Categoria: Uncategorized

  • Ypê vira alvo de embate político nas redes sociais após suspensão da Anvisa

    Ypê vira alvo de embate político nas redes sociais após suspensão da Anvisa

    A Ypê declarou, em nota divulgada à imprensa neste sábado (9), que manterá suspensa a linha de produção de detergentes, lava roupas líquidos e desinfetantes que fazem parte do lote com final 1, mesmo com um efeito suspensivo obtido contra a decisão da Anvisa.

    FELIPE MENDES
    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O caso envolvendo a fabricante de produtos de limpeza Ypê virou símbolo do que é o ‘Fla-Flu’ na política brasileira. A empresa, que tem como dono apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, virou alvo de debates nas redes sociais após ter parte de sua produção suspensa por determinação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) na última quinta-feira (7).

    A Ypê declarou, em nota divulgada à imprensa neste sábado (9), que manterá suspensa a linha de produção de detergentes, lava roupas líquidos e desinfetantes que fazem parte do lote com final 1, mesmo com um efeito suspensivo obtido contra a decisão da Anvisa.

    A Química Amparo, dona da marca Ypê, é controlada pelos irmãos Waldir Beira Júnior, Jorge Beira e Ricardo Beira. São herdeiros de Waldyr Beira, fundador do negócio que morreu em um acidente no trabalho. Nas eleições de 2022, quatro integrantes da família doaram, juntos, R$ 1,5 milhão para apoiar a candidatura de Jair Bolsonaro, que tentava se reeleger naquele momento.

    Apoiadores do ex-presidente iniciaram uma campanha a favor da empresa nas redes sociais. Até artistas endossaram as críticas contra órgãos sanitários. Nas redes, bolsonaristas dizem que a empresa é alvo de perseguição e represália por parte do governo Lula.

    O ator global Júlio Rocha e a cantora Jojo Toddynho foram alguns dos famosos que endossaram os críticos à suspensão. Rocha disse “já tomei banho com Ypê” no Instagram, enquanto a cantora afirmou que não abriria mão de usar produtos do lote suspenso pela Anvisa.

    Enquanto isso, os órgãos sanitários pedem cautela. O CVS (Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo) reforçou, em nota enviada à Folha, que o risco sanitário permanece, portanto não recomenda que consumidores utilizem produtos do lote 1.

    O trabalho de avaliação tem sido realizado entre Anvisa, CVS e a Vigilância Sanitária do município de Amparo, no interior de São Paulo.

    Segundo o comunicado, a liminar obtida pela empresa não libera consumidores ao uso ou a venda dos produtos do lote possivelmente infectado. “O CVS esclarece que a avaliação técnica sobre o risco sanitário permanece mantida. A apresentação de recurso administrativo pela empresa segue o rito previsto na legislação vigente e será analisada pela Anvisa, sem alterar, até o momento, a avaliação decorrente da inspeção”, diz.

    Os órgãos sanitários apontam que a inspeção realizada na última semana identificou descumprimentos em etapas essenciais da produção, além de falhas que indicam risco sanitário em diversos produtos.

    “A recomendação aos consumidores é que não utilizem os produtos indicados na medida sanitária, que abrange lava louças, sabão líquido para roupas e desinfetantes de lotes específicos da marca”, afirma o CVS. “A mesma recomendação vale para o comércio destes produtos em mercados, supermercados e similares, no sentido de que segreguem os lotes destes produtos e não os coloquem à venda.”

    O QUE DIZ A YPÊ SOBRE A ANVISA

    “A Ypê esclarece que tem mantido suspensa as linhas de produção da sua fábrica de líquidos desde o último dia 7 de maio, responsáveis pela fabricação dos produtos lava-roupas líquido, lava-louças líquido e desinfetantes de número de lote final 1 (um), objeto da RE n. 1834/2026”, afirma a empresa. “Esta medida continua em curso, independentemente do efeito suspensivo obtido com o nosso recurso, e tem como objetivo acelerar o cronograma e a conclusão de medidas apontadas pela Anvisa.”

    A empresa diz que tem colaborado com as autoridades na busca por uma solução à situação. Em comunicado divulgado anteriormente, a Ypê diz que recebeu a determinação da Anvisa e que colabora integralmente, “conduzindo todas as ações necessárias com máxima prioridade, responsabilidade e transparência”. A fabricante diz que ampliou a estrutura de atendimento do SAC nesta sexta-feira (8).

    QUEM É A YPÊ

    Fundada em 1950, a Ypê é líder do mercado de diversas categorias no segmento de higiene e limpeza no país. Segundo estimativas da própria empresa, está presente com seus produtos em cerca de 95% dos lares brasileiros, com um portfólio com mais de 450 itens diferentes em 23 categorias. Também é dona de marcas como Assolan, Atol, Tixan, entre outras.
    A matriz da companhia é em Amparo, a 129 km de São Paulo. De capital fechado, a empresa emprega mais de 7.000 pessoas e conta com complexos fabris em Salto (SP), Simões Filho (BA), Anápolis (GO), Goiânia (GO), Itajubá (MG) e Itapissuma (PE). Ao longo do tempo, a dona da Ypê se tornou uma concorrente de peso para a gigante Unilever, dona também do limpador e desinfetante Cif, e da P&G, dona das marcas Ariel, Downy, Ace.

    QUE PRODUTOS FORAM SUSPENSOS?

    De acordo com a Anvisa, somente os lotes que terminam com o número 1, dos produtos abaixo estão afetados:
    Lava-louças Ypê Clear Care
    Lava-louças com enzimas ativas Ypê
    Lava-louças Ypê
    Lava-louças Ypê Toque Suave
    Lava-louças Concentrado Ypê Green
    Lava-louças Ypê Clear
    Lava-louças Ypê Green
    Lava-roupas líquido Tixan Ypê Combate Mau Odor
    Lava-roupas líquido
    Tixan Ypê Cuida das Roupas
    Lava-roupas líquido Tixan Ypê Antibac
    Lava-roupas líquido Tixan Ypê Coco e Baunilha
    Lava-roupas líquido Tixan Ypê Green
    Lava-roupas líquido Ypê Express
    Lava-roupas líquido Ypê Power Act
    Lava-roupas líquido Ypê Premium
    Lava-roupas Tixan Maciez
    Lava-roupas Tixan Primavera
    Desinfetante Bak Ypê
    Desinfetante de uso geral Atol
    Desinfetante perfumado Atol
    Desinfetante Pinho Ypê
    Lava-roupas Tixan Power Act

    RAIO-X | QUÍMICA AMPARO
    Fundação: 1950
    Sede: Amparo (SP)
    Funcionários: 7.300
    Marcas: Ypê, Tixan, Banho a Banho, Flor de Ypê, Siene, Perfex, Assolan, Atol
    Fábricas: Amparo (SP), Salto (SP), Simões Filho (BA), Anápolis (GO), Goiânia (GO), Itajubá (MG) e Itapissuma (PE)
    Concorrentes: Unilever, P&G, Reckitt, Flora, Limppano, Bombril
    Faturamento: R$ 10 bilhões

    Ypê vira alvo de embate político nas redes sociais após suspensão da Anvisa

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia

  • Vorcaro soube usar 'omissão sistêmica' em favor do Master

    Vorcaro soube usar 'omissão sistêmica' em favor do Master

    Especialistas divergem sobre quais mecanismos alimentaram essa cegueira em tantas instituições públicas e privadas, por tanto tempo, até o escândalo se tornar público com a liquidação do Master e a prisão de Daniel Vorcaro em novembro do ano passado.

    Para especialistas, servidores não têm devida blindagem para atuar preventivamente contra riscos de fraudes Nos EUA, incentivo a denúncias é tão estruturado que oferece até prêmio em dinheiro para quem apontar irregularidades

    Na semana passada, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Flávio Dino expressou a dúvida que acomete a todos quando se trata das irregularidades do Banco Master: “Como ninguém viu? O elefante é grande, está pintado de azul, desfilando na frente de todo mundo.”

    Especialistas divergem sobre quais mecanismos alimentaram essa cegueira em tantas instituições públicas e privadas, por tanto tempo, até o escândalo se tornar público com a liquidação do Master e a prisão de Daniel Vorcaro em novembro do ano passado.

    No entanto, concordam num ponto: Vorcaro e seus companheiros não inventaram nada novo e souberam usar a favor do Master os sistemas regulatório, político e jurídico que incentivam a omissão, não a denúncia, abrindo espaço para a fraude bancária mais custosa da história do país.

    Manifestação contra Banco Master, em frente à sede da empresa na Vila Olímpia, em São Paulo; manifestantes questionavam demora nas ações das autoridades Bruno Santos -22.jan.26 Folhapress Indivíduo veste máscara facial com imagem de rosto masculino sorridente e segura charuto em ambiente urbano com outras pessoas ao fundo. Imagem pequena ** As estimativas apontam prejuízos de R$ 60 bilhões. A título de comparação, superam as principais crises bancárias dos últimos 20 anos e até as perdas apuradas pela Lava Jato, que ficaram entre R$ 29 bilhões, segundo o TCU (Tribunal de Contas da União) e R$ 42 bilhões, pelas estimativas de PF (Polícia Federal).

    O advogado José Andrés Lopes da Costa, especialista em regulação bancária, acompanhou as crises de instituições como Santos, Panamericano e Cruzeiro do Sul. Ele conta que, apesar de o Brasil ter leis robustas e profissionais competentes, a dinâmica da omissão foi contaminando as estruturas de regulação e fiscalização nos últimos anos, produzindo distorções cada vez maiores.

    Nesse contexto, ele apresenta duas leituras possíveis para explicar como o caso Master escalou.

    “A primeira é a do escândalo. Houve gente que deveria ter visto e não viu, ou que viu e tapou os olhos, ou que, tendo visto, preferiu nada dizer. Essa é a leitura da falha individual, do conluio, que oferece vilões ao público, permite que se troquem nomes e a história prossiga, mantendo intactas as estruturas que geraram a crise”, afirma o advogado.

    “A segunda leitura é mais técnica e incômoda. Os sistemas regulatório, político e jurídico, incluindo o do funcionalismo público de carreira, não oferecem incentivos à reação. Isso faz com que cada agente, ao ponderar seus próprios riscos e ganhos, perceba que tem mais a perder vendo do que não vendo.”

    O próprio caso Master produziu exemplos dessa dinâmica.

    Em 2024, três gestores da Caixa Asset, braço de investimentos da Caixa Econômica Federal, redigiram um relatório contra a compra de R$ 500 milhões em letras financeiras do banco de Daniel Vorcaro. A operação foi considerada arriscada e suspeita. O trio foi afastado de suas funções.

    Em 2025, a diretoria da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) julgou um polêmico caso da Ambipar, envolvendo o Master e o empresário Nelson Tanure numa suspeita de manipulação de mercado. O então presidente da autarquia, João Pedro Nascimento, votou contra o pleito das empresas e, nove dias depois, renunciou.

    O interino que assumiu na sequência, Otto Lobo, reverteu o voto, dando ganho de causa às empresas. Em janeiro deste ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicou Lobo para ficar em definitivo na presidência da CVM.

    “O Brasil precisa redesenhar a estrutura de prêmios e punições da burocracia regulatória, blindar institucionalmente o agente que reporta irregularidades, criar caminhos de progressão de carreira que premiem a coragem em vez de penalizá-la, alterar os mecanismos de financiamento político que tornam a omissão racionalmente preferível ao testemunho. É trabalho de décadas”, afirma Costa.

    O economista e colunista da Folha Marcos Lisboa chama a atenção para dois outros componentes que incentivam a letargia do sistema.

    O primeiro é o risco de sanções para quem tenta evitar a crise antes que ela tenha espalhado prejuízos e feito número suficiente de vítimas para se tornar incontestável. “Servidores que ousem atuar preventivamente, na tentativa de evitar uma fraude, podem ser acionados na Justiça, em processos que se prolongam por anos, ou enfrentarem questionamentos do TCU”, diz.

    Galeria Veja imóveis que teriam sido recebidos como propina por ex-presidente do BRB Seis imóveis, em São Paulo e no DF, teriam sido transfeidos para aprovar compra de carteiras do Banco Master.

    Há também exemplo desse risco. O TCU questionou o Banco Central sobre a liquidação do Master. O ministro Jhonathan de Jesus apurou possível “precipitação” e exigiu explicações.

    Os Estados Unidos oferecem o ambiente oposto. Quem faz um alerta preventivo não sofre penalidades caso não se confirme, e quem dá dica certeira pode até receber prêmio em dinheiro. Lá existe a figura do “whistleblower”, o tocador de apito.

    A False Claims Act, de 1863 e reformada em 1986, autoriza qualquer cidadão a propor ação civil em nome do governo federal contra fraudadores e garante ao denunciante de 15% a 30% dos valores recuperados. O Dodd-Frank Act, de 2010, em resposta à crise de 2008, criou o programa de whistleblowers na SEC (Securities and Exchange Commission, a agência regulatória do mercado de capitais). O denunciante recebe de 10% a 30% das sanções acima de US$ 1 milhão (R$ 5 milhões) quando a informação leva a uma ação bem-sucedida.

    Outro problema, diz Marcos Lisboa, está na esfera privada: o tratamento difuso dado à responsabilidade solidária no mercado financeiro. Segundo o Código de Defesa do Consumidor, todos os integrantes da cadeia de fornecimento –fabricante, distribuidor, comerciante– respondem por um produto.

    “Assim como um supermercado é responsável pelo molho de tomate que vende, ainda que não o tenha fabricado, as corretoras são responsáveis pelos produtos financeiros que oferecem e devem alertar os investidores. Bastava ler os balanços do Master para ver o tamanho do risco de seus CDBs, por exemplo.”

    As demonstrações financeiras de 2020 e 2021, por exemplo, mostravam que o Master já concentrava parcela elevada de seus ativos em precatórios e direitos creditórios federais, que têm liquidez incerta e difícil precificação. Em 2023, cerca de 80% da carteira de títulos do banco era composta por fundos ligados a ativos de baixa liquidez e avaliados principalmente por modelos internos, e não por preços transparentes de mercado.

    Em 2024, o balanço trouxe sinais de fragilidade financeira. Dos R$ 18,4 bilhões registrados como depósitos interfinanceiros –operações entre instituições– R$ 17,9 bilhões vinham de partes relacionadas. Isso indicava forte dependência de recursos ligados ao próprio grupo econômico, e falta de apoio do mercado interbancário tradicional.

    O economista Roberto Teixeira da Costa, um decano com 50 anos de atuação no mercado de capitais e autor do livro “Crises Financeiras – Brasil e Mundo (1929-2023)”, diz que era possível identificar a fragilidade do Master até de forma intuitiva. Segundo ele, se um CDB paga muito acima do mercado, por si só, já é um alerta.

    “Jamais aplicaria naquilo. Então, entrou aí o componente ganância. Houve pagamentos de comissões altas para a distribuição do papel, e muitas pessoas sacrificaram o raciocínio lógico à espera de ganhos um pouco maiores”, afirma.

    Galeria Veja imóveis que teriam sido recebidos como propina por ex-presidente do BRB Seis imóveis, em São Paulo e no DF, teriam sido transfeidos para aprovar compra de carteiras do Banco Master.

    Teixeira da Costa lembra que a proteção do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) ajudou a sustentar a estratégia de captação agressiva do Master. Como os CDBs têm cobertura de até R$ 250 mil por CPF e por instituição, muitos investidores aceitavam taxas elevadas sem considerar o risco. Por isso, defende que o instrumento seja recalibrado.

    “O FGC foi uma criação importante, porque permitiu que os títulos emitidos por bancos de menor porte pudessem ter acolhida, mas não se previu abusos. Agora, acho que deveriam revê-lo para reembolsar, vamos dizer, 75% do valor investido. Isso obrigaria as pessoas, ainda que modestamente, a não serem omissas e avaliarem se querem assumir riscos.”

    O advogado Guilherme France, da Transparência Internacional, chama a atenção para um grande diferencial da fraude do Master que promove a dissuasão indiretamente: a presença de altas autoridades na rede de influência criada por Daniel Vorcaro.

    “Essa rede, pelo que estamos constatando, reuniu representantes nos três Poderes –desde parlamentares em altas posições do Congresso Nacional, ministros do Supremo, pessoas no Executivo em cargos de ministério”, afirma France.

    Na avaliação dele, mesmo que passivamente, essa rede serve para intimidar.
    “Se há proximidade de ministros do Supremo, qual o incentivo para um procurador da República em São Paulo investigar o dono deste banco? Qual o incentivo para um analista da CVM apontar uma irregularidade? A gente já viu fraudes bancárias maiores em outros países, mas tal captura dos Poderes da República para evitar responsabilização é inédita. Vorcaro inaugurou aí um novo patamar.”

    YouTube Gestor de fundos antecipou esquema do Master, diz estar quebrado e só anda de guarda-costas “Estou quebrado”, diz à Folha o investidor Vladimir Timerman, 46 anos, atribuindo a situação financeira ao bloqueio judicial de fundos da Esh Capital. Na véspera, o investidor estava em Brasília, depondo, na condição de testemunha, à CPI do Crime.

    Vorcaro soube usar 'omissão sistêmica' em favor do Master

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia

  • Bolsa Família de R$ 900 reais? Veja quem tem direito de receber em 2026

    Bolsa Família de R$ 900 reais? Veja quem tem direito de receber em 2026

    Os pagamentos extras foram criados para atender famílias com mais integrantes, especialmente aquelas que possuem crianças pequenas, adolescentes, gestantes e mães que amamentam. Com isso, o benefício varia de acordo com a quantidade de pessoas que se encaixam nas regras estabelecidas pelo programa.

    O Bolsa Família segue com pagamento mínimo de R$ 600 para famílias aprovadas no programa social do governo federal. No entanto, muitos beneficiários conseguem receber valores maiores graças aos adicionais oferecidos conforme a composição familiar. Em alguns casos, o valor pode chegar próximo dos R$ 900 mensais, desde que os requisitos exigidos sejam cumpridos.

    Os pagamentos extras foram criados para atender famílias com mais integrantes, especialmente aquelas que possuem crianças pequenas, adolescentes, gestantes e mães que amamentam. Com isso, o benefício varia de acordo com a quantidade de pessoas que se encaixam nas regras estabelecidas pelo programa.

    Atualmente, o Bolsa Família oferece R$ 150 adicionais para cada criança de até 6 anos de idade através do Benefício Primeira Infância. Além disso, o programa também paga R$ 50 extras para cada gestante, nutriz — mãe que amamenta — e também para crianças e adolescentes entre 7 e 18 anos incompletos.

    Outro valor complementar é o Benefício Variável Familiar Nutriz, que garante R$ 50 por bebê de até 6 meses de idade, pago em seis parcelas consecutivas. Esses adicionais também são válidos para famílias que tenham adolescentes de até 17 anos ou mulheres grávidas cadastradas corretamente.

    Para receber os valores extras, é necessário informar ao CRAS a existência desses integrantes na família. O cálculo final do benefício dependerá justamente da quantidade de pessoas que se encaixam nas categorias previstas pelo programa.

    Como receber o benefício?

    Quem deseja entrar no Bolsa Família precisa, inicialmente, realizar o cadastro de todos os membros da família no Cadastro Único (CadÚnico). O procedimento deve ser feito em um CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) ou em um posto de cadastramento do município.

    Depois disso, o governo faz uma análise das informações. Caso seja comprovado que a renda por pessoa da família é de até R$ 218 e o cadastro seja aprovado, os pagamentos passam a ser realizados pela conta Caixa Tem.

    O calendário de pagamentos de maio já foi divulgado. Beneficiários com NIS final 1 recebem no dia 18 de maio. Os pagamentos seguem até o dia 29 para quem possui NIS final 0.

    Bolsa Família de R$ 900 reais? Veja quem tem direito de receber em 2026

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia

  • Veja se você está entre os mais ricos ou mais pobres do Brasil

    Veja se você está entre os mais ricos ou mais pobres do Brasil

    Rendimento per capita dos 5% mais pobres era de até R$ 299 por mês em 2025. Fatia 1% mais rica ganhava acima de R$ 15,2 mil por pessoa, segundo IBGE

    RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – A renda domiciliar per capita (por pessoa) dos 5% mais pobres do Brasil era de até R$ 299 por mês em 2025, enquanto o 1% mais rico ganhava acima de R$ 15,2 mil.

    É o que indicam dados divulgados nesta sexta (8) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). As informações são da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua): Rendimento de todas as fontes.

    A renda domiciliar per capita soma os recursos obtidos pelos moradores de um lar e divide esse dinheiro pelo número de pessoas.

    Por exemplo: se uma mulher ganha R$ 5.000 por mês e vive com um filho (mãe solo), o rendimento domiciliar por pessoa é de R$ 2.500.

    Podem entrar no cálculo recursos obtidos com o trabalho ou outras fontes. As outras fontes pesquisadas pelo IBGE são as seguintes:

    – aposentadoria e pensão;
    – aluguel e arrendamento;
    – pensão alimentícia, doação e mesada de não morador;
    – programas sociais de transferência de renda do governo federal (como Bolsa Família e BPC), dos estados ou dos municípios;
    – outros rendimentos, como rentabilidade de aplicações financeiras, bolsas de estudo, direitos autorais, exploração de patentes etc.

    Entre os 5% mais pobres, o rendimento por pessoa era de até R$ 299 por mês em 2025. Se a análise considerar uma base mais ampla, dos 30% mais pobres, o rendimento máximo fica em R$ 906 por pessoa.

    Na fatia da população que ganhava acima dos 30% mais pobres e abaixo dos 20% mais ricos, uma camada intermediária, a renda correspondia a mais de R$ 906 até R$ 2.958 por pessoa. Esse seria o caso hipotético da mãe com o filho citado no início deste texto (R$ 2.500 por pessoa).

    Ainda segundo a Pnad, os 20% mais ricos ganhavam mais de R$ 2.958 por mês por pessoa no ano passado. Porém, como o grupo com os maiores rendimentos é bastante heterogêneo, especialistas recomendam um olhar mais detalhado para ele.

    Quando a análise considera os 10% mais ricos, a renda per capita ficava acima de R$ 4.609 no ano passado. Já os 5% mais ricos recebiam acima de R$ 6.900. Por fim, o 1% mais rico tinha ganho per capita superior a R$ 15.214 por mês.

    A análise considera o rendimento bruto. Segundo o IBGE, ganhos esporádicos, como aqueles de loterias ou similares, não são captados.

    André Salata, coordenador do laboratório de estudos PUCRS Data Social, diz que a renda per capita é importante para analisar o bem-estar das pessoas.
    “O bem-estar depende muito do rendimento do grupo familiar, porque os recursos são divididos na família”, afirma.

    QUAL É A RENDA POR PESSOA DE CADA FAIXA NO BRASIL*

    – 5% mais pobres: até R$ 299
    – 10% mais pobres: até R$ 451
    – 20% mais pobres: até R$ 694
    – 30% mais pobres: até R$ 906
    – Grupo acima dos 30% mais pobres e abaixo dos 20% mais ricos: mais de R$ 906 até R$ 2.958
    – 20% mais ricos: mais de R$ 2.958
    – 10% mais ricos: mais de R$ 4.609
    – 5% mais ricos: mais de R$ 6.900
    – 1% mais rico: mais de R$ 15.214

    Fonte: IBGE

    *Rendimento domiciliar per capita por mês em 2025 (soma a renda dos moradores de um domicílio e divide essa quantia pelo número de pessoas)

    Veja se você está entre os mais ricos ou mais pobres do Brasil

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia

  • Gás do Povo: governo fixa data de pagamento no dia 10 de cada mês

    Gás do Povo: governo fixa data de pagamento no dia 10 de cada mês

    Programa atende 15 milhões de famílias em todo o país

    O benefício do Programa Gás do Povo será pago sempre no dia 10 de cada mês, independentemente de a data cair em fim de semana ou feriado, informou nesta sexta-feira (8) o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS).

    A medida começa a valer já neste domingo (10), quando será liberado o crédito de maio para 2,71 milhões de famílias brasileiras.

    De acordo com o MDS, o investimento total em maio será de R$ 288,66 milhões. O programa garante a recarga gratuita do botijão de gás de 13 quilos para famílias de baixa renda cadastradas no Cadastro Único.

    Como funciona

    O benefício é concedido de acordo com o tamanho da família registrada no Cadastro Único.

    A regra funcionam assim:

    • famílias com dois ou três integrantes recebem um vale a cada três meses;
    • famílias com quatro ou mais pessoas recebem um vale a cada dois meses.

    Segundo o governo, o vale anterior permanece válido até o dia 9 do mês seguinte ao novo pagamento.

    Em maio, cerca de 345 mil famílias entrarão no programa pela primeira vez.

    Alcance nacional

    Atualmente, o Gás do Povo atende 15,05 milhões de famílias em todo o Brasil, alcançando aproximadamente 45,19 milhões de pessoas.

    A maioria dos benefícios é destinada a mulheres responsáveis pelos lares.

    Segundo o MDS:

    • 14,02 milhões de mulheres recebem o benefício;
    • elas representam 93,14% dos domicílios atendidos.

    O percentual de mulheres é ainda maior em algumas regiões:

    • Centro-Oeste: 95,95%;
    • Sudeste: 95,07%;
    • Sul: 94,86%;
    • Nordeste: 92,18%;
    • Norte: 90,4%.

    Divisão regional

    O Nordeste concentra o maior número de famílias atendidas pelo programa em maio.

    Veja os números por região:

    • Nordeste: 1,09 milhão de famílias e R$ 116,10 milhões;
    • Sudeste: 760,21 mil famílias e R$ 76,03 milhões;
    • Norte: 480,41 mil famílias e R$ 56,85 milhões;
    • Centro-Oeste: 194,05 mil famílias e R$ 20,59 milhões;
    • Sul: 179,71 mil famílias e R$ 19,07 milhões.

    Combate à pobreza

    O principal objetivo do programa é combater a chamada pobreza energética, situação em que famílias não conseguem arcar com custos básicos de energia, como o gás de cozinha.

    O benefício garante gratuitamente apenas para recarga do botijão de 13 kg. O programa não cobre o valor do vasilhame nem custos de entrega.

    Além da distribuição do gás, o governo criou o Programa Nacional de Acesso ao Cozimento Limpo, que prevê ações permanentes para ampliar o acesso a fontes de energia doméstica.

    Expansão gradual

    O Gás do Povo começou a ser adotado em novembro. A primeira etapa contemplou 1 milhão de famílias em dez capitais brasileiras.

    Em janeiro, o programa foi ampliado para as demais capitais do país e incorporou automaticamente famílias que já recebiam benefícios de programas anteriores.

    Para participar do programa, a família precisa:

    • ter renda por pessoa de até meio salário mínimo;
    • estar inscrita no Cadastro Único;
    • manter o cadastro atualizado nos últimos 24 meses;
    • possuir CPF regular do responsável familiar;
    • ter pelo menos duas pessoas na composição familiar.o programa prioriza famílias que já recebem o Bolsa Família.

    Como consultar

    Os beneficiários podem verificar se têm direito ao vale e localizar revendas credenciadas pelos seguintes canais:

    • aplicativo Meu Social, Gás do Povo;
    • portal oficial do programa;
    • Disque Social 121.

    No atendimento telefônico, basta informar o Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) do responsável familiar para consultar automaticamente a situação do benefício.

    Gás do Povo: governo fixa data de pagamento no dia 10 de cada mês

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia

  • Dólar fecha a R$ 4,89, menor nível desde janeiro de 2024; Bolsa avança

    Dólar fecha a R$ 4,89, menor nível desde janeiro de 2024; Bolsa avança

    Dólar fecha a R$ 4,895 com queda de 0,54% e acumula baixa de 10,8% no ano; Bolsa de Valores brasileira foi impactada e encerrou o dia em alta de 0,48%, a 184.108 pontos

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar fechou abaixo de R$ 4,90 pela primeira vez em mais de dois anos, com queda de 0,54%, cotado a R$ 4,895, nesta sexta-feira (8). É o menor valor de fechamento da moeda desde 15 de janeiro de 2024, quando terminou o dia a R$ 4,866.

    Durante o pregão, os investidores repercutiram dados do mercado de trabalho dos EUA mais fortes do que o esperado em abril e um ambiente global mais favorável a ativos de risco, o que beneficiou o real.

    Apesar da ausência de novidades relevantes, as negociações no Oriente Médio também seguiram no radar. O comportamento mais estável do petróleo beneficiou os mercados acionários.

    A Bolsa de Valores brasileira foi impactada e encerrou o dia em alta de 0,48%, a 184.108 pontos, recuperando parte das perdas da véspera.

    No ano, a moeda norte-americana tem uma baixa acumulada de 10,8%, e o Ibovespa, alta de 14,3%. Na semana, o dólar e Bolsa recuaram 1,2% e 1,7%, respectivamente.

    O principal fator do pregão foi a divulgação dos dados de emprego de abril nos Estados Unidos. A economia norte-americana abriu 115 mil postos de trabalho fora do setor agrícola no mês passado, acima da expectativa de 62 mil vagas, informou o Escritório de Estatísticas do Trabalho do Departamento do Trabalho em relatório divulgado nesta sexta-feira. A taxa de desemprego permaneceu em 4,3%.

    Economistas atribuíram parte dos resultados a um ajuste no modelo que o governo usa para estimar quantos empregos foram criados ou perdidos. Segundo eles, a grande rotatividade de empresas criadas dificulta a estimativa de empregos associados a essas companhias.

    O indicador é a principal referência do mercado para acompanhar o emprego nos EUA. Os dados reforçaram a percepção de resiliência da economia norte-americana e diminuíram os riscos de uma estagflação -quando o crescimento esfria e a inflação aumenta.

    Segundo o FedWatch da CME, o mercado aposta majoritariamente que o Fed manterá os juros na faixa de 3,5% a 3,75% nas próximas reuniões da instituição em 2026.

    Para Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, o resultado confirma um mercado de trabalho equilibrado e resiliente. Isso ocorre mesmo em meio ao conflito no Oriente Médio. “Ao observar os indicadores, o Fed enxerga uma economia que não demanda qualquer tipo de afrouxamento monetário neste momento.”

    Segundo ele, os dados sinalizam que o foco do Fed deve se deslocar para o monitoramento da inflação, “especialmente no que diz respeito aos impactos do conflito”. “Esse cenário é consistente com a postura que Powell indicou na última reunião do Fed: aguardar e observar antes de sinalizar qualquer movimento”.

    Nickolas Lobo, especialista em investimentos da Nomad, também destaca que o Fed ganha mais conforto para definir a trajetória de juros. Segundo ele, os resultados afastam os temores “de uma desaceleração econômica que flertava com o risco de estagflação”.

    Os dados repercutem no exterior, onde o dólar cai e as Bolsas sobem. O índice DXY, que mede o desempenho da moeda norte-americana, recuou 0,39%. Nos EUA, S&P 500 e o Nasdaq fecharam em recordes, com avanços de 0,84% e 1,71%.

    Os dados também reforçaram o diferencial de juros do Brasil em relação aos EUA. No final de abril, o Fed manteve a taxa de juros inalterada na faixa de 3,5% a 3,75%. No mesmo dia, o Copom anunciou um corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, levando a Selic a 14,5% ao ano.

    Segundo Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, esse é um dos fatores que beneficiam o mercado doméstico e ajudam a explicar a valorização do real e Bolsa ao longo de 2026.

    “O Brasil tem alguns fatores particulares. Além de atrair fluxo para a Bolsa devido a essa realocação geográfica, o país oferece um diferencial de juros importante. O real é uma das moedas com maior carrego entre os emergentes e, ao mesmo tempo, é extremamente líquido para o investidor internacional montar e desmontar posições”, afirma.

    Para ele, investidores estão aumentando exposição a emergentes por conta da política econômica do governo norte-americano e vendo o país como um mercado com juros atrativos, espaço para corte de juros no futuro, inflação convergindo para a meta e um Banco Central responsável. “Tudo isso sustenta esse fluxo para o país”.

    O pregão também foi marcado pelo confronto envolvendo EUA e Irã no Oriente Médio. O presidente norte-americano, Donald Trump, disse que um cessar-fogo permanece em vigor, apesar da intensificação dos combates na região.

    Segundo o chefe da diplomacia de Washington, Marco Rubio, o país espera receber ainda nesta sexta-feira uma resposta do Irã à sua mais recente proposta para encerrar a guerra no Oriente Médio.

    Na quinta-feira, Trump afirmou que três destróieres da Marinha dos EUA foram atacados enquanto atravessavam o estreito de Hormuz, via por onde passa cerca de 20% do abastecimento mundial de petróleo e gás.

    Os Emirados Árabes Unidos também disseram que suas defesas aéreas estavam enfrentando ameaças de mísseis e drones do Irã no início da sexta-feira, embora os detalhes fossem escassos.

    Na quarta-feira, um porta-voz do Paquistão afirmou que os dois países estavam próximos de um acordo. O tratado envolveria três pontos: o fim formal da guerra, o desbloqueio no estreito de Hormuz e uma janela de 30 dias para negociações sobre um acordo mais amplo, segundo as pessoas ouvidas.

    Para Bruno Cordeiro, analista de inteligência de mercado da StoneX, “o mercado pondera entre a sinalização de Trump de que o cessar-fogo segue em vigor e o ceticismo crescente em relação à possibilidade de um acordo definitivo de paz”.

    O conflito no Oriente Médio bloqueia o fluxo no estreito de Hormuz. A paralisação tem gerado um temor de um repique inflacionário global por levar os preços de petróleo a dispararem. Nesta sexta, o contrato de julho do petróleo Brent, referência mundial, subia 0,43%, a US$ 100,49, por volta das 17h.

    Dólar fecha a R$ 4,89, menor nível desde janeiro de 2024; Bolsa avança

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia

  • Mendonça autoriza transferência de ex-presidente do BRB para Papudinha

    Mendonça autoriza transferência de ex-presidente do BRB para Papudinha

    Decisão do ministro indica andamento de negociações de delação premiada. Investigações apontam que Paulo Henrique Costa foi peça essencial na aquisição de carteiras do Master

    BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), atutorizou nesta sexta-feira (8) a transfência do ex-presidente do BRB (Banco de Brasília) Paulo Henrique Costa, preso em 16 de abril por envolvimento nas fraudes do Banco Master, para o 19º Batalhão de Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha.

    A decisão é um indício para o andamento das negociações de um acordo de colaboração premiada.

    Costa foi preso em abril em seu apartamento no Noroeste, região nobre de Brasília, e levado até a Superintendência da PF. A medida foi autorizada pelo relator do caso na corte. No mesmo dia, ele foi transferido para o Complexo Penitenciário da Papuda, também na capital federal.

    Paulo Henrique Costa é investigado por seu papel na tentativa de compra do Master pelo BRB e na compra de carteiras oferecidas pelo banco de Daniel Vorcaro, além das operações em que o banqueiro e seus associados se tornaram acionistas do Banco de Brasília.

    Segundo o Ministério Público, Costa “foi peça essencial” na viabilização da aquisição dessas carteiras.

    As investigações indicam que o executivo teria ocultado seis imóveis recebidos como propina, quatro em São Paulo e dois em Brasília, avaliados em R$ 146,5 milhões , dos quais cerca de R$ 74,6 milhões já teriam sido efetivamente pagos, conforme os elementos reunidos até o momento da operação.

    Advogado de Costa, Cléber Lopes disse anteriormente que seu cliente não praticou crime algum e que a prisão realizada pela PF foi um exagero por parte da Justiça. Ele disse que não mudará a estratégia e segue “firme na convicção de que o Paulo Henrique não cometeu crime algum”.

    Mendonça autoriza transferência de ex-presidente do BRB para Papudinha

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia

  • Ministro do TCU libera novos consignados do INSS após recurso da AGU

    Ministro do TCU libera novos consignados do INSS após recurso da AGU

    Cartões consignados continuam suspensos por suspeita de fraude

    O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Marcos Bemquerer Costa autorizou nesta sexta-feira (8) a retomada da concessão de novos empréstimos pessoais consignados do INSS, após analisar um recurso apresentado pelo governo federal.

    A decisão tem efeito imediato e vale até o julgamento definitivo do caso pelo plenário da Corte.

    As modalidades de “cartão de crédito consignado” e “cartão consignado de benefício”, no entanto, continuam suspensas por determinação do tribunal.

    Empréstimos liberados

    A decisão atende a um pedido apresentado pela Advocacia-Geral da União (AGU) após o TCU determinar, na semana passada, a suspensão de novas operações de crédito consignado para aposentados e pensionistas do INSS.

    No recurso, o Executivo argumentou que a interrupção dos empréstimos pessoais poderia gerar impactos econômicos e sociais relevantes, ao dificultar o acesso ao crédito por parte dos segurados.

    Segundo o governo, a medida poderia empurrar aposentados para linhas de crédito mais caras, aumentar o risco de superendividamento e reduzir a circulação de dinheiro na economia.

    Ao liberar novamente os empréstimos pessoais, o ministro afirmou que houve avanço na implementação de mecanismos de segurança no sistema utilizado para as operações.

    “Novas informações acerca do estágio avançado da implementação das demandas estruturantes da segurança dos empréstimos pessoais consignados justificam, excepcionalmente, a suspensão da medida cautelar”, escreveu Bemquerer na decisão.

    Cartões suspensos

    Apesar da liberação parcial, o TCU manteve proibidas as novas concessões nas modalidades:

    • cartão de crédito consignado;
    • cartão consignado de benefício.

    Esses produtos são considerados mais sensíveis pelo tribunal devido ao maior número de indícios de irregularidades encontrados nas auditorias. A suspensão continuará válida até nova análise da Corte.

    Entenda o caso

    Em 29 de abril, o TCU determinou a suspensão imediata de novos empréstimos consignados do INSS após identificar falhas de segurança no sistema “eConsignado”.

    Segundo o tribunal, havia risco de danos financeiros aos aposentados e também aos cofres públicos.

    Entre os problemas apontados estavam:

    • contratos sem autorização dos beneficiários;
    • empréstimos feitos em nome de pessoas falecidas;
    • fraudes de identidade;
    • falhas na validação biométrica;
    • desvio de recursos;
    • ausência de documentação;
    • cobrança de taxas abusivas.

    A decisão ocorreu após auditorias apontarem indícios de práticas abusivas e possível vazamento de dados sigilosos de aposentados e pensionistas.

    Dados preocupam

    Relatórios da Controladoria-Geral da União mostraram forte incidência de problemas nos cartões consignados.

    Segundo a CGU:

    • 36% dos entrevistados disseram não reconhecer a contratação do cartão;
    • 25% afirmaram não ter solicitado o produto;
    • 36% relataram não ter recebido os valores do saque;
    • 78% disseram não receber as faturas dos cartões.

    O TCU avaliou que as falhas expõem aposentados a golpes financeiros e aumentam o risco de endividamento irregular.

    Mercado bilionário

    A suspensão dos consignados havia gerado preocupação no mercado financeiro e dentro do governo. O setor movimenta cerca de R$ 100 bilhões e atende milhões de aposentados e pensionistas do INSS.

    Segundo estimativas do setor bancário, cerca de 17 milhões de beneficiários poderiam ser afetados pela paralisação das operações. Desse total, mais da metade estaria negativada e sem acesso a outras linhas tradicionais de crédito.

    Mudanças futuras

    Além da suspensão parcial, o governo federal também anunciou mudanças permanentes no crédito consignado do INSS.

    A medida provisória (MP) da nova versão do Desenrola Brasil, publicada nesta semana, prevê o fim gradual do cartão consignado.

    Pelas novas regras:

    • o produto começará a ser reduzido em 2027;
    • o limite de comprometimento da renda cairá progressivamente;
    • a modalidade deixará de existir a partir de 2029.

    A MP também alterou regras do empréstimo consignado tradicional.

    Entre as mudanças:

    • o prazo máximo de pagamento aumentará de oito para nove anos;
    • o limite total de comprometimento da renda cairá de 45% para 40%;
    • posteriormente, esse percentual será reduzido gradualmente até 30%.

    Ministro do TCU libera novos consignados do INSS após recurso da AGU

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia

  • Gigante das criptomoedas cobra R$ 1,6 bilhão do Master na Justiça e pede penhora de bens

    Gigante das criptomoedas cobra R$ 1,6 bilhão do Master na Justiça e pede penhora de bens

    Em agosto, banco deixou de pagar parcelas da dívida firmada via empresa em paraíso fiscal. OUTRO LADO: Defesa de Vorcaro não quis comentar o caso

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Maior empresa de criptomoedas no mundo, a Tether cobra o Banco Master na Justiça paulista o pagamento de um empréstimo de US$ 300 milhões que fez a uma holding ligada à instituição financeira em março do ano passado.

    A multinacional, conhecida por criar uma das versões do dólar digital, o USDT, cobra do Master R$ 1,64 bilhão (US$ 327,4 milhões), considerando os juros anuais e moratórios que somam 13,87%. O caso foi revelado pelo jornal o Estado de S.Paulo e confirmado pela Folha de S.Paulo.

    A dívida venceria em março deste ano, mas teve seu prazo de pagamento antecipado por cláusulas contratuais acionadas quando o banco de Daniel Vorcaro teve sua nota de crédito rebaixada no ano passado. A Tether pede a penhora de uma conta que era destino do pagamento de empréstimos consignados para servidores públicos, usada como garantia do negócio, e a localização de demais bens do Master para liquidação do débito.

    Procurada, a defesa de Daniel Vorcaro, presidente e controlador do Master na época do negócio, disse que não irá comentar o caso. A Tether afirma que o calote desde setembro não afeta a liquidez de suas criptomoedas, que são lastreadas em ativos reais como o dólar, o euro e ouro.

    Documentos anexados aos autos mostram que o Master reconheceu a dívida em uma corte de arbitragem de Londres. A Tether alega ainda que não sabia das operações policiais que estavam em curso contra o banco, que foram anunciadas apenas em novembro.

    Com o pedido, a Tether também tenta furar a fila de credores do Master, estabelecida desde a liquidação, que prioriza créditos trabalhistas e tributários. Uma estimativa recente do Fundo Garantidor de Créditos aponta que o Master consumiu cerca de R$ 50 bilhões.

    O gigante das criptomoedas, sediado em El Salvador, alega que seu contrato de empréstimo foi firmado com uma empresa de fora do conglomerado bancário do Master, a Titan Holding, uma companhia que Vorcaro abriu nas Ilhas Cayman e depois repassou para outros diretores do Master. O trato envolveu ativos no Brasil como garantia, e a Tether pede que a Justiça desconsidere esses ativos como patrimônio do Master no cumprimento de dívidas com outras instituições.

    O Master garantiu o empréstimo com a multinacional com cédulas de créditos bancários decorrentes de empréstimos consignados de servidores públicos da linha Credcesta, então operadas pelo próprio banco. Os valores caem mensalmente em uma conta no Master, segundo o contrato firmado com a Tether.

    A Titan recebeu o empréstimo em duas parcelas: US$ 100 milhões em 28 de março de 2025 e US$ 200 milhões em 1º de abril do mesmo ano. Em agosto, suas empresas deixaram de pagar a rolagem mensal da dívida -o valor principal tampouco foi quitado.

    O empréstimo deveria ser pago, com valor acrescido de juros anuais de 11,78%, no prazo de um ano, que se esgotaria em março. A multinacional argumenta, no entanto, que uma cláusula de vencimento antecipado foi acionada quando a agência de avaliação de risco Fitch rebaixou a nota do Master devido ao veto a compra do banco de Vorcaro pelo BRB (Banco de Brasília).

    O contrato ainda determinava o vencimento antecipado da dívida em outras situações, como o não pagamento de qualquer valor no vencimento e eventos relacionados à situação do Banco Master, entre eles a suspensão de suas atividades, a perda da autorização do Banco Central para operar como instituição financeira, o descumprimento de requisitos regulatórios de capital ou sua liquidação extrajudicial. Todos os eventos aconteceram desde que a Polícia Federal anunciou investigações contra o Master em novembro.

    O Master mantinha negócios com empresas de criptomoedas desde que Vorcaro assumiu o controle da instituição, ainda chamada de Banco Máxima, em 2019. A chegada do ex-banqueiro mineiro à instituição alavancou as operações de câmbio da instituição financeira, que, em geral, eram voltadas a operações com criptoativos.

    A operação Colossus, da Polícia Federal, mostrou que o então Banco Máxima fez remessas de US$ 531 milhões, entre dezembro de 2018 e abril de 2021, para uma empresa investigada sob a suspeita de lavar dinheiro para a facção criminosa PCC e o grupo terrorista Hezbollah.

    Gigante das criptomoedas cobra R$ 1,6 bilhão do Master na Justiça e pede penhora de bens

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia

  • Para navegar nas stablecoins, precisamos separar função monetária e tecnológica, diz Lagarde

    Para navegar nas stablecoins, precisamos separar função monetária e tecnológica, diz Lagarde

    Presidente do BCE afirma que stablecoins apresentam riscos à estabilidade financeira e critica pressão para adoção na Europa; para ela, avanço tecnológico não exige necessariamente a criação de moedas digitais privadas denominadas em euros

    A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, afirmou nesta sexta-feira (8) que os benefícios atribuídos às stablecoins se baseiam em duas funções distintas, a monetária e a tecnológica. Segundo ela, essas dimensões são frequentemente confundidas no debate atual, e é preciso separá-las para uma análise adequada.

    “Uma vez que desembaraçamos essas duas funções, o caso de promover stablecoins denominadas em euros parece muito mais fraco do que aparenta, e surge uma pergunta ainda mais fundamental: nós realmente precisamos de stablecoins para obter os benefícios que se alega que elas oferecem? Ou estamos confundindo o instrumento com o resultado, a árvore com a floresta?”, questionou.

    Lagarde afirmou que, na dimensão monetária, as stablecoins representam riscos à estabilidade financeira e à transmissão da política monetária, superando os possíveis ganhos de curto prazo.

    Já no aspecto tecnológico, ela apontou dois problemas estruturais no modelo atual: a fragilidade e a fragmentação.

    “Mas a resposta não está em rejeitar a tecnologia, nem em desestimular stablecoins por completo, nem em sufocar a inovação. De forma alguma. Em vez disso, precisamos construir uma infraestrutura pública que permita que instrumentos alternativos, como stablecoins e outras formas de dinheiro tokenizado, operem dentro de um arcabouço ancorado em dinheiro de banco central”, afirmou.

    As declarações foram feitas durante palestra no I Fórum Econômico do Banco da Espanha para a América Latina, realizado em Roda de Bará, na Espanha.

    Na abertura, Lagarde disse que faria uma análise técnica para desmistificar o papel das stablecoins e explicar por que não considera essencial que a Europa avance nessa direção ou, em outras palavras, que passe a competir com as moedas digitais já existentes.

    Ela destacou que a maioria das stablecoins é denominada em dólares e que o mercado é dominado por dois emissores, sediados em El Salvador e nos Estados Unidos.

    Segundo a presidente do BCE, com a expansão do uso dessas moedas e o aumento da integração com o sistema financeiro tradicional, os riscos à estabilidade ficaram mais evidentes, especialmente em regiões como América Latina e África. Ainda assim, o tema passou a ganhar espaço também em economias avançadas, como a Europa.

    Lagarde lembrou que a União Europeia foi pioneira na regulação do setor, mas ressaltou que os Estados Unidos avançaram além, com a chamada Lei GENIUS, que adota uma abordagem mais ampla.

    “A administração dos EUA a descreve explicitamente como uma ferramenta para, e eu cito, ‘garantir a continuidade da dominância global do dólar americano’, consolidando a demanda por títulos do Tesouro dos EUA”, afirmou.

    Para ela, esse movimento mudou o foco do debate. “Não se trata mais de saber se as stablecoins deveriam existir, mas se as jurisdições podem se dar ao luxo de não tê-las. O argumento crescente é que a Europa deve responder promovendo stablecoins em euros. Caso contrário, enfrentaria um cenário de dolarização digital e perda de soberania monetária.”

    Lagarde, no entanto, avalia que essa conclusão parte de uma confusão entre as funções tecnológica e monetária das stablecoins.

    Para navegar nas stablecoins, precisamos separar função monetária e tecnológica, diz Lagarde

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia