Categoria: POLÍTICA

  • Lula ironiza Flávio Bolsonaro e diz que 'aqui não tem dinheiro do Vorcaro'

    Lula ironiza Flávio Bolsonaro e diz que 'aqui não tem dinheiro do Vorcaro'

    Em Barretos (SP), presidente fez referência à revelação de pedido feito pelo senador ao ex-dono do Banco Master. Petista voltou a defender a proibição da utilização de inteligência artificial nas eleições deste ano

    RIBEIRÃO PRETO, SP (CBS NEWS) – O presidente Lula (PT) ironizou nesta sexta-feira (14) o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, ao participar de evento no interior de São Paulo, e voltou a defender a proibição do uso de inteligência artificial nas eleições deste ano.

    As afirmações foram feitas no Hospital de Amor de Barretos (a 423 km de São Paulo), onde esteve para anunciar a construção de um centro de pesquisa e medidas de incentivo à realização de cirurgias robóticas pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

    Acompanhado do vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), e dos ministros Alexandre Padilha (Saúde) e Frederico de Siqueira Filho (Comunicações), Lula se referiu ao caso envolvendo Flávio e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, enquanto comentava sobre recursos liberados para o hospital, referência no tratamento oncológico no país.

    “Aqui nesse hospital, aqui não tem dinheiro do Vorcaro”, disse o petista, que foi ovacionado pelos presentes.

    Flávio pediu dinheiro a Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está preso, e o ex-banqueiro chegou a pagar R$ 61 milhões para a produção, valor que supera os custos de filmes que venceram o Oscar, como “Ainda Estou Aqui”.

    As informações, reveladas pelo The Intercept Brasil e confirmadas pela Folha de S.Paulo, mostram o senador se referindo a Vorcaro como “irmão”. Flávio diz que o que ocorreu foi um filho procurar patrocínio privado para um filme sobre a história do pai.

    Também em seu discurso de cerca de 20 minutos, o presidente afirmou novamente que não deveria haver inteligência artificial nas eleições e pediu que os eleitores, ao receberem supostas notícias nos seus celulares, pesquisem a procedência das mesmas. Também afirmou que o Brasil precisa voltar a ser humano e que é necessário “extirpar o ódio”.

    “Por favor, pesquisem, pesquisem, porque você sabe que uma mentira é tão rápida como um avião de guerra, e uma verdade às vezes fica engatinhando. Então é por isso que a gente toma cuidado, porque tem muita gente mentindo nesse país […] O presidente da suprema corte Eleitoral [TSE} falou: ‘ah, dois dias para as eleições não vai ter inteligência artificial’. Mas não pode ter nunca inteligência artificial para eleição, não pode ter nunca, porque governar não é artificial, governar é real, cuidar do povo é real.”

    No evento foi anunciada a construção de um novo centro de pesquisa clínica e cirurgia robótica do Hospital de Amor e do Ircad (Instituto de Treinamento em Cirurgias Minimamente Invasivas).

    Lula e Padilha divulgaram também medidas do programa Agora Tem Especialistas, a implementação de uma tabela específica para o financiamento de cirurgias robóticas na rede pública e a entrega de veículos para o transporte de pacientes até os locais de tratamento.

    Para o hospital de Barretos, o ministério vai repassar R$ 129 milhões e formalizar um termo de execução com o Ministério das Comunicações para criar a Rede Saúde Brasil de Cibersegurança.

    Parte dos presentes gritou “Lula, Lula” enquanto os convênios eram assinados, e um dos presentes gritou “sem anistia”, no que foi saudado por parte dos presentes.

    Em sua fala, o presidente do Hospital de Amor, Henrique Prata, agradeceu ao presidente pelos recursos liberados nesta sexta e em seus mandatos anteriores. Também participaram do ato o prefeito de Barretos, Odair Silva (Republicanos), e o vice-prefeito, Mussa Calil Neto (MDB).

    A viagem marca também o retorno de Lula ao hospital, onde esteve há 13 anos para a inauguração de uma ala que leva o seu nome.

    O espaço tem 4.511 metros quadrados, duas salas cirúrgicas, UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e leitos de internação. A ala, à época, recebeu investimento de R$ 30 milhões (R$ 62,34 milhões, atualizados pelo IPCA), provenientes de doações de pessoas físicas e jurídicas.

    A viagem a Barretos é o único evento público na agenda do presidente nesta sexta-feira. Ele deve decolar para Brasília às 14h40, do aeroporto Chafei Amsei, em Barretos.

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  • Dino abre apuração sobre emendas para produtora do filme de Bolsonaro

    Dino abre apuração sobre emendas para produtora do filme de Bolsonaro

    Parlamentares do PL teriam destinado recursos para ONGs

    O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira (15) a abertura de uma investigação preliminar para apurar o envio de emendas parlamentares para organizações não-governamentais (ONGs) ligadas à produtora responsável pelas gravações da cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

    A apuração vai tramitar de forma sigilosa. 

    Em abril deste ano, a deputada Tabata Amaral (PSB-SP) solicitou ao Supremo providências sobre o envio de recursos oriundos de emendas parlamentares para as entidades, fato que poderia ser considerado como desvio de finalidade na aplicação de recursos públicos. 

    Posteriormente, o deputado Pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ) também denunciou o caso. 

    Segundo os parlamentares, os deputados Marcos Pollon (PL-MS), Mário Frias (PL-SP) e Bia Kicis (PL-SP) enviaram emendas para o Instituto Conhecer Brasil e à Academia Nacional de Cultura.

    As duas entidades fazem parte do mesmo conglomerado de ONGs e são ligadas à produtora audiovisual Go Up Entertainment, responsável pelas gravações do filme Dark Horse, que ainda não foi lançado e retrata a trajetória política do ex-presidente. 

    Após receber o pedido de providências dos parlamentares, o ministro Flávio Dino, relator do caso, determinou que os deputados fossem notificados para explicar a destinação das emendas. Pollon e Bia Kicis negaram o envio direto de recursos para produtora do filme. Mário Frias também deveria ser notificado para prestar esclarecimentos, mas não foi encontrado pelo oficial de Justiça enviado pelo Supremo.

    Diante do episódio, Dino determinou que a Câmara dos Deputados informe os endereços residenciais do parlamentar em São Paulo e Brasília.

    Frias destinou R$ 2 milhões ao Instituto Conhecer Brasil. As emendas ocorreram em 2024 e 2025. 

    Nesta semana, o site The Intercept revelou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar as gravações do filme que retrata a vida política de Bolsonaro. 

    Após a divulgação da conversa entre Flávio e Vorcaro, ocorrida em novembro do ano passado, o senador negou ter combinado qualquer vantagem indevida com o banqueiro e disse que os recursos eram privados.

    Dino abre apuração sobre emendas para produtora do filme de Bolsonaro

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  • PF acusa Cláudio Castro de usar máquina pública para facilitar crimes da Refit

    PF acusa Cláudio Castro de usar máquina pública para facilitar crimes da Refit

    Denúncias indicam que agentes públicos de alto escalão receberiam mais de R$ 300 mil por mês para facilitar processos do grupo

    RIO DE JANEIRO, RJ, E SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – As investigações da Polícia Federal que culminaram com a Operação Sem Refino, deflagrada nesta sexta-feira (15), acusam o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro de usar a máquina do estado para facilitar crimes atribuídos ao empresário Ricardo Magro, dono da Refit.

    As denúncias indicam que agentes públicos de alto escalão receberiam mais de R$ 300 mil por mês para facilitar processos do grupo. Um fiscal de rendas é acusado de ter acumulado mais de R$ 12 milhões em propinas nos últimos anos.

    “A leniência e a criação de um ambiente propício para a propagação da atividade espúria desenvolvida pela organização criminosa capitaneada por Ricardo Magro”, diz a PF, “retratam o amálgama do crime organizado com agentes públicos influentes na política fluminense, a começar pelo então chefe do Poder Executivo”.

    Em nota, a defesa de Castro diz que foi surpreendida com a operação, que o ex-governador “está à disposição da Justiça para dar todas as explicações convicto de sua lisura” e que todos os procedimentos de sua gestão obedeceram aos critérios técnicos e legais da legislação vigente, inclusive os relacionados à política de incentivos fiscais do Estado.

    “A gestão Cláudio Castro foi a única a conseguir que a Refinaria de Manguinhos pagasse dívidas com o estado, o que reforça a postura isenta e institucional do ex-governador. No total, gestão conseguiu garantir o pagamento de parcelas cujo o montante se aproxima de R$ 1 bilhão.”

    A defesa afirma que o parcelamento está suspenso devido a decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e que, em sua gestão, a PGE (Procuradoria-Geral do Estado) ingressou com inúmeras ações contra a Refit.

    A Refit e Magro, também em nota, negam ter falsificado declarações fiscais para ter vantagens fiscais ou ter fornecido combustível para o crime organizado.

    Castro foi um dos alvos de mandados de busca e apreensão na operação desta sexta. Ele renunciou ao cargo em março, para evitar cassação pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) em processo de abuso de poder nas eleições de 2022.

    O governo Castro é acusado de tomar decisões que facilitaram supostas operações fraudulentas do grupo Refit e de dificultar investigações e processos contra empresas de Magro. Entre as facilidades, aprovou uma lei que parcelou R$ 9,5 bilhões em dívidas com desconto de 95% das penalidades e juros.

    A lei ficou conhecida como “Lei Ricardo Magro”.

    As investigações apontam ainda atuações de outros órgãos estaduais em favor do grupo. O Inea (Instituto Estadual do Meio Ambiente) teria aprovado e renovado licenças de operação ambiental para a Refit à revelia de pareceres do Ibama (Instituto do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis).

    A PGE teria emitido pareceres favoráveis à empresa. Em um deles, tentou reverter interdição da refinaria de Manguinhos pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis) após a Operação Cadeia de Carbono, em parceria com a Receita Federal.

    No parecer, a procuradoria alegava que a paralisação das atividades da refinaria teria efeitos negativos sobre as receitas do estado.

    A Polícia Federal acusa ainda agentes da Polícia Civil do Rio de atuar para sabotar investigações sobre irregularidades cometidas pela Refit, adotando medidas que inviabilizassem a colheita de provas, como a intimação precoce de suspeitos.

    “Sob a batuta de Cláudio Castro e mediante suas diretrizes, o Estado do Rio de Janeiro direcionou todos os esforços de sua máquina pública, em um verdadeiro engajamento multiorgânico em prol do conglomerado capitaneado por Ricardo Magro”, diz a PF.

    O ex-secretário de Fazenda Juliano Pasqual é apontado como peça-chave nesse esquema. Sob seu comando, diz a PF, a secretaria se tornou “extensão da estrutura empresarial o grupo Refit”, com decisões favoráveis aos negócios de Magro.

    Segundo as investigações, Pasqual teria ainda atuado para impedir a concorrência no estado, ao obstruir ou dificultar obras de outras empresas do setor, como Tobras, Tramp Oil e Branson Holdings.

    A decisão destaca que o conglomerado Refit e as pessoas vinculadas a ele acumulam uma dívida de cerca de R$ 52 bilhões inscrita na dívida ativa da União, estados e Distrito Federal. Desse total, 94%, R$ 48, 9 bilhões, estão concentrados especificamente na Refit.

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  • Flávio diz que Jair Bolsonaro o aconselhou a falar a verdade e que Eduardo vive de doação do pai

    Flávio diz que Jair Bolsonaro o aconselhou a falar a verdade e que Eduardo vive de doação do pai

    Flávio Bolsonaro afirmou ter conversado com Jair Bolsonaro após a divulgação de mensagens com Daniel Vorcaro e disse que o pai o orientou a “ficar tranquilo e falar a verdade”. Senador negou irregularidades no financiamento do filme “Dark Horse”.

    (CBS NEWS) – O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, afirmou nesta sexta-feira (15) que conversou com seu pai, Jair Bolsonaro (PL), a respeito de sua relação com Daniel Vorcaro, revelada pelo site The Intercept Brasil, e que o ex-presidente lhe disse para ficar tranquilo e falar a verdade.

    Flávio afirmou que o dono do Banco Master e Bolsonaro nunca se encontraram, apesar de ter havido uma tentativa de levar o ex-presidente à mansão do ex-banqueiro para assistir a um documentário. O presidenciável também criticou seu rival na direita, o ex-governador Romeu Zema (Novo), a quem chamou de precipitado por ter dito que o caso era “imperdoável”.

    O pré-candidato disse que esteve com Bolsonaro na tarde de quarta (13), logo após virem à tona as conversas e áudios em que ele cobrava de Vorcaro os aportes restantes para bancar o filme “Dark Horse”, em homenagem ao ex-presidente. A última mensagem do senador ao ex-banqueiro é de 16 de novembro, um dia antes da prisão de Vorcaro.

    “Expliquei [ a Bolsonaro] que a imprensa havia noticiado o caso e que não havia absolutamente nada de errado. Ele me disse para ficar tranquilo, seguir firme e falar a verdade, que é o que estou fazendo. Insisto que não fiz nada de errado; trata-se de um investimento privado em um filme com expectativa de retorno”, disse Flávio a jornalistas no aeroporto em Brasília, antes de embarcar para um evento no Rio.

    Flávio disse ainda que o custo total de “Dark Horse” (azarão em inglês) foi de US$ 16 milhões (cerca de R$ 80 milhões na cotação atual), mas não soube detalhar o caminho do dinheiro entre as empresas ligadas a Vorcaro e a produtora do filme, passando por um fundo nos EUA gerenciado pelo advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL).

    O senador voltou a negar que parte do dinheiro tenha sido usada para bancar despesas do irmão, suspeita investigada pela Polícia Federal, e disse que Eduardo sobrevive de uma doação feita pelo pai e de reservas próprias.

    Flávio disse que Zema foi “precipitado” e que tentou ligar para o adversário para conversar. Ele também agradeceu ao presidenciável Ronaldo Caiado (PSD), que minimizou o episódio.

    “Ele [Zema] é novo na política e precisa entender que tem a grande responsabilidade de ajudar os brasileiros a se livrarem do PT. Eu merecia, pelo menos, o benefício da dúvida da parte dele após meus esclarecimentos. Ele se equivocou em se antecipar e me pré-condenar, eu jamais faria isso com ele”, declarou.

    “A última parcela que ele pagou foi em maio de 2025, quando o caso não estava em evidência como hoje.

    Não havia operação contra ele. Eu apenas cobrava que o contrato fosse cumprido. É difícil arrumar investidores para um filme assim e eu não queria que a produção fosse interrompida”, disse ainda.

    “Minha relação com ele era estritamente profissional para tratar do fundo. Quando os problemas com ele surgiram, a relação foi encerrada e busquei outros investidores para terminar o filme”, completou.

    Flávio diz que Jair Bolsonaro o aconselhou a falar a verdade e que Eduardo vive de doação do pai

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  • Cármen Lúcia relata que evitava reclamar do trabalho para não ser estigmatizada

    Cármen Lúcia relata que evitava reclamar do trabalho para não ser estigmatizada

    Ministra do STF afirmou que evitava reclamar da carga de trabalho para não ser desacreditada por ser mulher. Corte validou lei que obriga empresas com mais de 100 funcionários a divulgar relatórios de transparência salarial.

    Durante a votação no Supremo Tribunal Federal (STF) desta quinta-feira (14), que validou a lei de igualdade salarial entre mulheres e homens que exercem a mesma função, a ministra Cármen Lúcia relatou episódios de preconceito enfrentados ao longo da carreira jurídica. Segundo ela, evitava reclamar da carga excessiva de trabalho por acreditar que suas queixas seriam desconsideradas por ser mulher.

    “O preconceito contra a mulher continua na ordem do dia, da maneira mais cruel. Falo de cátedra, porque acham que a gente anda na rua e não passa por isso. Passa. Todas as mulheres passam, de uma forma ou de outra”, afirmou a ministra.

    “Eu não reclamava porque, se reclamasse, iam dizer: ‘mulher’. Se tinha tantas audiências para fazer, tantos processos… Já saí de cargo que, no meu lugar, colocaram três procuradores, e eles reclamavam”, declarou Cármen Lúcia.

    A ministra também afirmou que a desigualdade enfrentada pelas mulheres vai além da diferença salarial e inclui obstáculos para promoções, estereótipos de gênero e divisão desigual de tarefas no ambiente profissional.

    Cármen acompanhou o voto do relator, Alexandre de Moraes, e classificou a discriminação de gênero como uma “questão de humanidade”.

    O plenário analisava a validade da Lei 14.611/2023, que obriga empresas com mais de 100 funcionários a divulgarem relatórios de transparência salarial e critérios remuneratórios ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Caso sejam identificadas desigualdades salariais, as empresas devem apresentar um plano de ação com metas e prazos para correção.

    Para os ministros, a legislação reforça princípios constitucionais de combate à discriminação de gênero e promoção da igualdade salarial, sem violar a livre iniciativa.

    “É flagrante que homens recebem muito mais pelo exercício exatamente das mesmas funções exatamente por serem homens. Não são mais antigos, não são mais competentes, não são melhores profissionais. A questão é claramente discriminação de gênero”, afirmou Moraes.

    O ministro também citou dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE, divulgada em 2024.

    “As mulheres recebem rendimentos inferiores aos dos homens no mercado de trabalho, chegando, em algumas regiões do país, a uma proporção de até 74,2% a menos”, destacou.

    “O que o constitucionalismo contemporâneo propõe não é apenas a assimilação e a repetição do princípio da igualdade, é a dinâmica da igualação. Ou seja, é uma ação permanente do Estado e da sociedade”, afirmou Cármen Lúcia.

    “Todo mundo que subiu à tribuna disse ser a favor da igualdade, ‘mas…’. E é no ‘mas’ que os meus direitos tropeçam e ficam no chão”, completou.

    O STF julgou três ações sobre o tema apresentadas pelo Partido Novo, pela Confederação Nacional da Indústria e pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo.

    As entidades alegavam que a divulgação salarial poderia expor informações estratégicas das empresas, argumento rejeitado pelo relator.

    Cármen Lúcia relata que evitava reclamar do trabalho para não ser estigmatizada

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  • PF cumpre buscas contra Cláudio Castro em operação sobre suspeitas no ramo de combustíveis

    PF cumpre buscas contra Cláudio Castro em operação sobre suspeitas no ramo de combustíveis

    Segundo a PF, a operação apura “atuação de conglomerado econômico do ramo de combustíveis suspeito de utilizar estrutura societária e financeira para ocultação patrimonial, dissimulação de bens e evasão de recursos ao exterior”

    (CBS NEWS) – A Polícia Federal cumpre, nesta sexta-feira (15), mandados de busca e apreensão contra Cláudio Castro (PL), ex-governador do Rio de Janeiro, em operação que também tem com alvo Ricardo Magro, dono da Refit.

    Magro vive fora do Brasil e foi determinada a inclusão de seu nome na lista vermelha da Interpol.

    A decisão é do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).

    Segundo a PF, a operação apura “atuação de conglomerado econômico do ramo de combustíveis suspeito de utilizar estrutura societária e financeira para ocultação patrimonial, dissimulação de bens e evasão de recursos ao exterior”.

    A investigação é sobre suspeitas de fraudes fiscais, ocultação patrimonial e inconsistências relacionadas à operação de refinaria.

    Magro é dono da Refit (Refinaria de Manguinhos), investigada nas operações Carbono Oculto e Cadeia de Carbono, deflagradas no ano passado contra sonegação de impostos na importação da gasolina e fornecimento de combustíveis para postos de gasolina do PCC.

    Foi determinado o de bloqueio de aproximadamente R$ 52 bilhões em ativos financeiros.

    PF cumpre buscas contra Cláudio Castro em operação sobre suspeitas no ramo de combustíveis

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  • PF suspeita que dinheiro de Vorcaro tenha custeado despesas de Eduardo Bolsonaro nos EUA

    PF suspeita que dinheiro de Vorcaro tenha custeado despesas de Eduardo Bolsonaro nos EUA

    PF investiga suspeita de uso de recursos ligados ao Banco Master para custear despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Flávio Bolsonaro confirmou repasses para produção de filme sobre Jair Bolsonaro, mas negou que o dinheiro tenha financiado a permanência do irmão no país

    (CBS NEWS) – A Polícia Federal suspeita que recursos ligados a Daniel Vorcaro, do Banco Master, foram usados para financiar despesas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos, onde ele vive desde fevereiro de 2025.

    Esses recursos teriam sido transferidos pela Entre Investimentos e Participações, que tem ligações com Vorcaro, a um fundo controlado por aliados de Eduardo e sediado no Texas, nos EUA.

    A empresa é a mesma utilizada no financiamento do filme “Dark Horse” (“azarão”, em inglês), que trata da vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

    Por meio de postagem em rede social, Eduardo rebateu nesta quinta-feira (14) as suspeitas, disse que a história veiculada “é tosca” e que tudo não passa de uma tentativa “de assassinato de reputação, que tenta atrelar ilicitude em patrocínio para um filme”.

    “A história de que recebi dinheiro do fundo de investimento não se sustenta e é tosca. Meu status migratório não permitiria, se isso tivesse acontecido o próprio governo americano me puniria. No meu processo migratório expliquei às autoridades americanas toda a origem dos meus recursos e não tive qualquer problema, porque aqui não vigora um regime de exceção”, disse.

    Mais cedo, em entrevista à Globonews, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) confirmou que recursos pagos por Vorcaro para a produção do filme passou pelo Havengate Development Fund, fundo registrado no Texas e representado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo. O parlamentar negou, porém, que esse dinheiro tenha sido destinado a bancar as despesas do irmão nos EUA.

    A PF pretende entender se os recursos -que teriam sido enviados a pedido do dono do Master- foram, de fato, usados para financiar o filme ou se uma parte serviu para custear a vida de Eduardo no país, para onde ele se mudou alegando perseguição de Alexandre de Moraes, ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), e de onde já se queixou de contas bancárias bloqueadas inclusive de sua mulher.

    Em entrevista à Globonews, Flávio disse que os recursos aportados no fundo foram integralmente usados para fazer o filme. Em nota, afirmou ainda ser “falsa a insinuação de que recursos tenham sido destinados a Eduardo Bolsonaro”. “Os aportes foram direcionados a um fundo específico da produção, com estrutura jurídica própria e fiscalização nos Estados Unidos.”

    Em sua postagem, Eduardo disse que “nós não somos donos do filme, mas sim os mais de uma dezena de investidores” e que “o escritório cuida apenas da gestão burocrática, financeira e legal dos recursos”.

    Ele afirmou ter apresentado o advogado ao ex-deputado federal Mario Frias (PL-SP), que estava procurando investidores para o filme, e que “o filme não é um produto inexistente ou um serviço fake de advocacia, é um produto real com grandes estrelas”.

    Na quarta-feira (13), o site The Intercept Brasil revelou que Flávio pediu dinheiro a Vorcaro para financiar o filme.

    O ex-banqueiro chegou a pagar R$ 61 milhões, de um total de R$ 134 milhões que estaria previsto, e um áudio de setembro de 2025 mostra o senador do PL cobrando mais recursos.

    Flávio confirmou ter pedido dinheiro a Vorcaro para o filme, mas negou ter recebido ou oferecido vantagens.

    “O que aconteceu foi um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público”, afirmou. No comunicado, ele disse que conheceu Vorcaro em dezembro de 2024, “quando o governo Bolsonaro já havia acabado e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro”.

    “O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme. Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem”, completou.

    Também na quarta, a Go Up Entertainment, produtora do filme, negou ter recebido repasses de Vorcaro para o projeto, assim como o produtor-executivo e ex-deputado Mario Frias.

    Frias, no entanto, recuou nesta quinta. Em nova manifestação, o ex-deputado admitiu que houve repasses por meio da empresa Entre e afirmou que se referia anteriormente “ao fato de que Daniel Vorcaro não é e nunca foi signatário de relacionamento jurídico [com a produção], assim como o Banco Master nunca figurou como empresa investidora”.

    Eduardo foi para os EUA no ano passado. Ele é réu no STF em uma ação sob acusação do crime de coação.

    A acusação diz que ele buscou sanções contra o Brasil e contra autoridades brasileiras com o objetivo de atrapalhar o andamento do julgamento de Jair Bolsnaro pela trama golpista.

    A denúncia da PGR (Procuradoria-Geral da República) foi apresentada em 21 de setembro, após a condenação de Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado. O documento cita declarações públicas de Eduardo, entrevistas e postagens em que ele expõe sua atuação na imposição de sanções. Em novembro de 2025, a Primeira Turma do Supremo aceitou a denúncia por unanimidade.

    No ano passado, Eduardo chamou a acusação de fajuta e disse que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, é “lacaio de [Alexandre de] Moraes”. 

    A defesa também argumenta que não houve violência ou grave ameaça no episódio.

    Flávio vinha buscando se descolar do escândalo do Master. Após seu aliado Ciro Nogueira (PP-PI) ser alvo de operação da PF, Flávio afirmou na última sexta (8) que “querem me vincular com o Ciro Nogueira, mas o Banco Master é do Lula”.

    Flávio havia negado, há dois meses, ter tido qualquer contato com Vorcaro, quando a Folha revelou que seu número de telefone estava na agenda do ex-banqueiro.

    PF suspeita que dinheiro de Vorcaro tenha custeado despesas de Eduardo Bolsonaro nos EUA

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  • "É um caso de polícia", diz Lula sobre relação entre Flávio e Vorcaro

    "É um caso de polícia", diz Lula sobre relação entre Flávio e Vorcaro

    Senador teve conversas com banqueiro reveladas por portal de notícias; Flávio articulou repasses de R$ 134 milhões do banqueiro supostamente para financiar a realização de um filme sobre a trajetória política do pai

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (14) que os vínculos entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, preso por fraudes financeiras, é um caso de polícia. A declaração foi feita em resposta ao questionamento de uma jornalista durante visita do presidente à fábrica de fertilizantes nitrogenados na Bahia, a Fafen, em Camaçari, na região metropolitana de Salvador.  

    “Eu não vou comentar, é um caso de polícia, não meu. Eu não sou policial, não sou procurador-geral. O caso dele é de polícia”, afirmou o presidente. 

    Lula se referia ao escândalo envolvendo o senador pelo Rio de Janeiro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e pré-candidato ao Palácio do Planalto, revelado em reportagem do portal The Intercept Brasil. 

    De acordo com a publicação, Flávio articulou repasses de R$ 134 milhões do banqueiro supostamente para financiar a realização de um filme sobre a trajetória política do pai, que governou o país entre 2019 e 2022.    

    O banqueiro Daniel Vorcaro está preso suspeito de liderar uma organização criminosa que praticava fraudes financeiras por meio do Banco Master, que teve sua liquidação decretada no fim do ano passado, por decisão do Banco Central (BC), após a constatação da incapacidade da instituição em honrar com os depósitos e aplicações de clientes.

    Ao revelar o envolvimento entre Flávio e Vorcaro, a reportagem do Intercept divulgou um áudio do próprio senador que menciona a importância do filme sobre o pai e a necessidade do envio dos recursos para pagar “parcelas para trás”.  

    A reportagem revela também, com base em outras mensagens de WhatsApp vazadas, bem como em documentos e comprovantes bancários, que parte do valor teria sido pago entre fevereiro e maio de 2025.

    Prisão

    As últimas conversas entre ambos, mostradas pela reportagem, datam do início de novembro do ano passado, um período crítico para o Banco Master e Vorcaro. Pouco mais de uma semana depois dessa troca de mensagens, o Banco Central decretou a liquidação do Master e a Polícia Federal (PF) prendeu o banqueiro em um dos desdobramentos da operação sobre fraudes financeiras.

    Vorcaro está preso na Superintendência da PF, em Brasília, e negocia um acordo de delação premiada.

    O filme estaria sendo realizado por uma produtora no exterior, com atores e equipes estrangeiros, e tem previsão de ser lançado ainda este ano. 

    Ainda segundo a matéria, o apoio envolve transferências internacionais de uma empresa controlada por Vorcaro a um fundo dos Estados Unidos gerido por Paulo Calixto, advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio. 

    Deputados federais da base no governo apresentaram uma denúncia à PF e à Receita Federal para que apurem se houve ilegalidades nas transações e se os recursos podem estar relacionados a algum tipo de propina.

    Outro lado

    Horas após a publicação da reportagem, nesta quarta-feira (13), Flávio Bolsonaro, que inicialmente negou a situação, acabou admitindo ter pedido o recurso e ter mantido relação com Vorcaro, mas destacou tratar-se de uma questão privada.  

    “É preciso separar os inocentes, dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet”, esclarece Flávio. 

    “Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro. O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme”, acrescentou o parlamentar na manifestação, horas após a publicação da matéria.

    Ainda na nota, Flávio Bolsonaro negou ter combinado qualquer vantagem indevida no trato com o banqueiro.

    “Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem. Isso é muito diferente das relações espúrias do governo Lula e seus representantes com Vorcaro. Por isso, reitero, CPI do Master já”, completou.

    Pouco depois de divulgar a nota, um vídeo de Flávio repetindo os mesmos argumentos também foi compartilhado nas redes sociais. Na gravação, ele disse que Vorcaro parou de honrar com as parcelas pendentes do patrocínio e informa que havia um contrato assinado a respeito desses repasses prometidos. Ele não deu informações a respeito do suposto contrato.

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  • Produtora de filme de Bolsonaro tem verba da Prefeitura de SP e emendas

    Produtora de filme de Bolsonaro tem verba da Prefeitura de SP e emendas

    Sócia defende regularidade e nega ter recebido recursos públicos para longa-metragem sobre Jair Bolsonaro. Gestão Nunes diz que convênio de R$ 108 mi foi regular, e deputados do PL justificam destinação de verbas

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – Ao justificar o pedido de dinheiro a Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar um filme sobre a história de Jair Bolsonaro (PL), o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enfatizou haver “zero de dinheiro público”, mas a produtora responsável pelo projeto tem ligações com uma rede que já foi abastecida por emendas de deputados do PL e contrato com a Prefeitura de São Paulo na gestão Ricardo Nunes (MDB).

    A Go Up, produtora do longa-metragem “Dark Horse” (“Azarão”), que trata da vida do ex-presidente, tem como sócia-administradora Karina Gama, que controla outras empresas ou entidades do ramo cultural beneficiadas por verbas públicas destinadas por deputados federais do PL como Mario Frias (SP).

    O Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina, também firmou termo de colaboração para receber R$ 108 milhões da prefeitura paulistana, conforme revelado pelo The Intercept Brasil, para fornecer internet wi-fi em comunidades de baixa renda, após chamamento público realizado em 2024.

    Karina nega que o filme sobre Bolsonaro tenha recebido dinheiro de pessoas ou empresas brasileiras, seja verba pública ou privada, e também nega que Daniel Vorcaro tenha passado qualquer valor à produção do longa-metragem.
    A gestão Nunes afirma que “a contratação do Instituto Conhecer Brasil para a instalação de 5.000 pontos do Wi-Fi Livre na cidade foi realizada por meio de chamamento público transparente e sem contestações”.

    Segundo a prefeitura, “a organização social cumpriu todas as exigências previstas no edital, e a prestação do serviço está em andamento com 3.200 pontos de wi-fi implementados e 1.800 pontos previstos para 2026”.

    Em relação ao financiamento do filme sobre Bolsonaro, a Go Up, que também está associada a um endereço nos Estados Unidos, diz não ser possível revelar nenhum dos mais de dez investidores estrangeiros em razão de um acordo de confidencialidade.

    Além da Go Up, Karina é associada a mais três empresas do ramo cultural. Todas têm o mesmo endereço e telefone fixo para contato nos dados oficiais da Receita Federal, mas o local abriga uma quarta empresa, a Gowork, um escritório virtual com endereço fiscal que atende diversas empresas para o recebimento de correspondência simples.

    Segundo a Gowork, a produtora não tem relação com o endereço e apenas uma empresa de Karina, o Instituto Conhecer Brasil, é cliente do serviço. A Go Up nega qualquer irregularidade com os dados e afirma que suas “documentações seguem de forma regular junto aos prestadores de serviços”.

    O Instituto Conhecer Brasil também recebeu R$ 2 milhões do deputado Mario Frias em 2025 para projetos de letramento digital e incentivo ao esporte.

    Segundo o parlamentar, as emendas foram entregues a “projetos sociais devidamente estruturados e supervisionados por órgãos federais” e nada têm a ver com o filme “Dark Horse”, para o qual contribuiu com argumento inicial, atuação e produção executiva, “especialmente na articulação internacional e na captação de investimento privado e estrangeiro para o setor audiovisual nacional”.

    Ele, que também é citado pelo Intercept como possível intermediário nos trâmites com Vorcaro, endossou em nota o posicionamento da produtora e negou que tenha havido repasses.

    Outra empresa da qual Karina é presidente, a ANC (Academia Nacional de Cultura), teve R$ 2,6 milhões de emendas destinadas pelos deputados Marcos Pollon (PL-MS) e Bia Kicis (PL- DF), além de Carla Zambelli, então deputada pelo PL de São Paulo, e Alexandre Ramagem, que exercia o mandato pelo PL do Rio de Janeiro.

    Conforme revelado pelo UOL, o dinheiro foi repassado em 2024, por emenda Pix, para o estado de São Paulo e tinha como destino final a ANC para a realização de uma série sobre heróis nacionais.

    Segundo a assessoria de Pollon, a emenda do parlamentar, de R$ 1 milhão, foi redirecionada para uma instituição oncológica depois de o projeto não cumprir os requisitos necessários. O deputado afirma que “não houve destinação de recursos para qualquer finalidade diferente daquela apresentada formalmente nos projetos” e que as emendas foram destinadas de forma regular, transparente e dentro das prerrogativas legais do mandato.

    Kicis afirma que a emenda passada por ela, de R$ 150 mil, “sequer foi paga até o presente momento” e que o projeto tem natureza cultural e educativa, voltado à valorização da história nacional e ao fortalecimento da economia criativa.

    Ela diz que, em momento algum, “destinou emenda parlamentar para a produção de filme ou qualquer conteúdo audiovisual relacionado à vida do presidente Jair Bolsonaro”.

    Gerido pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), o estado de São Paulo confirmou que as emendas para a série “encontram-se, em sua totalidade, sem execução em razão de diligências em curso para sanar restrições técnicas e pendências documentais relacionadas ao beneficiário”.

    “Não houve empenho, liquidação ou pagamento dos valores, que permanecem integralmente preservados, contabilmente identificados e vinculados à finalidade originalmente prevista. Caso as pendências não sejam sanadas, os recursos serão devolvidos.”

    Os repasses ligados a Karina geraram uma representação aberta no STF (Supremo Tribunal Federal) da deputada Tabata Amaral (PSB-SP) sobre os aportes públicos da Prefeitura de São Paulo e de emendas às organizações ligadas à empresária.

    Já a Conhecer Brasil Assessoria Produção e MKT Cultural, quarta empresa ligada a Karina, recebeu R$ 54 mil de Frias em gastos da campanha de 2022.

    Segundo Frias, a prestação de contas foi devidamente analisada e aprovada pelos órgãos competentes. “Não há relação entre esses serviços e projetos sociais ou produções audiovisuais. Cada contratação seguiu os parâmetros legais aplicáveis ao processo eleitoral.”

    A Go Up afirma que a estreia comercial do filme sobre Bolsonaro está em fase de definição. As gravações terminaram em dezembro, em São Paulo. A obra conta com o americano Jim Caviezel, conhecido por interpretar Jesus em “A Paixão de Cristo” (2004), no papel do ex-presidente. A direção é de Cyrus Nowrasteh, cineasta americano de origem iraniana e com obras de tema religioso.

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  • STF apura emenda parlamentar para produtora de filme sobre Bolsonaro

    STF apura emenda parlamentar para produtora de filme sobre Bolsonaro

    Academia Nacional de Cultura foi contemplada com R$ 2,6 milhões oriundos de emendas parlamentares destinadas por deputados federais filiados ao Partido Liberal (PL), sigla do ex-presidente Bolsonaro. Repasses foram feitos por deputados, entre eles Mário Frias

    Há mais de um mês, oficiais de justiça tentam cumprir uma determinação do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), e intimar o deputado federal Mário Frias (PL-SP) a prestar esclarecimentos sobre supostas irregularidades na destinação de emendas parlamentares a empresas da produtora artística responsável pelo filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, a obra Dark Horse.

    Em 21 de março, o ministro Flávio Dino deu cinco dias para o parlamentar responder à denúncia da também deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP). Tabata acusa Frias de ter destinado ao menos R$ 2 milhões à organização não governamental (ONG) Academia Nacional de Cultura (ANC), presidida pela empresária Karina Ferreira da Gama.

    Karina também está à frente de outras entidades e empresas, como o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Go Up Entertainment, responsável por produzir o filme biográfico sobre Bolsonaro, previsto para estrear nos cinemas brasileiros em meados de setembro, semanas antes do primeiro turno das eleições.

    Segundo os autos da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 854, a oficial de Justiça Federal encarregada de intimar Frias esteve no gabinete do deputado, na Câmara dos Deputados, em Brasília, em ao menos três ocasiões entre março e abril. Em todas as vezes, foi atendida por assessores parlamentares que informaram que Frias estaria em São Paulo, em compromissos de campanha, e que não demonstraram “interesse em informar a agenda do parlamentar”.

    Emendas

    A denúncia apresentada por Tabata Amaral foi motivada por uma reportagem de dezembro de 2025, do site The Intercept Brasil. Segundo a publicação, a Academia Nacional de Cultura foi contemplada com R$ 2,6 milhões oriundos de emendas parlamentares destinadas por deputados federais filiados ao Partido Liberal (PL), sigla do ex-presidente Bolsonaro. Além de Frias, são citados os deputados Bia Kicis e Marcos Pollon.

    A partir da reportagem, Tabata sugere a formação de um grupo econômico composto por diferentes empresas e entidades atuando sob um comando único. Ela defende que isso poderia dificultar a rastreabilidade da execução da verba pública e estar indiretamente financiando produções cinematográficas de cunho ideológico.

    Também intimados por Dino, Bia e Pollon entregaram ao ministro seus esclarecimentos dentro do prazo estipulado. O deputado admitiu ter destinado R$ 1 milhão para a Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo viabilizar, por intermédio da Go Up Entertainment, “a produção da série documental intitulada Heróis Nacionais – Filhos do Brasil que não se rendem”.

    Contudo, segundo o deputado, devido à “incapacidade da entidade beneficiária de cumprir requisito técnico essencial”, o projeto não avançou e ele redirecionou os recursos para a área da saúde, “especificamente em favor do Hospital de Amor de Barretos” (SP).

    “A inexistência de execução afasta, por completo, qualquer hipótese de desvio de finalidade ou irregularidade material na aplicação de recursos públicos”, sustenta Pollon.

    Decisão política 

    Bia Kicis também admitiu ter destinado R$ 150 mil em recursos públicos para a realização da série Heróis Nacionais, citada por Pollon. E, assim como o deputado, pondera que a indicação não foi executada

    A deputada classifica a petição de Tabata Amaral como “maldosa” por, “indevidamente”, associar sua emenda “a supostas irregularidades e desvios de finalidade”, não havendo “qualquer conexão entre a emenda [parlamentar] e a obra cinematográfica Dark Horse”.

    “A tentativa de realizar uma amálgama entre projetos distintos, apenas por envolverem a mesma produtora ou temas de espectro conservador, constitui um erro metodológico e jurídico grave”, argumenta a deputada.

    Bia Kicis refuta a “leviana alegação” de que ajudou a custear, com dinheiro público, um filme sobre Jair Bolsonaro.

    “A despeito da tentativa de criminalizar a indicação orçamentária realizada por esta parlamentar, é fundamental que este Supremo Tribunal Federal analise o mérito social e econômico do projeto beneficiado, o qual reflete o compromisso deste mandato com a promoção da cultura e da história nacional brasileira”, alega a deputada, reconhecendo que, com sua emenda, além de fomentar o setor audiovisual, tomou “uma decisão política pautada pela potencialidade de geração de valor para a sociedade, especialmente no campo da educação e da economia criativa”.

    Provocada pelo ministro Flávio Dino, a Advocacia da Câmara dos Deputados atestou que, do ponto de vista processual, não identificou irregularidades nas duas emendas de Mario Frias – as únicas que Tabata Amaral elencou em sua representação.

    Master

    Nesta quarta-feira (13), reportagem publicada pelo site The Intercept Brasil revelou que o senador Flávio Bolsonaro pediu a Vorcaro que destinasse cerca de R$ 134 milhões para custear o filme Dark Horse. Deste total, Vorcaro teria liberado ao menos R$ 61 milhões.

    Áudios divulgados revelam que o senador e o banqueiro trocaram mensagens sobre a necessidade de aporte financeiro para o filme às vésperas de Vorcaro ser preso pela primeira vez no âmbito da Operação Compliance Zero. Deflagrada em novembro de 2025, a operação aprofunda as investigações de supostos crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e fraudes nas negociações entre os bancos Master e de Brasília (BRB).

    Em um dos áudios, Flávio menciona a importância do filme e a necessidade do envio dos recursos para pagar “parcelas para trás”.  

    “Apesar de você ter dado a liberdade de a gente te cobrar, eu fico sem graça de ficar te cobrando. É porque está em um momento muito decisivo aqui do filme e, como tem muita parcela para trás, cara, está todo mundo tenso e fico preocupado com o efeito contrário com o que a gente sonhou para o filme”, diz o senador, em áudio.  

    Superprodução

    Roteirista e produtor executivo do filme, o deputado Mário Frias afirmou, nesta quarta-feira (13), que o senador Flávio Bolsonaro não tem qualquer participação societária no filme ou na produtora Go Up Entertainment, de Karina Ferreira da Gama. Segundo Frias, a obra não recebeu “nem um único centavo” do Banco Master ou de Vorcaro.

    “E ainda que houvesse [recebido], não haveria problema algum: trata-se de relação estritamente privada, entre adultos capazes, sem um único real de dinheiro público envolvido. E, na época, não havia qualquer suspeita a ele e seu banco”, sustentou Frias.

    Ele foi secretário especial de cultura (2020/2022) da gestão de Jair Bolsonaro.

    Na mesma nota, Frias tenta justificar os custos da produção – superiores, por exemplo, aos valores do filme Ainda Estou Aqui, ganhador do Oscar de Melhor Filme Internacional, em 2025, que totalizaram R$ 45 milhões.

    “Dark Horse é uma superprodução em padrão hollywoodiano, com 100% de capital privado, ator de primeira linha, além de diretor e roteirista de renome internacional — com qualidade inédita para retratar o maior líder político brasileiro do século XXI. O projeto é real, será lançado nos próximos meses e, para quem investiu, será um negócio bem-sucedido”, acrescentou Frias.

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