 10 anos de prisão pela invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) brasileiro, em 2023

    A Justiça italiana autorizou nesta quinta-feira (26), a extradição da ex-deputada bolsonarista Carla Zambelli, fugitiva das autoridades brasileiras e detida no país europeu desde julho do ano passado. Zambelli, que tem dupla cidadania, deixou o Brasil em maio do ano passado em busca de asilo político. 

    A ex-deputada foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 10 anos de prisão pela invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) brasileiro, em 2023. 

    Segundo as investigações, Carla Zambelli foi a autora intelectual da invasão ao sistema do CNJ para emitir um mandato falso de prisão contra o juiz do STF Alexandre de Moraes, considerado inimigo ‘número um’ do bolsonarismo e que ocupava o cargo de presidente do Tribunal Superior Eleitoral. 

    Zambelli era uma das vozes mais radicais da extrema-direita no Brasil, uma fiel aliada de Jair Bolsonaro, o qual apoiou em uma dura campanha para desacreditar o sistema de voto eletrônico utilizado no país.

    A decisão da extradição de Zambelli foi tomada pela Tribunal de Recurso de Roma, que analisou o pedido feito pelo STF contra a ex-deputada federal. 

    Agora, os advogados da ex-deputada têm até 15 dias para recorrer à última instância do judiciário, antes do caso ser levado para decisão final do Governo italiano.

    Em comunicado divulgado pela imprensa local, a diplomacia brasileira indicou ter sido informada pelos advogados sobre decisão e que “ainda cabe recurso no âmbito judicial, antes de o assunto ser levado para a decisão final do Governo italiano”. 

    Justiça italiana autoriza extradição da ex-deputada Carla Zambelli

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  • Moraes disse a Michelle que daria atenção especial a pedido de domiciliar a Bolsonaro na véspera da decisão

    Moraes disse a Michelle que daria atenção especial a pedido de domiciliar a Bolsonaro na véspera da decisão

    Segundo relatório do núcleo de custódia da Polícia Militar do Distrito Federal, a médica de plantão na Papudinha apontou “risco de morte” de Bolsonaro antes da transferência dele para o hospital DF Star no dia 13 de março

    (CBS NEWS) – A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro saiu do gabinete do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes na segunda-feira (23) confiante de que o magistrado daria uma decisão para mandar Jair Bolsonaro (PL) para casa -expectativa que foi concretizada no dia seguinte.

    Moraes autorizou na terça-feira (24) a prisão domiciliar ao ex-presidente após ouvir apelos de colegas do STF, políticos e da própria ex-primeira-dama.

    Michelle se reuniu com Moraes por cerca de 40 minutos e, ao sair do encontro, relatou a aliados ter sentido o magistrado mais sensível à reivindicação de mandar Bolsonaro para casa. Foi a segunda reunião entre eles neste ano para tratar da prisão do ex-presidente.

    Pessoas próximas à ex-primeira-dama afirmam que ela saiu confiante, mesmo sem nenhum compromisso de Moraes. Michelle descreveu a conversa como boa, disse que o ministro foi educado e que o segundo encontro foi menos tenso do que o de janeiro.

    Na reunião, Moraes disse a Michelle que tinha recebido muitas informações sobre a saúde do ex-presidente e daria atenção especial ao pedido de prisão domiciliar humanitária.

    Segundo Michelle disse em conversas, o ministro perguntou se o melhor para Bolsonaro era ficar preso em casa ou na chamada Papudinha, onde tinha assistência médica 24 horas por dia. Michelle respondeu que, para ela, o melhor caminho para o marido era a prisão domiciliar.

    Bolsonaro está internado em um hospital particular de Brasília desde o dia 13 depois de passar mal no 19º Batalhão da Polícia Militar do DF, conhecido como Papudinha, onde cumpre pena por tentativa de golpe de Estado.

    O ex-presidente foi diagnosticado com pneumonia bacteriana por broncoaspiração. A equipe médica afirmou nesta quarta (25) que ele terá alta na sexta (27). Do hospital, seguirá direto para casa.

    Michelle foi recebida por Moraes no gabinete dele no STF em janeiro. Na ocasião, a ex-primeira-dama atribuiu ao efeito de medicamentos o episódio em que Bolsonaro violou a tornozeleira eletrônica com ferro de solda, em novembro.

    A ex-primeira-dama falou da dosagem e da interação entre os remédios e disse que Bolsonaro não teria mexido na tornozeleira se ela estivesse em casa na hora.

    O encontro de segunda também foi a pedido de Michelle. De acordo com aliados do ex-presidente, a ex-primeira-dama queria a oportunidade de dizer pessoalmente ao magistrado que Bolsonaro não pode ficar sozinho à noite pelo risco de broncoaspiração.

    Líderes do centrão e da direita avaliam que, em casa, Bolsonaro terá mais condições de participar da campanha presidencial do primogênito, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), por estar mais confortável e poder conversar diariamente com ele.

    A expectativa é a de que a ex-primeira-dama também influencie ainda mais as decisões políticas do marido, uma vez que apenas ela, as duas filhas e médicos do ex-presidente terão acesso irrestrito à casa.

    Flávio se tornou advogado do pai no processo. Moraes decidiu que os advogados poderão visitar o ex-presidente todos os dias da semana por no máximo 30 minutos e com agendamento prévio. Já os filhos (condição que também inclui Flávio) poderão acessar a casa às quartas-feiras e sábados por duas horas.

    Apesar de a ofensiva pela transferência de Bolsonaro ter envolvido também o senador e outros políticos, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), a ex-primeira-dama saiu fortalecida do episódio, com uma imagem conciliadora, segundo parlamentares.

    Flávio se encontrou com Moraes no último dia 17 ao lado do advogado Paulo Cunha Bueno. O senador disse que a conversa com o ministro foi objetiva e serviu para expor todas as preocupações relacionadas ao estado de saúde do pai.

    Segundo relatório do núcleo de custódia da Polícia Militar do Distrito Federal, a médica de plantão na Papudinha apontou “risco de morte” de Bolsonaro antes da transferência dele para o hospital DF Star no dia 13 de março.

    Na segunda, a PGR (Procuradoria-Geral da República) se manifestou a favor do pedido de prisão domiciliar protocolado pela defesa.

    “Ao ver da Procuradoria-Geral da República, está positivada a necessidade da prisão domiciliar, ensejadora dos cuidados indispensáveis ao monitoramento, em tempo integral, do estado de saúde do ex-presidente, que se acha, comprovadamente, sujeito a súbitas e imprevisíveis alterações perniciosas de um momento para o outro”, escreveu Paulo Gonet.

    Moraes disse a Michelle que daria atenção especial a pedido de domiciliar a Bolsonaro na véspera da decisão

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  • Tereza Cristina e Zema ganham força para vice de Flávio Bolsonaro

    Tereza Cristina e Zema ganham força para vice de Flávio Bolsonaro

    Pré-campanha de Flávio Bolsonaro avalia nomes para vice após saída de Ratinho Junior do páreo. Tereza Cristina e Romeu Zema ganham destaque, com apoio dividido entre aliados e estratégia voltada a ampliar votos em diferentes regiões e setores

    (CBS NEWS) – Após o governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), ter afirmado que vai cumprir seu mandato até o fim, a coordenação da pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) avalia os nomes da senadora Tereza Cristina (PP-MS) ou do agora ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) como possíveis vices.

    A decisão só deve ser tomada perto das convenções partidárias, em julho.

    Os aliados de Flávio se dividem em relação a defender Tereza ou Zema. Parte dos apoiadores do senador preferia Ratinho na vaga de vice, mas essa hipótese está praticamente descartada desde o anúncio do governador de que cumprirá o mandato até o fim no Paraná.

    Na terça-feira (24), Flávio afirmou que não está tratando da escolha de vice neste momento. “Vamos com calma”, respondeu, mencionando os nomes de Tereza e Zema entre as opções. Ele também acenou ao governador do Paraná: “O Ratinho é sempre um bom quadro para compor conosco a nível nacional”.

    Em entrevista ao programa Frente a Frente, da Folha de S. Paulo e do UOL, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que Tereza Cristina seria a vice ideal para Flávio. Já o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) teria indicado preferência por Zema, segundo interlocutores.

    Zema é apontado como boa opção por representar o segundo maior colégio eleitoral do país, Minas Gerais, onde Flávio busca tirar votos de Lula (PT). Em 2022, Bolsonaro perdeu para o petista no estado por 49,8% a 50,2%.

    O ex-governador tem disposição de ser vice, de acordo com integrantes da pré-campanha, mas há ressalvas de ambos os lados. Da parte de Zema, existe receio em integrar a chapa de Flávio e, consequentemente, fazer parte dos conflitos internos do clã Bolsonaro e do PL.

    Na equipe de Flávio, por outro lado, há dúvida em relação ao potencial de votos que Zema poderia agregar. O grupo chegou a fazer uma pesquisa para medir se o apoio do ex-governador seria decisivo para conquistar o eleitorado de Minas.

    De acordo com um integrante da pré-campanha, a pesquisa não foi conclusiva. Nas eleições de 2024, o candidato apoiado por Zema à Prefeitura de Belo Horizonte acabou em terceiro lugar, e o partido Novo elegeu só 9 dos 853 prefeitos do estado.

    Publicamente, Zema tem negado qualquer tratativa e dito que levará sua candidatura presidencial até o final.

    Já Tereza Cristina é o nome favorito entre os partidos do centrão, mas sua indicação depende de uma coligação nacional de Flávio com a federação composta por União Brasil e PP.

    Esses partidos trabalhavam pela candidatura presidencial do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e ainda demonstram resistência a endossar Flávio, preferindo no momento priorizar a construção das chapas para as eleições legislativas.

    O perfil dela é visto na equipe do senador como capaz de aumentar o apoio no eleitorado feminino, um ponto fraco do ex-presidente Bolsonaro.

    Ela também poderia aumentar a adesão de agentes importantes do agro, setor do qual a senadora é uma das principais interlocutoras no Congresso, tendo presidido a Frente Parlamentar da Agropecuária e sido ministra da Agricultura na gestão passada.

    Quem argumenta contra Tereza aponta que Flávio já terá os votos do público ligado ao agro de qualquer forma, pois eles rejeitariam Lula.

    Por outro lado, alguns aliados do pré-candidato afirmam que, desde que o bolsonarismo impulsionou o tarifaço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, há um desconforto do setor com o filho do ex-presidente. Além disso, um provável adversário na eleição com a saída de Ratinho Junior é o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), uma liderança histórica do agronegócio.

    Contra Tereza pesa ser de um estado (Mato Grosso do Sul) com eleitorado menos relevante para a disputa nacional.

    A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), chegou a ser sondada por integrantes da pré-campanha, com a proposta de ir para o PP e ocupar a vice da chapa. Seria uma forma de conquistar eleitores no Nordeste, onde Lula é mais forte, mas ela preferiu concorrer à reeleição. Outros nomes da região também são estudados, em especial de mulheres.

    Tereza Cristina e Zema ganham força para vice de Flávio Bolsonaro

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  • Bolsonaro terá alta na sexta-feira e deve deixar hospital para prisão domiciliar

    Bolsonaro terá alta na sexta-feira e deve deixar hospital para prisão domiciliar

    Ex-presidente está internado desde 13 de março com quadro de broncopneumonia; ministro do STF Alexandre de Moraes autorizou a transferência da Papudinha para casa

    BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), 71, terá alta na sexta-feira (27) e deve deixar o hospital onde está em Brasília para continuar cumprindo em prisão domiciliar a pena por tentativa de golpe de Estado. A informação foi dada nesta quarta (25) pelo cardiologista Brasil Caiado em entrevista a jornalistas.

    Segundo o médico, Bolsonaro está clinicamente estável e terminará na quinta (26) o ciclo de antibióticos para tratar o quadro de pneumonia bacteriana por broncoaspiração nos dois pulmões. Ele deve deixar ao DF Star entre a manhã e o início da tarde de sexta.

    “Só [não terá alta hospitalar] se houver alguma intercorrência, mas, particularmente, acredito que não”, disse Caiado.

    O médico afirmou que um exame de raio-X feito na terça (24) mostrou que o pulmão direito do ex-presidente está “praticamente” normal, enquanto o esquerdo ainda tem uma “lesão residual”, que já era esperada pela gravidade da doença.

    De acordo com ele, a fase aguda da pneumonia passou e agora está no chamado período de convalescença, quando o organismo se recupera. Disse que a cura total da pneumonia pode levar de três a seis meses.

    “Agora vão ser mecanismos de fisioterapia intensa. Nós já combinamos com o fisioterapeuta, a partir da alta, para que seja feito todo o tratamento em casa, disciplinado, com a rotina e uma prescrição precisa. Nutricionistas também. Todos já numa programação de transição para casa”, declarou.

    Brasil Caiado disse que a equipe médica aproveitou a internação para avaliar na noite de segunda uma dor no manguito rotador do ombro direito relatada por Bolsonaro. Uma ressonância analisada pelo ortopedista Alexandre Firmino Paniago indicou que pode haver necessidade de cirurgia, que não será feita até a recuperação da pneumonia.

    “O ortopedista acha que pode ter sido potencializado e piorado na queda. Como foi uma avaliação ontem e nós precisamos de observar a evolução, ele acha que sim, mas ainda não é certeza”, disse. Bolsonaro bateu a cabeça após cair enquanto dormia na Superintendência da PF, em janeiro.

    O ex-presidente está internado desde 13 de março, quando foi levado ao DF Star após passar mal durante uma madrugada na Papudinha. Ele saiu da UTI (Unidade de Terapia Intensiva) na segunda (23). Quando deixar o hospital, retornará para sua casa, no condomínio Solar de Brasília, no Jardim Botânico.

    Bolsonaro foi levado preso para a superintendência da PF em novembro de 2025, quando cumpria prisão domiciliar, após tentar romper sua tornozeleira eletrônica. O ex-presidente alegou ter tido um surto e uma crise de paranoia. Posteriormente, acabou sendo transferido para a Papudinha.

    A transferência de Bolsonaro novamente para prisão domiciliar foi autorizada na terça (24) pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, que concedeu a prisão domiciliar humanitária por 90 dias. Durante o período, Bolsonaro terá de usar tornozeleira eletrônica e ficará proibido de usar as redes sociais ou de gravar áudios ou vídeos.

    Transcorridos os três meses, “será reanalisada a presença dos requisitos necessários para a manutenção da prisão domiciliar humanitária, inclusive com perícia médica se houver necessidade”.

    Brasil Caiado classificou a domiciliar como uma “decisão de bom senso” e afirmou que Bolsonaro recebeu a notícia “com satisfação”.

    Segundo o médico, a casa do ex-presidente já está sendo preparada para recebê-lo. Uma cama mais adequada para evitar o quadro de refluxo, que causou a pneumonia aspirativa, foi providenciada, por exemplo.

    “Nós que conhecemos intrinsecamente as patologias das quais ele é portador percebemos que o ambiente domiciliar é um humanamente mais saudável. O ambiente domiciliar está em preparação pela família, porque a decisão [de Moraes] foi bastante recente”, declarou.

    Em casa, o ex-presidente poderá receber os filhos, mas sob os mesmos horários e regras da Papudinha, que prevê visitas às quartas e sábados, entre 8h e 16h. Os advogados podem visitá-lo todos os dias, por 30 minutos por dia, mas precisam agendar previamente com o 19º Batalhão da Polícia Militar do DF. Já os médicos do ex-presidente têm acesso livre.

    Michelle, a filha Laura e uma enteada terão livre acesso. As demais visitas ficam suspensas, “para resguardar o ambiente controlado necessário, principalmente para se evitar o risco de sepse e [manter o] controle de infecções”, escreveu Moraes.

    Questionado se concorda com a limitação de visitas impostas pelo ministro do STF, o médico de Bolsonaro afirmou ser algo “subjetivo”. “Você teria que ter um ambiente um pouco mais contaminado. Pessoas que não se prepararam com a assepsia para encontrar o paciente.”

    Em relação a um risco de fibrose (enrijecimento e a formação de cicatrizes) nos pulmões do ex-presidente, possibilidade alertada pela equipe médica na última semana, o cardiologista afirmou que será necessário acompanhar o quadro.

    “Como evoluirá essa cicatrização e se vai aparecer uma fibrose pulmonar realmente a gente não sabe. Faremos controles a posteriori”, afirmou.

    Bolsonaro terá alta na sexta-feira e deve deixar hospital para prisão domiciliar

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  • Moro enfrenta resistência dentro do PL por candidatura no Paraná, mas consegue atrair Novo

    Moro enfrenta resistência dentro do PL por candidatura no Paraná, mas consegue atrair Novo

    Presidente do PL no estado, ligado a grupo de Ratinho Junior, comunicou a aliados que deixará sigla; pré-candidato ao Governo do Paraná, ex-juiz resgatou aliança com Deltan Dallagnol

    CURITIBA, PR (CBS NEWS) – O senador Sergio Moro, filiado ao PL nesta terça-feira (24) para concorrer ao Governo do Paraná, já enfrenta resistência ao seu nome nos quadros do partido. A ala insatisfeita com a chegada do ex-juiz da Lava Jato é encabeçada pelo presidente do PL estadual, deputado federal Fernando Giacobo, que comunicou a aliados estar deixando o comando da legenda.

    A reportagem não conseguiu falar com Giacobo, e Moro não quis se manifestar. O deputado federal Filipe Barros (PL), que será um dos candidatos ao Senado na chapa de Moro, também preferiu não comentar. Barros é quem assume o posto de presidente estadual do PL no lugar de Giacobo.

    No comunicado que enviou a prefeitos do PL, Giacobo afirmou que também vai deixar o partido e que “conto com vocês para caminharmos juntos nesse novo momento”. Ele deve se filiar ao PSD do governador Ratinho Junior e pode convencer políticos do PL a fazerem a mesma troca.

    Nesta terça, a ausência de Giacobo no ato de filiação de Moro, em Brasília, foi notada pelos correligionários. Na visão do presidente local, o PL deveria continuar na aliança com o PSD de Ratinho Junior, que na segunda-feira (23) desistiu da corrida ao Planalto e optou por terminar o mandato no Palácio Iguaçu, com foco em garantir a vitória de um sucessor.

    O nome do PSD que vai para a disputa ao governo paranaense ainda não foi definido, e o grupo teme uma derrota para Moro, que tem figurado em primeiro lugar nas pesquisas de intenção de voto.

    Não é o primeiro atrito de Moro com correligionários do próprio partido. Ele também protagonizou conflitos com integrantes do União Brasil no Paraná, quando ainda estava filiado ao partido de Antonio Rueda.

    O maior desgaste na relação com o União Brasil ocorreu durante as eleições de 2024, quando ele contestou nomes de correligionários lançados em cidades estratégicas no Paraná e chegou a pedir a intervenção da cúpula da sigla.

    No final do ano passado, Moro também foi rejeitado pelo PP, que no Paraná é controlado pelo deputado federal Ricardo Barros. Com apoio de Ciro Nogueira, presidente nacional da sigla, o grupo de Barros vetou a candidatura do ex-juiz ao Governo do Paraná no âmbito da federação que está sendo construída entre PP e União Brasil.

    O espaço agora no PL foi conquistado por Moro na esteira das articulações em torno da corrida ao Planalto. Lançado pré-candidato à Presidência, o senador Flávio Bolsonaro (PL) buscava um palanque no Paraná, já que Ratinho Junior também se colocava como um nome ao governo federal.

    A desistência repentina de Ratinho Junior pegou aliados de surpresa, mas não alterou o acordo que Moro havia feito com a cúpula do PL dias atrás. O governador admitiu abertamente o interesse em participar das eleições ao Planalto no final de 2024 e, desde então, até o comunicado desta segunda, trabalhava para entrar na disputa.

    Aliados dizem que a opinião da família pesou na decisão, mas a dificuldade em garantir uma candidatura viável para seu grupo no Palácio Iguaçu também influenciou. Além de perder o PL, o PSD paranaense ficou sem o partido Novo, cuja principal liderança no estado é o ex-procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol.

    Moro e Deltan se afastaram nas eleições de 2024, quando o ex-procurador caminhou ao lado do grupo de Ratinho Junior para eleger Eduardo Pimentel (PSD) à Prefeitura de Curitiba. No mesmo pleito, Moro lançava sua mulher, a deputada federal Rosangela Moro, como candidata a vice-prefeita da capital na chapa do União Brasil.

    Agora, para as eleições de 2026, Moro conseguiu atrair o Novo para sua chapa com Deltan figurando como pré-candidato ao Senado, assim como Filipe Barros.

    Na avaliação de integrantes do Novo, não havia como o partido no Paraná permanecer apoiando o PSD, contra o bolsonarismo e contra o ex-juiz da Lava Jato. A operação deflagrada há mais de dez anos sustentou a entrada na vida partidária de Deltan e Moro, dupla que carrega a bandeira anti-PT.

    Para que a aliança entre PL e Novo se consolidasse, o partido de Deltan também precisou descartar a possibilidade de uma candidatura própria, que chegou a ser ventilada com a filiação do ex-deputado federal e atual vice-prefeito de Curitiba Paulo Martins, no ano passado.

    Martins é amigo de Ratinho Junior e foi adversário de Moro na disputa pelo Senado em 2022. Mas, dentro do Novo, prevaleceu a tese de que Deltan não poderia fazer um movimento contrário ao PL.

    Além de Moro, outros dois pré-candidatos ao Executivo já foram lançados: o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca, que saiu do PSD e migrou para o MDB, e o deputado estadual Requião Filho (PDT), que tem o apoio do PT.

    Dentro do PSD, dois nomes desejam a vaga: o secretário estadual das Cidades, Guto Silva, e o presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual Alexandre Curi. Como não há unanimidade no partido em torno dos dois nomes, o prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, também está sendo ventilado, assim como o atual vice-governador Darci Piana.

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    Lula é favorito, mas máquina que ele comanda está fazendo fumaça, diz Afif

    Secretário do governo Tarcísio enxerga espaço para candidato de centro e diz que Flávio tem força; em livro de memórias que está lançando, ele lembra conversas com Silvio Santos e início de Kassab

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – Guilherme Afif Domingos, 82, é secretário de Tarcísio de Freitas, foi assessor de Paulo Guedes, vice-governador de Geraldo Alckmin e ministro de Dilma Rousseff -cujo impeachment, que completa dez anos, ele diz ter lamentado.

    A trajetória camaleônica, segundo ele, tem uma linha estável, a defesa dos pequenos empresários e da desburocratização, desde que se tornou diretor da Associação Comercial de São Paulo, há exatos 50 anos.

    Deputado constituinte e um dos fundadores do PSD, ele está lançando “Juntos Chegaremos Lá” (editora Matrix, 152 pags, R$ 51), livro de memórias que tem como título o slogan de sua campanha na eleição presidencial de 1989, em que por um breve período foi a sensação.

    Na obra, Afif relembra conversas políticas com o apresentador Silvio Santos, o nascimento do centrão nos anos 1980 e as primeiras campanhas eleitorais na companhia de um jovem (e nerd) Gilberto Kassab.

    Para ele, o brasileiro é contra extremismos, o que abre a possibilidade de um candidato de centro na eleição. Afif vê Lula favorito pelo fato de ter a máquina na mão, mas considera Flávio Bolsonaro (PL) competitivo.

    “O Lula tem um poder de manipulação da massa muito forte. E com a máquina na mão, não é para desprezar. Só que a máquina está fazendo fumaça. Há toda uma crise fiscal”, afirma.

    O lançamento do livro ocorre nesta quarta-feira (25) a partir das 18h30, na Livraria da Travessa do Shopping Iguatemi, em São Paulo.

    PERGUNTA – No livro, o sr. se define como um radical de centro. Existe espaço ainda para o centro no Brasil?

    GUILHERME AFIF – A tendência do Brasil é centrista. O brasileiro não gosta de extremos. Em meados do século passado, você tinha pelo menos duas estruturas que sustentavam o centro. Uma era o PSD, partido do Juscelino. E o lado mais radical, a UDN, que era de direita, mas defendeu o monopólio da Petrobras. Era sempre o bipartidarismo no centro, não o pluripartidarismo extremo.

    P – Mas hoje parece que não mais, né?

    GA – Hoje está existindo uma radicalização. De um lado à direita, do outro à esquerda. E acho que tem um espaço aí no centro. Se vai ser preenchido ou não, só colocando o produto na prateleira.

    P – O tamanho desse espaço dá para ter uma ideia?

    GA – É só olhar 30% de um lado, 30% do outro, o resto não está nem com um, nem com o outro. Ele é expressivo.

    P – Nesses 50 anos de vida pública, outra bandeira que o senhor levantou é a do liberalismo. Durante muito tempo, defendê-la no Brasil foi pregar no deserto. Hoje há um campo mais fértil?

    GA – Eu sou liberal. Eu peguei uma vertente praticamente unânime, que era a defesa da democracia econômica, sem a qual a democracia política não subsistiria. Através do pequeno. O pequeno está no regime capitalista. Ele aplica os seus princípios e é vítima do centralismo de Estado, que está lá para beneficiar os que estão ao seu redor. O liberalismo que eu preguei é esse da democracia econômica, de ter um regime de mercado sem favorecimento, para que possa haver competitividade. Quando eu criei o Simples, era para poder dar competitividade para esse pequeno massacrado pela burocracia estatal, que até hoje nós não nos livramos.

    P – Deu para impregnar um pouco do liberalismo no brasileiro nessas últimas décadas?

    GA – Você hoje percebe um movimento importante. Quando eu criei o MEI [Microempreendedor Individual], era para dar formalização à economia informal. Hoje o MEI é a expressão daqueles que estão por conta própria, que eu chamo de batalhadores. Quem vai resolver essa eleição serão as mulheres, que são a boleira, a cabeleireira, a manicure, esse tipo de profissão que não é ideológica. O que ela quer é liberdade, crédito, pagar menos imposto. Não são bem bandeiras de esquerda.

    P – O sr. participou da histórica campanha presidencial de 1989. O que chama mais atenção na comparação com hoje?

    GA – Foi uma campanha de comunicação, não de máquina. Mesmo começando com 0,5%, tem espaço para o novo. Eu lia muita coisa de marketing, e uma que me chamou a atenção foi que falavam da [sandália] Melissa. Quem fez a Melissa foi a [empresa] Grendene, ou foi a Melissa que fez a Grendene? Quer dizer, o produto faz a fábrica, ou a fábrica faz o produto? A fábrica eram os grandes partidos, PMDB, PFL, cada um tinha os seus nomões. Eu falei, não vai ser. Vai ser produto. E vai ser de comunicação. Pensei, todos os produtos que estão aí são fora de especificação do mercado. Não é o que o consumidor quer.

    P – Naquela campanha, em determinado momento, o sr. foi a sensação.

    GA – Eu não era convidado no baile, era um outsider. Na hora que eu dei a crescida, o que que aconteceu? Eu comecei a crescer em cima do Collor. Nós éramos o mesmo perfil da renovação. Ele caiu de 43% para 28% e eu subi para 14%. E aí acendeu o sinal vermelho no sistema. O Afif chegou na classe média. E aí, tinha que tirar.

    P – O sr. relata ter sido um dos primeiros a falar com Silvio Santos naquela eleição.

    GA – Eu precisava ter um vice forte. Fui no Silvio Santos e disse a ele: “Vou te entregar meu programa, você leia. Se você se interessar, você me fala”. E, depois de uns 15 dias, voltamos a falar. O livro lá, tudo anotado, ele leu linha por linha. Perguntei: “Você topa? [ser vice]”. Ele respondeu: “Eu topo, [e perguntou] por que não ao contrário? Eu [Silvio] candidato a presidente e você [Afif] vice”. Eu falei “vou pensar”. E aí saí e não voltei mais.

    P – Hoje o sr. está com um governador bolsonarista [Tarcísio], já foi vice de um ex-tucano que hoje é lulista [Geraldo Alckmin] e ministro de uma petista [Dilma Rousseff]. Alguns dizem que o sr. teve uma trajetória de camaleão.

    GA – Tudo que nós conquistamos em 40 anos do movimento dos pequenos eu consegui por unanimidade. Tinha, inclusive, a posição do próprio Lula, concordando comigo, na Constituinte. Eu nunca tive obstáculos por onde passei, em função da coerência de uma linha de defesa dos pequenos, sem a qual democracia política não existe. Quem abriu a porta, quem meu filho beija minha boca adoça. Eu me dei muito bem com a Dilma.

    P – O sr. fala no livro que lamenta o impeachment dela.

    GA – Sim. Ela era uma mulher correta. Eu sou testemunha disso, não tenho medo de dizer.

    P – Qual é o ponto mais forte do Lula e qual é a maior vulnerabilidade dele?

    GA – O Lula tem um poder de manipulação da massa muito forte. Ele não tem razão para ter coerência. Ele pode ter uma opinião hoje, amanhã outra totalmente diferente, mas colocada de tal forma que as pessoas aplaudem. E com uma máquina na mão, não é para desprezar. Só que a máquina está fazendo fumaça. Há toda uma crise fiscal, é saber quando entra.

    P – E o Flávio?

    GA – Vou falar da franquia [Bolsonaro], que penetrou na população com o discurso pela tradição, família, tudo. Ele pega o conservador. Tem pontos muito positivos que foram negados o tempo todo. Falam que é herança maldita. Não. O Paulo Guedes fez um belíssimo trabalho, aguentou as contas, porque ele também foi levado para o mato, mas conseguiu manter o cavalo na trilha. Tem uma herança muito positiva que ele deixou e foi destruída agora, que é o desequilíbrio das contas.

    P – O sr. vê o Lula como favorito?

    GA – Vejo. Ele tem a máquina. Bolsonaro perdeu aquela eleição. Não foi o Lula que venceu. Ele [Bolsonaro] tinha a máquina na mão e fez muita besteira.

    P – Flávio está tentando se colocar como um moderado, diferente do pai. Isso pode emplacar?

    GA – Você tem um bolsonarismo fixo que está com ele. Falando besteira ou não falando besteira, está junto. Tem 20%, 21%, e tem que conquistar o dobro. E o Lula vai ter que conquistar outra parte com outro discurso. O da soberania é forte. Mas ele acabou se perdendo nos [Daniel] Vorcaro da vida.

    P – Tarcísio deveria ter sido o candidato a presidente?

    GA – Não. Ele vai ter um segundo mandato para completar a obra. Temos muita coisa para entregar numa segunda gestão. O Tarcísio não é de plantar couve, ele planta carvalho, não é para colher no seguinte. São projetos estruturais que ele está fazendo na mobilidade, no transporte, na mudança da sede para o centro, no Trem Intercidades. Ele tem que completar esse ciclo, que completa também a maturidade política dele.

    P – E aí ele estaria pronto para 2030 para presidente?

    GA – Sim, ele será um candidato a presidente muito real e que vai ser muito bem preparado. Esses quatro anos são de preparo para ser candidato.

    P – A candidatura do Haddad ameaça a reeleição?

    GA – Eleição e mineração, só depois da apuração. O Haddad, que sempre julgou a herança maldita do governo Bolsonaro, vai agora pagar o preço da herança maldita que ele está deixando. É só você ver o que aconteceu com o aumento de imposto. Isso vai pesar muito. O Haddad não terá o desempenho que teve na outra eleição.

    P – O sr. conta no livro uma passagem curiosa da campanha de 89, o sr. e o Kassab viajando o país com ficha telefônica. Depois de décadas de convivência, como o sr. definiria o Kassab?

    GA – O Kassab começou comigo. Eu era presidente da Associação Comercial e criei um grupo de jovens empresários. Ele me foi apresentado por um tio dele, que era meio contraparente do meu pai, e me falou que o sobrinho gostava de política. Isso em 1983. Chegou com óculos com fundo de garrafa, estilo nerd. Fomos trabalhando e ele mostrou gosto. Quando eu precisei montar o PL, em 1985, ele veio me ajudar. A eleição presidencial [de 1989] foi a formatura dele, passou estado por estado para conversar com as lideranças de então. Aí nunca mais parou.

    RAIO-X | GUILHERME AFIF DOMINGOS, 82

    É secretário especial de Projetos Estratégicos do Estado de São Paulo. Foi vice-governador (2011-14), ministro da Micro e Pequena Empresa (2013-15), presidente do Sebrae (2015-19), deputado federal Constituinte (1987-89). É formado em administração na Faculdade de Economia do Colégio São Luís.

    Lula é favorito, mas máquina que ele comanda está fazendo fumaça, diz Afif

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