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  • Merz diz que tentará reunião com Trump em Davos e cita possível retaliação europeia

    Merz diz que tentará reunião com Trump em Davos e cita possível retaliação europeia

    O chanceler destacou ainda que a Groenlândia pertence à “área europeia da Otan” e disse confiar em uma resposta unificada após a cúpula da União Europeia marcada para a próxima quinta-feira

    O chanceler alemão, Friedrich Merz, disse nesta segunda-feira, 19, que tentará se reunir com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na próxima quarta-feira, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, para evitar uma nova escalada das tensões. Ele afirmou que os países europeus irão retaliar os EUA para proteger seus interesses caso as tarifas anunciadas por Trump entrem em vigor.

    “Nós simplesmente queremos tentar resolver esse problema juntos, e o governo americano sabe que nós também poderíamos retaliar. Eu não quero, mas, se necessário, é claro que protegeremos tanto nossos interesses europeus quanto nossos interesses nacionais alemães”, disse Merz em discurso.

    O mandatário acrescentou que quaisquer tarifas que o presidente dos Estados Unidos tenha ameaçado impor a países que apoiem a soberania da Groenlândia prejudicariam as relações transatlânticas.

    “Essas tarifas ainda trazem um risco de escalada nas negociações. Os impostos tarifários geralmente são pagos pelos países que importam as mercadorias e, nesse caso, seriam os americanos que arcariam com esse custo”, afirmou. “As tarifas também afetariam a economia da Europa e da Alemanha em especial, e responderemos a essas medidas da maneira apropriada.”

    O chanceler destacou ainda que a Groenlândia pertence à “área europeia da Otan” e disse confiar em uma resposta unificada após a cúpula da União Europeia marcada para a próxima quinta-feira.

    Merz diz que tentará reunião com Trump em Davos e cita possível retaliação europeia

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  • Dólar no fim de 2026 continua em R$ 5,50, projeta Focus

    Dólar no fim de 2026 continua em R$ 5,50, projeta Focus

    A projeção anual de câmbio publicada no Focus é calculada com base na média para a taxa no mês de dezembro, e não no valor projetado para o último dia útil de cada ano, como era até 2020.

    A mediana do relatório Focus para a cotação do dólar no fim de 2026 permaneceu em R$ 5,50 pela 14ª semana consecutiva. A projeção para a moeda no fim de 2027 também continuou em R$ 5,50 pela 12ª leitura seguida.

    Para o fim de 2028, se manteve em R$ 5,52. Um mês antes, era de R$ 5,51. Já para 2029, seguiu em R$ 5,57. Quatro semanas atrás, era de R$ 5,56.

    A moeda americana fechou 2025 cotada em R$ 5,4840, com perda acumulada de 11,18% frente ao real. A apreciação da divisa brasileira foi motivada pelo enfraquecimento global do dólar e pela atratividade das operações de carry trade, na esteira do forte ciclo de aperto monetário conduzido pelo Banco Central, que levou a Selic a 15% ao ano.

    A projeção anual de câmbio publicada no Focus é calculada com base na média para a taxa no mês de dezembro, e não no valor projetado para o último dia útil de cada ano, como era até 2020.

     

    Dólar no fim de 2026 continua em R$ 5,50, projeta Focus

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  • Projeção de Selic 2026 atualizada nos últimos 5 dias úteis segue em 12%, aponta Focus

    Projeção de Selic 2026 atualizada nos últimos 5 dias úteis segue em 12%, aponta Focus

    Em dezembro, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a Selic em 15% pela quarta vez seguida. A decisão veio em linha com a mediana do Focus para a Selic no fim de 2025, que permaneceu estável nesse nível por 24 semanas seguidas

    A mediana do relatório Focus para a Selic no fim de 2026 permaneceu em 12,25%, pela quarta semana seguida. Considerando só as 51 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana seguiu em 12,00%.

     

    A projeção para o fim de 2027 continuou em 10,50% pela 49ª semana seguida. A mediana para a Selic no fim de 2028 subiu de 9,88% para 10,00%. Há um mês, estava em 9,75%.

    Para o fim de 2029, a mediana permaneceu em 9,50%, pela 12ª semana consecutiva.

    Em dezembro, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a Selic em 15% pela quarta vez seguida. A decisão veio em linha com a mediana do Focus para a Selic no fim de 2025, que permaneceu estável nesse nível por 24 semanas seguidas.

    Na ata, o colegiado afirmou que “a estratégia em curso, de manutenção do nível corrente da taxa de juros por período bastante prolongado, é adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”.

     

    Projeção de Selic 2026 atualizada nos últimos 5 dias úteis segue em 12%, aponta Focus

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  • Governo vai criar 78.674 novas vagas e preencher 85.128 cargos federais em 2026

    Governo vai criar 78.674 novas vagas e preencher 85.128 cargos federais em 2026

    Arão preenchidas vagas atuais e futuras até 2026, enquanto a criação de 78 mil novos cargos amplia o quadro de pessoal após aprovação do Orçamento, por gerar aumento de despesas

    (FOLHAPRESS) – A Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026 autoriza a criação de 78.674 vagas e o provimento de 85.128 cargos nos três Poderes. A medida abre espaço para novos concursos públicos e para a recomposição do quadro de servidores ao longo do ano.

    O total de cargos a serem providos inclui tanto vagas atualmente abertas quanto aquelas que devem surgir em 2026 em razão de aposentadorias, falecimentos ou exonerações. Já a criação de cerca de 78 mil novos cargos representa a ampliação do quadro de pessoal e passou a valer após a aprovação do Orçamento, por envolver aumento de despesa.

    Ao todo, as despesas previstas para 2026 com concessão de vantagens, reajustes salariais e alterações na estrutura das carreiras somam R$ 8,3 bilhões. Desse total, R$ 4,2 bilhões estão destinados ao Poder Executivo federal, enquanto R$ 2,7 bilhões irão para o Judiciário.

    Cerca de R$ 2,2 bilhões serão direcionados ao provimento de cargos efetivos na área de educação, além de R$ 2,4 bilhões para outras funções fora desse setor. No Judiciário, o maior impacto orçamentário será na Justiça Eleitoral, com custo estimado de R$ 274 milhões para o preenchimento de vagas.

    Distribuição das vagas

    Os números incluem tanto cargos efetivos, preenchidos por servidores concursados, quanto funções comissionadas, que não exigem concurso público. Do total autorizado, 75.509 vagas criadas e 79.872 cargos a serem providos concentram-se no Executivo federal.

    A maior parte das autorizações está voltada à área de educação, especialmente para universidades e institutos federais, com previsão de provimento de 22.580 vagas para professores e técnicos-administrativos. Fora desse setor, estão previstos cerca de 48 mil cargos com provimento imediato.

    A LOA também autoriza o preenchimento de 8.209 vagas para recomposição de efetivo no Exército, na Marinha e na Aeronáutica, além de cargos para a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e para o Ministério das Relações Exteriores (MRE).

    No Poder Judiciário, estão previstas a criação e o provimento de 6.983 vagas. A maior parte será destinada à Justiça Eleitoral, que terá suas atividades intensificadas em função das eleições deste ano. Também é esperado o provimento de cargos no Legislativo, no Ministério Público e na Defensoria Pública da União.

    Concursos em ano eleitoral

    Com a proximidade das eleições, cresce a preocupação sobre a realização de concursos públicos, publicação de editais e nomeação de novos servidores. Segundo Eduardo Cambuy, professor do Gran Concursos, não há proibição para a realização de concursos em ano eleitoral.

    “A vedação é em relação à nomeação e à posse, e mesmo assim apenas nos três meses que antecedem a eleição”, explica. Na prática, as nomeações ficam proibidas entre o fim de junho e o início de julho. De acordo com Cambuy, a regra serve como salvaguarda da legislação eleitoral para evitar o uso dessas medidas como instrumento de campanha.

    Com isso, a expectativa é de que o primeiro semestre concentre maior volume de atividades relacionadas a concursos públicos. A proibição de nomeações durante o período eleitoral atinge, em regra, todos os Poderes e órgãos da administração pública, mas há exceções, especialmente no Judiciário. Nesses casos, se o concurso tiver sido homologado antes do início do período de restrição, o tribunal pode realizar nomeações e posses mesmo nos três meses que antecedem a eleição.

    Para os demais Poderes, a regra é mais rígida. Ainda que o concurso já esteja homologado, as nomeações e posses ficam proibidas. Há exceções também para reposições decorrentes de aposentadoria, morte ou exoneração. “Quando você repõe servidores que se aposentaram ou deixaram o cargo, isso não configura campanha eleitoral, é apenas reposição”, afirma o especialista.

    Entre os concursos que devem concentrar maior atenção em 2026, Cambuy destaca o Concurso Nacional Unificado (CNU), no Executivo. “A expectativa é que seja homologado até abril ou, no máximo, maio, para que as convocações ocorram ainda nesse período”, diz.

    Outro destaque é o concurso do Banco do Brasil. Por se tratar de uma sociedade de economia mista, o banco segue regras próprias, mas, segundo o professor, também sofre influência do calendário eleitoral, especialmente devido ao envolvimento político de seus dirigentes.
     
     

     

    Governo vai criar 78.674 novas vagas e preencher 85.128 cargos federais em 2026

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  • Mercosul-UE: café e frutas terão tarifa zero; para carnes e açúcar, cotas e tarifas reduzidas

    Mercosul-UE: café e frutas terão tarifa zero; para carnes e açúcar, cotas e tarifas reduzidas

    As cotas previstas para a exportação de produtos agrícolas do Mercosul à UE serão posteriormente distribuídas entre os países do bloco. Outros produtos, como suco de laranja, cachaça, fumo, queijos, iogurte e manteiga, terão tratamentos específicos nas exportações do Mercosul para o mercado europeu.
     

    O acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia (UE), assinado hoje pelos blocos, prevê a exportação de frutas como abacates, limões, limas, melões, melancias, uvas de mesa e maçãs, além de café do Mercosul para a UE, sem tarifas e sem cotas, segundo informações do governo brasileiro divulgadas em factsheet. As condições previstas no tratado foram acordadas entre os blocos ao fim de dezembro de 2024. Outros produtos agropecuários do Mercosul estarão sujeitos a cotas e tarifas reduzidas em relação aos tributos atuais, com condições como uma desgravação mais gradual.

    Com o acordo de livre comércio entre Mercosul e UE, o agronegócio brasileiro deve obter melhores condições tarifárias para acesso ao seu segundo maior destino. Atualmente, a União Europeia responde por 14,9% de todas as exportações do agronegócio brasileiro, com US$ 25,2 bilhões exportados em 2025. Alguns produtos terão desgravação gradual, enquanto outros entrarão com acesso preferencial, com cotas divididas entre os países do Mercosul e tarifas inferiores às atualmente vigentes.

    Os pontos relativos ao comércio de produtos agrícolas, dentro do capítulo sobre comércio de bens, são os mesmos anunciados em 2019 pelos blocos e confirmados na conclusão das negociações em 2024. A livre entrada de produtos agropecuários do Mercosul na Europa era uma das principais preocupações de países produtores do bloco europeu, que temiam perda de competitividade. Por isso, o tratamento com adoção de cotas e redução gradual de tarifas foi aplicado principalmente a itens do setor agrícola e da agroindústria considerados sensíveis pela UE. Para cada produto, haverá um cronograma específico de desgravação, que pode chegar a tarifa zero após alguns anos. Excedido o volume da cota, os produtos estarão sujeitos às tarifas atualmente em vigor.

    Para cafés verde, torrado e solúvel, cuja alíquota atual varia de 7,5% a 11%, a retirada das tarifas ocorrerá em um período de quatro a sete anos. No caso do café, haverá exigência de que 40% do café verde e entre 40% e 50% do café solúvel sejam originários do Brasil.

    Para uvas frescas de mesa, atualmente taxadas em 11%, haverá retirada imediata das tarifas, com livre comércio. Para abacates, hoje sujeitos a uma alíquota de 4%, a desgravação ocorrerá ao longo de quatro anos, até zerar a tarifa. Limões e limas, com tarifa atual de 14%, melancias, com alíquota de 9%, e melões, também com 9%, terão eliminação das tarifas em sete anos. No caso das maçãs, cuja alíquota é de 10%, a retirada da tarifa ocorrerá em um prazo de dez anos.

    Também terão tarifas zeradas de forma gradual, mas com cotas, as exportações de açúcar, etanol, arroz, mel, milho e sorgo. Para o açúcar, o Mercosul poderá exportar à UE um volume de 180 mil toneladas com tarifa zero já na entrada em vigor do acordo. O volume excedente à cota ficará sujeito às alíquotas atuais, que variam entre 11 euros e 98 euros por tonelada. Para o etanol industrial, a cota será de 450 mil toneladas sem tributo na entrada em vigor do acordo. Já para o etanol destinado a outros usos, incluindo combustível, a cota será de 200 mil toneladas, com um terço sujeito à tarifa europeia, de 6,4 ou 3,4 euros por hectolitro, em volume crescente ao longo de seis estágios em cinco anos.

    No caso do arroz, poderão ser exportadas 60 mil toneladas pelo Mercosul com tarifa zero, válidas a partir da entrada em vigor do acordo, também em volume crescente em seis estágios ao longo de cinco anos. Para o mel, a cota com imposto zerado será de 45 mil toneladas, com vigência imediata e crescimento em seis estágios em cinco anos. Para milho e sorgo, os países do Mercosul poderão exportar 1 milhão de toneladas isentas de tarifa na entrada em vigor do acordo, com volume crescente em seis estágios anuais ao longo de cinco anos. No caso dos ovos, poderão ser exportadas 3 mil toneladas com tarifa zero, com crescimento em seis estágios anuais em cinco anos, tratamento igual ao concedido à ovoalbumina.

    Já as proteínas exportadas pelo Mercosul à UE estarão sujeitas a cotas com alíquotas reduzidas. Para a carne bovina, poderão ser exportadas 99 mil toneladas em peso carcaça, sendo 55% resfriada e 45% congelada, com tarifa de 7,5% e volume crescente em seis estágios. Para o volume já destinado à cota Hilton, de 10 mil toneladas, a tarifa passará de 20% para zero na entrada em vigor do acordo. Atualmente, a tarifa máxima aplicada à carne bovina exportada pelo Brasil chega a 178,4%.

    Para a carne de aves, a cota será de 180 mil toneladas em peso carcaça, com tarifa zero, sendo 50% com osso e 50% desossada, também com crescimento em seis estágios. No caso da carne suína, poderá ser exportada uma cota de 25 mil toneladas, com tarifa de 83 euros por tonelada e volume crescente em seis estágios. Hoje, a alíquota varia de 46,7 euros por tonelada a 86,9 euros por tonelada.

    As cotas previstas para a exportação de produtos agrícolas do Mercosul à UE serão posteriormente distribuídas entre os países do bloco. Outros produtos, como suco de laranja, cachaça, fumo, queijos, iogurte e manteiga, terão tratamentos específicos nas exportações do Mercosul para o mercado europeu.
     
     

     

     

     

    Mercosul-UE: café e frutas terão tarifa zero; para carnes e açúcar, cotas e tarifas reduzidas

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  • Fortuna de 12 bilionários supera a renda de metade da população mundial

    Fortuna de 12 bilionários supera a renda de metade da população mundial

    Levantamento da Oxfam revela que a concentração de riqueza atingiu um nível histórico, com um pequeno grupo de super-ricos acumulando mais recursos do que cerca de quatro bilhões de pessoas, enquanto a pobreza segue avançando em diversas regiões do planeta.

    A concentração de riqueza global atingiu um patamar histórico e escancarou ainda mais a desigualdade no planeta. Um novo relatório da Oxfam revela que as 12 pessoas mais ricas do mundo concentram hoje mais dinheiro do que a metade mais pobre da população global, o equivalente a cerca de quatro bilhões de pessoas.

    Segundo o estudo, divulgado nesta semana, a fortuna dos bilionários cresceu mais de 16% em 2025, ritmo três vezes superior à média registrada nos últimos cinco anos. Com isso, o patrimônio acumulado desse grupo chegou a 15,7 trilhões de euros (R$ 98,9 trilhões), o maior valor já registrado.

    A Oxfam destaca que apenas no último ano a riqueza dos bilionários aumentou em 2,1 trilhões de euros (R$ 13,2 trilhões), montante que, segundo a organização, seria suficiente para erradicar a pobreza extrema no mundo 26 vezes. Pela primeira vez, o número de bilionários ultrapassou a marca de 3.000 pessoas. No topo da lista está o empresário norte-americano Elon Musk, que se tornou o primeiro indivíduo a ultrapassar uma fortuna pessoal de 500 bilhões de dólares, o equivalente a cerca de 430 bilhões de euros (R$ 2,7 trilhões).

    O relatório aponta que a riqueza acumulada pelos super-ricos em 2025 permitiria distribuir cerca de 250 dólares (aproximadamente R$ 1.575) para cada habitante do planeta e, ainda assim, os bilionários manteriam cerca de 430 bilhões de euros (R$ 2,7 trilhões). Desde 2020, a fortuna desse grupo cresceu 81%, em um contexto no qual uma em cada quatro pessoas no mundo não tem acesso regular a alimentos e quase metade da população vive em situação de pobreza.

    Intitulado Resistir ao Domínio dos Ricos: Proteger a Liberdade do Poder dos Bilionários, o estudo analisa como a concentração extrema de riqueza tem sido acompanhada pela ampliação do poder político dos super-ricos, que passam a influenciar regras econômicas e sociais em benefício próprio. A Oxfam cita especialmente os Estados Unidos, associando o avanço da desigualdade à gestão do presidente Donald Trump, que, segundo a ONG, adotou políticas favoráveis aos bilionários.

    De acordo com a organização, medidas como cortes de impostos para os mais ricos, o enfraquecimento de iniciativas globais para tributar grandes empresas, o recuo no combate a monopólios e o estímulo a setores como o de inteligência artificial contribuíram para ampliar os ganhos do topo da pirâmide econômica.

    A Oxfam ressalta, porém, que o fenômeno não se limita aos Estados Unidos. O relatório aponta que oligarquias econômicas vêm minando instituições e ampliando desigualdades em diferentes regiões do mundo.

    Diante desse cenário, a confederação de ONGs defende que governos adotem planos nacionais para reduzir a disparidade entre ricos e pobres, com destaque para a criação de impostos sobre grandes fortunas e para o fortalecimento de regulações que garantam maior independência da imprensa e das instituições democráticas.

    O relatório foi divulgado no mesmo dia da abertura do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, evento que reúne líderes políticos, empresariais e financeiros para discutir os rumos da economia global. A edição deste ano conta com a presença de Trump, da maior delegação norte-americana já enviada ao fórum, além de representantes de peso da China, da União Europeia e de chefes de Estado das principais economias do mundo.
     
     

     

    Fortuna de 12 bilionários supera a renda de metade da população mundial

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  • 'Vamos aprofundar o Turbo, com entregas em até 20 minutos', diz CEO do iFood

    'Vamos aprofundar o Turbo, com entregas em até 20 minutos', diz CEO do iFood

    A também chinesa 99 Food –que operou no Brasil entre 2020 e 2023 e saiu, por não conseguir competir com a exclusividade firmada pelo iFood com restaurantes– voltou em junho, depois que o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) impôs restrições ao privilégio. Só para o primeiro ano de atividades, reservou R$ 2 bilhões.

    DANIELE MADUREIRA
    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – “Todo mundo tinha US$ 1 milhão [R$ 5,4 milhões] no bolso para competir entregando cupom”, diz Diego Barreto, 43, CEO do iFood, lembrando o final de 2018, quando assumiu a vice-presidência de finanças do aplicativo, época em que o app era criticado por promoções agressivas, como refeições a R$ 4,99. Em sete anos, o iFood dominou a concorrência e escalou: passou de 13 milhões para 180 milhões de pedidos ao mês. Agora se depara com uma rival chinesa, a Keeta –com US$ 1 bilhão (R$ 5,4 bilhões) no bolso.

    A também chinesa 99 Food –que operou no Brasil entre 2020 e 2023 e saiu, por não conseguir competir com a exclusividade firmada pelo iFood com restaurantes– voltou em junho, depois que o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) impôs restrições ao privilégio. Só para o primeiro ano de atividades, reservou R$ 2 bilhões.

    Barreto discorda da ideia de que a concorrência esteja mais acirrada agora e diz que essa impressão é um “efeito psicológico”, de valorizar o mais recente. “Enfrentei a mesma concorrência em 2018, quando a empresa era 15% do que é hoje”, diz o mineiro de Uberaba, que em 2016 trocou a Suzano pelo iFood por um salário 60% inferior por acreditar no sucesso da startup.

    Quando alguém faz o mesmo que você, só depende de você fazer melhor“, diz o executivo, que prepara a empresa para o “modo turbo” em 2026, literalmente. O iFood vai ampliar o serviço ultrarrápido de delivery de comida, com entregas entre 10 e 20 minutos -o intervalo médio costuma ser de 30 minutos a 1 hora. Chamada de “Turbo”, a novidade está em testes desde setembro e o consumidor deve pagar um adicional de R$ 3,99 para acessá-la.

    A entrega em tempo recorde demandou quase três anos de estudos para implantar uma nova tecnologia nos restaurantes, relacionada ao menu e ao modo de preparo da comida, que não pode ultrapassar nove minutos. O executivo não dá mais detalhes sobre o assunto.
    “Em uma estratégia de preço predatório, você oferece 60%, 70%, 80% de desconto e insiste com o cliente para ele ficar na plataforma. Mas o Turbo é um bom exemplo de como destravar valor para o consumidor, oferecendo algo além de preço”, diz Barreto, para quem as promoções agressivas não são uma estratégia, mas sim uma “fase”, que pode ser “irregular”, a depender da duração.

    O CEO vê o “copo cheio” em 2026, com a trajetória de redução da Selic, o câmbio estável e mais recursos vindos da nova estrutura de imposto de renda (isenção a quem ganha até R$ 5.000). “Também é um ano de muito investimento por parte do estado, o que vai aumentar o nível de consumo.”

    Mas para isso é preciso combinar com duas frentes –restaurantes e entregadores. Ambas ficaram animadas com a estreia das chinesas. “O meu volume de pedidos no delivery subiu 40% com Keeta e 99”, diz Diêgo Penido, dono da padaria artesanal Fila do Pão, na Vila Buarque, região central de São Paulo. O empresário mantém os três aplicativos para teste, mas pretende ficar com apenas um ou dois.

    “Não tenho pessoal exclusivo para acompanhar a contabilidade das plataformas, que costuma ser confusa”, diz ele, que reclama do iFood, cuja interface é feita só por robôs. “Já a Keeta tem representantes que nos atendem diretamente”, diz Penido, que também percebeu mudança junto aos entregadores. “Quase ninguém está pegando iFood, tem pedidos que ficam de 40 minutos a 1 hora esperando.”

    Segundo Paulo Solmucci Júnior, presidente da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), os entregadores vêm sendo mais valorizados pelas chinesas. “A renda média deles subiu 30%”, diz o executivo, que também destaca uma abordagem diferente da Keeta. “Enquanto a 99 seguiu os passos do iFood e se concentrou em grandes redes, a Keeta se voltou para os pequenos e médios, um segmento que estava muito desatendido. Com isso, ela vem ganhando cada vez mais espaço no delivery.”

    Barreto confirma a disputa, mas diz que o Turbo vem eliminar o tempo ocioso dos trabalhadores e aumentar sua renda. “Gente que não pedia no delivery porque achava que não chegaria a tempo, agora vai pedir”, diz ele, que oferece cerca de cem pontos de apoio para 500 mil entregadores (espaço para esperar pedidos, tomar água e usar o banheiro). “Não tenho obrigação legal para isso [não há vínculo empregatício], mas faço por obrigação moral”, diz. Em São Paulo, são cinco pontos de apoio.

    A plataforma tem 460 mil estabelecimentos. Entre os restaurantes, metade trabalha só para o delivery. “Não chamaria de ‘dark kitchens’, isso traz conotação de empresa, visão tecnológica. São pequenos comerciantes.”

    40% DA RECEITA JÁ VEM DE FINTECH E MERCADO

    O iFood elevou em 25% os investimentos do ano fiscal a ser encerrado em março, para R$ 17 bilhões. O valor envolve desde ações de marketing -o app é patrocinador do BBB 2026 e da Seleção Brasileira- até a expansão dos negócios do iFood Pago, que já soma 25% do faturamento.

    A fintech oferece aos restaurantes antecipação de recebíveis, empréstimos e cartões, além da “maquinona”, uma máquina de cartões que permite à plataforma identificar o consumo dentro dos restaurantes, cruzar dados de localização e frequência de pedidos.

    Em breve, o iFood Pago vai atender também a pessoa física, por meio do parcelamento das compras no aplicativo e a oferta de uma linha de microcrédito (solução que está em testes com 10 mil usuários).

    “O iFood é cada vez menos só um delivery de comida”, diz Barreto. Dentro do iFood Pago está a Zoop, empresa de ‘payment as a service’: plataforma tecnológica responsável pelo processo de pagamentos de terceiros, como o próprio iFood, Sympla e Will Bank. “Hoje o maior cliente da Zoop é o Nubank”.

    A entrega de produtos que não são refeições (supermercado, pet e farmácia) são 15% das vendas e devem chegar a 20% este ano. No delivery de comida, o tíquete-médio é de R$ 50 e, a comissão, de 15%, afirma. “Ganho R$ 7,50 por entrega”, diz. “Preciso pagar o entregador e todos os outros custos, o que deixa minha margem muito pequena”. No ano fiscal encerrado em março de 2025, o iFood movimentou R$ 140 bilhões.

    Fundado em 2011 em São Paulo por quatro empreendedores, o aplicativo ganhou a empresa de tecnologia Movile, de Fabricio Blosi, como sócia em 2013. A Movile foi incorporada pela Prosus, holandesa que hoje é controladora do iFood. A Prosus é subsidiária do grupo sul-africano de tecnologia e internet Naspers.

    RAIO-X IFOOD
    Fundação: 2011
    Sede: Osasco (SP)
    Funcionários: 8.000
    Entregadores: 500 mil
    Presença: 460 mil estabelecimentos (restaurantes, bares, mercados, farmácias etc.) em 1.500 cidades em todos os estados e no DF
    Principais concorrentes: Keeta, 99 Food e Rappi
    Faturamento 2024/2025*: R$ 140 bilhões
    Ebitda 2024/2025*: R$ 990 milhões (US$ 184 milhões)
    *ano fiscal encerrado em 31 de março de 2025
    2026, MODO DE USAR
    Nova série da Folha trouxe entrevistas semanais em texto e vídeo, apresentando expectativas, receios e estratégias escolhidas para 2026 pelos principais executivos de dez segmentos diferentes: supermercados, varejo, consórcios, têxtil, calçados e confecções, ar-condicionado, tecnologia, telefonia, serviços financeiros e mobilidade. Todas as empresas da série faturam mais de R$ 1 bilhão ao ano.

    'Vamos aprofundar o Turbo, com entregas em até 20 minutos', diz CEO do iFood

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  • Lula supera Bolsonaro e FHC como governo que mais fez concessões de infraestrutura

    Lula supera Bolsonaro e FHC como governo que mais fez concessões de infraestrutura

    Embora a diminuição da participação estatal e a transferência de atividades à iniciativa privada sejam agendas historicamente criticadas pela esquerda, nunca houve tanto impulso a esse modelo quanto no atual mandato de Lula -pelo menos no setor de infraestrutura.

    THIAGO BETHÔNICO
    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chega ao fim de 2025 com o maior volume de concessões de infraestrutura da história do Brasil, com 50 leilões de rodovias, portos e aeroportos. O número supera os projetos executados durante as gestões de Jair Bolsonaro e Fernando Henrique Cardoso.

    Embora a diminuição da participação estatal e a transferência de atividades à iniciativa privada sejam agendas historicamente criticadas pela esquerda, nunca houve tanto impulso a esse modelo quanto no atual mandato de Lula -pelo menos no setor de infraestrutura.

    Levantamento feito pelos ministérios dos Transportes e dos Portos e Aeroportos a pedido da Folha mostra que desde 1995 -quando entra em vigor a Lei das Concessões- foram 160 leilões federais de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos. Quase um terço, ou 31%, está concentrado entre 2023 e 2025.

    O governo Bolsonaro (2019 a 2022) foi responsável por 45 leilões, enquanto FHC fez 26 -sendo 22 só no primeiro mandato, entre 1995 e 1998.

    Na avaliação de especialistas, o boom de concessões visto no último ciclo pode ser explicado pela necessidade de atrair investimentos em um contexto de aperto das contas públicas. Também pesam nessa conta a atratividade da atual carteira de projetos e o amadurecimento do ambiente regulatório.

    “O presidente percebeu que, para ampliar o investimento, era importante aumentar a participação da iniciativa privada dadas as restrições fiscais”, disse o ministro dos Transportes, Renan Filho, em entrevista à Folha.

    O setor com maior representatividade no recorde de leilões do atual mandato de Lula é o portuário, com 26 terminais concedidos do início do governo para cá. Segundo o Ministério dos Portos e Aeroportos, os projetos somam R$ 15,5 bilhões em investimentos.

    Para 2026, a previsão é que um dos ativos mais aguardados pelo mercado saia do papel. O Tecon 10, megaterminal de cargas no porto de Santos, deve ser leiloado em março, com investimento previsto de R$ 6,5 bilhões.

    RODOVIAS

    O segundo maior peso na carteira do governo fica com o setor rodoviário, com 22 certames -13 só neste ano. Segundo o Ministério dos Transportes, os projetos somam R$ 247 bilhões em investimentos; para 2026, a expectativa é que outras 13 rodovias sejam licitadas.

    Fecham a conta dos 50 leilões do atual mandato de Lula: a relicitação do aeroporto de Natal e a concessão de um bloco de terminais aeroportuários regionais.

    Ao longo dos últimos 30 anos, não foi só o volume de concessão que mudou. O próprio perfil dos projetos também passou por alterações.
    As ferrovias, por exemplo, viveram sua era de ouro durante o governo FHC, quando ocorreram 9 dos 12 leilões realizados de 1995 para cá. Mas a safra dessa época inclui ativos considerados problemáticos. A FCA (Ferrovia Centro-Atlântica), por exemplo, concedida em 1996, passou por problemas de conservação e abandono. Recentemente, o governo fechou um acordo de renovação com a concessionária responsável pelo trecho, que inclui compromissos de investimentos e indenização à União.

    São renegociações contratuais como essa da FCA que vêm movimentando o setor ferroviário. De novos projetos, o Brasil vive um apagão. Além de ser uma infraestrutura mais cara, a concorrência com o modal rodoviário jogou em desfavor dos trilhos nos últimos anos.

    A última concessão foi feita em 2021, no governo Bolsonaro, referente a um trecho da Fiol (Ferrovia de Integração Oeste-Leste). Para enfrentar a paralisia no setor, o Ministério dos Transportes prepara oito leilões de ferrovias para 2026. A expectativa é movimentar cerca de R$ 140 bilhões.

    Outro setor que viveu um ciclo intenso e agora está em baixa é o de aeroportos. Durante o primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff (2010 a 2014), ativos que eram considerados muito atrativos pelo mercado foram concedidos à iniciativa privada, incluindo Guarulhos, Viracopos e Galeão.

    O governo de Michel Temer (2016 a 2018) destravou projetos que emperraram no auge da crise econômica e leiloou quatro aeroportos. A gestão Bolsonaro intensificou a agenda e bateu recorde de ativos concedidos. Foram 9 leilões ao todo, que agruparam 49 aeroportos em blocos.

    Em entrevista à Folha, o ministro dos Transportes, Renan Filho, diz que o entusiasmo da atual gestão com as concessões de infraestrutura parte de uma avaliação pragmática das necessidades do país. “O presidente Lula, apesar de ser pessoalmente de esquerda, faz um governo de frente ampla. Ele nunca foi um político ideológico”, diz.

    Renan cita um levantamento da Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base) que indica que o volume de investimento privado no Brasil deve ter batido a máxima histórica em 2025, de acordo com uma projeção feita em novembro. Parte do crescimento se deve à agenda de concessões.

    Dos R$ 280 bilhões de investimentos em infraestrutura projetados para o ano, 84% (R$ 235 bilhões) devem ter vindo de grupos privados -uma alta real de 11% em relação a 2024. Enquanto isso, a participação do setor público vem caindo.

    Fernando Vernalha, sócio-fundador do escritório Vernalha Pereira, lembra que o Brasil vem investindo cerca de 2% do PIB (Produto Interno Bruto) em infraestrutura, quando o patamar ideal seria acima de 4%.

    “Nós não tivemos muita alternativa que não buscar esses investimentos na iniciativa privada. A forma de fazer isso foi por meio de concessões e PPPs [parcerias público-privadas]”, diz.

    Segundo Vernalha, o Brasil conseguiu apresentar para investidores oportunidades que não existem em outros países. O setor de aeroportos, ele diz, é um exemplo disso -não à toa o interesse de grupos internacionais pelos ativos foi expressivo.

    Avaliação parecida é feita por Renan Filho. De acordo com o ministro, são poucos os países que, além de ter uma carteira de projetos atrativos, reúnem elementos fundamentais para atrair o interesse privado, como sustentabilidade ambiental, agências regulatórias com autonomia e um mercado de capitais sofisticado.

    CONCESSÕES FRACASSADAS

    A história das concessões de infraestrutura também é marcada por ativos problemáticos. Uma série de rodovias e aeroportos que passaram a ser administrados pela iniciativa privada nos últimos anos fracassou, o que inclui desequilíbrio financeiro, obras atrasadas e investimentos não realizados. São os chamados “contratos estressados”, no jargão do setor.

    Parte desses ativos foi leiloada novamente nos últimos anos, ajudando a engordar a lista de concessões da atual gestão de Lula.
    No setor rodoviário, o governo já fez quatro leilões envolvendo ativos problemáticos. Ainda há pelo menos outras seis estradas nessa situação e, em 2026, o governo deve fazer o certame simplificado de algumas delas. Nesse processo, o novo contrato de concessão firmado entre concessionária e governo passa por uma concorrência.

    Marco Aurélio Barcelos, diretor da ABCR (Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias), diz que o setor de rodovias nunca esteve tão próximo do momento ideal. É o melhor momento, sem dúvida alguma. Agora, isso não significa que não temos desafios.”

    Entre esses obstáculos, Barcelos cita melhorias na estrutura de seguros dos contratos e na celeridade do licenciamento ambiental. “Nunca vivemos no Brasil o que vamos viver nos próximos oito anos em termos de execução de investimentos. É muita obra que vai acontecer”, afirma.

    Apesar do volume, Marco acredita que o mercado ainda tenha apetite e capacidade de absorver a demanda que está por vir. “Eu diria que vamos ter essa esteira de produção intensiva em 2026 e talvez até 2027. Depois, veremos uma queda na quantidade de leilões.”

    Lula supera Bolsonaro e FHC como governo que mais fez concessões de infraestrutura

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  • Mercosul e União Europeia assinam acordo comercial neste sábado

    Mercosul e União Europeia assinam acordo comercial neste sábado

    Aprovado por ampla maioria dos 27 países que integram a UE, o tratado será assinado em Assunção, no Paraguai – país que, desde dezembro de 2025, preside temporariamente o Mercosul.

    Após 26 anos de negociação, representantes dos blocos de integração regional Mercosul e União Europeia (UE) devem assinar, neste sábado (17), um acordo de livre comércio com potencial de integrar um mercado de cerca de 720 milhões de pessoas (450 milhões na UE e cerca de 295 milhões no Mercosul).

    Aprovado por ampla maioria dos 27 países que integram a UE, o tratado será assinado em Assunção, no Paraguai – país que, desde dezembro de 2025, preside temporariamente o Mercosul.

    A cerimônia de assinatura acontecerá a partir das 12h15 (horário de Brasília), no teatro José Asunción Flores, do Banco Central paraguaio – mesmo local onde, em 1991, foi assinado o Tratado de Assunção, considerado o primeiro passo para a criação do Mercado Comum do Sul (Mercosul), hoje composto por Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e Uruguai.

     

    O evento contará com a presença de representantes dos países-membros, a exemplo dos presidentes Javier Milei (Argentina); Rodrigo Paz (Bolívia); Santiago Peña (Paraguai) e Yamandú Orsi (Uruguai), bem como da cúpula europeia, como Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, e António Costa, presidente do Conselho Europeu.

    Por questões de agenda, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não viajará ao Paraguai. O Brasil será representado na cerimônia de assinatura pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Na véspera (16), contudo, Lula recebeu Ursula e Costa no Rio de Janeiro, onde discutiram a implementação do acordo comercial e outros temas da agenda internacional.

    Protocolar, a assinatura do acordo comercial formaliza o fim da fase de tratativas técnicas e políticas iniciadas em junho de 1999, quando as partes começaram a negociar seus termos. O texto estabelece a gradual eliminação de tarifas de importação para mais de 90% do comércio bilateral, envolvendo bens industriais (máquinas, ferramentas, automóveis e outros produtos e equipamentos) e produtos agrícolas.

    Após a assinatura, o texto será submetido à ratificação do Parlamento Europeu e dos congressos nacionais de cada país integrante do Mercosul. A entrada em vigor da parte comercial do acordo depende da aprovação legislativa, com previsão de implementação gradual ao longo dos próximos anos. De qualquer forma, a expectativa é que o tratado seja implementado gradualmente e que seus efeitos práticos demorem algum tempo para começar a ser sentidos, estabelecendo a maior zona de livre comércio do mundo.

    Nesta quinta-feira (15), o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, disse crer que o acordo comercial entre em vigor ainda no segundo semestre deste ano.

    Assinado, o Parlamento Europeu aprova sua lei e nós, no Brasil, aprovamos a lei, internalizando o acordo. A gente espera que aprove a lei ainda neste primeiro semestre e que tenhamos, no segundo semestre, a vigência do acordo. Aí, ele entra imediatamente em vigência”, afirmou Alckmin.

    Celebrado por governos e setores industriais, o acordo é alvo de críticas e protestos de agricultores europeus que temem a concorrência dos produtos sul-americanos, já que, entre outras coisas, eliminará tarifas alfandegárias.

    O tratado também é alvo da desconfiança de ambientalistas, que criticam possíveis impactos sobre o clima e a concorrência agrícola – embora a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, avalie que o texto final está alinhado à agenda ambiental, em termos capazes de promover o desenvolvimento e proteger a natureza.

    A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) estima que a implementação do acordo pode incrementar as exportações brasileiras em cerca de US$ 7 bilhões e ampliar a diversificação das vendas internacionais brasileiras, beneficiando inclusive à indústria nacional.

    >> Confira os principais pontos do acordo: 

    1. Eliminação de tarifas alfandegárias

    Redução gradual de tarifas sobre a maior parte dos bens e serviços;

    Mercosul: zerará tarifas sobre 91% dos bens europeus em até 15 anos;

    União Europeia: eliminará tarifas sobre 95% dos bens do Mercosul em até 12 anos.

    2. Ganhos imediatos para a indústria

    Tarifa zero desde o início para diversos produtos industriais.

    >> Setores beneficiados:

    Máquinas e equipamentos;

    Automóveis e autopeças;

    Produtos químicos;

    Aeronaves e equipamentos de transporte.

    3. Acesso ampliado ao mercado europeu

    Empresas do Mercosul ganham preferência em um mercado de alto poder aquisitivo;

    UE tem PIB estimado em US$ 22 trilhões;

    Comércio tende a ser mais previsível e com menos barreiras técnicas.

    4. Cotas para produtos agrícolas sensíveis

    Produtos como carne bovina, frango, arroz, mel, açúcar e etanol terão cotas de importação;

    Acima dessas cotas, é cobrada tarifa;

    Cotas crescem ao longo do tempo, com tarifas reduzidas, em vez de liberar entrada sem restrições;

    Mecanismo busca evitar impactos abruptos sobre agricultores europeus;

    Na UE, as cotas equivalem a 3% dos bens ou 5% do valor importado do Brasil;

    No mercado brasileiro, chegam a 9% dos bens ou 8% do valor.

    5. Salvaguardas agrícolas

    >>UE poderá reintroduzir tarifas temporariamente se:

    Importações crescerem acima de limites definidos;

    Preços ficarem muito abaixo do mercado europeu;

    Medida vale para cadeias consideradas sensíveis.

    6. Compromissos ambientais obrigatórios

    Produtos beneficiados pelo acordo não poderão estar ligados a desmatamento ilegal;

    Cláusulas ambientais são vinculantes;

    Possibilidade de suspensão do acordo em caso de violação do Acordo de Paris.

    7. Regras sanitárias continuam rigorosas

    UE não flexibiliza padrões sanitários e fitossanitários.

    Produtos importados seguirão regras rígidas de segurança alimentar.

    8. Comércio de serviços e investimentos

    >>Redução de discriminação regulatória a investidores estrangeiros.

    >>Avanços em setores como:

    Serviços financeiros;

    Telecomunicações;

    Transporte;

    Serviços empresariais.

    9. Compras públicas

    Empresas do Mercosul poderão disputar licitações públicas na UE;

    Regras mais transparentes e previsíveis.

    10. Proteção à propriedade intelectual

    Reconhecimento de cerca de 350 indicações geográficas europeias;

    Regras claras sobre marcas, patentes e direitos autorais.

    11. Pequenas e médias empresas (PMEs)

    Capítulo específico para PMEs;

    Medidas de facilitação aduaneira e acesso à informação;

    Redução de custos e burocracia para pequenos exportadores.

    12. Impacto para o Brasil

    Potencial de aumento das exportações, especialmente do agro e da indústria;

    Maior integração a cadeias globais de valor;

    Possível atração de investimentos estrangeiros no médio e longo prazo.

    13. Próximos passos

    Assinatura prevista para 17 de janeiro, no Paraguai;

    Aprovação pelo Parlamento Europeu;

    Ratificação nos Congressos do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai;

    Entrada em vigor apenas após conclusão de todos os trâmites;

    Acordos que extrapolam política comercial precisam ser aprovados pelos parlamentos de cada país.

    * Colaborou Wellton Máximo

    Mercosul e União Europeia assinam acordo comercial neste sábado

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  • Trump ameaça impor tarifas a países que não apoiem posição dos EUA sobre a Groenlândia

    Trump ameaça impor tarifas a países que não apoiem posição dos EUA sobre a Groenlândia

    Presidente dos Estados Unidos não detalhou quais países poderiam ser afetados e quais taxas seriam impostas

    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a recorrer ao discurso de pressão comercial ao afirmar que “pode impor uma tarifa a países que não concordarem com a Groenlândia”, vinculando diretamente política comercial a objetivos de segurança nacional e geopolítica. Segundo Trump, a ilha é estratégica e os EUA precisam da Groenlândia para sua segurança nacional, em referência ao papel do território no Ártico diante de uma suposta atuação de Rússia e China na região – argumento utilizado pelo republicano para reivindicar o território autônomo dinamarquês.

    As declarações, feitas em evento na Casa Branca nesta sexta-feira, ocorrem em meio ao aumento da presença militar europeia na região. Países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), como Alemanha e França, anunciaram o envio de militares à Groenlândia sob liderança dinamarquesa, enquanto os EUA já mantêm uma base no território.

    Trump, no entanto, insiste que a segurança da ilha exige uma postura mais firme de Washington.

    Paralelamente, o presidente voltou a defender a legalidade de sua política tarifária ao comentar o julgamento em curso na Suprema Corte dos Estados Unidos sobre o uso da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA, em inglês).

    Trump disse esperar ganhar o caso das tarifas na Suprema Corte. “Caso contrário, será uma vergonha para os EUA”, afirmou. Anteriormente, na Truth Social, ele argumentou que uma derrota judicial seria “um desastre para a segurança nacional”.

    Para Trump, as tarifas são parte central da estratégia de proteção do país. Ele sustenta que decisões contrárias ao governo poderiam gerar custos de “centenas de bilhões de dólares” e comprometer investimentos.

    Trump ameaça impor tarifas a países que não apoiem posição dos EUA sobre a Groenlândia

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