Categoria: POLÍTICA

  • Encontro com Bolsonaro na Papudinha deve selar adesão de Tarcísio a Flávio, dizem aliados

    Encontro com Bolsonaro na Papudinha deve selar adesão de Tarcísio a Flávio, dizem aliados

    Aliados avaliam que encontro na Papudinha deve encerrar ruídos recentes e definir papéis para 2026, com Tarcísio focado na reeleição em São Paulo e alinhamento esperado em torno da pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.

    (CBS NEWS) – A visita do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), nesta quinta-feira (29), deve virar a página em relação a desentendimentos recentes entre os dois líderes da direita, avaliam aliados ouvidos pela Folha.

    Segundo esses interlocutores, o clima para o encontro na Papudinha, onde Bolsonaro está preso em Brasília, é de acomodação política, com a expectativa de que o governador passe a embarcar de forma mais efetiva na pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência.

    Pessoas próximas a Tarcísio afirmam que ele deve reforçar a Bolsonaro a decisão de permanecer em São Paulo para disputar a reeleição. O governador chegou a ser cogitado para concorrer ao Palácio do Planalto, mas foi preterido pelo ex-presidente, que optou por lançar o próprio filho na disputa contra o presidente Lula (PT).

    Gestos recentes, no entanto, indicaram que Tarcísio ainda não havia abandonado totalmente pretensões nacionais, o que o colocou em rota de colisão com o senador. O governador e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) articularam junto ao STF (Supremo Tribunal Federal) a concessão de prisão domiciliar a Bolsonaro, movimento visto pelo entorno de Flávio como uma tentativa de se credenciarem para a corrida presidencial.

    No auge do atrito, Tarcísio cancelou uma visita ao ex-presidente que estava prevista para a quinta-feira passada (22), sinalizando insatisfação com a pressão por apoio explícito à candidatura de Flávio.

    O encontro só foi remarcado após a redução das tensões. De um lado, o governador passou a afirmar publicamente que disputará a reeleição; de outro, aliados de Bolsonaro fizeram gestos de reaproximação, destacando a lealdade de Tarcísio, ex-ministro da Infraestrutura, ao antigo chefe.

    Nesta quarta-feira (28), o ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL) publicou em uma rede social que esteve com Tarcísio em São Paulo, em um encontro descrito como amistoso. “Foi mais um momento muito bacana com o eterno ministro, por quem tenho um carinho e uma admiração enormes”, escreveu o filho do ex-presidente.

    Tarcísio respondeu: “Foi muito bom estar com você no dia de hoje. Você sempre será credor do meu respeito e da minha amizade”.

    Com isso, aliados de ambos avaliam que o ambiente para a reunião é positivo. A expectativa é que Bolsonaro receba o governador de forma cordial e deixe mais claras as diretrizes políticas para 2026. Entre os aliados, há dúvidas se o ex-presidente espera que Tarcísio concentre esforços em fortalecer um palanque para Flávio em São Paulo ou atue como articulador nacional.

    No campo da oposição a Lula, o cenário ainda é fragmentado. Flávio Bolsonaro tem acenado para uma possível convergência com outros nomes da direita, como os governadores Ratinho Junior (PSD-PR) e Romeu Zema (Novo-MG). Na terça-feira (27), o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, também pré-candidato ao Planalto, anunciou filiação ao PSD, presidido por Gilberto Kassab.

    Auxiliares de Tarcísio afirmam que o quadro já está definido, com o governador focado na reeleição em São Paulo e Flávio na disputa presidencial. Assim, a visita não deve provocar mudanças no tabuleiro eleitoral, mas sim consolidar papéis e reforçar a lealdade do governador ao ex-presidente.

    Diante desse cenário, é possível que a conversa inclua a composição da chapa bolsonarista em São Paulo. Um acordo prévio definiu que Tarcísio indicaria um nome ao Senado e Bolsonaro outro. O escolhido do governador foi Guilherme Derrite (PP), enquanto a vaga do PL ainda não foi preenchida.

    O próprio Tarcísio afirmou, na terça-feira, que não há expectativa de mudança em seus planos eleitorais, nem de um eventual pedido de Bolsonaro para que ele dispute a Presidência. “Isso não vai acontecer. Mas eu diria não”, disse em entrevista à rádio Jovem Pan de Sorocaba.

    Aliados esperam que Bolsonaro apresente suas diretrizes para a eleição em São Paulo, embora a política não deva ser o único assunto do encontro. “Vou ver um amigo. Geralmente, levo essas conversas de forma muito leve. Quero saber primeiro como ele está, se precisa de alguma coisa. Mostrar que a gente aqui fora está com ele”, afirmou Tarcísio durante um evento em Sorocaba.

    Segundo pessoas próximas ao governador, o principal objetivo da visita é demonstrar solidariedade, com espaço também para temas pessoais. Não é esperado que Tarcísio leve à mesa assuntos sensíveis, como a insatisfação com declarações de Flávio que motivaram o adiamento da visita anterior.

    Na semana passada, o senador disse à CNN que o encontro serviria para o governador ouvir que sua candidatura presidencial estava “descartada”. Aliados de Tarcísio afirmam que ele se sentiu pressionado e incomodado com ataques, sobretudo por estar envolvido nas articulações pela prisão domiciliar de Bolsonaro.

    O ex-presidente está preso em regime fechado desde 22 de novembro. Ele foi condenado pelo STF a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e cumpre pena na Papudinha, em Brasília. Aliados alegam deterioração de seu estado de saúde e buscam a transferência para o regime domiciliar.
     

     
     

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  • Centrão se divide, vira página sobre Tarcísio e testa candidatura alternativa na direita

    Centrão se divide, vira página sobre Tarcísio e testa candidatura alternativa na direita

    Dirigentes de siglas como PSD, União Brasil, PP e Republicanos, ouvidos pela Folha, trabalham atualmente com um cenário eleitoral que considera irreversível a presença de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pelo Planalto

    (CBS NEWS) – Antes entusiastas de uma candidatura de Tarcísio de Freitas (Republicanos) à Presidência, partidos do centrão passaram pela fase do luto e hoje estão conformados com a permanência do governador em São Paulo para tentar a reeleição.

    Dirigentes de siglas como PSD, União Brasil, PP e Republicanos, ouvidos pela Folha, trabalham atualmente com um cenário eleitoral que considera irreversível a presença de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pelo Planalto.

    A admissão do cenário em que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) será candidato, porém, não significou até agora uma adesão formal dessas legendas à candidatura de Flávio. Pelo contrário, há uma resistência que impulsionou os partidos a articular um nome alternativo na direita.

    O PSD, um dos primeiros a entender que não poderia contar com uma candidatura de Tarcísio à Presidência, deu seu principal sinal de resignação ao anunciar a filiação do governador Ronaldo Caiado (GO) na terça-feira (27). O goiano tem dito que não abre mão de concorrer à Presidência e chega como uma garantia de que a sigla terá um candidato próprio.

    Os outros dois pré-candidatos à Presidência da sigla, os governadores Eduardo Leite (RS) e Ratinho Júnior (PR), não oferecem certezas de que manterão o projeto nacional. O primeiro não entusiasma colegas fora da região Sul, por não ter adesão de lulistas ou bolsonaristas, enquanto o segundo enfrenta problemas no Paraná.

    A decisão do PSD de lançar um presidenciável parte da premissa de que Tarcísio não será candidato à Presidência. Caso contrário, o partido estaria na coligação do governador, conforme afirmou o presidente da legenda, Gilberto Kassab, à Folha.

    Dirigentes do PSD dizem que o objetivo é tentar desidratar a candidatura de Flávio e chegar ao segundo turno. Caso isso não ocorra, não há decisão a respeito de apoio ao presidente Lula (PT) ou ao filho de Bolsonaro. A tendência, afirmam integrantes da sigla, é a neutralidade, como ocorreu na última eleição.

    Para o governo Lula, o melhor seria ter uma pulverização maior de candidaturas de direita. Mas, por ora, aliados do presidente ainda não calcularam qual será o impacto real desse movimento de Kassab.

    Entre dirigentes do centrão, apenas o presidente do PP, Ciro Nogueira, deu sinalizações públicas de eventual apoio a Flávio, mas a federação União Progressista, formada com o União Brasil, não bateu o martelo. Nos bastidores, Ciro passou a pregar cautela e defende aguardar para decidir se embarca na campanha do senador.

    Ao mesmo tempo, essas siglas tampouco demonstram interesse em apoiar Lula no primeiro turno, apesar de contarem com ministérios e cargos no atual governo. O Planalto, por ora, se satisfaz com a tendência de independência de parte dessas siglas, sem adesão total a Flávio.

    Inicialmente, líderes do centrão tentaram manter Tarcísio no páreo para disputar a Presidência, mesmo após Bolsonaro escolher o filho. O entendimento atual do grupo, principalmente após o recente atrito com a família do ex-presidente, é que o governador não confrontaria o ex-chefe para disputar o Planalto.

    Parte dos dirigentes faz a ressalva, contudo, de que ainda pode haver mudanças e que a política é dinâmica.

    A candidatura do PSD deu aos partidos de oposição a Lula uma terceira alternativa, além da neutralidade ou do apoio a Flávio. Nesta quarta-feira (28), durante evento em São Paulo, Caiado afirmou que o PSD vai buscar o apoio de todos os partidos da centro-direita, mencionando MDB, Republicanos, PP e União Brasil.

    A federação União Progressista já não considera Tarcísio na sua equação nacional. Essa aliança do centrão tem resistido às ofensivas de Flávio por um apoio já no primeiro turno. A ordem é concentrar esforços na montagem de chapas nos estados e só decidir um posicionamento nacional em abril.

    A tendência da federação, dizem líderes, é a neutralidade ou o apoio a Flávio. A segunda opção é vista como a mais remota, pois implicaria em dificultar a eleição de deputados e senadores em estados com tendência de voto lulista, principalmente no Nordeste.

    O Republicanos, apesar de abrigar Tarcísio, tende à neutralidade, segundo integrantes da cúpula do partido. O comando da sigla já defendia há meses a permanência do governador em São Paulo, sob argumento de que não valeria a pena trocar uma reeleição vista como certa para se arriscar num projeto nacional.

    Recentemente, Tarcísio estreitou os laços com seu partido ao convidar o presidente estadual do Republicanos, Roberto Carneiro, para assumir a secretaria da Casa Civil. Carneiro é considerado um braço direito e conselheiro de Marcos Pereira.

    Embora o governador já tenha declarado seu apoio a Flávio, seu partido ainda mantém sua decisão a respeito da eleição nacional em aberto. Um acordo é cobiçado tanto pelo senador como pelo trio de presidenciáveis do PSD.

    Segundo lideranças do Republicanos, há chances de negociação com o PSD em busca de fortalecer uma espécie de terceira via que não comprometa a eleição nos estados.

    No MDB, a avaliação também é a de que Tarcísio deve concorrer à reeleição, embora mudanças não sejam descartadas. O partido mantém proximidade com Lula através de três ministérios, mas estuda manter a neutralidade -já um apoio a Flávio é tido como improvável.

    O Solidariedade, que fechou uma federação com o PRD, também não conta mais com a hipótese de Tarcísio concorrer. A tendência é liberar os filiados para apoiar quem quiserem na eleição presidencial.

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  • Motta: PEC da Segurança Pública será debatida nas próximas semanas, com votação após o carnaval

    Motta: PEC da Segurança Pública será debatida nas próximas semanas, com votação após o carnaval

    A proposta ainda será debatida nas próximas semanas e, segundo o governo, deve ser analisada pela comissão especial no fim de fevereiro, antes de seguir para votação em plenário.

    O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), informou na rede social X, nesta quarta-feira, 28, que a votação da PEC da Segurança deve ocorrer após o Carnaval.

    “A PEC da Segurança Pública será debatida nas próximas semanas, com previsão de votação após o Carnaval”, escreveu.

    De acordo com o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), a previsão é de que a votação na comissão especial ocorra em 23 de fevereiro.

     

    Motta: PEC da Segurança Pública será debatida nas próximas semanas, com votação após o carnaval

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  • Exército autoriza aposentadoria do tenente-coronel Mauro Cid

    Exército autoriza aposentadoria do tenente-coronel Mauro Cid

    Cid tem 29 anos e 11 meses de serviços prestados pelo Exército e, em setembro, foi condenado a dois anos de reclusão, em regime aberto, como resultado do acordo de colaboração premiada firmado com a Polícia Federal

    (CBS NEWS) – O Exército autorizou a aposentadoria antecipada do tenente-coronel Mauro Cid, 46, ex-auxiliar de Jair Bolsonaro, condenado pela trama golpista pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

    O militar, que foi delator no processo que levou o ex-presidente à prisão, deixará o serviço a partir de 31 de janeiro e entrará para a reserva.

    Cid entregou ao Exército um pedido formal em agosto para ir à reserva antes de completar o tempo mínimo de serviço. Na ocasião, a Força criou uma comissão para analisar a documentação do militar antes de tomar uma decisão.
    A informação inicialmente foi dada pelo SBT News.

    O pedido é conhecido como cota compulsória -mecanismo pelo qual um militar pode passar à reserva do Exército e receber como aposentadoria um valor proporcional ao tempo de serviço.

    Cid tem 29 anos e 11 meses de serviços prestados pelo Exército e, em setembro, foi condenado a dois anos de reclusão, em regime aberto, como resultado do acordo de colaboração premiada firmado com a Polícia Federal. Ele teria o direito de deixar o serviço ativo, com todos os benefícios, somente após 31 anos de trabalho. Na prática, no entanto, uma redução salarial na reserva seria pequena.

    O Exército sugeriu a Cid que fosse para a reserva ainda em 2023, por meio da cota compulsória, segundo três generais ouvidos pela reportagem. O argumento era que o militar pudesse focar seus esforços em sua defesa diante do avanço das investigações sobre a trama golpista.

    O tenente-coronel negou a sugestão na época. Ele acreditava que era possível reverter o cenário, ainda confiante de que nem sequer seria denunciado pela tentativa de golpe de Estado. A avaliação de aliados de Cid é que a situação acabou se tornando insustentável, e o melhor caminho era deixar o Exército.

    O pedido de reserva de Cid foi anunciado por seu advogado Jair Alves Pereira durante sustentação oral na Primeira Turma do STF.

    Exército autoriza aposentadoria do tenente-coronel Mauro Cid

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  • “Divididos, somos frágeis”, diz Lula ao defender integração na AL

    “Divididos, somos frágeis”, diz Lula ao defender integração na AL

    Lula ponderou que, para atingir esses objetivos, é fundamental que as lideranças regionais estejam comprometidas com mecanismos institucionais e que “articulem de forma equilibrada os distintos interesses nacionais de nossa região”

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que a América Latina e o Caribe só resolverão seus problemas caso os enfrentem de forma conjunta. Nesta quarta-feira (28), durante a abertura do Fórum Econômico Internacional – América Latina e Caribe 2026, no Panamá, Lula destacou os ativos políticos e econômicos que podem, via integração regional, favorecer todos os países, tornando-os mais relevantes no cenário mundial.

    “Seguir divididos nos torna todos mais frágeis”, discursou o presidente durante a sessão de abertura do fórum, ao citar as “credenciais econômicas, geográficas, demográficas, políticas e culturais excepcionais” que os países latino-americano e caribenhos têm “para aspirar a uma presença relevante no contexto mundial”.

    Lula ponderou que, para atingir esses objetivos, é fundamental que as lideranças regionais estejam comprometidas com mecanismos institucionais e que “articulem de forma equilibrada os distintos interesses nacionais de nossa região”.

    Segundo Lula, falta às lideranças regionais convicção sobre os benefícios de adoção de um projeto mais autônomo de inserção internacional. Nesse sentido, sugeriu que os países da região levem em consideração as riquezas inexploradas que poderão garantir uma inserção competitiva na ordem global.

    “Dispomos de ativos de ordem política e econômica que podem conferir materialidade ao impulso integracionista”, argumentou o presidente ao enumerar, entre esses ativos, o potencial energético relacionado às reservas de petróleo e gás, a hidroeletricidade, os biocombustíveis, e a energia gerada a partir das matrizes nuclear, eólica e solar.

    O presidente citou também como ativos o fato de a região contar com a maior floresta tropical do planeta; e as variadas condições de solo e clima e os avanços científicos e tecnológicos para a produção de alimentos.

    “Reunimos também recursos minerais abundantes, inclusive minérios críticos e terras raras, essenciais para a transição energética e digital”, disse o presidente brasileiro ao afirmar que “minerais críticos e as terras raras só têm sentido se for para enriquecer os nossos países, e se tivermos coragem de construir parcerias, gerando riqueza, emprego e desenvolvimento em nossos países”.

    Lula lembrou que, juntos, os países da região formam um mercado consumidor com mais de 660 milhões de pessoas. Além disso, disse que não há conflitos graves entre os países participantes do fórum; e que, predominantemente, todos governo foram eleitos democraticamente.

    “A América Latina e o Caribe são únicos. Cabe a nós assumir que a integração possível é a que estará calcada na pluralidade de opções. Guiados pelo pragmatismo, podemos superar divergências ideológicas e construir parcerias sólidas e positivas dentro e fora da região. Essa é a única doutrina que nos convém”, afirmou.

    “Não há nenhuma possibilidade de qualquer país da América Latina, sozinho, achar que vai resolver os problemas. Temos 525 anos de história. Muitas vezes a colonização não estará na interferência de outro, mas na formação cultural que o nosso o povo teve. Precisamos mudar de comportamento. Vamos criar um bloco. Um bloco que possa dizer que a gente vai acabar com a fome em nossos países”, concluiu.

    Por ser convidado especial, o presidente brasileiro foi o segundo a discursar, logo após o presidente do país anfitrião, José Raúl Mulino. A expectativa é que Lula retorne ao Brasil ainda hoje, ao final do dia.

    O Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe seguirá até o dia 30.

     

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  • Moraes atende PGR e exclui verbas do Ministério Público do limite do arcabouço fiscal

    Moraes atende PGR e exclui verbas do Ministério Público do limite do arcabouço fiscal

    A iniciativa de Paulo Gonet, procurador-geral da República, veio na esteira da permissão que o Supremo concedeu ao Poder Judiciário em julgamento concluído em abril do ano passado, sob relatoria de Moraes. Isso porque o Ministério Público tem tratamento isonômico ao da Justiça

    (CBS NEWS) – O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), atendeu a um pedido da PGR (Procuradoria-Geral da República) e concedeu uma liminar, decisão urgente e individual, para excluir do limite de despesas da União previsto no arcabouço fiscal as verbas obtidas pelo Ministério Público da União para custeio próprio.

    A iniciativa de Paulo Gonet, procurador-geral da República, veio na esteira da permissão que o Supremo concedeu ao Poder Judiciário em julgamento concluído em abril do ano passado, sob relatoria de Moraes. Isso porque o Ministério Público tem tratamento isonômico ao da Justiça.

    Em sua decisão, Moraes afirmou que as situações são análogas. Segundo ele, o novo regime instituído pelo arcabouço buscou “afastar dinâmicas de relacionamento predatório entre os Poderes de Estado”, com base em um compromisso fiscal que visa ao crescimento sustentável da dívida pública, sem comprometer a autonomia dos Poderes e de órgãos independentes.

    O ministro destacou que a própria lei prevê exceções ao teto de gastos, especialmente quando há recursos provenientes de receitas próprias. O MPU, afirmou, conta com receitas de aluguéis, arrendamentos, juros e indenizações por danos causados ao patrimônio público.

    Moraes também excluiu do teto, além das receitas próprias, os recursos oriundos de convênios ou contratos celebrados pelo Ministério Público destinados ao custeio de suas atividades.

    A decisão será submetida ao plenário do Supremo, atualmente composto por dez ministros. Uma vaga ainda não foi preenchida e aguarda votação do Senado sobre a indicação de Jorge Messias.

    O arcabouço fiscal é o modelo definido pelo governo Lula (PT) para controlar as despesas da União e indicar maior responsabilidade fiscal, com o objetivo de eliminar déficits primários no médio prazo. A lei limita o crescimento das despesas dos três Poderes por uma fórmula que considera o crescimento das receitas da União somado à inflação do período.

    O Ministério Público da União é composto por quatro ramos: o Ministério Público Federal, o Ministério Público do Trabalho, o Ministério Público Militar e o Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios.

    No ano passado, de forma unânime, os ministros decidiram, a partir de um pedido da AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros), que receitas recebidas pelos tribunais por contratos, convênios, custas processuais e emolumentos não estão sujeitas a essa restrição.

    O pedido de Gonet também foi distribuído a Moraes por conexão com a ação da AMB, que solicitou que o ministro decidisse por meio de liminar antes de levar o caso ao plenário.

    O procurador-geral afirmou que a decisão não poderia demorar para que “a exclusão do limite de gastos das despesas do Ministério Público da União custeadas com receitas próprias seja implementada já no início do atual exercício financeiro”.

    “A medida deve ser deferida para viabilizar o emprego dos valores relativos às receitas próprias do Ministério Público da União ainda não despendidas no custeio de suas despesas já no início do atual exercício financeiro, com abertura de créditos adicionais, sob o risco de que recursos orçamentários imprescindíveis ao adequado funcionamento do Parquet deixem de ser entregues”, disse Gonet na ação.

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  • Motta reúne líderes sob pressão para pautar propostas anti-STF e bandeiras do governo

    Motta reúne líderes sob pressão para pautar propostas anti-STF e bandeiras do governo

    Reunião marca o início das articulações para o ano legislativo, com oposição pressionando por CPIs e revisão de vetos, enquanto o governo tenta priorizar MPs sociais e evitar investigações. Hugo Motta terá de mediar disputas mirando as eleições de outubro

    (CBS NEWS) – O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), tem nesta quarta-feira (28) a primeira reunião com os líderes de bancadas para definir as prioridades de votação deste ano. Enquanto tenta estabelecer um novo marco para evitar em 2026 a repetição das crises do ano passado, o chefe da Casa terá de lidar com demandas conflitantes de governo e oposição, que querem usar suas pautas na eleição de outubro.

    O encontro acontece menos de uma semana antes da volta das atividades legislativas e demonstra o interesse dos parlamentares de dar celeridade a votações importantes. Os deputados ressaltam que as principais pautas devem ser votadas até junho, por causa das eleições.

    De acordo com líderes ouvidos pela reportagem, a oposição chega para a primeira reunião do ano visando pressionar Motta a instaurar a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Abuso de Autoridade. A criação do colegiado ganhou força com as reportagens que mostraram elos dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes com o caso Banco Master.

    Além disso, o grupo deve cobrar explicações sobre as cassações dos deputados Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Alexandre Ramagem (PL-RJ), que ocorreram durante o recesso. Eduardo foi cassado por excesso de faltas e Ramagem, em função da condenação por tentativa de golpe de Estado.

    A oposição também deve pedir a Motta para interceder, junto ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), por duas pautas.

    A primeira é a derrubada do veto do presidente Lula (PT) ao projeto da Dosimetria, que diminuiria a pena do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e demais envolvidos na trama golpista. A segunda é a instauração da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) sobre o Banco Master.

    Já o governo Lula chega com interesses divergentes. Um dos responsáveis pela articulação afirma que a base vai lutar para manter o veto de Lula à Dosimetria e para impedir a instalação de CPIs. O cálculo é que esse instrumento serve à oposição e atrapalha o ritmo de votações do Congresso, principalmente em um calendário curto.

    A ideia do Planalto é conseguir pautar para terça-feira (3) a MP (Medida Provisória) do Gás do Povo, que precisa ser aprovada até o Carnaval para não perder validade. O programa oferece gratuidade na compra de gás de cozinha ou custeará parte dos gastos com o produto por famílias de baixa renda.

    O governo também defende a votação ainda em fevereiro da MP do Piso dos Professores, também considerada uma prioridade da base para o início do ano legislativo.

    Outro ponto de discórdia que Motta precisará mediar envolve o Projeto de Lei Antifacção e a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Segurança Pública.

    Os temas são considerados “espinhosos” por parlamentares. Ambas são propostas do governo que foram desconfiguradas pela oposição ao longo de sua tramitação, e os dois grupos prometem briga pela versão que irá à votação.

    Na PEC da Segurança, o governo mapeou pontos do relatório do deputado Mendonça Filho (União Brasil-PE) para serem derrubados ou alterados. No PL Antifacção, a luta do Planalto será para manter o relatório do senador Alessandro Vieira (MDB-SE), aprovado pelo Senado em dezembro.

    A oposição insistirá em manter a maior parte do relatório do deputado Guilherme Derrite (PP-SP), que deixou o cargo de secretário da Segurança Pública do governo de Tarcísio de Freitas, de São Paulo, para relatar o texto. O projeto havia sido aprovado na Câmara em novembro, mas, em função das mudanças de Vieira, precisará ser reanalisado pelo plenário.

    A regulação da inteligência artificial também deve ser discutida na reunião com Motta, apontou um líder ouvido pela reportagem. Ele avalia que a Câmara tem sido pressionada pelo STF a abordar o tema, que também está em debate no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

    Aprovado pelo Senado no fim de 2024 após compromisso pessoal do então presidente, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), de pautar o tema, o projeto de IA está em tramitação na Comissão Especial sobre Inteligência Artificial da Câmara, presidida pela deputada Luísa Canziani (PSD-PR).

    O governo ainda deve levar para avaliação dos líderes a discussão sobre a implementação da tarifa zero no transporte público e o fim da escala de trabalho 6×1. A última proposta reduz a jornada de trabalho máxima e foi incluída nas prioridades do PT ainda no ano passado.

    A discussão sobre a redução da escala de trabalho começou com uma PEC da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), mas o Planalto decidiu apoiar a proposição com maior possibilidade de um andamento rápido no Congresso -neste caso, um projeto de lei. A proposta selecionada é do deputado Léo Prates (PDT-BA), que assumiu a relatoria do projeto.

    Motta reúne líderes sob pressão para pautar propostas anti-STF e bandeiras do governo

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  • Caiado troca União Brasil pelo PSD e entra no jogo presidencial

    Caiado troca União Brasil pelo PSD e entra no jogo presidencial

    Governador de Goiás se filia ao partido que já reúne Ratinho Jr. e Eduardo Leite e afirma que definição do candidato ao Planalto será coletiva, sem projeto pessoal, com apoio dos três governadores envolvidos.

    O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, oficializou nesta terça-feira a filiação ao PSD, após deixar o Uniao Brasil. A mudança amplia o número de governadores da legenda com projeção nacional e coloca o partido no centro das articulações para a disputa presidencial.

    Ao anunciar a filiação em um vídeo ao lado dos governadores Ratinho Jr e Eduardo Leite, Caiado afirmou que sua decisão foi tomada “com total desprendimento pessoal” e ressaltou que o PSD ainda vai definir qual dos três será o candidato ao Palácio do Planalto. “Aqui não tem interesse individual. O que sair candidato terá o apoio dos demais e levará uma bandeira de projeto para o Brasil”, declarou.

    Segundo Caiado, a saída do União Brasil foi motivada pelo fechamento de espaço para o debate nacional dentro da antiga legenda. “Eu buscava uma oportunidade para contribuir com a discussão nacional, e essa porta se fechou no meu antigo partido”, afirmou.

    Eduardo Leite deu as boas-vindas ao governador goiano e destacou o caráter coletivo da movimentação. “Antes da aspiração individual, como agentes políticos, vem a nossa aspiração como brasileiros. Será um prazer trilhar esse caminho ao lado de vocês”, disse. Ratinho Jr. classificou a filiação como parte de um “projeto de união pelo Brasil”.

    Mais cedo, em entrevista a uma rádio de Goiânia, Caiado já havia confirmado que comunicou à direção do União Brasil sua intenção de deixar a sigla. Nos bastidores, a avaliação predominante era de que o partido não lançaria candidatura própria à Presidência, priorizando manter margem de negociação no cenário nacional. Internamente, o desempenho de Caiado em pesquisas presidenciais era visto como limitado.

    No PSD, Ratinho Jr. é apontado como o nome mais bem posicionado até o momento, embora a direção evite antecipar definições. O presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, afirmou que os três governadores passam a atuar juntos na construção de uma candidatura. “Vamos trabalhar por um projeto de futuro para o país, sem disputas pessoais”, disse Kassab ao comentar a nova filiação.

     
     
     

     
     
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    Caiado reforçou o discurso de unidade ao afirmar que o grupo pretende apresentar uma alternativa capaz de dialogar com a sociedade. “Quem for escolhido vai representar um projeto de esperança e de resgate daquilo que o povo espera”, afirmou o governador.
     
     

     

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  • Boulos acredita que fim da escala 6×1 pode ser aprovado neste semestre

    Boulos acredita que fim da escala 6×1 pode ser aprovado neste semestre

    Ministro reforça que governo trabalha por redução da jornada

    O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, afirmou nesta terça-feira (27) ter a expectativa de que o fim da escala 6×1 seja aprovado ainda neste semestre. Segundo ele, o governo federal está empenhado na diminuição da carga de trabalho semanal e no aumento do tempo livre para os trabalhadores.

    “Eu espero que isso possa ser pautado [para votação no Congresso Nacional], aprovado e promulgado pelo presidente Lula neste primeiro semestre, para que os trabalhadores brasileiros tenham paz, tenham descanso e possam ter tempo com a sua família para lazer, para cuidado, que é o básico para qualquer um”, disse o ministro.

    Boulos concedeu entrevista coletiva após participar de ato na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, para a criação de Grupo de Trabalho Técnico da Maré que deverá formular políticas para o Complexo da Maré, na zona norte do Rio.

    “Nós vamos acabar com a escala 6×1 no Brasil. Essa é uma necessidade do trabalhador brasileiro”, afirmou.

    Boulos disse atuar, com o Ministério do Trabalho, em prol da mudança e que já se reuniu e manterá conversas “nas próximas semanas” com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) para tratar do tema.

    226 assinaturasO fim da escala 6×1 está previsto na Proposta de Emenda Constitucional nº 8/2025 apresentada à Câmara dos Deputados em fevereiro do ano passado e assinada por 226 deputados – sendo a deputada Erika Hilton (PSOL/SP), correligionária de Boulos, a autora da proposta e primeira signatária.

    Indagado por jornalistas sobre a eventual resistência entre grandes empresários à mudança na carga de trabalho, Boulos avaliou que “o grande empresário ser contra não é nenhuma surpresa”.

    “Quando foi que grande empresário foi a favor de direito do trabalhador? Nunca vi na história. Se dependesse deles, seria escala 7×0. Se dependesse de muitos deles, não teria sido nem promulgada a Lei Áurea neste país.”No fim do ano passado, o Palácio do Planalto “erradicou escala a 6×1” para os trabalhadores terceirizados na Presidência da República, como o pessoal que presta serviço na copa e na limpeza.

    “São centenas de trabalhadores no Palácio do Planalto e, em dezembro, a gente assinou o fim da escala 6×1. Todos esses trabalhadores estão no máximo na escala 5×2”, garantiu Boulos.

    Boulos acredita que fim da escala 6×1 pode ser aprovado neste semestre

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  • Direita cita Bíblia para responder a esquerda sobre raio em ato de Nikolas

    Direita cita Bíblia para responder a esquerda sobre raio em ato de Nikolas

    Deus é evocado pelos dois lados para explicar o que aconteceu em Brasília; especialista diz que discussão virou ‘um verdadeiro tilet teológico’

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – Com uma coisa esquerda e direita até concordavam quando correram às redes sociais para trovejar sobre o raio que feriu dezenas de bolsonaristas em ato convocado pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-SP) em Brasília, no domingo (25): é Deus no controle.

    Se Ele estava contra ou a favor os manifestantes, aí vai depender de que lado você está nesse cabo-de-guerra ideológico.

    Entre a turma que antipatiza com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), sobraram ironia e crítica. Um chiste que fez sucesso na internet, por exemplo, diz que é impossível um ateu não se converter após o que seria uma prova irrefutável de poder divino.

    Parlamentares do campo, em geral, adotaram tom de cobrança. A deputada Erika Hilton (PSOL-SP) disse que Nikolas ignorou “as condições do céu”, inclusive a presença de crianças num dia de tamanha adversidade meteorológica. “Entre proteger seus apoiadores de uma tempestade ou perder o timing político, Nikolas optou por colocar pessoas em risco em nome de ganhos pessoais e eleitorais.”

    O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, também acusou o colega de irresponsabilidade.

    A tropa bolsonarista adotou estratégias diversas para comentar o acidente climático que rapidamente se tornou mais um capítulo da polarização no país.
    O esforço tem sido o de neutralizar qualquer leitura simbólica negativa. O deputado federal Marcelo Crivella (Republicanos-RJ) estava no protesto no instante em que o raio caiu, quando “tremeu o chão, uma barulheira, um som incrível”, conforme descreveu.

    O episódio, em sua análise, foi uma prova de que Deus é bom o tempo todo se você está lutando pela causa certa. Para ilustrar seu ponto, ele pediu que todos dessem “uma olhadinha no que acontece” quando um raio atinge algo.

    Crivella então mostrou vídeo em que um homem lamenta a morte de 66 novilhas vítimas de uma dessas descargas elétricas. O deputado se antecipou à pergunta que julgava inevitável: “As pessoas dizem: ué, se vocês são de Deus, por que caiu um raio na manifestação?”.

    Ele respondeu lembrando de passagens bíblicas que relatam como Jesus acalmou uma tempestade enquanto atravessava o Mar da Galileia. Entre “ondas altas” e “vento forte”, quando seus discípulos “achavam que iam morrer”, o messias cristão sabia que tudo daria certo. “Deus nos protegeu como protegeu Jesus na tempestade”, afirmou o deputado, que é sobrinho do bispo Edir Macedo.

    A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) foi outra que recorreu à Bíblia para justificar o caos climático de domingo. “Como diz a palavra em Ezequiel: ‘Farei descer chuva; haverá chuvas de bênçãos’”, escreveu numa rede social. “Essa multidão é a resposta de que não aceitaremos mais o jugo daqueles que tentam roubar a inocência das nossas crianças e destruir os nossos valores.”

    Colega de Senado, Magno Malta (PL-ES) enveredou por outra linha discursiva. Compartilhou uma animação que reencenou, com alta carga dramática, o que aconteceu no evento de domingo. “O raio não foi o pior que aconteceu ali”, diz o narrador do filme.

    A certa altura, enquanto manifestantes ao fundo lutam por suas vidas, mesas com pessoas vestidas com uma camisa vermelha alusiva ao PT brindam com champanhe. A ideia é retratar a esquerda como insensível a um cenário potencialmente fatal. “A comemoração não é sobre ideologia, é sobre caráter.”

    O pastor batista Kenner Terra, doutor em ciências da religião, diz que usar a fé para fins políticos gera um importante capital simbólico. “Não é sem motivo que Nikolas, estrategicamente, afirmou ao longo de todo o percurso de sua marcha que se tratava de uma ação de Deus, expressão da vontade divina.”

    O incidente do raio, contudo, provocou o que Terra chama de “um verdadeiro tilt teológico”, já que acontecimentos afins costumam ser interpretados, no imaginário religioso, como punição divina. “Na Bíblia há narrativas em que Deus pune com chuva e raios.”

    Vide trecho do livro de Samuel, do Antigo Testamento, que fala como “o Senhor trovejou com grande trovoada sobre os filisteus, e os aterrou de tal modo que foram derrotados diante de Israel”.

    Para manter a coerência do discurso, segundo Terra, parte dos apoiadores ajustou a narrativa recorrendo à antiga ideia de batalha espiritual. “Ou seja, poderes malignos teriam usado a natureza para retaliar os servos de Deus que estariam em luta contra o mal.”

    Ao interpretar a tragédia como castigo de Deus, com seriedade ou deboche, a esquerda buscou questionar a ação dos opositores, diz o pastor.

    Para ele, ambos os lados se arriscam ao valer-se do nome de Deus para legitimar interesses. “Ultrapassa a linha do razoável afirmar que Deus tenha punido os manifestantes. Fazer esse tipo de associação superficial é abrir as portas do absurdo, pois permitiria tratar como juízo divino todas as tragédias que atinjam adversários políticos.”

    Direita cita Bíblia para responder a esquerda sobre raio em ato de Nikolas

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