Categoria: POLÍTICA

  • Pressão por domiciliar a Bolsonaro mobiliza Tarcísio, Michelle, deputados e ministros do STF

    Pressão por domiciliar a Bolsonaro mobiliza Tarcísio, Michelle, deputados e ministros do STF

    Moraes determinou aos médicos de Bolsonaro um novo relatório sobre as condições de saúde do ex-presidente. Ao menos metade dos ministros da corte entende que a melhor opção seria transferir ex-presidente para casa

    BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – A nova ofensiva para que o STF (Supremo Tribunal Federal) conceda a prisão domiciliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) teve a participação de Flávio e Michelle Bolsonaro, do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), da bancada bolsonarista no Congresso e até de ministros da corte.

    Políticos e advogados ouvidos pela reportagem dizem que a chance de que o ministro Alexandre de Moraes atenda aos apelos desta vez é mais concreta. Bolsonaro foi condenado a mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado e, após iniciar o cumprimento da pena na superintendência da Polícia Federal, foi transferido para a unidade conhecida como Papudinha, no DF, em janeiro.

    Além da união de esforços, a situação de saúde de Bolsonaro é apontada como um novo fator de convencimento. O ex-presidente foi internado na semana passada com broncopneumonia bacteriana causada por aspiração do vômito em decorrência dos soluços constantes. Sua equipe médica classificou o quadro como grave.

    Aliados de Bolsonaro afirmam também que a fragilização de Moraes com o caso do Banco Master pode contribuir para que ele decida a favor de Bolsonaro.

    Segundo esse raciocínio, Moraes teme ser atingido pelas investigações que miram Daniel Vorcaro, já que sua esposa foi contratada pela defesa do Master, e vai buscar manter uma ponte de diálogo e negociação com Flávio, uma vez que o senador está empatado com Lula (PT) nas pesquisas e poderia ser eleito presidente.

    Um argumento utilizado por políticos e por outros ministros junto a Moraes é que uma eventual morte de Bolsonaro seria encarada politicamente como responsabilidade do ministro. A transferência para a prisão domiciliar, ao contrário, aliviaria essa acusação.

    Interlocutores do senador afirmam que Moraes demonstrou ter gostado da visita de Flávio na terça-feira (17), quando o filho mais velho de Bolsonaro reforçou o pedido pela domiciliar.

    Foi o mesmo relato feito após a primeira reunião de Michelle com o ministro, em janeiro. Como mostrou a Folha de S. Paulo, a ex-primeira-dama quer um novo encontro com Moraes para pedir que Bolsonaro cumpra pena em casa.

    Segundo aliados do ex-presidente, Michelle quer ter a oportunidade de dizer pessoalmente ao magistrado que Bolsonaro não pode ficar sozinho à noite pelo risco de broncoaspiração. Ela também quer relatar a Moraes que, de acordo com a equipe médica, se ele tivesse sido socorrido cerca de uma hora mais tarde, o ex-presidente poderia ter morrido.

    A atual internação de Bolsonaro mobilizou ainda ministros da corte. Ao menos dois ministros próximos a Moraes se dedicam a esse esforço de convencimento, iniciado ainda no ano passado. Nas palavras de um deles, a transferência passou a ser uma questão humanitária.

    Ainda, outros três ministros relataram à reportagem que em outros momentos, o último deles no Carnaval, colegas têm conversado com Moraes sobre o tema. Alguns dizem, inclusive, que caso fossem relatores teriam concedido a medida.

    A preocupação é o quanto uma piora do quadro de Bolsonaro poderia respingar na imagem já abalada da corte. Além do próprio relator, a questão poderia atingir todo o Supremo e os integrantes de forma mais ampla.

    A proximidade do período eleitoral é outro elemento calculado por essa ala. Na avaliação desses magistrados, a corte pode não conseguir sair dos holofotes da política sem isso -ainda que outras matérias, como o caso Master, tenham crescido a atenção política sobre o tribunal mais uma vez.

    Assim, ao menos metade dos ministros já entende que a melhor opção seria deixar Bolsonaro cumprir sua pena em casa.

    Nesta quinta (19), foi a vez de Tarcísio reiterar o pedido da defesa do ex-presidente. O governador teve reuniões com os ministros Moraes, Luiz Fux, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Edson Fachin, presidente da corte.

    Tarcísio viajou a Brasília para tratar principalmente do julgamento de uma ação que pede a suspensão da privatização da Sabesp, mas a expectativa de aliados e dos próprios ministros era a de que ele usaria a oportunidade para também pedir a prisão domiciliar.

    Em janeiro, após a reunião com Michelle e a transferência de Bolsonaro para a Papudinha, havia expectativa de que o ministro finalmente decidisse pela domiciliar. Mas a explosão do caso Master, com menção à mulher do ministro, aliada aos ataques de bolsonaristas a Moraes, teriam inviabilizado qualquer acordo. Com a internação, a possibilidade de decretação de regime domiciliar volta à mesa.

    Em outra frente, mais de cem deputados federais da oposição e do centrão assinaram um pedido enviado nesta quarta-feira (18) a Moraes para pressionar pela prisão domiciliar.

    A solicitação para Bolsonaro deixar a Papudinha, encabeçada por Gustavo Gayer (PL-GO), conta com a assinatura de dezenas de congressistas do partido do ex-presidente, mas também tem o apoio de nomes de outras legendas, como PSD, PP, MDB, União Brasil e Republicanos.

    Na terça, a defesa de Bolsonaro apresentou ao Supremo um novo pedido de prisão domiciliar humanitária, sob o argumento de que houve uma piora da saúde de Bolsonaro, que resultou na internação hospitalar.

    Os advogados citam que a internação emergencial demonstra um agravamento no quadro clínico de Bolsonaro e que a Papudinha é “absolutamente incompatível com a preservação de sua saúde e integridade física”, o que pode levar a intercorrências fatais.

    Pressão por domiciliar a Bolsonaro mobiliza Tarcísio, Michelle, deputados e ministros do STF

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Política

  • Ex-assessora de Flávio Bolsonaro é denunciada sob acusação de lavar dinheiro de filho miliciano

    Ex-assessora de Flávio Bolsonaro é denunciada sob acusação de lavar dinheiro de filho miliciano

    Raimunda Magalhães havia sido uma das acusadas no esquema de ‘rachadinha’ na Alerj; por outro lado, defesa afirma que ainda não teve acesso aos autos; senador não comenta

    RIO DE JANEIRO, RJ (CBS NEWS) – Uma ex-assessora do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) foi denunciada sob acusação de participar da lavagem de dinheiro do filho, o miliciano Adriano da Nóbrega, morto em 2020 em uma operação policial na Bahia.

    De acordo com a denúncia divulgada nesta quinta-feira (19) pelo Ministério Público estadual, Raimunda Veras Magalhães integrou uma rede de pessoas e empresas usada para “receber, movimentar e ocultar valores oriundos do jogo do bicho”.

    A advogada Manoela Santos, que representa Raimunda, disse que ainda não teve acesso aos autos. Flávio, que é pré-candidato à Presidência, não quis comentar por não ter tomado conhecimento da acusação.

    Raimunda foi uma das denunciadas no esquema de “rachadinha” atribuído a Flávio pelo MP-RJ no período em que esteve na Alerj. O caso foi arquivado em 2021 após a anulação de provas pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça) e STF (Supremo Tribunal Federal).

    Segundo o MP-RJ, Adriano controlava pontos de jogo do bicho em Copacabana em associação com o bicheiro Bernardo Bello. A investigação apontou que quatro empresas movimentaram R$ 8,5 milhões.

    “Entre os empreendimentos de fachada constam um depósito de bebida, um bar e um restaurante. Os investigadores se depararam com um quiosque de serviços de sobrancelha localizado em um shopping na zona norte, cuja conta registrou, em seis meses, aproximadamente R$ 2 milhões em créditos”, afirma o MP-RJ.

    Raimunda trabalhou como assessora de Flávio entre abril de 2016 e novembro de 2018. A denúncia aponta uma movimentação financeira atípica numa pizzaria entre 2014 e 2019.

    De acordo com a denúncia, o estabelecimento recebeu depósitos de pessoas que faziam a lavagem de dinheiro do miliciano. Entre as transferências está uma empresa de estética, um dos focos da investigação.

    O MP-RJ apresentou também denúncia contra o deputado federal Juninho do Pneu (União Brasil-RJ). A Promotoria afirma que ele adquiriu bens de Adriano após sua morte avaliados em R$ 3,5 milhões. A acusação afirma que ele e a viúva do miliciano, Julia Lotuffo, também denunciada, tinham ciência da origem ilegal do imóvel e da irregularidade da transação.

    Juninho afirmou, em nota, que foi seu pai quem comprou o sítio apontado na denúncia. O deputado declarou que nunca teve relação com as pessoas citadas na denúncia. Disse ainda que a investigação sobre ele deveria ser conduzida pela PGR (Procuradoria-Geral da República), em razão do foro especial de deputados federais.

    A reportagem não localizou a defesa de Julia.

    Ao todo, três denúncias foram oferecidas para tratar da atuação de Adriano no jogo do bicho, numa rede de matadores de aluguel e na ocultação de seu patrimônio após a morte.

    “A terceira ação penal trata dos integrantes que atuavam sob o comando do miliciano e que continuaram em atividade após sua morte. As apurações indicam que o grupo criminoso persistiu e sofisticou sua estrutura mesmo após a morte de Adriano da Nóbrega. Segundo o Gaeco/MP-RJ, Julia Lotufo atuava como líder e controlava toda a contabilidade e os ativos da organização criminosa, cujos negócios ilícitos envolviam agiotagem, contravenção e mercado imobiliário irregular”, afirma o MP-RJ.

    Ex-assessora de Flávio Bolsonaro é denunciada sob acusação de lavar dinheiro de filho miliciano

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Política

  • "Sem STF, fica pior", diz Dino sobre atuação da Corte

    "Sem STF, fica pior", diz Dino sobre atuação da Corte

    O ministro disse que o STF tem erros e acertos, que são frutos da “falibilidade humana”; declaração de Flávio Dino foi dada ao homenagear Alexandre de Moraes

    O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta terça-feira (19) que a Corte é insubstituível na função de proteção dos direitos dos cidadãos.

    O comentário foi feito na abertura da sessão da tarde desta quinta-feira, na qual o ministro Alexandre de Moraes foi homenageado pelos nove anos de atuação no Supremo. 

    Dino disse que o STF tem erros e acertos, que são frutos da “falibilidade humana”.

    “Aqueles que acham ruim existir o Supremo Tribunal Federal, que saibam que sem ele, fica muito pior. Então, é muito importante compreender esse caráter insubstituível das instituições para proteção dos direitos do cidadão”, afirmou. 

    O ministro também ressaltou que Moraes tem a função difícil de comandar os processos sobre a trama golpista.

    “Falou-se em tantos momentos duros, difíceis, eles não integram o passado. A aridez contra as instituições, a era dos abusos, demanda essa compreensão quanto à proteção das instituições. Alexandre de Moraes integra essa função difícil, porém imprescindível”, completou.

    O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), elogiou nesta quinta-feira (19) a atuação do ministro Alexandre de Moraes e disse que ele pode ser considerado pivô da defesa da democracia brasileira.

    A declaração do ministro foi feita durante a abertura da sessão desta tarde, na qual Moraes recebeu homenagens pelos nove anos de atuação na Corte. 

    Nomeado pelo ex-presidente Michel Temer, ele foi empossado no dia 22 de março de 2017.

    Ministros

    Para o decano da Corte, ministro Gilmar Mendes, Moraes soube dar respostas institucionais aos ataques sofridos pelo tribunal. 

    “Com início da resposta institucional à escalada de ataques contra o Supremo, seus ministros e familiares, foi em março de 2019, quando assumiu o inquérito das fake news, o ministro Alexandre foi alçado à posição de pivô da defesa da democracia”, lembrou.

    “Vossa Excelência [Alexandre de Moraes] evitou que caíssemos em um abismo autoritário, onde provavelmente ainda estaríamos vivendo. O Brasil tem uma dívida com Vossa Excelência”, completou Gilmar Mendes.

    Fachin

    O ministro Alexandre de Moraes também foi homenageado pelo presidente do STF, ministro Edson Fachin.

    O presidente do STF disse que Moraes conduziu com rigor os processos sobre a trama golpista e demonstrou que a Constituição vale para todos.

    “Haveria a condução, com rigor, de inquéritos e ações penais de excepcional complexidade? Alexandre de Moraes respondeu a essa pergunta com sua atuação demonstrando a virtude intimorata dos magistrados desta Corte. A sua contribuição não foi a de substituir o tribunal, foi a de garantir que o tribunal pudesse decidir”, afirmou.

    Moraes

    Após receber as homenagens, Alexandre de Moraes afirmou que a Corte atuou para defender a democracia e deu exemplo para os demais tribunais do mundo.

    “São nove anos, que parecem 90 anos. Quase uma década em que o Brasil passou por grandes atribulações e esse Supremo Tribunal Federal, como órgão colegiado, deu as respostas que a sociedade precisava e queria”, disse.

    "Sem STF, fica pior", diz Dino sobre atuação da Corte

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Política

  • Deputados pedem cassação de Fabiana Bolsonaro por blackface na Alesp

    Deputados pedem cassação de Fabiana Bolsonaro por blackface na Alesp

    A deputada Fabiana Bolsonaro, do PL, decidiu atacar a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), que foi eleita presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara

    Um grupo de deputados estaduais de São Paulo entrou com um processo no Conselho de Ética da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) pedindo a cassação da deputada Fabiana Bolsonaro (PL), acusada da prática racista de blackface e discurso transfóbico no fim da tarde desta quarta-feira (18).

    Em discurso no plenário, Fabiana criticou a eleição da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), que é uma mulher trans, para presidente da Comissão da Mulher da Câmara dos Deputados. 

    Além de recorrer ao Conselho de Ética, a deputada estadual Mônica Seixas e a vereadora de São Paulo Luana Alves, ambas do PSOL, registraram um boletim de ocorrência contra Fabiana na Delegacia de Repressão aos Crimes Raciais e Delitos de Intolerância.

    “Racismo e transfobia são crimes! Já acionamos o Conselho de Ética e estamos na delegacia exigindo responsabilização imediata”, escreveu Mônica nas redes sociais. 

    Fabiana Bolsonaro também foi denunciada ao Ministério Público de São Paulo por racismo, por iniciativa da deputada estadual Ediane Maria (PSOL).

    Nas redes sociais, Fabiana disse que a atitude no plenário da Assembleia foi uma analogia. 

    “A analogia foi clara, só não entendeu quem não quis! Assim como eu não me torno negra só porque pintei a pele, ninguém que não nasceu mulher pode representar com legitimidade as dores biológicas, psicológicas e históricas que só as mulheres biológicas conhecem”, disse. 

    A deputada do PL também divulgou uma nota pública negando ter praticado blacface durante sua fala. 

    “Como deputada, afirmo com total clareza e responsabilidade jurídica: durante minha presença no Plenário da Assembleia Paulista não fiz blackface. É uma mentira deliberada para tentar calar um debate legítimo”.

    Blackface

    Durante um discurso, nesta quarta-feira, na tribuna da Alesp, enquanto se manifestava contra Erika, Fabiana pintou de marrom seu rosto e braços. 

    “Estou pintada de negra por fora. Eu me reconheço como negra. Por que então eu não posso presidir a Comissão sobre racismo, antirracista? Por que não posso cuidar dessa pauta? Porque eu não sou negra?”, disse. 

    Deputados pedem cassação de Fabiana Bolsonaro por blackface na Alesp

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Política

  • Globo usa filho para desgastar Lula, diz advogado de Lulinha

    Globo usa filho para desgastar Lula, diz advogado de Lulinha

    O advogado Marco Aurélio Carvalho afirmou que a emissora carioca está usando Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, para desgastar Lula, como teriam feito no período da Lava Jato

    O advogado Marco Aurélio Carvalho, que atua na defesa de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, afirmou que a TV Globo está retomando os velhos métodos da Lava Jato e usa a imagem do filho para desgastar o presidente Lula, que tentará seu quarto mandato no Palácio do Planalto nas eleições de outubro, onde provavelmente Flávio Bolsonaro (PL) estará entre os candidatos.

    Em entrevista à ‘Revista Fórum’, Carvalho comentou a edição da noite anterior do Jornal Nacional, que dedicou boa parte do telejornal para exibir reportagem baseada a partir de “uma coincidência entre repasses de Antônio Carlos Camilo Antunes, o ‘Careca do INSS’, à empresa de uma amiga de Lulinha e pagamentos feitos por ela para uma agência de viagens”.

    Horas depois, Flávio Bolsonaro, que criticou a emissora muitas vezes a chamando de ‘GloboLixo’, compartilhou em suas redes a reportagem na íntegra, mostrando um alinhamento com a emissora.

    O advogado destacou que como a oposição não tem um projeto para o país, que a emissora então armou uma estratégia para bater no governo de outra forma. Para ele, a Globo se associar ao bolsonarismo, remete aos tempos ‘tenebrosos’ da Lava Jato, quando a força tarefa comandada por Sergio Moro (PL-PR) e Deltan Dallagnol (Novo-PR) – candidatos de Flávio Bolsonaro ao governo do Estado e ao Senado no Paraná – mantinha uma rede de relacionamentos com jornalistas da mídia liberal para fabricar narrativas contra Lula.

    “A Globo está tentando desgastar o governo atingindo a imagem do filho do presidente para novamente, de uma forma absolutamente inadequada, retomar o tema da corrupção”, afirmou Carvalho.

    Segundo ele, o método usa novamente vazamentos seletivos, escoados por agentes de Estado, incluindo dentro da Polícia Federal, para abastecer a narrativa na mídia liberal, que está alinha ao bolsonarismo. O advogado antecipou à Fórum que está entrando com representação na Justiça para pedir investigações sobre esses vazamentos.

    “Nós estamos representando a Polícia Federal para pedir apurações rigorosas em relação a esses vazamentos seletivos, que são sempre descontextualizados e sugerem coisas que efetivamente não aconteceram”, disse.

    Investigações contra Lulinha

    Marco Aurélio Carvalho reafirmou “que Lulinha “não tem relação direta ou indireta com absolutamente nenhum dos fatos que estão sendo investigados no bojo da CPMI do INSS”.

    “[Ele] Não recebeu um único real sequer do empresário Antônio Camilo ou de quaisquer que sejam as suas empresas”, afirmou relembrando que dados vazados não demonstraram ligação do filho de Lula com o caso de corrupção.

    “Todas as linhas de investigação da Polícia Federal, que envolvem direta ou indiretamente o Fábio, foram absolutamente rechaçadas, afastadas pelas próprias circunstâncias e por fatos que são rigorosamente incontestáveis. Então, o que talvez justifique esse tempo dedicado a ele, seja a perseguição implacável da qual ele segue sendo vítima que tem um punho político e eleitoral indiscutível”, disse para a publicação.

    Globo usa filho para desgastar Lula, diz advogado de Lulinha

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Política

  • Bolsonaro mantém 'boa evolução' clínica, mas segue sem previsão de alta da UTI

    Bolsonaro mantém 'boa evolução' clínica, mas segue sem previsão de alta da UTI

    Segundo Caiado, Bolsonaro teve boa evolução após administração de um terceiro antibiótico na madrugada de domingo (15). Tomografia feita nesta quarta mostrou uma melhora no pulmão direito, enquanto o esquerdo continua com “comprometimento moderado”

    (CBS NEWS) – O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) manteve boa evolução clínica e laboratorial nas últimas 24 horas, mas segue sem previsão de alta da UTI do hospital DF Star, em Brasília, onde está internado desde a última sexta-feira (13) para tratar uma pneumonia bacteriana bilateral.

    Boletim médico divulgado pelo hospital afirma que o ex-presidente segue tomando antibióticos e sob fisioterapia motora e respiratória. O documento é assinado pelos médicos Claudio Birolini, Brasil Caiado, Leandro Echenique, Antônio Paiva Fagundes e Alisson Borges.

    A equipe médica que atende o ex-presidente trabalha com a possibilidade de que ele deixe a UTI até o final da semana, segundo afirmou o cardiologista Brasil Caiado nesta quarta-feira. “A prudência manda deixarmos lá [na UTI] para termos total segurança, […] mas acredito que pode ser, daqui para o final de semana”.

    Segundo Caiado, Bolsonaro teve boa evolução após administração de um terceiro antibiótico na madrugada de domingo (15). Tomografia feita nesta quarta mostrou uma melhora no pulmão direito, enquanto o esquerdo continua com “comprometimento moderado”.

    Logo após a internação, o médico Claudio Birolini, que integra a equipe de Bolsonaro, chegou a afirmar que a situação do ex-presidente era extremamente grave. “Uma pneumonia aspirativa pode fazer com que a pessoa evolua com uma insuficiência respiratória, e se você não intervir, [pode fazer com que ela] morra”.

    Ao longo da semana, porém, Bolsonaro apresentou melhora. Boletim divulgado na última segunda-feira relatou recuperação das funções renais e dos marcadores inflamatórios.

    O ex-presidente, que tem 70 anos e acumula problemas de saúde, foi preso no ano passado e cumpre pena no 19º Batalhão de Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha. Ele foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado após a derrota eleitoral de 2022.

    A mais nova internação renovou a ofensiva da direita para que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, conceda a Bolsonaro a prisão domiciliar. Como mostrou a Folha, mais de 100 deputados da oposição e do centrão assinaram um pedido nesse sentido enviado ao juiz.

    Bolsonaro mantém 'boa evolução' clínica, mas segue sem previsão de alta da UTI

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Política

  • Junta médica de Bolsonaro tem antipetista e primo de Caiado

    Junta médica de Bolsonaro tem antipetista e primo de Caiado

    Relatórios usados pela defesa para pedir prisão domiciliar expõem vínculos políticos e familiares entre integrantes da equipe médica de Bolsonaro, enquanto o STF mantém negativa ao benefício e aponta condições adequadas de tratamento no sistema prisional

    (CBS NEWS) – A equipe médica de Jair Bolsonaro (PL), cujos relatórios têm sido usados pela defesa para pedir sua prisão domiciliar, é formada por um antipetista e um primo do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), que já prometeu anistiar o ex-presidente.

    Outro primo do governador, psicólogo, é citado na lista de profissionais que foram recentemente à Papudinha atender o ex-presidente.

    Nas redes sociais, Claudio Birolini, o cirurgião-geral da equipe médica que assina os boletins, repostou publicação de tom crítico ao presidente Lula (PT) e ao STF (Supremo Tribunal Federal).

    Ele também republicou críticas ao ator Wagner Moura, alvo da direita durante a corrida pelo Oscar com o filme “O Agente Secreto”, que não levou nenhuma estatueta na premiação.

    “URGENTE: Wagner Moura é internado às pressas no Hospital Cedars-Sinai Medical Center em Los Angeles, Califórnia. Blogueiro passou mal após ficar 10 horas sem repetir as palavras ‘ditadura’ e ‘Bolsonaro’ “, dizia a publicação replicada por Birolini.

    O médico tem criticado nas redes o projeto de lei do senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) que institui a política nacional de combate ao discurso de ódio contra a mulher na internet, sinalizando que a iniciativa seria “vigilância total disfarçada”.

    Repostagem da última terça-feira (17) trazia conteúdo do deputado federal Mario Frias (PL-SP), ex-secretário especial de Cultura de Bolsonaro, sobre o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).

    O médico também tem postagens com outras figuras da direita, como Fernando Holiday, ex-vereador de São Paulo, Marcelo Queiroga, ministro da Saúde de Bolsonaro e pré-candidato ao Senado pelo PL, e Rubinho Nunes (União Brasil), vereador de São Paulo.

    Em outra postagem, o pai do médico, Dario Birolini, posa com o ex-presidente com a medalha “3I: imorrível, imbrochável e incomível”, usada pelo ex-mandatário para agraciar aliados.

    A reportagem questionou Claudio Birolini sobre as condições de saúde do ex-presidente e se uma prisão domiciliar poderia abrandar o quadro.

    A reportagem também perguntou como o médico se classifica ideologicamente.

    Birolini afirmou que não se manifestaria sobre a saúde do ex-mandatário fora de boletins e relatórios oficiais.

    Ele não comentou seu posicionamento ideológico, mas encaminhou suas informações profissionais disponíveis no Google Acadêmico e no CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico).

    No site, consta que o médico tem doutorado em clínica cirúrgica pela USP, quando foi orientado pelo pai, é diretor no hospital da mesma universidade e chefe do grupo de hérnias e parede abdominal.

    Já o cardiologista Brasil Caiado é primo do governador de Goiás.

    Nas redes, ele registra já ter recebido do político a comenda da Ordem do Mérito Anhanguera, principal honraria concedida pelo governo estadual.

    O governador tem defendido anistia a Bolsonaro, embora se apresente como uma das opções do PSD na disputa presidencial contra a polarização entre o ex-presidente e Lula.

    A reportagem também contatou Brasil Caiado, mas não teve resposta.

    A junta médica que tem assinado os boletins do ex-presidente é composta também pelo cardiologista Leandro Echenique, Antônio Aurélio de Paiva Fagundes Jr., coordenador da UTI Geral, e o diretor-geral Allisson B. Barcelos Borges.

    Outro primo do governador de Goiás que já atendeu Bolsonaro é Ricardo Caiado, psicólogo e neurocientista.

    Ele é mencionado pelo ministro do STF Alexandre de Moraes como profissional já autorizado a ingressar nas dependências da carceragem do ex-presidente.

    O profissional diz ter atendido Bolsonaro quanto este esteve internado, no primeiro semestre de 2025, no hospital DF Star, e na Papudinha, neste mês de março.

    Ele afirmou à reportagem que sua carreira nunca teve qualquer influência do sobrenome.

    “A coincidência se dá porque em nossa família costumamos ser profissionais naquilo que nos dedicamos. O governador de Goiás, que também é médico ortopedista especialista em coluna, não tem qualquer influência sobre nós ou sobre a família do Presidente quanto às escolhas dos profissionais de saúde. Cada decisão respeita o foro íntimo familiar, como em qualquer família”, disse.

    À reportagem o governador também afirmou não ter feito a indicação dos primos ao ex-presidente.

    A defesa de Bolsonaro tem pedido sua prisão domiciliar baseada em relatórios médicos.

    Segundo ela, a última internação, decorrente de uma broncopneumonia, mostra um agravamento clínico do quadro.

    O pedido dos advogados, entretanto, tem sido negado pelo STF, sob o argumento de falta de requisitos para a domiciliar, “uma vez que o estabelecimento prisional demonstrou total capacidade para o tratamento adequado do sentenciado, garantindo sua saúde e dignidade”.

    A broncopneumonia é uma infecção pulmonar que afeta bronquíolos e alvéolos.

    Ela foi identificada pela equipe como a principal causa da última internação do ex-presidente, cuja saúde foi debilitada depois da facada recebida em 2018.

    Segundo o último boletim hospitalar, Bolsonaro permanece internado na Unidade de Terapia Intensiva e não tem previsão de alta, mas “apresentou boa evolução clínica, com melhora parcial dos aspectos tomográficos e melhora importante dos marcadores inflamatórios”.

    Bolsonaro foi condenado a 27 anos de prisão por liderar uma trama golpista para impedir a posse de Lula.
     

    Junta médica de Bolsonaro tem antipetista e primo de Caiado

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Política

  • Moraes negou recurso de desafeto de Vorcaro no período em que Viviane defendia ex-banqueiro

    Moraes negou recurso de desafeto de Vorcaro no período em que Viviane defendia ex-banqueiro

    Ministro do STF negou recurso de investidor em disputa com Daniel Vorcaro enquanto escritório de sua família mantinha contrato com o banco. Situação não configura impedimento legal, mas expõe conexões entre Judiciário e setor financeiro

    (CBS NEWS) – O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), negou no ano passado um recurso apresentado pelo investidor Vladimir Timerman, da Esh Capital, considerado desafeto do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

    A decisão foi proferida em maio de 2025, período em que Vorcaro também movia ações contra Timerman e era defendido pelo escritório de advocacia de Viviane Barci, esposa de Moraes, e seus filhos.

    O escritório Barci de Moraes manteve contrato de R$ 3,5 milhões mensais com o Banco Master entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, para representar os interesses da instituição financeira.

    Embora os processos envolvendo Vorcaro e Timerman, com a participação do escritório e a atuação de Moraes como juiz, não configurem conflito direto segundo as regras da magistratura, o caso evidencia como relações no Judiciário podem se entrelaçar com interesses privados.

    Na mesma época da decisão de Moraes, Vorcaro também processava Timerman em uma queixa-crime no Tribunal de Justiça de São Paulo, assinada pelo escritório de Viviane Barci. O ex-banqueiro alegava ter sido alvo de calúnia e difamação após acusações de fraude feitas pelo investidor.

    Na primeira instância, uma das estratégias da defesa foi listar processos judiciais envolvendo Timerman, com o objetivo de caracterizá-lo como um perseguidor recorrente.

    Entre os exemplos citados estava uma ação movida pelo empresário Nelson Tanure contra o investidor. Ao negar o pedido de trancamento desse processo no STF, Moraes manteve um dos argumentos usados pela defesa de Vorcaro.

    No recurso analisado, Timerman pedia o encerramento de uma ação penal em que era acusado de perseguir Tanure nas redes sociais. Ele alegava constrangimento ilegal e ausência de justa causa.

    Moraes, relator do caso, rejeitou o pedido e determinou o prosseguimento da ação, afirmando não haver ilegalidades e destacando o direito do réu de se defender durante o processo.

    O entendimento seguiu decisões anteriores do Tribunal de Justiça de São Paulo e do STJ. Posteriormente, a Primeira Turma do STF confirmou a decisão de forma unânime.

    Na época, o contrato do escritório ligado à família de Moraes com o Banco Master ainda estava em vigor, antes da revelação de investigações envolvendo a instituição e suas operações financeiras.

    A assessoria do escritório Barci de Moraes não comentou o caso. A defesa de Timerman também optou por não se manifestar.

    No processo movido por Tanure, Timerman foi condenado a um ano, dez meses e 15 dias de prisão, além de multa. Ele nega as acusações e recorre da decisão.

    Já a queixa-crime de Vorcaro contra o investidor foi rejeitada em setembro do ano passado por falta de justa causa.

    Em nota, o STF afirmou que a decisão foi unânime e alinhada ao parecer da Procuradoria-Geral da República, ressaltando que não há relação legal que configure impedimento ou suspeição.

    Moraes também tem sido alvo de questionamentos após relatos de troca de mensagens com Vorcaro no dia da prisão do ex-banqueiro.

    .

    Moraes negou recurso de desafeto de Vorcaro no período em que Viviane defendia ex-banqueiro

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Política

  • Michelle quer novo encontro com Moraes para pedir domiciliar a Bolsonaro

    Michelle quer novo encontro com Moraes para pedir domiciliar a Bolsonaro

    Aliados do ex-presidente dizem que ex-primeira-dama quer dizer que marido não pode ficar sozinho à noite; nova internação reacendeu articulação no STF para que ministro conceda prisão domiciliar humanitária

    BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) quer um novo encontro com o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes para pedir que o marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), cumpra a pena em casa.

    Segundo aliados do ex-presidente, Michelle quer ter a oportunidade de dizer pessoalmente ao magistrado que Bolsonaro não pode ficar sozinho à noite pelo risco de broncoaspiração. Ela também quer relatar a Moraes em pessoa que, de acordo com a equipe médica, se tivesse sido socorrido cerca de uma hora mais tarde, o ex-presidente poderia ter morrido durante o episódio que o levou ao hospital na sexta-feira (13).

    Bolsonaro está internado desde então em um hospital particular em Brasília com broncopneumonia. Conforme o boletim médico divulgado nesta quarta (18), ele teve melhora nos dois pulmões, mas segue sem previsão de alta hospitalar.

    A broncopneumonia bacteriana foi causada pela aspiração do vômito em decorrência dos soluços que ele enfrenta desde a facada que levou durante a campanha presidencial em 2018.

    O senador Flávio Bolsonaro (PL), seu filho e também pré-candidato a presidente, se reuniu com Moraes na noite desta terça-feira (17) ao lado do advogado Paulo Cunha Bueno.

    “Foi uma conversa objetiva em que nós expusemos as nossas preocupações, nossos fundamentos, para reiterar o pedido da defesa”, disse Flávio, acrescentando que o quadro de saúde do pai tende a piorar, caso ele siga preso no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, ao lado do Complexo Penitenciário da Papuda.

    A defesa de Bolsonaro apresentou ao Supremo um novo pedido de prisão domiciliar humanitária nesta terça, sob o argumento de que, nas últimas semanas, houve uma piora no quadro de saúde dele, que resultou na internação hospitalar.

    Os advogados citam que a internação emergencial demonstra um agravamento no quadro clínico de Bolsonaro e que a Papudinha é “absolutamente incompatível com a preservação de sua saúde e integridade física”, o que pode levar a intercorrências fatais.

    A nova internação de Bolsonaro reacendeu no STF uma articulação para que Moraes autorize sua transferência para o regime domiciliar. Na corte, ao menos dois ministros ligados a Moraes se dedicam a esse esforço de convencimento, iniciado ainda no ano passado.

    Michelle foi recebida por Moraes no gabinete dele no Supremo em janeiro. Na ocasião, perguntou ao ministro se ele não poderia conceder a Bolsonaro o mesmo benefício dado por ele ao ex-presidente Fernando Collor -prisão domiciliar humanitária. Moraes respondeu que Collor foi diagnosticado com Parkinson e tem risco de queda.

    Michelle quer novo encontro com Moraes para pedir domiciliar a Bolsonaro

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Política

  • Fux altera regras de eleição indireta no RJ e atinge pré-candidatos a mandato-tampão

    Fux altera regras de eleição indireta no RJ e atinge pré-candidatos a mandato-tampão

    Ministro do STF afirma que prazo de desincompatibilização de 6 meses deve ser respeitado mesmo em pleito não planejado; magistrado também defende votação secreta para evitar interferência do crime organizado na eleição

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – O estado de São Paulo confirmou no último dia 11 o primeiro caso de sarampo de 2026: um bebê de seis meses que contraiu a doença durante uma viagem à Bolívia em janeiro. A criança não estava vacinada porque ainda não tinha chegado à idade recomendada para receber o imunizante.

    A vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, só é aplicada a partir dos 12 meses. A razão é biológica: bebês recebem anticorpos da mãe durante a gestação, e esses anticorpos interferem na resposta imunológica à vacina nos primeiros meses de vida. “A mãe que já teve a doença ou já tomou a vacina passa os anticorpos na gravidez para o filho. Por isso a gente só recomenda vacinar depois de 12 meses”, diz o infectologista pediatra Renato Kfouri.

    Isso não significa que o bebê está completamente protegido pelo anticorpo materno nesse período. “Nem sempre eles são suficientes para prevenir a doença”, diz Kfouri. É essa janela que torna crianças menores de um ano especialmente vulneráveis quando expostas ao vírus.

    Para bebês entre seis meses e um ano que vão a regiões com transmissão ativa do sarampo, especialistas recomendam uma estratégia chamada “dose zero”: aplicar a vacina antes do primeiro aniversário. Ela oferece proteção parcial, não substitui as duas doses do calendário regular -feitas aos 12 e 15 meses- e por isso não é contabilizada no esquema vacinal.

    O número de casos de sarampo nas Américas cresceu 32 vezes entre 2024 e 2025, o que levou a Opas, escritório regional da OMS, a emitir um alerta e pedir ação imediata dos países. Em 2025, foram 14.891 casos em 13 países do continente.

    A Bolívia registrou 597 casos e continua com transmissão ativa. Nos Estados Unidos, a situação é epidêmica, em meio à desconfiança pública nas vacinas impulsionada pelo governo Donald Trump. O país registrou 2.242 casos no ano passado, com três mortes. No Brasil, foram 38 casos confirmados em 2025, dez deles contraídos fora do país.

    “Entre seis meses e um ano, você avalia se esse bebê está indo para uma situação de risco. Sem dúvida, ele deve fazer essa dose extra para ir com mais segurança”, afirma Mônica Levi, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

    Antes dos seis meses, a vacina não tem indicação: a concentração de anticorpos maternos ainda é alta para permitir qualquer resposta imunológica. Há quem defenda que, nesse caso, a melhor decisão é simplesmente não viajar. “Se a criança não está com a vacinação completa, a ida a qualquer lugar é arriscada”, diz o imunologista Luiz Vicente Rizzo, diretor de pesquisa do Einstein Hospital Israelita.

    A dose zero, no entanto, não faz parte do calendário do PNI (Programa Nacional de Imunizações) e só é ativada na rede pública em situações de surto no Brasil.

    “A ação é programática. Não temos essa recomendação de vacinação extraordinária e individualizada”, afirma Eder Gatti, diretor do PNI no Ministério da Saúde. Algumas cidades têm centros públicos de medicina do viajante que podem avaliar o caso individualmente, mas não é regra. Para a maioria das famílias, a dose precisará ser obtida na rede privada.

    Além do sarampo, o calendário do SUS (Sistema Único de Saúde) para o primeiro ano de vida oferece até os seis meses vacinas contra hepatite B, tuberculose, poliomielite, rotavírus, coqueluche, tétano, difteria, meningite por Haemophilus, pneumonia e meningite C. Aos seis meses entra a vacina contra gripe -duas doses com intervalo de um mês da primeira vacinação. Aos nove meses, a vacina contra febre amarela, prevista no calendário nacional para toda a população é especialmente relevante para viagens a áreas com transmissão ativa da doença, como partes do Centro-Oeste, Norte e Nordeste.

    A SBIm recomenda vacinas adicionais ou com formulações mais abrangentes do que as oferecidas pelo SUS -como a pneumocócica 20-valente, no lugar da 10-valente disponível nos postos-, mas o calendário básico público já cobre as principais doenças preveníveis na infância.

    A preocupação não se limita a viagens internacionais. O Brasil tem perfis epidemiológicos muito diferentes entre suas regiões: áreas com risco de febre amarela, dengue, malária e leishmaniose exigem atenção específica conforme o destino.

    “Vacinação em dia é garantia de proteção para coqueluche, pneumonia, diarreia por rotavírus, febre amarela, gripe. Não muda nada viajar dentro ou fora do Brasil”, diz Kfouri.

    A orientação dos especialistas converge em um ponto: consultar o pediatra antes de qualquer viagem com bebê, verificar o perfil epidemiológico do destino e avaliar se há alguma dose que possa ser antecipada.

    Fux altera regras de eleição indireta no RJ e atinge pré-candidatos a mandato-tampão

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Política