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  • Autor de 'La Casa de Papel' expõe falta de remuneração a roteiristas no país

    Autor de 'La Casa de Papel' expõe falta de remuneração a roteiristas no país

    Javier Gómez Santander recebe direitos autorais na Europa, mas não na América Latina. Roteirista participa de painel no Rio2C sobre remuneração de roteiristas no streaming

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – O roteirista espanhol Javier Gómez Santander, chefe dos roteiristas de “La Casa de Papel”, da Netflix, ajudou a escrever uma das séries de língua não inglesa mais populares do planeta, vista em dezenas de países, transformada em fenômeno global, estendida por cinco temporadas e desdobrada em derivados.

    Ainda assim, a circulação da obra não se traduz em remuneração em todos os mercados onde ela é exibida. Do Brasil, por exemplo, ele nunca recebeu nada. “Sei que a série foi muito vista em toda a América Latina e não recebemos de nenhum país. O que me parece mais preocupante é que os criadores brasileiros não tenham direitos”, disse ele à Folha nesta terça, no Rio2C.

    Convidado da Gedar (Gestão de Direitos de Autores Roteiristas) para participar do evento carioca, Javier sobe ao palco GlobalStage, na Cidade das Artes, nesta quarta-feira (27), às 10h, no painel “O Valor da Criação”. Ele divide o painel com a diretora francesa Noémie Saglio, o roteirista brasileiro Cauê Laratta e André Mielnik, presidente da entidade.

    A discussão parte de uma pergunta que parece simples: quanto vale uma obra depois que ela continua circulando por anos em plataformas e emissoras?

    Javier diz que “La Casa de Papel” gerou pagamentos para ele em países como Espanha, França, Itália, Bélgica e Polônia, mas não em mercados como Brasil ou outros países latino-americanos. Mas ele evita transformar isso numa reclamação pessoal.

    Para ele, o problema não é deixar de receber por uma série específica. O problema é o modelo brasileiro. “Desse jeito, tanto faz se você faz uma série assistida por uma pessoa ou por 1 milhão”, afirma. “Alguém vai ganhar muito dinheiro com isso e não vai ser você.”

    A discussão aparece num momento em que entidades do setor tentam avançar no Projeto de Lei 4.968/2024, que atualiza regras de direitos autorais para o ambiente digital e prevê mecanismos de remuneração pela circulação online das obras.

    Em geral, o roteirista brasileiro recebe um valor na entrega do texto e nunca mais. Segundo dados divulgados pela Gedar, 85% afirmaram nunca ter recebido remuneração posterior pela exibição de suas obras. Apenas 2% disseram receber sempre direitos de exibição e 27,5% falaram que vivem exclusivamente de escrever roteiro.

    Os números vieram de pesquisa feita pela Associação Brasileira de Autores Roteiristas (Abra), baseada em 584 respostas entre cerca de mil associados. Para o presidente da Gedar, André Mielnik, o caso do roteirista espanhol ajuda a explicar uma distorção maior.

    “O exemplo do Javier é muito interessante. O Brasil é uma das maiores economias do mundo, um dos maiores mercados de streaming, e uma obra como a dele obviamente vai circular intensamente. Então por que ele não recebe?”, afirma.

    A proposta discutida pela entidade prevê um sistema em que empresas exibidoras, como plataformas de streaming, contribuam para um mecanismo de remuneração distribuído entre autores conforme a circulação das obras.

    O projeto em discussão foi desenhado especificamente para o ambiente digital e não altera regras para cinema, TV aberta ou TV por assinatura. Segundo Mielnik, os percentuais não seriam fixos em lei: seriam negociados entre plataformas, emissoras e entidades de gestão coletiva, em acordos próprios para cada empresa.

    A lógica, segundo ele, seria semelhante à de sistemas já existentes em outras áreas de direitos autorais, em que obras mais exibidas geram maior remuneração aos autores.

    Para Javier, a discussão não envolve apenas ganhar mais dinheiro. Envolve conseguir atravessar os períodos entre um trabalho e outro. Ele diz que os direitos autorais funcionam como uma espécie de colchão numa atividade em que projetos levam anos, fracassam com frequência e o próximo trabalho nunca está garantido.

    “É uma profissão de muita incerteza. Você nunca sabe exatamente quando vai voltar a trabalhar.” Ele próprio chegou ao roteiro vindo do jornalismo político e econômico na televisão espanhola. Após anos cobrindo eleições, crises financeiras e política europeia, deixou as redações para criar histórias de ficção.

    Hoje diz ter encontrado um caminho entre as duas atividades. Continua investigando histórias reais, acompanhando fontes e passando semanas em apuração, mas agora usa esse material para construir ficção baseada em histórias reais. “Com a ficção eu posso fazer o jornalismo que sempre sonhei.”

    Autor de 'La Casa de Papel' expõe falta de remuneração a roteiristas no país

  • ‘Haaland paraguaio’ assombra rivais e é artilheiro da Liberta antes da Copa

    ‘Haaland paraguaio’ assombra rivais e é artilheiro da Liberta antes da Copa

    SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – No ano em que o Paraguai volta a disputar uma Copa do Mundo, a Libertadores tem um artilheiro paraguaio. Com oito gols em cinco jogos, Alex Arce, do Independiente Rivadavia, leva nada mais do que o apelido de “Haaland paraguaio”.

    CONHEÇA ALEX ARCE

    Arce é responsável por mais da metade dos gols do Rivadavia na Libertadores deste ano. Ao todo, a equipe foi às redes 12 vezes. Com os tentos dele e dos companheiros, o time já soma 13 pontos, garantiu o primeiro lugar no grupo do Fluminense e luta para ter a melhor campanha geral logo em seu ano de estreia no torneio.

    A Libertadores é mais um exemplo de quão bom tem sido o desempenho de Arce nos últimos anos. De 2023 para cá, o atacante soma 85 gols marcados, mostrando que o apelido não é em vão.

    Foi durante esse intervalo de três anos que o apelido surgiu. Mais precisamente, o paraguaio ganhou a alcunha enquanto jogava pela LDU, do Equador, entre 2024 e o começo de 2025. Por lá, foram 42 gols em 63 jogos.

    Mas a carreira dele nem sempre foi assim. Arce estreou profissionalmente somente com 22 anos, no Cerro Porteño. Depois, ele se mudou para o Rubio Ñu, onde jogou a segunda divisão, mas sem destaque.

    Arce chegou a virar vendedor ambulante. Durante o período da pandemia, o atacante trabalhou nesta área para ajudar a família e evitar problemas financeiros.

    Na volta do futebol, ele foi jogar no Sportivo Ameliano, do Paraguai. Foi de lá que ele saiu para a primeira passagem pelo Independiente Rivadavia -depois foi para a LDU e voltou à Argentina.

    O auge da carreira vem justamente no ciclo que levou o Paraguai de volta à Copa após 16 anos. Convocado desde 2024, o atacante tem 14 jogos disputados pela Albirroja e tem um gol marcado. Existe uma grande possibilidade dele ser chamado para o Mundial. Na fase de grupos, a seleção encara Estados Unidos, Austrália e Turquia.

    PARAGUAI EM ALTA

    Os paraguaios estão em alta na Libertadores. Dos quatro principais artilheiros desta edição, três nasceram no país.

    Arce lidera com oito, mas Carlos González (Ind. Del Valle) vem logo atrás, com seis. Melgarejo (Libertad) divide o terceiro lugar com o argentino Fydriszewski (Ind. Medellín).

    Diferentemente de Arce, Melgarejo e Carlos González estão distantes do radar da seleção. O primeiro tem 35 anos e não joga pela Albirroja desde 2022. O segundo tem 33 e não é convocado desde 2023.

    ‘Haaland paraguaio’ assombra rivais e é artilheiro da Liberta antes da Copa

  • PF: Castro tinha 'vínculo próximo' e 'alinhamento político' com Vorcaro para investir no Master

    PF: Castro tinha 'vínculo próximo' e 'alinhamento político' com Vorcaro para investir no Master

    Operação que fez buscas contra ex-governador do Rio foi baseada em material apreendido no celular de Vorcaro. Defesa ainda não comentou suspeitas, que são mencionadas em decisão do ministro André Mendonça

    As transferências de R$ 3 bilhões do Rioprevidência para fundos de investimento ligados ao Banco Master dependiam da atuação política do ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL), segundo a Polícia Federal (PF).

    Na manhã desta terça-feira, 26, Castro foi alvo de mandado de busca e apreensão na oitava fase da Operação Compliance Zero sob suspeita de manter “vínculo próximo” e “alinhamento político” com o banqueiro Daniel Vorcaro, termos usados pela PF no pedido feito ao Supremo Tribunal Federal (STF) para autorizar a operação.

    A defesa de Castro não se manifestou sobre as diligências até a publicação desta matéria.

    A decisão do ministro do STF André Mendonça, que autorizou as diligências, aponta que Cláudio Castro “exerceu papel politicamente relevante para a viabilização dos aportes do Rioprevidência no Banco Master”.

    Na representação, a PF destaca o “sincronismo entre encontros mantidos entre ambos e os aportes financeiros subsequentes do Regime Próprio de Previdência Social, além de conversas encontradas no celular de Vorcaro indicando que a liberação de determinados investimentos dependia de alinhamento político com o ex-chefe do Executivo estadual”.

    O Rioprevidência, fundo de previdência dos servidores fluminenses, aplicou R$ 970 milhões em letras financeiras emitidas pelo Banco Master, instituição liquidada pelo Banco Central e suspeita de operar créditos considerados de alto risco. Esses títulos são papéis de dívida emitidos diretamente pelo banco, sem garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), e funcionam como empréstimos feitos por investidores à instituição.

    Agora, a Polícia Federal apura aplicações de R$ 2,01 bilhões em fundos de investimento ligados ao Banco Master a partir de julho de 2024. Nesse caso, os recursos são reunidos e administrados por gestoras, que aplicam o dinheiro em diferentes ativos financeiros, incluindo papéis emitidos pelo próprio banco. Somadas as duas modalidades, as movimentações sob investigação chegam a cerca de R$ 3 bilhões transferidos pelo Rioprevidência.

    Segundo a Polícia Federal, “a atuação do ex-governador não se limitou a contatos institucionais, mas envolveu vínculo pessoal estreito com o controlador do Banco Master, caracterizado por encontros frequentes, inclusive em ambientes privados e no exterior, custeados pelo banqueiro, com elevada coincidência temporal em relação aos aportes bilionários do RioPrevidência”.

    Esse relacionamento, de acordo com os investigadores, “teria viabilizado o alinhamento político necessário para a liberação dos investimentos, bem como a nomeação estratégica de dirigentes do RioPrevidência em cargos-chave (Presidência, Diretoria de Investimentos e Gerência de Investimentos), assegurando que as decisões de credenciamento e de aplicação de recursos previdenciários fossem conduzidas e desconformidade com a política de investimentos e com as normas regulatórias, mas em consonância com os interesses do Banco Master”.

    A Polícia Federal afirma que as investigações identificaram mudanças na composição da diretoria do Rioprevidência pouco antes do início da série de investimentos no Banco Master.

    Além de Castro, também foram alvo nesta terça-feira o lobista Ricardo Siqueira Rodrigues, o ex-presidente do Rioprevidência Deivis Marcon Antunes, o ex-diretor de Investimentos Eucherio Lerner Rodrigues, o ex-gerente de Investimentos Pedro Pinheiro Guerra Leal e a ex-gerente de Controle Interno e Auditoria Fernanda Pereira da Silva Machado.

    Ao todo, foram cumpridos 10 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e no Distrito Federal. A reportagem busca contato com as defesas. O espaço está aberto para manifestação.

    Para a PF, o “sincronismo” entre reuniões e os aportes financeiros, somado à troca de integrantes da diretoria do fundo, à supressão de etapas técnicas no processo decisório e à ausência de justificativas formais para as operações, reforça a suspeita de interferência política de Castro nas aplicações.

    É a segunda vez em 11 dias que o ex-governador do Rio é alvo de buscas da Polícia Federal. No dia 15, no âmbito da Operação Sem Refino, investigação sobre as ligações da gestão de Castro com o Grupo Refit, apontado pela Receita Federal como o maior sonegador de impostos do País, os agentes apreenderam o celular e o tablet do ex-governador.

    PF: Castro tinha 'vínculo próximo' e 'alinhamento político' com Vorcaro para investir no Master

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Política

  • Botafogo sela acordo de paz com Eagle e engatilha novo investidor para SAF

    Botafogo sela acordo de paz com Eagle e engatilha novo investidor para SAF

    RIO DE JANEIRO, RJ (UOL/FOLHAPRESS) – A SAF Botafogo e a Eagle Bidco assinaram um acordo de paz. O documento prevê a suspensão por um mês dos processos judiciais em curso. A batalha começou quando John Textor estava no poder e agora perde força com mudanças administrativas no alvinegro.

    O acordo foi firmado pelas partes neste domingo e será formalizado por meio de petição nos diferentes processos na Justiça do Rio a partir desta segunda-feira, segundo a reportagem apurou.

    A Eagle é detentora de 90% das ações da SAF Botafogo. Os outros 10% são do clube associativo.

    O movimento pavimenta o caminho para a recuperação judicial da SAF e a chegada de um novo investidor, o grupo GDA Luma, sob propriedade de Gabriel de Alba.

    Mas a ideia com o acordo e os passos subsequentes é não mexer em quem comanda a operação da SAF Botafogo atualmente: Eduardo Iglesias, nomeado pelo juízo da recuperação judicial há 10 dias.

    A trégua com a Eagle é considerada definitiva. Mas por limite legal, a suspensão dos processos só pode acontecer por 30 dias, renováveis por mais 30.

    POR QUE O ACORDO É CRUCIAL

    Após idas e vindas nos últimos dias, envolvendo até decisões no Superior Tribunal de Justiça (STJ) a respeito da devolução dos poderes políticos à Eagle dentro do conselho de administração da SAF, o acordo é visto como fundamental para sustentar os planos em marcha no Botafogo.

    E isso passou por assegurar que a então iminente recuperação judicial fosse ajuizada, já que o desejo da acionista majoritária (a Eagle) era de evitá-la, na visão de quem acompanha o caso pelo Botafogo.

    Quando o pedido de Recuperação Judicial foi feito -e aceito-, isso se deu em um cenário no qual a Eagle não tinha direitos políticos. Logo, bastou o aval do clube associativo.

    A recuperação judicial era necessária, pois se tratava da única ferramenta para derrubar os transfer bans da Fifa, evitar perda de jogadores -que poderiam sair a custo zero- e suspender cobranças e execuções contra a SAF Botafogo. Com esse mecanismo, o Botafogo tenta equacionar parte de uma divida que alcança aproximadamente R$ 2 bilhões.

    Desde o pedido de recuperação judicial, SAF e a Eagle já vinham costurando o acordo de pacificação, pois entendiam que o pedido de RJ era um caminho sem volta.

    O acordo suspende todos os processos entre Botafogo e Eagle. Eduardo Iglesias seguirá no comando da SAF, sem que haja indicação de membros ao conselho.

    As partes se comprometeram a não fazer mais petições nos casos em trâmite e não entrar com novas ações. Fica tudo suspenso, menos a recuperação judicial.

    O acerto com a Eagle ainda pressupõe passos seguintes, pavimentado a entrada de um novo investidor. E aí que a GDA entra na jogada.

    COMO O BOTAFOGO PODE SAIR DO BURACO

    Segundo quem participa das conversas, o cenário costurado é que Eagle/Lyon paguem um valor para deixar a sociedade da SAF e haja a devolução dos 90% para a associação.

    O montante final está sendo discutido entre as partes, mas um ponto de partida estimado é na casa de 25 milhões de euros (R$ 147 milhões).

    Esse pagamento viria por meio de um financiamento DIP (sigla de debtor-in-possesion). É um meio de repassar verba a quem está em recuperação judicial, garantindo capital de giro com segurança jurídica.

    A Eagle pagaria para devolver? A lógica para esse movimento está no passivo. A companhia faria o movimento para se livrar da dívida de cerca de R$ 2 bilhões, que seria assumida pelo investidor futuro. Pelas discussões até agora, a GDA.

    A reboque, um outro passo nessa história -aí, como uma condicionante dessa saída da Eagle- é que se dê a quitação dos valores que o Botafogo entende ter a receber do Lyon e vice-versa.

    No popular, o clube francês ficaria com seus problemas, o Botafogo com os dele, e vida que segue.

    Por quê? Textor fez um emaranhado de transações, que gerou passivos para os dois lados. Ele transferiu valores de premiação, patrocínio e venda de jogadores da SAF Botafogo para Eagle/Lyon, que somaram mais de R$ 900 milhões.

    As transferências foram feitas para que a compra do Lyon pela Eagle fosse efetivada, garantindo-se, na sequência, a manutenção do clube francês na primeira divisão da França. O Botafogo não recebeu o dinheiro de volta.

    Por outro lado, Textor vendia recebíveis futuros -neste caso, com transferências de jogadores- para instituições financeiras com o intuito de ter dinheiro de imediato.

    A questão é que essa operação, chamada de factoring, gerou taxas que encareceram o movimento, ao mesmo tempo que deixou o Lyon com uma dívida alta lá fora.

    APROVAÇÃO NECESSÁRIA

    Com a situação da Eagle pacificada, o Botafogo associativo vai apresentar a proposta recebida pela compra dos 90% das ações da SAF em assembleia no conselho deliberativo.

    O que está engatilhado com a GDA, segundo quem participa das conversas, é que o grupo ficaria com essas ações, trazendo o compromisso de aporte de ao menos 85 milhões de euros (cerca de R$ 500 milhões) na SAF a longo prazo.

    O Botafogo projeta que a GDA já faria em um prazo curto um repasse de 15 milhões de euros (R$ 87 milhões). Na visão do clube, esse aporte e a provável negociação do volante Danilo trarão valores suficientes para o cumprimento das obrigações da SAF pelo menos até o final do ano. Sem contar os demais montantes vindos da GDA e da Eagle/Lyon previstos para ainda esse ano.

    A GDA já mandou ao Botafogo seus documentos assinados. Com a aprovação do conselho, o presidente do associativo, João Paulo Magalhães, poderá colocar sua assinatura.

    Além da GDA, o próprio Textor também tem uma proposta para “recomprar” a SAF. Mas ela deve ser rejeitada. Não há clima para isso, e o Botafogo quer seguir a vida sem ele.

    Botafogo sela acordo de paz com Eagle e engatilha novo investidor para SAF

  • Embaixadas seguem abertas em Kiev após ameaça russa

    Embaixadas seguem abertas em Kiev após ameaça russa

    Representações europeias criticam Moscou, que pediu saída de estrangeiros da capital antes de ataque. EUA mantêm serviços diplomáticos funcionando sob alerta; secretário-geral da ONU se diz preocupado

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – O inédito pedido russo para que cidadãos comuns e diplomatas estrangeiros deixem Kiev devido a um mega-ataque a centros de decisão do governo ucraniano por ora não comoveu oficialmente os governos com representação na capital.

    Na segunda-feira (25), o Ministério das Relações Exteriores russo emitiu um alerta inusual, sugerindo a evacuação de estrangeiros e que moradores da cidade se afastem de prédios governamentais e militares.

    Na véspera, Moscou havia promovido um mega-ataque com 600 drones e 90 mísseis balísticos, incluindo o novo modelo criado para conflitos nucleares Orechnik, focando na região de Kiev.

    A Rússia declarou que foi uma vingança pela morte de 21 estudantes em um dormitório durante um ataque ucraniano a Lugansk, região ocupada no leste do país.

    Após vários países expressarem repúdio à ameaça, o secretário-geral da ONU, o português António Guterres, disse estar “extremamente preocupado” com a situação. “Nós condenamos o ataque à escola. Mais do que nunca, é imperativo evitar a escalada”, disse.

    A nova ameaça dá sequência a essa retaliação em um momento de paralisia nas frentes de batalha, com a Rússia perdendo o ímpeto que havia conseguido manter no começo do ano, e a estagnação de negociações de paz.

    Ao mesmo tempo, crescem rumores de que Putin pode lançar a primeira grande ofensiva diretamente contra Kiev, a partir de Belarus, desde que recuou suas forças ao fracassar na tomada da capital no começo do conflito.

    No caso dos Estados Unidos, principal ator nesse jogo dada a disposição de Donald Trump de conversar com Vladimir Putin, o próprio chanceler Serguei Lavrov ligou a seu homólogo, Marco Rubio, para avisar sobre o ataque.

    Até aqui, não houve movimentações na embaixada americana em Kiev. A encarregada de negócios no local, Julie Davis, publicou no X uma nota condenando os ataques de domingo, com fotos de regiões atingidas. Como outras representações, a dos EUA está sob regime de segurança reforçada.

    Consultada por telefone, a Embaixada do Brasil disse que os serviços todos estão mantidos. Segundo o Itamaraty, não há mudança de orientação neste momento.

    Já as representações da Europa, continente que mantém uma posição mais dura ante a guerra de Putin, foram mais incisivas. A embaixada da Polônia disse que “não cede à retórica provocativa do agressor”, enquanto a da Alemanha “continua trabalhando normalmente, dentro do plano que prevê o monitoramento da situação”.

    Os franceses acusaram Moscou de “ameaças inaceitáveis que contradizem as obrigações internacionais da Rússia”. Já os britânicos disseram que qualquer ataque será “uma grave violação”.

    Por fim, a embaixadora da União Europeia no país, a eslovaca Katarína Mathernová, afirmou que os trabalhos continuam. “Ameaças a diplomatas e organizações internacionais não são sinal de força. São sinal de desespero”, afirmou ao site ucraniano Suspilne.

    O bloco convocou o enviado russo para explicar as ameaças, e a presidente da Comissão Europeia, a alemã Ursula von der Leyen, criticou Moscou pelo que chamou de tentativa de “desestabilizar as democracias” do continente com os recentes incidentes envolvendo drones nos Estados Bálticos.

    Já a China, aliada de Putin que nunca condenou a invasão de 2022 em fóruns internacionais, manteve sua posição usual.

    “Consideramos o diálogo a única maneira viável de resolver o conflito. Apelamos às partes envolvidas para fazerem esforços conjuntos para pôr fim à escalada o mais rapidamente possível”, afirmou a porta-voz diplomática Mao Ning.

    Ela respondia a um questionamento de um repórter do site ucraniano Ukrinform, e não disse se a embaixada em Kiev seria evacuada. Putin visitou Xi Jinping na semana passada, mas nenhum dos líderes falou do tema Ucrânia publicamente.

    Embaixadas seguem abertas em Kiev após ameaça russa

  • Sydney Sweeney volta a repercutir após cena quente e topless em 'Euphoria'

    Sydney Sweeney volta a repercutir após cena quente e topless em 'Euphoria'

    Nas redes sociais, há quem ache que diretor exagera na exposição e outros que aprovam. Atriz vive modelo do OnlyFans na trama

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – A atriz Sydney Sweeney voltou a polemizar devido a uma nova cena quente de sua personagem na série “Euphoria”, da HBO.

    No último episódio, ela contracenou com o filho de Richard Gere numa cena de sexo selvagem com direito a seios à mostra.

    Rapidamente, o nome dela voltou a ser alçado entre os temas de maior destaque. Há quem aprove o conteúdo, mas também há quem ache que a direção da série tem exagerado nas cenas da atriz, com muita exposição.

    Na trama, Cassie é uma modelo do OnlyFans. No mais recente episódio, ela consegue um encontro promocional com o astro de cinema em ascensão, Dylan Reid (Homer Gere), após perder seguidores, e com ele faz sexo, deixando o quarto destruído.

    A cena dela sem blusa é filmada da perspectiva de Dylan. Antes disso, as roupas da personagem já chamavam a atenção de internautas.

    Modelos e produtoras de conteúdo da plataforma OnlyFans se revoltaram por conta da forma como o trabalho da personagem é retratado. Elas disseram que o papel de Sydney Sweeney ridiculariza a profissão.

    Diante das repercussões, o criador da série, Sam Levinson, afirmou em abril que as escolhas foram intencionais. Segundo ele, a proposta desta fase da personagem é provocar desconforto e evidenciar o caráter “absurdo” da situação.

    “A Cassie tem a sua casinha de cachorro, suas orelhinhas e o nariz, e isso tem um humor próprio. A graça é romper, quebrar a quarta parede”, disse ao The Hollywood Reporter.

    Sydney Sweeney volta a repercutir após cena quente e topless em 'Euphoria'

  • Roland Garros: Bia Haddad e Demoliner vencem estreias nas duplas

    Roland Garros: Bia Haddad e Demoliner vencem estreias nas duplas

    Primeiros brasileiros a estrearam no torneio de duplas de Roland Garros, em Paris (França), a paulista Beatriz Haddad Maia e o gaúcho Marcelo Demoliner venceram suas respectivas partidas e avançaram à segunda rodada.

    Nesta terça-feira (26), a parceria de Bia Haddad com a russa Liudmila Samsonova derrotou as favoritas Lyudmyla Kichenok (Ucrânia) e Desirae Krawczyk (Estados Unidos), cabeças de chave número 9. Triunfo importante para a brasileira, que no último domingo (24) se despediu precocemente da chave de simples após derrota para a britânica Francesca Jones por 2 sets a 1.

    Ao fim de 2h15min de embate, a dupla Brasil-Rússia ganhou por 2 sets a 1 com parciais de 7/5 2/6 6/2. As adversárias na próxima rodada serão as vencedoras do confronto entre as indonésias Janice Tjen e Aldila Sutjiadi contra a dupla da tcheca Marie Bouxková com a espanhola Sara Sorribes, que jogam na próxima quinta (28).

    O dia também foi bom para a parceria do brasileiro Demoliner com o indiano Sriram Balaji. Eles despacharam a dupla do alemão Constantin Frantzen com o holandês Robin Haase com vitória por 2 sets a 1 (6/3, 4/6 e 6/3). Os rivais sairão do duelo desta quarta (27), a partir das 9h30 (horário de Brasília) entre os alemães Jakob Schnaitter e Mark Wallner contra os cabeças de chave número 9 – Guido Andreozzi (Argentina) e Manuel Guinard (França).O brasil conta com representantes em outras cinco duplas que estrearão na quarta (26) e na quinta (27). Veja programação ao fim do texto.

    João Fonseca disputa 2ª rodada nesta quartaApós uma estreia impecável, o carioca João Fonseca entra em quadra a partir das 10h desta quarta (27) pela segunda rodada da chave de simples de Roland Garros. Cabeça de chave número 28, o brasileiro de 19 anos terá pela frente o croata Dino Prizmic, de 20 anos, atual 72º colocado no ranking mundial. Prizmic eliminou na estreia o norte-americano Michael Zheng (146º) e desbancou recentemente o  número 5 do mundo, o norte-americano Ben Shelton (na segunda rodada do Masters 1000 de Madri) e o multicampeão sérvio Novak Djokovic (5º) na segunda rodada do Masters de Roma.

    Estreias de brasileiros nas duplas

    QUARTA-FEIRA (27)

    Feminina

    6h – Luisa Stefani e Gabriela Gabrowski (Canadá) x Maia Lumsden (Grã-Bretanha) e Isabelle Haverlag (Países Baixos);

    Masculina

    6h – Rafael Matos e Orlando Luz x André Göransson (Suécia) e Evan King (EUA);

    6h – Fernando Romboli e John-Patrick Smith (Austrália) x Rabien Rebout (França) e Sadio Doumbia (França);

    QUINTA (28)

    Feminina

    Sem horário definido – Ingrid Gamarra Martins e Solana Sierra (Argentina) x Alexandra Panova (Rússia) e Harriet Dart (Grã-Bretanha)

    Masculina

    Sem horário definido – Marcelo Melo e Andrés Molteni (Argentina) x Neal Skupski (Grã-Bretanha) e Christian Harrison (EUA)

    Roland Garros: Bia Haddad e Demoliner vencem estreias nas duplas

  • A três dias do prazo, quase 10 milhões não enviaram declaração do IR

    A três dias do prazo, quase 10 milhões não enviaram declaração do IR

    Segundo a Receita Federal, 60,6% das declarações entregues até agora terão direito a receber restituição. Prazo termina nesta sexta-feira (29), às 23h59

    A três dias do fim do prazo, 22,1% dos contribuintes, cerca de 9,8 milhões de pessoas, ainda não acertaram as contas com o Leão. Até às 17h56 desta terça-feira (26), a Receita Federal recebeu 34.279.338 Declarações do Imposto de Renda Pessoa Física 2026 (ano-base 2025).

    O número equivale a 77,9% do total de declarações previstas para este ano. Em 2026, o Fisco espera receber 44 milhões de declarações. Tradicionalmente, o ritmo de entrega aumenta nas últimas semanas do prazo.

    Segundo a Receita Federal, 60,6% das declarações entregues até agora terão direito a receber restituição, 21,7% terão que pagar Imposto de Renda e 17,8% não têm imposto a pagar nem a receber.

    A maioria dos documentos foi preenchida a partir do programa de computador (77,5%), mas 15,7% dos contribuintes recorrem ao preenchimento on-line, que deixa o rascunho da declaração salvo nos computadores do Fisco (nuvem da Receita), e 6,8% declaram pelo aplicativo Meu Imposto de Renda para smartphones e tablets.

    Um total de 59,5% dos contribuintes que entregaram o documento à Receita Federal usaram a declaração pré-preenchida, por meio da qual o declarante baixa uma versão preliminar do documento, bastando confirmar as informações ou retificar os dados. A opção de desconto simplificado representa 55,2% dos envios.

    O prazo para entregar a declaração começou em 23 de março e termina às 23h59 desta sexta-feira, 29 de maio. O programa gerador da declaração está disponível desde 19 de março.

    Quem não enviar a declaração no prazo pagará multa de R$ 165,74 ou 1% do imposto devido, prevalecendo o maior valor.

    As pessoas físicas que receberam rendimentos tributáveis acima de R$ 35.584, assim como aquelas que obtiveram receita bruta da atividade rural acima de R$ 177.920, são obrigadas a declarar. As pessoas que receberam até dois salários mínimos mensais em 2025 estão dispensadas de fazer a declaração, salvo se se enquadrarem em outro critério de obrigatoriedade.

    A três dias do prazo, quase 10 milhões não enviaram declaração do IR

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia

  • Oposição vai a Alcolumbre para tentar frear 6×1 no Senado

    Oposição vai a Alcolumbre para tentar frear 6×1 no Senado

    Presidente do Senado tem mantido mistério sobre como lidará com a PEC, prestes a passar na Câmara. Bolsonaristas e empresários apelam por alteração do texto, o que na prática deve atrasar a promulgação da proposta

    BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – Parlamentares de oposição conversaram com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), em busca de apoio para incluir a criação do regime de remuneração baseado em horas trabalhadas na PEC (Proposta de Emenda à Constituição) do fim da escala 6×1. Na prática, tal ação pode travar as discussões na Casa, impedindo a votação antes da eleição, como deseja o governo do presidente Lula (PT).

    Os parlamentares bolsonaristas procuraram o presidente do Senado, na semana passada, diante de uma expectativa que eles têm de derrota na Câmara. Espera-se que os deputados aprovem a PEC em plenário na próxima quinta-feira (28), sem contemplar a proposta da oposição e com um período de transição que vai de 2 a 14 meses para a redução de jornada, considerado curto demais para setores da direita e do empresariado.

    Segundo interlocutores, Alcolumbre sinalizou positivamente à oposição. O presidente do Senado pontuou a necessidade de um debate amplo também na Casa, narram congressistas que participaram do diálogo.

    Procurado desde esta segunda-feira (25), Alcolumbre não se manifestou até a publicação desta reportagem.

    O governo considera imprevisível a forma como Alcolumbre lidará com o texto. A relação do chefe do Legislativo com o Planalto está ruim desde a rejeição de Jorge Messias ao STF (Supremo Tribunal Federal), no final de abril.

    O temor de governistas é que Alcolumbre atrapalhe o andamento da proposta, mesmo diante do apelo popular ao fim da escala 6×1. O senador não concorre à reeleição neste ano e poderia “matar no peito” e travar a PEC, assim como travou a instalação da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) mista do banco Master.

    O presidente do Senado tem interesse ainda em angariar apoio da oposição em uma eventual tentativa de reeleição ao comando da Casa, em 2027.

    Dessa forma, Alcolumbre tem sido assediado por setores descontentes com a proposta desenhada e prestes a ser aprovada na Câmara. Como mostrou a Folha de S.Paulo, um grupo de empresários também conversa com o presidente do Senado nesta terça-feira (26) em busca de alterações, visando um período maior de transição.

    Na semana passada, o pré-candidato à Presidência da República pelo PL, o senador Flávio Bolsonaro (RJ), afirmou que a discussão sobre o fim da escala 6×1 é legítima, porém “inoportuna e eleitoreira”, e defendeu a remuneração por horas trabalhadas com manutenção de direitos trabalhistas.

    Nos bastidores, a oposição considera como melhor cenário deixar a análise da PEC para depois de outubro, tirando de Lula esse trunfo eleitoral. Em último caso, tentar impor um período de transição mais longo para a validade do fim da 6×1 e a redução de jornada de 44 para 40 horas semanais.

    O texto da Câmara prevê duas etapas de transição. Primeiro, 60 dias após a promulgação da PEC, a jornada semanal máxima passará de 44 horas para 42 horas. As duas horas restantes serão reduzidas 12 meses depois, levando a jornada semanal para 40 horas.

    O governo analisa os cenários com calma. Questionados sobre a ofensiva da oposição para incluir o novo regime de remuneração por horas e a tentativa de adiar a votação no Senado, integrantes do governo a par das discussões do fim da escala 6×1 preveem ganhos políticos em ambos os cenários.

    Se o Congresso aprovar, Lula terá a maior parte dos louros da conquista trabalhista. Se o Legislativo emperrar a discussão, o PT terá uma plataforma de campanha, reeditando o mote “Senado inimigo do povo”.

    A cúpula da Câmara deseja que a discussão no Senado seja encerrada em até um mês, mesmo período usado pelos deputados. Alcolumbre deve enviar a PEC para a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), mas também pode pedir sessões de debate em outros colegiados, como a CAE (Comissão de Assuntos Econômicos). Isso poderia atrasar a tramitação.

    Se aprovada na CCJ, Alcolumbre ainda precisaria pautar a PEC no plenário. Enquanto na Câmara é necessário o voto favorável de 308 dos 513 deputados, no Senado é preciso o apoio de 49 dos 81 senadores.

    No caso da PEC, o governo acompanha tudo com atenção, porque esse tipo de projeto não requer sanção presidencial. Ou seja, Lula precisaria aceitar o texto que sair do Congresso, sem possibilidade de exclusão de trechos.

    Uma vez aprovada a PEC com as regras gerais para o fim da escala 6×1 e a redução de jornada, a Câmara dará início à tramitação do projeto de lei enviado pelo governo com o mesmo tema. A ideia é aproveitar o texto do Planalto para regulamentar a mudança para categorias específicas que já trabalham em regime diferenciado, como profissionais da saúde e da segurança pública.

    Oposição vai a Alcolumbre para tentar frear 6×1 no Senado

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  • 'Acordada com um fuzil', diz Deolane em carta escrita da prisão em SP

    'Acordada com um fuzil', diz Deolane em carta escrita da prisão em SP

    Influenciadora nega ligação com o PCC e diz que nunca foi ouvida formalmente no inquérito. Carta manuscrita foi divulgada pela irmã, Dayanne Bezerra, após visita na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista

    SÃO PAULO, SP (UOL/CBS NEWS) – A advogada e influenciadora Deolane Bezerra escreveu uma carta de dentro da penitenciária onde está detida e afirmou que está presa por perseguição. Ela foi detida na última semana por suspeita de envolvimento com o PCC.

    Deolane afirma na carta que é alvo de perseguições há cinco anos. “Mais uma vez a mãe está enjaulada por pura perseguição e por ser formadora de opinião”, escreveu a advogada. Fotografias da carta foram compartilhadas pela irmã dela, Dayanne Bezerra nas redes sociais, na tarde desta terça-feira (26).

    A influenciadora diz que foi acordada com um fuzil apontada para o rosto e nega ter ligações com o crime organizado. “Minha vida é pública, meu endereço é público. Nunca fui ouvida em mais de quatro anos, mas fui acordada com um fuzil apontado para o meu rosto na minha casa e presa sem ter a oportunidade de esclarecer os fatos”, disse.

    Ela afirmou que foi presa por estar advogando. “Fui advogada atuante em centenas de processos e nunca sequer estive presente na Penitenciária de Presidente Venceslau. Não sou e nunca fui bandida! Sou mãe, sou empresária, sou advogada. Uma nordestina que venceu na vida pelo próprio suor”, continua a carta.

    Deolane também negou que tenha 37 empresas em seu nome. “Uma mentira que pode ser facilmente comprovada em uma simples pesquisa na junta comercial, uma mentira que se tornou verdade de tantas vezes que foi repetida”.

    “Reitero a minha inocência e deixo claro que estou presa pela quantia de R$ 24.500 (valor de honorários que recebi na época como ADVOGADA). Valor depositado em minha conta em espécie, e não pela transportadora mencionada no inquérito. Não sou eu que estou afirmando isso, essa informação está no próprio inquérito. Peço para ser ouvida, assim como foi pedido no momento da prisão”, disse Deolane Bezerra, em carta.

    PRESA POR SUSPEITA DE ELO COM O PCC

    Deolane foi presa na última quinta-feira sob suspeita de integrar um esquema milionário de lavagem de dinheiro ligado ao PCC. A investigação teve origem em bilhetes e manuscritos atribuídos à facção apreendidos há sete anos em um presídio de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo. Segundo a polícia, os documentos continham ordens internas do grupo e referências a integrantes do alto escalão da organização criminosa.

    Tal menção levou a polícia a investigar transportadoras próximas à penitenciária. No inquérito, as autoridades identificaram Elidiane Saldanha Lopes Lemos, sócia da Lopes Lemos Transportes Ltda. Segundo a polícia, a apuração avançou a partir dessa transportadora e descobriu que a empresa não era apenas uma prestadora de serviços, mas uma “criação da própria facção”.

    Bilhetes não mencionaram o nome de Deolane diretamente. No entanto, eles foram o pontapé inicial que permitiu às autoridades chegarem até ela em fases posteriores.

    Deolane foi identificada como beneficiária de vultosos valores oriundos da transportadora. Segundo os autos, ela teria recebido valores da empresa, descrita pelas autoridades como criada para operar o “branqueamento de recursos ilícitos”.

    Para os investigadores, ela era um “caixa do crime organizado”. Segundo as apurações, o dinheiro do crime era depositado na conta dela para se misturar com outros valores e ser devolvido em momentos oportunos.

    Fontes da Polícia Civil afirmaram que Deolane “sentiu o baque” ao descobrir que os mandados tinham relação com uma transportadora. Uma das maiores evidências de que ela tinha conhecimento da ação criminosa para a polícia é a inexistência de qualquer contrato, mesmo com a grande movimentação financeira.

    Durante a audiência de custódia, a defesa pediu a libertação da influenciadora alegando que ela tem uma filha menor de 12 anos. Defesa também recorreu ao STF, mas o ministro Flávio Dino disse não ver “manifesta ilegalidade” na prisão e argumentou que não cabe reclamação ou habeas corpus de ofício dado que ainda há outras instâncias para o processo percorrer antes de chegar no STF.

    Defesa de Deolane afirma que ela é inocente e criticou a operação. Os advogados classificaram as medidas adotadas como “desproporcionais” e disseram que os fatos serão esclarecidos “em momento oportuno”.

    'Acordada com um fuzil', diz Deolane em carta escrita da prisão em SP