Categoria: MUNDO

  • Justiça de Portugal manda Parlamento reescrever lei de nacionalidade

    Justiça de Portugal manda Parlamento reescrever lei de nacionalidade

    Tribunal máximo considerou inconstitucionais trechos da legislação, aprovada inicialmente em outubro; nova lei dificulta vida de brasileiros e outros estrangeiros que queiram adquirir a cidadania portuguesa

    LISBOA, PORTUGAL (CBS NEWS) – O Tribunal Constitucional português acaba de devolver à Assembleia da República o texto da Lei na Nacionalidade, aprovada no último dia 28 de outubro, por julgar que havia artigos inconstitucionais. A lei agora voltará para os deputados, que terão que reescrevê-la e fazer uma nova votação -a qual, depois de ser novamente aprovada, deverá ser enviada para a sanção do presidente da República.

    A nova lei dificulta a vida dos estrangeiros que moram no país lusitano e pretendem adquirir a cidadania portuguesa. Integrantes da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) -que inclui os brasileiros e da Comunidade Europeia precisam comprovar sete anos de residência legal no país. Na lei anterior, eram apenas cinco. Para os demais estrangeiros, a norma é ainda mais restritiva. Eles só poderão pedir cidadania depois de dez anos morando legalmente em Portugal.

    A nova lei também torna mais difícil que crianças nascidas de pais estrangeiros sejam registradas como portuguesas. O regramento anterior permitia que isso acontecesse caso um dos pais comprovasse um ano de residência legal em Portugal. Agora são necessários cinco anos.

    As mudanças não se estendem, porém, à cidadania por ascendência. Filhos e netos de portugueses continuam tendo os mesmos direitos, mesmo que nunca tenham vivido em Portugal. Nessa área as regras ficaram mais brandas. Em determinadas circunstâncias, até um bisneto de portugueses pode pedir naturalização.

    A proposta, apresentada pela Aliança Democrática, coligação de partidos de centro-direita que governa Portugal, foi aprovada com os votos do Chega, o partido da ultradireita. No dia 19 de novembro, o Partido Socialista, de centro-esquerda, que votou contra a nova lei, pediu uma fiscalização preventiva ao Tribunal Constitucional.

    Vários dos questionamentos reproduziam a posição do PS durante a discussão parlamentar. A sigla de centro-esquerda criticou a ausência de regras de transição. Muitos imigrantes com pouco menos de cinco anos de residência legal no país já estavam reunindo os documentos e contratado advogados para dar início no processo, e seriam prejudicados com a mudança abrupta da lei.

    Outro ponto questionado era a contagem do tempo a partir do momento da oficialização da residência legal. Por morosidade da burocracia portuguesa, muitos imigrantes que já haviam apresentado todos os documentos exigidos estavam esperando há até três anos por uma entrevista. Para os deputados do Partido Socialista, esse tempo deveria ser considerado na contagem para a nacionalidade, dado que a responsabilidade pela demora não era do imigrante, mas do governo.

    O Partido Socialista pediu também a análise, por parte do Tribunal Constitucional, de artigos dúbios, como o que impunha restrições a quem revelasse “comportamentos que revelem rejeição da comunidade nacional”. Havia o temor que tal dispositivo interferisse na liberdade do imigrante de criticar o governo.

    O ponto mais polêmico era a punição, com perda de nacionalidade, dos que fossem condenados a pelo menos quatro anos de prisão. Apenas os que tivessem obtido nacionalidade há menos de dez anos seriam punidos. Isso geraria, na opinião de vários juristas, duas classes diferentes de cidadãos: os nascidos em Portugal e os naturalizados há menos de dez anos.

    A imigração tem sido assunto central no debate político em Portugal nos últimos meses. Em 16 de outubro, o presidente Marcelo Rebelo de Sousa promulgou a Lei dos Estrangeiros, que acabou com a possibilidade de um imigrante se regularizar a posteriori depois de entrar no país com visto de turista. Agora é necessário o visto consular no país de origem. A Lei dos Estrangeiros também endureceu as regras para o reagrupamento familiar de imigrantes.

    O tema tem surgido constantemente na campanha eleitoral que está em curso no país. O pleito que escolherá o novo presidente da República -que exerce o cargo de chefe de Estado; o chefe de governo é o primeiro-ministro- está marcado para 18 de janeiro. Entre os candidatos, André Ventura, do Chega, sigla da ultradireita, vem subindo o tom no discurso xenófobo. Na ausência de um candidato forte à esquerda -o socialista Antonio Seguro virou meme ao dizer que não era socialista nem de esquerda-, o independente Henrique Gouveia e Melo, almirante que nasceu em Moçambique e passou a juventude no Brasil, tem aparecido como um porta-voz moderado da causa da imigração.

    Justiça de Portugal manda Parlamento reescrever lei de nacionalidade

  • Mulher que fez 'vaquinha' após morte do filho é suspeita de o ter matado

    Mulher que fez 'vaquinha' após morte do filho é suspeita de o ter matado

    Raven Louise Broniecki foi presa cinco dias depois de criar uma página de donativos em nome do filho. Agora é acusada pelo homicídio involuntário da criança

    Uma mulher que criou uma página de arrecadação de dinheiro em nome do seu filho, de apenas dois anos, é agora acusada pelo homicídio da criança.

    Raven Louise Broniecki, de 29 anos, foi acusada, na semana passada, de homicídio involuntário, crueldade contra uma criança e negligência na morte do seu filho Keith Richard.

    Apenas cinco dias antes de ser detida, a mulher, que mora na Georgia, nos Estados Unidos da América (EUA), tinha criado uma página para arrecadar fundos, para segundo a  imprensa norte-americana tentar lucrar com a morte do próprio filho.

    “O meu querido bebê, o meu melhor amigo, o meu mundo morreu recentemente”, escrevia, em uma publicação onde referia que estava pedindo ajuda para juntar dinheiro para conseguir pagar as despesas referentes à morte do filho.

    “Gastamos todos os nossos fundos no funeral, nas urnas e em outras coisas para o nosso menino e agora ficamos com uma quantia considerável de contas para pagar e precisamos de ajuda para nos reerguermos”, escrevia, relatando que para além de estar de “coração partido”, estava também “muito stressada com a sua situação financeira.

    O menino foi hospitalizado em 22 de novembro com um ferimento de bala, tendo na ocasião se alegado que este tinha sido vitima de um tiroteio não intencional.

    Depois de ser presa, Raven saiu em liberdade após o pagamento de uma fiança. A página na plataforma Go Fund Me foi entretanto eliminada.

    Mulher que fez 'vaquinha' após morte do filho é suspeita de o ter matado

  • Liberdade de expressão mundial recua 10% desde 2012

    Liberdade de expressão mundial recua 10% desde 2012

    O dado faz parte do estudo Tendências do Jornalismo: configuração em um mundo em crise, referente ao período de 2022 a 2025, divulgado hoje pela organização

    A liberdade de expressão no mundo recuou 10% entre 2012 e 2024, um retrocesso comparável ao período da Primeira Guerra Mundial, alertou nesta quinta-feira a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

    O dado faz parte do estudo Tendências do Jornalismo: configuração em um mundo em crise, referente ao período de 2022 a 2025, divulgado hoje pela organização. O relatório aponta uma ligação direta entre o enfraquecimento da liberdade de expressão e fenômenos como o aumento da autocensura, a fragilização das instituições, a queda da confiança do público e o aprofundamento da polarização política e social.

    Segundo a Unesco, a perda de liberdade de expressão ocorreu paralelamente a retrocessos na igualdade e a um ambiente cada vez mais hostil para jornalistas, cientistas e pesquisadores ambientais. A entidade também destaca que o domínio das grandes empresas de tecnologia criou um cenário favorável à disseminação de discurso de ódio e desinformação na internet.

    De acordo com o relatório, pressões políticas, sociais e comerciais vêm minando a liberdade, a pluralidade e a diversidade dos meios de comunicação. A Unesco também chama atenção para os impactos negativos da inteligência artificial generativa, que, nos últimos dois anos, aprofundou a crise econômica e de credibilidade dos veículos de comunicação tradicionais.

    Entre 2012 e 2019, a queda no índice global de liberdade de expressão foi considerada moderada. A partir de 2020, porém, o ritmo de deterioração acelerou, especialmente desde 2022, quando passou a cair a uma taxa média anual de 1,30%, bem acima da média registrada ao longo de todo o período analisado, de 0,86% ao ano.

    O relatório destaca que esse retrocesso está fortemente associado à situação do jornalismo. Profissionais da imprensa enfrentam um cenário marcado por assédio, ameaças e violência física, sobretudo em áreas de conflito. Entre 2022 e 2025, 185 jornalistas foram mortos, um aumento de 67% em relação aos quatro anos anteriores.

    Somente em 2025, 91 jornalistas morreram, sendo 41% das mortes resultado de ataques deliberados. A impunidade permanece elevada: até 2024, cerca de 85% dos responsáveis por esses crimes não haviam sido condenados, segundo estimativas da Unesco.

    A autocensura entre jornalistas também cresce de forma consistente, a uma taxa próxima de 5% ao ano. No total, entre 2012 e 2024, o índice de autocensura aumentou 63%, especialmente em temas sensíveis como corrupção, devido ao medo de represálias. Paralelamente, a vigilância digital e a adoção de leis restritivas cresceram 48%, afetando principalmente o jornalismo independente.

    O estudo aponta ainda o aumento do assédio online, do uso de processos judiciais abusivos e de práticas de intimidação contra profissionais da comunicação.

    Apesar do avanço do acesso à internet em escala global, a Unesco alerta que o índice de democracia está em queda. Pela primeira vez nas últimas duas décadas, o número de regimes autocráticos supera o de democracias. Atualmente, 72% da população mundial vive sob governos não democráticos, o nível mais alto desde 1978.

    O índice citado no relatório é elaborado a partir do maior conjunto de dados globais sobre democracia, produzido por uma rede internacional de acadêmicos e especialistas coordenada pelo Instituto V-Dem, da Universidade de Gotemburgo, na Suécia. O levantamento considera fatores como censura à imprensa, assédio a jornalistas e restrições à liberdade de expressão acadêmica e cultural.
     

     

    Liberdade de expressão mundial recua 10% desde 2012

  • Identificadas 5 vítimas do ataque em Sydney: quem eram e suas histórias

    Identificadas 5 vítimas do ataque em Sydney: quem eram e suas histórias

    O ataque durante a celebração do Hanukkah chocou Sydney e deixou 16 mortos, incluindo um dos atiradores. Entre as vítimas estão líderes religiosos, sobreviventes do Holocausto e uma criança de dez anos. Autoridades seguem investigando enquanto famílias judaicas lamentam as perdas.

    O tiroteio ocorrido na praia de Bondi, em Sydney, na Austrália, deixou 16 mortos, incluindo um dos atiradores. Cinco das vítimas já foram identificadas. Mais de doze horas após o ataque, os primeiros detalhes começam a ser esclarecidos pelas autoridades.

    De acordo com a polícia australiana, os disparos atingiram cerca de mil pessoas que estavam reunidas para celebrar a primeira noite do Hanukkah, tradição judaica. Os responsáveis pelo ataque seriam pai e filho.

    O homem de 50 anos, cuja identidade não foi revelada, morreu após ser baleado em confronto com a polícia. Seu filho, Naveed Akram, de 24 anos, morador do bairro de Bonnyrigg, no sudoeste de Sydney, também foi atingido. Ele está hospitalizado em estado crítico, porém estável, e já se encontra sob custódia policial.

    Entre as vítimas fatais, cinco já foram identificadas. A primeira delas é o rabino Eli Schangler, de 41 anos, nascido em Londres. Ele deixa esposa e cinco filhos, sendo o mais novo um bebê de apenas dois meses.

    Em entrevista ao Jewish News, o primo de Schangler, o rabino Zalman Lewis, contou que a família soube da morte por meio de um grupo de WhatsApp, quando alguns parentes reconheceram seu nome na lista de vítimas.

    “Ainda estamos começando a processar. Não faz sentido. Como um rabino alegre, que foi a uma praia para espalhar felicidade e luz, pode ter a vida interrompida dessa forma?”, lamentou Lewis. “Só podemos fazer o que Eli teria querido: praticar mais mitzvot (boas ações) e continuar espalhando energia positiva.”

    Lewis descreveu o primo como alguém “cheio de vida, energia e otimismo”.

    Notícias ao Minuto

    © Eli Schangler/Instagram

    Alex Kleytman

    Outro identificado foi Alex Kleytman, um judeu ucraniano que sobreviveu ao Holocausto. Ele estava na praia de Bondi com a esposa, Larisa, para celebrar o Hanukkah quando o ataque começou.

    De acordo com Larisa, Alex morreu tentando protegê-la ao ser atingido por um tiro na parte de trás da cabeça.

    “Acho que ele foi atingido atrás da cabeça porque se levantou para me proteger”, disse a viúva ao Daily Mail. Eles foram casados por mais de 50 anos e tiveram dois filhos.

    Em 2023, o casal, ambos sobreviventes do Holocausto, compartilhou suas histórias ao Jewish Care. O relatório anual de 2022/23 da instituição descreve que, ainda crianças, Larisa e Alexander enfrentaram horrores indescritíveis durante o Holocausto. As memórias de Alex são especialmente duras, marcadas pelas condições extremas na Sibéria, onde viveu com a mãe e o irmão mais novo enquanto lutavam pela sobrevivência.

    O passado traumático não impediu que buscassem um novo começo. Mais tarde, eles imigraram da Ucrânia para a Austrália, onde reconstruíram a vida juntos.

    Notícias ao Minuto

    © @saurabhkap00r/X

    Dan Elkayam

    Também o francês Dan Elkayam, de 27 anos, morreu no ataque. A informação foi confirmada pelo ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, na rede social X.

    “É com imensa tristeza que soubemos que nosso compatriota Dan Elkayam está entre as vítimas deste ataque terrorista desprezível que atingiu famílias judaicas reunidas na praia de Bondi, em Sydney, no primeiro dia de Hanukkah”, declarou o ministro.

    “Esse ato repugnante é mais uma manifestação trágica de uma onda revoltante de ódio antissemita que precisamos combater. A França não medirá esforços para erradicar o antissemitismo onde quer que apareça e para enfrentar o terrorismo em todas as suas formas. As luzes de Hanukkah não devem, e não vão, se apagar”, concluiu.

    O presidente francês, Emmanuel Macron se pronunciou pouco depois, também no X, dizendo saber da notícia com “profunda tristeza” e expressando a sua solidariedade para com a sua família e entes queridos.

    Notícias ao Minuto

    © @HenMazzig/X

    Reuven Morrison

    Outra das vítimas é Reuven Morrison, um imigrante da antiga União Soviética que chegou à Austrália nos anos 1970, após enfrentar perseguição no país de origem por ser judeu.

    “Nós viemos para cá acreditando que a Austrália era o país mais seguro do mundo, onde os judeus não sofreriam mais com tanto antissemitismo; um lugar onde poderíamos criar nossos filhos em segurança”, disse ele em entrevista à ABC em 2024.

    De acordo com o site Chabad.org, Morrison dividia seu tempo entre Sydney e Melbourne e era um empresário bem-sucedido, conhecido por dedicar grande parte de seus lucros a causas e instituições de caridade que valorizava profundamente.

    Notícias ao Minuto

    © @NoaMagid/X

    Yaakov Levitan

    Sabe-se também que uma das vítimas identificadas era o rabino Yaakov Levitan. Ainda há poucas informações sobre ele, apenas que atuou como secretário do Beth Din, o tribunal judaico de Sydney, e também trabalhou no Centro BINA, uma organização da comunidade judaica.

    O site Chabad descreve Levitan como um homem profundamente comprometido com sua fé e com o serviço religioso.

    Notícias ao Minuto

    © @NoaMagid/X

    As autoridades australianas também confirmaram a morte de uma menina de dez anos, embora sua identidade ainda não tenha sido divulgada. Ela é, até o momento, a vítima mais jovem do ataque.

    No total, mais de 40 pessoas receberam atendimento médico por ferimentos decorrentes do tiroteio. De acordo com a atualização mais recente, 38 seguem internadas, entre elas dois policiais.

    Identificadas 5 vítimas do ataque em Sydney: quem eram e suas histórias

  • Extrema-direita vence eleição e Kast é o novo presidente do Chile

    Extrema-direita vence eleição e Kast é o novo presidente do Chile

    José Antonio Kast derrotou Jeannette Jara com ampla vantagem e garantiu a primeira vitória da extrema-direita no comando chileno desde o fim da ditadura. Com o voto obrigatório e alta participação, o país inicia um novo ciclo político marcado por promessas de segurança e endurecimento migratório.

    A extrema-direita venceu a eleição presidencial no Chile. José Antonio Kast conquistou o segundo turno deste domingo com ampla vantagem sobre a candidata de esquerda, Jeannette Jara, que reconheceu a derrota após a divulgação dos primeiros resultados oficiais.

    Com 76% das urnas apuradas, Kast aparece com 58,30% dos votos, enquanto Jara soma 41,70%. A candidata afirmou nas redes sociais que “a democracia falou alto e claro” e contou ter telefonado ao adversário para desejar êxito “para o bem do Chile”.

    A vitória de Kast marca a primeira vez, desde o fim da ditadura de Augusto Pinochet há 35 anos, que um candidato de extrema-direita chega ao comando do país. Quase 16 milhões de chilenos foram convocados para votar, em uma jornada marcada por longas filas, já que o voto é obrigatório.

    Kast, advogado de 59 anos, concorria pela terceira vez ao cargo. Ao longo da campanha, apostou num discurso forte de combate ao crime e defesa da deportação de aproximadamente 340 mil imigrantes indocumentados, em sua maioria venezuelanos.

    Jeannette Jara, de 51 anos, ex-ministra do Trabalho do governo de Gabriel Boric, defendia o aumento do salário mínimo e maior proteção às aposentadorias. Na primeira volta, ambos receberam cerca de um quarto dos votos, com pequena vantagem para a esquerda. Ainda assim, a soma total dos candidatos de direita ultrapassou 70%, indicando o cenário favorável que se confirmou neste domingo.
     
     

     

    Extrema-direita vence eleição e Kast é o novo presidente do Chile

  • Vi gente com cabeça explodida, diz à Folha brasileiro que testemunhou atentado em Sydney

    Vi gente com cabeça explodida, diz à Folha brasileiro que testemunhou atentado em Sydney

    Estudante de gastronomia e nascido no interior do Rio de Janeiro, ele mora na Austrália há pouco mais de um ano e, como de costume aos finais de semana, pegou dois trens para chegar à praia de Bondi, uma das mais famosas e movimentadas do país. Em cerca de uma hora, chegou ao local, que “estava cheio, porque estava fazendo bastante calor”.

    GABRIEL BARNABÉ
    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – O brasileiro Daniel Silva Gonçalves, 19, estava na praia de Bondi, em Sydney, no momento em que terroristas iniciaram o ataque que matou ao menos 11 pessoas neste domingo (14). “Eu escutei dois barulhos. Todo mundo pensou que eram fogos [de artifício], mas eu sei identificar o barulho de tiro”, afirmou Daniel à Folha.

    Estudante de gastronomia e nascido no interior do Rio de Janeiro, ele mora na Austrália há pouco mais de um ano e, como de costume aos finais de semana, pegou dois trens para chegar à praia de Bondi, uma das mais famosas e movimentadas do país. Em cerca de uma hora, chegou ao local, que “estava cheio, porque estava fazendo bastante calor”.

    Ao chegar à praia, Daniel disse ter visto muitas pessoas e uma feira cultural. Ele se sentou, junto com uma amiga brasileira, próximo a uma roda de samba conduzida por conterrâneos. “A gente escuta português em todo lugar aqui. Tem muito brasileiro na praia.”

    Quando começou a sequência de tiros, segundo Daniel, todos saíram correndo na mesma direção, da saída da praia. Ele estava há cerca de cem metros da ponte em que dois atiradores foram mais tarde rendidos. Ao ouvir os barulhos, ele conta ter visto os homens de longe.

    “Essa ponte fica perto do ‘changing room’, onde tem um banheiro para trocar de roupa e o pessoal toma banho.” Em cerca de um minuto, conta Daniel, viaturas de polícia já estavam no local, que é constantemente patrulhado. Após cerca de cinco minutos, diz, já havia algo em torno de 15 viaturas perto de onde ele esteva e, minutos depois, um helicóptero começou a sobrevoar o local.

    No meio do caminho, ele conta ter visto muitas pessoas chorando, baleadas e jogadas ao chão. “Foi muito triste. Eu vi criança chorando, gente com a cabeça baleada, com a cabeça explodida.”

    O ataque foi classificado de “ato terrorista devastator” pelo primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese. Daniel conta que, em cerca de 30 minutos, quando ainda estava na região da praia, já tinha visto publicações nas redes sociais que alertavam sobre o que acabara de acontecer.

    Com a fuga em massa e o isolamento policial, ele relata ter sido impossível solicitar carro por aplicativo e, por isso, decidiu ir embora a pé com sua amiga. Ambos tentaram embarcar nos ônibus que passavam pela praia, mas não conseguiram.

    Daniel chegou em casa cerca de três horas após o atentado na praia. “Pareceu um filme de terror”, afirma.

    A polícia disse que duas pessoas foram detidas e, segundo a mídia local, um dos atiradores morreu. Pelo menos dois criminosos participaram da ação, mas as autoridades policiais investigam se um terceiro atirador esteve envolvido no atentado.

    Albanese saudou, em seu discurso, aqueles que “põem suas vidas em perigo” para manter os australianos em segurança. Ele estendeu suas condolências às vítimas e familiares e destacou o rápido trabalho da polícia local.

    “Este é um ataque direcionado contra judeus australianos no primeiro dia de Hanukkah, que deveria ser um dia de alegria, uma celebração da fé. Um ato de maldade, antissemitismo e terrorismo que assola o coração de nossa nação”, afirmou o premiê.

    Daniel diz sentir que, na Austrália, todos são bem-vindos. Ele relata já ter visto discussões e “manifestação para todo lado” sobre a guerra entre Israel e Hamas. Também afirma, no entanto, que nunca se sentiu inseguro ou presenciou algo próximo do atentado deste domingo. “Os australianos são bem inclusivos para todo mundo.”

    Vi gente com cabeça explodida, diz à Folha brasileiro que testemunhou atentado em Sydney

  • Naveed Akram: um dos autores do atentado em Sydney é identificado

    Naveed Akram: um dos autores do atentado em Sydney é identificado

    Naveed Akram, de 24 anos, foi identificado como um dos suspeitos do tiroteio na praia de Bondi, em Sydney, na Austrália. A informação foi avançada pela televisão australiana ABC, que acrescenta que a casa do suspeito foi alvo de buscas este domingo.

    Um dos suspeitos do tiroteio na praia de Bondi, em Sydney, na Austrália, é Naveed Akram, de 24 anos, morador do sudoeste da capital australiana, no bairro de Bonnyrigg.

    A informação foi divulgada pela emissora australiana ABC, que cita uma fonte policial sob condição de anonimato. Segundo essa mesma fonte, a casa do suspeito foi alvo de buscas na manhã deste domingo, sem que tenha sido especificado se o homem é o que morreu durante o ataque ou aquele que foi baleado, encontra-se detido e está sendo atendido pelos serviços de emergência.

    Em coletiva de imprensa, o diretor da agência de segurança australiana, Mike Burgess, já havia confirmado que um dos suspeitos era “conhecido” pelas autoridades, “mas não sob a perspectiva de uma ameaça imediata”, razão pela qual não era alguém que estivesse “automaticamente sob vigilância”. Não está claro se Burgess se referia ao suspeito sob custódia policial ou ao que morreu durante o ataque.

    Vale lembrar que, na manhã deste domingo, 12 pessoas morreram em um tiroteio na praia de Bondi (uma delas um dos atiradores), e pelo menos 29 pessoas ficaram feridas.

    Durante o ataque, um homem que passava pelo local foi filmado ao abordar um dos autores do tiroteio, conseguindo retirar a arma do agressor e apontá-la contra ele. Nas imagens, o suspeito acaba fugindo do local.

    O “herói”, como passou a ser chamado, chama-se Ahmed el Ahmed, tem 43 anos, é dono de uma frutaria e tem dois filhos.

    Um primo de Ahmed revelou, em entrevista à 7News, que o “herói” foi baleado duas vezes. O estado de saúde do homem ainda não é conhecido.

    O ataque, tratado como “terrorista” e direcionado contra a “comunidade judaica”, ocorreu durante um evento para celebrar a primeira noite do Hanukkah.

    “Este foi um ataque dirigido contra os judeus australianos no primeiro dia do Hanukkah, que deveria ser um dia de alegria, uma celebração da fé. Trata-se de um ato de maldade, antissemitismo e terrorismo que atingiu o coração da nossa nação”, afirmou o primeiro-ministro da Austrália, Anthony Albanese, destacando que “um ataque contra os judeus australianos é um ataque contra todos os australianos”.

    Em comunicado, o presidente de Israel, Isaac Herzog, também denunciou o episódio como um “vil ataque terrorista contra os judeus que estavam acendendo as primeiras velas” da festividade religiosa.

    “O nosso coração está com eles. O coração de toda a nação de Israel bate forte neste exato momento, enquanto rezamos pela recuperação dos feridos, rezamos por eles e rezamos por aqueles que perderam a vida”, declarou em nota oficial.

    Naveed Akram: um dos autores do atentado em Sydney é identificado

  • As imagens após o "devastador atentado terrorista" na Austrália

    As imagens após o "devastador atentado terrorista" na Austrália

    Um atentado terrorista provocou 12 mortos, incluindo um dos atiradores, na praia de Bondi, em Sydney, Austrália. O ataque foi dirigido à comunidade judaica durante a celebração do Hanukkah. Veja as imagens.

    Onze vítimas e um atirador morreram neste domingo em decorrência de um tiroteio, considerado um “ataque terrorista” pelas autoridades, na praia de Bondi, em Sydney, na Austrália.

    O chefe da Polícia de Nova Gales do Sul, Mal Lanyon, informou que há registro de 12 mortos, incluindo um dos atiradores, além de 29 feridos, entre eles dois policiais. O incidente foi oficialmente classificado como terrorismo.

    “Hoje, às 21h36, declarei este incidente como terrorista”, anunciou.

    O governador de Nova Gales do Sul, Chris Minns, afirmou que “este ataque foi planejado para atingir a comunidade judaica de Sydney”.

    “No primeiro dia de Hanukkah, o que deveria ter sido uma noite de paz e alegria, celebrada por essa comunidade com famílias e apoiadores, foi destruído por este ataque horrível”, lamentou.

    “Um ataque contra os judeus australianos é um ataque contra todos os australianos”

    Presente na mesma coletiva de imprensa, o primeiro-ministro da Austrália, Anthony Albanese, lamentou o “devastador atentado terrorista em Bondi, durante a celebração do Hanukkah à beira-mar”.

    “Este foi um ataque direcionado contra os judeus australianos no primeiro dia do Hanukkah, que deveria ser um dia de alegria, uma celebração da fé. Trata-se de um ato de maldade, antissemitismo e terrorismo que atingiu o coração da nossa nação”, afirmou, ressaltando que “um ataque contra os judeus australianos é um ataque contra todos os australianos”.

    Israel denuncia “vil ataque terrorista contra os judeus”

    Em comunicado, o presidente de Israel, Isaac Herzog, denunciou o que classificou como um “vil ataque terrorista contra judeus que acendiam as primeiras velas” da celebração religiosa.

    “Nosso coração está com eles. O coração de toda a nação de Israel bate forte neste momento, enquanto rezamos pela recuperação dos feridos e por aqueles que perderam a vida”, declarou em nota oficial.

    “Reiteramos repetidamente nossos alertas ao governo australiano para que aja e combata a enorme onda de antissemitismo que assola a sociedade australiana”, acrescentou.

    Por sua vez, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, acusou o governo australiano de ter “colocado lenha na fogueira do antissemitismo” no país.

    “Há três meses, escrevi ao primeiro-ministro australiano para dizer que sua política estava alimentando o antissemitismo”, afirmou Netanyahu, referindo-se a uma carta enviada a Anthony Albanese em agosto, após o anúncio de Camberra de que reconheceria um Estado palestino.

    “O antissemitismo é um câncer que se espalha quando líderes permanecem em silêncio e não agem”, criticou Netanyahu, em discurso durante um evento no sul de Israel, alinhando-se a declarações de outros líderes políticos do país.

    As imagens após o "devastador atentado terrorista" na Austrália

  • Detido suspeito de tiroteio que matou 2 pessoas em universidade nos EUA

    Detido suspeito de tiroteio que matou 2 pessoas em universidade nos EUA

    Uma “pessoa de interesse” foi detida durante a noite de sábado em ligação com o tiroteio na Universidade Brown, nos Estados Unidos. A detenção ocorreu após uma denúncia anônima.

    Uma “pessoa de interesse” relacionada ao tiroteio que deixou dois mortos na Universidade Brown, no estado norte-americano de Rhode Island, foi detida na noite de sábado, informaram as autoridades.

    O detido não é estudante da Universidade Brown, e a prisão foi possível graças a uma denúncia anônima, segundo uma fonte ligada à investigação ouvida pela ABC News.

    A detenção ocorreu após as autoridades norte-americanas divulgarem um vídeo de uma “pessoa de interesse” ligada ao tiroteio.

    O ataque aconteceu pouco depois das 16h (horário local; 21h em Lisboa), dentro de uma sala de aula onde estavam sendo realizados exames, informou o prefeito de Providence, Brett Smiley, durante coletiva de imprensa.

    As portas externas do prédio estavam abertas por causa da realização das provas, e “não se sabe” por onde o suspeito entrou.

    “Não sabemos como ele entrou no edifício, mas sabemos que saiu pelo lado da Hope Street do complexo”, afirmou o comandante Timothy O’Hara, vice-chefe da Polícia de Providence.

    Após a coletiva, foi divulgado um vídeo de uma “pessoa de interesse” que as autoridades acreditam ser o atirador. As imagens mostram um homem, aparentemente, vestindo roupas escuras e largas, caminhando por uma rua nas proximidades da universidade.

    Tiroteio deixou dois mortos e nove feridos, a maioria em estado grave
    Além das duas vítimas fatais, o tiroteio deixou nove feridos, a maioria em estado grave. Um balanço inicial apontava oito feridos, mas horas depois foi contabilizada mais uma pessoa ferida por estilhaços.

    A universidade, integrante da Ivy League, emitiu um alerta de atirador ativo e orientou alunos e funcionários a procurarem abrigo.

    No sábado, dirigentes da instituição chegaram a informar que um suspeito já estava sob custódia, mas depois corrigiram a informação, esclarecendo que a polícia ainda buscava um ou mais envolvidos, segundo alertas do sistema de notificação de emergência da Brown citados pela Associated Press (AP).

    “Ainda estamos recebendo informações sobre o que está acontecendo, mas estamos orientando as pessoas a trancarem as portas e permanecerem vigilantes”, disse o vereador de Providence John Gonçalves, cujo distrito inclui o campus da Brown.

    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também afirmou na rede social Truth Social que havia sido “informado sobre o tiroteio ocorrido na Universidade Brown” e que o “suspeito estava detido”, mas posteriormente corrigiu a informação.

    O tiroteio ocorreu no segundo dia de provas finais, nas proximidades do edifício Barus & Holley, um complexo de sete andares que abriga a Escola de Engenharia e o Departamento de Física.

    Segundo o site da universidade privada, o prédio conta com mais de 100 laboratórios, dezenas de salas de aula e escritórios.

    Os estudantes foram orientados a permanecer onde estavam enquanto a polícia continua investigando, e pessoas fora do perímetro foram aconselhadas a evitar a área.

    A Brown é uma instituição privada com cerca de 7.300 alunos de graduação e mais de 3 mil alunos de pós-graduação. Este domingo marca o segundo dia de exames finais do semestre de outono.

    Detido suspeito de tiroteio que matou 2 pessoas em universidade nos EUA

  • Atentado na Austrália foi "ataque terrorista" contra "comunidade judaica"

    Atentado na Austrália foi "ataque terrorista" contra "comunidade judaica"

    O chefe da polícia de Nova Gales do Sul, Mal Lanyon, afirmou este domingo que o ataque na praia de Bondi, na Austrália, foi considerado “terrorista”. Já o governador de Nova Gales do Sul, Chris Minns, indicou que teve como objetivo atingir a “comunidade judaica de Sydney”.

    O tiroteio que deixou pelo menos 12 mortos na praia de Bondi, em Sydney, na Austrália, foi classificado como um ataque “terrorista” com o objetivo de atingir a “comunidade judaica”.

    Em coletiva de imprensa, o chefe da Polícia de Nova Gales do Sul, Mal Lanyon, informou que há registro de 12 mortos e 29 feridos, incluindo dois policiais.

    “Hoje, às 21h36 [07h36 em Brasília], declarei este incidente como terrorista”, anunciou.

    A Polícia de Nova Gales do Sul havia informado que dois suspeitos foram detidos, mas o chefe da corporação admitiu a possibilidade da existência de um terceiro atirador.

    “Também autorizei poderes especiais para garantir que, caso haja um terceiro autor — e estamos investigando isso neste momento — possamos impedir qualquer atividade adicional”, afirmou.

    O governador de Nova Gales do Sul, Chris Minns, declarou que “este ataque foi planejado para atingir a comunidade judaica de Sydney”.

    “No primeiro dia de Hanukkah, o que deveria ter sido uma noite de paz e alegria, celebrada por essa comunidade com famílias e apoiadores, foi destruído por este ataque horrível”, lamentou.

    O chefe da polícia informou ainda que as autoridades localizaram um carro nas proximidades da praia com “vários artefatos explosivos improvisados”.

    “Como parte da investigação e logo após o tiroteio, a polícia localizou um veículo na Campbell Parade, em Bondi, que acreditamos conter diversos artefatos explosivos improvisados. Nossa equipe de desativação de bombas está no local neste momento trabalhando na ocorrência”, disse aos jornalistas, segundo a Sky News.

    “Um ataque contra judeus australianos é um ataque contra todos os australianos”

    Também presente na coletiva, o primeiro-ministro da Austrália, Anthony Albanese, lamentou o “devastador atentado terrorista em Bondi, durante a celebração do Hanukkah à beira-mar”.

    “Este foi um ataque direcionado contra judeus australianos no primeiro dia de Hanukkah, que deveria ser um dia de alegria, uma celebração da fé. Trata-se de um ato de maldade, antissemitismo e terrorismo que atingiu o coração da nossa nação”, afirmou, destacando que “um ataque contra judeus australianos é um ataque contra todos os australianos”.

    Israel denuncia “vil ataque terrorista contra judeus”

    Em comunicado, o presidente de Israel, Isaac Herzog, denunciou o que classificou como um “vil ataque terrorista contra judeus que acendiam as primeiras velas” da celebração religiosa.

    “Nosso coração está com eles. O coração de toda a nação de Israel bate forte neste momento, enquanto rezamos pela recuperação dos feridos e lembramos daqueles que perderam a vida”, afirmou em nota oficial.

    “Reiteramos repetidamente nosso alerta ao governo australiano para que aja e combata a enorme onda de antissemitismo que assola a sociedade australiana”, acrescentou.

    Localizada a leste de Sydney, Bondi é a praia mais famosa da Austrália e atrai grande número de turistas, surfistas e banhistas, especialmente nos fins de semana.

    Atentado na Austrália foi "ataque terrorista" contra "comunidade judaica"