Categoria: POLÍTICA

  • Moro enfrenta resistência dentro do PL por candidatura no Paraná, mas consegue atrair Novo

    Moro enfrenta resistência dentro do PL por candidatura no Paraná, mas consegue atrair Novo

    Presidente do PL no estado, ligado a grupo de Ratinho Junior, comunicou a aliados que deixará sigla; pré-candidato ao Governo do Paraná, ex-juiz resgatou aliança com Deltan Dallagnol

    CURITIBA, PR (CBS NEWS) – O senador Sergio Moro, filiado ao PL nesta terça-feira (24) para concorrer ao Governo do Paraná, já enfrenta resistência ao seu nome nos quadros do partido. A ala insatisfeita com a chegada do ex-juiz da Lava Jato é encabeçada pelo presidente do PL estadual, deputado federal Fernando Giacobo, que comunicou a aliados estar deixando o comando da legenda.

    A reportagem não conseguiu falar com Giacobo, e Moro não quis se manifestar. O deputado federal Filipe Barros (PL), que será um dos candidatos ao Senado na chapa de Moro, também preferiu não comentar. Barros é quem assume o posto de presidente estadual do PL no lugar de Giacobo.

    No comunicado que enviou a prefeitos do PL, Giacobo afirmou que também vai deixar o partido e que “conto com vocês para caminharmos juntos nesse novo momento”. Ele deve se filiar ao PSD do governador Ratinho Junior e pode convencer políticos do PL a fazerem a mesma troca.

    Nesta terça, a ausência de Giacobo no ato de filiação de Moro, em Brasília, foi notada pelos correligionários. Na visão do presidente local, o PL deveria continuar na aliança com o PSD de Ratinho Junior, que na segunda-feira (23) desistiu da corrida ao Planalto e optou por terminar o mandato no Palácio Iguaçu, com foco em garantir a vitória de um sucessor.

    O nome do PSD que vai para a disputa ao governo paranaense ainda não foi definido, e o grupo teme uma derrota para Moro, que tem figurado em primeiro lugar nas pesquisas de intenção de voto.

    Não é o primeiro atrito de Moro com correligionários do próprio partido. Ele também protagonizou conflitos com integrantes do União Brasil no Paraná, quando ainda estava filiado ao partido de Antonio Rueda.

    O maior desgaste na relação com o União Brasil ocorreu durante as eleições de 2024, quando ele contestou nomes de correligionários lançados em cidades estratégicas no Paraná e chegou a pedir a intervenção da cúpula da sigla.

    No final do ano passado, Moro também foi rejeitado pelo PP, que no Paraná é controlado pelo deputado federal Ricardo Barros. Com apoio de Ciro Nogueira, presidente nacional da sigla, o grupo de Barros vetou a candidatura do ex-juiz ao Governo do Paraná no âmbito da federação que está sendo construída entre PP e União Brasil.

    O espaço agora no PL foi conquistado por Moro na esteira das articulações em torno da corrida ao Planalto. Lançado pré-candidato à Presidência, o senador Flávio Bolsonaro (PL) buscava um palanque no Paraná, já que Ratinho Junior também se colocava como um nome ao governo federal.

    A desistência repentina de Ratinho Junior pegou aliados de surpresa, mas não alterou o acordo que Moro havia feito com a cúpula do PL dias atrás. O governador admitiu abertamente o interesse em participar das eleições ao Planalto no final de 2024 e, desde então, até o comunicado desta segunda, trabalhava para entrar na disputa.

    Aliados dizem que a opinião da família pesou na decisão, mas a dificuldade em garantir uma candidatura viável para seu grupo no Palácio Iguaçu também influenciou. Além de perder o PL, o PSD paranaense ficou sem o partido Novo, cuja principal liderança no estado é o ex-procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol.

    Moro e Deltan se afastaram nas eleições de 2024, quando o ex-procurador caminhou ao lado do grupo de Ratinho Junior para eleger Eduardo Pimentel (PSD) à Prefeitura de Curitiba. No mesmo pleito, Moro lançava sua mulher, a deputada federal Rosangela Moro, como candidata a vice-prefeita da capital na chapa do União Brasil.

    Agora, para as eleições de 2026, Moro conseguiu atrair o Novo para sua chapa com Deltan figurando como pré-candidato ao Senado, assim como Filipe Barros.

    Na avaliação de integrantes do Novo, não havia como o partido no Paraná permanecer apoiando o PSD, contra o bolsonarismo e contra o ex-juiz da Lava Jato. A operação deflagrada há mais de dez anos sustentou a entrada na vida partidária de Deltan e Moro, dupla que carrega a bandeira anti-PT.

    Para que a aliança entre PL e Novo se consolidasse, o partido de Deltan também precisou descartar a possibilidade de uma candidatura própria, que chegou a ser ventilada com a filiação do ex-deputado federal e atual vice-prefeito de Curitiba Paulo Martins, no ano passado.

    Martins é amigo de Ratinho Junior e foi adversário de Moro na disputa pelo Senado em 2022. Mas, dentro do Novo, prevaleceu a tese de que Deltan não poderia fazer um movimento contrário ao PL.

    Além de Moro, outros dois pré-candidatos ao Executivo já foram lançados: o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca, que saiu do PSD e migrou para o MDB, e o deputado estadual Requião Filho (PDT), que tem o apoio do PT.

    Dentro do PSD, dois nomes desejam a vaga: o secretário estadual das Cidades, Guto Silva, e o presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual Alexandre Curi. Como não há unanimidade no partido em torno dos dois nomes, o prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, também está sendo ventilado, assim como o atual vice-governador Darci Piana.

    Moro enfrenta resistência dentro do PL por candidatura no Paraná, mas consegue atrair Novo

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  • Lula é favorito, mas máquina que ele comanda está fazendo fumaça, diz Afif

    Lula é favorito, mas máquina que ele comanda está fazendo fumaça, diz Afif

    Secretário do governo Tarcísio enxerga espaço para candidato de centro e diz que Flávio tem força; em livro de memórias que está lançando, ele lembra conversas com Silvio Santos e início de Kassab

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – Guilherme Afif Domingos, 82, é secretário de Tarcísio de Freitas, foi assessor de Paulo Guedes, vice-governador de Geraldo Alckmin e ministro de Dilma Rousseff -cujo impeachment, que completa dez anos, ele diz ter lamentado.

    A trajetória camaleônica, segundo ele, tem uma linha estável, a defesa dos pequenos empresários e da desburocratização, desde que se tornou diretor da Associação Comercial de São Paulo, há exatos 50 anos.

    Deputado constituinte e um dos fundadores do PSD, ele está lançando “Juntos Chegaremos Lá” (editora Matrix, 152 pags, R$ 51), livro de memórias que tem como título o slogan de sua campanha na eleição presidencial de 1989, em que por um breve período foi a sensação.

    Na obra, Afif relembra conversas políticas com o apresentador Silvio Santos, o nascimento do centrão nos anos 1980 e as primeiras campanhas eleitorais na companhia de um jovem (e nerd) Gilberto Kassab.

    Para ele, o brasileiro é contra extremismos, o que abre a possibilidade de um candidato de centro na eleição. Afif vê Lula favorito pelo fato de ter a máquina na mão, mas considera Flávio Bolsonaro (PL) competitivo.

    “O Lula tem um poder de manipulação da massa muito forte. E com a máquina na mão, não é para desprezar. Só que a máquina está fazendo fumaça. Há toda uma crise fiscal”, afirma.

    O lançamento do livro ocorre nesta quarta-feira (25) a partir das 18h30, na Livraria da Travessa do Shopping Iguatemi, em São Paulo.

    PERGUNTA – No livro, o sr. se define como um radical de centro. Existe espaço ainda para o centro no Brasil?

    GUILHERME AFIF – A tendência do Brasil é centrista. O brasileiro não gosta de extremos. Em meados do século passado, você tinha pelo menos duas estruturas que sustentavam o centro. Uma era o PSD, partido do Juscelino. E o lado mais radical, a UDN, que era de direita, mas defendeu o monopólio da Petrobras. Era sempre o bipartidarismo no centro, não o pluripartidarismo extremo.

    P – Mas hoje parece que não mais, né?

    GA – Hoje está existindo uma radicalização. De um lado à direita, do outro à esquerda. E acho que tem um espaço aí no centro. Se vai ser preenchido ou não, só colocando o produto na prateleira.

    P – O tamanho desse espaço dá para ter uma ideia?

    GA – É só olhar 30% de um lado, 30% do outro, o resto não está nem com um, nem com o outro. Ele é expressivo.

    P – Nesses 50 anos de vida pública, outra bandeira que o senhor levantou é a do liberalismo. Durante muito tempo, defendê-la no Brasil foi pregar no deserto. Hoje há um campo mais fértil?

    GA – Eu sou liberal. Eu peguei uma vertente praticamente unânime, que era a defesa da democracia econômica, sem a qual a democracia política não subsistiria. Através do pequeno. O pequeno está no regime capitalista. Ele aplica os seus princípios e é vítima do centralismo de Estado, que está lá para beneficiar os que estão ao seu redor. O liberalismo que eu preguei é esse da democracia econômica, de ter um regime de mercado sem favorecimento, para que possa haver competitividade. Quando eu criei o Simples, era para poder dar competitividade para esse pequeno massacrado pela burocracia estatal, que até hoje nós não nos livramos.

    P – Deu para impregnar um pouco do liberalismo no brasileiro nessas últimas décadas?

    GA – Você hoje percebe um movimento importante. Quando eu criei o MEI [Microempreendedor Individual], era para dar formalização à economia informal. Hoje o MEI é a expressão daqueles que estão por conta própria, que eu chamo de batalhadores. Quem vai resolver essa eleição serão as mulheres, que são a boleira, a cabeleireira, a manicure, esse tipo de profissão que não é ideológica. O que ela quer é liberdade, crédito, pagar menos imposto. Não são bem bandeiras de esquerda.

    P – O sr. participou da histórica campanha presidencial de 1989. O que chama mais atenção na comparação com hoje?

    GA – Foi uma campanha de comunicação, não de máquina. Mesmo começando com 0,5%, tem espaço para o novo. Eu lia muita coisa de marketing, e uma que me chamou a atenção foi que falavam da [sandália] Melissa. Quem fez a Melissa foi a [empresa] Grendene, ou foi a Melissa que fez a Grendene? Quer dizer, o produto faz a fábrica, ou a fábrica faz o produto? A fábrica eram os grandes partidos, PMDB, PFL, cada um tinha os seus nomões. Eu falei, não vai ser. Vai ser produto. E vai ser de comunicação. Pensei, todos os produtos que estão aí são fora de especificação do mercado. Não é o que o consumidor quer.

    P – Naquela campanha, em determinado momento, o sr. foi a sensação.

    GA – Eu não era convidado no baile, era um outsider. Na hora que eu dei a crescida, o que que aconteceu? Eu comecei a crescer em cima do Collor. Nós éramos o mesmo perfil da renovação. Ele caiu de 43% para 28% e eu subi para 14%. E aí acendeu o sinal vermelho no sistema. O Afif chegou na classe média. E aí, tinha que tirar.

    P – O sr. relata ter sido um dos primeiros a falar com Silvio Santos naquela eleição.

    GA – Eu precisava ter um vice forte. Fui no Silvio Santos e disse a ele: “Vou te entregar meu programa, você leia. Se você se interessar, você me fala”. E, depois de uns 15 dias, voltamos a falar. O livro lá, tudo anotado, ele leu linha por linha. Perguntei: “Você topa? [ser vice]”. Ele respondeu: “Eu topo, [e perguntou] por que não ao contrário? Eu [Silvio] candidato a presidente e você [Afif] vice”. Eu falei “vou pensar”. E aí saí e não voltei mais.

    P – Hoje o sr. está com um governador bolsonarista [Tarcísio], já foi vice de um ex-tucano que hoje é lulista [Geraldo Alckmin] e ministro de uma petista [Dilma Rousseff]. Alguns dizem que o sr. teve uma trajetória de camaleão.

    GA – Tudo que nós conquistamos em 40 anos do movimento dos pequenos eu consegui por unanimidade. Tinha, inclusive, a posição do próprio Lula, concordando comigo, na Constituinte. Eu nunca tive obstáculos por onde passei, em função da coerência de uma linha de defesa dos pequenos, sem a qual democracia política não existe. Quem abriu a porta, quem meu filho beija minha boca adoça. Eu me dei muito bem com a Dilma.

    P – O sr. fala no livro que lamenta o impeachment dela.

    GA – Sim. Ela era uma mulher correta. Eu sou testemunha disso, não tenho medo de dizer.

    P – Qual é o ponto mais forte do Lula e qual é a maior vulnerabilidade dele?

    GA – O Lula tem um poder de manipulação da massa muito forte. Ele não tem razão para ter coerência. Ele pode ter uma opinião hoje, amanhã outra totalmente diferente, mas colocada de tal forma que as pessoas aplaudem. E com uma máquina na mão, não é para desprezar. Só que a máquina está fazendo fumaça. Há toda uma crise fiscal, é saber quando entra.

    P – E o Flávio?

    GA – Vou falar da franquia [Bolsonaro], que penetrou na população com o discurso pela tradição, família, tudo. Ele pega o conservador. Tem pontos muito positivos que foram negados o tempo todo. Falam que é herança maldita. Não. O Paulo Guedes fez um belíssimo trabalho, aguentou as contas, porque ele também foi levado para o mato, mas conseguiu manter o cavalo na trilha. Tem uma herança muito positiva que ele deixou e foi destruída agora, que é o desequilíbrio das contas.

    P – O sr. vê o Lula como favorito?

    GA – Vejo. Ele tem a máquina. Bolsonaro perdeu aquela eleição. Não foi o Lula que venceu. Ele [Bolsonaro] tinha a máquina na mão e fez muita besteira.

    P – Flávio está tentando se colocar como um moderado, diferente do pai. Isso pode emplacar?

    GA – Você tem um bolsonarismo fixo que está com ele. Falando besteira ou não falando besteira, está junto. Tem 20%, 21%, e tem que conquistar o dobro. E o Lula vai ter que conquistar outra parte com outro discurso. O da soberania é forte. Mas ele acabou se perdendo nos [Daniel] Vorcaro da vida.

    P – Tarcísio deveria ter sido o candidato a presidente?

    GA – Não. Ele vai ter um segundo mandato para completar a obra. Temos muita coisa para entregar numa segunda gestão. O Tarcísio não é de plantar couve, ele planta carvalho, não é para colher no seguinte. São projetos estruturais que ele está fazendo na mobilidade, no transporte, na mudança da sede para o centro, no Trem Intercidades. Ele tem que completar esse ciclo, que completa também a maturidade política dele.

    P – E aí ele estaria pronto para 2030 para presidente?

    GA – Sim, ele será um candidato a presidente muito real e que vai ser muito bem preparado. Esses quatro anos são de preparo para ser candidato.

    P – A candidatura do Haddad ameaça a reeleição?

    GA – Eleição e mineração, só depois da apuração. O Haddad, que sempre julgou a herança maldita do governo Bolsonaro, vai agora pagar o preço da herança maldita que ele está deixando. É só você ver o que aconteceu com o aumento de imposto. Isso vai pesar muito. O Haddad não terá o desempenho que teve na outra eleição.

    P – O sr. conta no livro uma passagem curiosa da campanha de 89, o sr. e o Kassab viajando o país com ficha telefônica. Depois de décadas de convivência, como o sr. definiria o Kassab?

    GA – O Kassab começou comigo. Eu era presidente da Associação Comercial e criei um grupo de jovens empresários. Ele me foi apresentado por um tio dele, que era meio contraparente do meu pai, e me falou que o sobrinho gostava de política. Isso em 1983. Chegou com óculos com fundo de garrafa, estilo nerd. Fomos trabalhando e ele mostrou gosto. Quando eu precisei montar o PL, em 1985, ele veio me ajudar. A eleição presidencial [de 1989] foi a formatura dele, passou estado por estado para conversar com as lideranças de então. Aí nunca mais parou.

    RAIO-X | GUILHERME AFIF DOMINGOS, 82

    É secretário especial de Projetos Estratégicos do Estado de São Paulo. Foi vice-governador (2011-14), ministro da Micro e Pequena Empresa (2013-15), presidente do Sebrae (2015-19), deputado federal Constituinte (1987-89). É formado em administração na Faculdade de Economia do Colégio São Luís.

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  • TSE determina cassação imediata de mandato de Rodrigo Bacellar, presidente da Alerj

    TSE determina cassação imediata de mandato de Rodrigo Bacellar, presidente da Alerj

    Com a decisão, Assembleia tem seis sessões para eleger novo presidente; decisão reduz tempo de permanência de presidente do TJ-RJ no comando do estado

    RIO DE JANEIRO, RJ (CBS NEWS) – O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) determinou nesta quarta-feira (25) a cassação imediata do mandato do deputado Rodrigo Bacellar (União), presidente fastado da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro).

    A decisão permite que os deputados estaduais elejam um novo presidente da Assembleia, que, automaticamente, assumirá o governo estadual, hoje sob comando interino do presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Ricardo Couto.

    Pela Constituição estadual, a Alerj tem seis sessões para eleger um novo líder. Ele será o responsável por conduzir a eleição indireta para a escolha do governador-tampão, que vai conduzir o Palácio Guanabara até dezembro.

    A determinação do TSE foi feita durante a leitura da ata da sessão de terça-feira (24), quando Bacellar foi condenado, junto com o ex-governador Cláudio Castro (PL) por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022, no caso do chamado escândalo da “folha secreta de pagamento”, revelado pelo UOL.

    Na sessão de terça, a proclamação do resultado -feita pela presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia- havia gerado dúvidas. Ela não havia se pronunciado diretamente sobre a determinação de perda imediata do cargo do deputado.

    A decisão era crucial nas articulações políticas em curso para o mandato-tampão. E tem também relação direta com o tempo de permanência de Ricardo Couto como governador interino -período que os deputados querem reduzir ao máximo.

    Ao ser questionado pelo ministro Floriano de Azevedo Marques sobre esse ponto, Cármen deu a entender que o assunto “perdeu objeto”. Pela fala, ela parecia se referir apenas a Castro e ao vice Thiago Pampolha, que renunciou no ano passado para assumir uma cadeira no TCE (Tribunal de Contas do Estado).

    É melhor esperar a publicação [do acórdão], até para os advogados…”, disse ela, sem concluir a fala.

    Ela também fez referência ao voto da relatora Isabel Gallioti, que não está mais na Corte, apresentado no ano passado. A ex-ministra havia defendido a perda imediata do mandato.

    “Naquele caso havia perda de mandato. Como houve a renúncia…”, disse Cármen, sem voltar ao tema e sem fazer referência a Bacellar.

    Depois do fim da sessão, houve dúvidas a respeito da situação do deputado mesmo entre ministros, advogados e assessores que acompanharam a deliberação presencialmente.

    Por um lado, um ministro e um assessor disseram que a perda seria imediata, com retotalização do votos. De outro, três magistrados e dois advogados ouvidos sob reserva afirmaram que faltava clareza sobre essa conclusão e que seria preciso aguardar a publicação do acórdão do julgamento.

    A expectativa de deputados é de que, com a perda de mandato, seja realizada o quanto antes uma nova eleição para a presidência da Assembleia.

    Deputados da base de Castro já alinham o cenário sem Bacellar. A intenção é eleger o deputado Douglas Ruas (PL), pré-candidato ao governo para a eleição de outubro, como presidente da Alerj. Para o mandato-tampão, o nome mais cotado deste grupo é do deputado Guilherme Delaroli (PL), atual presidente em exercício da Casa.

    O deputado Chico Machado (Solidariedade), aliado de Bacellar, já se apresentou como pré-candidato. Ele deve contar com apoio velado do ex-prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), pré-candidato para a eleição de outubro.

    A desintegração da cadeia sucessória começou em maio do ano passado, quando Castro convenceu o ex-vice-governador Thiago Pampolha a deixar o cargo para assumir uma cadeira no TCE (Tribunal de Contas do Estado) a fim de abrir espaço a Bacellar, à época presidente da Assembleia.

    O desenho previa a renúncia de Castro para se candidatar ao Senado. Pelo plano, Bacellar seria escolhido pela Alerj, onde tinha amplo apoio, em eleição indireta como “governador-tampão” para concorrer à reeleição em outubro.

    O plano se desfez quando Bacellar foi preso e afastado do cargo por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), sob suspeita de vazar informações da operação que prendeu o ex-deputado TH Joias, ligado ao Comando Vermelho. Ele nega.

    Bacellar foi substituído por Delaroli no comando da Assembleia. Por ser interino, ele não pode assumir o governo estadual no caso de vacância dos cargos de governador e vice.

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  • Lula vê risco eleitoral e discute com ministros reação política a caso Master e endividamento das famílias

    Lula vê risco eleitoral e discute com ministros reação política a caso Master e endividamento das famílias

    O presidente, segundo relatos, manifesta frustração com o desgaste sofrido por fraudes que têm envolvimento de seus opositores e que só teriam vindo à tona graças às investigações encorajadas por ele na CGU (Controladoria-Geral da União), na Polícia Federal e no BC

    (CBS NEWS) – O presidente Lula (PT) discutiu com a cúpula do governo respostas para o que auxiliares identificam como fontes de desgaste político e eleitoral: o alto endividamento das famílias e os escândalos de corrupção.

    Durante reunião na noite da quarta-feira (18), no Palácio do Planalto, Lula e seus ministros avaliaram que o nível de endividamento do brasileiro neutraliza os esforços do governo em busca de sensação de bem-estar social, como reajuste do salário mínimo e aumento da faixa de isenção do Imposto de Renda.

    Na reunião, a taxa de juros praticada pelo Banco Central foi, mais uma vez, motivo de críticas. No dia seguinte, Lula reclamou publicamente da política monetária, mostrando-se frustrado com a redução de apenas 0,25 ponto porcentual, para 14,75%, da taxa Selic pelo Copom (Comitê de Política Monetária). O presidente esperava que a taxa a essa altura do ano já estivesse em 14%.

    Lula também disse que o caso do Banco Master é “ovo da serpente” da gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de Roberto Campos Neto na chefia do Banco Central.

    Os participantes da reunião admitiram ainda que, embora herdados de gestões passadas e investigados em seu governo, os escândalos de corrupção do Master e das fraudes do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) estão caindo na conta de Lula.

    O presidente, segundo relatos, manifesta frustração com o desgaste sofrido por fraudes que têm envolvimento de seus opositores e que só teriam vindo à tona graças às investigações encorajadas por ele na CGU (Controladoria-Geral da União), na Polícia Federal e no BC.

    Lula e seus auxiliares reconheceram a dificuldade de combater a estratégia de comunicação bolsonarista, que usa os desdobramentos das investigações para afirmar que o governo é palco de corrupção, o que estaria ajudando o pré-candidato à Presidência do PL, senador Flávio Bolsonaro, a avançar nas pesquisas eleitorais.

    Os participantes da reunião defenderam a necessidade de repisar que os escândalos do Master e do INSS começaram na gestão bolsonarista.

    Na avaliação de um participante, o trabalho de combater a corrupção realizado pela Polícia Federal, Banco Central e CGU não tem sido convertido em ativo político. O diagnóstico é que a comunicação não está conseguindo mostrar que o governo está atuando contra as fraudes.

    Presente na reunião, o ministro da Secom, Sidônio Palmeira, respondeu à avaliação, alegando que reagir a esses ataques não é tarefa da comunicação oficial de um governo. Apesar de convocada para discussão de uma pauta da gestão petista, a reunião foi encerrada com essa análise da conjuntura política.

    Além das críticas aos juros, há também no governo uma frustração com a não adesão do presidente do BC, Gabriel Galípolo, à estratégia de responsabilização do seu antecessor no cargo, Roberto Campos Neto, pela crise do Master.

    Desde o anúncio da compra do Master pelo BRB (Banco de Brasília), Galípolo não endossou em nenhum momento as críticas a Campos Neto, encabeçadas pelo ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT).

    O desapontamento se estende ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao ministro da CGU, Vinicius Carvalho. Lula ficou contrariado por Carvalho não ter comunicado antecipadamente sobre as fraudes dos descontos dos aposentados do INSS, que vieram a público em 2025, para que o governo pudesse adotar medidas com mais agilidade.

    No caso da PF, aliados do presidente costumam criticar o vazamento de informações por agentes da corporação. Eles enxergam a ação de bolsonaristas.

    Em entrevista à Folha de S. Paulo na última semana, o advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador do grupo Prerrogativas, verbalizou a opinião de ministros palacianos ao fazer duras críticas ao trabalho da PF. Ele faz a defesa de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, que vem sendo investigado por suposta ligação com as fraudes do INSS.

    Amigo de Lula, o advogado disse que a PF está em disputa, mas acredita que Andrei Rodrigues “vai tomar providências bastante enérgicas para se livrar desses elementos que colocam em xeque a credibilidade da instituição”.

    Procurado pela reportagem, o chefe da PF disse que o órgão atua com autonomia técnica e independência, asseguradas desde o primeiro dia de governo pelo presidente da República. “O combate à corrupção é uma diretriz do governo federal, que tem reafirmado a importância da atuação firme da Polícia Federal nessa área. As investigações são conduzidas com base na lei, com responsabilidade e respeito ao devido processo legal”, afirmou.

    Já os defensores da política do BC avaliam que a guerra no Irã tem mostrado que as críticas do governo à cautela na redução dos juros envelheceram rápido com os efeitos dos desdobramentos da alta do petróleo na economia mundial.

    Em vídeo publicado nas redes sociais nesta terça-feira (24), a ministra Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) criticou os vazamentos, sem citar diretamente a PF, e voltou a atacar Campos Neto. “Todo dia tem manchetes escandalosas, vazamentos ilegais de investigações procurando inverter as responsabilidades do Banco Master”, disse.

    “Os personagens dessa história que precisam ser investigados, e alguns já estão sendo, são todos do campo político de Jair Bolsonaro, a começar por Roberto Campos Neto, o ex-presidente do Banco Central, que autorizou o funcionamento do Master e não fiscalizou devidamente os bancos para barrar as falcatruas.”

    Questionados pela reportagem, BC, CGU e a Presidência da República não se manifestaram.

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  • Vida nova para Bolsonaro? Veja o que realmente muda agora

    Vida nova para Bolsonaro? Veja o que realmente muda agora

    Ex-presidente deixa a prisão e passa a cumprir pena em casa por 90 dias sob regras rígidas impostas pelo STF. Rotina terá controle de acessos, monitoramento eletrônico e restrições que podem levá-lo de volta ao regime fechado

    A autorização de prisão domiciliar para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) traz uma série de mudanças em sua rotina e estabelece regras rígidas que precisam ser cumpridas durante o período de 90 dias. A decisão foi tomada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, em razão do quadro de saúde do ex-presidente, diagnosticado com broncopneumonia.

    O prazo da prisão domiciliar começa a contar a partir da alta hospitalar. Até lá, Bolsonaro segue internado no Hospital DF Star, em Brasília, após ter passado dias na UTI.

    Com a nova medida, Bolsonaro deixará a unidade prisional onde estava detido, no Complexo da Papuda, e passará a cumprir a pena integralmente em sua residência. No entanto, ele será monitorado por tornozeleira eletrônica durante todo o período.

    O descumprimento das regras pode levar à revogação imediata do benefício, com retorno ao regime fechado ou até transferência para um hospital penitenciário, dependendo de sua condição de saúde.

    Celular e redes sociais

    Entre as determinações impostas pelo STF, está a proibição do uso de celular ou qualquer outro meio de comunicação externa. Bolsonaro também não poderá utilizar redes sociais, nem diretamente nem por meio de terceiros, além de estar impedido de gravar ou divulgar vídeos e áudios.

    Visitas

    As visitas também foram restringidas. A esposa, Michelle Bolsonaro, e familiares que já residem com ele têm livre acesso. Já os filhos Flávio, Carlos e Jair Renan poderão visitá-lo apenas duas vezes por semana, às quartas-feiras e sábados, em horários previamente definidos.

    Advogados poderão se reunir com o ex-presidente por períodos limitados e mediante agendamento. Visitas médicas seguem autorizadas, assim como sessões de fisioterapia e eventuais internações emergenciais, caso haja recomendação médica.

    Outras visitas estão suspensas, com o objetivo de preservar um ambiente controlado e reduzir riscos de infecção, incluindo quadros graves como sepse.

    A medida atende a um pedido da defesa, que alegou a necessidade de cuidados médicos contínuos. Bolsonaro foi condenado por liderar uma tentativa de golpe de Estado e estava preso desde então.

    Agora, mesmo fora da prisão, seguirá sob vigilância e sujeito a regras rígidas, que, se descumpridas, podem levar à perda do benefício.

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  • TSE condena Cláudio Castro por 5 a 2 e torna ex-governador inelegível

    TSE condena Cláudio Castro por 5 a 2 e torna ex-governador inelegível

    TSE forma maioria e condena ex-governador por abuso de poder nas eleições de 2022. Decisão torna Castro inelegível por oito anos e pode afetar planos políticos, enquanto defesa contesta provas e promete recorrer da sentença

    (CBS NEWS) – O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu, nesta terça-feira (24), condenar o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) à inelegibilidade por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022.

    Os ministros Floriano de Azevedo Marques, Estela Aranha e Cármen Lúcia acompanharam os votos de Isabel Gallotti e Antônio Carlos, formando maioria de cinco votos pela condenação.

    O ministro Kassio Nunes Marques votou pela absolvição de Castro, ao entender que não houve comprovação de impacto no resultado da eleição. Já André Mendonça reconheceu que houve benefícios eleitorais, mas afirmou que não ficou comprovada a participação direta do ex-governador nas irregularidades.

    No caso do presidente afastado da Alerj, Rodrigo Bacellar (União Brasil), Mendonça votou pela condenação, resultando em placar de 6 a 1.

    Em nota, Castro afirmou que recebeu a decisão “com grande inconformismo”. “Reitero meu absoluto respeito aos ministros do TSE e ao devido processo legal, mas é importante dizer que todas as acusações se referem a fatos anteriores ao período eleitoral de 2022 e não tiveram qualquer influência na expressiva votação que recebi”, declarou.

    A condenação, que torna Castro inelegível por oito anos a partir de 2022, pode afetar seus planos de disputar o Senado. Aliados afirmam que ele deve recorrer da decisão.

    O ex-governador renunciou ao cargo na segunda-feira (23), véspera da retomada do julgamento, para evitar a cassação. A medida permitiu a realização de eleição indireta para o mandato-tampão até o fim do ano.

    A ministra Cármen Lúcia criticou a renúncia. “Tem sido recorrente no Rio de Janeiro governantes que não concluem seus mandatos ou deixam o cargo às vésperas de julgamentos, justamente quando estão sendo analisadas práticas contrárias à Constituição, na minha compreensão”, afirmou.

    Em seu voto, Mendonça disse que votaria pela cassação, mas deixou de aplicar a penalidade devido à renúncia. “Embora tenha colhido dividendos eleitorais, o que justificaria a cassação caso não tivesse havido a renúncia, não se aplica aqui a sanção de inelegibilidade por insuficiência de provas sobre sua participação direta nas condutas ilícitas”, disse.

    A ação tem origem no chamado escândalo da “folha secreta de pagamento”, revelado em 2022, que envolveu o uso da Uerj e da Fundação Ceperj para pagamentos em dinheiro vivo a funcionários de projetos sociais, sem transparência.

    Segundo o Ministério Público do Rio, foram sacados cerca de R$ 248 milhões em agências bancárias por milhares de pessoas ligadas ao suposto esquema.

    O caso gerou duas ações eleitorais, uma movida pela campanha de Marcelo Freixo (PT) e outra pela Procuradoria Eleitoral. Castro havia sido absolvido pelo TRE-RJ em maio de 2024, por 4 votos a 3, mas o Ministério Público recorreu ao TSE.

    Durante o julgamento, Kassio afirmou que não há provas suficientes para condenação. “É extremo de dúvida que as cifras envolvidas neste caso são superlativas. No entanto, os elementos existentes não alcançam o grau de certeza necessário para aplicar sanções tão severas”, declarou.

    Floriano rebateu e defendeu que a comprovação de impacto no resultado não é necessária. “O abuso é ilícito em si. Independe da obtenção de resultado eleitoral. Já se decidiu nesta corte que a margem de votos do vencedor não afasta a caracterização de abuso”, afirmou.

    Kassio também classificou como “relatos pontuais” os depoimentos que apontaram uso eleitoreiro de programas sociais e reiterou que não há prova suficiente de que a reeleição de Castro tenha ocorrido em razão do esquema.

    TSE condena Cláudio Castro por 5 a 2 e torna ex-governador inelegível

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  • Michelle comemora prisão domiciliar de Bolsonaro, autorizada 1 dia após encontro com Moraes

    Michelle comemora prisão domiciliar de Bolsonaro, autorizada 1 dia após encontro com Moraes

    Ex-primeira-dama teve reunião com o ministro do STF para reforçar o pedido de transferência; Michelle Bolsonaro diz que ‘seguirá cuidando’ do marido durante cumprimento de pena em casa

    BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro comemorou nesta terça-feira (24) a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), de conceder a prisão domiciliar humanitária ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

    “Obrigada, meu Deus!”, escreveu a presidente do PL Mulher em publicação nas redes sociais ao compartilhar a notícia, sem citar diretamente Moraes.

    O ministro do Supremo autorizou a transferência de Bolsonaro da Papudinha uma dia depois de a ex-primeira-dama reforçar a ele o pedido durante um encontro em seu gabinete, na sede do tribunal.

    Em outra postagem, Michelle Bolsonaro compartilhou uma foto de 15 de abril do ano passado em que ela faz massagem nos pés do ex-presidente, que, na ocasião, estava internado para se recuperar de uma cirurgia abdominal.

    Ela também afirmou que seguirá cuidando do marido. Atualmente, o ex-presidente está internado em um hospital em Brasília com um quadro de broncopneumonia bacteriana nos dois pulmões e não tem previsão de alta.

    “Sim, eu CELEBRO as pequenas vitórias. Não me detenho nos detalhes do processo. Sou esposa e mãe, e clamei muito a Deus para que nos ajudasse, para que ele pudesse ir para casa e receber o cuidado necessário. O amanhã pertence a Deus. A justiça e o juízo estão nas mãos Dele”, afirmou.

    “Antes de qualquer reação, lembremos: quem está longe de casa, longe da filha menor de idade e distante do próprio lar é ele”, completou, em referência à filha do casal, Laura.

    Principal afilhado político de Bolsonaro, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também comemorou a prisão domiciliar. Segundo ele, “nada é mais justo” do que garantir que o ex-presidente “tenha assegurado o direito a um tratamento humano em um ambiente adequado à sua recuperação”.

    “Feliz em saber que o presidente Jair Bolsonaro finalmente poderá retornar para casa, onde terá a oportunidade de seguir seu tratamento cercado pelo cuidado e pelo carinho da sua família […] Seguimos em oração pela sua saúde e confiantes de que dias melhores virão”, escreveu no X (ex-Twitter).

    Michelle e Tarcísio integraram a ofensiva de aliados do ex-presidente para pressionar Moraes a conceder a prisão domiciliar. Também participaram o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a bancada bolsonarista no Congresso Nacional e ministros do STF.

    Um argumento utilizado por políticos e por outros ministros junto a Moraes foi o risco de que a eventual morte de Bolsonaro fosse encarada politicamente como responsabilidade do Supremo. Diante disso, pelo menos cinco magistrados da corte entendiam que deixar Bolsonaro cumprir a pena em casa seria de fato a melhor opção.

    Nesta segunda, Moraes decidiu que Jair Bolsonaro poderá cumprir em casa, em um condomínio em Brasília, por um prazo inicial de 90 dias. O ex-presidente terá de usar tornozeleira eletrônica e ficará proibido de usar as redes sociais ou de gravar áudios ou vídeos.

    Apesar da comemoração, aliados de Bolsonaro também criticaram medidas impostas por Moraes em sua decisão.

    O blogueiro Paulo Figueiredo, um dos denunciados sob acusação de tentativa de golpe de Estado, afirmou que a decisão tem como objetivo “garantir que Jair continue como refém e que qualquer tentativa de impeachment por parte dos bolsonaristas (e do Flávio) possa jogar o pai de volta à prisão assim que o prazo acabar” e impedir uma articulação política do ex-presidente.

    O pedido de prisão domiciliar vinha sendo feito pela defesa desde antes do cumprimento definitivo da pena por tentativa de golpe de Estado. A condenação de 27 anos e três meses de prisão, imposta pela Primeira Turma do STF, começou a ser cumprida em novembro passado, inicialmente na superintendência da PF (Polícia Federal) em Brasília e depois na Papudinha.

    Segundo a ordem de Moraes, o prazo de 90 dias vai começar a ser contado a partir de sua alta médica, “para fins de integral recuperação da broncopneumonia”. Transcorridos os três meses, “será reanalisada a presença dos requisitos necessários para a manutenção da prisão domiciliar humanitária, inclusive com perícia médica se houver necessidade.”

    Michelle comemora prisão domiciliar de Bolsonaro, autorizada 1 dia após encontro com Moraes

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  • Kassio vota para absolver Castro, e TSE tem 2 votos a 1 contra ex-governador

    Kassio vota para absolver Castro, e TSE tem 2 votos a 1 contra ex-governador

    Ministro do Supremo Tribunal Federal afirma que não ficou provada interferência de esquema; ainda restam quatro votos a serem proferidos no julgamento de Cláudio Castro (PL)

    RIO DE JANEIRO, RJ E BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – O ministro Kassio Nunes Marques votou nesta terça-feira (24) para absolver Cláudio Castro (PL) no processo do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) em que é acusado de abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022.

    O placar está 2 votos a 1 pela condenação dos acusados. Ainda restam quatro votos a serem proferidos.

    Kassio considerou que não há prova suficiente no processo que permita a condenação de Castro e os demais acusados na ação eleitoral sobre o chamado escândalo da “folha secreta de pagamento”. Ele considerou como “relatos pontuais” testemunhas que apontaram o uso eleitoreiro de projetos sociais do governo.

    “Para além de os relatos serem pontuais, considerada a dimensão das contratações efetuadas, eles padecem de inconsistência. […] É de se indagar como a existência de apenas três depoimentos em um universo de 27 mil contratações seria suficiente para comprovar a intenção de impactar o pleito que ocorreria em 2022”, disse Nunes Marques.

    Ele afirmou também que não é possível determinar que a reeleição de Castro ocorreu em razão do esquema. O ex-governador foi eleito no primeiro turno com 58,67% dos votos válidos.

    “É extremo de dúvida que as cifras envolvidas neste caso concreto são superlativas. […] Ocorre que os elementos existentes não se traduzem em um grau de certeza que permita apenar os integrantes da chapa eleita no pleito de 2022 para o governo do estado do Rio de Janeiro, tampouco demais recorridos, com as duras penas”, declarou o ministro.

    Castro renunciou ao cargo nesta segunda-feira (23), véspera da retomada do julgamento, a fim de evitar a pena de cassação. O objetivo foi garantir a realização de uma eleição indireta para o mandato-tampão, que vai até o fim deste ano. A retirada do cargo pelo TSE poderia levar à realização de um pleito direto, reduzindo o poder de influência do governador sobre sua sucessão imediata.

    A ação eleitoral teve como origem o chamado escândalo da “folha secreta de pagamento”, revelado pelo UOL em junho de 2022. O caso se refere ao uso da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) e da Fundação Ceperj para o pagamento de funcionários de projetos sociais em dinheiro vivo e sem a divulgação de seus nomes.

    Uma investigação do Ministério Público do Rio descobriu saques de dinheiro vivo na “boca do caixa”. Ao todo, R$ 248 milhões foram retirados em agências bancárias por dezenas de milhares de pessoas que integrariam o suposto esquema. As contratações só foram interrompidas em agosto, após a ação civil pública do Ministério Público estadual.

    O caso gerou duas ações de investigação judicial eleitoral, uma movida pela chapa de Marcelo Freixo (PT), derrotado na eleição, e outra pela Procuradoria Eleitoral. Castro foi absolvido no TRE-RJ (Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro) em maio de 2024 em votação apertada, por 4 a 3. O Ministério Público Eleitoral levou o caso ao TSE, ao recorrer da decisão.

    Kassio vota para absolver Castro, e TSE tem 2 votos a 1 contra ex-governador

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  • Defesa e Flávio criticam Moraes por ordem temporária de domiciliar a Bolsonaro

    Defesa e Flávio criticam Moraes por ordem temporária de domiciliar a Bolsonaro

    Alexandre de Moraes vai decidir se mantém a prisão domiciliar humanitária em 90 dias; ex-presidente deixou a UTI (Unidade de Terapia Intensiva) na segunda-feira (23) à noite

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – A reavaliação do quadro de saúde de Jair Bolsonaro (PL) para manutenção da prisão domiciliar humanitária, determinada pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes na terça-feira (24), foi alvo de críticas da defesa do ex-presidente e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

    Moraes entendeu que o quadro de Bolsonaro, que está internado desde o último dia 13, após ser diagnosticado com uma broncopneumonia por aspiração, justificava o cumprimento da pena em casa. O ex-presidente deixou a UTI (Unidade de Terapia Intensiva) na segunda (23) à noite, mas segue sem previsão de alta.

    A decisão que concedeu a medida humanitária foi criticada em parte por um dos advogados de Bolsonaro, o criminalista Paulo Cunha Bueno. Para ele, o caráter temporário da medida, que será reavaliada no prazo de 90 dias, é “singularmente inovadora”. Os cuidados médicos são, segundo Bueno, permanentes e “demandados por toda vida”.

    O filho do ex-presidente e pré-candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, também criticou o trecho. Em entrevistas aos canais GloboNews e CNN, ele classificou a decisão como “exótica” e chamou de inovação o que chamou de “prisão domiciliar provisória”.

    “Ele está tendo uma domiciliar humanitária, porque, no local onde ele está há um risco de agravamento do seu estado de saúde. Ele vai para casa para melhorar esse quadro. Daqui a 90 dias, se saúde dele melhorar, ele volta pro ligar onde a saúde ele tava piorando?”, questionou o senador.

    A reavaliação periódica já foi utilizada por Moraes na concessão de outras prisões domiciliares humanitárias. Um precedente previsto ocorreu no caso de Jorge Picciani, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, que previa uma reavaliação médica a cada dois meses.

    Defesa e Flávio criticam Moraes por ordem temporária de domiciliar a Bolsonaro

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  • Moraes sugere em decisão que Bolsonaro poderia ter apertado 'botão de pânico' antes

    Moraes sugere em decisão que Bolsonaro poderia ter apertado 'botão de pânico' antes

    Ministro afirma que ex-presidente passaria mal independentemente do local onde estivesse preso; relator do processo da trama golpista concedeu prisão domiciliar humanitária por 90 dias, a partir da alta hospitalar

    BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), afirmou nesta terça-feira (24) que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) poderia ter adiantado o próprio atendimento médico caso acionasse o “botão do pânico” à disposição dele 24 horas por dia na Papudinha, onde estava preso.

    O relator concedeu a prisão domiciliar humanitária ao ex-presidente e disse que a intercorrência médica ocorreria independentemente do local de custódia, se na prisão ou em casa, e, segundo ele, “dificilmente, o atendimento e remoção do custodiado seria mais célere e eficiente se estivesse em prisão domiciliar”.

    Segundo Moraes, o procedimento para garantir a saúde de Bolsonaro na prisão foi “extremamente eficiente” e permitiu a transferência imediata do ex-presidente para o hospital DF Star na madrugada de 13 de março, onde ele está internado com broncopneumonia.

    “O procedimento estabelecido para garantir a saúde e dignidade do custodiado Jair Messias Bolsonaro foi extremamente eficiente, com início às 6h45 do dia 13/3, permitindo sua imediata remoção para hospital particular, sem qualquer necessidade de autorização judicial específica. Saliente-se, ainda, que o custodiado poderia ter antecipado seu próprio atendimento, caso tivesse acionado mais cedo o ‘botão do pânico’, que estava à sua disposição 24 (vinte e quatro) horas por dia”, escreveu em sua decisão.

    “Não há, portanto, qualquer dúvida sobre as completas condições do estabelecimento prisional em garantir o tratamento seguro e adequado ao custodiado Jair Messias Bolsonaro, com absoluto respeito à sua saúde e dignidade, como bem salientando, por unanimidade, pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, ao afastar a ausência dos requisitos necessários para a concessão de prisão domiciliar humanitária”, completou.

    Com isso, o ministro rebateu a defesa de Bolsonaro, que defendia que mantê-lo na Papudinha não daria a ele acompanhamento contínuo ou resposta imediata de equipe de saúde em caso de mal súbito.

    A preocupação também foi apresentada pelos médicos do ex-presidente. Em entrevista a jornalistas da data em que ele foi internado, o cardiologista Leandro Echenique afirmou que “se o tratamento não fosse instituído rapidamente, essa infecção, frente à velocidade que foi, em poucas horas, ele [Bolsonaro] poderia evoluir para realmente precisar de intubação e poderia evoluir para uma infecção generalizada”.

    A prisão domiciliar de Bolsonaro terá prazo inicial de 90 dias, a contar a partir de sua alta médica, “para fins de integral recuperação da broncopneumonia”.

    “Após esse prazo, será reanalisada a presença dos requisitos necessários para a manutenção da prisão domiciliar humanitária, inclusive com perícia médica se houver necessidade”, afirmou Moraes.

    O ex-presidente deixou a UTI (Unidade de Terapia Intensiva) na noite de segunda (23), mas boletim médico divulgado nesta terça afirma que ele segue sem previsão de alta hospitalar.

    Jair Bolsonaro também precisará voltar a usar tornozeleira eletrônica e ficará obrigatoriamente em sua casa, em um condomínio fechado em Brasília.

    O pedido pela prisão domiciliar humanitária vinha sendo feito pela defesa desde antes do cumprimento definitivo da pena por tentativa de golpe de Estado, em novembro passado. Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão.

    Moraes sugere em decisão que Bolsonaro poderia ter apertado 'botão de pânico' antes

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