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  • Dólar recua após sinais do Copom e apetite por risco externo

    Dólar recua após sinais do Copom e apetite por risco externo

    Por volta das 9h30, a divisa americana recuava 0,24%, a R$ 5,1939, e o dólar futuro de fevereiro caía 0,03%, a R$ 5,1960. Na quarta-feira, 28, o dólar à vista fechou estável, a R$ 5,2066, após recente rodada de apreciação forte da moeda brasileira – superior a 5% em 2026

    O dólar opera em baixa no mercado à vista na manhã desta quinta-feira, 29, e pressiona os juros futuros para baixo, enquanto o Ibovespa futuro avança, após a manutenção de juros pelo Fed e o Copom, sinais de cortes da Selic em março e apetite por risco em Nova York. Esse cenário impulsiona as commodities e pode estar induzindo migração de fluxo estrangeiro para bolsa brasileiro e a renda fixa em razão do forte diferencial de juros em operações de carry trade. Investidores acompanham ainda a entrevista do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ao Metrópoles. Por volta das 9h30, a divisa americana recuava 0,24%, a R$ 5,1939, e o dólar futuro de fevereiro caía 0,03%, a R$ 5,1960.

    Haddad, disse que ainda não combinou com o presidente Lula a data para deixar governo, mas deve ser em fevereiro e elogiou o secretário-executivo, Dario Durigan. Para ele, a taxa de juros atual está em patamar incompatível com a estabilidade da dívida e o anúncio de começo de corte juros fará trajetória da dívida ir para patamar razoável.

    Mais cedo, o BC informou que as concessões de crédito livre dos bancos subiram 20,2% em dezembro ante novembro, para R$ 701,3 bilhões, segundo o Banco Central, e fecharam 2025 com alta de 9,0%. Para pessoas físicas, houve avanço de 7% no mês e 10,6% no ano; para empresas, a alta foi de 38,3% em dezembro e de 7,2% em 2025. Ja a taxa média de inadimplência nas operações de crédito livre oscilou de 5,3% em novembro (dado revisado, de 5,0%) para 5,4% em dezembro.

    O IGP-M subiu 0,41% em janeiro, após queda de 0,01% em dezembro, segundo a Fundação Getulio Vargas, ficando levemente abaixo da mediana do mercado (0,42%). Em 12 meses, o índice acumula queda de 0,91%.

    Na B3, os investidores estrangeiros aportaram R$ 1,525 bilhão no dia 27, elevando a entrada acumulada em janeiro e no ano para R$ 21,725 bilhões, em sessão de alta do Ibovespa (+1,79%). No sentido oposto, houve saída de recursos de institucionais (R$ 13,6 bi no ano), pessoas físicas (R$ 3,0 bi), instituições financeiras (R$ 4,5 bi) e outros investidores (R$ 0,6 bi).

    Em relação ao caso do banco Master, o Banco Central abriu investigação interna para apurar o crescimento acelerado e a posterior liquidação da instituição, por decisão do presidente do BC, Gabriel Galípolo. Maurício Quadrado, sócio do Master entre 2020 e 2024, teve contas na Suíça congeladas após denúncias de propinas ligadas às operações Sépsis e Cui Bono da Lava Jato, mas, mesmo com ativos bloqueados entre 2018 e 2022, recebeu autorização do Banco Central para ingressar no banco.

    Na quarta-feira, 28, o dólar à vista fechou estável, a R$ 5,2066, após recente rodada de apreciação forte da moeda brasileira – superior a 5% em 2026.

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  • Aposentados e pensionistas do INSS vão receber R$ 2,2 bilhões em atrasados na Justiça

    Aposentados e pensionistas do INSS vão receber R$ 2,2 bilhões em atrasados na Justiça

    Valores contemplam aposentadorias, pensões, auxílios e o BPC. Pagamento será feito por meio de RPVs a beneficiários que venceram ações contra o INSS, com processos concluídos e ordem judicial expedida em dezembro de 2025.

    (FOLHAPRESS) – O CJF (Conselho da Justiça Federal) liberou R$ 2.219.241.041,51 para quitar dívidas judiciais do governo federal com aposentados e pensionistas do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Os pagamentos referem-se a RPVs (Requisições de Pequeno Valor) autorizadas por juízes em dezembro de 2025.

    Receberão os recursos 146.866 beneficiários que venceram 108.620 processos de concessão ou revisão de benefício, com causas de até 60 salários mínimos, o equivalente a R$ 97.260 neste ano.

    As ações incluem aposentadorias, pensões e auxílios, além do BPC (Benefício de Prestação Continuada), pago a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda. Esses pagamentos são classificados como RPVs.

    Para receber o valor, é necessário que o processo tenha transitado em julgado, ou seja, sem possibilidade de recurso por parte do INSS, e que a ordem de pagamento do juiz tenha sido emitida em algum dia de dezembro.

    Cabe a cada TRF (Tribunal Regional Federal) realizar o depósito dos recursos, de acordo com seus próprios cronogramas. O dinheiro é depositado pelo tribunal da região onde o segurado ingressou com a ação.

    Para efetuar o pagamento, são abertas contas na Caixa Econômica Federal ou no Banco do Brasil em nome do segurado ou de seu advogado, em uma etapa chamada de processamento.

    Em geral, o processamento leva cerca de uma semana e começa logo após a liberação dos valores pelo CJF. Após esse prazo, o saque pode ser realizado. Antes disso, o segurado deve verificar se tem direito ao pagamento e se os valores já estão disponíveis.

    Para saber a data exata em que o dinheiro estará liberado para saque, o credor deve consultar o tribunal responsável pelo processo. Em São Paulo e Mato Grosso do Sul, o tribunal é o TRF da 3ª Região, cujo site é trf3.jus.br.

    Na consulta, é necessário informar o CPF, o número da OAB do advogado ou o número do processo.

    VEJA O PASSO A PASSO PARA CONSULTAR OS ATRASADOS DO INSS

    Na página inicial, clique em “Consulta processual”.

    Em seguida, selecione “Consultas por OAB, Processo de origem, Ofício 

    Requisitório de origem ou Número de protocolo”.

    Informe um dos dados solicitados e marque a opção “Não sou um robô”.

    Selecione as imagens solicitadas e clique em “Verificar”.

    Clique em “Pesquisar”.

    Na página seguinte, aparecerá o valor do atrasado.

    Se for RPV, essa sigla constará no campo “Procedimento”.

    Se for precatório, estará indicado como PRC, cujo pagamento ocorre apenas uma vez por ano.

    O total liberado pela Justiça inclui também recursos destinados ao pagamento de outras ações de natureza alimentar, como dívidas com salários de servidores públicos que processaram o governo. A soma total chega a R$ 2.707.117.191,61.

    QUEM VAI RECEBER OS ATRASADOS DO INSS NESTE LOTE?

    O pagamento será feito a segurados que venceram ações contra a Previdência e tiveram o valor liberado pelo juiz em algum dia de dezembro de 2025. É necessário que o processo seja uma RPV e que esteja totalmente concluído. As informações estão disponíveis no site do tribunal responsável.

    Na consulta online, o segurado também pode verificar o valor que será depositado no campo “Valor inscrito na proposta”. Esse montante pode sofrer correções até a data do pagamento.

    Quando o dinheiro é efetivamente liberado, a consulta passa a indicar o status “Pago total ao juízo”.

    RPVs POR REGIÃO DA JUSTIÇA FEDERAL

    TRF da 1ª Região (DF, GO, TO, MT, BA, PI, MA, PA, AM, AC, RR, RO e AP)
    Geral: R$ 941.079.672,46
    Previdenciárias/Assistenciais: R$ 766.414.070,89 (40.104 processos, 48.447 beneficiários)

    TRF da 2ª Região (RJ e ES)
    Geral: R$ 224.159.908,22
    Previdenciárias/Assistenciais: R$ 156.757.735,86 (6.828 processos, 9.774 beneficiários)

    TRF da 3ª Região (SP e MS)
    Geral: R$ 413.242.147,27
    Previdenciárias/Assistenciais: R$ 320.808.491,51 (10.533 processos, 13.730 beneficiários)

    TRF da 4ª Região (RS, PR e SC)
    Geral: R$ 468.821.263,48
    Previdenciárias/Assistenciais: R$ 392.493.378,79 (21.223 processos, 29.485 beneficiários)

    TRF da 5ª Região (PE, CE, AL, SE, RN e PB)
    Geral: R$ 435.459.173,29
    Previdenciárias/Assistenciais: R$ 377.419.658,84 (19.308 processos, 32.428 beneficiários)

    TRF da 6ª Região (MG)
    Geral: R$ 224.355.026,89
    Previdenciárias/Assistenciais: R$ 205.347.705,62 (10.624 processos, 13.002 beneficiários)

    QUEM TEM DIREITO A RECEBER OS ATRASADOS DO INSS?

    Têm direito aos atrasados os segurados que processaram o INSS, ganharam a ação e não estão mais sujeitos a recursos. O pagamento só ocorre após a ordem judicial.

    Além disso, o valor do processo deve ser de até 60 salários mínimos. Quantias superiores são classificadas como precatórios, que seguem um sistema diferente, com pagamento concentrado em um único lote anual.

    Aposentados e pensionistas do INSS vão receber R$ 2,2 bilhões em atrasados na Justiça

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  • Com Selic em 15%, taxa de juros real é a mais alta em 20 anos

    Com Selic em 15%, taxa de juros real é a mais alta em 20 anos

    Com Selic mantida em 15%, taxa real volta a superar 10% após quase duas décadas, em cenário marcado por expectativas de inflação mais baixas, dúvidas sobre a eficácia da política monetária e preocupação com inflação de serviços e gasto público

    (FOLHAPRESS) — Com a manutenção da Selic, a taxa básica de juros da economia, em 15% ao ano, a taxa real — que considera a expectativa de inflação para os próximos 12 meses — permanece em cerca de 10,6%. Trata-se do nível mais alto desde maio de 2006, quando atingiu 10,7%.

    Os juros reais ficaram por cerca de 20 anos abaixo de 10% e só voltaram a superar esse patamar em julho do ano passado, quando a Selic chegou a 15%. Desde então, as expectativas de inflação passaram a recuar — no último boletim Focus, a mediana é de 4% para este ano —, o que contribuiu para a elevação da taxa real.

    O cenário de maio de 2006 apresenta algumas semelhanças com o atual. Naquele período, a Selic estava em 15,25% ao ano, e a expectativa de inflação era de 4,1%.

    O Copom (Comitê de Política Monetária) decidiu manter a taxa em 15% pela quinta reunião consecutiva. A decisão foi unânime entre os diretores.

    Para Bernardo Carvalho, professor da FGV (Fundação Getulio Vargas) e colunista da Folha, historicamente o patamar elevado da taxa real no Brasil girava em torno de 7%. Segundo ele, juros reais na casa de 10% não são comuns na economia brasileira recente.

    Carvalho afirma que os mecanismos de transmissão da política monetária no país são menos eficazes do que em outras economias por dois motivos principais. Um deles é a existência de diversas linhas de crédito direcionadas — como o financiamento habitacional atrelado à taxa da poupança e o crédito do BNDES para empresas —, o que reduz o número de tomadores sujeitos às taxas de mercado.

    Além disso, mesmo quem não tem acesso a essas linhas especiais acaba sendo pouco impactado pela Selic, já que o spread bancário — a diferença entre os juros pagos pelos bancos na captação e os cobrados dos clientes — costuma ser elevado. Nesse contexto, variações na taxa básica têm efeito limitado frente ao nível já alto dos juros praticados no mercado.

    Por essa razão, afirma Carvalho, para que a política monetária seja eficaz, o Banco Central precisa “dar uma porrada” nos juros.

    O economista também atribui os aumentos recentes ao receio do BC de perder credibilidade durante a transição no comando da instituição, de Roberto Campos Neto para Gabriel Galípolo. Quando Galípolo assumiu a presidência, surgiram expectativas — que Carvalho classifica como “completamente erradas” — de que haveria um afrouxamento da política monetária. Diante do risco de desancoragem das expectativas de inflação, o BC optou por sucessivas altas de um ponto percentual, movimento que ele considera excessivo.

    Já o economista Ailton Braga, assessor técnico do Senado e ex-analista do Banco Central, afirma que, mesmo com a elevação dos juros reais, o gasto público primário da União, dos estados e dos municípios cresceu a um ritmo de 7% ao ano entre 2022 e 2024, impulsionando o consumo das famílias.

    Segundo Braga, o mercado de crédito tende a ampliar a oferta quando há aumento da renda disponível, o que também contribui para estimular o consumo.

    Para Juliana Inhasz, professora do Insper, o ponto central da manutenção dos juros nominais — e, consequentemente, da alta dos juros reais — é a inflação de serviços, que segue como uma das principais preocupações.

    “A alta dos preços de serviços é resistente, ainda há expectativas desancoradas, e o fiscal é um elemento de bastante transtorno”, afirma.

    Com Selic em 15%, taxa de juros real é a mais alta em 20 anos

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  • Quebra do Banco Master já custa mais de R$ 50 bi, com perdas para FGC, BRB e fundos de pensão

    Quebra do Banco Master já custa mais de R$ 50 bi, com perdas para FGC, BRB e fundos de pensão

    Prejuízos envolvem ressarcimentos do FGC, impactos ao BRB, investimentos de fundos de pensão e aplicações de empresas públicas e privadas, enquanto investigações avançam para apurar responsabilidades no colapso do banco controlado por Daniel Vorcaro

    (FOLHAPRESS) – Os custos decorrentes da quebra do Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, já superam R$ 50 bilhões, segundo dados divulgados até o momento.

    Somente os valores que terão de ser ressarcidos aos clientes pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos), mantido com recursos dos próprios bancos, são estimados em R$ 46,9 bilhões. Desse total, R$ 40,6 bilhões referem-se ao Banco Master e a outras instituições do conglomerado, além de R$ 6,3 bilhões do Will Bank.

    O montante total das perdas ainda é incerto. Estão em apuração os prejuízos causados ao BRB (Banco de Brasília), a fundos de pensão e a empresas públicas e privadas.

    Banco de Brasília
    Uma investigação independente em curso apura os prejuízos causados ao BRB pelo banco de Daniel Vorcaro. O Banco Central determinou que o BRB separe R$ 2,6 bilhões para cobrir perdas relacionadas à compra de carteiras de crédito fraudulentas avaliadas em R$ 12,2 bilhões.

    Até a data da liquidação do Banco Master, o BRB já havia recuperado cerca de R$ 10 bilhões. O banco estatal ainda avalia a necessidade de um aporte adicional. Reportagem da Folha de S.Paulo mostrou que o Master utilizou fundos com empréstimos em atraso e imóveis da família Vorcaro para efetuar pagamentos ao BRB.

    O presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, afirmou à reportagem que o banco público do Distrito Federal não vai quebrar nem será liquidado pelo Banco Central. Souza assumiu o cargo em novembro, após a saída de Paulo Henrique Costa, afastado e demitido depois de ser alvo de uma operação da PF (Polícia Federal).

    Fundos de pensão
    O Ministério Público de ao menos seis estados investiga aplicações de fundos de previdência estaduais ou municipais em títulos do Banco Master.

    Dados do Ministério da Previdência Social indicam que institutos de aposentadoria aplicaram mais de R$ 1,8 bilhão em letras financeiras do banco de Vorcaro, sem garantia do FGC, entre outubro de 2023 e dezembro de 2024.

    O caso mais emblemático envolve o estado do Rio de Janeiro. O Rioprevidência, fundo de previdência dos servidores fluminenses, investiu cerca de R$ 970 milhões em títulos do Banco Master, o maior valor registrado na lista do ministério.

    Em 23 de janeiro, a Polícia Federal realizou uma operação de busca e apreensão em endereços ligados a executivos do Rioprevidência. Após a ação, Deivis Marcon Antunes foi exonerado do cargo de diretor-presidente da autarquia estadual.

    No Amapá, a Amprev (Amapá Previdência) direcionou R$ 400 milhões para letras financeiras do banco. O Ministério Público estadual informou que uma apuração, iniciada antes da liquidação do Master, analisa a compatibilidade dessas aplicações com a política de investimentos do órgão.

    Também na região Norte, o Ministério Público do Amazonas instaurou investigação para apurar possíveis irregularidades em investimentos do Amazonprev (Fundo Previdenciário do Amazonas), incluindo aplicações na instituição de Vorcaro. O procedimento tramita sob sigilo.

    Empresas
    Também vieram a público aplicações feitas por empresas privadas e estatais em papéis do conglomerado financeiro.

    Cerca de R$ 220 milhões em letras financeiras do Banco Master foram vendidos à Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro). Há ainda R$ 140 milhões em CDBs emitidos pelo Letsbank detidos pela Emae (Empresa Metropolitana de Águas e Energia), além de R$ 433 milhões desses mesmos papéis pertencentes à Oncoclínicas e R$ 73,5 milhões em CDBs do fundo XP Private Equity I.

    Perdas já divulgadas
    R$ 46,9 bilhões
    Estimativa dos valores que serão pagos pelo FGC aos clientes do Banco Master e do Will Bank que possuíam produtos com cobertura do fundo, dentro dos limites de ressarcimento.

    R$ 2,6 bilhões
    Valor que o Banco Central determinou que o BRB provisione para cobrir perdas com a compra de carteiras de crédito fraudulentas do Master, avaliadas em R$ 12,2 bilhões. Até a liquidação do banco, o BRB havia recuperado cerca de R$ 10 bilhões.

    R$ 1,8 bilhão
    Total aplicado em letras financeiras do Master por institutos de aposentadoria de servidores estaduais ou municipais, sem garantia do FGC. O Ministério Público de ao menos seis estados investiga esses investimentos. O Rioprevidência responde pela maior parcela, com cerca de R$ 970 milhões.

    R$ 433 milhões
    Valor dos CDBs do Banco Master detidos pela Oncoclínicas. A empresa busca retomar de Daniel Vorcaro a participação de 15% que o controlador do banco possui na companhia para compensar as perdas.

    R$ 220 milhões
    Montante das letras financeiras do Master vendidas à Cedae, segundo informações da própria empresa.

    R$ 140 milhões
    Valor dos CDBs emitidos pelo Letsbank detidos pela Emae. A companhia afirma que sua capacidade operacional não foi afetada e que mantém caixa suficiente para honrar suas obrigações.

    R$ 73,5 milhões
    Valor dos CDBs detidos pelo fundo XP Private Equity I, conforme balanço divulgado até março de 2025. As informações referentes ao período de março a setembro do ano passado ainda não foram divulgadas. A exposição ocorreu por meio de fundos de private equity, sem uso de capital próprio da XP Asset Management.  

     

    Quebra do Banco Master já custa mais de R$ 50 bi, com perdas para FGC, BRB e fundos de pensão

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  • Toffoli autoriza, e PF abre inquérito para investigar atuação de influenciadores contra BC

    Toffoli autoriza, e PF abre inquérito para investigar atuação de influenciadores contra BC

    A investigação mira contratos sigilosos com cerca de 40 perfis nas redes sociais e apura se o banqueiro Daniel Vorcaro financiou um ataque digital para desacreditar o Banco Central e investigadores envolvidos no caso Master.

    (FOLHAPRESS) – O ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), autorizou a abertura de um inquérito para apurar uma suposta rede de influenciadores que teria sido usada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, com o objetivo de descredibilizar o BC (Banco Central).

    A decisão atende a um pedido da PF (Polícia Federal), que identificou cerca de 40 perfis que teriam sido contratados por Vorcaro para integrar o chamado “Projeto DV”, referência às iniciais do empresário.

    O recrutamento de perfis em redes sociais, responsáveis por um bombardeio digital contra o Banco Central e investigadores do caso Master, envolveu um contrato de confidencialidade no valor de R$ 800 mil. A equipe encarregada da articulação das publicações entrou em contato com influenciadores em meados de dezembro.

    Internamente, agentes da PF que acompanham o caso já se referem ao esquema como o “gabinete do ódio” de Vorcaro, em alusão à rede de influenciadores digitais de direita utilizada pelo governo de Jair Bolsonaro para disseminar desinformação sobre o sistema eleitoral e adversários políticos do ex-presidente.

    A informação sobre os contratos com influenciadores foi antecipada pela colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo. “Ofereceram valores expressivos”, afirmou o influenciador Rony de Assis Gabriel (PL-RS), que também é vereador em Erechim, a cerca de 370 quilômetros de Porto Alegre. Ele disse ter sido procurado em 20 de dezembro pelo marketeiro André Salvador, que se apresentou como responsável por um trabalho de “gerenciamento de reputação e gestão de crise de um executivo grande”.

    No dia seguinte, 21 de dezembro, Salvador também entrou em contato com o deputado estadual Léo Siqueira (Novo-SP). Na ocasião, o profissional de comunicação afirmou atuar pela agência Mithi, de Thiago Miranda, um dos sócios do Grupo Léo Dias. Segundo gravações de tela analisadas pela Folha, ambos os parlamentares recusaram as propostas.

    A reportagem procurou André Salvador, mas não obteve resposta até a publicação deste texto.

    O contrato enviado ao vereador gaúcho classificava como confidenciais as estratégias de comunicação, os planos e as informações jurídicas e financeiras, além dos nomes de qualquer participante da campanha, incluindo membros da equipe, parceiros e terceiros. O documento previa multa de R$ 800 mil em caso de quebra de sigilo. Salvador também enviou a Gabriel exemplos de vídeos com críticas à atuação do Banco Central no caso Master, produzidos por três influenciadores especializados em temas financeiros e pelo perfil de humor Alfinetada.

    Este último publicou, em 30 de dezembro, conteúdo contra o ex-diretor do BC Renato Gomes, mencionando especulações de que ele poderia se transferir para o BTG. A página Alfinetada é assessorada pelo Grupo Farol, que afirmou nunca ter sido procurado para negociar ou intermediar qualquer ação de comunicação relacionada ao Banco Master. “A atuação da empresa se limita exclusivamente à representação de publicidade para as marcas, sempre dentro dos limites legais e das normas estabelecidas pelo Conar”, informou o grupo.

    A ofensiva, alinhada aos argumentos da defesa do Banco Master, tem como alvo principal o ex-diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do BC, Renato Gomes. Foi a área comandada por ele que recomendou o veto à compra do Banco Master pelo BRB e que subsidiou os achados posteriormente encaminhados ao Ministério Público Federal.

     

    Toffoli autoriza, e PF abre inquérito para investigar atuação de influenciadores contra BC

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  • Governo Lula planeja enviar acordo Mercosul-UE ao Congresso em fevereiro

    Governo Lula planeja enviar acordo Mercosul-UE ao Congresso em fevereiro

     acordo entre o Mercosul e a União Europeia foi assinado em 17 de janeiro, após mais de 26 anos de negociação. O presidente Lula considera o marco comercial como um trunfo do petista, após uma ofensiva realizada durante a presidência brasileira no bloco econômico

    (FOLHAPRESS) – O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) planeja enviar o acordo Mercosul-União Europeia ao Congresso na primeira semana de fevereiro. A ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou nesta quarta-feira (28) que o Planalto espera aprovação do texto já no primeiro semestre, antes da paralisação do Legislativo por causa das eleições.

    “Para nós é muito importante a aprovação o mais rápido possível do acordo Mercosul-União Europeia. Então o governo está trabalhando para enviar esta proposta na primeira semana de fevereiro. Nós já temos com os líderes e com os presidentes das Casas sinal positivo em relação a isso”, disse Gleisi em conversa com jornalistas.

    “Para nós é muito importante porque, na questão comercial, mesmo tendo a discussão no Parlamento Europeu, podemos começar a colocar em prática essa relação de comércio.”

    O acordo entre o Mercosul e a União Europeia foi assinado em 17 de janeiro, após mais de 26 anos de negociação. O presidente Lula considera o marco comercial como um trunfo do petista, após uma ofensiva realizada durante a presidência brasileira no bloco econômico.

    “Isso mostra a ação determinada do presidente Lula na discussão do comércio internacional. Ele tem sido muito ativo e recolocou o Brasil num patamar importante de referência. Temos, agora, desafios que precisamos vencer junto ao Congresso, à implementação de programas e projetos”, afirmou Gleisi.

    A previsão do governo Lula é que o acordo criará uma área de livre comércio com cerca de 720 milhões de pessoas e Produto Interno Bruto (PIB) que supera os US$ 22 trilhões. A assinatura, de certa maneira, também foi uma resposta dos dois blocos à onda de tarifaços imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

    O Parlamento Europeu, porém, aprovou a revisão jurídica do acordo na última quarta-feira (21), em Estrasburgo. A Casa acatou resolução proposta por 144 deputados de submeter o documento ao Tribunal de Justiça da União Europeia. O procedimento pode levar dois anos para ser concluído.

    Um porta-voz declarou que a Comissão Europeia “lamentava a decisão” e que procuraria sanar as dúvidas dos parlamentares sobre a importância do tratado.

    A expectativa no começo da semana era a de que o Parlamento ratificasse o acordo em abril ou maio, votação que agora não poderá ocorrer até que a revisão jurídica seja finalizada.

    Dois aspectos do documento são contestados: o fato de a parte comercial ter sido separada do tratado maior, que dispõe também sobre questões políticas e diplomáticas, para acelerar a aprovação; o mecanismo de balanceamento pelo qual países do Mercosul podem adotar medidas compensatórias caso eventuais mudanças futuras na legislação europeia prejudiquem suas exportações.

    Um diplomata da UE afirmou à Reuters que o acordo de livre comércio provavelmente será aplicado em caráter provisório a partir de março, apesar de uma contestação iminente no tribunal superior do bloco.

    De acordo com o diplomata, que pediu para não ser identificado, o acordo entre UE e Mercosul será aplicado provisoriamente assim que o primeiro país do Mercosul ratificá-lo. A expectativa é que o Paraguai faça isso em março, segundo o diplomata. Dessa forma, a aprovação pelo Brasil também poderia facilitar a implementação.

    Enquanto isso, Lula tenta diminuir a resistência de países europeus ao acordo. Em conversa com o presidente da França, Emmanuel Macron, o petista afirmou que o pacto é positivo para os dois blocos e constitui uma importante contribuição para a defesa do multilateralismo e do comércio.

    No Congresso Nacional, haverá a necessidade de aprovação de um PDL (projeto de decreto legislativo). A análise do texto começa pela Comissão da Representação Brasileira no Parlasul (Parlamento do Mercosul). O colegiado é misto, formado por deputados e senadores.

    Uma vez aprovado, o projeto segue para tramitação na Câmara dos Deputados, com análise na Comissão de Relações Exteriores e na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), antes de ir ao plenário, onde o texto precisa ser aprovado por maioria de votos. Isso significa ter aval de mais de 50% dos presentes, desde que haja um quórum mínimo de 257 deputados.

    O projeto segue, então, para o Senado Federal. Na Casa, ele precisa passar pela Comissão de Relações Exteriores e, depois, ser aprovado no plenário, também por maioria de votos (desde que haja o quórum mínimo de 41 senadores presentes na sessão). Por ser um PDL, o projeto não vai à sanção do presidente, ele é promulgado após a aprovação das duas Casas do Congresso.

    Governo Lula planeja enviar acordo Mercosul-UE ao Congresso em fevereiro

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  • Alckmin conversa por telefone com vice-presidente da China

    Alckmin conversa por telefone com vice-presidente da China

    Desde o dia 1º de janeiro, estão em vigor salvaguardas da China a suas importações de carne bovina, o que inclui produtos do Brasil e outros países, como Austrália e Estados Unidos. A medida tem previsão de durar três anos

    O presidente interino do Brasil, Geraldo Alckmin, manifestou, ao vice-presidente da República Popular da China, Han Zheng, preocupação com relação às salvaguardas aplicadas pelo país asiático à carne bovina produzida no Brasil. Os dois tiveram uma conversa telefônica de aproximadamente 30 minutos nesta quarta-feira (28).

    Desde o dia 1º de janeiro, estão em vigor salvaguardas da China a suas importações de carne bovina, o que inclui produtos do Brasil e outros países, como Austrália e Estados Unidos. A medida tem previsão de durar três anos. Na relação com o Brasil, a previsão inicial é a de aplicar uma sobretaxa de 55% às carnes que ultrapassarem a cota anual de 1,1 milhão de toneladas.

    Salvaguardas são instrumentos de defesa comercial, aplicados em situações específicas a produtos importados. Em geral, com o objetivo de proteger ou preservar algum setor da economia.

    Vice-presidente, Alckmin ocupa a função de presidente interino nesta quarta-feira com a viagem do presidente Lula para o Panamá, onde participa do Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe.

    Relevância da pecuária

    Na conversa, Alckmin, que é também ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, ressaltou a relevância da pecuária para a economia brasileira, bem como a importância do setor aos olhos do governo federal.

    De acordo com o Planalto, os dois falaram também sobre investimentos, em especial nas áreas de infraestrutura, tecnologia, inovação e sustentabilidade.

    Durante a ligação telefônica, Alckmin e Zheng destacaram o crescimento de 8,2% da corrente de comércio bilateral em 2025, “que alcançou novo recorde anual de US$ 171 bilhões, e reafirmaram o compromisso mútuo de preservar o diálogo com vistas à ampliação e diversificação das relações comerciais entre Brasil e China”.

    Ao final da conversa, o presidente interino convidou Han Zheng a visitar o Brasil durante a próxima reunião da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (COSBAN), em data ainda a ser confirmada.

     

    Alckmin conversa por telefone com vice-presidente da China

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  • Com quórum desfalcado, Copom decide se mantém Taxa Selic

    Com quórum desfalcado, Copom decide se mantém Taxa Selic

    Atualmente em 15% ao ano, a Selic está no maior nível desde julho de 2006, quando estava em 15,25% ao ano. De setembro de 2024 a junho do ano passado, a taxa foi elevada sete vezes seguidas, mas não foi alterada nas quatro últimas reuniões

    Com a inflação desacelerando, mas alguns preços, como o de serviços, pressionados, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) faz nesta quarta-feira (28) a primeira reunião do ano. Mesmo com a queda recente do dólar, os analistas de mercado acreditam na manutenção da taxa no maior nível em quase 20 anos.

    Atualmente em 15% ao ano, a Selic está no maior nível desde julho de 2006, quando estava em 15,25% ao ano. De setembro de 2024 a junho do ano passado, a taxa foi elevada sete vezes seguidas, mas não foi alterada nas quatro últimas reuniões.

    A decisão sobre a Taxa Selic será anunciada no início da noite desta quarta. O Copom estará desfalcado porque o mandato dos diretores de Organização do Sistema Financeiro, Renato Gomes, e de Política Econômica, Paulo Pichetti, expirou no fim de 2025. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva só encaminhará as indicações dos substitutos na volta do Congresso Nacional, em fevereiro.

    Na ata da última reunião, em dezembro, o Copom informou que a Selic será mantida em 15% ao ano por tempo prolongado para garantir a convergência da inflação à meta, sem indicar quando começaria a baixar os juros.

    Segundo a ata do Copom, o cenário atual continua marcado por elevada incerteza, o que exige cautela na condução da política monetária. No cenário interno, alguns preços, como o de serviços, continuam a pressionar a inflação, apesar da desaceleração da economia.

    Segundo a edição mais recente do boletim Focus, pesquisa semanal com analistas de mercado, a taxa básica deve ser mantida em 15% ao ano até março. No entanto, as chances de uma redução ainda em janeiro aumentaram nos últimos dias com a queda recente do dólar, que voltou a ficar em torno de R$ 5,20.

    Inflação

    O comportamento da inflação continua uma incógnita. Prévia da inflação oficial, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) ficou em apenas 0,2% em outubro e acumula 4,5% em 12 meses, tendo voltado para o teto da meta. O IPCA cheio de novembro só será divulgado nesta quarta.

    Segundo o último boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras feita pelo BC, a estimativa de inflação para 2025 caiu para 4,4%, contra 4,55% há quatro semanas. Isso representa inflação pouco abaixo do teto da meta contínua estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 3%, podendo chegar a 4,5% por causa do intervalo de tolerância de 1,5 ponto.

    Taxa Selic

    A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas da economia. Ela é o principal instrumento do Banco Central para manter a inflação sob controle. O BC atua diariamente por meio de operações de mercado aberto – comprando e vendendo títulos públicos federais – para manter a taxa de juros próxima do valor definido na reunião.

    Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, pretende conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Desse modo, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia. Mas, além da Selic, os bancos consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas.

    Ao reduzir a Selic, a tendência é de que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle da inflação e estimulando a atividade econômica.

    O Copom reúne-se a cada 45 dias. No primeiro dia do encontro, são feitas apresentações técnicas sobre a evolução e as perspectivas das economias brasileira e mundial e o comportamento do mercado financeiro. No segundo dia, os membros do Copom, formado pela diretoria do BC, analisam as possibilidades e definem a Selic.

    Meta contínua

    Pelo novo sistema de meta contínua em vigor desde janeiro de 2025, a meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC, definida pelo Conselho Monetário Nacional, é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior é 4,5%.

    No modelo de meta contínua, a meta passa ser apurada mês a mês, considerando a inflação acumulada em 12 meses. Em janeiro de 2026, a inflação desde fevereiro de 2025 é comparada com a meta e o intervalo de tolerância. Em fevereiro de 2026, o procedimento se repete, com apuração a partir de março de 2025. Dessa forma, a verificação se desloca ao longo do tempo, não ficando mais restrita ao índice fechado de dezembro de cada ano.

    No último Relatório de Política Monetária, divulgado no fim de dezembro pelo Banco Central, a autoridade monetária manteve a previsão de que o IPCA termine 2026 em 3,5%, mas a estimativa deve ser revista. A próxima edição do documento, que substituiu o Relatório de Inflação, será divulgada no fim de março.

     

    Com quórum desfalcado, Copom decide se mantém Taxa Selic

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  • Master usou fundos com empréstimos em atraso e imóveis da família Vorcaro para pagar BRB

    Master usou fundos com empréstimos em atraso e imóveis da família Vorcaro para pagar BRB

    O segundo maior fundo entre os repassados pelo Master ao BRB é o Kyra, com uma carteira de R$ 882 milhões. O valor todo tem como base ações da Ambipar, que está em recuperação judicial

    (FOLHAPRESS) – O rombo causado pelo Banco Master no BRB pode ser maior do que os R$ 2,6 bilhões mapeados até o momento pelo Banco Central. Isso porque, ao ressarcir o banco estatal de Brasília, Daniel Vorcaro usou como moeda fundos com créditos inadimplentes (dívidas não pagas ou em atraso), ações que perderam valor e imóveis, que são ativos de menor liquidez.

    Em novembro, o Banco Central detectou que R$ 12 bilhões em carteiras de crédito vendidos pelo Master ao BRB eram fraudados e determinou que o valor fosse ressarcido ao banco estatal de Brasília. O BRB informou que havia recuperado cerca de R$ 10 bilhões.

    A investigação preliminar conduzida pelo BRB para mapear as perdas com o Master identificou que, nesse montante, estão oito fundos ligados ao banco de Vorcaro. Conforme mostrou a Folha, eles foram repassados ao BRB e hoje fazem parte do conglomerado do banco.

    A reportagem identificou que esses fundos investiram em negócios imobiliários ligados à família Vorcaro, têm mais de R$ 800 milhões em créditos inadimplentes, além de papéis da Ambipar, empresa da área de resíduos sólidos que está em recuperação judicial.

    Procurado, o BRB informou que “qualquer estimativa de necessidade de aporte de capital vai considerar, integralmente, todos os efeitos identificados na avaliação dos fundos e ativos repassados pelo Banco Master”.

    “Essa avaliação integra a apuração do Banco Central e, também, a investigação independente conduzida pelo escritório Machado e Meyer, que conta com apoio técnico da Kroll”, afirmou.

    Como a Folha mostrou, o BC já mandou o BRB reservar R$ 2,6 bilhões para cobrir perdas com a fraude provocada pela negociação com o Master.

    O maior dos oito fundos repassados ao BRB é o Jeitto, focado em crédito, com uma carteira de mais de R$ 1 bilhão. Desse total, R$ 952 milhões estavam inadimplentes em dezembro de 2025, o que levou a um provisionamento de R$ 873 milhões (reserva de capital para arcar com potenciais perdas).

    A origem desses créditos são empréstimos concedidos pelo Banco Master, e havia um contrato entre a instituição de Vorcaro e o fundo para que concessões com inadimplência superior a 90 dias fossem pagas pelo fundo, o que parou de acontecer ainda no primeiro semestre de 2025.

    Diante disso, o Master notificou os fundos em outubro do ano passado “reiterando formalmente a necessidade de realização da recompra dos direitos creditórios em aberto”, conforme comunicado divulgado pelo fundo.

    A notificação não levou a uma regularização da situação e o fundo suspendeu a compra de qualquer direito creditório novo enquanto o impasse não se resolve.

    O segundo maior fundo entre os repassados pelo Master ao BRB é o Kyra, com uma carteira de R$ 882 milhões. O valor todo tem como base ações da Ambipar, que está em recuperação judicial.

    Hoje, uma ação da empresa vale R$ 0,26. Antes de a Ambipar ingressar na Justiça com o pedido para suspender o pagamento de dívidas, as ações chegaram a valer R$ 10,75. Desde então, o papel não se recuperou.

    A queda se refletiu na avaliação de outro fundo repassado pelo Master ao BRB, o Texas I.

    Em setembro de 2025, a carteira do fundo valia R$ 634 milhões, sendo R$ 530 milhões em ações da Ambipar. Em dezembro de 2025, o patrimônio líquido do fundo era de R$ 122 milhões. O valor da ação no último relatório não é discriminado, mas a queda aconteceu no mesmo período em que os papéis da Ambipar despencaram.

    O BRB não informou a data em que o fundo foi repassado pelo Master nem o valor dos ativos na ocasião.

    O terceiro fundo em valor é o Supreme Realty, focado em investimentos imobiliários, com uma carteira de R$ 737 milhões.

    Desse total, R$ 264 milhões se referem a um investimento em um projeto imobiliário tocado por Nathalia Vorcaro, irmã de Daniel Vorcaro. O montante está dividido em duas empresas, a MG I Desenvolvimento Imobiliário, na qual Nathalia é diretora, e a Brazil Realty Empreendimentos.

    A MG I é dona de uma outra empresa, a Minas Gerais II Desenvolvimento Imobiliário, que por sua vez detém 69,5% de um terreno denominado “Campo do Meio” com 76 mil m². Ele fica em Contagem (MG), cidade na região metropolitana de Belo Horizonte. A Brazil Realty é dona dos 30,5% restantes do terreno.

    O fundo tem um investimento em outro projeto de Nathalia Vorcaro, o Mountain View, um residencial do Minha Casa, Minha Vida em Contagem estimado em R$ 388 milhões. Ele é tocado pela empresa Focus Participação, que também tem a irmã de Daniel Vorcaro como diretora.

    O Master repassou outro fundo imobiliário para o BRB, o CMX Realty, que também contém projetos ligados à família Vorcaro. Do total de R$ 118 milhões do fundo, R$ 108 milhões se referem a um projeto chamado Pedra Histórica, em Brumadinho (MG).

    O projeto é tocado por duas empresas, a CMX Realty e a Pedra Histórica Holding e Participações. Seus diretores participam de outros projetos tocados pelas empresas do pai de Vorcaro, Henrique Vorcaro, e Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro.

    Questionado, o Master afirmou que “não houve transferência de ativos ocultos, não registrados ou fora dos critérios contábeis e regulatórios aplicáveis”. “As operações realizadas seguiram os parâmetros técnicos de avaliação vigentes à época”, informou.

    Já o BRB acrescentou que o valor do possível aporte necessário para cobrir eventuais perdas será estabelecido após o encerramento das apurações em curso.

    “Todos os ativos efetivamente cedidos ao BRB estavam registrados no balanço do Banco Master e integravam as demonstrações financeiras da instituição”, informou, em nota, a instituição financeira.

    “Esses ativos eram periodicamente auditados e precificados conforme metodologias formais de avaliação e de classificação de risco, previstas no manual de rating adotado pelo banco e observadas pelas instâncias de supervisão”, acrescentou.

    Master usou fundos com empréstimos em atraso e imóveis da família Vorcaro para pagar BRB

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  • Dólar fecha em R$ 5,2067, menor valor em quase dois anos, e Bolsa bate novo recorde

    Dólar fecha em R$ 5,2067, menor valor em quase dois anos, e Bolsa bate novo recorde

    O mercado ainda vê espaço para a Bolsa continuar subindo ao longo do ano, mesmo com previsão de volatilidade por causa das eleições presidenciais de outubro

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar teve forte queda de 1,38% nesta terça-feira (27) e fechou cotado a R$ 5,2067 -menor valor desde 28 de maio de 2024, quando encerrou o dia a R$ 5,160, reflexo de uma confluência de fatores que intensificaram o interesse de investidores por ativos brasileiros.

    Na mínima do dia, foi a R$ 5,198. O movimento de desvalorização foi global, com o índice DXY, que o compara a moeda uma cesta de outras seis divisas fortes, caindo 0,86%, a 96,21 pontos. É o menor patamar para o índice desde 2022.

    O dia também foi favorável a Bolsa de Valores, que fechou em disparada de 1,79%, a 181.919 pontos. Trata-se de um novo recorde histórico para o Ibovespa, que bateu 181 mil, 182 mil e 183 mil pontos pela primeira vez neste pregão. No pico do dia, chegou a 183.359 pontos.

    Em meio ao movimento de rotação de investidores estrangeiros para fora das praças norte-americanas, mais de R$ 17,7 bilhões já foram aportados no país do início de janeiro até sexta-feira (23), segundo a B3. Isso representa mais de 60% de todo o volume alocado por essa categoria no último ano.

    O estopim para o movimento de valorização do real e da Bolsa foi a leitura do IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) de janeiro, que veio ligeiramente abaixo do esperado. O avanço foi de 0,2% na base mensal, ante expectativa de 0,22%, segundo a Bloomberg.

    Por outro lado, o índice, considerado uma prévia da inflação oficial do país, acelerou no acumulado de 12 meses. Após marcar 4,41% até dezembro, alcançou 4,5% até janeiro -exatamente o teto da meta de inflação perseguida pelo BC (Banco Central) para o IPCA.

    A divulgação acontece na véspera da primeira decisão de juros do Copom (Comitê de Política Monetária) em 2026, em data conhecida como “superquarta” pelos mercados por também trazer a decisão de juros do Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano).

    A previsão dos agentes é de manutenção dos atuais 15% ao ano, maior patamar em quase duas décadas. O IPCA-15, porém, abriu portas para que o colegiado afrouxe a linguagem e indique o início do ciclo de cortes para a próxima reunião, em março.

    “Para a decisão de amanhã, o resultado de hoje é de pouca relevância”, diz André Valério, economista sênior do Inter. “Mas esperamos que o comitê faça ajustes no comunicado para refletir a possibilidade do início do ciclo de cortes na reunião de março.”

    A leitura leva em conta, também, a tendência de desinflação no longo prazo, resultado da valorização do real ante o dólar e da queda recente nos preços de alimentos. A redução dos preços da gasolina pela Petrobras também deve empurrar o índice para baixo neste primeiro trimestre, afirma Valério.

    Segundo o boletim Focus desta semana, especialistas veem um corte de 0,5 ponto percentual em março como o pontapé inicial do ciclo de afrouxamento monetário. A Selic deve encerrar 2026 em 12,25%; o IPCA, em 4%.

    “O dado aumentou a confiança de que a política monetária restritiva está produzindo efeitos mais consistentes sobre os preços. Com a inflação mostrando sinais de arrefecimento, cresce a expectativa por um corte de juros mais próximo, ou ao menos por um discurso mais brando por parte do BC”, diz João Abdouni, analista da Levante Inside Corp.

    Para a Bolsa, juros mais baixos tendem a ser uma boa notícia: ao tirar um pouco do brio da renda fixa, o corte estimula que investidores procurem retornos mais altos em ativos de risco. Segundo a XP, os últimos oito ciclos recentes de afrouxamento monetário levaram o Ibovespa a subir 39,2%.

    O mercado ainda vê espaço para a Bolsa continuar subindo ao longo do ano, mesmo com previsão de volatilidade por causa das eleições presidenciais de outubro.

    O cenário se soma à estratégia de diversificação para ativos de mercados não tão expostos às tensões geopolíticas e econômicas criadas pelo governo Donald Trump. O câmbio pegou carona nessa tendência: logo depois que o Ibovespa superou 183 mil pontos nesta sessão com a entrada de capital estrangeiro, o dólar despencou ante o real.

    “A queda do dólar hoje é uma combinação de maior apetite a risco no exterior e uma rotação global fora dos EUA. O Ibovespa está subindo mais de 2%, o que aponta para muito capital entrando no país”, afirma João Duarte, especialista em câmbio da One Investimentos.

    O ambiente de tensão também cerca a decisão de juros do Fed nesta “superquarta”. Por lá, o consenso de mercado também aponta para uma manutenção da taxa na banda de 3,5% e 3,75%, mas os ataques de Trump à independência do banco central preocupam analistas.

    Caso a manutenção dos juros se concretize, a decisão do Fed vai na contramão do que o republicano tem pregado desde que assumiu o cargo: a redução brusca da taxa para 1,5%.

    O contexto, segundo analistas, é crítico. Jerome Powell, presidente do Fed, se tornou alvo no início do mês de uma investigação federal relacionada a uma reforma da sede da instituição, orçada em US$ 2,5 bilhões. Ele reagiu publicamente antes mesmo do anúncio formal do inquérito, classificando-o como um pretexto para pressioná-lo a reduzir drasticamente os juros.

    “Embora haja pouca dúvida sobre o resultado da reunião, as expectativas têm aumentado de que a retórica será agressiva devido a fortes dados econômicos e em resposta aos ataques de Trump à autonomia do Fed”, diz Matthew Ryan, chefe de estratégia de mercado da Ebury.

    Conforme a escolha pelo novo presidente do Fed se avizinha -o mandato de Powell termina em maio-, o mercado teme que Trump opte por um chairman que responderá às suas demandas, e não aos dados econômicos.

    Dólar fecha em R$ 5,2067, menor valor em quase dois anos, e Bolsa bate novo recorde

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