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  • Justiça suspende imposto de 12% sobre exportação de petróleo

    Justiça suspende imposto de 12% sobre exportação de petróleo

    Decisão atende petroleiras que alegam prejuízo à competitividade e questionam legalidade da cobrança imediata; governo defende medida para financiar subsídio ao diesel, enquanto empresas alertam para impacto nos investimentos e na segurança jurídica no país

    (FOLHAPRESS) – O juiz federal Humberto de Vasconcelos Sampaio, da 1ª Vara Federal do Rio de Janeiro, concedeu liminar que suspende a alíquota de 12% do imposto de exportação de óleo bruto de petróleo e minerais betuminosos. A taxação foi instituída pela Medida Provisória 1.340/2026.

    A suspensão foi pedida pela TotalEnergies, a hispano-chinesa Repsol Sinopec, a portuguesa Petrogal, a britânica Shell e a norueguesa Equinor. Juntas, elas produziram em fevereiro 791 mil barris de petróleo, o equivalente a 20% da produção nacional. O volume é praticamente todo destinado ao mercado internacional e é maior do que a média de exportações da Petrobras em 2025, que atingiu o recorde de 765 mil barris por dia.

    A medida interrompe a cobrança do tributo em todas as operações realizadas por essas empresas desde o início da vigência da MP, em 12 de março.

    O imposto foi criado para sustentar os R$ 10 bilhões que o governo previa gastar com a primeira subvenção sobre o diesel, de R$ 0,32 por litro. O setor calcula que a taxa arrecadará cerca de R$ 30 bilhões.

    O magistrado reconheceu que a medida do governo tem caráter arrecadatório e não é uma mera alteração de alíquota, como alega a União. Isso estaria claro, segundo a decisão, pela informação de que o imposto será destinado ao atendimento de necessidades fiscais urgentes. Para o governo, a alíquota zero vigente representava uma política de incentivo e não um direito adquirido.

    Segundo Sampaio, esse dispositivo afasta qualquer interpretação de que o tributo serve à regulação do comércio exterior ou à política cambial.

    As empresas petrolíferas alegam que a medida as coloca em desvantagem competitiva no mercado internacional. O tributo onera o preço do petróleo exportado e também seria uma violação aos princípios da segurança jurídica, isonomia, livre concorrência e capacidade contributiva.

    Em sua decisão, o juiz disse ver “plausibilidade jurídica na tese de que a cobrança imediata do imposto de exportação, instituído com finalidade arrecadatória, viola o princípio da anterioridade”. A liminar se justifica, diz, porque “a exigência imediata do tributo pode gerar prejuízos irreversíveis às impetrantes, afetando sua competitividade internacional e sua capacidade financeira”.

    Em evento no Rio de Janeiro nesta quarta, representantes das empresas autoras do pedido de liminar questionaram o imposto e afirmaram que a instabilidade fiscal pode afetar a decisão de investimentos no Brasil.

    “A cada três barris de petróleo produzidos no Brasil, dois ficam em carga tributária. Nos Estados Unidos, apenas um. Por isso, falamos tanto da necessidade de não elevarmos a carga tributária”, disse o presidente da Shell no Brasil, Cristiano Pinto da Costa.

    “O Brasil é reconhecido e tem tradição de respeito aos contratos e isso é importante”, disse Verônica Coelho, da Equinor. “Mas ao longo dos últimos anos a gente tem tido algumas surpresas em mudanças fiscais que fazem esse risco subir e tornam mais difícil a tomada de decisão de novos investimentos.

    “Também presente ao evento, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, defendeu que o imposto transfere lucros extraordinários das petroleiras com o petróleo caro ao consumidor brasileiro. “Tempos extraordinários exigem medidas extraordinárias”, afirmou.

    Justiça suspende imposto de 12% sobre exportação de petróleo

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  • Inflação dos alimentos da cesta básica aumenta em todas as capitais

    Inflação dos alimentos da cesta básica aumenta em todas as capitais

    Alta nos preços de itens essenciais como feijão, tomate e carne pressiona orçamento das famílias em todo o país; cesta mais cara está em São Paulo, enquanto salário mínimo segue insuficiente para cobrir despesas básicas nas capitais brasileiras

    Os custos para aquisição dos alimentos da cesta básica subiram nas 27 capitais, segundo monitoramento feito pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). São Paulo permanece com o maior valor apurado, de R$ 883,94, enquanto Aracaju tem a cesta mais barata, uma média de R$ 598,45.

    Os alimentos com maior impacto foram o feijão, a batata, o tomate, a carne bovina e o leite, todos com aumento, sendo que os três primeiros tiveram impacto decisivo das chuvas nas principais regiões produtoras. Na contramão, o açúcar teve queda no custo médio em 19 cidades, relacionada ao excesso de oferta. 

     

    Segundo a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, as cidades com aumento mais expressivo foram Manaus (7,42%), Salvador (7,15%), Recife (6,97%), Maceió (6,76%), Belo Horizonte (6,44%), Aracaju (6,32%), Natal (5,99%), Cuiabá (5,62%), João Pessoa (5,53%) e Fortaleza (5,04%). Entre os valores nominais, além da capital paulista há destaque para as cidades do Rio de Janeiro (R$ 867,97), de Cuiabá (R$ 838,40), Florianópolis (R$ 824,35) e Campo Grande (R$ 805,93), com as demais capitais tendo valores médios abaixo do patamar dos R$ 800.

     

    Com o salário mínimo a R$ 1.621,00 o trabalhador nessas cidades precisa de cerca de 109 horas para custear a cesta. Ainda que alto, o valor apresentou queda se comparado à renda, em relação ao ano passado.

    “Quando se compara o custo da cesta e o salário mínimo líquido, ou seja, após o desconto de 7,5% referente à Previdência Social, verifica-se que o trabalhador remunerado pelo piso nacional comprometeu em média, nas 27 capitais pesquisadas em março de 2026, 48,12% do rendimento para adquirir os itens alimentícios básicos e, em fevereiro, 46,13% da renda líquida. Em março de 2025, considerando as 17 capitais analisadas, o percentual médio ficou em 52,29%”, indicou o levantamento.

    Em março, o tempo médio necessário para adquirir os produtos da cesta básica foi de 97 horas e 55 minutos, enquanto em fevereiro era de 93 horas e 53 minutos. Se comparado com março de 2025, considerando o conjunto restrito de 17 capitais analisadas, a jornada média foi de 106 horas e 24 minutos.

    O estudo permite comparar, ainda, o aumento desde o ano passado, e aponta que houve alta em 13 cidades e queda em quatro nos últimos 12 meses, com destaque para os aumentos em Aracaju (5,09%), Salvador (4,51%) e Recife (4,38%). As principais reduções ocorreram em Brasília (-4,63%) e Florianópolis (-0,91%). A comparação de intervalo anual é limitada a 17 capitais, pois o Dieese não realiza levantamentos mensais nas cidades de Boa Vista, Cuiabá, Macapá, Maceió, Manaus, Palmas, Porto Velho, Rio Branco, São Luiz e Teresina.

    Regime de chuvas

    O estudo indica que o valor do feijão subiu em todas as cidades. O grão preto, pesquisado nos municípios da Região Sul, do Rio de Janeiro e de Vitória, apresentou alta, com percentuais entre 1,68%, em Curitiba, e 7,17%, em Florianópolis. Para o grão carioca, coletado nas demais capitais, os aumentos ficaram entre 1,86%, em Macapá, e 21,48%, em Belém. A alta do feijão ocorreu devido à restrição de oferta, por dificuldades na colheita, redução de área na primeira safra e expectativa de menor produção na segunda safra, mostra o levantamento.

    “Quando a gente vê um aumento de preços, tende a pensar que os produtores estão lucrando mais, mas nesses casos menos produtores têm o produto e aí podem estar vendendo por mais, só que o que aconteceu bastante neste ano é que quem plantou, por exemplo, 60 sacas colheu apenas 30 ou 40. O clima prejudicou no Paraná e na Bahia, e a gente tem uma área plantada menor”, explicou Marcelo Lüders, presidente do Instituto Brasileiro do Feijão (Ibrafe).

    Lüders lembrou que a produção ainda tem atraso considerável em outras áreas, como Mato Grosso do Sul, onde o excesso de chuvas levou a uma janela menor entre culturas e forçou a substituição por um tipo de feijão preto destinado principalmente ao mercado indiano.

    “Os números que a gente tem hoje não refletem a nossa realidade, a gente tem tido menos o carioca, pois é um feijão que o governo não garante preço, já que o preço mínimo existe para enfeite, o produtor não se beneficia em nenhum momento disso não há mercado externo”. Esses fatores levaram a uma diferença considerável entre o feijão carioca e o feijão preto, variedades mais procuradas nos maiores mercados.

    O grão carioca chega a ser vendido hoje a R$ 350 a saca, com possibilidade de queda de fato a partir dos meses de agosto, setembro e outubro, quando se colhe a safra irrigada. O feijão preto ainda tem um valor melhor, em torno de R$ 200 a 210 a saca, pois há muito estoque das duas colheitas de 2025, mas esse excedente será pressionado já que se plantou pouco na segunda safra, que é a do começo do ano, e a cultura sofreu impacto da chuva forte no Paraná. A expectativa é de uma inversão de preços, com o feijão preto mais caro do que o carioca em 2026. 

    “Isso é terrível para os produtores. A exportação diminuiu em 2025, isso é cíclico. O estímulo para plantar o feijão carioca é muito grande, e isso é um risco pois pode derrubar o preço”, complementa o analista.  

    A estimativa da Conab indica uma produção superior a 3 milhões de toneladas, com avanço de 0,5% em relação ao ciclo 2024/2025. O impacto do aumento do custo de fertilizantes e de combustíveis ainda não foi sentido pelo setor, o que aumenta a incerteza. Há expectativa de aumento global dos valores de alimentos.

    Salário mínimo 

    O Dieese também mostra o valor ideal do salário mínimo. Para isso, considera a cesta mais cara, em São Paulo e os custos básicos que dariam conta das necessidades garantidas na Constituição para o trabalhador e sua família: alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência. Em março, o valor para uma família de quatro pessoas seria R$ 7.425,99 ou 4,58 vezes o mínimo vigente. Em fevereiro, o valor necessário era de R$ 7.164,94 e correspondeu a 4,42 vezes o piso mínimo. Na comparação com março de 2025 o mínimo necessário seria de R$ 7.398,94 ou 4,87 vezes o valor vigente na época, que era de R$ 1.518,00.

    Inflação dos alimentos da cesta básica aumenta em todas as capitais

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  • Master pagou R$ 27 mi ao Metrópoles, que fez débito a empresas da família de Luiz Estevão

    Master pagou R$ 27 mi ao Metrópoles, que fez débito a empresas da família de Luiz Estevão

    Relatório do Coaf aponta movimentações consideradas suspeitas e levanta dúvidas sobre repasses milionários do Banco Master ao site; ex-senador afirma que valores são de contrato publicitário ligado à Série D do Brasileirão.

    O Banco Master repassou R$ 27,2 milhões, entre 2024 e 2025, ao Metrópoles, site de notícias comandado pelo ex-senador Luiz Estevão, segundo documento do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

    O relatório registra os pagamentos como suspeitos ao apontar que o veículo fez “débito imediato” dos valores recebidos do Master em direção a outras empresas da família de Luiz Estevão, o que “pode configurar possível movimentação de recursos em benefício de terceiros”.

    Além disso, o documento classifica os aportes do Master como “inusitados” e aponta uma movimentação do Metrópoles “incompatível com o faturamento médio mensal”.

    Procurado, o ex-senador afirmou que os pagamentos dizem respeito ao patrocínio do Will Bank, que pertencia ao Master, à transmissão da Série D do Campeonato Brasileiro de 2025, feita pelo Metrópoles, e à venda dos naming rights da competição. Em relação às transferências para empresas da família, ele disse que pode dar a destinação que quiser ao dinheiro recebido.

    Ao todo, o Master enviou R$ 27.283.800 à empresa Metrópoles Marketing e Propaganda LTDA. No segundo semestre de 2024, o banco fez dois pagamentos que totalizaram R$ 838,8 mil. Todo o restante foi transferido entre janeiro e outubro de 2025.

    Esse período foi crucial para a instituição financeira. O banqueiro Daniel Vorcaro tentou vendê-la ao BRB, em março, virou alvo de investigações por suspeita de fraude financeira bilionária e viu sua empresa ser liquidada pelo Banco Central, em novembro. Vorcaro está preso.

    De acordo com o relatório, o Master aparece como “principal remetente” de recursos ao Metrópoles nos períodos analisados em 2025, com pagamentos mensais que variaram de R$ 5 milhões a R$ 5,7 milhões.

    Embora esses repasses tenham começado em janeiro de 2025 e Luiz Estevão os atribua ao contrato de patrocínio da Série D, as transmissões só passaram a exibir a logomarca do Will Bank três meses após o início do campeonato.

    A competição começou em 19 de abril de 2025. O Metrópoles e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) anunciaram, nos dias 2 e 3 de julho, respectivamente, um acordo referente apenas à transmissão dos jogos. As primeiras partidas exibidas no YouTube, gratuitamente, foram as da 11ª rodada da Série D, com 15 jogos transmitidos nos dias 5 e 6 de julho.

    Luiz Estevão também havia negociado com o banco a venda dos naming rights. O campeonato passou a ser chamado de “Brasileirão Série D Will Bank”. Foi a primeira vez que a competição, organizada pela CBF, teve os “direitos sobre o nome” comercializados.

    No entanto, a logomarca do Will Bank só foi instalada na placa de publicidade central dos campos a partir de 26 de julho, na 14ª rodada, a última da primeira fase — ou seja, mais de três meses após o início do campeonato e seis meses após o Master começar a repassar recursos ao Metrópoles.

    Master pagou R$ 27 mi ao Metrópoles, que fez débito a empresas da família de Luiz Estevão

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  • Brasil ganhou 9 milhões de novos inadimplentes desde o fim do Desenrola

    Brasil ganhou 9 milhões de novos inadimplentes desde o fim do Desenrola

    O programa durou cerca de 10 meses e conseguiu reduzir o número de inadimplentes que ganhavam até dois salários mínimos ou eram inscritos no Cadastro Único de 25,2 milhões para 23,1 milhões quando terminou, em maio de 2024. Esse era o público-alvo do Desenrola

    (FOLHAPRESS) – O alívio foi temporário. Quase dois anos após o fim do Desenrola, programa de renegociação de dívidas criado pelo governo federal em julho de 2023, o Brasil ganhou 9 milhões de novos inadimplentes, e convive com um calote do consumidor no maior patamar desde 2012. Hoje há um contingente de 81,7 milhões de pessoas que estão com contas atrasadas.

    O governo agora debate a reedição de um programa voltado para endividados que, para especialistas, foi pensado desde o início para atacar os sintomas e não a raiz do superendividamento.

    Promessa de campanha do governo Lula, o Desenrola foi lançado com o objetivo de combater a inadimplência crescente do pós-pandemia. Na época, o número de inadimplentes estava no patamar recorde de 71,4 milhões, segundo dados da Serasa, e a inadimplência era de 4,14% (índice de contas com mais de 90 dias em atraso).

    O programa durou cerca de 10 meses e conseguiu reduzir o número de inadimplentes que ganhavam até dois salários mínimos ou eram inscritos no Cadastro Único de 25,2 milhões para 23,1 milhões quando terminou, em maio de 2024. Esse era o público-alvo do Desenrola.

    O número total de devedores, de todas as faixas de renda, subiu a 72,5 milhões, enquanto o calote acima de 90 dias se reduziu a 3,69%.

    Segundo especialistas, o programa ajudou a controlar um crescimento que poderia ser ainda maior do superendividamento. Passado esse efeito pontual, a inadimplência voltou a crescer com força, impulsionada pelos juros cada vez maiores, pela oferta agressiva de crédito pelas instituições financeiras e pela explosão das bets.

    Esse cenário levou o número de inadimplentes a alcançar quase 82 milhões de indivíduos em fevereiro deste ano, enquanto a inadimplência da carteira de crédito total das pessoas físicas (incluindo os empréstimos imobiliários) alcançou 5,24%, a maior em 14 anos.

    “O governo tomou uma medida paliativa, que não interrompeu o ciclo que promove o endividamento”, diz a economista Ione Amorim, consultora de serviços financeiros do Idec (Instituto de Defesa do Consumidor). “Parte dos consumidores saiu temporariamente das estatísticas, mas isso não quer dizer que não estavam mais endividados.”

    Para ela, a proposta do Desenrola foi reabilitar a situação financeira dos brasileiros para que voltassem a consumir. Ela lembra que a primeira medida do programa foi excluir os negativados com dívidas de até R$ 100 dos cadastros dos birôs de crédito.

    “Quem teve o nome limpo foi pegar crédito, mas houve um rebote, com a inadimplência voltando a crescer de forma acelerada”, afirma a economista.
    Atualmente, a maior parte das dívidas são com bancos, principalmente de cartão de crédito (26,7% do total), seguidos por contas de consumo, como água e luz (21,3%) e dívidas com financeiras (20,3%), segundo dados da Serasa.

    DIFICULDADE DE ACESSO À PLATAFORMA

    Quando foi encerrado, o Desenrola havia atendido 15 milhões de pessoas com dívidas de R$ 53,2 bilhões. O Ministério da Fazenda afirmou, por meio da sua assessoria de imprensa, que a pasta avalia que o Desenrola atingiu seu objetivo. “O valor negociado corresponde a 0,5% do Produto Interno Bruto”, afirmou.

    Um número preliminar previa alcançar até 30 milhões de indivíduos. O resultado ficou abaixo do esperado, na avaliação de especialistas, por erros de implementação principalmente na segunda fase do programa.

    A primeira se concentrou nos devedores com renda até R$ 20 mil, que renegociaram dívidas diretamente com as instituições financeiras. Já a segunda etapa, com foco na população de baixa renda, exigia que os inadimplentes entrassem na plataforma digital criada para o programa.

    Isso se revelou uma barreira, já que a plataforma demandava que o devedor possuísse contas ouro e prata no portal Gov.br para acesso. Posteriormente, a exigência foi reduzida para contas do nível bronze.

    “Isso deixou a adesão mais lenta”, aponta Lauro Gonzalez, coordenador do Centro de Estudos em Microfinanças e Inclusão Financeira da FGV. Entre os pontos positivos do programa ele cita a limitação da taxa de juros do crédito renegociado e a construção da plataforma do governo para renegociação de dívidas, que pode ser usada futuramente.

    “Não me parece que houve uma preocupação com as causas estruturais do superendividamento”, afirma.

    O salto do número de endividados nos últimos anos pode ser explicado, segundo ele, por uma oferta agressiva de crédito. “Hoje há uma combinação de mais atores atuando no mercado de crédito digital, oferecendo empréstimos de forma quase automática. Os juros altos são a cereja do bolo”, diz.

    É a mesma avaliação de André Sacconato, economista da FecomercioSP. “Isso, somado à baixa educação financeira e altas taxas de juros, levou ao crescimento do endividamento.”

    Para Fabio Bentes, economista-chefe da CNC (Confederação Nacional do Comércio), o pano de fundo da elevação do superendividamento é a alta na taxa básica de juros, que subiu de 10,50% ao ano, patamar de quando o Desenrola foi encerrado, a 14,75% ao ano hoje.

    “O Desenrola teve boas intenções, mas não resolveu o problema nem de longe. Quando o paciente tem uma doença grave e você dá uma aspirina para ele, não vai resolver”, diz.

    O Ministério da Fazenda estuda hoje um novo programa, cujo objetivo é renegociar principalmente dívidas de modalidades mais caras, como cartão, cheque especial e crédito pessoal sem garantia, oferecendo abatimentos de até 80% e refinanciamento do restante.

    Os especialistas avaliam que a nova renegociação corre o risco de cometer os mesmos erros se o foco for em uma solução apenas emergencial.

    O governo avalia estipular contrapartidas para quem acessar a ajuda federal -entre elas uma restrição a apostas em bets e a necessidade de se fazer um curso de educação financeira, como mostrou a Folha.

    Gonzalez, da FGV, acredita que é preciso aprimorar a regulação da oferta do crédito digital. “Quando um imóvel vai ser financiado, por exemplo, existe uma limitação do quanto o crédito vai representar da renda da pessoa. Essa limitação poderia ser pensada para outras modalidades.”

    Brasil ganhou 9 milhões de novos inadimplentes desde o fim do Desenrola

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  • Dólar fecha no menor valor desde maio de 2024, e Bolsa renova recorde

    Dólar fecha no menor valor desde maio de 2024, e Bolsa renova recorde

    Bolsa renovou recorde de alta com cessar-fogo entre EUA e Irã; dólar, cotado a R$ 5,102 nesta quarta-feira (8), teve menor valor de fechamento desde 7 de maio de 2024, quando encerrou a R$ 5,071

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar fechou em queda de 1%, cotado a R$ 5,102, nesta quarta-feira (8), após Estados Unidos e Irã firmarem um cessar-fogo de duas semanas no conflito no Oriente Médio. A trégua também prevê a reabertura do estreito de Hormuz, por onde passam cerca de 20% de todo o petróleo e gás natural liquefeito consumidos no mundo.

    É o menor valor de fechamento desde 7 de maio de 2024, quando encerrou a R$ 5,071. Na mínima do pregão, o dólar atingiu R$ 5,065, em queda de 1,73%.

    O movimento acompanhou o exterior, onde o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis divisas fortes, recuou 0,85%, a 99 pontos.

    Em meio ao maior apetite por ativos de risco, a Bolsa encerrou o dia em novo recorde de fechamento, em alta de 2,09%, a 192.201 pontos. Durante o dia, o índice também atingiu um novo recorde histórico intradiário, aos 193.759 pontos.

    A valorização da Bolsa ocorreu apesar da queda do petróleo, que pressionou as ações da Petrobras e de outras petrolíferas brasileiras durante o pregão.

    Às 17h, os contratos do Brent, referência global, despencavam 11,72%, a US$ 96,53, enquanto do barril WTI (West Texas Intermediate), padrão dos EUA, caía 14,77%, a US$ 96,30.

    O recuo também impactou o pregão brasileiro, com o setor petrolífero caindo em bloco. As ações da Petrobras encerraram o dia em quedas de 4,31% (preferencial) e 3,91% (ordinária).

    Prio, PetroRecôncavo e Brava Energia recuaram 5,48%, 2,90% e 2,86%, respectivamente.

    O principal fator do pregão foi a trégua da guerra no Oriente Médio. Após dizer que “uma civilização inteira morrerá nesta noite” e ameaçar obliterar a infraestrutura civil do Irã, Donald Trump recuou novamente e aceitou na terça-feira (7) uma proposta feita pelo Paquistão para um cessar-fogo de duas semanas na guerra iniciada em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e Israel.

    Em postagem na rede Truth Social, o americano disse que sua decisão se baseou no compromisso de que o Irã reabra Hormuz durante a trégua -Teerã disse que o fará por duas semanas “em coordenação com as Forças Armadas” iranianas.

    “Esse será um cessar-fogo duplo”, escreveu Trump, visando acalmar os ânimos dos países árabes sob ataque de Teerã no golfo Pérsico.

    “O motivo pelo qual eu estou fazendo isso é que nós já atingimos e excedemos nossos objetivos militares”, afirmou, dizendo procurar um “acordo definitivo de paz de longo prazo com o Irã e paz no Oriente Médio” nesses 15 dias.

    Desde o início do conflito no Oriente Médio, o dólar e os prêmios de ativos de renda fixa tem se valorizado por conta de uma maior busca por proteção dos investidores.

    “Desde o início do conflito, vimos poucas sessões de apetite por risco e muitas de aversão, diante das incertezas relacionadas ao aumento da inflação, à disrupção das cadeias globais de valor e à elevação dos preços do petróleo e de outras commodities energéticas. Nesse contexto, o dólar voltou a atuar como ativo de proteção”, diz Lucca Bezzon, especialista de inteligência de mercado da StoneX.

    O cessar-fogo reverteu o comportamento, aumentando o apetite por investimentos de risco. Entre os países emergentes, 12 moedas se valorizaram frente ao dólar -caso do real, rubia indiana e peso mexicano.

    As Bolsas também tiveram pregão positivo. Na Europa, o Euro STOXX 600, referência do continente, fechou em alta de 4,97%, similar aos índices de Frankfurt (5,06%), Londres (2,51%) e Paris (4,49%). Em Wall Street, as Bolsas Nasdaq, S&P 500 e Dow Jones avançaram 2,80%, 2,51% e 2,85%, respectivamente.

    No Brasil, o comportamento se repetiu. “A movimentação do mercado cambial hoje parece refletir, em grande medida, um cenário que já vínhamos observando antes do início do conflito”, afirma Bezzon, da StoneX.

    Para Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, o cessar-fogo motivou a busca por risco após semanas de volatilidade intensa. “Alivia a taxa de câmbio com a desmontagem de parte das posições de proteção do mercado. A queda do petróleo afasta parte do temor de inflação persistente, aliviando os juros futuros”.

    Ela, contudo, reforça que o cessar-fogo não significa o fim das incertezas, e o tom dos líderes políticos envolvidos no conflito continua indicando tensões.

    As incertezas giraram em torno do fluxo de navegação no estreito de Hormuz e da continuidade de ataques no Oriente Médio.

    O Irã concordou em permitir a passagem de navios pelo estreito de Hormuz, mas o tráfego permaneceu baixo. Empresas de navegação disseram nesta quarta-feira (8) que precisam de mais clareza sobre os termos do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã antes de retomar o trânsito pelo estreito de Hormuz.

    O Irã também condicionou a reabertura do estreito à interrupção dos ataques por parte de Israel e dos Estados Unidos. Nesta quarta-feira, Israel realizou o maior ataque a instalações do Hezbollah no Líbano, o que levou Teerã a ameaçar abandonar o cessar-fogo.

    O bloqueio do estreito de Hormuz, por onde passam 20% de todo o petróleo e gás natural liquefeito consumidos no mundo, lançou a economia global em turbulência. O choque de oferta, considerado sem precedentes, se transformou em uma crise energética que fez os preços do petróleo e produtos derivados dispararem.

    A interrupção também pressiona a inflação global. O crescimento econômico antes previsto tem sido colocado em dúvida, bem como os próximos passos de alguns dos principais bancos centrais do mundo.

    Tanto o Federal Reserve, dos Estados Unidos, quanto o BC (Banco Central) brasileiro citaram a guerra nas decisões do mês passado, diante do risco de pressão inflacionária global.

    Na última segunda (6), o presidente do BC, Gabriel Galípolo, defendeu o que chamou de cautela da instituição na condução da política de juros no Brasil. Ele também afirmou que a sociedade não aceita mais inflação.

    Dólar fecha no menor valor desde maio de 2024, e Bolsa renova recorde

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  • BTG fecha acordo de intenção de compra do Digimais, banco de Edir Macedo

    BTG fecha acordo de intenção de compra do Digimais, banco de Edir Macedo

    Aquisição ainda deve passar por uma série de tratativas, inclusive com o FGC; banco de fundador da Universal acumula prejuízos com alta inadimplência do financiamento de veículos

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O BTG Pactual fechou com o Digimais, banco do bispo Edir Macedo, um acordo de intenção de compra, segundo duas pessoas familiarizadas com o assunto. O Digimais enfrenta anos de deterioração financeira, passou por alguns reinvestimentos pelo controlador, além de tentativas de venda.

    O acordo ainda é incipiente, segundo uma fonte com conhecimento do tema ouvida pela reportagem, e uma série de tratativas ainda deve ocorrer nos próximos meses.

    Procurados, Digimais e BTG disseram que não comentariam.

    A reportagem apurou que a conclusão do negócio ainda depende de uma série de tratativas, passando inclusive por um acerto com o FGC (Fundo Garantidor de Créditos) para financiar a transação. Outras instituições financeiras interessadas no Digimais também poderão entrar em uma eventual disputa pelo banco de Edir Macedo com patrocínio do fundo. Na prática, outros proponentes poderão fazer uma oferta de compra do banco.

    Nos bastidores, a venda tem sido vista com bons olhos por ser uma forma de evitar uma eventual liquidação do Digimais, cujos depósitos teriam que ser integralmente cobertos pelo FGC. Com a alienação para outro banco, a tendência é que as perdas do fundo sejam menores, mesmo que o FGC tenha que cobrir parte do passivo.

    Antigo Banco Renner, ligado à família que fundou a varejista de roupas, o controle do banco foi adquirido em 2020 por Edir Macedo, também dono da Record TV e fundador da Igreja Universal do Reino de Deus.

    Com a aquisição, o nome mudou para Digimais, a sede foi transferida do Rio Grande do Sul para São Paulo e Macedo colocou o bispo João Luiz Urbaneja para comandar a instituição.

    Até então, o foco era o financiamento de veículos no estado gaúcho, mas a nova direção começou a diversificar a receita, comprando carteiras de crédito e títulos e valores mobiliários. Segundo o balanço de junho de 2025, o banco tinha R$ 3,89 bilhões em ativos mobiliários, a maioria de fundos de investimento em direitos creditórios e imobiliários.

    Mais recentemente, o banco também passou a originar crédito consignado, com contratos com a Prefeitura de São Paulo. Porém, a carteira de crédito de R$ 1,92 bilhão ainda é em sua maioria de financiamento de veículos (R$ 1,36 bilhão), seguida de consignado (R$ 580 milhões).

    Sem um controle rigoroso das carteiras de financiamento e gestão ativa dos ativos mobiliários, o resultado financeiro do banco se deteriorou, e o controlador teve que colocar dinheiro no Digimais para cumprir regras do Banco Central. Segundo dados de setembro de 2025, o prejuízo líquido foi de R$ 252,6 milhões no terceiro trimestre do ano passado.

    O estresse financeiro se refletiu na alta rentabilidade dos CDBs (Certificados de Depósito Bancário) do Digimais, que chegaram a 130% do CDI, acima da média do mercado, levantando alertas.

    “Esse tipo de captação torna o custo de financiamento muito elevado e, no longo prazo, pode tornar a estrutura financeira praticamente insustentável, já que o banco precisa assumir riscos cada vez maiores na carteira de crédito para compensar esse custo de captação”, diz o economista Tiago Velloso.

    Com o negócio gerando prejuízo, o bispo decidiu colocar a instituição à venda. Maurício Quadrado, ex-sócio do Banco Master, chegou a anunciar a aquisição em janeiro de 2025, em troca de uma injeção de R$ 800 milhões no Digimais, mas o negócio foi cancelado dois meses depois, com o avanço das investigações sobre Quadrado.

    “Em situações semelhantes, eventuais soluções de mercado costumam envolver processos de reestruturação, incluindo a segregação de ativos e passivos ou a busca por investidores dispostos a aportar capital”, diz Marcos Bassani, analista de investimentos e sócio da Boa Brasil Capital.

    Para facilitar a venda, Macedo deu a administração do banco para um executivo com mais experiência no setor. Desde o fim de 2025, a instituição é comandada por Aldemir Bendine, ex-presidente da Petrobras e do Banco do Brasil, que tem a missão de deixar a casa em ordem e vendê-la. Já o bispo Urbaneja ficou no comando do conselho de administração.

    Além dos problemas financeiros, a instituição também enfrenta uma batalha judicial envolvendo ativos gerados pelo Master. No início de 2025, o banco vendeu uma carteira de crédito para o fundo EXP1, gerido pela Yards Capital. Porém, segundo a gestora, parte dos ativos vendidos não existe e o banco deveria devolver o valor pago correspondente.

    No processo, o Digimais diz que os créditos existem, mas o repasse dos pagamentos desses empréstimos estaria paralisado dada a situação do Master, em liquidação extrajudicial e investigações, que foi a instituição que originou esses créditos inicialmente.

    Procurado, o fundo rebate essa argumentação e afirma que o contrato atribuiu ao Digimais “obrigações diretas e intransferíveis, incluindo a garantia de lastro dos créditos, a entrega da documentação comprobatória, o repasse tempestivo de todos os valores recebidos e a vedação expressa de qualquer interferência no fluxo de pagamentos.”

    RAIO-X | DIGIMAIS NO 3º TRIMESTRE DE 2025

    Prejuízo líquido: R$ 252,6 milhões
    Agências: 3
    Clientes: 199.026
    Fundação: 1981
    Concorrentes: Santander, Bradesco, Itaú, Banco do Brasil

    BTG fecha acordo de intenção de compra do Digimais, banco de Edir Macedo

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  • Correios: Plano de Demissão Voluntária tem adesão de 30% da meta

    Correios: Plano de Demissão Voluntária tem adesão de 30% da meta

    Cerca de 3 mil empregados aderiram ao PDV; expectativa era de 10 mil; o PDV é uma das ações do Plano de Reestruturação dos Correios 2025–2027, voltado à recuperação da estatal

    Um total de 3.075 empregados dos Correios aderiram ao Plano de Demissão Voluntária (PDV) de 2026 da estatal. O número representa 30,7% do público alvo – a projeção inicial da empresa era de que 10 mil profissionais pedissem o desligamento neste ano. 

    O prazo de adesão terminou nesta terça-feira (8) e não será prorrogado pela empresa. Com esse balanço, a estatal projeta uma economia de cerca de R$ 1,4 bilhão já em 2027.

    Plano de Reestruturação

    O PDV é uma das ações do Plano de Reestruturação dos Correios 2025–2027, voltado à recuperação da sustentabilidade financeira, otimização da rede operacional, eficiência logística da empresa e ao reposicionamento competitivo da estatal.  

    A expectativa dos Correios é a de que o PDV,  somado a outras medidas implementadas no primeiro trimestre, gerará uma economia adicional de R$ 508 milhões anuais.Em dezembro do ano passado, a empresa pública conseguiu um empréstimo de R$ 12 bilhões para financiar a reestruturação. À época, a instituição projetou redução de R$ 5 bilhões em despesas até 2028

    Leilões de imóveis

    No plano de reestruturação, a previsão é fechar 16% das agências da companhia, o que representa cerca de 1 mil das 6 mil unidades próprias, em todo o país.

    A estimativa da direção da estatal é de que os leilões reduzam os custos de manutenção dos imóveis ociosos e arrecadem até R$ 1,5 bilhão para investimento.

    Em fevereiro, os Correios realizaram o primeiro leilão de imóveis próprios. A oferta inicial abrangeu 21 imóveis para venda imediata, localizados em 11 estados.

    Crise postal

    Os Correios enfrentam uma crise financeira. O diagnóstico nas contas da empresa identificou déficit estrutural superior a R$ 4 bilhões anuais, patrimônio líquido negativo de R$ 10,4 bilhões e prejuízo acumulado de R$ 6,057 bilhões até setembro de 2025. Ainda não há um número fechado em relação ao saldo do ano.

    Segundo a direção da companhia, a crise vem desde 2016, motivada pelas mudanças no mercado postal em razão da digitalização das comunicações, que substituiu as cartas, reduzindo a principal fonte de receita da empresa.

    A estatal também atribui as dificuldades financeiras à entrada de novos competidores no comércio eletrônico como um dos motivos da atual crise do setor.

    Estrutura

    Os Correios estão presentes em 100% dos municípios brasileiros. Atualmente, a estrutura da empresa conta com 10,3 mil unidades de atendimento, considerando agências próprias e pontos de parceria.

    Há ainda 1,1 mil unidades de distribuição e tratamento, que são os centros logísticos onde as encomendas e cartas são processadas, após a postagem e antes da entrega final. São 80 mil empregados diretos. 

    Os serviços realizados pelos Correios são variados e vão desde a entrega de cartas e encomendas até a distribuição das provas do Enem simultaneamente em todo o território. Também é de responsabilidade dos Correios a entrega de urnas eletrônicas em locais de difícil acesso nas eleições, além da distribuição de mantimentos e outros artigos em situações de calamidade, como enchentes. 

    Correios: Plano de Demissão Voluntária tem adesão de 30% da meta

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  • ANP não identificou para abril nenhum risco de abastecimento no Brasil, reitera diretor

    ANP não identificou para abril nenhum risco de abastecimento no Brasil, reitera diretor

    O abastecimento de combustíveis está garantindo para o mês de abril, mesmo em meio às instabilidades geradas pelos ataques dos Estados Unidos e Israel contra o Irã

    O diretor da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Pietro Mendes, reiterou nesta quarta-feira, 8, a mensagem que o abastecimento de combustíveis está garantindo para o mês de abril, mesmo em meio às instabilidades geradas pelo conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã.

    “Com relação a suprimento, nós não identificamos para o mês de abril nenhum risco de abastecimento no Brasil. Obviamente, temos que acompanhar a evolução dos conflitos porque é fato que temos uma dependência externa de GLP e diesel”, disse durante o primeiro dia do Fórum Brasileiro de Líderes em Energia, no Rio de Janeiro. “Nossas refinarias apresentam estabilidade na produção de diesel S10 e S500”, complementou.

    Mendes destacou que o aumento da volatilidade de preços desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, levou a ANP a flexibilizar exigências de estoque e a acionar a Petrobras para reforçar a oferta, especialmente após relatos de dificuldade de acesso ao produto no Rio Grande do Sul.

    “No preço de paridade de importação (PPI) houve aumento significativo, com a gasolina registrando alta de 65% no preço de importação, enquanto o diesel subiu 86%. A ANP instituiu ferramentas como o monitoramento dos estoques de combustíveis, o painel da logística do abastecimento nacional e o sistema de sobreaviso, para acompanhar, passo a passo, a evolução dos estoques e da demanda no país”, detalhou.

    Já no mercado de gás liquefeito de petróleo (GLP), o diretor defendeu a atuação da agência na abertura do ofício para apurar possíveis práticas de preços abusivos no leilão realizado pela Petrobras. “O GLP tem, além de tudo, um componente social dentro da política pública do Gás do Povo e, adicionalmente, é uma estratégia alinhada ao ODS-7 da ONU.”

    ANP não identificou para abril nenhum risco de abastecimento no Brasil, reitera diretor

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  • Dólar recua mais de 1% e Bolsa renova recorde após trégua entre Irã e EUA

    Dólar recua mais de 1% e Bolsa renova recorde após trégua entre Irã e EUA

    Comportamento de moeda e Ibovespa acompanham maior apetite global por risco; Trump anuncia cessar-fogo de duas semanas no conflito no Oriente Médio; estreito de Hormuz é reaberto

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar recua mais de 1% nesta quarta-feira (8), após Estados Unidos e Irã firmarem um cessar-fogo de duas semanas no conflito no Oriente Médio. A trégua também prevê a reabertura do estreito de Hormuz, por onde passam cerca de 20% de todo o petróleo e gás natural liquefeito consumidos no mundo.

    Às 14h28, a moeda norte-americana caía 1,06%, cotada a R$ 5,099, a caminho de fechar na menor cotação desde maio de 2024. Na mínima do pregão, o dólar atingiu R$ 5,065, em queda de 1,73%.

    No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis divisas fortes, recuava 0,94%, a 98,91 pontos -a caminho da maior queda do índice desde 22 de abril de 2025, em meio à guerra comercial.

    No mesmo horário, a Bolsa subia 2,14%, a 192.292 pontos. Na máxima do dia, atingiu 193.759 pontos, novo recorde histórico durante o período de negociações.

    A valorização da Bolsa ocorre apesar da queda do petróleo, que pressiona as ações da Petrobras e de outras petrolíferas brasileiras.

    Os contratos do Brent, referência global, e do barril WTI (West Texas Intermediate), referência dos EUA, eram negociados abaixo do patamar de US$ 100, despencando até 15%.

    Por volta das 14h30, as ações da Petrobras caíam entre 5,84% (preferencial) e 5,48% (ordinária), enquanto Prio, PetroRecôncavo e Brava Energia recuavam 4,80%, 3,75% e 3,52%, respectivamente.

    O principal fator do pregão é a trégua da guerra no Oriente Médio. Após dizer que “uma civilização inteira morrerá nesta noite” e ameaçar obliterar a infraestrutura civil do Irã, Donald Trump recuou novamente e aceitou na terça-feira (7) uma proposta feita pelo Paquistão para um cessar-fogo de duas semanas na guerra iniciada em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e Israel.

    Em postagem na rede Truth Social, o americano disse que sua decisão se baseou no compromisso de que o Irã reabra Hormuz durante a trégua -Teerã disse que o fará por duas semanas “em coordenação com as Forças Armadas” iranianas.

    “Esse será um cessar-fogo duplo”, escreveu Trump, visando acalmar os ânimos dos países árabes sob ataque de Teerã no golfo Pérsico.

    “O motivo pelo qual eu estou fazendo isso é que nós já atingimos e excedemos nossos objetivos militares”, afirmou Trump, dizendo procurar um “acordo definitivo de paz de longo prazo com o Irã e paz no Oriente Médio” nesses 15 dias.

    Desde o início do conflito no Oriente Médio, o dólar e os prêmios de ativos de renda fixa tem se valorizado por conta de uma maior busca por proteção dos investidores.

    O cessar-fogo reverte o comportamento, aumentando o apetite por ativos de risco. Entre os países emergentes, 12 moedas se valorizam frente ao dólar -caso do real, rubia indiana e peso mexicano.

    As Bolsas também tinham pregão positivo. Na Europa, o Euro STOXX 600, referência do continente, fechou em alta de 4,97%, similar aos índices de Frankfurt (5,06%), Londres (2,51%) e Paris (4,49%). Em Wall Street, as Bolsas Nasdaq, S&P 500 e Dow Jones avançavam 2,89%, 2,54% e 2,52%, respectivamente, por volta das 14h30.

    No Brasil, o comportamento se repete. “A expectativa é de uma sessão positiva para a Bolsa brasileira, para os ativos domésticos, e para o real, que tendem a se beneficiar desse ambiente de maior apetite por risco”, diz Lucca Bezzon, especialista de inteligência de mercado da StoneX.

    Para Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, o cessar-fogo motiva a busca por risco após semanas de volatilidade intensa. “Alivia a taxa de câmbio com a desmontagem de parte das posições de proteção do mercado. A queda do petróleo afasta parte do temor de inflação persistente, aliviando os juros futuros”.

    Há ainda incertezas. O Irã concordou em permitir a passagem de navios pelo estreito de Hormuz, mas o tráfego permanece baixo.

    Dados do monitor marítimo Marine Traffic revelam que apenas duas embarcações passaram pelo local nesta quarta-feira (8), horas após ser anunciado o cessar-fogo de duas semanas envolvendo EUA, Israel e Irã.

    Diretores de segurança de empresas que navegam na via afirmam ainda aguardar detalhes técnicos antes de liberar os envios de navegações.

    Segundo o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, uma das condições impostas pelo regime para a trégua foi Teerã ser responsável pela coordenação da passagem dos navios no estreito.

    O Irã também condicionou a reabertura do estreito à interrupção dos ataques por parte de Israel e dos Estados Unidos. Nesta quarta-feira, Israel realizou o maior ataque a instalações do Hezbollah no Líbano, o que levou Teerã a ameaçar abandonar o cessar-fogo.

    O bloqueio do estreito de Hormuz, por onde passam 20% de todo o petróleo e gás natural liquefeito consumidos no mundo, lançou a economia global em turbulência. O choque de oferta, considerado sem precedentes, está se transformando em uma crise energética que fez os preços do petróleo e produtos derivados dispararem.

    A interrupção também pressiona a inflação global. O crescimento econômico antes previsto tem sido colocado em dúvida, bem como os próximos passos de alguns dos principais bancos centrais do mundo.

    Tanto o Federal Reserve, dos Estados Unidos, quanto o BC (Banco Central) brasileiro citaram a guerra nas decisões do mês passado, diante do risco de pressão inflacionária global.

    Na última segunda (6), o presidente do BC, Gabriel Galípolo, defendeu o que chamou de cautela da instituição na condução da política de juros no Brasil. Ele também afirmou que a sociedade não aceita mais inflação.

    Na visão da XP, um prolongamento da guerra e preços de petróleo altos por mais tempo são os principais pontos de atenção do conflito, à medida que as expectativas de inflação local sobem acima da meta de 3% do BC.

    Ainda assim, a XP vê o Brasil bem posicionado para enfrentar as turbulências da guerra, “dada a alta exposição ao petróleo e o potencial de seguir atraindo fortes fluxos estrangeiros, especialmente quando as tensões arrefecerem”.

    Dólar recua mais de 1% e Bolsa renova recorde após trégua entre Irã e EUA

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  • Lula diz que enviará nesta semana ao Congresso projeto para reduzir escala 6×1

    Lula diz que enviará nesta semana ao Congresso projeto para reduzir escala 6×1

    Lula defendeu que haja uma brecha para o caso de necessidade de contratos coletivos de categorias diferenciadas durante a implementação da redução da escala de trabalho

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta quarta-feira, 8, que vai enviar nesta semana ao Congresso Nacional um projeto de lei do governo que reduz a jornada de trabalho e acaba com a escala 6×1. Lula disse ainda que vai conversar com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), sobre a medida. A declaração foi feita em entrevista ao portal ICL Notícias.

    Nesta terça-feira, 7, Motta chegou a dizer que o governo havia recuado da intenção de enviar um projeto de lei e que iria pautar a análise de uma proposta de emenda à Constituição (CCJ) que já tramita na Câmara, e tem apoio do próprio Motta.

    Como mostrou o Broadcast Político (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), o governo negou que iria desistir de enviar a sua proposta.

    “Hugo Motta tem uma PEC que ele gostaria de colocar em votação, mas o governo vai apresentar o seu projeto nesta semana”, disse Lula, se mostrando confiante com a aprovação da mudança. “Vamos conseguir reduzir a escala 6×1”, comentou.

    O presidente também defendeu que haja uma brecha para o caso de necessidade de contratos coletivos de categorias diferenciadas durante a implementação da redução da escala de trabalho.

    “Não pode ser uma coisa rígida para todas as categorias, você tem que permitir que haja uma negociação. Mas nós temos que ter a redução, as pessoas precisam hoje de mais descanso e lazer”, afirmou Lula.

     

    Lula diz que enviará nesta semana ao Congresso projeto para reduzir escala 6×1

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