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  • IR zero para quem ganha até R$ 5 mil vale a partir deste mês

    IR zero para quem ganha até R$ 5 mil vale a partir deste mês

    Isenção para salários de até R$ 5 mil e descontos graduais até R$ 7.350 já aparecem no pagamento de fevereiro, ampliando a renda disponível de trabalhadores, aposentados e pensionistas, enquanto a compensação fiscal recai sobre contribuintes de alta renda

    Os impactos da nova tabela do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) 2026 começam a ser percebidos nesta semana, no contracheque dos assalariados que ganham até R$ 5 mil brutos por mês. Eles estarão totalmente isentos do IR, e aqueles com renda de até R$ 7.350 terão redução gradual do imposto retido na fonte.

    As alterações começaram a valem para os salários pagos a partir de janeiro, com reflexo a partir do pagamento de fevereiro.

    Um deles é o pedreiro do Distrito Federal, Genival Gil, de 49 anos, que ficou sabendo da medida pelo telejornal. Há três meses, ele está fichado (com a carteira de trabalho assinada) com salário de pouco mais de R$ 2,7 mil.

    Agora, Genival aguarda o contracheque para conferir o valor – que antes ia para os cofres da União e que agora vai ficar na conta. A sobra terá destino certo.

    “Vai ajudar a pagar umas contas a mais da casa”, programa o pedreiro que mora de aluguel no Paranoá, a 20 quilômetros do centro de Brasília.

    Com a nova regra, passam a ficar totalmente isentos do IRPF, desde que a renda mensal total não ultrapasse R$ 5 mil:

    – trabalhadores com carteira assinada;

    – servidores públicos;

    – aposentados e pensionistas do INSS ou de regimes próprios.

    A regra também se aplica ao décimo terceiro salário.

    Os rendimentos acima de R$ 7.350 continuam seguindo a tabela progressiva de descontos do IR atual (até 27,5%).

    O jardineiro de um shopping de Brasília, Arnaldo Manuel Nunes, de 55 anos, também sabe que a partir deste mês uma fatia considerável do seu trabalho que ficava retida na fonte, agora não vai ser mais descontada de sua remuneração. Ganhando o salário do piso da categoria, R$ 2.574, Arnaldo considera a medida boa para o orçamento doméstico. “Mal dá para o cara se manter. Mas vou gastar com [as contas de] água e luz, que estão um absurdo.”

    Desconhecimento

    Nas ruas, a reportagem da Agência Brasil também entrevistou vários trabalhadores formais que desconhecem a nova tabela do imposto de renda e as principais alterações de isenção e redução da cobrança do tributo.

     É o caso da atendente de caixa de uma rede nacional de farmácias, Renata Correa, que se surpreendeu com a notícia de que não terá que pagar mais imposto de renda com o atual salário de R$ 1.620. Os planos dela são de economizar o valor inesperado. “Vou fazer uma rendinha extra e deixá-la guardadinha para poder chegar ao fim do ano ou usar em datas especiais. Até mesmo usar em uma emergência.”

    Ao chegar ao local de trabalho, Renata prometeu avisar os colegas sobre a boa nova para que fiquem atentos. “Agora, vou vigiar o contracheque e correr atrás para não ter problemas e saber se está tudo certinho mesmo.” Renata mora em casa própria em Santo Antônio do Descoberto (GO) com as três filhas.

    O integrante do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) Adriano Marrocos tranquiliza os trabalhadores com carteira assinada, pois a isenção para quem recebe até R$ 5 mil e os descontos graduais, para quem tem renda de R$ 5.001 a R$ 7.350, serão automáticos.

    “Quem tem emprego, não precisa se preocupar, pois os cálculos são automáticos nos programas que geram as folhas de pagamento. O que a pessoa deve observar é que há o cálculo combinado com o redutor adicional e o desconto simplificado.”

    Comunicação mais eficaz

    A notícia encheu os olhos da cozinheira Elisabete Silva Ribeiro dos Santos, de 48 anos. Há um ano e meio, ela trabalha em um restaurante localizado em área popular, no centro de Brasília, e ganha cerca de R$ 1,7 mil por mês. “Se sobrar dinheiro, quero juntar para comprar um carro porque venho de ônibus todos os dias do Recanto das Emas.”

    No entanto, Elisabete sentiu a falta de uma comunicação do empregador aos funcionários. Nem ela, nem o churrasqueiro sabiam da isenção do imposto de renda. Por isso, ainda demorou a confiar na veracidade da notícia.

    “Eu acho excelente, mas vamos ver se vai valer mesmo!”

    Para acabar com as dúvidas, o contador Adriano Marrocos sugere a melhoria da comunicação com os trabalhadores.

    “Em relação aos empregados, a sugestão é o envio de um texto explicando as mudanças e que não se trata de aumento de salário, mas de redução de imposto.”

    Na sexta-feira (30), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicou em suas redes sociais a notícia de que a isenção do IR começa a ser percebida no salário recebido neste mês.

    “Está valendo: quem ganha até R$ 5 mil agora tem Imposto de Renda ZERO. E quem ganha entre R$ 5 mil e R$ 7.350 está pagando menos imposto. É mais dinheiro para cuidar da família, organizar a vida e viver melhor. Isso é justiça tributária, e ela está chegando para milhões de brasileiros e brasileiras”, disse o presidente Lula.

    De onde vem o dinheiro?

    A conta da renúncia fiscal — estimada em R$ 25,4 bilhões — será paga por quem está no topo da pirâmide econômica. Para compensar a perda de arrecadação, foi criado o Imposto de Renda da Pessoa Física Mínimo (IRPFM).

    Entram no cálculo os salários recebidos; lucros e dividendos; e rendimentos de aplicações financeiras tributáveis.

    A estimativa do governo é de que cerca de 141 mil contribuintes serão afetados. Desde 1º de janeiro, a regra é válida para quem tem:

    – renda mensal de acima de R$ 50 mil (R$ 600 mil/ano), alíquota progressiva de até 10%;

    – renda acima de R$ 1,2 milhão/ano, os chamados super-ricos: alíquota mínima efetiva de 10%.

    Com o do novo imposto voltado à alta renda, o contador Adriano Marrocos acredita que o impacto na arrecadação federal de tributos deve ser mínimo.

    “Já havia benefício de isenção para quem recebia até dois salários-mínimos (R$ 3.036). Então, a renúncia só tem a margem de R$ 3.036,01 a R$ 5 mil. De outro lado, o governo federal sancionou a cobrança de imposto de renda de parcelas que eram isentas, como a distribuição de lucros.”

    Para o gerente de loja de roupas Pedro Henrique Mendonça Marques, de 23 anos, a medida federal faz justiça tributária do Brasil.

    “É legal porque, nesses casos, vai taxar os que recebem mais. Eles pagam mais, E quem recebe menos, paga menos. Essa é a lógica.”

    Ele recebe cerca de R$2,3 mil por mês e pretende contribuir mais nas despesas da casa que divide com a mãe, na cidade de São Sebastião. Nesta matemática financeira, ele até pensa no futuro. “Eu acho que vou sair da casa da minha mãe, por exemplo.”

    Na hora de declarar o IR

    De acordo com o Ministério da Fazenda, a correção da tabela do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) vai se refletir apenas na declaração de 2027, que considera os rendimentos de 2026.

    O conselheiro Adriano Marrocos explica que para a Declaração do Imposto Renda Pessoa Física anual, a ser entregue em maio deste ano, nada muda. “Esses trabalhadores ainda terão que entregá-la normalmente. O benefício teve início apenas em janeiro de 2026, ou seja, qualquer reflexo da redução do IR deverá ser percebido somente em maio de 2027.”

    O Ministério da Fazenda explica que nada muda nas principais deduções do IR, no momento da declaração:

    – dependentes: R$ 189,59 por mês;

    – desconto simplificado mensal: até R$ 607,20;

    – despesas com educação: até R$ 3.561,50 por pessoa ao ano;

    – declaração anual: desconto simplificado de até R$ 17.640.

    Marrocos esclarece ainda que a dispensa da entrega da declaração para quem ganha menos de R$ 5 mil em 2026 não toma por base apenas o rendimento tributável, mas os rendimentos isentos e não tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte, além dos bens.

    Quem tem mais de uma fonte de renda precisará complementar o imposto na declaração anual, mesmo que cada rendimento isolado seja inferior a R$ 5 mil.

    Para os contribuintes que temem errar o preenchimento da declaração do imposto de renda em 2026 e 2027, a dica é observar o que está detalhado no informe disponibilizado pelas empresas obrigatoriamente no primeiro trimestre de cada ano.

    “Os dados gerados pelas empresas são enviados para a Receita Federal, por meio de declarações eletrônicas mensais e trimestrais. Assim, a ocorrência de erro é baixa.”

    Além da necessidade de o contribuinte declarar da mesma forma que está descrito no Informe de Rendimentos, é “importante conferir os dados na declaração pré-preenchida pela Receita Federal antes de confirmar o envio”, lembra o contador.

    Confira aqui a nova tabela do IRPF divulgada pela Receita Federal com as mudanças após isenção para quem ganha até R$ 5 mil e que entraram em vigor em 1º de janeiro deste ano.

     

    IR zero para quem ganha até R$ 5 mil vale a partir deste mês

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  • Salário de admissão bate recorde com apagão de mão de obra e alta do mínimo

    Salário de admissão bate recorde com apagão de mão de obra e alta do mínimo

    O valor médio de admissão com carteira no Brasil cresceu 2,5% acima da inflação no mês retrasado ante mesmo período de 2024, a R$ 2.304, segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho e Emprego.

    MAELI PRADO
    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A remuneração inicial no mercado formal de trabalho alcançou em dezembro o maior patamar da história para o mês, em meio a dificuldades de empregadores para atrair e reter funcionários e à alta do salário mínimo.

    O valor médio de admissão com carteira no Brasil cresceu 2,5% acima da inflação no mês retrasado ante mesmo período de 2024, a R$ 2.304, segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho e Emprego.

    Os números foram levantados pelo economista Bruno Imaizumi, da consultoria 4Intelligence, que aponta que o movimento é generalizado, mas mais perceptível nos empregos de baixos salários, necessidade de presença física e de menor qualificação.

    São vagas que, cada vez mais, concorrem com a atratividade percebida pelos jovens em ocupações sem carteira, flexibilidade e remuneração imediata maior, como entregadores e motoristas de aplicativos.

    Os hipermercados, por exemplo, que estão entre os maiores empregadores do país, ofereceram em dezembro um salário inicial médio de R$ 1.932, alta de 5,8% acima da inflação ante mesmo mês de 2024.

    Tanto os bares quanto os restaurantes, que também estão entre os maiores empregadores do país, pagaram um salário inicial médio de R$ 1.880 –no primeiro caso, o valor representa um aumento real de 4,4% ante dezembro de 2024, e no segundo a alta é de 3,7% na mesma comparação.

    No segmento de construção de edifícios, o valor médio de contratação em dezembro ficou em R$ 2.340, aumento real de 1%. Nos quatro casos citados, foram os maiores salários iniciais já registrados para meses de dezembro da série histórica, iniciada em 2007.

    Os dados comparam o resultado de cada mês em relação ao mesmo período de anos anteriores por conta da sazonalidade do mercado de trabalho.

    “O mercado de trabalho está aquecido, com o desemprego na mínima histórica e a taxa de rotatividade em patamar recorde. Para algumas posições, se há escassez de mão de obra, a forma de reter trabalhadores é elevar salários”, aponta Imaizumi.

    O especialista em mercado de trabalho lembra que a carteira assinada passou a enfrentar competição de vagas com maior flexibilidade e salários mais altos. “Há outras alternativas onde é possível tirar mais dinheiro, como fazer entregas no final de semana, serviços de delivery e transporte por aplicativos.”

    Há também uma questão geracional, diz Imaizumi. “As novas gerações estão entrando no mercado de trabalho mais escolarizadas. Quem tem uma educação melhor vai ser mais resistente a fazer esforço físico na construção civil ou ser doméstica, por exemplo.

    A tendência foi capturada pela última Sondagem de Escassez de Mão de Obra do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), realizada entre outubro e novembro de 2025 com 3.763 empresas.

    A pesquisa mostra que 18,9% daquelas que relatam dificuldades para contratar e reter funcionários aumentaram salários, percentual que era de 13,7% no ano anterior.

    Entre as ouvidas, 36,2% afirmaram ainda que ampliaram a concessão de benefícios (eram 32,4% na mesma pesquisa realizada no final de 2024).

    “As empresas que mais informaram aumento de salários foram as de construção; hiper e supermercados e mercearias; produção de vestuário; produção de produtos farmacêuticos e serviços de alojamento”, aponta Rodolpho Tobler, economista do FGV Ibre.

    O levantamento registra que 62,3% das empresas ouvidas têm dificuldades em contratar e reter mão de obra, contra 58,7% no mesmo levantamento feito no ano passado.

    “Estamos vendo uma mudança no mercado de trabalho. As ocupações com maior necessidade de alta de salário são aquelas que competem com outras possibilidades, que vieram com a digitalização da economia, e com os benefícios sociais”, diz Tobler.
    Imaizumi, da 4Intelligence, lembra que o aumento da remuneração também está relacionado à expansão real do salário mínimo. Entre 2019, ano anterior à pandemia, e este ano, o valor teve crescimento de 62,4%, para uma inflação que avançou 45% no mesmo período.

    “O salário mínimo é o balizador para a maior parte das posições no mercado formal. Se ele cresce acima da inflação, como vem acontecendo, os salários também sobem”, aponta.

    Denise de Freitas, gerente de Recursos Humanos do Roldão Atacadista, afirma que a rotatividade sempre foi um desafio, e que a principal dificuldade da rede, que possui cerca de 4,5 mil funcionários, é reter mão de obra.

    Denise de Freitas, gerente de Recursos Humanos da rede atacadista Roldão Karime Xavier – 09.jan.26/Folhapress Mulher de cabelos escuros e ondulados, vestindo blusa branca, está próxima a uma pilha de melões amarelos em supermercado. Ao fundo, prateleiras com produtos e decoração com balões azuis e amarelos. Imagem pequena ** O Roldão optou, no ano passado, por aumentar o salário de contratação dos açougueiros que trabalham nas lojas, além de flexibilizar a jornada de trabalho de todas as ocupações, de sete horas diárias de trabalho para seis horas. A escala adotada é a 6×1.

    “Antes exigíamos o segundo grau completo, agora investimos na formação interna, com programas de estágio. Também contratamos trabalhadores 50+ para fazer inclusão e ampliar ao máximo as possibilidades”, diz.

    No dia a dia, a rede sente a competição com vagas autônomas ou de salários mais altos.

    “Estamos vivendo o pleno emprego e a concorrência de vagas de autônomos. Muitos funcionários comemoram a flexibilização da jornada, pois assim conseguem trabalhar em outros empregos”, afirma Freitas.

    A dificuldade de contratação vem levando empresas do varejo a flexibilizarem a escala 6×1, entre outros incentivos, como forma de tentar reter funcionários –o movimento ocorre em meio a discussões sobre o fim do modelo no Brasil. O projeto sobre o tema é uma das prioridades do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Congresso.

    A Cobasi, por exemplo, passou a oferecer o segundo domingo de folga no mês –por lei, quem trabalha no comércio deve folgar ao menos um domingo.

    Daqui para a frente, a expectativa é que o mercado de trabalho continue em expansão, mas a taxas mais modestas de crescimento.

    “Deve haver uma alta mais alinhada com o crescimento econômico menos robusto do que observamos nos últimos anos”, diz Imaizumi.

    Salário de admissão bate recorde com apagão de mão de obra e alta do mínimo

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  • Governo Lula prepara reestruturação do Coaf para aumentar cerco a crimes financeiros

    Governo Lula prepara reestruturação do Coaf para aumentar cerco a crimes financeiros

    O plano em discussão, ao qual a Folha teve acesso, prevê a criação de 66 cargos comissionados e seis subunidades regionais. A proposta de decreto presidencial foi encaminhada pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, ao Ministério da Gestão. O prazo dado para resposta é de cerca de um mês.

    NATHALIA GARCIA
    BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prepara uma reestruturação do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) para aumentar o cerco a crimes financeiros depois de uma série de episódios que colocaram à prova a segurança do sistema em 2025.

    O plano em discussão, ao qual a Folha teve acesso, prevê a criação de 66 cargos comissionados e seis subunidades regionais. A proposta de decreto presidencial foi encaminhada pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, ao Ministério da Gestão. O prazo dado para resposta é de cerca de um mês.

    Ao contextualizar o tema em documento que terá Lula como destinatário, Galípolo argumenta que a evolução das transações financeiras, que passaram a incorporar novas tecnologias, como criptoativos, e a integrar fluxos monetários em uma escala global, impõe desafios operacionais e analíticos ao Coaf.

    O presidente do BC destaca também que houve ampliação de responsabilidades do órgão desde 2019, quando o Coaf passou a ser vinculado administrativamente à autoridade monetária, em um momento de maior necessidade de processar um grande volume de informações -hoje, são mais de 7,5 milhões de comunicações por ano.

    Com a reestruturação proposta, o número total de cargos comissionados -funções de confiança para as quais não há exigência de concurso público- subirá de 75 para 141. Dos 66 novos postos, 48 serão destinados à reestruturação da sede e outros 18 à implementação das subunidades.

    Na exposição de motivos, em esboço obtido pela Folha, Galípolo reproduz apontamentos feitos em nota técnica elaborada pelo próprio Coaf sobre a limitação de pessoal e a defasagem da estrutura atual do órgão.

    Ao diagnosticar a situação, o presidente do BC cita impacto do reduzido quadro de funcionários efetivos sobre a capacidade operacional da unidade de inteligência financeira e menciona que a alta rotatividade de servidores cedidos de outros órgãos dificulta a consolidação de equipes técnicas especializadas.

    Além disso, avalia que a estrutura da organização precisa ser atualizada para atender a demandas legais, tecnológicas e operacionais do sistema de prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo. Essa defasagem, segundo ele, compromete a celeridade das análises de inteligência e a efetividade das ações de supervisão.

    A criação de novos cargos em ano de eleições, como é o caso de 2026, não é vedada pela legislação eleitoral. No entanto, as regras da LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal) trazem impedimento em caso de aumento de despesa nos 180 dias finais do mandato.

    De 4 de julho até a posse dos eleitos, é proibido nomear ou contratar servidores. No entanto, existem exceções legais, entre elas, para cargos em comissão e funções de confiança, como é o caso proposto pelo Coaf.

    A reestruturação do órgão ganha contorno poucos meses depois de o próprio Banco Central endurecer uma série de regras regulatórias para fortalecer a segurança do sistema financeiro nacional depois de ataques hackers e da identificação da infiltração do crime organizado na economia.

    Os ataques cibernéticos se intensificaram em 2025 após megaoperação realizada contra a atuação do PCC (Primeiro Comando da Capital) em negócios regulares da economia formal, como os setores de combustíveis e financeiro.

    O Coaf também está no centro de um inquérito sigiloso aberto pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), para apurar se houve quebra de sigilo na Receita Federal ou no Coaf de integrantes da corte e familiares.

    Além do reforço de funcionários, a reestruturação do Coaf prevê a criação de seis subunidades de inteligência financeira com o objetivo de ampliar sua presença regional.

    Segundo nota técnica do órgão, que subsidiou o documento de Galípolo, a carência de estruturas locais restringe a capacidade de resposta rápida, limita a compreensão individualizada dos riscos e ameaças de cada região, e dificulta o compartilhamento eficiente de dados com órgãos estaduais e regionais.

    Cada subunidade será composta por um coordenador-geral, dois coordenadores e oito servidores especializados. Análise financeira, inteligência estratégica, fiscalização suplementar de pessoas supervisionadas na região e cooperação com autoridades estaduais e federais estão entre as principais funções que deverão ser exercidas.

    As localidades sugeridas são Campo Grande (MS) e Foz do Iguaçu (PR), por serem rotas de tráfico e de crimes transfronteiriços; Recife (PE), pela presença de facções criminosas; Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP), pela grande concentração de instituições financeiras e pelo alto volume de comunicações; além de Belém (PA).

    Em algumas delas, como Belém, Recife, São Paulo e Rio de Janeiro, o BC tem sede. Já cidades como Campo Grande e Foz do Iguaçu a autarquia não tem representação local.

    A implementação da subunidade do Rio de Janeiro responde a uma determinação judicial de Moraes nos autos da ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) das Favelas, que restringe operações policiais nas comunidades do município.

    Para instalação física e tecnológica e para aquisição de equipamentos das seis subunidades em 2026, o investimento inicial calculado é de R$ 2,49 milhões. Já o gasto anual para manutenção delas, incluindo remuneração de cargos comissionados e despesas operacionais, é estimado em cerca de R$ 30,8 milhões.

    A expectativa interna é que a reestruturação organizacional traga benefícios como aprimoramento analítico, melhora na governança e consolidação de uma política nacional integrada de inteligência financeira.

    “A proposta reforça o papel do COAF como autoridade central do sistema nacional de inteligência financeira, garantindo a sustentabilidade de sua missão e o cumprimento das recomendações de organismos internacionais, como o GAFI [Grupo de Ação Financeira], em termos de autonomia, estabilidade e capacidade técnica. Como resultado, ocorrerá o fortalecimento da atividade de combate ao crime organizado”, diz Galípolo no documento.

    O aumento de pessoal e a criação de núcleos regionais fazem parte de um plano mais amplo para reforçar o trabalho do Coaf, que inclui renovação de sistema para elaboração de relatórios de inteligência financeira, com uso de inteligência artificial. Ricardo Saadi, ex-diretor da Polícia Federal, assumiu o comando do Coaf em meados do ano passado, após receber do BC promessa de mais investimentos.

    Governo Lula prepara reestruturação do Coaf para aumentar cerco a crimes financeiros

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  • 'Selic em 15% faz bilionário ganhar R$ 400 mil por dia sem produzir nada', diz ex-consultor da ONU

    'Selic em 15% faz bilionário ganhar R$ 400 mil por dia sem produzir nada', diz ex-consultor da ONU

    O professor titular de pós-graduação da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) e ex-consultor de agências da ONU (Organização das Nações Unidas) não tem dificuldade em explicar cifras e indicadores a partir de exemplos do cotidiano.

    DANIELE MADUREIRA
    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – “As pessoas têm imensa dificuldade em entender grandes números”, diz o economista Ladislau Dowbor, 84, que até gravou um vídeo intitulado “Entenda a economia em 15 minutos”. O professor titular de pós-graduação da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) e ex-consultor de agências da ONU (Organização das Nações Unidas) não tem dificuldade em explicar cifras e indicadores a partir de exemplos do cotidiano.

    “Pago R$ 350 pelo dia de trabalho da minha faxineira, valor transferido para a conta dela de maneira digital. Como ela tem problemas de saúde, contratou um desses planos geridos por empresas que não entendem nada de saúde. Então descubro que entre os sócios deste grupo está a BlackRock, a maior gestora de ativos do mundo, que administra trilhões de dólares. Ou seja: parte do dinheiro que eu pago para uma pessoa pobre no Brasil vai para um grupo americano riquíssimo -que também é acionista da bandeira de cartão de crédito que eu uso para pagar o café da manhã na padaria.”

    A profunda transformação da sociedade na era digital e o seu impacto no capitalismo e na ampliação da desigualdade é um dos temas centrais na pesquisa de Dowbor. O assunto é tema do livro “Os Desafios da Revolução Digital” (editora Elefante), que venceu o Prêmio Brasil de Economia 2025 do Cofecon (Conselho Federal de Economia). No ano anterior, outro livro do catalão de origem polonesa, naturalizado brasileiro, havia vencido o mesmo prêmio: “Resgatar a Função Social da Economia” (Elefante).

    Autor ou organizador de mais de 45 livros, Dowbor mantém boa parte das obras no seu site com acesso gratuito. Em 2021, também foi finalista do Prêmio Jabuti.
    *
    Folha – Por que tantos segmentos de serviços e da indústria correm o risco de enfrentar apagão de mão de obra?
    Ladislau Dowbor – O desafio número um no Brasil é a desigualdade, é o país mais desigual do mundo. O PIB brasileiro soma R$ 12,3 trilhões. Se a gente dividir pela população do país, 215 milhões, arredondando, dá R$ 20 mil por mês, para uma família de quatro pessoas. Dá para viver, não? Mas há um alto grau de concentração de renda.
    Os 300 bilionários no Brasil têm muito dinheiro guardado. Imagine o dono de R$ 1 bilhão que, em vez de investir em serviços ou produtos, compra títulos do governo atrelados à Selic, que pagam 15% de juros ao ano. Sem produzir nada, esse bilionário vai ganhar mais de R$ 400 mil ao dia. Ou seja, quanto mais rico, mais dinheiro aplicado, maior o enriquecimento. É algo completamente diferente do que acontece com 80% da população, que não só não acumula, como enfrenta dificuldade em manter o que tem. O problema deles não é ‘o que que eu faço com o meu dinheiro?’. O que ganham nem dá para fechar o mês.

    Folha – Se o bilionário não investe em gerar riquezas, não emprega…
    Ladislau Dowbor – Pense no quanto a economia fica fragilizada. A concentração de renda fragiliza a demanda que, naturalmente, vai fragilizar a produção. Imagine alguém com dinheiro: ele vê que as famílias não estão comprando. Se quiser pegar um empréstimo no banco para montar um negócio, vai pagar 25% ao ano –na China, é 2% ao ano, na Europa, entre 3% e 4%. Como ele vai completar o capital para desenvolver uma indústria com um custo desses? Vai ficar atolado em dívida. Por outro lado, ele tem a opção de comprar ativos do governo que pagam 15% de juros.

    Folha – Por que esse sistema se mantém?
    Ladislau Dowbor – Se você visita deputados, senadores, vai descobrir que eles mantêm aplicações financeiras e vivem disso. Eles têm consciência de que nós temos um sistema que drena em vez de gerar recursos, o núcleo básico da economia. Você precisa ter famílias com mais recursos para ter demanda, que dinamiza o investimento empresarial, que gera empregos, consumo, mais impostos para o Estado, que aplica o dinheiro de volta para fomentar a economia, e então o ciclo se completa. No Brasil, o ciclo da economia não fecha. Ganha-se muito mais dinheiro através de processos financeiros do que produtivos.

    Folha – A questão central não é o empresário que paga R$ 2.000 ao mês ao trabalhador da escala 6×1, que muitas vezes decide prestar serviços para os aplicativos, esperando ganhar mais?
    Ladislau Dowbor – É o conjunto do sistema que está travando a economia. Se, em vez de se preocupar com o arcabouço fiscal –que eu chamo de ‘palhaçada’, não de maneira irresponsável–, você se preocupa com políticas sociais, colocando mais dinheiro na educação, na saúde, é uma maneira de enriquecer as famílias. Porque sobra dinheiro para o consumo, que vai elevar as vendas, o lucro. Ganhando mais, o empresário vai pagar melhor e atrair mais pessoas.
    É essencial entender que se trata de um ciclo. Uma economia desigual não se desenvolve. Com os governos Lula e Dilma 1 melhorou um pouco, crescemos 3,8%, em média, durante dez anos. O Banco Mundial chamou o período de ‘The Golden Decade’, a década dourada do Brasil. Com os governos Temer e Bolsonaro, a farra financeira aumentou muito mais.

    Folha – Por que o senhor chama o arcabouço fiscal de ‘palhaçada’?
    Ladislau Dowbor – Nas economias que funcionam, 40% do bem-estar econômico das famílias não correspondem a quanto elas têm no bolso, mas sim o quanto elas têm de hospitais públicos na região onde moram, as ruas do bairro asfaltadas, o parque perto de casa –tudo isso é salário indireto. É bem-estar econômico construído através de políticas públicas,
    O Canadá, por exemplo, tem um salário mais baixo que o dos americanos, mas lá as pessoas contam com creche, escola, universidade, hospital, tudo bom e de graça, parques por toda parte, água limpa. Interessante, não? A título de comparação, a esperança de vida do americano é de 78 anos, ao custo de US$ 11 mil ao ano por pessoa para o sistema de saúde. Na China, a esperança de vida é de 79 anos, ao custo de US$ 1.000 ao ano, porque o país investe, por exemplo, em água limpa. A saúde preventiva é imensamente mais eficaz do que ter hospitais, médicos e um monte de remédios. Mas na contabilidade do arcabouço fiscal no Brasil, investimento público no bem-estar econômico é chamado de gasto. É uma cretinice dizer que, quando o país cresce pouco, é preciso reduzir gastos do governo.

    Folha – O que o governo deve fazer?
    Ladislau Dowbor – É preciso investir na inclusão produtiva, que envolve, sim, o repasse para benefícios como o Bolsa Família. Nessa hora, o pessoal da Faria Lima grita: ‘Meu Deus, vai gerar déficit!’. Não, este dinheiro é para dinamizar a economia. Em segundo lugar, investir em infraestrutura. Pouco importa de onde o governo tira o dinheiro. Se não tiver o suficiente, pode gerar déficit, usar conversão das reservas cambiais, emitir dinheiro, aumentar a dívida… O que importa é para onde vai o dinheiro.
    Na ONU, a gente calcula que a cada R$ 1 investido em saneamento básico, R$ 4 são economizados em saúde. Ou seja, tem um efeito multiplicador, você enriquece a sociedade. Se você constrói uma ferrovia, reduz dramaticamente os gastos transportando soja de caminhão, a economia se torna muito mais produtiva. O dinheiro que o governo investe volta, com imposto sobre a atividade.
    Também é preciso reduzir a transferência de dinheiro para paraísos fiscais; tem banco com mais de 30 filiais em paraísos fiscais, onde nenhum cliente tem nome, é só um número. No Brasil, o dinheiro vai justamente para grupos financeiros em favor da austeridade fiscal.

    Folha – A questão dos impostos é muito discutida porque, no Brasil, metade da tributação é sobre o consumo.
    Ladislau Dowbor – Isso é uma deformação radical brasileira. Quase tudo da renda dos 80% da base da população é voltado para o consumo, são essas pessoas que pagam imposto. Quanto ao rico, quantas bistecas ele consegue comer por dia, quantas camas ele precisa para dormir? Ele atende todas as suas necessidades e ainda conta com 90% da renda disponível. Entende? O impacto relativo do imposto sobre o consumo é essencialmente sobre a massa da população. No Brasil, a taxa de juros para as famílias é de 58% ao ano, para as empresas, de 25%, enquanto na China os juros são limitados a 2% ao ano. Por isso não faz sentido para o chinês fazer aplicação financeira, ele prefere produzir. Essa é uma mudança do papel do Estado, de fomentar a economia em parceria com as empresas, em favor da sociedade.

    Folha – Qual seria um exemplo dessa parceria?
    Ladislau Dowbor – A China precisa sair do consumo de carvão, que provoca uma tragédia ambiental. Decidiram investir pesado na energia solar. Mas para isso não fizeram uma grande estatal de painéis solares –construíram uma grande estatal de máquinas e equipamentos voltados à produção de painéis solares. Resultado: hoje o país tem milhares de empresas de produção de painéis solares. Em qualquer cidade, um empreendedor compra as máquinas, pagando juros de 2%, e passa a produzir painéis solares. O investimento pesado em termos financeiros e de tecnologia já foi feito pelo estado. Ou seja: você gerou proteção ambiental, empregos, lucros, usando o estado como um motor de arranque para dinamizar milhares de atividades.

    Folha – Mas a China é uma ditadura e as decisões são centralizadas. Aqui temos uma democracia com presidencialismo de coalizão
    Ladislau Dowbor – Esta é uma questão estrutural. Em 1997, foi aprovado algo absurdo: o financiamento de campanhas políticas por empresas. Depois de 18 anos, no final de 2015, o Supremo Tribunal Federal se deu conta que tinha sido violado o artigo 1 da Constituição, que diz que “todo poder emana do povo” –não das empresas, nem dos bancos. Um momento de clareza. Mas qual o impacto estrutural dessa influência durante quase 20 anos, do poder local ao nacional, no legislativo e executivo? Houve uma apropriação privada da política, que transformou radicalmente a relação entre os sistemas público e privado, que se perpetuou. Essa articulação nefasta entre o financeiro, que não gera emprego, não produz, e os políticos que participam desse tipo de lucro, é uma deformação estrutural da economia. Eu uso a China como exemplo porque ela assegura que o dinheiro seja produtivo. Aqui chamamos aplicação financeira de investimento. Mas até nos Estados Unidos existe essa diferença: o ‘productive investment’ [investimento produtivo] e o ‘speculative investment’ [investimento especulativo]. São duas coisas bem distintas.

    Folha – O capital especulativo ganhou espaço demais na sociedade?
    Ladislau Dowbor – Eu escrevi um artigo chamado ‘O dreno financeiro’. É o seguinte: a taxa Selic a 15% tira 10% do PIB em pagamento de juros, que vão para os grandes grupos da Faria Lima, para a BlackRock etc. Hoje o dinheiro é apenas uma informação no computador. Você dá ‘enter’ e transfere milhões, sem qualquer controle público sobre este processo. Outro dreno: o endividamento das famílias, que consome também 10% do PIB. Os juros de 25% ao ano pagos pelas pequenas e médias empresas (as grandes pegam dinheiro internacional a 3%), drenam mais 4% do PIB. A evasão fiscal (dinheiro que deveria entrar no país e não entra), mais 6%. Renúncias fiscais, mais 4% -sendo que essas renúncias podem ser até positivas, como tecnologias para a agricultura familiar, mas aqui costuma ser por amizade com políticos. A tudo isso você acrescenta o fato de que, no Brasil, desde 1995, lucros e dividendos são isentos de impostos. Eu pago 27%, mas os bilionários pagam 0%. Também a Lei Kandir isenta de impostos a produção para exportação de bens primários e semiprimários -os grandes frigoríficos, o agronegócio, a extração de minério, todos isentos de imposto. O ITR, Imposto Territorial Rural, também costuma não ser cobrado. Tudo somado representa um dreno financeiro da ordem de 30% do PIB. Todo esse dinheiro poderia ser investido em ferrovias, saneamento básico, saúde, educação etc.

    Folha – A falta de investimento em educação se reflete na falta de mão de obra qualificada
    Ladislau Dowbor – No Brasil, 21% têm curso superior. No Canadá, são 62%. É um desequilíbrio estrutural que demanda décadas, gerações para ser corrigido. Isso limita o investimento das empresas, o país deixa de gerar riquezas.

    'Selic em 15% faz bilionário ganhar R$ 400 mil por dia sem produzir nada', diz ex-consultor da ONU

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  • Sob ataque no caso Master, BC vive clima de desconfiança com investigação interna

    Sob ataque no caso Master, BC vive clima de desconfiança com investigação interna

    De acordo com relatos de funcionários do BC, ouvidos sob condição de anonimato, as informações sobre o tema estão restritas a um grupo de servidores, e essa opacidade gera questionamentos e incertezas sobre a conduta de funcionários do banco. A maior preocupação relatada é que o BC e o seu corpo técnico se transformem em bode expiatório em meio à troca de acusações no caso.

    NATHALIA GARCIA E ADRIANA FERNANDES
    BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O Banco Central vive um clima de desconfiança entre os servidores depois da abertura de uma investigação interna, a pedido do presidente Gabriel Galípolo, para apurar eventuais falhas no processo de supervisão e fiscalização do Banco Master.

    De acordo com relatos de funcionários do BC, ouvidos sob condição de anonimato, as informações sobre o tema estão restritas a um grupo de servidores, e essa opacidade gera questionamentos e incertezas sobre a conduta de funcionários do banco. A maior preocupação relatada é que o BC e o seu corpo técnico se transformem em bode expiatório em meio à troca de acusações no caso.

    O órgão regulador é conhecido pelo seu forte corporativismo e foi difícil até mesmo formar os membros da comissão de sindicância, de acordo com relatos obtidos pela reportagem.

    Com o avanço da investigação, o chefe do departamento de Supervisão Bancária, Belline Santana, e o chefe-adjunto da área, Paulo Souza, entregaram seus cargos de confiança. A saída foi oficializada na quinta-feira (29) no DOU (Diário Oficial da União).

    Para um servidor da autoridade monetária, não está claro se os colegas deixaram suas funções comissionadas para permitir um avanço mais imparcial das investigações pela corregedoria do BC ou se eles foram obrigados a deixar os cargos de confiança porque já foi identificada alguma falha pela sindicância.

    O risco de resistências do chamado “RH do BC” [recursos humanos] à abertura da sindicância entrou no radar de Galípolo ao pedir a investigação interna após a liquidação do banco Master.

    Mas não há até o momento um sentimento generalizado de apoio ou de repulsa ao escrutínio que está sendo conduzido a pedido do presidente do órgão. No quadro funcional, muitos estão desconfiados e tentando entender o que, de fato, aconteceu no escândalo envolvendo o Banco Master e seus desdobramentos.

    Servidores questionam, por outro lado, se o intuito do descomissionamento dos chefes do departamento de Supervisão Bancária tenha sido para preservar a investigação, uma vez que o atual diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, não se afastou.

    Outro interlocutor relata o sentimento de insegurança, sobretudo em departamentos envolvidos diretamente no caso Master. Na visão dele, o sigilo em torno dos motivos para abertura da investigação leva a crer que o objetivo final da sindicância é apontar culpados, e a falta de proteção legal é prejudicial para o trabalho da autarquia.

    Entre dirigentes do setor bancário, a leitura da decisão do presidente do BC foi a de que ele é o primeiro a ter interesse em identificar o que aconteceu para que não haja dúvidas sobre a condução técnica do caso. Outra percepção é que Galípolo não autorizaria essa sindicância se não tivesse seguro de que ela vai trazer resultados positivos para o BC, inclusive de aprendizado.

    Até o momento, não há acusações formais contra os dois servidores afastados do BC. De acordo com uma fonte a par dos procedimentos, a análise não é uma caça às bruxas. O plano é usar o episódio envolvendo o caso Master como uma autópsia para aperfeiçoar procedimentos e condutas se eventos semelhantes vierem a ocorrer no futuro.

    O processo está sendo conduzido sob sigilo pela corregedoria do BC. Ainda não há prazo para o término da investigação. Havia a expectativa de que um primeiro relatório fosse elaborado até o fim de fevereiro, mas a área tem total autonomia no caso, e a análise pode levar mais tempo em caso de desdobramentos e novas sindicâncias.

    Em nota, a ANBCB (Associação Nacional dos Auditores do Banco Central), que representa uma parcela dos servidores, disse seguir acompanhando com atenção as investigações em curso relacionadas ao caso Master e confiar no trabalho “técnico, colegiado e responsável” do BC.

    Segundo a entidade, os servidores atuam com base em processos “formais, documentados e colegiados”, especialmente em áreas sensíveis como fiscalização, supervisão e resolução de instituições financeiras.

    “Esses procedimentos incluem mecanismos permanentes de controle interno, rastreabilidade decisória, auditoria e prestação de contas, que amparam a correção técnica das decisões e permitem seu contínuo aperfeiçoamento institucional”, afirma.

    “Avaliações conclusivas e eventuais responsabilizações devem ocorrer nos foros competentes, com base em fatos apurados, provas documentadas e pleno respeito ao devido processo institucional”, acrescenta.

    Sob ataque no caso Master, BC vive clima de desconfiança com investigação interna

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  • Fevereiro terá bandeira verde na conta de luz, sem cobrança extra

    Fevereiro terá bandeira verde na conta de luz, sem cobrança extra

    Segundo a agência, as chuvas foram mais favoráveis nos últimos 15 dias de janeiro em relação ao início do mês, o que possibilitou uma recuperação do nível dos reservatórios das hidrelétricas

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) disse nesta sexta-feira (30) que vai aplicar a bandeira verde na conta de luz em fevereiro, segundo mês consecutivo nesse patamar. Com isso, o ano continua sem taxa extra no consumo de energia após meses de cobranças adicionais em 2025.

    Segundo a agência, as chuvas foram mais favoráveis nos últimos 15 dias de janeiro em relação ao início do mês, o que possibilitou uma recuperação do nível dos reservatórios das hidrelétricas

    “Dessa forma, não será necessário despachar as usinas termelétricas mais caras”, disse a Aneel, em comunicado.

    Antes de janeiro, a última vez em que a bandeira verde havia sido aplicada havia sido em abril de 2025. Desde então, as cores vinham oscilando entre amarela e vermelha (nos patamares 1 e 2). A chegada do período chuvoso, entre o fim do ano e o começo do seguinte, costuma dar alívio ao cenário.

    O sistema de bandeiras tarifárias na conta de luz, que permite repassar mensalmente aos consumidores os maiores custos do país com a geração de energia, completou dez anos de implementação em 2025.

    O mecanismo faz com que preços maiores para gerar energia, sobretudo pelo menor volume de água nas hidrelétricas, sejam transmitidos de forma mais imediata à famílias para que elas, informadas do maior custo, consumam de maneira mais consciente.

    ENTENDA MAIS SOBRE AS BANDEIRAS TARIFÁRIAS

    – Bandeira verde: condições favoráveis de geração de energia. A tarifa não sofre nenhum acréscimo
    – Bandeira amarela: condições de geração menos favoráveis. A tarifa sofre acréscimo de R$ 0,01885 para cada quilowatt-hora (kWh) consumidos
    – Bandeira vermelha – Patamar 1: condições mais custosas de geração. A tarifa sofre acréscimo de R$ 0,04463 para cada quilowatt-hora consumido
    – Bandeira vermelha – Patamar 2: condições ainda mais custosas de geração. A tarifa sofre acréscimo de R$ 0,07877 para cada quilowatt-hora consumido

    Fevereiro terá bandeira verde na conta de luz, sem cobrança extra

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  • Tesouro Nacional lança novo título público em março

    Tesouro Nacional lança novo título público em março

    Durante evento realizado na tarde desta sexta-feira na B3, na capital paulista, Ceron revelou que o investidor do Tesouro Reserva vai poder fazer aplicações a partir de R$ 1. O vencimento do papel será de 3 anos, mas o resgate pode ser feito a qualquer momento, sem descontos.

    Um novo título público será lançado em março pelo Tesouro Nacional. Chamado de Tesouro Reserva, o novo título será indexado à taxa básica de juros Selic e pretende atrair mais investidores ao Tesouro Direto, informou nesta sexta-feira (30) o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron.

    “O Tesouro Reserva vai entrar junto com a nova plataforma do Tesouro Direto, que vai rodar 24×7, ou seja, vai estar disponível 24 horas por dia, nos sete dias da semana, justamente para dar acesso principalmente para as camadas mais populares da população e que, durante o dia, não têm tempo ou condições de ter acesso a isso”, explicou.

    Durante evento realizado na tarde desta sexta-feira na B3, na capital paulista, Ceron revelou que o investidor do Tesouro Reserva vai poder fazer aplicações a partir de R$ 1. O vencimento do papel será de 3 anos, mas o resgate pode ser feito a qualquer momento, sem descontos.

     

    “Para começar bem, justamente para esse público que quer rentabilidade, mas também quer segurança, já que não quer colocar o seu dinheiro guardado em risco, estamos lançando o Tesouro Reserva. Ele é uma taxa flutuante, mas sem marcação do mercado. Ele não vai ter risco de ter uma flutuação no preço. O investidor vai poder resgatar no momento em que ele quiser, 24 horas por dia, sete dias por semana. Ele vai poder comprar ou vender [o título] e não terá oscilação de preço. Ele também vai poder aplicar a partir de R$ 1. São títulos de R$ 10, mas a partir de R$ 1 ele poderá fazer uma aplicação”, explicou.

    O título já está em funcionamento para um grupo restrito de clientes do Banco do Brasil, em fase de testes, mas a partir de março, adiantou o secretário, estará aberto para investidores em geral.

    Atualmente, o Tesouro Direto conta com pouco mais de 3 milhões de investidores ativos. Com o novo título, a intenção é ampliar esse número de investidores e também poder oferecer uma nova modalidade de investimento – mais simples e mais segura. 

    “Hoje, infelizmente, muitos brasileiros são induzidos a fazer uma aplicação, sem fazer uma escolha consciente. Dar a opção para o cidadão poder fazer a sua escolha é um ato de cidadania”, disse Ceron. 

    O secretário chamou a atenção para o momento em aplicações de ativos. “Estamos vendo o que está acontecendo nesse momento com problemas de aplicações em ativos que são de risco e, muitas vezes, as pessoas nem sabiam disso. É muito importante que as pessoas façam escolhas conscientes e que tomem suas decisões. As que querem segurança com rentabilidade ou as que querem tomar mais riscos, que façam isso de forma consciente”, disse.

    Tesouro Nacional lança novo título público em março

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  • Dólar fecha em forte alta e Bolsa recua após Trump indicar Kevin Warsh para o Fed

    Dólar fecha em forte alta e Bolsa recua após Trump indicar Kevin Warsh para o Fed

    Apesar da valorização acentuada nesta sessão, a moeda norte-americana acumulou queda de 4,4% desde 30 de dezembro, quando fechou em R$ 5,487. Na quinta-feira (29), chegou à cotação de R$ 5,194, menor valor em quase dois anos.

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar teve forte alta de 0,99% nesta sexta-feira (30) e encerrou o mês cotado a R$ 5,246, em dia marcado pela indicação de Kevin Warsh para presidência do Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos).

    Apesar da valorização acentuada nesta sessão, a moeda norte-americana acumulou queda de 4,4% desde 30 de dezembro, quando fechou em R$ 5,487. Na quinta-feira (29), chegou à cotação de R$ 5,194, menor valor em quase dois anos.

    O movimento foi reflexo da entrada de investidores estrangeiros no país, um fluxo de capital que catapultou o Ibovespa de 161.125 pontos para 184.691 pontos, último recorde da Bolsa brasileira registrado na quarta-feira.

    O índice, no entanto, fechou em queda firme de 1,1% neste pregão, a 181.106 pontos, segundo dados preliminares. A Bolsa brasileira acumulou alta de 13% ao longo de janeiro, no que foi o melhor desempenho mensal desde a pandemia de coronavírus.

    O anúncio da indicação de Kevin Warsh para o Fed foi feito através das redes sociais do presidente Donald Trump nesta manhã.

    ‘Conheço Kevin há muito tempo e não tenho dúvida de que ele entrará para a história como um dos GRANDES presidentes do Fed, talvez o melhor. Além de tudo, ele é ‘central casting’ e nunca vai decepcionar”, escreveu.

    As declarações dialogam com os ataques recorrentes de Trump a Powell, indicado pelo republicano em seu primeiro mandato, em 2017, e reconduzido ao cargo pelo democrata Joe Biden, em 2021. Desde o início do segundo mandato de Trump, Powell tem sido alvo de críticas por resistir às pressões da Casa Branca por cortes mais agressivos na taxa de juros.

    Para Trump, a taxa norte-americana deveria ser reduzida para 1,5%. Os Fed Funds foram mantidos na banda de 3,5% e 3,75% na quarta-feira (28), uma pausa no ciclo de cortes de juros então em curso desde setembro do ano passado.

    “Deveríamos ter uma taxa substancialmente mais baixa agora que até esse idiota admite que a inflação não é mais um problema ou uma ameaça”, escreveu o presidente no Truth Social na quinta-feira. “Ele está custando à América centenas de bilhões de dólares por ano em despesas com juros totalmente desnecessárias e sem justificativa.”

    A indicação de Warsh para o cargo precisa ser confirmada pelo Senado até 15 de maio, data que marca o fim do mandato de Powell.
    Operadores temiam tentativas de interferência política nas decisões do Fed, um banco central independente, através da escolha do novo presidente. Pela manhã, a percepção era de que Warsh era um “nome com credibilidade” e que, apesar de defender juros baixos, “teria uma postura ‘hawkish’ [agressiva no combate à inflação]”, segundo análise inicial de Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad.

    Essa visão diminuiu “o risco de captura política total do banco central” e deu espaço para que as curvas de juros futuros dos Estados Unidos se acomodassem.

    Mas, ao longo da tarde, declarações de membros da Casa Branca sobre o indicado ao cargo mudaram a leitura do mercado. “Acabaram sendo interpretadas como um sinal de que Warsh deverá ter uma postura mais sensível ao crescimento econômico e menos inclinada à manutenção de juros elevados por tempo prolongado”, diz Gabriel Cecco, especialista da Valor Investimentos.
    “Isso não quer dizer que o Fed vai cortar as taxas de juros imediatamente, mas a análise é que de o Fed poderá ser menos duro do que o mercado tinha antes precificado.”

    Trump afirmou nesta tarde que confia que Warsh está inclinado a diminuir os juros. Kevin Hassett, assessor econômico da Casa Branca e um dos nomes então cotados para o Fed, disse que o banco central cometeu um erro ao não reduzir os juros nesta semana e pediu pela rápida aprovação de Warsh para o cargo.

    Já o líder democrata no Senado, Chuck Schumer, disse que os republicanos não deveriam aprovar a indicação se as ações criminais contra Powell não forem retiradas. “Se Donald Trump não desistir de sua vendeta contra o Fed, usando o Departamento de Justiça como arma para perseguir Powell e [Lisa] Cook, os republicanos não deveriam aprovar a indicação do sr. Warsh”, afirmou.

    As declarações mexeram com as curvas de juros, um dos mercados mais sensíveis globalmente.

    “Quando investidores passam a acreditar que o próximo presidente do Fed pode tolerar cortes mais cedo, ou reagir de forma menos agressiva à inflação, o rendimento das treasuries [títulos do Tesouro dos EUA] tendem a ceder, o que, no futuro, pode enfraquecer o dólar e favorecer mercados emergentes. Mas é uma mudança em camadas”, diz Cecco.

    “Ao mesmo tempo, cresce a preocupação com a independêcia do Fed. Se a política monetária parecer influenciada pela Casa Branca, o prêmio de risco estrutural tende a subir. A leitura fica mais suave para juros no curto e médio prazo, mas quem manda no longo prazo é o debate sobre a credibilidade institucional do Fed.”

    Após o anúncio, o dólar se valorizava globalmente. O índice DXY, que mede o desempenho da divisa em relação a seis moedas fortes, subia 0,8%, a 96,97 pontos.

    No mercado local, a definição da Ptax de fim de mês adicionou volatilidade ao câmbio. Calculada pelo Banco Central com base nas cotações do mercado à vista, a Ptax serve de referência para a liquidação de contratos futuros.

    No fim de cada mês, agentes financeiros tentam direcioná-la a níveis mais convenientes às suas posições, sejam elas compradas (no sentido de alta das cotações) ou vendidas em dólar (no sentido de baixa).

    Dólar fecha em forte alta e Bolsa recua após Trump indicar Kevin Warsh para o Fed

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  • Justiça bloqueia R$ 150 milhões da Fictor e fala em risco de insolvência

    Justiça bloqueia R$ 150 milhões da Fictor e fala em risco de insolvência

    O magistrado reconheceu o pedido que indicava risco de insolvência por parte da Fictor nos desdobramentos da liquidação do Banco Master.

    DIEGO FELIX
    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O TJSP (Tribunal de Justiça de São Paulo) determinou nesta semana o bloqueio cautelar de contas da holding financeira Fictor e ordenou a recomposição de R$ 150 milhões retirados de uma conta de garantia utilizada por uma empresa de pagamentos que é sua cliente. O magistrado reconheceu o pedido que indicava risco de insolvência por parte da Fictor nos desdobramentos da liquidação do Banco Master.

    Segundo o processo, que está sob segredo de Justiça, a Fictor fornece cartões de crédito com bandeira Amex a uma processadora de dados que realiza a intermediação dos pagamentos. Pelo contrato, a Fictor é obrigada a manter R$ 150 milhões em uma conta de garantia como forma de evitar riscos de inadimplência.

    Neste tipo de operação, a Fictorpay, um braço do grupo Fictor voltado ao mercado de pagamentos, oferta cartões de crédito empresariais e fica responsável pela relação direta com os usuários, como a análise de perfil, definição de limites de gastos e recebimento das faturas, por exemplo.

    A empresa que processou a Fictor, mantida em sigilo no processo, é responsável pela administração de dados de cartões e permite que as transações sejam processadas junto à bandeira Amex, viabilizando a parte operacional do arranjo financeiro. Segundo o despacho, trata-se de uma empresa que lidera o setor de tecnologia bancária.

    No caso de cartões empresariais com grandes movimentações, existe uma diferença de tempo entre o pagamento aos estabelecimentos comerciais e o posterior reembolso pelo portador do cartão. Neste intervalo, o colchão de segurança serve para evitar, entre outras situações, problemas como atraso nas faturas, fraudes e lavagem de dinheiro.

    A empresa remonta um cenário iniciado em 19 de dezembro, quando houve atraso por parte da Fictor na cobertura dessa conta de segurança. Até aquele momento ainda havia a chance de regularizar a pendência.

    Três dias depois, a Fictor ainda não havia reposicionado o dinheiro e houve quebra de contrato. O prejuízo calculado até a data em que o processo foi enviado à Justiça paulista era de R$ 34 milhões.
    Procurada, a Fictor não quis comentar o caso.

    A Fictor faz parte de um conglomerado que possui negócios em setores como alimentos, gestão de recursos, pagamentos, energia e imóveis. O grupo diz que tem cerca de 30 empreendimentos que somam mais de US$ 1 bilhão (R$ 5,2 bilhões).

    A empresa diz que a movimentação da Fictor acendeu alerta interno principalmente após os escândalos do Banco Master, que chegou a anunciar que seria comprado pela Fictor. A operação acabou barrada pelo Banco Central. Atualmente, Master e o resto de seu conglomerado financeiro, como o Will Bank e o Letsbank, estão em processo de liquidação.

    Para a operadora de meios de pagamento, a Fictor pode ter sido prejudicada no processo de compra do Master ao ter adquirido ações do banco antes da conclusão do negócio, o que causaria problemas de liquidez na holding. À época da negociação com o banco de Daniel Vorcaro, a Fictor injetaria mais de R$ 3 bilhões na operação.

    “Com a intervenção do Banco Central determinando a liquidação extrajudicial do Banco Master, diante de sua insolvência irrecuperável, e, tendo em vista que o Grupo Fictor poderia ter adquirido ações do Banco, poderá gerar sua insolvência e provavelmente o descumprimento de sua obrigação financeira junto à empresa agravante”, afirma no despacho a juíza Maria Lúcia Pizzotti.

    Com a decisão, a Justiça bloqueou cautelarmente R$ 150 milhões das contas da Fictor até que o caso seja julgado definitivamente e determinou que, caso as contas da Fictor não cubram o valor, a companhia complete o restante sob multa de R$ 5 milhões por dia de atraso.

    MOMENTO ATÍPICO

    Há pouco mais de duas semanas, a Fictor divulgou nota oficial em que nega passar por um quadro de insolvência. A movimentação da companhia ocorreu após relatos de investidores sobre atrasos em resgates e dividendos.

    Segundo a companhia, os pagamentos serão regularizados até o dia 12 de fevereiro. A empresa afirma que passa por um momento “atípico” e que ficou um pouco mais exposta após a tentativa de compra do Master.

    Esse cenário teria resultado em um “desafio temporário de liquidez e de timing operacional”, agravado por ajustes em relações com fornecedores estratégicos, mas que não decorre de problemas estruturais, como uma situação de insolvência, por exemplo.

    Justiça bloqueia R$ 150 milhões da Fictor e fala em risco de insolvência

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  • Desemprego atinge 5,1% no trimestre até dezembro e 5,6% na média de 2025, menores taxas da série

    Desemprego atinge 5,1% no trimestre até dezembro e 5,6% na média de 2025, menores taxas da série

    Tanto a taxa trimestral até dezembro quanto a média anual de 2025 renovaram os menores patamares da série histórica iniciada em 2012, apontam os dados divulgados nesta sexta (30) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

    LEONARDO VIECELI
    RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – A taxa de desemprego do Brasil recuou a 5,1% no trimestre até dezembro de 2025, após marcar 5,6% nos três meses encerrados em setembro, que servem de base de comparação. Com o novo resultado, o indicador fechou a média do ano em 5,6%, 1 ponto percentual abaixo de 2024 (6,6%).

    Tanto a taxa trimestral até dezembro quanto a média anual de 2025 renovaram os menores patamares da série histórica iniciada em 2012, apontam os dados divulgados nesta sexta (30) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
    Os resultados ocorrem apesar dos juros altos, que tendem a esfriar a economia para conter a inflação.

    O efeito do aperto monetário, porém, não é “uniforme” entre as atividades, disse a coordenadora de pesquisas por amostra de domicílios do IBGE, Adriana Beringuy.

    Na avaliação da técnica, o impacto dos juros vem sendo amortecido por questões como o aumento da renda, que beneficia o consumo e, consequentemente, o mercado de trabalho.

    Na média anual, a taxa de desemprego ficou abaixo de 6% pela primeira vez. A máxima da série foi de 14% em 2021, sob influência da pandemia.

    O índice do trimestre até dezembro (5,1%), que fornece um olhar mais recente, veio em linha com as projeções do mercado financeiro, cuja mediana também era de 5,1%, conforme a agência Bloomberg.

    Os dados do IBGE integram a Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), que investiga tanto o trabalho formal quanto o informal -com ou sem carteira assinada e CNPJ. As estatísticas abrangem a população de 14 anos ou mais.

    No trimestre até dezembro, o número de desempregados recuou a 5,5 milhões, o menor da série. Baixou 9% ante os três meses até setembro (menos 542 mil pessoas).

    Já o número de ocupados com algum trabalho alcançou quase 103 milhões. Houve alta de 0,6% frente ao período até setembro (mais 565 mil).

    O contingente mais recente é o segundo maior da série histórica. Está bem próximo do recorde registrado no trimestre móvel até novembro (103,02 milhões), mas analistas veem sinais de desaceleração no ritmo de abertura de vagas.

    Em relação a igual período do ano anterior, a população ocupada aumentou 1,1% no trimestre até dezembro. É um avanço menor do que o observado nos intervalos anteriores nesse mesmo tipo de comparação (1,4% até setembro, 2,4% até junho e 2,3% até janeiro).
    “O mercado de trabalho tem mostrado desaceleração alinhada ao pouso suave esperado para a economia”, diz Bruno Imaizumi, economista da consultoria 4intelligence.

    “Vai crescer de maneira mais comedida e mais alinhada com a variação do PIB”, acrescenta ele, que chama a atenção para os ganhos de renda dos trabalhadores.

    No trimestre até dezembro, o rendimento médio do trabalho alcançou R$ 3.613 por mês, conforme o IBGE.

    É o maior valor da série histórica em termos reais -com ajuste pela inflação. Houve altas de 2,4% frente ao trimestre até setembro (R$ 3.527) e de 5% ante o intervalo até dezembro de 2024 (R$ 3.440).
    Para a gestora Kínitro Capital, a Pnad mostra um mercado de trabalho ainda aquecido, com “forte alta dos rendimentos”, apesar de os últimos resultados indicarem sinais de desaceleração na criação de vagas.

    A instituição diz que o reajuste do salário mínimo em 2026 deve gerar novo incremento na renda.

    COMÉRCIO LIDERA ABERTURA DE VAGAS

    O número de ocupados no grupamento de atividades que inclui o comércio teve aumento de 299 mil no trimestre até dezembro, em relação ao intervalo finalizado em setembro. Foi a maior alta em termos absolutos.

    Houve impacto da demanda sazonal por mão de obra a partir de eventos como a Black Friday, conforme Adriana Beringuy, do IBGE.
    O segundo maior aumento (mais 282 mil ocupados) ocorreu no grupamento de administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais.

    “Após queda de ocupação registrada no 3º trimestre [até setembro], o comércio apresentou recuperação no fim do ano, expandindo seu contingente de trabalhadores em diversos segmentos, com destaque para o comércio de vestuário e calçados”, disse Adriana.

    O QUE EXPLICA O DESEMPREGO BAIXO?

    A técnica do IBGE associou o desemprego baixo a uma economia que cresceu nos últimos anos com estímulos ao consumo das famílias. Nesse sentido, ela destacou o avanço da renda a partir de medidas como o aumento do salário mínimo.

    Outra questão que analistas costumam citar para explicar o desemprego baixo é a mudança demográfica em curso no país.
    Com o envelhecimento da população, a tendência é de que uma parcela dos brasileiros saia do mercado e deixe de procurar ocupação.

    Isso reduz a pressão sobre a taxa de desemprego porque uma pessoa sem trabalho também precisa estar em busca de oportunidades para ser considerada desocupada. Não basta só não trabalhar.

    A população fora da força de trabalho, ou seja, que não estava ocupada nem desempregada, chegou a 66,2 milhões no trimestre até dezembro.

    Houve acréscimo de 0,5% ante o período até setembro (mais 313 mil). O IBGE considera a variação dentro da margem de estabilidade estatística.

    Já na comparação com o trimestre encerrado um ano antes, em dezembro de 2024, a população fora da força cresceu 2,1% (mais 1,3 milhão).

    De acordo com Adriana Beringuy, o aumento tem um componente demográfico “bem importante”, mas não se resume a isso.

    Ela afirmou que jovens também podem ter saído da força para se dedicar aos estudos graças à melhora da renda domiciliar.

    O mercado de trabalho ainda é influenciado pela geração de vagas ligadas à tecnologia. Estudo recente do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas) estimou que atividades realizadas por meio de aplicativos reduziam o desemprego em 1 ponto percentual.

    Conforme o IBGE, o número de trabalhadores por conta própria renovou o recorde da série no trimestre até dezembro (26,1 milhões), assim como o de empregados com carteira assinada no setor privado (39,4 milhões).

    O nível da ocupação, que mede o percentual de ocupados na população de 14 anos ou mais, foi de 58,9% nos últimos três meses. Só fica abaixo do encontrado no trimestre até novembro (59%).

    A taxa de informalidade, por sua vez, foi de 37,6% até dezembro. Trata-se da fatia de informais na população ocupada.

    Percentuais de informalidade abaixo de 37,6% só foram encontrados durante o ano de 2020. À época, as restrições da pandemia expulsaram do mercado profissionais sem carteira ou CNPJ.
    “Acreditamos que a taxa de desemprego seguirá em níveis baixos para os padrões históricos ao longo de 2026, sustentada por um crescimento do PIB próximo ao que entendemos como potencial [sem pressão na inflação]”, disse Heliezer Jacob, economista do C6 Bank.
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    TIRE SUAS DÚVIDAS SOBRE O DESEMPREGO

     que é o desemprego?
    O desemprego se refere às pessoas de 14 anos ou mais que não estão trabalhando, mas que estão disponíveis e tentam encontrar trabalho.
    Para alguém ser considerado desempregado, não basta não possuir um emprego. É preciso que essa pessoa também procure oportunidades.

    Como funciona a Pnad Contínua?
    É o principal instrumento para monitorar a força de trabalho do país. Conforme o IBGE, sua amostra corresponde a 211 mil domicílios, em todos os estados e no DF, que são visitados a cada trimestre. Cerca de 2.000 entrevistadores trabalham na coleta da pesquisa.

    Como é medida a taxa de desemprego?
    É a porcentagem das pessoas na força de trabalho que estão desempregadas.
    A força de trabalho é composta pelos desempregados e pelos ocupados. Os ocupados, por sua vez, são aqueles que estão trabalhando de modo formal ou informal -ou seja, com ou sem carteira assinada ou CNPJ.

    O que explica o desemprego baixo?
    Ele se explica principalmente por um mercado de trabalho aquecido, reflexo da atividade econômica no país. Mudanças demográficas e tecnológicas também contribuem para uma taxa baixa, segundo analistas.

    Que efeito o desemprego baixo pode ter na economia?
    Com mais pessoas trabalhando, o consumo tende a crescer, já que a população tem mais renda disponível. Por outro lado, isso pode pressionar a inflação, já que eleva a demanda por bens e serviços.
    Em meio a esse cenário, o BC (Banco Central) levou a taxa básica de juros para 15% ao ano. A medida busca esfriar o consumo e conter o aumento dos preços.

    Desemprego atinge 5,1% no trimestre até dezembro e 5,6% na média de 2025, menores taxas da série

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