Categoria: POLÍTICA

  • Haddad diz que resistiu a virar a chave para ser candidato e que Tarcísio mente

    Haddad diz que resistiu a virar a chave para ser candidato e que Tarcísio mente

    Ex-ministro criticou a gestão do governador e afirmou que a situação fiscal estaria difícil não fosse o apoio do governo federal. Pré-candidato ao Governo de São Paulo, petista disse ainda que Lula o convenceu a concorrer

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – Pré-candidato ao Governo de São Paulo, o ex-ministro Fernando Haddad (PT) afirmou nesta quinta-feira (7) que o estado de São Paulo estaria numa situação fiscal difícil não fosse o apoio do governo federal com a renegociação de dívidas. Disse, ainda, que o cenário estadual é preocupante.

    O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), pré-candidato à reeleição, é crítico à condução da política econômica do governo Lula (PT) e afirmou nesta semana que Haddad “quebrou o Brasil”.

    “Ele [Tarcísio] não precisa agradecer, mas não precisa mentir. Fica quieto. Eu no lugar dele ficava quieto. Agora, mentir? Ganhou o que com isso?”, disse Haddad durante palestra na Fundação Fernando Henrique Cardoso, no centro de São Paulo.

    Haddad criticou a imprensa mais de uma vez, dizendo que não vê os jornais fazendo seu trabalho “em relação à administração Tarcísio”. “Não vejo a imprensa dizer a verdade sobre o que está acontecendo, com a contundência que tratam os assuntos que nos dizem respeito. Não tem uma matéria sobre as finanças do estado de São Paulo”, afirmou.

    O ex-ministro também ironizou os editoriais do jornal Folha de S.Paulo. “Eu estava falando com uma pessoa que, só da Folha, teve 150 editoriais contados. Eu sempre acho graça. Porque, primeiro, ninguém lê. Segundo, é uma prova a meu favor.”

    Ele disse também que resistiu muito “a virar a chave” e decidir se candidatar em São Paulo, porque estava com a cabeça no plano nacional, “convencido que tinha que tentar elaborar um plano de desenvolvimento”. Segundo Haddad, o presidente Lula (PT) conversou com ele por muitas horas, argumentando que precisava de um candidato forte no estado.

    “Eu não tinha expectativa de encontrar o quadro que encontrei. Encontrei muitos problemas que pensei que já tivessem sido endereçados”, afirmou, listando questões na segurança, na educação e na saúde.

    “Há uma grande insatisfação na Polícia Militar, Civil, nos magistérios, com prefeitos. Questões estruturais, mudanças estruturais tomadas que vão dar trabalho reverter.”

    No plano nacional, Haddad disse que há condições de dar um salto importante, considerando a produção de biocombustíveis, as terras raras (grupo de elementos químicos usados em produtos de alta tecnologia e na energia limpa) e as energias solar e eólica “abundante e muito baratas”.

    “A política que vai dizer se vamos aproveitar essa janela [de oportunidade] ou se vamos praticar o esporte nacional predileto, que é perder as oportunidades que se abrem”, afirmou.

    Ele disse ainda que está otimista sobre o futuro do país (segundo ele, as questões podem ser resolvidas em “dois, três anos, se não tiver gol contra”), mas afirmou temer percalços políticos. “O Brasil está vivendo um momento de repensar suas instituições. Temos um problema a ser endereçado na relação institucional.”

    Em relação à economia, o ex-ministro disse que sempre defendeu o superávit primário e que é preciso haver equilíbrio fiscal. Criticou o que chamou de “esquerda estereotipada”, em referência a grupos ideológicos que negam a necessidade de qualquer limite de gastos. Afirmou, também, que o ajuste das contas pode ser feito de muitas formas (pelo aumento da receita, pelo corte nas despesas, ou por combinações).

    “Todo mundo vai ter que colaborar na medida de suas forças. O sacrifício maior não pode ser de quem ganha um salário mínimo.”

    Em entrevista a jornalistas após o evento, Haddad disse que as pessoas não têm ideia a respeito de quem é o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência. Afirmou, também, que espera que a campanha mostre “como ele angariou esse patrimônio considerável que detém” e “quem são os amigos dele”.

    Em seguida, o ex-ministro emendou sua fala defendendo transparência nas investigações sobre o banco Master. “As investigações estão sendo aprofundadas sobre os escândalos que o governo desbaratou, então tem havido uma compreensão maior de quem de fato é responsável por esses desmandos, quando surgiram esses desmandos, quem foram os responsáveis.”

    Como mostrou a Folha de S.Paulo, integrantes do governo Lula estão buscando associar o senador ao caso Master após a Polícia Federal ter realizado operação contra o senador Ciro Nogueira (PP), aliado de Flávio, na manhã desta quinta.

    Haddad diz que resistiu a virar a chave para ser candidato e que Tarcísio mente

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  • Nogueira buscou apoio de Lula mas foi ignorado e se juntou a Bolsonaro

    Nogueira buscou apoio de Lula mas foi ignorado e se juntou a Bolsonaro

    Senador Ciro Nogueira buscou apoio de Lula mas acabou integrando núcleo duro de Bolsonaro; parlamentar ainda tentou ser vice de Tarcísio

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – Alvo de operação da Polícia Federal, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) é um dos líderes do centrão em Brasília. Caracterizado pelo pragmatismo político, ele já gravitou da base de apoio de governos petistas para a Esplanada dos Ministérios de Jair Bolsonaro (PL) e tentou o apoio de Lula (PT) após fracassar na tentativa de ser vice do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) em uma possível chapa presidencial.

    A PF cumpriu mandado de busca e apreensão nesta quinta-feira (7) em endereços do congressista no âmbito de nova fase da operação Compliance Zero, que investiga suspeitas relacionadas ao Banco Master.

    A suspeita é que Ciro Nogueira tenha recebido quantias operacionalizadas por Felipe Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro, dono do banco.

    O senador nasceu em 1968, em Teresina, no Piauí. Formado em direito pela PUC-RJ, foi deputado federal por quatro mandatos, de 1995 a 2011. A partir de então chegou ao Senado Federal, tendo sido eleito de novo em 2018. Desde 2013, preside o Progressistas.

    Com histórico de figurar ao lado do poder, já apoiou e rasgou elogios a Lula (PT). Chegou a chamar o petista de o “melhor presidente da história, principalmente para o Piauí e Nordeste. Também sempre manteve diálogo com o atual ocupante do Executivo federal.

    No passado, também chamou Bolsonaro de “fascista” e “preconceituoso”, mas depois virou um dos seus principais defensores.

    Em um dos piores momentos do governo, durante a instalação da CPI da Covid, liderou uma tropa de choque para tentar defender o governo, que havia ficado em minoria na comissão pela falta de coordenação entre Planalto e os líderes do governo.

    No entanto, sempre soube escolher suas batalhas. Durante o depoimento do ex-chanceler Ernesto Araújo, muitos notaram a sua ausência, deixando o ex-ministro ser duramente atacado pelos senadores independentes e oposicionistas, sendo apenas defendido por congressistas com menos experiência.

    Por outro lado, defendeu ferrenhamente o ex-ministro da Saúde e general Eduardo Pazuello.

    Se elogios e defesas públicas são circunstanciais, sinais mais fortes de laços costumam ser representados quando ele presenteia um amigo com a camisa do Ríver do Piauí, time do qual é torcedor fanático e do qual já foi presidente.

    Esse foi o gesto definitivo de aproximação do senador com Bolsonaro, em 2020, e também coincidiu com o embarque do centrão no governo.

    Em 2021, foi nomeado ministro-chefe da Casa Civil, um dos ministérios mais importantes da Esplanada. A pasta tem a função de organizar e coordenar as ações do governo, assim como atuar na articulação de ministérios.

    No ano seguinte, foi alvo de operação da Polícia Federal sob suspeita de ter recebido dinheiro da JBS para que o PP apoiasse a reeleição de Dilma Rousseff (PT) em 2014.

    Segundo a PF, o dono da empresa, Joesley Batista, gravou uma conversa que teve com o político em sua residência. “A reunião foi marcada por Joesley Batista, para entregar uma mala contendo R$ 500 mil em espécie para Ciro Nogueira”, disse a corporação.

    O parlamentar negou ter cometido qualquer irregularidade, e a Procuradoria-Geral da República sugeriu o arquivamento do caso por falta de provas. Ao todo, oito processos contra ele foram arquivados pelo STF (Supremo Tribunal Federal) com essa justificativa.

    Ao fim do governo Jair Bolsonaro, Ciro Nogueira foi porta-voz do anúncio de que o governo faria a transição de governo para o petista, no fim de 2022.

    No governo Lula, foi um vocal defensor da saída do PP do governo e tentou articular uma vaga de vice em eventual chapa presidencial de Tarcísio de Freitas (Republicanos).

    Frustrada a pretensão, em 2025, o senador foi recebido pelo presidente Lula às vésperas do Natal na Granja do Torto. O pedido veio do próprio Ciro Nogueira, e encontro contou com a participação do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB).

    Segundo relatos, o líder partidário procurou o petista em busca de um acordo para renovar o mandato de senador pelo Piauí. Um aliado de Ciro Nogueira afirmou que a proposta era para não atrapalharem a candidatura. Em troca, o PP se afastaria de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial, o que acabou por não ocorrer.

    RELAÇÃO COM BETS E MALAS EM AVIÃO

    Ciro Nogueira era um dos políticos no voo em que foram transportadas cinco malas que não passaram pelo raio-x ao chegar no Brasil. Como revelou a Folha de S.Paulo, o caso é investigado pela PF, que comunicou o fato ao STF.

    O episódio ocorreu no retorno de uma viagem à ilha caribenha de São Martinho em um avião particular do empresário piauiense Fernando Oliveira Lima, conhecido como Fernandin OIG, dono de empresas de apostas online que disponibilizam jogos como o Fortune Tiger -popularmente conhecido como “jogo do tigrinho”. Ele foi alvo da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) das Bets.

    Nogueira defendeu o empresário publicamente na CPI e, como mostrou reportagem da revista piauí, viajou no jato particular de Fernandin para fazer turismo em Mônaco.

    Ainda de acordo com a publicação, Fernandin OIG, o ex-assessor de Ciro Victor Linhares e o parlamentar realizaram uma triangulação de recursos. O ex-assessor recebeu R$ 625 mil do empresário das bets. No mesmo período, Linhares transferiu R$ 35 mil para a conta pessoal do senador.

    Nogueira disse à revista que o valor era o reembolso de uma reserva de hotel em Capri, na Itália, e que os R$ 625 mil foram o pagamento por um relógio de luxo, negociado diretamente entre o empresário e o seu ex-assessor.

    Nogueira buscou apoio de Lula mas foi ignorado e se juntou a Bolsonaro

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  • Carlos Bolsonaro se desculpa com Ana Campagnolo após racha no PL de SC

    Carlos Bolsonaro se desculpa com Ana Campagnolo após racha no PL de SC

    Pedido de desculpas ocorre após troca de críticas entre aliados e disputa por vaga ao Senado em Santa Catarina; impasse envolve lideranças locais, desagrada parte do partido e expõe divisão interna às vésperas da pré-campanha

    Carlos Bolsonaro (PL) pediu desculpas à deputada estadual Ana Campagnolo (PL-SC) durante reunião do partido na noite de segunda-feira, 4. O PL catarinense enfrenta um racha após o anúncio de que o filho de Jair Bolsonaro seria pré-candidato a uma das vagas ao Senado por Santa Catarina. Em suas redes sociais, Carlos confirmou o pedido de desculpas e afirmou que há outras prioridades no momento.

    “Temos coisas muito mais importantes do que nós. Temos um Brasil para resgatar por nossos filhos. Bola para frente!”, escreveu.

    O racha entre os integrantes do partido começou com a definição da chapa ao Senado em Santa Catarina, no fim do ano passado. Como Carlos não é do estado, sua pré-candidatura desagradou lideranças locais, principalmente Ana Campagnolo. A deputada afirmou que a vaga da deputada federal Caroline de Toni (PL-SC) teria sido “dada” a Carlos Bolsonaro (PL-RJ).

    O governador Jorginho Mello, que tentará a reeleição, queria o senador Esperidião Amin (PP-SC) em sua chapa. A segunda vaga era disputada por Caroline de Toni, mas enfrentou resistência diante da preferência de Jair Bolsonaro pela candidatura de Carlos.

    O impasse levou Caroline de Toni a cogitar uma mudança de partido. Segundo a Coluna do Estadão, ela recebeu convites de siglas como Novo, União Brasil, Republicanos, MDB e Missão, ligada ao MBL.

    Ana Campagnolo afirmou que seriam “duas vagas que o partido dividiu entre PL e PP. O PP vai manter a candidatura do Amin como sempre foi. A vaga do nosso PL era da deputada Carol, agora será dada ao Carlos”, demonstrando insatisfação.

    Carlos Bolsonaro reagiu negando as declarações da deputada. “Não sejam mentirosos. Absolutamente nada do que essa menina está falando é verdade. Quanta baixaria. Lamentável!”, disse. Ele acrescentou que “os pré-candidatos de Jair Bolsonaro ao Senado Federal são Carol e Carlos Bolsonaro”, deixando Esperidião Amin fora da composição.

    Os dois seguiram trocando críticas nas redes sociais. Campagnolo chegou a ser acusada de publicar uma foto “recortada” para excluir Carlos de uma imagem, o que ela negou posteriormente.

    Na segunda-feira, Carlos e Campagnolo se reuniram em Santa Catarina, a convite do governador Jorginho Mello, para alinhar posições antes da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro no estado.

     

    Carlos Bolsonaro se desculpa com Ana Campagnolo após racha no PL de SC

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  • Lula se irrita com PT, falta a eventos e cobra estratégia pré-eleitoral

    Lula se irrita com PT, falta a eventos e cobra estratégia pré-eleitoral

    Ausência reforça insatisfação do presidente com postura do partido, que cobra mais atuação nas redes, nas ruas e no Congresso; aliados veem gesto como sinal de críticas internas às vésperas de uma disputa eleitoral considerada difícil

    (CBS NEWS) – O presidente Lula deixou de participar, na segunda-feira (4), de jantar de adesão oferecido pelo PT, apesar de a data ter sido definida para acomodar a agenda do Palácio do Planalto.

    A justificativa apresentada foi a de que, devido a uma recente cirurgia na cabeça, o petista deveria evitar situações em que pudesse suar em excesso. Mas a ausência foi apontada por aliados como a expressão pública das críticas reservadas que Lula tem feito ao partido que ajudou a fundar.

    Essa foi a segunda vez que Lula faltou a um evento do partido em menos de duas semanas. No dia 26 de abril, o presidente tampouco participou do encerramento do congresso petista. Enviou apenas uma mensagem de vídeo.

    “Nós temos que mostrar com muita clareza, mas uma proposta séria, que seja coisa factível, que a gente possa executar. Porque senão a gente fica prometendo e o cara pergunta ‘pô, por que vocês não fizeram?’”, disse na gravação.

    Na noite de segunda, Lula não foi o único ausente. Apenas três ministros do governo prestigiaram a confraternização do PT.

    Em suas conversas, o presidente repete que os petistas têm que fazer a sua parte para uma eleição dura. Ainda segundo relatos, Lula se queixa de falta de combatividade do partido, cada vez mais concentrado em discussões como cota de candidatos no fundo partidário.

    Lula se ressente de uma ação mais enérgica dos petistas nas redes e nas ruas. Ele chegou a cobrar detalhes da estratégia de comunicação montada pelo PT. Esse mal-estar traduz um acúmulo de dissabores do presidente com integrantes da direção partidária.

    No ano passado, Lula chegou a ser desafiado por uma ala contrária à eleição do atual presidente do partido, Edinho Silva. Em março do ano passado, o presidente foi alertado para o risco de derrota de Edinho na eleição partidária.

    Embora tenha em Edinho uma pessoa de sua confiança, e apesar da escolha de um secretário de comunicação, Éden Valadares, alinhado com o ministro Sidônio Palmeira (Secom), Lula não mantém relação com todos os integrantes da chamada máquina partidária.

    Para o congresso partidário, Lula acompanhou de perto a redação do manifesto da sigla. Ele chegou a sugerir a exclusão de propostas controversas, como reformas do sistema financeiro.

    Sob orientação do presidente, a cúpula do PT decidiu retirar da pauta do encontro do partido temas polêmicos que poderiam ampliar o desgaste às vésperas da campanha. Mas, além do manifesto, foram elaborados dois outros textos, o que também contrariou Lula -defensor da ideia de divulgação apenas de uma redação.

    Nenhum dos documentos foi publicado até agora.

    Em suas conversas, Lula também reclama de uma falta de combatividade das lideranças do governo e do PT no Congresso. Segundo interlocutores, Lula afirma que o perfil dos petistas que ocupam esses postos é muito brando para a disputa eleitoral que se avizinha.

    Nesse sentido, não está descartada a substituição de líderes do governo no Congresso, especialmente após a rejeição no Senado da indicação do chefe da AGU (Advocacia-Geral da União), Jorge Messias, para ocupar vaga no STF (Supremo Tribunal Federal).

    Lula se irrita com PT, falta a eventos e cobra estratégia pré-eleitoral

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  • EUA: Eduardo Bolsonaro articula com aliados de Trump contra Lula

    EUA: Eduardo Bolsonaro articula com aliados de Trump contra Lula

    Aliados de Flávio Bolsonaro intensificaram articulações com pessoas próximas a Donald Trump antes do encontro entre o presidente americano e Lula; grupo pretende desgastar o petista explorando críticas ao republicano e debates sobre facções criminosas e terras raras

    (CBS NEWS) – Aliados do pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) municiaram pessoas próximas a Donald Trump com conteúdos que mostram críticas de Lula (PT) ao presidente dos Estados Unidos. Os mandatários têm um encontro previsto para esta quinta-feira (8), em Washington.

    O movimento bolsonarista nos Estados Unidos é liderado pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro e pelo empresário Paulo Figueiredo. Os dois têm relação próxima a uma ala de auxiliares de Trump e tentam influenciar a política externa da Casa Branca sobre o Brasil. No passado recente, foram importantes para a aplicação do tarifaço e sanções da Magnitsky contra autoridades brasileiras, entre elas o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).

    Segundo interlocutores do grupo, foi feita uma operação para apresentar à Casa Branca manifestações contrárias de Lula sobre Trump. Jason Miller, um dos conselheiros do presidente norte-americano, passou a enviar mensagens nos últimos dias listando alguns episódios de embate com o petista, como no caso da captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro na invasão promovida pelo Pentágono.

    Bolsonaristas citam a natureza imprevisível de Trump, mas afirmam que ele deve receber bem Lula. Em outras ocasiões, o americano convidou chefes de Estado para uma conversa na Casa Branca e, diante das câmeras, constrangeu seus convidados. Foi o que ocorreu com o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, e também com o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa.

    A ideia dos bolsonaristas é desgastar Lula com a visita independentemente do resultado, apontam aliados de Flávio. O grupo diz acreditar que a viagem em si deve tirar de Lula o discurso de defesa da soberania e oposição a Trump.

    O governo Lula afirma o contrário, apontando que o encontro reforçará a imagem do petista como estadista que aposta na diplomacia.

    Outro ponto que deverá ser explorado é a questão das facções criminosas. Lula tenta evitar que os EUA anunciem a designação do CV e do PCC como organizações terroristas, algo aventado pela Casa Branca. Na visão do governo Lula, a designação abriria brecha legal para intervenções dos EUA em território brasileiro. Além disso, tal designação aumentaria o fator de risco para o mercado financeiro no país.

    Bolsonaristas se mostraram favoráveis à designação das facções como terroristas e vão tentar desgastar Lula afirmando que o petista foi aos Estados Unidos para defender traficantes. A ideia é golpear o presidente na área da segurança pública, um dos pontos sensíveis para o governo.

    Esse mote foi explorado por Flávio Bolsonaro nesta quarta (6), véspera da agenda dos presidentes. Ele compartilhou um vídeo feito por Inteligência Artificial que mostra Lula se ajoelhando para Trump e oferecendo as terras raras brasileiras “em troca” de a Casa Branca não designar as facções como terroristas.

    Os EUA demonstraram interesse em explorar os minerais críticos brasileiros, e Lula pediu celeridade para o projeto que regulamenta essa atividade em solo nacional. A Câmara aprovou a proposta na quarta.

    Bolsonaristas acreditam que a negociação também anula as críticas de Lula a Flávio Bolsonaro. O senador foi criticado por colocar o Brasil como “a solução” para os Estados Unidos encerrarem sua dependência da China sobre terras raras.

    O governo brasileiro estabeleceu como tema prioritário a investigação da Seção 301 contra o Brasil. Por meio dela, o governo norte-americano pune práticas comerciais estrangeiras consideradas injustas ou restritivas aos interesses do país. O Planalto quer apresentar documentos que mostrem a boa relação comercial entre Brasília e Washington.

    EUA: Eduardo Bolsonaro articula com aliados de Trump contra Lula

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  • PF: Ciro Nogueira recebia de Vorcaro mesada de R$ 300 mil, que pode ter chegado a R$ 500 mil

    PF: Ciro Nogueira recebia de Vorcaro mesada de R$ 300 mil, que pode ter chegado a R$ 500 mil

    PF aponta pagamento mensal, benefícios de luxo e favorecimento legislativo ao Banco Master; defesa nega irregularidades e diz que acusações se baseiam em interpretações precipitadas de mensagens

    A Polícia Federal aponta que o senador Ciro Nogueira (PP-PI) recebeu propina de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e “instrumentalizou o exercício do mandato parlamentar” em favor dos interesses do banqueiro no Congresso Nacional. O parlamentar, que também preside o PP, foi alvo de busca e apreensão nesta quinta-feira, 7, na quinta fase da Operação Compliance Zero.

    A defesa de Ciro Nogueira afirmou que “repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar”.

    A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, que autorizou as diligências com base em provas reunidas pela PF, indica que o senador recebia uma mesada de R$ 300 mil de Vorcaro. Segundo a investigação, “há relatos de que o montante teria evoluído para R$ 500 mil”.

    Os investigadores também apontam que o banqueiro teria cedido gratuitamente ao senador, por tempo indeterminado, um imóvel de alto padrão, além de custear hospedagens, deslocamentos e outras despesas ligadas a viagens internacionais de luxo. Entre os gastos citados estão estadias no Park Hyatt New York, refeições em restaurantes de alto padrão e despesas atribuídas ao parlamentar e à sua acompanhante. A investigação menciona ainda a disponibilização de um cartão para cobrir gastos pessoais.

    Outro ponto apurado envolve a aquisição, por Ciro Nogueira, de participação societária estimada em cerca de R$ 13 milhões pelo valor de R$ 1 milhão, operação que, segundo a PF, teria sido viabilizada por Vorcaro.

    De acordo com a investigação, o negócio teria envolvido a venda de 30% da empresa Green, que teria participação na Trinity, para a CNLF Empreendimentos Imobiliários Ltda., formalmente administrada pelo irmão do senador, Raimundo Nogueira, também alvo de mandado de busca e apreensão. A defesa dele não se manifestou.

    “A narrativa policial enfatiza que os elementos colhidos demonstrariam a existência de um arranjo funcional e instrumental orientado por benefício mútuo, extrapolando relações de mera amizade”, afirma a PF.

    Como revelou o Estadão, a Polícia Federal encontrou no celular de Vorcaro diálogos com o senador e ordens de pagamento destinadas a uma pessoa identificada apenas como “Ciro”. À época, o parlamentar afirmou conhecer o banqueiro, mas negou proximidade e recebimento de valores.

    A PF também identificou mensagens em que Vorcaro se refere ao senador como “um grande amigo de vida” e comemora uma iniciativa legislativa apresentada por Ciro Nogueira que beneficiaria o Banco Master.

    Uma das mensagens foi enviada em 13 de agosto de 2024, mesma data em que o senador apresentou emenda à proposta de autonomia financeira do Banco Central para elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o valor coberto pelo Fundo Garantidor de Créditos por CPF. Vorcaro classificou a medida como uma “bomba atômica no mercado financeiro”.

    Defesa se manifesta

    “A defesa do senador Ciro Nogueira repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar.

    Reitera o comprometimento do senador em contribuir com a Justiça, a fim de esclarecer que não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados, colocando-se à disposição para esclarecimentos.

    Pondera, por fim, que medidas investigativas graves e invasivas tomadas com base em mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros, podem se mostrar precipitadas e merecem a devida reflexão e controle severo de legalidade, tema que deverá ser enfrentado tecnicamente pelas Cortes Superiores muito em breve, assim como ocorreu com o uso indiscriminado de delações premiadas.”

    PF: Ciro Nogueira recebia de Vorcaro mesada de R$ 300 mil, que pode ter chegado a R$ 500 mil

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  • PF faz buscas contra Ciro Nogueira na 5ª fase da ação que apura crimes do Master e de Vorcaro

    PF faz buscas contra Ciro Nogueira na 5ª fase da ação que apura crimes do Master e de Vorcaro

    Polícia Federal cumpre mandado contra senador após encontrar mensagens e indícios de favorecimento ao Banco Master; investigação avança sobre possível ligação entre iniciativa legislativa e interesses do banqueiro Daniel Vorcaro

    A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira, 7, mais uma fase da Operação Compliance Zero e, pela primeira vez, mira o núcleo político por suspeitas de crimes envolvendo o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro. Está sendo cumprido mandado de busca e apreensão contra o senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do partido.

    A operação foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça.

    Como revelou o Estadão, a PF encontrou no celular de Vorcaro diálogos com o senador e ordens de pagamento para uma pessoa identificada como Ciro, sem sobrenome. À época, o parlamentar afirmou conhecer o banqueiro, mas negou proximidade e qualquer recebimento de valores.

    A investigação também identificou mensagens nas quais Vorcaro se refere ao senador como “um grande amigo de vida” e celebra uma iniciativa legislativa de Ciro que beneficiaria o banco.

    Uma dessas mensagens, datada de 13 de agosto de 2024, menciona o que o banqueiro chamou de “bomba atômica no mercado financeiro”. A data coincide com a apresentação de uma emenda à Proposta de Emenda à Constituição da autonomia financeira do Banco Central, proposta por Ciro Nogueira, que previa elevar o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por CPF.

    A proposta foi vista por integrantes do mercado financeiro e por políticos como uma das primeiras evidências de favorecimento ao Banco Master no Congresso.

    A ampliação da cobertura do FGC era uma das principais estratégias do banco para atrair investidores para seus Certificados de Depósito Bancário, como já havia mostrado o Estadão em agosto do ano passado.

    Esta é a quinta fase da operação e foi deflagrada na mesma semana em que a defesa de Vorcaro apresentou à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República uma proposta de delação premiada, ainda sob análise. A nova etapa não tem relação direta com os fatos citados nessa proposta, que, no momento, não possui valor probatório.

    Na quarta fase, realizada em 16 de abril, a PF prendeu o ex-presidente do Banco Regional de Brasília, Paulo Henrique Costa, que também passou a negociar um acordo de delação.

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  • Michelle sobre Bolsonaro: "Não sei se terei companheiro que cuide de mim"

    Michelle sobre Bolsonaro: "Não sei se terei companheiro que cuide de mim"

    Bolsonaro cumpre pena em prisão domiciliar após ser condenado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) por tentativa de golpe de Estado; Michelle foi uma das articuladoras para a obtenção da domiciliar

    SÃO PAULO, SP (FOLHA PRESS) – A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro publicou em rede social nesta quarta-feira (6) um texto sobre os cuidados que tem prestado ao marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está em prisão domiciliar, afirmando que talvez não tenha, no futuro, alguém que a trate da mesma forma.

    “Talvez eu não tenha, ao meu lado, um companheiro que um dia cuide de mim assim, que me dê banho, seque minhas pernas, me ajude a vestir o pijama, cuide do meu cabelo para que eu não me deite com ele molhado”, escreveu.

    O desabafo foi publicado após Bolsonaro retornar de uma cirurgia no ombro direito, na segunda-feira (4). Michelle contou que acabara de ajudar o marido no banho e que, enquanto passava creme em suas costas, o assunto “atravessou seu coração”.

    “Como a vida é… Os desígnios de Deus, tantas vezes, são diferentes dos nossos planos e desejos. O amor permanece o mesmo. E, mesmo com o corpo cansado, com o tendão da mão inflamado e agora imobilizado, meu coração se sente em paz. Eu me sinto útil. Eu me sinto grata. Porque ele pode contar comigo”, afirmou.

    Ela também agradeceu ao marido por “não desistir” e por “permanecer firme, mesmo diante de tanta injustiça”. “O meu maior e mais importante ministério é a minha casa.”

    Bolsonaro cumpre pena em prisão domiciliar após ser condenado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) por tentativa de golpe de Estado. A transferência da Papudinha para casa foi autorizada em março pelo ministro Alexandre de Moraes por razões humanitárias, após o ex-presidente ser internado com broncopneumonia.

    Michelle foi uma das articuladoras para a obtenção da domiciliar. Ela se reuniu pessoalmente com Moraes em seu gabinete no dia 23 de março; no dia seguinte, o ministro autorizou a saída do ex-presidente da penitenciária. “O bônus é de todos aqueles que foram até o STF, até o ministro Alexandre de Moraes, interceder por essa prisão domiciliar”, disse ela na época.

    Desde então, a ex-primeira-dama assumiu os cuidados com o marido. Ela administra os remédios em seis horários diferentes e gerencia a dieta e a rotina da casa. Por causa da carga doméstica, afastou-se do comando do PL Mulher e deixou de viajar para articular candidaturas femininas nos estados. Aliados ouvidos pela Folha afirmam que Michelle está “presa tanto quanto Bolsonaro”.

    A cirurgia no ombro de Bolsonaro, realizada em 1º de maio para tratar duas lesões no manguito rotador, exigiu nova autorização de Moraes. O ex-presidente recebeu alta na segunda (4) e deve usar tipoia por seis semanas, seguidas de fisioterapia. O médico responsável pelo procedimento afirmou que a alta definitiva deve ocorrer entre seis e nove meses.

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  • Lula prioriza fim de investigação comercial, narcotráfico e deve tratar de Irã em conversa com Trump

    Lula prioriza fim de investigação comercial, narcotráfico e deve tratar de Irã em conversa com Trump

    Governo quer encerrar investigações dos EUA sobre Pix, etanol e outras práticas comerciais; reunião também deve tratar da guerra no Irã, cooperação contra o crime organizado e evitar novas tarifas contra produtos brasileirosLula prioriza fim de investigação comercial, narcotráfico e deve tratar de Irã em conversa com Trump

    (CBS NEWS) – O governo brasileiro elencou o fim das investigações comerciais contra o Brasil como uma das prioridades da conversa que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá com o seu homólogo dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta quinta-feira (7).

    Por isso, estarão na mesa da reunião o debate sobre a regulamentação do uso das redes sociais, Pix e o comércio de etanol, que foram incluídas nas apurações pelos EUA como práticas que ferem a concorrência pelo país.

    Em paralelo, o próprio Lula tem dito a aliados que deseja levar ao americano um pedido pelo fim da guerra com o Irã. Segundo um auxiliar, o presidente brasileiro expressou preocupação com os efeitos econômicos do conflito, que tem levado à alta no preço dos combustíveis.

    Os dois temas devem permear a reunião entre os líderes, além de discussões sobre combate ao crime organizado, na primeira visita oficial de Lula à Casa Branca, sede do governo americano, desde que Trump tomou posse no ano passado.

    O assunto segurança pública envolverá debate para ampliar a cooperação para apreensão de armas e drogas, por exemplo.

    Integrantes do governo também se preparam para assuntos que o próprio presidente dos EUA queira abordar, como a exploração de minerais críticos no Brasil. Não há expectativa, porém, de que qualquer acordo seja selado nessa conversa.

    Auxiliares de Lula consideram que o debate sobre uma parceria com os EUA em relação a terras raras ainda está em estágio inicial. Um dos argumentos que devem ser levados aos americanos é o de que o Congresso brasileiro ainda deve aprovar um projeto que regulamenta a exploração desses minerais.

    A reunião entre Lula e Trump ocorre após um momento de distensão nas relações entre os países. O americano chegou a taxar em 50% os produtos brasileiros, além de ter cancelado vistos de autoridades brasileiras e imposto sanções financeiras, como a Lei Magnitsky, ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).

    Após telefonemas e duas conversas presenciais entre os líderes, Trump revogou as medidas. Continuam em vigor, porém, duas investigações sobre práticas comerciais que os EUA consideram injustas, abertas com base na chamada seção 301, que miram o Brasil.

    As duas apurações podem, quando concluídas, gerar a decretação de novas tarifas a produtos brasileiros, o que o governo Lula teme que aconteça. As duas serão encerradas em julho, por isso o tema se tornou ainda mais prioritário para o petista.

    As investigações apuram práticas do governo ligadas ao comércio de etanol, desmatamento e o Pix, por exemplo. As empresas americanas de cartão de crédito dizem que o Banco Central concede tratamento preferencial ao sistema de pagamento instantâneo, o que o governo Lula nega.

    A intenção de ministros é afirmar nessa reunião que o Brasil já apresentou suas justificativas para provar que nenhuma dessas práticas é prejudicial aos americanos e que os técnicos dos EUA receberam bem esses argumentos.

    Lula também deve reiterar que o comércio entre os países é favorável aos EUA, argumentando que aliados de Jair Bolsonaro (PL) é que tentaram convencê-los do contrário com intenções eleitorais.

    Sobre segurança pública, o cerne da discussão será ampliar a cooperação existente entre as nações no combate ao crime organizado e evitar que os EUA classifiquem o CV (Comando Vermelho) e o PCC (Primeiro Comando da Capital) como organizações terroristas.

    Em entrevista nesta terça (5), o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, confirmou que o governo brasileiro deve levar uma proposta de acordo em torno do combate ao crime organizado transnacional durante o encontro.

    Em uma prova dessa boa vontade, o governo brasileiro deve levar a Trump dados sobre a parceria aduaneira entre os EUA e o Brasil para apreensão de armas e drogas sintéticas. Segundo a Receita Federal, de maio de 2025 a abril de 2026, foi apreendida meia tonelada de armas saídas dos EUA.

    Essa seria uma demonstração de que o Brasil pretende estreitar a cooperação para o combate ao crime organizado, sem necessidade da classificação de organização terrorista, o que pode impactar negativamente a economia brasileira.

    Lula prioriza fim de investigação comercial, narcotráfico e deve tratar de Irã em conversa com Trump

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  • Lula chega aos EUA para encontro com Trump sob pressão eleitoral

    Lula chega aos EUA para encontro com Trump sob pressão eleitoral

    Encontro na Casa Branca ocorre em momento delicado para o presidente brasileiro, que enfrenta pressão interna e disputa acirrada nas pesquisas; segurança, comércio e cooperação contra o crime estão entre os principais temas da agenda bilateral.

    O Presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, aterrou em Washington, onde hoje se encontrará com o homólogo norte-americano, Donald Trump, para abordar questões delicadas e tentar melhorar a sua imagem no Brasil, onde disputa eleições em outubro.O encontro entre os dois chefes de Estado está marcado para hoje de manhã, na Casa Branca.

     
    As relações diplomáticas entre Brasília e Washington têm sido particularmente turbulentas, embora os dois líderes, ideologicamente opostos, admitam uma certa química a nível pessoal.

    O primeiro encontro oficial entre ambos, em outubro, na Malásia, foi cordial.

    Washington tinha entretanto levantado em grande parte a sobretaxa punitiva imposta ao Brasil em retaliação contra o processo judicial do ex-presidente Jair Bolsonaro, um aliado de Trump que cumpre atualmente uma pena de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.

    Desde então, muita coisa mudou no cenário internacional: os Estados Unidos derrubaram Nicolás Maduro na Venezuela e lançaram uma guerra contra o Irão ao lado de Israel.

    Lula da Silva, que em 2025 acusou Trump de querer “tornar-se o imperador do mundo”, condenou veementemente as duas intervenções norte-americanas. “Sou contra qualquer ingerência política, seja qual for o país”, declarou em abril o Presidente brasileiro.

    Lula, de 80 anos, chega a Washington enfraquecido politicamente após derrotas contundentes no Parlamento brasileiro e, a menos de seis meses das eleições presidenciais, está empatado nas sondagens com Flávio Bolsonaro, o filho mais velho do antecessor.

    Qualquer dividendo político que consiga extrair da deslocação oficial a convite de Donald Trump é importante internamente.

    A segurança é a principal preocupação dos eleitores brasileiros e o combate ao crime organizado ocupa um lugar de destaque na agenda da reunião entre os dois presidentes.

    O ministro das Finanças brasileiro, Dario Durigan, que integra a delegação, sublinhou na quarta-feira que o Brasil deseja reforçar a cooperação na luta contra os cartéis de droga.

    Brasília e Washington assinaram em abril um acordo para combater o tráfico de armas e estupefacientes, incluindo a partilha de dados provenientes de controlos por ‘scanner’ de contentores que circulam entre o Brasil e os Estados Unidos.

    Donald Trump fez do combate ao que classifica como narcoterrorismo uma prioridade do seu segundo mandato, classificando grupos criminosos como organizações terroristas estrangeiras.

    Isso permitiu-lhe, por exemplo, defender a intervenção militar na Venezuela para derrubar o Presidente socialista Nicolás Maduro.

    O encontro entre Lula e Trump deverá também abordar o interesse norte-americano nos vastos depósitos brasileiros de terras raras, minerais essenciais à fabricação de numerosos produtos tecnológicos.

    O Brasil possui as segundas maiores reservas de terras raras do mundo, atrás apenas da China.

    “Os investimentos estrangeiros são bem-vindos, mas queremos estimular a industrialização através da criação de empregos altamente qualificados”, sublinhou Durigan na quarta-feira.

    Além disso, os Estados Unidos estão a investigar o Brasil por práticas comerciais desleais, nomeadamente para determinar se o sistema de transferências bancárias gratuitas Pix prejudica a competitividade das empresas norte-americanas.

    Lançado em 2020, o Pix revolucionou os pagamentos no Brasil e ultrapassou a utilização de cartões bancários, com sete mil milhões de transações só no mês de janeiro, segundo o Banco Central.

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