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  • Autoridade Portuária projeta novo recorde em Santos em 2025

    Autoridade Portuária projeta novo recorde em Santos em 2025

    O volume representará também um crescimento de 2,8% em relação a 2024, quando transitaram pelo porto 179,8 milhões de toneladas. A avaliação é que o número de navios atracados tenha sido, em 2025, superior aos 5.557 do ano anterior.

    ALEX SABINO
    SANTOS, SP (FOLHAPRESS) – A APS (Autoridade Portuária de Santos) estima que o porto de Santos bateu recorde de movimentação pelo nono ano consecutivo, com 185 milhões de toneladas movimentadas em 2025, de acordo com cálculos preliminares. Se confirmada, será a maior marca da história do principal complexo portuário da América Latina.

    O volume representará também um crescimento de 2,8% em relação a 2024, quando transitaram pelo porto 179,8 milhões de toneladas. A avaliação é que o número de navios atracados tenha sido, em 2025, superior aos 5.557 do ano anterior.

    A última vez que o porto de Santos viu um decréscimo no volume foi em 2016, quando recuou de 119,9 milhões para 113,8 milhões de toneladas.

    Nos últimos cinco anos, o crescimento acumulado foi de 7%, afirma a APS.

    Os recordes se repetem apesar das críticas de empresários do setor quanto a problemas de infraestrutura, vias de acesso deficientes, demora para atracação e a necessidade de aumentar a profundidade do canal.

    São avaliações que o presidente da Autoridade, Anderson Pomini, considera pontuais e que não refletiriam a visão geral do porto.

    “É algo exclusivamente setorial. Quem pesquisar todas as cargas, não terá esse sentimento. A reclamação de algumas empresas acontece porque o próprio mercado seleciona qual carga proporciona o maior retorno econômico”, diz ele. O raciocínio é que as movimentações de menor valor agregado não encontram a mesma prioridade nos terminais.

    Segundo Pomini, Santos uma estrutura diferente dos demais complexos portuários mais importantes do mundo por ser é multipropósito. Ou seja, não recebe apenas contêineres ou as chamadas “cargas soltas”. O porto transporta e armazena tudo.
    Ainda de acordo com a APS, em 2025 foram investidos R$ 2 bilhões em obras na região. A previsão é de mais R$ 9 bilhões entre 2026 e 2028.

    INVESTIMENTOS

    Em documento apresentado no final do ano passado, a APS listou os investimentos que devem ser realizados entre o final de 2026 e 2028. Entre eles, estão obras no acesso à margem direita do porto, dois novos viadutos, construção da avenida perimetral, na margem esquerda (Guarujá), incentivos para a descarbonização do setor, aprofundamento do canal para 16 metros, e leilão de novo terminal de granéis.

    Apesar de não ser uma obra portuária, o túnel entre Santos e Guarujá vai ligar as duas margens do porto.

    Há também planos, como publicado para a Folha, de fazer a concessão da usina de Itatinga para a produção de hidrogênio verde pela iniciativa privada.

    “Nosso desafio é comprovar que um porto público pode ter a eficiência que o mercado tem”, afirma Pomini.

    Considerado a joia da coroa das concessões, o Tecon 10, o megaterminal no bairro do Saboó, em Santos, será leiloado em breve. Após a modelagem recomendada pelo TCU (Tribunal de Contas da União), o governo federal espera realizar o certame em março deste ano.

    O novo terminal deve entrar em operação em 2027. Quando atingir a capacidade máxima, em 2034, a previsão é que movimente 50% da da carga total do porto. Os planos iniciais para esta nova estrutura foram realizados em 2013.

    A estimativa da entidade é que com a entrada em operação do megaterminal, o porto fique entre os 20 maiores do planeta na “Lloyd’s list”, uma das publicações portuárias mais antigas do mundo, lançada em 1734, e que analisa dados marítimos e portuários.

    No ano passado, Santos subiu da 43ª para a 37ª posição. É a única estrutura portuária brasileira entre as 100 primeiras.

    Autoridade Portuária projeta novo recorde em Santos em 2025

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  • Mulheres lideram a produção de 1,5 milhão de peças de lingerie por mês em Juruaia (MG)

    Mulheres lideram a produção de 1,5 milhão de peças de lingerie por mês em Juruaia (MG)

    O polo de Juruaia é predominantemente administrado por mulheres, responsáveis por 95% dos negócios, que geram cerca de 5.000 empregos e vendem mais de 1,5 milhão de peças mensais.

    MARCELO TOLEDO
    JURUAIA, MG (FOLHAPRESS) – Logo na entrada da zona urbana o visitante já se depara com um pórtico “avisando” que a pacata Juruaia (MG) é uma cidade diferente de outras do mesmo porte: a frase “a capital da lingerie” não está ali à toa, e define muito o perfil da economia local.

    Incrustado numa região de forte produção cafeeira, o município de 11.652 habitantes, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), se destacou também nas últimas três décadas por ver surgir um movimento inicialmente tímido na produção de lingerie, mas que hoje abriga mais de 200 confecções de peças como calcinhas, sutiãs, cuecas e pijamas, o que é perceptível em todas as ruas da região central da cidade.

    O polo de Juruaia é predominantemente administrado por mulheres, responsáveis por 95% dos negócios, que geram cerca de 5.000 empregos e vendem mais de 1,5 milhão de peças mensais.
    O polo local, segundo a prefeitura, começou a ser formado em 1992, quando duas empresas iniciaram a produção de lingerie no município. Elas fecharam em menos de dois anos, segundo a Aciju (Associação Comercial e Industrial de Juruaia), mas inspiraram o surgimento de outras a partir de ex-funcionárias delas.

    A empresária Tânia Mara Rezende, 45, é um exemplo. Há 20 anos, resolveu empreender e investiu na montagem da sua primeira confecção, Íntima Passion, num momento em que as ainda poucas empresas locais já tinham se unido num APL (Arranjo Produtivo Local).

    Segundo ela, para a economia local hoje a lingerie é mais importante economicamente que o café por gerar mais empregos e também por atrair mão de obra de municípios vizinhos, como Muzambinho, Guaxupé e Guaranésia.

    “E a mão de obra feminina não quer trabalhar no café, então a opção é trabalhar nas indústrias da cidade. Uma das preocupações é manter essa visibilidade, a economia da cidade aquecida. Como hoje ela gera emprego e distribuição de renda, é crucial. Em muitas casas a mulher, o marido e a filha atuam numa empresa pequena que presta serviço para outras”, disse ela, que antes de abrir seu negócio trabalhou em outras confecções como costureira, modelista e estilista.

    Ex-presidente por dez anos da Aciju, Tânia está à frente de um negócio que produz cerca de 30 mil peças mensais, e emprega 150 pessoas, 52 delas diretamente. Cenário bem diferente do início, quando ela, sua mãe e uma amiga iniciaram na atividade fabricando em média 150 peças diárias.

    “Os terceirizados não estão todos em Juruaia, temos até em São Sebastião do Paraíso, distante 100 quilômetros daqui, porque aqui a mão de obra está muito disputada.”

    Se depender da empresária, as mulheres seguirão no comando da maioria dos negócios, já que suas filhas Vitória e Lara cuidam do marketing e da produção da sua fábrica.

    Com produção na casa de 22 milhões de unidades anuais, o PIB (Produto Interno Bruto) local tem crescido cerca de 30% ao ano, conforme dados da administração municipal. No país, outros polos importantes estão instalados em Fortaleza e Nova Friburgo.

    Uma das exceções ao universo feminino local é o empresário Val Allans, 32, filho de uma família de Monte Belo (distante 40 quilômetros) que trabalhava nas lavouras de café. No começo do século, sua família se mudou para Juruaia em busca de oportunidades e, aos dez anos, disse ter ficado deslumbrado ao ver um desfile de lingerie.

    Chegou a trabalhar na colheita de café, mas ao terminar a safra viu que não havia o que fazer nos outros meses do ano e decidiu que não era o que queria para a sua vida. Iniciou a atuação em fábricas e hoje tem duas empresas sob sua gestão, a loja Pano Fashion e uma confecção, além de atuar como consultor.

    NICHOS EM ASCENSÃO

    Entre os segmentos, ele aponta o crescimento do homewear (roupa para usar em casa), que teve forte demanda na pandemia. “É uma roupa de trabalho, mas também uma roupa mais confortável, que dá para usar em casa, sair para ir ao supermercado. E também tem crescido a venda de moda fitness. Juruaia é uma cidade muito antenada com os movimentos de mercado e do consumidor”, disse Allans.

    O grande foco da cidade do sul de Minas é a produção de calcinhas e sutiãs, com cerca de 70% do total, mas também há empresas ligadas às modas praia, fitness e sleepwear, que rendem um faturamento bruto mensal superior a R$ 15 milhões, segundo dados da Aciju.

    Os empregados com registro em carteira vinculados ao setor de confecção de artigos de vestuário e acessórios representam 53,8% do total municipal, seguido por 17,1% que atuam no comércio varejista.

    No centro do município, há mais de 120 lojas espalhadas e visitadas diariamente por compradores mineiros e também de outros estados, principalmente São Paulo.

    Uma delas é a Lindelucy Lingerie, que numa feira realizada na cidade apresentou um conjunto avaliado em R$ 25 mil, com ouro e turmalina.

    Com tanta concorrência com as empresas locais e, também, nacionais, a criatividade tem movido os empresários ligados à confecção e também o polo mineiro, com o desenvolvimento de criações inspiradas em signos do zodíaco, cueca com GPS, peças em couro e até mesmo um sutiã com diamante.

    A CEO da Lindelucy, Eduarda Iório, 27, disse que o uso de pedras preciosas é um serviço de nicho oferecido e que a empresa já vendeu uma cueca por R$ 7.000. Afirmou ainda que as mulheres se destacam mais porque atuam em uma função mais delicada, que exige sensibilidade.

    Allans concorda, e diz que desde pequeno teve uma ligação muito forte com o público feminino e que sua mãe é a figura que o inspira. “A gente teve uma infância de dificuldades, minha mãe não reclamava, só orava, agradecia, sempre muito otimista. Minhas irmãs também são mulheres fortes, herdaram isso e são inspiração para mim. Como eu tive toda essa base, era meio que natural que florescesse em mim alguma coisa para, de certa forma, devolver esse carinho pro público feminino”, disse.

    Em abril, a 28ª edição da feira de lingerie da cidade movimentou R$ 9,5 milhões em negócios do setor de confecções, dos quais mais de R$ 3 milhões em negociações presenciais e contou com 4.100 lojistas e representantes comerciais. No total, 200 grandes clientes estavam registrados para as negociações.

    Parte da produção local é exportada para países como Estados Unidos, Portugal, Argentina, Emirados Árabes Unidos e Alemanha.
    Leonardo Mól, gerente do Sebrae Minas na regional centro-oeste e sudoeste, disse que a pandemia contribuiu para mudar o perfil do grande comprador na cidade mineira, que hoje faz os negócios principalmente por meio de feiras digitais.

    “Você vai para dentro de uma loja hoje e, se tem 10 vendedores, 8 estão fazendo vendas online e 2 estão nas presenciais. Isso foi um ponto de virada extremamente importante”, disse.

    Segundo ele, Juruaia já tem um polo consolidado em relação à qualidade das mercadorias e fazer compras remotamente não foi um problema para os compradores, que ganharam agilidade e redução nos custos.

    LEVAR O POLO PARA O PAÍS

    Tal cenário fez a cidade criar um monumento com o maior sutiã do Brasil, uma peça com 16m de comprimento e 5m de altura, que virou um símbolo do município e local de parada para fotos. O sucesso fez com que, em 2023, outro monumento, a maior calcinha, fosse instalado numa outra praça.

    Para 2026, o polo definiu duas frentes de trabalho consideradas estratégicas para ganhar mercado, uma voltada ao varejo local e outra às confecções.

    O plano prevê criar uma rodada de negócios itinerante para levar empresas para outras regiões de Minas Gerais, começando por Uberlândia, no Triângulo Mineiro, segundo município mais populoso do estado, com 761.835 habitantes.

    Em seguida, conta o gerente do Sebrae, os destinos serão o interior paulista, o Nordeste e o Distrito Federal. “A gente fará a rodada, apresentará os produtos e tudo mais para gerar credibilidade naquele mercado para, depois, dar sustentação de forma digital.”

    O planejamento ainda inclui consultorias sobre reforma tributária, como se posicionar no mercado e ações para automatizar o atendimento das fábricas por meio de whatsapp e como obter melhores resultados em lives em plataformas como TikTok Shop.

    Mulheres lideram a produção de 1,5 milhão de peças de lingerie por mês em Juruaia (MG)

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  • Galípolo conquista Faria Lima, mas vê BC no epicentro de crises em 1º ano no comando

    Galípolo conquista Faria Lima, mas vê BC no epicentro de crises em 1º ano no comando

    Presidente da autoridade monetária enfrenta pressão no caso Master e lida com ataques cibernéticos; na condução dos juros, Galípolo afasta desconfiança ao adotar postura conservadora

    BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Ao declarar ter “antipatia” e “resistência” a mudanças no IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) um dia depois de o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ter anunciado a medida e recuado em parte dela, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, escancarou publicamente pela primeira vez um desalinhamento entre eles.

    A alta do IOF foi recebida como uma bomba pelos investidores, que temiam uma saída acelerada de recursos do país e interpretaram a medida do governo como tentativa de controle de capital. A repercussão negativa atingiu Galípolo instantaneamente e, ao atuar para contornar o estrago, sobraram cobranças dos dois lados nos bastidores.

    Três economistas, que pediram para não serem identificados, apontaram à reportagem esse episódio como um marco na caminhada do chefe do BC para conquistar a confiança do mercado e ganhar credibilidade em seu primeiro ano no comando.

    Na visão de um deles, Galípolo é hoje muito mais popular na Faria Lima do que Haddad. Isso porque, enquanto o ministro da Fazenda esgota seu capital político, o presidente do BC dá mostras de que bancará decisões que possam contrariar os anseios do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou de integrantes do seu governo.

    BANCO MASTER

    O respaldo da Faria Lima fortalece Galípolo no episódio de maior tensão desde que ele assumiu a presidência do BC: a crise do banco Master. No último dia 27, associações de bancos e de fintechs se uniram em defesa da autoridade monetária.

    “A presença de um regulador técnico e, sobretudo, independente do ponto de vista institucional e operacional, é um dos pilares mais importantes na construção de um sistema financeiro sólido e resiliente. As entidades signatárias reconhecem que o Banco Central do Brasil vem exercendo esse papel”, afirmaram.

    A nota conjunta é assinada por ABBC (Associação Brasileira de Bancos), Acrefi (Associação Nacional das Instituições de Crédito), Febraban (Federação Brasileira de Bancos) e Zetta (associação que representa empresas do setor financeiro e de pagamentos), num raro alinhamento de entidades de diferentes perfis do mercado financeiro.

    O apoio chegou em um momento em que Galípolo se colocava em rota de colisão com o STF (Supremo Tribunal Federal). Nos bastidores, a cúpula do BC diz se ver sob ataque desde que a liquidação do Master foi decretada, em novembro.

    Ainda que o ministro Dias Toffoli negue que o BC tenha sido colocado em condição de investigado, a atuação do regulador entra na mira do STF ao impor que Daniel Vorcaro, dono do Master, Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB (Banco de Brasília), e Ailton de Aquino, diretor de Fiscalização do BC, fossem igualmente interrogados sobre o caso.

    Toffoli acabou recuando, posteriormente, sobre a participação de Aquino na acareação realizada assim que foram concluídos os depoimentos. A Polícia Federal e o juiz auxiliar que atua no gabinete do magistrado avaliaram que a presença do diretor do BC não seria necessária.

    A movimentação de Toffoli sugere que o ministro viu como prematura a decisão do BC de liquidar o banco, mas, na opinião de muitos investidores e banqueiros, o BC, na verdade, teria demorado demais a agir para parar Vorcaro.
    Em meio ao caso Master, Galípolo teve reuniões com o ministro Alexandre de Moraes. O escritório da família de Moraes tem um contrato com o banco de Vorcaro.

    Os encontros que o ministro do STF admitiu ter com Galípolo não foram incluídos na agenda pública do presidente do BC, e a nota divulgada pela autoridade monetária pouco convenceu. Ela diz apenas que o BC “confirma” que manteve reuniões com Moraes para “tratar dos efeitos da aplicação da Lei Magnitsky”, sanção imposta pelos Estados Unidos ao magistrado. O comunicado, porém, não negou que o assunto Master tenha vindo à tona.

    Na reta final da análise da operação de compra do Master pelo BRB, que acabou rejeitada pelo BC, Galípolo também se viu na mira do Congresso Nacional. Vorcaro construiu conexões poderosas em Brasília, tendo relação próxima com políticos do centrão, principalmente o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI).

    PP e outros partidos do centrão desencadearam uma ofensiva na Câmara dos Deputados para aprovar um projeto de lei que daria poderes ao Congresso para demitir integrantes da cúpula do BC. A medida acabou travada e sem perspectiva de avanço à medida que as investigações contra o Master progrediram.

    Em novembro, após a liquidação do banco pelo BC e a prisão de Vorcaro, a PF informou que o Master havia repassado ao BRB R$ 12 bilhões em uma carteira de crédito inexistente.

    ATAQUES CIBERNÉTICOS

    A crise do Master transcorreu em paralelo a movimentos que suscitaram questionamentos com relação à segurança do sistema financeiro. Em meados do ano, foi registrado o maior ataque cibernético da história do país, com mais de R$ 800 milhões desviados.

    O episódio não foi um caso isolado, o que exigiu de Galípolo a adoção de medidas emergenciais ao longo do segundo semestre. Para evitar uma crise de confiança da população no sistema, o BC promoveu uma série de mudanças regulatórias visando fechar brechas utilizadas por criminosos.

    Muitas delas foram atravessadas por divergências entre a diretoria colegiada e a equipe técnica, que via certo açodamento diante da pressão por uma resposta rápida ao problema.

    Algumas das medidas, como o aumento do capital mínimo exigido de instituições financeiras, foram recebidas com preocupação por instituições menores, que temem perda de competitividade. Sob Galípolo, alguns dos pilares que regem a atuação do BC foram rebalanceados. O foco em inovação, marca da gestão de seu antecessor, Roberto Campos Neto, perdeu força em 2025.

    POLÍTICA MONETÁRIA

    A correção de rota observada na área de regulação destoa da percepção de que, na condução da política de juros, o trabalho de Galípolo tem sido de continuidade.

    Em 1º de janeiro, ele foi alçado ao posto mais alto do BC em um ambiente de desconfiança. Devido à relação de proximidade de Lula com Galípolo -que já foi chamado de “menino de ouro” pelo chefe do Executivo-, havia receio de que o Palácio do Planalto pudesse influenciar nas decisões da autoridade monetária sobre juros. Mas, um ano mais tarde, o mercado financeiro rasga elogios a Galípolo justamente por ter se mantido imune à pressão política.

    Rodrigo Maia, diretor do BTG Pactual e ex-presidente da Câmara dos Deputados, vê o atual presidente à altura de grandes nomes que fizeram história no Banco Central.

    “Tinha uma expectativa se ele conseguiria segurar a pressão do presidente da República. Talvez pela boa relação [com Lula], ele tenha conseguido mostrar a importância dessa independência do Banco Central. Na minha opinião, o primeiro ano do presidente Galípolo foi espetacular, muito acima daquilo que a maioria das pessoas esperava”, diz.

    Sergio Werlang, ex-diretor do BC e professor de economia da Escola Brasileira de Economia e Finanças da Fundação Getulio Vargas (FGV EPGE), faz um balanço positivo da gestão de Galípolo. Ele, contudo, diz que não subiria tanto os juros se fosse presidente.

    O Copom (Comitê de Política Monetária) fechou 2025 com a taxa básica de juros (Selic) fixada em 15% ao ano -no nível mais alto em quase duas décadas.

    “A gestão do Banco Central tem sido mais conservadora do que o ideal, porque tem insistido demasiadamente em seguir a meta [de inflação] de 3%”, afirma. Para Werlang, Galípolo demonstrou coerência ao longo do tempo. “Ele ganhou a reputação através do discurso.”

    A manutenção dos juros em patamar elevado tornou-se motivo de críticas por parte de membros do governo, incluindo Haddad e a ministra Gleisi Hoffmann (Secretaria de Relações Institucionais). O presidente do BC, entretanto, tem sido poupado de ataques pessoais.

    Galípolo conquista Faria Lima, mas vê BC no epicentro de crises em 1º ano no comando

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  • Carne: País vai propor à China assumir cota de países que não conseguirem cumpri-la, diz Fávaro

    Carne: País vai propor à China assumir cota de países que não conseguirem cumpri-la, diz Fávaro

    Possível flexibilização será discutida bilateralmente com a China ao longo do ano

    O Brasil vai propor à China a flexibilização nas cotas de carne bovina isentas de tarifas adicionais no âmbito das medidas de salvaguarda anunciadas na quarta-feira, 31, pelo governo chinês. “As cotas foram estabelecidas de maneira igual para todo mundo (com base no market share de mercado de importação dos últimos três anos). O que vamos tratar com a China é se um país tem uma cota e não conseguir cumprir, o Brasil pode assumir essa cota. Os Estados Unidos, por exemplo, não exportaram à China em 2025”, disse o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro.

    Essas alternativas serão discutidas bilateralmente com a China ao longo de 2026, segundo o ministro. “Afinal, se o nosso preço é competitivo, a carne é de qualidade, isso também ajuda a conter a inflação de alimentos lá. É o que faremos durante o ano com muito diálogo, muita negociação e parceria, porque não é algo que ocorrerá no primeiro mês e, tenho certeza, que não afetará nada os produtores brasileiros”, acrescentou.

    O governo chinês anunciou que vai impor cotas específicas por país para importação de carne bovina com a aplicação de uma tarifa adicional de 55% para volumes que excederem a quantidade. A decisão foi comunicada pelo Ministério do Comércio (Mofcom) do país. As medidas entraram em vigor ontem (1º) e serão implementadas por três anos até 31 de dezembro de 2028 e atinge os principais exportadores da carne bovina.

    O Brasil, principal fornecedor da proteína vermelha ao mercado chinês, terá uma cota de exportação de 1,106 milhão de toneladas sem tarifas adicionais em 2026. O volume alcança 1,128 milhão de toneladas em 2027 e 1,154 milhão de toneladas em 2028. A título de comparação, neste ano, no acumulado até novembro, o País já exportou 1,499 milhão de toneladas de carne bovina ao mercado chinês, somando US$ 8,028 bilhões.

    Outros grandes players exportadores de carne bovina também terão suas vendas ao mercado chinês limitadas por cotas, que foram estabelecidas de acordo com a participação de cada país nas exportações à China. A maior cota é do Brasil, que responde por 45% da carne bovina importada pela China. A Argentina terá cota de 511 mil toneladas no próximo ano. Uruguai terá cota de 324 mil toneladas sem tarifa adicional em 2026, seguido por Nova Zelândia com 206 mil toneladas, Austrália com 205 mil toneladas e Estados Unidos com 164 mil toneladas.

    Na análise do ministro, a cota de 1,106 milhão de toneladas isentas de tarifa adicional permite ao Brasil avançar nas negociações com a China ao longo do ano. “Conseguiremos chegar ao segundo semestre, com tarifas de 12% (alíquotas vigentes de importação). Enquanto isso, podemos discutir com as autoridades chinesas a eventual ampliação da cota do Brasil se outros países não cumprirem os seus volumes”, explicou Fávaro.

    O ministro disse, ainda, que o governo não recebeu com surpresa a medida chinesa, já que o tema vinha sendo tratado bilateralmente ao longo do último ano. “Não há nada que foi tratado de forma extemporânea. A relação Brasil-China é uma relação de extrema confiança recíproca e de amizade. Autoridades chinesas anunciaram que iriam preparar um processo de salvaguarda com finalidade de proteger os criadores locais”, relatou o ministro. “A salvaguarda chinesa tem a finalidade de proteger os pecuaristas locais. Compreendemos estratégia e trabalhamos para garantir a continuidade do comércio”, acrescentou.

    Na análise de Fávaro, não há “impacto relevante” no mercado em decorrência da medida neste momento. “O Brasil ficou com uma cota em torno de 44%, pouco menor que a performance de 2025 que foi influenciada pelo tarifaço americano, mas dentro da média histórica”, ponderou.

    Para Fávaro, o Brasil está preparado para enfrentar sobressaltos comerciais com 29 aberturas de novos mercados para a carne bovina nos últimos anos, como México, Vietnã e Malásia. “O que superar a cota de 1,106 milhão de toneladas vamos remanejar a outros mercados. Estamos confiantes na abertura do mercado japonês para a carne bovina brasileira em março do ano que vem”, apontou.

    O ministro refutou a possibilidade de o Brasil acionar a Organização Mundial do Comércio (OMC) contra a salvaguarda chinesa. “O Brasil não irá contra as medidas chinesas. O Brasil tem uma ótima relação com a China e não foi surpreendido. Tudo foi feito dentro do diálogo, da soberania e da estratégia de cada país”, assegurou.

    A China é o principal destino da carne bovina brasileira, respondendo por 50% de tudo que foi exportado neste ano. Até novembro, o País já exportou 1,499 milhão de toneladas de carne bovina ao mercado chinês, somando US$ 8,028 bilhões.

     

    Carne: País vai propor à China assumir cota de países que não conseguirem cumpri-la, diz Fávaro

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  • Gigante chinesa BYD bate Tesla com recorde de vendas anuais de carros elétricos em 2025

    Gigante chinesa BYD bate Tesla com recorde de vendas anuais de carros elétricos em 2025

    Empresa chinesa comercializou 2,26 milhões de unidades em 2025, enquanto Tesla entregou 1,64 milhão; companhia de Shenzhen domina mercado chinês e agora quer expandir presença internacional

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A gigante chinesa BYD bateu um recorde global de vendas anuais de carros elétricos, com 2,26 milhões de unidades comercializadas em 2025, segundo um comunicado publicado pela empresa na Bolsa de Hong Kong.

    O número coloca a companhia asiática em posição de ultrapassar pela primeira vez a americana Tesla, do magnata Elon Musk, em vendas anuais. No ano completo, a Tesla entregou 1,64 milhão de veículos, em comparação com 1,79 milhão em 2024.

    A companhia californiana, até agora líder neste setor emergente, t em apresentado queda nas vendas na Europa desde o final de 2024 devido ao aumento da concorrência, à sua linha de produtos desatualizada e aos protestos contra os elogios públicos de Musk a figuras políticas de direita europeias.

    A BYD, com sede em Shenzhen e que também produz carros híbridos, anunciou os dados em um comunicado publicado na Bolsa de Hong Kong, onde está listada.

    A empresa, fundada em 1995 e que inicialmente fabricava baterias, domina o mercado chinês de veículos elétricos, o maior do mundo.

    Agora, quer ampliar sua presença no exterior, mas, assim como seus concorrentes chineses, enfrenta altas tarifas nos Estados Unidos.

    A Tesla superou a BYD nas vendas anuais de veículos elétricos em 2024, com 1,79 milhão da empresa americana contra 1,76 milhão da chinesa.

    Nesta sexta, a Tesla divulgou uma queda maior do que a esperada nas entregas do quarto trimestre e registrou o segundo declínio consecutivo nas vendas anuais, enquanto lutava para impulsionar a demanda por seus veículos elétricos após a retirada dos incentivos fiscais.

    Mesmo com o lançamento de versões mais baratas dos seus veículos elétricos mais vendidos, aTesla informou que entregou 418.227 veículos no trimestre de outubro a dezembro, uma queda de 15,6% em relação aos 495.570 do ano anterior. Analistas esperavam 434.487 veículos, ou uma queda de 12,3%, segundo a Visible Alpha.

    Analistas consultados pela Visible Alpha esperavam entregas de cerca de 1,65 milhão de veículos em 2025, marcando o segundo declínio anual consecutivo da empresa.

    As ações subiram 1,9% nas negociações antes da abertura do mercado.

    Gigante chinesa BYD bate Tesla com recorde de vendas anuais de carros elétricos em 2025

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  • Dólar começa 2026 com forte queda

    Dólar começa 2026 com forte queda

    O Ibovespa abriu em alta, subindo 0,48%, a 161.904 pontos; principal índice da Bolsa brasileira fechou 2025 com alta acumulada de 33,7%, a maior desde 2016

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar iniciou esta sexta-feira (2), primeiro pregão do ano, em queda firme no Brasil. Às 10h09, a divisa recuava 0,86%, a R$ 5,4405, com o real apresentando um dos melhores desempenhos entre as divisas globais, em meio a uma agenda econômica esvaziada e liquidez reduzida após o feriado de Ano Novo.

    Com o menor volume de negócios, o desempenho da moeda acaba ficando mais volátil. No último pregão de 2025, na última terça-feira, a moeda norte-americana fechou em queda de 1,6%, aos R$ 5,488, acumulando perda de 11,19% no ano, sob o impacto, principalmente, do nível elevado dos juros no Brasil, que favoreceu a entrada de capital no país.

    Para 2026, a perspectiva dos analistas é de um cenário favorável para o real do ponto de vista externo, com a expectativa de corte nos juros dos Estados Unidos, mas com a disputa eleitoral impondo limites.

    Já o Ibovespa abriu em alta, subindo 0,48%, a 161.904 pontos. O principal índice da Bolsa brasileira fechou 2025 com alta acumulada de 33,7%, a maior desde 2016, quando avançou 39%, num ano marcado pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

    Na agenda econômica externa, o foco do dia é a divulgação da pesquisa Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) da indústria para dezembro, compilado pela S&P Global.

    Dólar começa 2026 com forte queda

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  • Veja quem consegue a revisão da aposentadoria do INSS em 2026

    Veja quem consegue a revisão da aposentadoria do INSS em 2026

    Prazo é de dez anos após o primeiro pagamento recebido pelo segurado! Pedido deve ser feito pelo app ou site Meu INSS; é preciso apresentar documentos que comprovem o erro

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O segurado que julga estar recebendo valor menor de aposentadoria, pensão ou outro benefício previdenciário tem direito de pedir a revisão da renda ao INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). O pedido inicial é feito pelo aplicativo ou site Meu INSS, ou pela central telefônica 135.

    A revisão tem prazo de até dez anos para ser solicitada. O período começa a contar a partir do mês subsequente ao primeiro pagamento. Se for constatado o erro, o governo paga ao segurado as diferenças que deixaram de ser depositadas por conta da incorreção, limitadas aos últimos cinco anos.

    Quem recebeu o primeiro pagamento do INSS em dezembro de 2015 e constatou algum erro em sua aposentadoria tem até o fim de janeiro de 2026 para fazer o pedido da revisão.

    O beneficiário deve solicitar a correção de sua renda primeiro ao instituto e, só depois, na Justiça, caso não obtenha resposta ou não concorde com o resultado final de seu processo administrativo.

    É possível incluir, no pedido de recálculo, valores de salários que tenham ficado de fora da conta inicial ou tempo de contribuição que não tenha sido considerado pelo órgão.

    Para fazer a solicitação, é necessário ter documentos que comprovem o erro do INSS. Novos documentos, que não tenham sido apresentados na época do pedido do benefício, não garantem a revisão retroativa. Isso porque entende-se que o instituto não tinha conhecimento deles. Nestes casos, há uma contagem diferente para a correção da renda e o pagamento dos atrasados.

    Algumas revisões já foram reconhecidas pela Justiça e incorporadas pela Previdência Social, que as concede de forma administrativa, como é o caso da revisão do teto de 1991 a 2003 e da revisão do salário-maternidade, cuja regra para trabalhadoras autônomas foi alterada em julgamento no STF (Supremo Tribunal Federal) em 2024.

    VEJA O CALENDÁRIO DO PEDIDO DA REVISÃO NO INSS EM 2026

    Mês do primeiro pagamento – Último mês para pedir a revisão

    Dezembro de 2015 – Janeiro de 2026
    Janeiro de 2016 – Fevereiro de 2026
    Fevereiro de 2016 – Março de 2026
    Março de 2016 – Abril de 2026
    Abril de 2016 – Maio de 2026
    Maio de 2016 – Junho de 2026
    Junho de 2016 – Julho de 2026
    Julho de 2016 – Agosto de 2026
    Agosto de 2016 – Setembro de 2026
    Setembro de 2016 – Outubro de 2026
    Outubro de 2016 – Novembro de 2026
    Novembro de 2016 – Dezembro de 2026

    O QUE É A REVISÃO DA APOSENTADORIA?

    A revisão da aposentadoria ou de outro benefício do INSS é um pedido de correção de algum erro cometido pelo instituto na concessão. Em geral, ele é feito quando o segurado julga ter direito a valor maior do que o que está recebendo.

    É possível pedir ao INSS a inclusão de salários que ficaram de fora do cálculo inicial ou de tempo de contribuição que não foi considerado. Caso o instituto reconheça o erro, o segurado tem direito ao benefício maior.

    É preciso ter cuidado, no entanto, porque ao rever o processo administrativo de concessão do benefício, o INSS pode constatar algum erro que torne o benefício menor. Neste caso, o segurado terá a renda diminuída. Por isso a dica é buscar um advogado especialista em Previdência antes de fazer o pedido.

    COMO FAZER O PEDIDO?

    A solicitação de revisão do benefício é feita pelo aplicativo ou site Meu INSS. Essa é a forma mais fácil e rápida de conseguir a revisão da renda. É preciso anexar os documentos que comprovem o erro e o direito à renda maior.

    O pedido pode ser feito também pela Central Telefônica 135. Neste caso, o cidadão será orientado pelos atendentes sobre os prazos e a documentação a ser apresentada no INSS.

    A entrega dos documentos ao INSS, neste caso, poderá ser feita de duas formas, segundo advogados. O segurado terá um número de protocolo e pode utilizá-lo no Meu INSS para anexar a papelada. Caso seja necessário, será marcado atendimento para entregar os documentos em uma agência da Previdência Social.

    QUAIS DOCUMENTOS SÃO NECESSÁRIOS?

    Os documentos a serem apresentados ao INSS vão depender do tipo de pedido de correção que o segurado está fazendo, se para incluir salários que não entraram no cálculo inicial ou tempo de contribuição que não foi considerado, entre outros. Os dois podem aumentar a renda.

    Para comprovar que os salários considerados no cálculo do INSS estão errados, os documentos que podem ser apresentados são carteira de trabalho e holerites da época, extrato do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) ou recibos do trabalho autônomo que possam provar o valor correto dos salários.

    Quando a intenção for incluir tempo de contribuição, os documentos a serem apresentados são carteira de trabalho, declaração do antigo empregador com as datas de entrada e saída do emprego e processo judicial que comprove período de trabalho, entre outros.

    O cidadão que vai incluir tempo especial precisa de laudos comprovando a atividade em situação prejudicial à saúde, que são diferentes a depender do período que quer comprovar. Para atividades a partir de 2004, o documento é o PPP (Perfil Profissiográfico Previdenciário).

    QUANDO IR À JUSTIÇA CONTRA O INSS?

    A correção do benefício pode ser pedida no INSS ou na Justiça. No entanto, a Justiça só pode ser acionada após o pedido ser feito de forma administrativa, no instituto. Essa foi uma decisão tomada pelo STF (Supremo Tribunal Federal), então não pode ser violada, sob pena de o segurado perder a revisão e nunca mais poder fazer o mesmo pedido.

    Para ações judiciais de até 60 salários mínimos ou para processos abertos na Previdência, não há necessidade de advogado, mas é bom ter um defensor. No Juizado Especial Federal, onde são abertos processos de até 60 salários, se o INSS recorrer, é preciso nomear um advogado em até dez dias.

    Na vara previdenciária comum, onde são propostas ações acima de 60 salários -nas quais se recebe por meio de precatórios- é preciso ter advogado desde o início, para dar entrada no pedido.

    COMO É O PAGAMENTO DOS VALORES?

    O pagamento dos valores da revisão tem duas fases. A primeira delas é a implantação do novo benefício, que passa a ter correção a partir do reconhecimento do erro. Esses prazos, no entanto, não são imediatos. No INSS, dependem de processos burocráticos internos e, na Justiça, dependem da ordem do juiz.

    A outra fase é o depósito dos retroativos ou valores atrasados. Se a revisão for paga pelo INSS, esse dinheiro pode cair na conta em que o segurado recebe a aposentadoria ou ser feito por PAB (Pagamento Alternativo de Benefício), que pode passar por auditoria interna.

    Na Justiça, os valores são depositados ou por RPV (Requisição de Pequeno Valor) em até dois meses após a ordem de pagamento do juiz ou por precatório, liberado uma vez por ano. Nestes casos, caem em uma conta especial aberta na Caixa Econômica Federal ou no Banco do Brasil em nome do segurado ou seu advogado.

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  • Reforma tributária entra em fase de testes em 2026

    Reforma tributária entra em fase de testes em 2026

    Empresas precisam se adaptar, apesar de extensão de prazo da Receita

    O ano de 2026 marca uma virada histórica no sistema tributário brasileiro. A partir desta quinta-feira (1º), começa oficialmente o início da transição da reforma tributária sobre o consumo, com a entrada em operação do novo Imposto sobre Valor Agregado (IVA) Dual.

    Embora a Receita Federal classifique 2026 ano como um “ano de testes”, o contribuinte que emite notas fiscais deve estar atento. Não se trata de uma simulação: haverá movimentação financeira real, emissão de notas fiscais com novos campos obrigatórios, adaptação de sistemas e impactos diretos na rotina de empresas, produtores rurais, importadores e, em alguns casos, pessoas físicas.

    Na prática, este ano funcionará como um grande ensaio geral antes da substituição definitiva de cinco tributos. Desse total, três são federais: o Programa de Integração Social (PIS), a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) é administrado pelos estados; e o Imposto sobre Serviços (ISS), pelos municípios. 

    Esses cinco tributos começarão a ser extintos em 2027, mas haverá uma alíquota de teste em 2026. O PIS, a Cofins e o IPI darão origem à Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). O ICMS e o ISS darão origem ao Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). A soma da CBS e do IBS resultará no IVA Dual.

    Neste ano, haverá uma alíquota de teste de 0,9% de CBS e 0,1% de IBS, que serão deduzidas dos tributos atuais. A partir de 2027, os cinco tributos sobre o consumo serão gradualmente extintos, enquanto as alíquotas de CBS e de IBS subirão.

    A seguir, veja o que começa a valer em 2026 e quais providências os contribuintes precisam tomar:

    Mudanças em 2026

    • Primeiro ano de operação prática do novo sistema;
    • Início da transição com movimentação financeira real;
    • Tributos atuais continuam existindo em paralelo;
    • Extinção gradual de PIS, Cofins, ICMS, ISS e IPI começa em 2027
    • Ano-chave para ajustes tecnológicos e fiscais

    Cobrança do IVA Dual em caráter de teste

    Alíquota total de 1%:

    • 0,9% de CBS (federal);
    • 0,1% de IBS (estadual e municipal).

    O valor pago não representa aumento efetivo de carga tributária. O montante recolhido a título de CBS e IBS será compensado com o que a empresa já paga de PIS e Cofins. Na prática, a empresa paga o novo imposto, mas desconta o mesmo valor dos tributos antigos, mantendo o desembolso total inalterado em 2026.

    Mudanças nas notas fiscais

    Mesmo com alíquotas simbólicas, as obrigações acessórias são imediatas.

    As empresas deverão:

    • Destacar CBS e IBS nas notas fiscais;
    • Preencher novos campos obrigatórios;
    • Informar corretamente a classificação fiscal de produtos e serviços.

    Erros na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), na Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) ou no enquadramento tributário podem:

    • Impedir a emissão da nota;
    • Gerar recolhimento incorreto;
    • Travar o faturamento da empresa.

    Atualização de sistemas das empresas

    • Softwares de gestão e emissão de documentos fiscais precisam ser adaptados
    • Sistemas passam a consultar regras tributárias em tempo real;
    • Notas fiscais podem ser rejeitadas por inconsistências cadastrais;

    Quem não se adequar corre risco de:

    • Rejeição das notas fiscais;
    • Paralisação das operações;
    • Autuações futuras.

    Adiamento de penalidadesEm 23 de dezembro, a Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS anunciaram o adiamento das punições automáticas:

    Não haverá multas imediatas por falta de preenchimento de IBS e CBS;A dispensa vale até o primeiro dia do quarto mês após a publicação dos regulamentos.

    Apesar da flexibilização, a recomendação é que o contribuinte que emita notas fiscais cumpra integralmente as regras desde janeiro, para evitar inconsistências futuras e problemas quando a fiscalização estiver plenamente ativa.

    Split payment (pagamento dividido)

    Regulamentado pelo projeto de lei aprovado pelo Congresso no fim do ano passado, o split payment (pagamento dividido) fará a separação automática do imposto no momento do pagamento.

    O valor do tributo não entrará na conta da empresa, sendo transferido diretamente ao governo. Isso exigirá revisão do fluxo de caixa e do capital de giro, porque o dinheiro do imposto deixará de circular na empresa ao longo do mês.

    Embora seja obrigatório apenas a partir de 2027, as empresas precisam se preparar em 2026.

    Revisão de contratos e cadastros

    Empresas devem:

    Rever contratos com fornecedores e clientes;Ajustar cláusulas de repasse tributário;Revisar cadastros fiscais e classificações.

    O enquadramento correto será fundamental para a geração e o aproveitamento de créditos no novo modelo de não cumulatividade do IVA. Esse modelo extingue a cobrança em cascata, comum em empresas de médio e pequeno porte.

    Pessoas físicas

    A partir de julho de 2026:

    Pessoas físicas consideradas contribuintes habituais de IBS e CBS precisarão se inscrever no Cadastro Nacional Pessoa Jurídica (CNPJ);Medida não transforma a pessoa física em empresa, mas facilita a apuração e o controle fiscal.

    Teste em imóveis e aluguéis

    Em 2026 começa a coleta de dados para a futura tributação, que passa a valer em 2027.

    Poderão ser tributadas pessoas físicas que:

    Vendam mais de três imóveis no ano, adquiridos há menos de cinco anos;Vendam mais de um imóvel construído por elas nos últimos cinco anos;Obtenham receita anual superior a R$ 240 mil com aluguel de mais de três imóveis.

    Produtores rurais

    Isenção total para faturamento anual de até R$ 3,6 milhões;Produtores acima desse limite passarão a contribuir com o IVA;Alíquota estimada pode chegar a 28%, contra cerca de 5% hoje;Sementes e adubos ficam isentos;Alimentos e insumos agrícolas terão redução de 60% da alíquota geral de IVA.

    Importações

    Importação de bens e serviços passa a ser tributada por CBS e IBS;Tributação na entrada do produto no país, para igualar a tributação ao produto nacional;IVA estimado em cerca de 28%, além dos impostos já existentes;Em 2026, segue fase de testes, sem aumento efetivo da carga tributária.

    Em resumo: como se preparar para 2026

    Atualizar sistemas e softwares de gestão;Adequar a emissão de notas fiscais;Revisar cadastros, contratos e classificações fiscais;Planejar o impacto do split payment no fluxo de caixa;Tratar 2026 como um ensaio geral obrigatório.

    A Receita Federal recomenda que empresas e pessoas físicas que emitam notas fiscais não usem 2026 como ano de espera. O Fisco alerta que quem não se preparar pode enfrentar sérias dificuldades em 2027, quando os tributos antigos começarem a ser extintos e as alíquotas reais do novo sistema tributário entrarem em vigor.

    Reforma tributária entra em fase de testes em 2026

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  • Bancos elevam expectativa de crescimento do crédito de 7,9% para 8,2% em 2026

    Bancos elevam expectativa de crescimento do crédito de 7,9% para 8,2% em 2026

    Pesquisa da Febraban aponta resiliência do mercado de trabalho e avanço do crédito direcionado como fatores de sustentação

    Pesquisa divulgada pela Febraban, a entidade que representa os bancos, mostra uma melhora nas expectativas do setor em relação ao crescimento do crédito, dada a perspectiva de expansão das operações com recursos direcionados. Sete a cada dez bancos (73,7%) avaliam que a desaceleração do crédito será gradual, já que a resiliência do mercado de trabalho e os estímulos públicos tendem a compensar parte do impacto da política monetária contracionista e do aumento da inadimplência.

    A projeção ao crescimento da carteira de crédito no ano passado, cujos números finais ainda serão divulgados, passou de 8,9%, previsão feita em novembro, para 9,2% na pesquisa realizada em dezembro. Já para 2026, os bancos preveem crescimento de 8,2% da carteira de crédito, acima também do prognóstico do levantamento anterior: 7,9%.

    Conforme a Febraban, os números recentes do mercado de crédito mostram que a carteira mantém um crescimento elevado, apesar da alta da Selic. A última pesquisa da instituição ouviu 20 bancos entre 17 e 19 de dezembro.

    A maior mudança se deu nas expectativas ao crédito direcionado, em que os maiores operadores são bancos públicos. A projeção ao crescimento do saldo da carteira de crédito direcionado em 2025 passou de 10,1% para 10,9%, ao passo que as projeções para este ano subiram de 9% para 9,4%, o que supera o crescimento de 7,6% previsto para a carteira de crédito com recursos livres.

    Segundo o levantamento, os bancos esperam que a taxa de inadimplência suba de 5,1%, em 2025, para 5,2%, em 2026. Para 70% dos entrevistados, o Banco Central (BC) só deve começar a cortar os juros de referência em março, levando a Selic dos atuais 15% para 13% até agosto. Para metade dos bancos, constantes estímulos fiscais e de crédito pelo governo, combinados ao mercado de trabalho ainda aquecido, devem impedir a baixa da inflação para 3,5%, como espera o BC para este ano.

    Em relação às contas públicas, o entendimento de 80% das instituições financeiras consultadas pela pesquisa é de que o governo precisará de medidas adicionais para cumprir a meta do arcabouço fiscal, que obriga o governo a, no mínimo, zerar o déficit primário. A aposta é de que o governo manterá a estratégia de aumentar as receitas ou vai retirar despesas do arcabouço para cumprir a meta.

     

    Bancos elevam expectativa de crescimento do crédito de 7,9% para 8,2% em 2026

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  • Entenda as regras do novo salário mínimo e isenção do IR

    Entenda as regras do novo salário mínimo e isenção do IR

    Com o novo piso de R$ 1.621 e isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, 15 milhões de brasileiros ganham fôlego financeiro

    O ano começa com mudanças que atingem diretamente o orçamento das famílias brasileiras. A partir deste 1º de janeiro, entra em vigor a nova faixa de isenção do Imposto de Renda (IR), que beneficia quem recebe até R$ 5 mil mensais. A medida, sancionada em novembro, deve impactar 15 milhões de contribuintes.

    Até então, o teto para isenção era de dois salários mínimos (R$ 3.036).

    Além disso, o salário mínimo passa por um reajuste de 6,79%, subindo de R$ 1.518 para R$ 1.621. O cálculo baseia-se no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado até novembro e garante um ganho real (acima da inflação), embora limitado pelas travas do arcabouço fiscal.

    Como funciona a nova isenção do IR?

    A mudança será sentida já no contracheque de janeiro (pago no fim do mês ou início de fevereiro), afetando tanto o desconto na folha quanto a tributação de dividendos. A estimativa é de uma economia média de R$ 4 mil anuais por beneficiário.

    Para compensar o alívio na base, o governo aumentou a alíquota para a alta renda. Quem recebe acima de R$ 50 mil mensais pagará mais imposto. Segundo o governo, essa medida atinge cerca de 141 mil pessoas.

    Atenção ao calendário: As novas regras não alteram a Declaração de IR de 2026 (referente ao ano-base 2025). O impacto prático na declaração anual só será sentido em 2027.

    Descontos progressivos até R$ 7.350

    Para evitar o “degrau tributário” – quando um pequeno aumento salarial joga o trabalhador em uma faixa de imposto muito maior -, a reforma criou descontos escalonados para quem ganha até R$ 7.350.

    O abatimento diminui gradativamente conforme a renda sobe. Como o cálculo depende de deduções individuais e outras fontes de renda, não há uma tabela única para esse grupo; o valor é definido caso a caso.

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